quinta-feira, 20 de agosto de 2026

"S. F. Sorrow", a obra-prima psicodélica clássica dos Pretty Things

 


The Pretty Things
começou como uma banda de Rhythm'n'Blues puro, no início dos anos 1960 (mais precisamente, em set/64, em Sidcup, condado de Kent, nos arredores de Londres) e eles são frequentemente descritos como tendo sido "mais mesquinhos, barulhentos, feios e com cabelos mais longos" do que os Rolling Stones. (o guitarrista do Pretty Things, Dick Taylor, originalmente tocava baixo bem no início dos Stones). Seu som R&B primitivo e corajoso foi fortemente influenciado pela batida de Bo Diddley e pelo som de Jimmy Reed. Aliás, o nome da banda foi tirado de uma canção de 1955, "Pretty Thing", de Willie Dixon. Ela colocou diversos singles nas paradas do Reino Unido ("Rosalyn", "Don't Bring Me Down" etc.), antes de abraçar outros gêneros como o Rock Psicodélico no final dos anos 60, o Hard Rock no início dos anos 70 e até a New Wave no início dos anos 80. Não sei se você sabe desta, mas lá bem no início, antes do Pretty Things, existiu uma outra banda chamada "Little Boy Blue and the Blue Boys", que consistia em Dick Taylor, seu colega de escola Keith Richards e Mick Jagger. É mole? Quando Brian Jones passou a recrutar gente para sua própria banda, os três migraram para ela junto com Ian Stewart, projeto este que foi denominado "The Rolling Stones" por Brian Jones, em jun/62. Porque havia muitos guitarristas na banda, Dick Taylor virou baixista. Ele só ficou 5 meses.
Brian Pendleton, John Stax, Dick Taylor, Phil May e Viv Prince
Phil May, outro estudante de Sidcup, o convenceu a formar uma outra banda. Dick Taylor voltou a ser guitarrista, enquanto May cantava e tocava gaita. A dupla recrutou John Stax para o baixo, Brian Pendleton na guitarra rítmica e Pete Kitley na bateria (que logo foi substituído por Viv Andrews). Bryan Morrison, um colega de faculdade onde May e Taylor estudaram, foi recrutado para ser o empresário (ele os representaria pelo resto daquela década, assim como também o Pink Floyd e diversas outras bandas). Ele fez parceria com Jimmy Duncan e conseguiu um contrato de gravações para os Pretty Things com a Fontana Records, no início de 1964. Neste ponto, Viv Andrews foi substituído por Viv Prince, um baterista mais experiente.
A aparência e o comportamento da banda eram provocativos (com May afirmando ter o cabelo mais comprido do Reino Unido e Prince frequentemente causando caos onde quer que fosse). Durante uma turnê pela Nova Zelândia em jul-ago/65, a banda causou tanta indignação na mídia local, que o Parlamento chegou a debater a questão das concessões de vistos para músicos estrangeiros como os do Pretty Things. A primeira de muitas mudanças de formação começou com o próprio Prince, cujas travessuras selvagens se tornaram demais para os outros membros da banda e ele foi substituído em nov/65 por Skip Alan. Em 1966, a cena Rhythm'n'Blues entrou em declínio e o Pretty Things começou a migrar para outros gêneros. Em meados de 66, eles alcançaram as paradas inglesas pela última vez (com um cover de "A House In The Country", dos Kinks). Pendleton saiu em dez/66. Stax saiu em jan/67. Jon Povey e Wally Waller entraram tornando a banda um quinteto novamente.
O último álbum para a Fontana Records foi uma obrigação contratual. "Emotions" veio cheio de arranjos de metais e cordas. Então, a banda assinou com o selo Columbia. Em nov/67, lançou "Defecting Grey", uma canção psicodélica que não fez sucesso. Depois veio o single "Talking About The Good Times"/"Walking Through My Dreams". Este single marcou o início das sessões para o álbum seguinte, "S. F. Sorrow". Lançado em dez/68, foi a primeira Opera-Rock, precedendo o lançamento de "Tommy", do The Who, que saiu em mai/69. O disco foi gravado entre dez/67 e set/68 no Abbey Road Studios, enquanto o Pink Floyd trabalhava no álbum "A Saucerful Of Secrets" e os Beatles trabalhavam no "White Album". "S. F. Sorrow" é sim uma Opera-Rock psicodélica, uma mini obra-prima "perdida", ou ao menos injustamente subestimada. Improvável que "S. F. Sorrow" não tenha influenciado em nada as ideias de Pete Townshend, afinal todos eles eram da mesma cena londrina e acompanham o que cada um estava fazendo. "S. F. Sorrow" incorporou ao som dos Pretty Things cítara, mellotron, flauta e diversos efeitos sonoros.
A história da Opera-Rock falava sobre um certo Sebastian F. Sorrow, um sujeito comum, que trabalhava na "Misery Factory" e era convocado para a primeira guerra mundial. Sua vida perde o sentido depois que ele testemunha um balão de ar quente carregando sua noiva cair e se incendiar. Na sequência, ele se depara com um misterioso personagem chamado "Baron Saturday", que é baseado na divindade vudu Baron Samedi. Saturday toma os olhos de Sorrow e o leva para uma viagem pelo submundo fantástico. A história termina de maneira triste, quando o desolado Sorrow percebe que não pode confiar em ninguém e que morrerá sozinho. 
"Private Sorrow" na TV francesa, 1968
"Death" na TV francesa, 1969


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