A "Reale Accademia di Musica" nasceu de um grupo muito conhecido em Roma, "I Fholks", que em sua carreira tocou ao lado do Pink Floyd e Jimi Hendrix (ambos em Roma, em 1968), mas que só conseguiu lançar um single. Era o que se chamava "Beat Music". O próprio "I Fholks" evoluíra de outro grupo, "I Condors", formado em 1965 (que incluía o guitarrista Claudio Baldassari e o baixista Pierfranco Pavone). Inicialmente denominado "Folks", o grupo acompanhou o cantor/compositor Roby Crispiano (isto rolou por um ano, eles se apresentaram por toda a Itália) até decidirem seguir carreira própria. Agregaram o vocalista Henryk "Nene" Topel e o baterista Ruggero Stefani (ex-Le Pupille), ambos então vindo do Naufraghi, e alteraram o nome para "I Fholks". Nesta formação, tocaram regularmente no Piper Club (onde abriram concertos do Pink Floyd, em 18-19/abr/68) e no Titan Club (de Massimo Bernardi). Foi no Titan, que foram notados por Jimi Hendrix, que chegou a fazer uma jam com eles e os convidou para abrirem o segundo de seus shows no Teatro Brancaccio, em Roma (em 25-26/mai/68). Antes de partir de Roma, Hendrix teria dito à banda que os queria com ele em sua turnê norte-americana do próximo verão, um convite que não pode ser aceito porque nenhum deles tinha passaporte (é mole?). No início de 69, o Fholks participou do "1º Cantapaiper" (um festival itinerante com vários artistas). Neste período, o tecladista Enzo Volpini juntou-se ao grupo, mas no final de 69, o guitarrista Claudio Baldassarri saiu e foi substituído por Pericle Sponzilli.
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| I Fholks - "Mi Scorri Nelle Vene" (single de 45 rpm) |
Como muitas bandas italianas dos mágicos anos 70, a Reale Accademia Di Musica era outro grupo excelente, único e capaz de produzir verdadeiro Prog-Rock de alto nível. Musicalidade habilidosa, arranjos preciosos, vocais requintados e comoventes, violões bucólicos/pastorais, passagens bonitas e cativantes, teclados majestosos (inclusive mellotron), momentos oníricos, crescendos instrumentais, imponência e grandiosidade musical, romantismo italiano, performances ardentes e explosivas. Assim como em outras grandes bandas italianas (a Premiata Forneria Marconi, por exemplo), a musicalidade era muito alta, repleta de sensibilidade, equilíbrio e solidez. Um álbum amplamente bonito, de puro Rock Progressivo (numa época em que Le Orme, Banco del Mutuo Soccorso e PFM estavam ainda decolando com seus primeiros trabalhos). Paisagens sinfônicas exuberantes, doces melodias românticas e melancólicas, algo do Blues-Rock, vocais excelentes, aqueles climas mediterrâneos, num todo emocionante e sedutor. As faixas se sucedendo, joia após joia.
Imediatamente após as mixagens do álbum, o guitarrista Pericle Sponzilli saiu da banda (partiu para a Índia onde ficaria por quase dez anos!), sendo substituído por Nicola Agrimi (ex-Le Esperienze). No entanto, logo Agrimi foi substituído por Nicola di Staso (ex-Le Rivelazioni) e depois Gianfranco Coletta. O baterista Roberto Senzasono também deixou a banda e foi substituído por Walter Martino (ex-Il Ritratto di Dorian Gray). A Reale Accademia di Musica tocou em fev/73 numa das noites do famoso segundo Controcanzonissima (junto com palco Balletto di Bronzo, Questa Vecchia Locanda, Il Rovescio della Medaglia, Osanna, PFM, Garybaldi, Banco del Mutuo Soccorso, The Trip e Circus 2000), no Piper Club, em Roma, mas a banda se desfez pouco depois.
Federico Troiani, Robert Senzasono, o baixista Dino Cappa e Gianfranco Coletta ainda trabalharam juntos novamente junto com o cantor/compositor Adriano Monteduro e participando do álbum duplo "Adriano Monteduro & Reale Accademia di Musica", lançado em 74. Entenda bem: isto não foi um segundo álbum da banda, mas apenas um trabalho de Soft Rock de Monteduro usando como banda de apoio (colaboradores contratados) a Reale Accademia di Musica (ou o que restara dela então - só dois membros originais). Por isto, esqueça aqui qualquer vestígio de Prog-Rock. Em 74, a RCA chegou a produzir um álbum chamado "La Cometa" (que permaneceu inédito até 2010, quando Henryk Topel usando uma fita guardada o lançou em CD) com uma formação que incluiu Topel (vocais), Coletta (guitarras), Sponzilli (guitarras), Troiani (teclados), Carlo Bruno (baixo) e Roberto Senzasono (bateria). Na verdade, tratou-se de um trabalho que deveria ser o primeiro álbum solo de Henryk Topel. Após o fim da banda (após o lançamento do álbum de estreia), todos os seus músicos tentaram sobreviver no mundo da música como músicos de estúdio. Este solo de Topel, porém contendo praticamente a banda toda original, ficaria engavetado esquecido. Uma cópia guardada por Stefano Fournier, amigo de Topel e que também participou das gravações, é que foi utilizada para digitalização, remasterização e lançamento. Desde então, os músicos continuaram suas atividades próprias.








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