quarta-feira, 17 de junho de 2026

Grandes álbuns do Prog-Rock: Time - "Time " (1972)

 


"Time" foi uma banda de Rock da antiga Iugoslávia formada em Zagreb, em 1971. Eles foram uma das bandas mais proeminentes da cena roqueira do país nos anos 70. Ela foi formada pelo vocalista Adolf "Dado" Topić (ex-Dinamiti e ex-Korni Grupa). A primeira formação contou, ao lado de Topić, Vedran Božić (guitarra), Tihomir "Pop" Asanović (teclados), Mario Mavrin (baixo), Ratomir "Ratko" Divjak (bateria) e Branislav "Labmert" Živković (piano e flauta). A banda ganhou grande popularidade e atenção da mídia com o lançamento de seu álbum de estreia autointitulado em 1972, hoje considerado um dos álbuns mais importantes da história do Rock iugoslavo - que apresentou um peculiar/único Hard-Prog com elementos de improvisações do Jazz. Apesar do sucesso deste disco, a banda não conseguiu manter uma formação estável, com Topić permanecendo o único membro permanente anos seguintes. Apesar das inúmeras mudanças e hiatos na formação, a banda lançou mais dois álbuns de estúdio com sucesso moderado, encerrando oficialmente suas atividades em 1977. Vamos rever toda essa história na postagem de hoje. Adolf "Dado" Topić começou sua carreira musical na segunda metade dos anos 60 como baixista de uma banda da escola de segundo grau, a "Đavolji Eliksiri" (tradução: "Os Elixires do Diabo", nome tirado do livro de 1815, "Die Elixiere des Teufels", do escritor alemão Ernst Theodor Amadeus Hoffmann, conhecido simplesmente como E. T. A. Hoffmann). Esta banda escolar contava com Josip Boček (guitarra solo) e Zoran Knežević (na guitarra-base). Knežević viria a se tornar um renomado astrônomo e presidente da Academia Sérvia de Ciências e Artes. Veja só! Topić e Boček mais tarde se mudaram para a banda "Lavine" (tradução: "As Avalanches"), e em 1967 se juntaram à banda "Dinamiti" com Topić mudando para a guitarra-base e, ao mesmo tempo, tornando-se o vocalista da banda.
Dinamiti em 1969: Dado Topić, Josip Boček, Alberto Krasnići, Ratko Divjak
Aliás, Topić e Božić foram membros da formação que ficou mais conhecida do "Dinamiti", junto com o baixista Alberto Krasnići e do baterista Ratomir "Ratko" Divjak. Esta formação foi responsável por alterar o som inicial do "Dinamiti" para um Rock Progressivo com composições de Topić, improvisações influenciadas pelo Jazz e covers de canções de bandas estrangeiras do Prog-Rock. Composições de Topić como "Novine" (tradução: "Jornais") e "Život moj" (tradução: "Minha Vida") estavam de acordo com as tendências emergentes na cena roqueira iugoslava e foram bem recebidas pelo público. O trabalho da banda e o estilo vocal influenciado pelo Blues e Soul de Topić também foram amplamente elogiados pela imprensa da época. Em 1969, Topić foi convidado a ingressar no "Korni Grupa" como substituto do vocalista Dalibor Brun. Ele aceitou e isto levou o "Dinamiti" a encerrar atividades (sem gravar nenhum disco). O "Korni Grupa" era uma banda de Rock de Belgrado, formada em 1968 sob liderança do tecladista Kornelije Kovač. Foi uma das primeiras bandas a alcançar popularidade maior e o mainstream, o que a tornou muito influente na região. Funcionou entre 68-74.
