sábado, 2 de maio de 2026

A Sweet Niche - WIRES

 


A Sweet Niche é um projeto de Keir Cooper e Olly Sellwood. Com uma sonoridade que mescla jazz, rock alternativo e rock intenso, Keir e Olly se conhecem desde a infância. Olly já tocou com diversos artistas da gravadora Bad Elephant, incluindo Charlie Cawood, do Knifeworld, e Emmett Elvin, do Chrome Hoof. Além disso, também já tocou com Necro Deathmort e Vodun, enquanto Keir se apresenta com a banda londrina Yossarian e com o sexteto de guitarras TMWKFBIMGYL, de Chris Brett Bailey.

Eles começaram como Eye Music. O primeiro projeto era para saxofone barítono, guitarra e bateria. Depois veio o Eye Music 2. O baterista Tim Doyle se juntou ao A Sweet Niche. WIRES é um lançamento arrasador de 2019. É como um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer segundo. As influências vão de Faust, WorldService Project, Diablo Swing Orchestra, Henry Cow, Captain Beefheart e os três primeiros álbuns do Soft Machine, com um toque de fuzz em homenagem a Mike Ratledge.

Há momentos em que vivemos num cenário distópico de pesadelo, depois de tudo ter parado abruptamente em março do ano passado, quando a pandemia da COVID-19 chegou. E A Sweet Niche traz um pouco dessa experiência. Como ouvinte, você pode se imaginar caminhando numa corda bamba perigosa. E do começo ao fim, você nunca sabe se Keir e Olly vão cortar a corda a qualquer segundo.

Transitando entre o movimento Rock In Opposition, o Punk, a Poesia e o Avant-Rock, eles criaram algo quente e picante em sua cozinha, dando um enorme dedo do meio para Gordon Ramsay. O saxofone de Olly por vezes evoca Lol Coxhill, David Jackson do Van der Graaf Generator, Lindsay Cooper, John Coltrane e o fagotista do Univers Zero, Michel Berkmans.

Sempre imaginei que o A Sweet Niche não só fundiu punk e jazz, mas também ouviu algumas das lendas das bandas do RIO enquanto preparava o WIRES. Tem o Art Zoyd, Guapo, Magma, e uma homenagem ao saudoso e genial Roger Trigaux, do Present. Adorei a épica em duas partes de Dom Quixote. Ela se torna uma espécie de último ato do nobre para vislumbrar sua história de cavaleiro.

Caóticas, complexas, alarmantes e tensas, as músicas trazem o herói trágico de La Mancha com esses temas de fundo assombrosos que mostram o quanto Quixote se tornou seu próprio pior inimigo. Os vocais adicionam ainda mais intensidade, tornando os arranjos de Sweet Niche ainda mais envolventes!

A interpretação comovente de Chantal Brown para " The Art of Cultivation" presta homenagem à saudosa e grandiosa Nina Simone, enquanto a mente poética de Eleanor Sikorski, inspirada em Allen Ginsberg, adiciona o perigo que o mundo exterior representa para a greve de fome. Mas a combinação desafiadora de Luke Toms entre vocais e instrumentos em " What Pulls You Back" dá ao Sweet Niche ainda mais fôlego!

WIRES é uma montanha-russa do começo ao fim. Como mencionei antes, é uma estreia desafiadora que o A Sweet Niche lançou, mas, meu Deus! Eles são de outro mundo!




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