
Ira! – Clandestino – 1990
O começo dos anos 1990 não foi muito bom para as bandas do rock brasileiro. A euforia do sucesso dos anos 1980 já havia passado e outros gêneros musicais como o sertanejo e a lambada já estavam ganhando muito espaço na mídia e nas gravadoras. Para agravar a situação, um novo governo acabara de ser eleito e um mirabolante plano econômico prejudicou a vida de muita gente, inclusive dos músicos brasileiros.
O Ira! em 1990 lançava seu quarto álbum, um disco que saiu em uma época de crise criativa da banda, tanto que canções como “Nasci em 62” e “O dia, a semana, o mês” eram canções antigas, compostas antes mesmo do primeiro disco da banda, e que foram resgatadas para completar o repertório do álbum.
O disco tem uma produção bem simples, o que deixou o álbum com uma sonoridade até meio rústica. A crítica teve opiniões diversas sobre o álbum, alguns elogiaram, mas muita gente não gostou do disco, dizendo que aquele era o trabalho menos inspirado do Ira! até então.
Mesmo com tanta polêmica e ouvindo o disco com mais atenção percebemos que é uma coleção de grandes canções e com uma sonoridade variada, como a canção “Melissa” que tem influência de música de capoeira, com a presença de berimbau, a balada “Tarde Vazia” um dos maiores sucessos do grupo, o quase samba de “Cabeças Quentes” e pedradas como “Clandestino”, “Nasci em 62” e “Efeito Bumerangue”.
O disco Clandestino mostra que até mesmo aqueles discos ás vezes rejeitados pelo público ou pela crítica podem ser grandes álbuns, daqueles que ouvimos do começo ao fim, sem pular faixa alguma. Com certeza, um disco subestimado dentro da discografia do Ira!.
Ira! – Clandestino – 1990
- Melissa
- Tarde vazia
- Efeito bumerangue
- Boneca de cera
- Cabeças quentes
- O dia, a semana, o mês
- Patroa
- Consciência limpa
- Clandestino
- Nasci em 62
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