Há uma alma antiga escondida em "Leaves", de Julia Greenberg. As linhas do violão e o contrabaixo evocam, à primeira vista, elementos do som folk-jazz de Joni Mitchell por volta de 1974, mas a sensação de ouvir algo clássico vai muito além disso. O vocal cru deve mais a Marianne Faithfull e seu estilo confessional e sem rodeios, e a presença de um acordeão de bom gosto confere um toque distintamente europeu. Com a ausência de percussão, o ouvinte é constantemente atraído para o vocal e a letra, compartilhados com perfeita segurança, mas, apesar da abordagem verborrágica, "Leaves" também é uma faixa que ostenta um refrão simples e cativante, tornando-a perfeitamente completa. Conquistando o ouvinte desde a primeira audição, esta é uma faixa imperdível para os amantes de canções de cantoras e compositoras, e, ao exibir uma qualidade assumidamente vintage, torna o EP "Born Sentimental" de Greenberg uma peça central muito forte.
Por mais agradável que seja, não é exatamente a melhor faixa do EP. Essa honra cabe a "Checking On You", uma valsa sombria com leves ecos do Tom Waits do final dos anos 70, com sua melodia melancólica e conteúdo lírico menos otimista. A valsa combina perfeitamente com o acordeão, enquanto um baixo mais proeminente pontua um dos melhores vocais de Greenberg, contribuindo ainda mais para uma atmosfera bem tradicional. Embora seja mais uma peça atmosférica do que o restante do lançamento, há uma qualidade natural na própria gravação que poderia fazer o ouvinte acreditar que descobriu uma faixa inédita de décadas atrás.
Aventureirando-se ainda mais no mundo do folk-pop tradicional, a faixa-título soa como uma cópia fiel de Gallagher e Lyle em alguns momentos, algo reforçado por seus tons suaves e pelo acordeão dominante. A música combina com a voz de Greenberg, mas certamente não se preocupa com nenhum tipo de "fator cool", porém a vibe anos 70 que permeia a faixa tem um charme próprio, e o mesmo pode ser dito de "Sidney Herbert Brunner", que, por vezes, soa como Julia Greenberg interpretando uma faixa menos conhecida do Steeleye Span, onde, novamente, o contrabaixo acústico, tocado de forma esparsa, proporciona um destaque musical. Centrada em um vocal potente e dedilhados discretos de violão, "Sometimes The Sea" remete a uma riqueza de grandes cantores e compositores dos anos 90 e certamente agradará àqueles que amam as baladas de Shaun Colvin, Dayna Manning e Patti Griffin, além de explorar os elementos mais tranquilos do catálogo do Indigo Girls, mantendo, ao mesmo tempo, um charme próprio. A forma como o contrabaixo preenche o espaço dá à gravação uma espinha dorsal natural, complementando um vocal fantástico do início ao fim. Mas se algo realmente deixa uma impressão duradoura além do lamento natural de Greenberg e de uma letra carregada de imagens fortes, é uma melodia de acordeão proeminente que adiciona um toque folclórico e também confere a tudo uma atmosfera vagamente náutica, condizente com a história que se desenrola. Este é um ótimo exemplo de como a música não precisa ser complexa para deixar uma impressão duradoura.
Nem tudo funciona, porém: "Swam" apresenta um vocal estridente sobre uma melodia um tanto desconexa, que parece prestes a se transformar em um tango a qualquer momento. Como antes, o baixo é ótimo, mas não o suficiente para salvar a faixa de ser um gosto adquirido. Felizmente, isso é compensado por "Calling You Home", uma faixa com influência folk onde Julia solta um trinado vocal poderoso sobre uma base de guitarras dedilhadas e um contrabaixo com som cristalino. Embora a essência da música recorra às antigas tradições folk – algo ainda mais acentuado pela presença de um acordeão, que confere um toque europeu – a forma como o baixo se destaca também traz um tom jazzístico muito bem-vindo, quase como se estivéssemos ouvindo Danny Thompson (RIP), do Pentangle, fazendo um simples aquecimento. Assim como em 'Leaves', porém, não importa para onde a música vá, é impossível não se concentrar na voz de Greenberg, e seu uso de tons ligeiramente mais altos aqui, aliado a algumas harmonias excelentes, confere a esta peça uma atmosfera que deve tanto à música easy listening dos anos 70 quanto ao folk tradicional, capturando a artista no que poderia ser considerado sua forma mais pura.
É claro que 'Born Sentimental' certamente não vai emocionar quem não curte o lado mais folk do gênero, e os tons suaves que permeiam o EP não se preocupam com modismos, mas, quando apreciado com a mentalidade certa, você descobrirá um lançamento que realmente merece sua atenção. Há muito mais em jogo aqui do que mero entretenimento: a rejeição de Greenberg a uma abordagem musical contemporânea confere ao melhor material deste EP uma qualidade atemporal, enquanto a produção com sonoridade ao vivo dá vida às suas canções narrativas de uma forma agradavelmente natural. Para aqueles que conseguem se conectar com esse estilo assumidamente tradicional, este EP definitivamente vale a pena ser explorado.
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