sábado, 29 de agosto de 2026

Do Pior ao Melhor: Whitesnake

 

Do Pior ao Melhor: Whitesnake

Comentar discografias de bandas clássicas é como se enfiar dentro de um vespeiro. E falando especificamente do Whitesnake existe uma divisão clara entre e os fãs da banda, onde alguns preferem a fase inicial, mais bluesy e renegam a fase pós 1987. Em contrapartida muitos só aceitam a banda de 1987 pra frente quando a banda deixou seu som mais acessível e perdeu um pouco as raízes do Blues e do Rock Clássico.

Confesso que não foi nada fácil ordenar os álbuns do Whitesnake por hierarquia, devido ao fato da discografia da banda ser muito regular.

*Apesar de ser um álbum de estúdio, o Purple Album (2015) por se tratar exclusivamente de regravações não entrou na listagem.

**O ep Snakebite de 1978 também não foi considerado nesta resenha justamente por não ser um álbum completo e também por serem regravações de músicas solo do Coverdale.


11. Restless Heart [1997]

Este disco na verdade seria um álbum solo do Coverdale e por pressão da gravadora acabou saindo como Whitesnake. Com certeza se tivesse saído como um álbum solo do Coverdale os fãs o veriam de outra forma e não haveria tantas cobranças e críticas em relação ao disco.  Mas já que na capa o nome ‘Whitesnake’, ele está aqui na lista! O disco soa irregular e um tanto confuso, na seleção do repertório e até mesmo na ordem das músicas. Abre com uma balada, o que é um tanto estranho pra uma banda de rock que sempre se caracterizou pela sua energia e riff marcantes. O guitarrista Adrian Vandenberg está muito mal, parecendo que desaprendeu a tocar, não tem sequer um solo memorável no disco todo. A voz de Coverdale está excelente e ele vai muito bem, principalmente nas baladas. De uma forma geral o álbum tenta resgatar a fase bluesy da banda, mas faltou força no som e inspiração para atingir o resultado. Uma pena, pois tem boas músicas que acabaram ficando diluídas na irregularidade do disco, como “Take Me Back Again” a zepeliana “Woman Trouble Blues” e a excelente “Crying”, sem dúvida a melhor do disco e uma das poucas que faz jus ao nome Whitesnake.


10. Good to Be Bad [2008]

Depois do ‘Restless Heart’ a banda ficou 11 anos sem lançar nada e o primeiro álbum de estúdio foi este Good to be Bad.  Claramente o objetivo do disco foi resgatar a vibe da fase ‘1987’/Slip of the Tongue e apagar a impressão ruim causada pelo disco antecessor.  Coverdale investiu num time de primeira pra isso: Doug Aldrich & Reb Beach nas guitarras, Uriah Duffy no baixo e Chris Frazier na bateria. Apesar da pouca inspiração nas composições o disco é muito bem gravado, a banda toca muito bem e tem uma energia legal. De fato foi um bom “retorno”. Podemos destacar as músicas “Best Years” que abre o disco (e tem uma linha vocal que lembra a “Whipping Post” do Allman Brothers), a música título “Good to Be Bad”, “Lay Down Your Love”, e a balada “All I Want All I Need” com um belo solo de Doug Aldrich.


9. Forevermore [2011]

O sucessor do ‘Good to be Bad’ segue basicamente a mesma fórmula, porém aqui houve alterações no line-up com Michael Devin entrando no lugar de Uriah Deffy e Brian Tichy entrando no lugar de Chris Frazier na bateria. A falta de inspiração nas composições continua latente e com isto 13 músicas em aproximadamente 63 minutos se torna algo longo e cansativo. Músicas como “Love Will Set You Free” que tem uma boa levada e um bom refrão, a balada “Easier Sad Than Done”, “Tell Me How” com um bom riff de guitarra e “Whipping Boy Blues” ainda se salvam neste montante. A belíssima e épica música título garantiu ao disco uma posição melhor do que o “Good to Be Bad”.

