
Benzina a.k.a. Scandurra – Dream Pop – 2003
A década de 1990 se configurou como os anos de ouro para a cultura clubber no Brasil. Com eventos como Mercado Mundo Mix e Mambo Bazar, em São Paulo, os cabelos descoloridos e as roupas de plástico (e cores berrantes) ganhavam não apenas a noite, mas também o dia. Esse cenário impactou DJs e produtores de música eletrônica, mas também artistas de outros gêneros musicais. Edgard Scandurra foi um deles.
Mais conhecido por suas guitarras em bandas como Ultraje a Rigor e, claro, Ira!, Scandurra estava mais conectado ao universo do rock and roll. Mas se envolveu com a música eletrônica e lançou ótimos trabalhos. O disco deste post, Dream Pop, é de 2003, de quando a cena já não movimentava tanta gente quanto antes. Mas a sonoridade e a excelência na produção (do próprio Scandurra) mostram que o artista mergulhou, de fato, na cena. Anos antes, para a revolta de alguns fãs mais xiitas do Ira!, Scandurra levou essas influências eletrônicas para o álbum Você Não Sabe Quem Eu Sou. Foi polêmico! Esses fãs viravam de costas para o palco quando começava qualquer sonzinho eletrônico no meio do show. Aqui, não. Como Benzina a.k.a. Scandurra, o guitarrista estava livre para experimentar.
A faixa de abertura, “Eu Estava Lá”, é quase um currículo. O próprio Scandurra vai narrando cenas e locais importantes da noite de São Paulo, todos frequentados por ele – seja como músico ou figura presente na plateia. Durante o disco, o músico vai casando sua guitarra com os sons e efeitos da música eletrônica – em “Verani”, um violão se funde com a batida eletrônica até a música virar trilha sonora de rave.
Dream Pop saiu pela ST2 Records, gravadora que lançou diversos nomes do eletrônico nacional entre o final dos anos 1990 e começo dos 2000.
Benzina a.k.a. Scandurra – Dream Pop – 2003
- Eu Estava Lá
- Barulhinho
- Toda Doce
- O Monstro
- Verani
- Socialite
- Alimento Por Petróleo
- Demain
- Dream Pop
- Flerte Fatal
- Bons Sonhos/Blue Tuesday/Music Test
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