Formada em 1962, em Sarajevo, na antiga Iugoslávia (hoje, Bósnia), a banda focada nesta coluna de hoje é uma das primeiras bandas (e também uma das carreiras mais duradouras) daquele país, desfrutando popularidade através de gerações de roqueiros. Nos anos 60, ela se tornou sinônimo da então chamada cena "Sarajevo Pop School" (de bandas formadas por estudantes universitários). O nome "Indexi" significava o plural de "index", livrinhos azuis que os alunos usavam para registro de frequência e notas nos exames. No início, eles tocavam principalmente remakes instrumentais de sucessos do Rock mundial, mas por volta de 1967 começaram a compor suas próprias canções. A formação básica consistia em Slobodan A. Kovačević (guitarra), Fadil Redžić (baixo) e Davorin Popović (vocais), enquanto os bateristas e tecladistas mudavam frequentemente.
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| Kornelije Kovač, Fadil Redžić, Đorđe Kisić, Ismet Arnautalić, Slobodan Kovačević e Davorin Popović |
O período jun/69-abr/71 foi especial para a banda e foi quando eles experimentaram um pico criativo e produziram farto repertório autoral. Sentiram que era possível criar sua própria interpretação Prog-Rock em termos de duração e formato das canções. Neste contexto, experimentaram harmonias, sons e efeitos de gravação em estúdio. Havia o desejo de tentar incorporar o que era feito no Rock anglo-americano. Encorajados pela inesperada popularidade do single "Plima" (gravado no início de 69), eles mergulharam numa busca por alternativas para sua música de acordo com os desenvolvimentos então em curso na cena underground britânica e americana. O Rock Progressivo surgiu nesse período criando um veículo para as bandas canalizarem elementos da música erudita, Jazz e até outros gêneros fora do Pop convencional. O Indexi foi a primeira banda na Iugoslávia a abrir espaço para tais desenvolvimentos artísticos. Entretanto, composições gravadas assim, comumente tinham duração que excedia dos 3 ou 4 minutos padrões da indústria (e não cabia nos singles de 2 faixas ou nos EPs de 4 faixas). A solução estava no LP de 12" que oferecia mais espaço. Na Iugoslávia daquela época, LPs eram lançados apenas esporadicamente (a demanda do mercado por tal opção ainda não era suficiente). Além disso, a tecnologia de gravação por lá só permitia quatro canais e as gravadoras ficavam céticas quanto ao potência comercial de música Rock (ou Beat como ainda era chamada na Iugoslávia). Claro que tudo isso era um desafio para bandas ambiciosas como o Indexi. Mesmo assim, a principal gravadora iugoslava da época, a Jugoton (de Zagreb), arriscou e deu oportunidade neste período a vários conjuntos vocais-instrumentais nascidos na cena Beat dos anos 60 de gravar um álbum. Foi assim que o Indexi passou a planejar o seu. Kovačević e Redžić sentiam-se preparados (eles eram os principais compositores) e agora podiam contar com Rihtman, um excelente arranjador. O Indexi assinou contrato com a Jugoton no início de 69 (até então, seus singles foram todos lançados pela PGP RTB, de Belgrado). O fato de Đorđe Novković, ex-membro do Indexi, ter conseguido que sua nova banda, Pro Arte, gravasse um LP no outono de 70 (foi a primeira banda de Sarajevo a conseguir isto) ajudou a impulsionar. Outro fato positivo foi que, pouco antes das sessões de gravações acontecerem, eles se mudaram de Sarajevo para Zagreb (e eles assim optaram por causa de suas apresentações de sucesso no Festival de Zagreb em 70-71, bem como pela colaboração com a dupla de compositores Hrvoje Hegedušić e Maja Perfiljeva). Os primeiros frutos ocorreram no final de 70 através das composições "Da sam ja netko", "Svijet u kome zivim" e "Hej ti" (primeiros singles deles lançados pela Jugoton em mar/71). A partir daí, a banda passou a trabalhar no álbum, além de fazer shows regulares em hotéis e clubes. Entretanto, Ranko Rihtman saiu em mai/71 e o Indexi virou um entra-e-sai de tecladistas (Vlado Pravdić, Enco Lesić) e bateristas (Miroslav Šaranović, Perica Stojanović), o que dificultou o projeto do álbum. No final de 71, a banda decidiu se profissionalizar, isto é, funcionar em tempo integral, parar de aparecer em festivais Pop (para os quais dependia de compositores ligados à indústria fonográfica) e focar num trabalho diário, fazendo mais gravações e organizando shows independentes. Foi um gesto de libertação.
