Onde e quando teria acontecido o primeiro show da história do rock? Difícil precisar tal fato, visto que quando os lendários bluesmen do Delta do Mississipi começaram a acelerar suas harmonias, a essência do rock já estava ali. E o que dizer das incendiárias apresentações de Sister Rosetta Tharpe nos anos 30 e 40 com suas canções gospel na base de uma agressiva guitarra? Mas com o propósito de criar ou alavancar um gênero quando este ainda sequer havia sido denominado, podemos apontar o dia 21 de março de 1952, na Cleveland Arena, em Ohio, EUA, como o marco zero do rock alive. Neste caso, a resposta é o The Moondog Coronation Ball, promovido pelo lendário DJ Alan Freed, um dos muitos pais do Rock and Roll.
Freed notou que a geração do pós guerra, os adolescentes nascidos em meio à 2ª Guerra Mundial, tinha especial interesse nos ritmos produzidos pelos artistas negros dos EUA. A procura pelos discos de R&B pelos jovens brancos era crescente e Freed logo sacou que aqueles singles mereciam ser tocados no rádio. Estava colocando a mão em vespeiro aos misturar jovens brancos e negros antes mesmo do fenômeno Elvis Presley. Foi quando ele se juntou ao empresário Leo Mintz, dono de uma grande loja de discos que fazia fortuna com a venda dos discos de R&B, a Rendezvouz Records. Isso sem falar na multidão que se formava em frente sua loja para apenas ouvir os discos da turma negra, já que aquela galera não tinha grana para gastar. Somado ao alto índice de audiência do programa de Freed, surgia ali uma oportunidade para ganhar mais dinheiro com eventos voltados para aquele público.
Durante um show, ainda em 1958, que acabou em grande confusão por causa da atuação desmedida e provocadora da polícia, Freed acabou preso ao gritar no microfone que “a polícia não quer que vocês se divirtam”. Após este incidente uma avalanche tomou conta de sua vida. Ao promover a dança entre um bailarino negro e uma bailarina branca em um de seus programas, a emissora recebeu milhares de cartas e telefonemas furiosos, especialmente do Sul dos EUA. Dias depois seu programa estava cancelado pela direção da rede de tv. No rádio, onde continuava sua carreira, Freed foi envolvido, dois anos depois, em um escândalo chamado payola (mistura de payment com victrola) que sugeria recebimento de pagamentos ilegais em troca de divulgação de alguns artistas, o chamado jabaculê no Brasil. Nada ficou comprovado, mas o governo americano conseguiu o bode expiatório de que precisava para aumentar sua munição em sua guerra contra o rock (que entre outros tantos fatos levaria Elvis a servir o exército em uma base na Alemanha no auge de sua popularidade). Freed foi condenado, ainda, por evasão de impostos entre 1957 e 1959, auge de sua carreira. Estava falido e queimado. Morreria em 1965, aos 43 anos, na miséria e vítima do alcoolismo, sem ver a consolidação do estilo que ajudou a criar.
O governo americano conseguia barrar a avalanche rock temporariamente. Com Elvis fora do país e a morte de ídolos como Buddy Holly e James Dean, além do escândalo de Lewis ao se casar com uma prima de 13 anos, o objetivo da sociedade conservadora estava atingido. Só não esperavam que aquela revolução batesse na Inglaterra, mexesse com os talentosos jovens daquelas ilhas e voltasse com força total para o contra ataque que marcaria de vez a saga demolidora do Rock and Roll: a “Invasão Britânica” liderada pelo terremoto seguido de tsunami da Beatlemania. Mas isso é uma outra deliciosa história.




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