 Vladimir Furduj, Josip Boček, Bojan Hreljac, Dado Topić e Kornelije Kovač
Logo depois, ingressou no "Korni Grupa" o guitarrista  Josip Boček (que substituiu Borko Kacl). Topić ficou no "Korni Krupa" por três anos (69-71), gravando vários singles Pop de sucesso com a banda e escrevendo diversas canções com orientação progressiva, como "Remember", "Žena je luka a čovek brod" (tradução: "Woman Is a Harbor and Man Is A Ship") e "Prvo svetlo u kući broj 4" (tradução: "A primeira luz na casa número 4"), este último co-escrito por Topić e o líder da banda Kornelije Kovač. Finalmente em set/71, Topić deixou o "Korni Grupa" para formar sua própria banda.
 Tihomir "Pop" Asanović, Vedran Božić, Dado Topić, Ratomir "Ratko" Divjak and Mario Mavrin
Com a ajuda do empresário Vladimir Mihaljek, ele montou a primeira formação do "Time", que tinha Topić nos vocais, Vedran Božić na guitarra, Tihomir "Pop" Asanović nos teclados, Mario Mavrin no baixo, Ratko Divjak na bateria e Branislav "Lambert" Živković na piano/flauta. Todos eles eram músicos experientes: Asanović tocara anteriormente com a banda "Generals", Mavrin anteriormente fora membro do "BP Convention", Divjak (além de ter sido colega de Topić no "Dinamiti") também havia tocado no "BP Convention" e Živković anteriormente havia sido membro do "Grupa 220". O mais experiente era Božić: no final dos anos 60, ele se apresentou com as bandas "Grešnici" e "Roboti" (ambas de Zagreb), e mais tarde formou a banda "Wheels of Fire", que se apresentou em clubes da Alemanha Ocidental. Numa ocasião, em um clube de Frankfurt, o "Wheels of Fire" foi acompanhado no palco por Jimi Hendrix, que tocou várias músicas com a banda (imagine só). Após a dissolução do "Wheels of Fire", Božić tocou com as bandas "Mi", "Nautilus", "Super Session Band" e "BP Convention".
Em meados de 72, o "Time" lançou seu álbum de estreia autointitulado pela gravadora Jugoton, de Zagreb. A maioria das canções do álbum foram escritas por Topić durante o tempo que passou no "Korni Grupa". Eram cinco faixas: no lado 1, "Istina mašina" (tradução: "Truth Machine"), que se tornaria um grande sucesso, a balada "Pjesma No. 3" (tradução: "Song nº. 3") e "Hegedupa upa" (que trazia Topić fazendo scat singing); no lado 2, apenas duas faixas: "Kralj alkohol" (tradução: "King Alcohol"), bem orientada ao Jazz em seus 7 minutos e a épica faixa "Za koji život treba da se rodim" (tradução: "Para qual vida devo nascer") de mais de 10 minutos. Inicialmente, os executivos da Jugoton, duvidando do potencial comercial do álbum, decidiram lançar apenas 500 cópias do disco. No entanto, após o surpreendente sucesso que o álbum teve com o público, ele foi relançado em um número maior de cópias e continuaria a ser relançado em várias ocasiões durante as duas décadas seguintes. É preciso ter em mente que este foi o primeiro LP de Rock Progressivo na então Iugoslávia (hoje Croácia), lançado antes mesmo que o álbum de estreia do "Korni Grupa". A produção era muito básica (com os instrumentos gravados sem toda a gama de timbres), mas há muito é considerado uma obra-prima do Prog-Rock, numa praia mais crossover. As canções chaves estavam no lado 2: "Kralj alkohol", maravilhosa balada jazzy ao piano tratando sobre a triste vida dos alcoólatras (com ótimos teclados Fender Rhodes e órgão Hammond criando atmosferas) e a épica "Za koji život treba da se rodim" (com várias partes, letras filosóficas sobre o papel do homem na vida, uma desbundante interação entre o órgão Hammond e o piano, linhas de baixo cativantes, ótimas guitarras e solos de flauta de tirar o fôlego). No lado 1, havia a forte abertura Hard-Rock com "Istina mašina" (com uma linha de baixo incomum, Moog e letras sobre sexo), a balada acústica "Pjesma No. 3" (pastoral, cheia de acordes jazzísticos, incríveis solos de flauta criando uma sensação chuvosa e melancólica, mais letras de amor) e a alegre instrumental "Hegedupa upa" (que começava com melodia no violão/vocais em uníssono e depois evoluía para uma cacofonia de órgão Hammond, flauta, baixo e vocais, de maneira gradual e de bom gosto). Um discaço mostrando diversidade de estilos em cada faixa, porém de alguma maneira mantendo o som homogêneo. Não era Prog sofisticado tal qual os gigantes do gênero, era algo intermediário entre o Hard Rock e o Prog (um Hard Prog, lembrando por vezes o Uriah Heep em sua fase Prog), talvez mais Proto-Prog. Um álbum curto (de 33 minutos), com os apaixonados e poderosos vocais de "Dado" Topić (cantados na língua iugoslava, hoje chamada servo-croata), toda a importância histórica para o Rock daquela região e a inusitada mistura Blues + Hard Rock + Prog + Jazz selvagem que funciona bem demais. Enfim, essencial. 
