

No dia 16 de maio se completaram 10 anos da morte do Dio, uma excelente oportunidade pra revisar a discografia solo dele, que ainda não tinha sido feita aqui no “Do Pior ao Melhor”.
10. Strange Highways [1993]
Este é o sexto álbum de estúdio de Dio e o primeiro quando ele saiu do Black Sabbath pela segunda vez. E aqui novamente ele “roubou” o baterista Vinnie Appice. Completando a banda temos o baixista Jeff Pilson (ex-Dokken) e o (muito) criticado guitarrista Tracy G. O direcionamento musical nitidamente tenta reproduzir o clima criado no Dehumanizer gravado com o Black Sabbath, aonde o som está bem mais pesado e denso, inclusive aqui Dio nem utiliza tecladista (as poucas parte de teclado do álbum são gravadas por Jeff Pilson). A (grande) diferença é que aqui não tem o Mestre Iommi pra criar os riffs e fazer os solos. A falta de inspiração nas composições é visível e o andamento das músicas ficou arrastado em demasia, tornando a audição do álbum um pouco cansativa. As clássicas letras de fantasia dão espaço para letras mais sombrias e densas. Como na música título aonde temos “It’s a crazy world we live in/And I’m leaving it today/For another institution/Where crazy people play”. Ou em “Pain” aonde ele diz “Give me a choice between pleasure and pain/I choose pain”. Dio chegou a declarar que grande parte do material deste álbum seria utilizado numa provável seqüência do Dehumanizer. Independente de realmente ser um dos álbuns mais pesados da carreira do baixinho, não era o que os fãs esperavam e queriam dele e não foi um álbum bem recebido.
09. Angry Machines [1996]
Angry Machines veio na seqüência de Strange Highways e manteve a mesma fórmula do anterior, inclusive o mesmo line-up de músicos, somente com adição do tecladista Scott Warren. Mas novamente a coisa não “pega” e o álbum não vai bem comercialmente, sendo muito mal recebido por crítica e fãs. Musicalmente não existem muitas diferenças entre este álbum e o anterior, o que garantiu a ele uma posição melhor é a belíssima balada “This is Your Life” que fecha o álbum. Sem dúvida uma das mais belas músicas de Dio, que devido à recepção ruim ao álbum, acabou ficando perdida e desconhecida em seu repertório. “God Hates Heavy Metal” é outra excelente música, mas só entrou na versão japonesa. Talvez pelo fato da temática não combinar com o conceito que ele quis trazer em Angry Machines, algo similar ao Dehumanizer, sobre máquinas dominando o mundo, ela acabou ficando de fora, só entrando mesmo na versão japonesa. Pra nós brasileiros este álbum teve pelo menos um ponto positivo, que foi trazer Dio de volta ao Brasil em 1997, após sua vinda em 1992 com o Black Sabbath na turnê do Dehumanizer.
08. Master Of The Moon [2004]
Em Master of the Moon Dio fez mudanças no line up novamente. Craig Goldy veio pra gravar Magica, saiu no Killing the Dragon e voltou para este trabalho. Jimmy Bain saiu e entra Jeff Pilson. Completando o time permanecem Simon Wright e Scott Warren. “One More for the Road” abre muito bem numa levada mais rápida com um refrão forte, excelente pra abertura de show. Na seqüência a música título, mais densa e arrastada. “The end of the World” tem um groove delicioso que remete algo próximo a AC/DC. O início da música “The ManWho Would Be King” tem um clima que lembra a música “Never More” que Dio gravou com o ELF ainda nos anos 70. “Living the Lie” pra mim a melhor do álbum. Master of the Moon é um álbum um pouco irregular, mas tem bons momentos e de certa forma manteve a pegada desde Magica.
