quarta-feira, 3 de junho de 2026

Grandes álbuns do Prog-Rock: Island - "Pictures" (1977)


Esta banda Island pode ser vista como uma espécie de supergrupo suíço já que seus membros vieram de diversas outras bandas (Deaf, Toad, Circus etc.). Benjamin Jäger (vocais principais e percussões), Peter Scherer (teclados), René Fisch (sax, flauta, clarinete) e Güge Jürg Meier (bateria e percussões) gravaram o único álbum da banda, "Pictures", no verão de 1977, mas na origem (em 1975, em Stadel, no norte da Suíça) o grupo foi um quinteto em torno do trio Jäger-Scherer-Meier com adição de um guitarrista e um baixista. Houve várias formações (mantido o trio-base) e o som foi evoluindo a partir de um estilo ELP + Genesis + VDGG + Gentle Giant para um Prog-Rock mais soturno, misterioso, cheio de elementos sombrios e aventureiros. Em 76, com a entrada de René Fisch, houve um ajuste na direção musical com maiores influências de Van der Graaf Generator e Zeuhl (pense no Magma, de Christian Vander). Tudo isso resultou na criação de um estilo refinado e complexo. A capa (trabalho gráfico do famoso artista suíço H. R. Giger) era adequadamente sombria e misteriosa, tal qual a música que saía do álbum e também da banda, que desapareceria logo depois. O lançamento pelo pequeno selo suíço Round Records (que durou pouco) contribuiria ainda mais para o aspecto lendário/obscuro da banda e deste disco esquecido. "Pictures", o único álbum que eles lançaram, era realmente estranho/sinistro, porém exalando inventividade.
De fato, com sonoridade por vezes sombria, até perturbadora, percussiva, a gerar um Prog complexo, repleto de atmosferas sinistras, era fascinante, mesmo demandando dedicação do ouvinte. Apenas cinco faixas, mas tirando as duas primeiras ("Introduction", de 1:28 min., e "Zero", instrumental, de 6:13 min.), o restante do álbum era composto de faixas longas ("Pictures", de 16:51 min., "Herold and King / Dloreh", de 12:13 min. e "Here and Now", de 12:15 min.). Como é recorrentemente descrito, o resultado sonoro do álbum gerava uma curiosa mistura de Gentle Giant e Van der Graaf Generator. Harmonias vocais, saxes estranhos, quebras de ritmo, percussões insanas (um dos elementos dominantes), certamente havia um sentimento similar ao das referências. Mas os caras não eram copiadores. "Pictures" tinha todo tipo de elementos únicos: solos de sax/clarinetes, bateria jazzística, teclados, tons misteriosos aqui e ali, seção rítmica perfeita, oscilações e crescendos, ataques, partes cantadas e outras amplamente instrumentais, climas Fusion momentâneos, sem guitarra elétrica ou baixo, inclinações Zheul, som dissonante e desafiador por vezes, num estilo quase gótico. Tudo muito elaborado (música bem complexa), porém não inacessível, ainda que recomendada somente para fãs de Rock Progressivo mais "dedicados". Música muito imprevisível, cheia de surpresas, melodias desestruturadas, frequentes mudanças de andamento, intensamente minuciosa (cheia de passagens e segmentos). As influências estavam ali, mas o espírito de vanguarda os levou a um caminho único. Difícil intuir para onde cada canção irá ou qual é o momento do ápice e quando ela irá simplesmente acabar. Tipo de som para o qual resta ao ouvinte apenas curtir cada segundo e deixar rolar. Performances impecáveis, lideradas pelo sax/flauta/bateria. Vocais em inglês, algumas melodias bem sombrias, uso do silêncio, momentos melódicos e outros nem tanto, indicado para aqueles que procuram por algo diferente e mais desafiador. Com este sólido álbum (uma das obras-primas do Rock suíço), o grupo Island tornou-se enormemente elogiado na seara Prog




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