Celestial (2026)
Após estrear em 2021 com uma das contribuições mais peculiares do Brasil para o mundo do zeuhl metal, o PAPANGU, de João Pessoa, abandonou a pegada metálica de seu álbum de estreia, “Holocene”, com o sucessor “Lampião Rei”, lançado em 2024 com uma abordagem mais voltada para o rock progressivo clássico, misturada com sons brasileiros que vão do forró, xaxado e udigrudi. A banda retorna com seu coquetel de prog e influências locais, típico do Brasil, em seu terceiro trabalho, CELESTIAL, um EP de 10 faixas que mais uma vez leva seu som a uma nova direção. Reduzida de um sexteto para um quinteto, CELESTIAL segue a mesma linha, com os aspectos metálicos menos enfatizados (embora ainda presentes) e um calor retrô evocado pelo uso de equipamentos analógicos e pela paixão de trazer influências do jazz fusion, prog sinfônico, zeuhl e outros clássicos do prog para essa festa de rua brasileira.
Outra característica principal desta terceira expedição musical é que, em CELESTIAL, os vocais são bastante discretos, com complexidades instrumentais engenhosas que nutrem melodias calorosas e envolventes, em demonstrações de majestade progressiva que evocam a elegância do jazz fusion dos anos 70, o artifício das complexidades do Gentle Giant e as propensões excursionistas labirínticas e astutas que cultivam uma perspicácia intuitiva através de percursos musicais que nunca perdem a sua essência e, claro, tudo fortalecido pela verdadeira alegria de viver que só os estilos musicais brasileiros conseguem proporcionar. É um retorno triunfante a uma nova forma, depois do que me soou como um segundo trabalho desajeitado e desconexo. Mais focado e refinado, CELESTIAL pode não apresentar o suposto conceito de um bandido em missão para impedir um desastre ecológico de alguma forma não revelada, mas o que a narrativa perde em peso, a proeza musical mais do que compensa.
Embora CELESTIAL compartilhe o título do álbum com a banda de post-metal Isis, oferece uma vibração musical verdadeiramente celestial, com o piano Rhodes e os sons de teclado vintage guiando o caminho. Adicione alguns efeitos sonoros inesperados, como uma galinha de borracha e instrumentos folclóricos brasileiros, e é fácil se deixar envolver pela majestade do intrincado fluxo de CELESTIAL, onde o moderno encontra o retrô, com uma duração razoável de pouco mais de 50 minutos. A energia do álbum explode em potência máxima na faixa de abertura, "Mau-Olhado", e continua sua jornada de júbilo ao longo das dez faixas distintas. Uma aura do clássico Canterbury está presente, evocando o calor do Egg, Soft Machine e Hatfield & The North, juntamente com ocasionais explosões de rock mais pesado que emulam o black metal (pelo menos no quesito vocal), tudo criativamente envolto na base prog retrô que mantém o álbum incrivelmente bem equilibrado.
Faixas como “Fechamento de Corpo” exibem a variedade de modernidades da banda, com grooves staccato reforçados por efeitos contrapontísticos inusitados e um sistema de propulsão à la Zeuhl que permite que as cadências e os motivos se aconcheguem como uma toca de mamíferos hibernando. Enquanto os trabalhos anteriores me faziam questionar se o PAPANGU seria apenas um sucesso passageiro, com sua estreia impactante no prog rock, CELESTIAL dissipa essas dúvidas com uma bela sucessão de tons e timbres executados em composições engenhosas, que demonstram um amadurecimento da banda que parecia perdido em “Lampião Rei”. Ao longo dessa miscelânea de prog retrô, é possível detectar momentos que remetem a bandas clássicas como Yes, Genesis, Gentle Giant, Weather Report, Egg e muitas outras. No entanto, o PAPANGU também incorpora elementos modernos com excelente produção e recursos típicos do jazz do século XXI. Embora o metal parecesse desequilibrado no álbum anterior, aqui os efeitos secundários são perfeitamente executados, sem que o exagero prejudique o fluxo dinâmico. Um terceiro álbum brilhante!
Outra característica principal desta terceira expedição musical é que, em CELESTIAL, os vocais são bastante discretos, com complexidades instrumentais engenhosas que nutrem melodias calorosas e envolventes, em demonstrações de majestade progressiva que evocam a elegância do jazz fusion dos anos 70, o artifício das complexidades do Gentle Giant e as propensões excursionistas labirínticas e astutas que cultivam uma perspicácia intuitiva através de percursos musicais que nunca perdem a sua essência e, claro, tudo fortalecido pela verdadeira alegria de viver que só os estilos musicais brasileiros conseguem proporcionar. É um retorno triunfante a uma nova forma, depois do que me soou como um segundo trabalho desajeitado e desconexo. Mais focado e refinado, CELESTIAL pode não apresentar o suposto conceito de um bandido em missão para impedir um desastre ecológico de alguma forma não revelada, mas o que a narrativa perde em peso, a proeza musical mais do que compensa.
Embora CELESTIAL compartilhe o título do álbum com a banda de post-metal Isis, oferece uma vibração musical verdadeiramente celestial, com o piano Rhodes e os sons de teclado vintage guiando o caminho. Adicione alguns efeitos sonoros inesperados, como uma galinha de borracha e instrumentos folclóricos brasileiros, e é fácil se deixar envolver pela majestade do intrincado fluxo de CELESTIAL, onde o moderno encontra o retrô, com uma duração razoável de pouco mais de 50 minutos. A energia do álbum explode em potência máxima na faixa de abertura, "Mau-Olhado", e continua sua jornada de júbilo ao longo das dez faixas distintas. Uma aura do clássico Canterbury está presente, evocando o calor do Egg, Soft Machine e Hatfield & The North, juntamente com ocasionais explosões de rock mais pesado que emulam o black metal (pelo menos no quesito vocal), tudo criativamente envolto na base prog retrô que mantém o álbum incrivelmente bem equilibrado.
Faixas como “Fechamento de Corpo” exibem a variedade de modernidades da banda, com grooves staccato reforçados por efeitos contrapontísticos inusitados e um sistema de propulsão à la Zeuhl que permite que as cadências e os motivos se aconcheguem como uma toca de mamíferos hibernando. Enquanto os trabalhos anteriores me faziam questionar se o PAPANGU seria apenas um sucesso passageiro, com sua estreia impactante no prog rock, CELESTIAL dissipa essas dúvidas com uma bela sucessão de tons e timbres executados em composições engenhosas, que demonstram um amadurecimento da banda que parecia perdido em “Lampião Rei”. Ao longo dessa miscelânea de prog retrô, é possível detectar momentos que remetem a bandas clássicas como Yes, Genesis, Gentle Giant, Weather Report, Egg e muitas outras. No entanto, o PAPANGU também incorpora elementos modernos com excelente produção e recursos típicos do jazz do século XXI. Embora o metal parecesse desequilibrado no álbum anterior, aqui os efeitos secundários são perfeitamente executados, sem que o exagero prejudique o fluxo dinâmico. Um terceiro álbum brilhante!

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