07. Magica [2000]
Depois das inúmeras críticas (principalmente dos fãs) ao guitarrista Tracy G e das baixas vendagens dos álbuns Strange Highways e Angry Machines, Dio tenta retomar o estilo que o consagrou, voltando para o Heavy mais clássico e retomando as histórias de fantasia. Pra isto remontou o time do Dream Evil, com Craig Goldy (guitarra), Jimmy Bain (baixo), Simon Wright (bateria) com adição do tecladista Scott Warren, e propôs um álbum conceitual. A ideia original era fazer uma segunda e terceira parte de Magica, mas Dio faleceu antes de concluir este projeto. Magica é o nome do livro encontrado por alienígenas aqui na Terra e dá o todo o tom da história. Seguindo um trecho da história “O Livro de Mágica e os Magos que o usaram com tanta sabedoria para o bem do povo estavam sendo honrados em todas as grandes cidades do mundo. Houve, no entanto, uma exceção. Onde o bem prospera, o mal sobrevive e o mal tem planos de sobrevivência.” Pra quem gosta de mais detalhes, o encarte do cd vem contando detalhadamente o conceito do álbum. Destaco as músicas “Losing my Insanity” (“Someone Said/Forever was yesterday”), a épica “Eriel”, “Fever Dreams “com um excelente solo de Goldy e a balada “As Long As It’s Not About Love”, aonde Dio tem uma das suas melhores interpretações. Na versão japonesa tem a bela instrumental “Annica”. Um álbum pra ser curtido em sua versão em vinil, acompanhando os detalhes no encarte, como nos velhos tempos.
06. Killing The Dragon [2002]
Sucessor do Magica, neste álbum Dio acertou a mão nas composições e nas temáticas sendo ele superior ao próprio Magica e ao sucessor Master of the Moon. A presença do excelente guitarrista Doug Aldrich na banda (substituindo Craig Goldy) também ajudou muito, trazendo um gás novo pra banda. Algumas composições foram feitas ainda com Goldy na banda e foram aproveitadas no repertório e Aldrich também contribuiu em algumas composições. Apesar do nome ‘Killing the Dragon’ sugerir algo na linha da fantasia, Dio afirmou que o “dragão” da faixa título aqui é uma metáfora em relação à tecnologia que usada da maneira errada ameaça o futuro da humanidade. “Rock & Roll” tem uma levada e um riff nitidamente inspirado em “Kashmir” do Led Zeppelin. Sem dúvida um dos pontos altos do disco. Em “Before the Fall” o Scott Warren tecladista tem espaço pra mostrar um pouco do seu talento num belo solo. “Thor Away the Children” além de possuir um solo belíssimo de Doug Aldrich temos também um coro infantil que funcionou muito bem. “Someone’s thrown away their children/You can see them running from your smile”. Sem dúvida um bom álbum. Uma pena Doug Aldrcih não ter ficado para mais um álbum.
05. Lock Up The Wolves [1990]
Quinto álbum de estúdio de Dio, aqui ele reformulou a banda toda. A novidade ficou por conta do jovem Rowan Robertson, que na época tinha apenas 16 anos e foi escolhido num concurso entre 5.000 guitarristas. Mas Dio sabe das coisas e acertou na escolha, pois o garoto é talentoso e mandou muito bem nos riffs, bases e solos e também dividindo algumas composições com Dio. Completam a banda o veterano Simon Wright(AC/DC), o baixista Teddy Cook e o tecladista Jens Johansson (Malmsteen, Stratovarius). O álbum abre muito bem com “Wild One”, rápida e direta com um refrão que gruda na mente. No riff de “Evil on Queen Street” Robertson mostra que aprendeu direitinho com o mestre Iommi. Esta música é um Blues bem pesado, meio sabbathico. “Between two Hearts” começa com aquele dedilhado típico das canções do Dio aonde ele pode mostrar sua bela voz e depois fica pesada. Em ‘My Eyes’, que encerra o álbum, Dio faz citações a suas passagens anteriores. Na letra é possível ver versos como “I’ve fallen off the edge of the world”, “from the top of the mountain”, “I’ve seen it from heaven and hell”, “the eyes of a stargazer”, “Could the dreamer”, “The color of rainbows”. Este foi seu último álbum solo antes do retorno ao Black Sabbath e depois o baixinho perdeu um pouco a mão fazendo alguns álbuns irregulares, então pra mim este álbum fechou um ciclo.