Após o lançamento do álbum, o "Time" fez uma série de shows bem recebidos em toda a Iugoslávia. A banda se apresentou na edição de 1972 do BOOM Festival, realizada no Tivoli Hall em Ljubljana (capital e a maior cidade da Eslovénia) - uma versão ao vivo de "Za koji život treba da se rodim" (com 13 minutos) apareceu no álbum duplo ao vivo "Pop Festival Ljubljana 72 - Boom" gravado no festival. No entanto, apesar do sucesso do álbum e das apresentações ao vivo, no início de 1973, Mavrin e Živković deixaram a banda. A saída deles marcaria o início de mudanças frequentes e uma formação instável. No período seguinte, Nenad Zubak (ex-"Grupa 220"), Karel "Čarli" Novak (ex-"Generals", "Srce" e "September") e o próprio Topić se revezaram no baixo. Logo após a saída de Mavrin e Živković, Divjak também deixou a banda. Seu lugar foi preenchido por Petar "Peco" Petej, formado pela Graz University of Music and Performing Arts, ex-"Delfini" e "Indexi". Durante os anos seguintes, Petej permaneceria como um dos raros membros permanentes do "Time", mas foi ocasionalmente substituído por Ivan "Piko" Stančić em apresentações ao vivo. A formação instável resultou em apresentações ao vivo incomuns: em uma ocasião, a banda se apresentou em Osijek (cidade da hoje Croácia) apresentando apenas Topić nos vocais e baixo e Petej na bateria, e em outra ocasião eles se apresentaram em Split sem Topić, contando com Asanović, Petej e Mladen Baraković (baixo).
Aliás, em 74, Topić passou um tempo na prisão por fugir do serviço militar e lá escreveu a maior parte do material para o segundo álbum, "Time II" (lançado em 1975 e gravado por Topic - vocal, baixo, violão e teclados; Asanovic na bateria; Divjak nas congas; Dragi Jelic na guitarra elétrica e Dabi Lukac no Moog e mellotron). Topić então se mudou para Londres, onde tocou baixo no "Foundations" durante cerca de 40 shows pela Inglaterra. No início de 1976, durante uma turnê do "Foundations" pela Iugoslávia, Topić com seus companheiros de banda (Petar Petej - bateria e Chris Nicholls - teclados) decidiram reformar o "Time". Dois membros originais, Božić e Divjak, voltaram à banda para a gravação do terceiro álbum. "Zivot u cizmama sa visokom petom", um trabalho conceitual sobre a vida de uma estrela do Rock'n'Roll, gravado em Munique, Alemanha. Depois de várias turnês durante 76/77, o "Time" finalmente se separou no final de 77 e Topić começou uma carreira solo. Em 1998, Topić, Božić e Divjak com vários jovens músicos ressuscitaram o "Time" para um número limitado de shows ao vivo e novamente em 2001, desta vez na formação original com Mavrin e Asanović, eles fizeram vários shows em Zagreb.




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