Entretanto, 1972 viu apenas o lançamento de uma fita cassete com o título "Indeksi" contendo sete faixas (pela recém lançada gravadora RTV Ljubljana), material gerado entre 69 e 71. A banda também fez dois shows importantes (em abril, no Pop Festival 72 "Boom" e no Pop Festival "Slovenska Popevka 72", em junho, ambos em Liubliana, na época ainda Iugoslávia, porém hoje capital da Eslovênia). Entre estas sete faixas, havia "Negdje na kraju, u zatisju", composição de Kovačević baseada no poema de Želimir Altarac Čičak, considerada a primeira canção da Iugoslávia gravada com mais de dez minutos, confirmando o pioneirismo do Indexi numa suíte com vários movimentos, com interlúdios instrumentais soando sinfônicos e experimentos de vanguarda utilizando efeitos de estúdio. Esta composição é frequentemente considerada a "magnus opus" do Indexi, um hino do Prog-Rock inicial na Iugoslávia. Infelizmente, o cassete era mono e três dessas canções nunca mais apareceriam em nenhum lançamento. Não era ainda o tão almejado álbum de estreia, mas já deixava clara a qualidade e a direção Prog da banda. Infelizmente, eles ainda levariam seis longos anos para conseguir registrar o álbum "Modra Rijeka". No início de 73, o Indexi ficou sem tecladista e houve uma surpreendente fusão com a banda Pro Arte (de Đorđe Novković) gerando o "Indexi + Pro Arte", contando com dois vocalistas (Davorin Popović do Indexi e Vladimir Savčić Čobi do Pro Arte). Esta formação (de orientação mais Pop) fez turnê pela Bulgária. Ainda em 73, a banda conquista o primeiro lugar no festival "Seu maior sucesso da temporada" com a canção "Give Up Your Heart", de Aleksandar Korać, mas no final de 73, Kovačević e Popović (guitarrista e cantor, respectivamente) são convocados para o Exército, o que levou o grupo a parar por um ano. Na retomada, o baterista foi Milić Vukašinović e o tecladista foi Miroslav Maraus (Novković havia se mudado para Zagreb). Em fev/76, ocorre um concerto em Sarajevo sob o nome "Return Of The Indexi", com grande sucesso, e engatam numa turnê pela Iugoslávia (durante a qual, Maraus sai e há o retorno de Enco Lesić. Apresentações em festivais se seguiram (com conquista de vários prêmios) e turnês pela U.R.S.S. Finalmente, após 16 anos de existência, a banda conseguiu durante 1977 gravar o álbum "Modra Rijeka" (tradução: rio azul), que significou um retorno ao Rock Progressivo. Com produção de Nikola Borota e da própria banda (Davorin Popović nos vocais, Slobodan A. Kovačević na guitarra/violão, Fadil Redžić no baixo, mais Nenad Jurin nos teclados e Đorđe Kisić na bateria), foi como registrar o lado artístico deles, para além do lado dos sucessos de orientação Pop. Contando com participações especiais de Fabijan Sovagović (narrador em 2 faixas, um famoso ator croata), Tihomir Pop Asanović (órgão) e Ranko Rihtman (piano), o disco era uma obra-prima do Prog. Curioso: tratava-se do primeiro álbum de estúdio de uma banda com tanta história, tão vitoriosa na seara Pop, e banda colocou neste trabalho uma energia criativa e uma musicalidade superiores. O resultado era um Prog dominado por teclados e o baixo energético, algo entre o Yes e o Renaissance. Música sobre poemas de Dizdar, um dos melhores poetas bósnios (com seus poemas cheios de misticismo e beleza), gerando canções em que cada uma contava uma pequena história. Belas harmonias multi vocais (típicas do Indexi), violão maravilhoso (lembrando algo do Prog italiano), solos de guitarra e teclados engenhosos e cheios de habilidade (piano clássico, órgão Hammond, sintetizador Moog etc. em duetos e em interações), linhas de baixo elegantes (e impressionantes), tudo musicando poemas sobre a humanidade e o lugar do homem no universo. "Rio Azul" era, na verdade, um símbolo alegórico sobre a vida e a música criada pelo Indexi era uma tapeçaria perfeita para tais letras. Absolutamente fora do tempo (afinal, estávamos em 78), o LP surpreendeu a todos (inclusive os fãs). Uma sonoridade triste e poética, dramática e angustiante, melódica e intensa, profunda e doce. Destaques para a faixa "Blago" (tradução: tesouro), "Slovo O Covjeku" (tradução: carta sobre o homem, com quase 6 minutos, uma bela balada), "More" (tradução: mar, com quase 12 minutos) e "Modra Rijeka II", que fechava o disco (com quase 7 minutos). Um álbum magistral e inspirado, mesclando Hard Prog com Prog sinfônico e com aquele elemento "grandioso", difícil de se descrever, típico das obras-primas. Uma joia!




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