04. Dream Evil [1987]
Dio manteve o mesmo time do Sacred Heart somente com exceção mesmo de Vivian Campbell que saiu durante a turnê, e que foi substituído por Craig Goldy. Já li em algumas publicações que Dio talvez não tivesse gostado deste álbum, mas sinceramente não vejo motivo, porque é um álbum excelente. A banda soou muito bem com Goldy, que é um excelente guitarrista. O álbum começa muito bem com “Night People” e com Goldy já mandando ver no solo. A música título “pegou emprestado” o riff de Man on the Silver Mountain”. Outras músicas de destaque no álbum são “All The Fools Sailed Away”, “Naked in the Rain”. Como curiosidade este álbum e o nome da música que inspirou os suecos do Dream Evil a batizar a banda com este nome.
03. Sacred Heart [1985]
O último álbum com a “formação clássica” da banda de Dio, pois suas desavenças com Campbell ficaram muito fortes durante a turnê do álbum, o que culminou na saída do guitarrista. A treta foi tão forte que em entrevista Dio se recusava a responder perguntas que envolviam o nome do guitarrista. Um álbum com vários clássicos como a própria música título, “The King of Rock’n’Roll”, “Rock’n’Roll Children” e “Hungry for Heaven” (com um riff claramente chupado de “Baba O’Riley” do The Who). Não é brilhante como os dois primeiros, mas apesar dos rachas internos, ainda um excelente álbum.
02. The Last In Line [1984]
Depois do sucesso do álbum de estreia Dio repetiu o time para este segundo álbum. Ele ainda estava no Black Sabbath quando estava negociando com a gravadora para montar sua própria banda. Iommi não sabia de nada e foi pego de surpresa quando o vocalista anunciou sua saída e ainda carregou o baterista Vinnie Appice. Esta formação foi o dream team do Dio, com o já citado baterista Vinnie Appice, o baixista Jimmy Bain seu ex-companheiro de Rainbow, e o jovem guitarrista irlandês Vivian Campbell. Campbell é de Belfast, mesma cidade que seu ídolo Gary Moore, e já mostrava talento nas seis cordas em sua passagem pelo Sweet Savage, ícone da NWOBHM. O álbum foi disco de platina nos EUA e emplacou diversos clássicos como ‘We Rock”, a própria música título, “One Night in the City” e “Egypt (the Chains are On)” nitidamente inspirada em “Gates of Babylon” do Rainbow. Clássico indispensável.
01. Holy Diver [1983]
Tem álbuns que já são clássicos no nascimento. Este sem dúvidas é o caso do Holy Diver. Ele tem todos os ingredientes para concepção de um clássico: um time de músicos de primeira, grandes composições e arranjos, um guitar hero (Campbell está no auge da sua forma aqui), um grande lead singer e frontman carismático, com uma das maiores vozes já vistas no Rock. Uma curiosidade é que ‘Don’t Talk to Strangers’ é uma parceria entre Dio e o guitarrista Jake E. Lee, que mais tarde integrou a banda do Ozzy Osbourne e na época estava recém saído do Rough Cutt. Ele teve uma rápida passagem na banda de Dio, mas os estilos entre os dois foram conflitantes, Jake E. Lee se sentiu restringido na sua forma de tocar e preferiu sair. O que dizer de um album com “Stand Up And Shout”, “Holy Diver”, “Gypsy”, “Caught in the Middle”, “Don’t Talk To Strangers”, “Straight Through The Heart”, “Invisible”, “Rainbow In The Dark”, “Shame on the Night”? É colocar no play, abrir uma gelada e curtir do início ao fim.

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