 


8. Trouble [1978]

Álbum de estréia da banda com um time de músicos de primeira – Jon Lord (teclados), Bernie Marsden e Micky Moody (guitarras) , Neil Murray (baixo) e Dave Dowle (bateria) e com produção do mestre Martin Birch. Aqui já vemos algumas das características que marcaram a banda ao longo da sua carreira. Apesar de não ser um clássico da banda tem bons momentos aonde destaco “The Time is Right For Love”, “Nighthawk (Vampire Blues)”, “Free Flight” com um riff de guitarra matador, “Don’t Mess With Me” e a instrumental “Belgian Toms Hat Trick”, composição de Mick Moody.


7. Saints and Sinners [19

Saints and Sinners é o quinto álbum da banda e também conta com a produção de Martin Birch. Aqui temos dois grandes clássicos da banda: a eterna balada “Here I Go Again” e a versão original de “Crying in the Rain”,regravada no álbum 1987. “Dancing Girls”, a música título, Rough and Ready são outras músicas que merecem destaque.

 


6. Come on and Get It [1981]

Quarto álbum da banda e também conta com a produção de Martin Birch. Aqui temos a formação que muitos consideram a melhor da banda: Coverdale (vocais), dupla de guitarras Moody e Marsden, Jon Lord (teclados), Neil Murray(baixo) e Ian Paice(bateria). De fato um verdadeiro dream team. Um álbum vigoroso e energético com um bom equilíbrio entre as músicas. Em “Hot Stuff” tem espaço para Ian Paice e Jon Lord mostrarem seus talentos, “Don’t Break My Heart Again” é um dos grandes clássicos da banda, “Lonely Days Lonely Nights” é um hard blues a la Whitesnake, “Wine, Women an’ Song” é uma típica levada e típica letra do Whitesnake falando de bebidas, mulheres e farra. “Girl” tem uma levada cadenciada e um riff que gruda na mente, outro bom momento do disco. Uma pena a ”Hit and Run” não estar no repertório recente da banda, pois é uma grande música que funciona bem ao vivo. “Till the Day I Die” fecha o disco em alto estilo. Tem bastante influencia de Led Zeppelin,começa com uma levada folk totalmente acústica e evoluiu pra um som pesado com uma levada e melodia que lembra bem a “Gallows Pole” do já citado Led Zeppelin.


5. Slip of the Tongue [1989]

Final de década de 1980, MTV em alta nos EUA e a febre de guitar heros no auge. Após a saída de John Sykes da banda com diversas tretas envolvidas o mundo do Rock fica em polvorosa com o anúncio da entrada de Steve Vai no Whitesnake. Coverdale não economizou e montou um time pra deixar qualquer fã de Hard Rock sem fôlego: além de Steve Vai ainda temos os veteranos Ruzy Sarzo (baixo) e Tommy Aldridge (bateria) e músicos de apoio no estúdio Don Airey, David Rosenthal (ex-Rainbow) e Glenn Hughes que fez alguns backing vocais.  Apesar de não ter gravado o disco, Adrian Vandenberg foi creditado, pois além de se ser co-autor de todas as músicas do álbum (com exceção da regravação de “Fool For Your Loving”), participou de todo processo de pré-produção do álbum. (no You Tube é possível achar este registro). Falando do álbum é uma espécie de continuação do estilo forjado no álbum anterior ‘1987’: mega produção, forte presença de teclados, guitarras virtuosas, refrões marcantes. Apesar dos fãs mais puristas da banda torcerem o nariz pro disco é inegável que o álbum fez bastante barulho na época, tanto é que em 1990 foram atração principal do Monsters of Rock em Donington. “Slip of the Tongue” mais “Judgement Day”, “Now You’re Gone”, a balada “The Deeper The Love” são os destaques do disco. “Sailing Ships” fecha o álbum em grande estilo, sendo pra mim uma das melhores músicas da discografia da banda


4. Lovehunter [1979]

Esta com certeza é a capa mais famosa da banda e também do Rock. Esta se tornou icônica trazendo uma referência à banda quando a vemos. ‘Love ‘Hunter’ é o segundo álbum da banda, repetiu a formação do primeiro álbum e mantém a Martin Birch. “Walking in the Shadows of Blues” sem dúvida é um dos maiores clássicos do Rock de todos os tempos! Impressionante como esta música não envelhece. “Help me thro the Day” tem aquele tempero bluesy que o Whitesnake sabe (ou sabia) fazer como ninguém. Numa levada cadenciada a voz rouca de Coverdale faz contra ponto com as intervenções de guitarra da dupla Moody e Marsden. Perfeito. “Medicine Man” chega com um riff cortante com aquele cheiro de Les Paul plugada no Marshall. Clássico! “Love Hunter” dá o tom no clima de farra do Whitesnake. A bela balada “We Wish You Well” que fecha o disco é a “vinheta” clássica que fecha os shows da banda. Clima perfeito pra encerrar.


