quarta-feira, 17 de junho de 2026

Santana: aclamados pioneiros da combinação Blues, Rock e música latina

 

Apenas treze meses após "Caravanserai", surgiu "Welcome" (em nov/73). Seria o primeiro de quatro álbuns consecutivos da banda a alcançar certificação de "disco de ouro" (em oposição aos quatro anteriores, todos "disco de platina"). Entre "Caravanserai" e "Welcome", Carlos havia lançado "Love Devotion Surrender", em jun/73, junto com John McLaughlin (da Mahavishnu Orchestra), um tributo a John Coltrane. Ambos haviam se tornado discípulos do guru indiano Sri Chinmoy. Carlos estava migrando do Rock para o Jazz Fusion e experimentando um "despertar espiritual" (seja lá o que isto signifique), enquanto McLaughlin estava prestes à se separar de sua banda. Havia toda uma mútua admiração entre os dois guitarristas com Carlos encantado pelas maneiras inovadoras de tocar de McLaughlin. Este "Love Devotion Surrender" acabou bastante incompreendido na época pelos fãs da banda Santana. Eles ainda se recuperavam da mudança radical na direção do Fusion em "Caranvanserai" (e rezando para que aquilo fosse apenas momentâneo). Por isso, esta parceria com McLaughlin foi recebida com hostilidade. Toda aquela influência da música de John Coltrane/Miles Davis sobre o Rock fazia todo sentido para McLaughlin, um ex-sideman de Davis. Para fãs de Carlos, era preciso contextualizá-la em seu desenvolvimento espiritual e como guitarrista. A profunda espiritualidade dessas sessões, a interação de dois guitarristas muito diferentes que não estavam ali apenas prestando homenagem a Coltrane, mas tentando levar suas ideias sobre ir além do reino da música ocidental (para buscar comunicar com a linguagem do coração ao se unir ao cosmos) e a abordagem completamente radical geraram um álbum único, comovente e muito bonito. As marcas deixadas por "Caravanserai" e "Love Devotion Surrender" em Carlos foram monumentais. "Welcome", quinto álbum do Santana, primeiro com a nova formação (Carlos, Tom Coster e Richard Kermode nos teclados, Douglas Rauch no baixo, Michael Shrieve na bateria, José "Chepito" Areas e Armando Peraza nas percussões e Leon Thomas nos vocais), foi recebido com estranheza ainda maior pelos antigos fãs. Miles Davis havia ganhado um Grammy por "Bitches Brew" (de abr/70) e bandas como o Weather Report (cujo álbum de estreia é de mai/71) e Return To Forever (cujo álbum de estreia é de set/72) já haviam começado a conquistar o público/crítica com seu Jazz Fusion, que estava na crista da onda. A adição do vocalista Leon Thomas ao grupo deu um toque de Blues encorpando o som apresentado em "Caravanserai". A influência de Coltrane ecoava na faixa de abertura, "Going Home", arranjada pela viúva do saxofonista. A fusão Jazz/Funk latino era articulada em "Samba de Sausalito" e em "Love, Devotion & Surrender". McLaughlin fazia uma participação especial em "Flame Sky" e Flora Purim era destaque em "Yours Is The Light" (que agregava música cubana, Samba e Soul-Jazz). No final, "Welcome" era um disco de Jazz com elementos de Rock, mas não um disco de Rock com flertes com o Jazz. Compreensível o desencantamento dos antigos fãs, mas hoje se percebe como "Welcome" estava apenas à frente de seu tempo. Uma viagem musical a desafiar limites e uma das gravações mais inspiradas na obra da banda. Ele alcançou o nº. 25 nas paradas, a marca mais baixa até então.
Mas antes, houve o álbum "Lotus", de mai/74, gravado no Osaka Kōsei Nenkin Kaikan, no Japão, durante a Caravanserai Tour. As sessões para o álbum "Welcome" haviam sido completadas pouco antes deste concerto. "Lotus" foi lançado como vinil triplo e inicialmente apenas no Japão. Nesse período, Carlos também gravou o álbum "Illuminations" (de set/74) com Alice Coltrane.
"Borboletta", de out/74, sexto álbum da banda Santana, foi outro esforço Jazz-Funk-Fusion com bastante espaço para as percussões, sax e teclados, assim como longos solos de Carlos. A capa num azul metálico mostrando uma borboleta era uma alusão ao disco "Butterfly Dreams", de 73, da dupla brasileira Flora Purim/Airto Moreira. O baixista original David Brown reaparecia, mas seria o último com o baterista Michael Shrieve. A música aqui começou a soar "mais do mesmo", repetitiva, não essencial. "Borboletta" ficou nas paradas menos tempo do que qualquer álbum anterior da banda. "Amigos", de mar/76, marcou um retorno ao sucesso e ao som mais próximo do Rock latino inicial (embora com foco Pop). "Let It Shine" levou a banda ao Top Ten nos EUA e a faixa instrumental "Europa (Earth's Cry Heaven's Smile)" foi também grande sucesso em diversos países. O novo vocalista Greg Walker foi apresentado, mas seria o último álbum com o baixista original David Brown. As influências do Jazz foram substituídas por elementos de R&B/Funk e música mexicana. 
"Festival", de jan/77, não conseguiu o mesmo sucesso, ainda que mantendo a fórmula de "Amigos". "The River" era uma balada com vocais, a primeira num álbum da banda. Agora, não restava mais dúvidas: o grupo não era mais uma banda de iguais, mas apenas a plataforma para seu guitarrista, Carlos, o único membro original remanescente. A ausência de um hit single fez o álbum parar no nº. 27 das paradas, pior posição para um disco da banda. "Moonflower", de out/77, foi um LP duplo e foi o mais bem sucedido desde "Santana III" atingindo "disco de platina" duas vezes. E houve uma explicação para isto. Santana, que era uma banda conhecida por seu desempenho no Woodstock Festival (acima de tudo) não possuía até então um álbum ao vivo lançado nos EUA. "Moonflower" foi este disco (ainda que apenas parcialmente ao vivo). A lista das faixas era uma boa mistura do repertório mais antigo como adições mais recentes. Na parte de estúdio (que era caracterizada por um som mais convencional), o destaque ia para o cover de "She's Not There", dos Zombies, que se tornou o primeiro hit do Santana em cinco anos. 
Os dois lançamento seguintes, "Inner Secrets"(de out/78) e "Marathon" (de set/79), trouxeram nova guinada na direção musical, agora distanciando-se do Rock latino e mirando um Rock/R&B mais convencional. Desde que ingressara na banda, o tecladista Tom Coster havia sido o braço direito de Carlos, tocando, co-escrevendo e co-produzindo e geralmente ocupando o lugar do membro fundador Greg Rolie. Mas Coster deixou a banda na primavera de 1978, para ser substituído pelos tecladistas Chris Solberg e Chris Rhyme. "Inner Secrets" ainda produziu três singles, mas estes álbuns tiveram desempenho comercial ruim (uma decepção em relação a "Moonflower"), embora tenham alcançado o status de "disco de ouro" nos EUA. "Marathon" ainda marcou a entrada do tecladista Alan Pasqua e a substituição do cantor Greg Walker por Alex Ligertwood. A fórmula parecia estar se esgotando...

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