A banda e o álbum selecionados hoje já foram devidamente resenhados na magnífica (e sempre aguardada) coluna "Tesouros Perdidos" do querido brother Marcão (leia aqui). Não resta dúvida da acertada escolha deste item "do fundo do baú" do Rock Raro. Mas era 2016, foi a estreia da coluna e, pedindo licença desde já ao nobre amigo, avaliei que esta verdadeira pepita merecia voltar a ser avaliada sob o prisma do Rock Progressivo. Trata-se de um grupo que existiu por pouco menos de um ano e, neste curto período, deixou este único álbum.
Fundado em Mannheim (importante cidade universitária, industrial, comercial e um dos maiores centros de transportes da Europa), em 1971, contando com Geff Harrison (vocais), Gerhard Mrozeck (violão e guitarras), Dieter Bauer (baixo), Konstatin "Konni" Bommarius (bateria) e Steve Robinson e Veit Marvos (ambos nos teclados), o grupo buscou seu nome num antigo ditado inglês que diz "1066 and then", uma referência a 1066, ano importante na história inglesa devido à vitória do exército franco-normando liderado por Guilherme II, o Conquistador, na Batalha de Hastings. Geff Harrison acrescentou 1000 extras ao ano 1066 virando 2066 (ou, por extenso, "Twenty Sixty Six"). Musicalmente, a proposta era criar canções longas (que curiosamente conseguiram ser tocadas nas rádios locais da época) na praia do Hard Prog (pense Deep Purple, Uriah Heep, Atomic Rooster, Vanilla Fudge e Spooky Tooth, porém com um viés bem mais Progressivo). O único álbum deles foi lançado numa pequena edição pela United Artists Records, em 1972, e vendeu tão mal que a banda se separou na sequência (cada membro seguiria carreira em outras bandas).
A música no álbum era dominada pela guitarra e pelo órgão Hammond, com vocais típicos do Blues-Rock inglês (Harrison era nascido na Inglaterra). Além disto, os dois tecladistas usavam Mellotron, piano elétrico e acústico, vibrafone e sintetizadores. Com as linhas melódicas dos diversos instrumentos se entrelaçando de forma complexa, o resultado às vezes era meio jazzy, mas na maior parte do tempo, o que brotava do álbum era mesmo um som com peso, teclados inchados, balanço propulsivo e forte, guitarra pronunciada e enfoguetada, com passagens mais silenciosas. Havia arranjos de inspiração erudita e momentos típicos de jam, mas no geral o álbum tratava-se de um Proto-Prog encharcado de órgãos dramáticos (às vezes com elementos sinfônicos), algumas improvisações, alguns ritmos de alta octanagem e guitarras bem Hard. Aliás, climas Hard Psych dominavam as cinco expansivas faixas: no lado 1, "At My Home" (5 minutos), "Autumn" (9 minutos e meio) e "Butterking" (7 minutos e meio); no lado 2, "Reflections On The Future" (de mais de 16 minutos) e "How Do You Feel" (de 3 minutos e meio). Em 1991, o selo alemão Second Battle (especializado em reedições de Hardão e Prog alemão dos anos 70) lançou um álbum chamado "Reflections On The Past" com faixas inéditas da banda (material não aproveitado na época). Biscoito fino também, tão bom quanto a estreia. Entretanto, quando a gravadora tentou lançar uma compilação em CD, descobriu as master tapes do primeiro álbum haviam sido perdidas. Curiosamente, ela encontrou mais material inédito e alternativo. Por isto, "Reflections!" incluiu alt-takes de todo "Reflections On The Future" mais material do "Reflections On The Past".



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