segunda-feira, 13 de abril de 2026

Grandes álbuns do Prog-Rock: Reale Accademia Di Musica - "Reale Accademia Di Musica" (1972)

A "Reale Accademia di Musica" nasceu de um grupo muito conhecido em Roma, "I Fholks", que em sua carreira tocou ao lado do Pink Floyd e Jimi Hendrix (ambos em Roma, em 1968), mas que só conseguiu lançar um single. Era o que se chamava "Beat Music". O próprio "I Fholks" evoluíra de outro grupo, "I Condors", formado em 1965 (que incluía o guitarrista Claudio Baldassari e o baixista Pierfranco Pavone). Inicialmente denominado "Folks", o grupo acompanhou o cantor/compositor Roby Crispiano (isto rolou por um ano, eles se apresentaram por toda a Itália) até decidirem seguir carreira própria. Agregaram o vocalista Henryk "Nene" Topel e o baterista Ruggero Stefani (ex-Le Pupille), ambos então vindo do Naufraghi, e alteraram o nome para "I Fholks". Nesta formação, tocaram regularmente no Piper Club (onde abriram concertos do Pink Floyd, em 18-19/abr/68) e no Titan Club (de Massimo Bernardi). Foi no Titan, que foram notados por Jimi Hendrix, que chegou a fazer uma jam com eles e os convidou para abrirem o segundo de seus shows no Teatro Brancaccio, em Roma (em 25-26/mai/68). Antes de partir de Roma, Hendrix teria dito à banda que os queria com ele em sua turnê norte-americana do próximo verão, um convite que não pode ser aceito porque nenhum deles tinha passaporte (é mole?). No início de 69, o Fholks participou do "1º Cantapaiper" (um festival itinerante com vários artistas). Neste período, o tecladista Enzo Volpini juntou-se ao grupo, mas no final de 69, o guitarrista Claudio Baldassarri saiu e foi substituído por Pericle Sponzilli.
I Fholks - "Mi Scorri Nelle Vene" (single de 45 rpm)
Foi este quinteto que gravou um single lançado em 71 pela Dischi Ricordi, com produção de Maurizio Vandelli ("Mi Scorri Nelle Vene", na realidade, era um remake da canção "Soldier In You Town", do Iron Butterfly", aliás, muito bonito - Vandelli havia se empolgado ao ver a banda ao vivo e a trouxe para a Ricordi). Após isto, Volpini foi substituído por Federico Troiani, enquanto Baldassarri formou outro grupo, o Crisalide (de curta duração - apenas um ano). Com esta segunda formação, o Fholks participou de diversos festivais importantes da época (Caracalla '70 e '71, Gualdo '70, o Viareggio '71, entre outros), mas se desfez durante as gravações de um álbum cantado em inglês. Neste momento, enquanto o baterista Ruggero Stefani se juntou ao L'Uovo di Colombo (no qual Enzo Volpini já tocara), os demais formaram a "Reale Accademia di Musica" contando com Roberto Senzasono na bateria. Esta formação (Henryk Topel - vocais; Federico Troiani - teclados; Pericle Sponzilli - guitarras/violões; Pierfranco Pavone - baixo; Roberto Senzasono - bateria), mantida a produção de Maurizio Vandelli, gravou o álbum de mesmo nome, no verão de 72.
Como muitas bandas italianas dos mágicos anos 70, a Reale Accademia Di Musica era outro grupo excelente, único e capaz de produzir verdadeiro Prog-Rock de alto nível. Musicalidade habilidosa, arranjos preciosos, vocais requintados e comoventes, violões bucólicos/pastorais, passagens bonitas e cativantes, teclados majestosos (inclusive mellotron), momentos oníricos, crescendos instrumentais, imponência e grandiosidade musical, romantismo italiano, performances ardentes e explosivas. Assim como em outras grandes bandas italianas (a Premiata Forneria Marconi, por exemplo), a musicalidade era muito alta, repleta de sensibilidade, equilíbrio e solidez. Um álbum amplamente bonito, de puro Rock Progressivo (numa época em que Le OrmeBanco del Mutuo Soccorso e PFM estavam ainda decolando com seus primeiros trabalhos). Paisagens sinfônicas exuberantes, doces melodias românticas e melancólicas, algo do Blues-Rock, vocais excelentes, aqueles climas mediterrâneos, num todo emocionante e sedutor. As faixas se sucedendo, joia após joia.
Imediatamente após as mixagens do álbum, o guitarrista Pericle Sponzilli saiu da banda (partiu para a Índia onde ficaria por quase dez anos!), sendo substituído por Nicola Agrimi (ex-Le Esperienze). No entanto, logo Agrimi foi substituído por Nicola di Staso (ex-Le Rivelazioni) e depois Gianfranco Coletta. O baterista Roberto Senzasono também deixou a banda e foi substituído por Walter Martino (ex-Il Ritratto di Dorian Gray). A Reale Accademia di Musica tocou em fev/73 numa das noites do famoso segundo Controcanzonissima (junto com palco Balletto di BronzoQuesta Vecchia LocandaIl Rovescio della MedagliaOsannaPFMGarybaldiBanco del Mutuo SoccorsoThe Trip e Circus 2000), no Piper Club, em Roma, mas a banda se desfez pouco depois.
Federico Troiani, Robert Senzasono, o baixista Dino Cappa e Gianfranco Coletta ainda trabalharam juntos novamente junto com o cantor/compositor Adriano Monteduro e participando do álbum duplo "Adriano Monteduro & Reale Accademia di Musica", lançado em 74. Entenda bem: isto não foi um segundo álbum da banda, mas apenas um trabalho de Soft Rock de Monteduro usando como banda de apoio (colaboradores contratados) a Reale Accademia di Musica (ou o que restara dela então - só dois membros originais). Por isto, esqueça aqui qualquer vestígio de Prog-Rock. Em 74, a RCA chegou a produzir um álbum chamado "La Cometa" (que permaneceu inédito até 2010, quando Henryk Topel usando uma fita guardada o lançou em CD) com uma formação que incluiu Topel (vocais), Coletta (guitarras), Sponzilli (guitarras), Troiani (teclados), Carlo Bruno (baixo) e Roberto Senzasono (bateria). Na verdade, tratou-se de um trabalho que deveria ser o primeiro álbum solo de Henryk Topel. Após o fim da banda (após o lançamento do álbum de estreia), todos os seus músicos tentaram sobreviver no mundo da música como músicos de estúdio. Este solo de Topel, porém contendo praticamente a banda toda original, ficaria engavetado esquecido. Uma cópia guardada por Stefano Fournier, amigo de Topel e que também participou das gravações, é que foi utilizada para digitalização, remasterização e lançamento. Desde então, os músicos continuaram suas atividades próprias.




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