segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A Tribe Called Quest – The Low End Theory – 1991

 

A Tribe Called Quest – The Low End Theory – 1991

A Tribe Called Quest – The Low End Theory – 1991

Antes de entrarmos de vez nessa obra nos nova-iorquinos do A Tribe Called Quest, precisamos entender dois contextos que são profundamente importantes para esse resultado final, atemporal e que ouvimos até hoje – sem pular nenhuma faixa.

Em 1988, o hip-hop já fervilhava e dava sinais da grande indústria em que se transformaria pouco tempo depois. Os rappers se pareciam com super-heróis, eram intocáveis e andavam com joias e pesados colares de ouro no pescoço. Mas neste ano, surgiu um coletivo chamado Native Tongues em Nova York. Afrocentrista, o movimento era contra a ostentação, era formado por artistas que assumiam seus nomes de origem africana ou muçulmana e o principal: eram caras comuns. Era como se o cara da sua rua rimasse muito bem e começasse a lançar discos e fazer sucesso, sem carrões nas capas ou coisas que o valham. Apesar da preocupação social e com a história dos negros norte-americanos, as músicas não pesavam nas ideias críticas com tanta frequência ou de forma tão incisiva. As mulheres tinham espaço e nesse período surgiram muitas MCs, como Queen Latifah e Monie Love.

Agora, o outro contexto, mais técnico: na virada dos anos 1980 e 1990, em Nova York, surgiam os primeiros aparelhos de som para carros que eram realmente potentes, que faziam o chão tremer. Desde os anos 1970, o volume já vinha subindo, mas nesse período o som grave começou a, de fato, bombar.

Somando tudo isso, temos The Low End Theory, segundo álbum do A Tribe Called Quest, que junta as preocupações e os temas do coletivo Native Tongues (do qual A Tribe fazia parte) com as preocupações técnicas: o disco foi pensado, gravado e mixado com a intenção de bombar nos carros, com o grave no talo mas sem, claro, tornar o som ininteligível. É possível sentir as vibrações sonoras sem deixar de captar todo o resto. Aqui mesmo no Brasil, no comecinho dos anos 1990, era possível achar em bancas de jornal, encartados em revistas especializadas, CDs de “bass test”, com sons pensados para os graves automotivos.

Os samplers de The Low End Theory são, em sua maioria, do jazz e, especialmente, do bebop. Também houve uma preocupação técnica para que sumissem os estalos dos vinis de onde essas músicas foram retiradas – isso bem antes do surgimento de softwares que hoje fazem esse trabalho quase que automaticamente. Ron Carter, um dos grandes baixistas do jazz, está fisicamente no disco para dialogar com o sampler de “Verses From The Abstract” e reforçar as linhas graves. Todo esse cuidado com o som já fez o engenheiro de som Bob Power chamar esse álbum de “Sgt. Peppers do rap”.

A última faixa do disco, gravada numa festa real que estava rolando no estúdio com outros grupos do Native Tongues, como o De La Soul, é “Scenario” e ela é responsável por revelar o rapper Busta Rhymes, que assinou contrato para seu primeiro álbum solo logo depois de participar dessa faixa.

The Low End Theory é um daqueles álbuns que dificilmente se repetem na história de um grupo. O momento é propício, as condições favorecem, os integrantes estão afinados no melhor resultado possível e existe um público interessado em consumir arte de uma forma diferente do que vinha sendo feita antes. É basicamente a fórmula de um álbum que se torna clássico. E se você mostrar qualquer faixa pra um moleque dizendo que é de 2018, engana…

A Tribe Called Quest – The Low End Theory – 1991

uça o disco

  1. Excursions
  2. Buggin’ Out
  3. Rap Promoter
  4. Butter
  5. Verses from the Abstract
  6. Show Business
  7. Vibes and Stuff
  8. Infamous Date Rape
  9. Check the Rhime
  10. Everything Is Fair
  11. Jazz (We’ve Got)
  12. Skypager
  13. What?
  14. Scenario (LP Mix)


Sem comentários:

Enviar um comentário