3. Ready an’ Willing [1980]

Terceiro álbum de estúdio da banda, contando a batuta de Martin Birch e a estréia da clássica formação com os “desempregados” e ex-Purple Paice e Lord. O disco abre com “Fool For your Loving”, seguido de “Sweet Talker” e “Ready and Willing”, é um clássico atrás do outro. “Blindman” é uma das coisas mais belas gravada pela banda, mesmo sendo uma regravação da carreira solo do Coverdale vale o registro. Um álbum que com certeza eu recomendaria a quem está conhecendo a banda ou ouvindo pela primeira vez.


2. Whitesnake [1987]

Este álbum foi pensado pra atingir o mercado norte americano, que até então ainda era um mercado que a banda atuava timidamente.  Isto ficou visível na mudança de produtor, que até então era o inglês Martin Birch, produtor ligado ao som mais clássico com álbuns do nível do Rising (Rainbow),”Heaven and Hell” (Black Sabbath),”Machine Head” (Deep Purple)  só pra citar alguns. Foram chamados pra dividir a produção do álbum americano Keith Olsen, que já havia trabalhado com Rick Sprinfield, REO Speedwagon, Heart, Journey, Foreigner e o britânico Mike Stone com bandas semelhantes no currículo. Com estas referências musicais ficou óbvio que viriam mudanças no direcionamento musical. Mas era o caminho que Coverdale queria seguir e a excelente receptividade que o álbum recebeu mostrou que ele seguiu um caminho de sucesso, pois até hoje é o álbum da banda melhor sucedido comercialmente.Aqui a band a de sexteto se reduziu a um quarteto com Coverdale (vocais),Sykes (guitarras), Neil Murray (baixo) e Ansley Dunbar (bateria). O repertório do disco é uma mistura de músicas inéditas com músicas clássicas que foram regravadas, sendo elas “Crying in the Rain”, “Here I Go Again”. “Is this Love” é uma das baladas de Rock mais famosas de todos os tempos e virou mega hit sendo executada em rádios até hoje. O destaque do álbum sem dúvida é o talentoso guitarrista John Sykes que rouba a cena em muitos momentos como no fantástico solo de “Crying in the Rain”, e também em “Give Me All your Love” e ”Still in the Night” pra citar algumas. Ansley Dunbar também tem uma performance de alto nível como por exemplo em “Crying in the Rain” aonde ele não deixa pedra sobre pedra. Exista uma controvérsia muito grande em relação à gravação deste disco, pois em entrevistas Sykes alega ter sido “sabotado” na mixagem, dizendo que o som da sua guitarra ficou com muito reverb deixando o som da guitarra em segundo plano e meio apagado de forma proposital. A despeito desta controvérsia, o álbum sem dúvida é um grande clássico da banda mantendo a tradição da banda com grandes guitarristas.


1. Slide It In [1984]

Slide It In é o sexto álbum da banda, o último que conta com a produção de Martin Birch. Também já não conta com Ian Paice nas baquetas, mas o substituto manteve o alto nível do instrumento, ninguém menos que Cozy Powell. Neste álbum o guitarrista Mel Galley (ex-Trapeze) compôs metade das músicas com Coverdale inclusive o mega clássico “Love Ain’t No Stranger”.  A versão americana do álbum teve a ordem das músicas diferente da versão européia. E também teve diversos overdubs de guitarra de John Sykes, que refez diversas partes originalmente gravadas por Mel Galley. Este é daqueles álbuns que não se pode perder um minuto de música, com a banda soando como relógio e as músicas que se ouvem num tacada, só sem perceber que já se foram 40 minutos. Álbum digno de entrar em Top 10 de qualquer apreciador de Rock.


Atual formação da banda


Sem comentários:

Enviar um comentário