quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Resenha Destinazioni Oblique Álbum de Aliante 2022

 

Resenha

Destinazioni Oblique

Álbum de Aliante

2022

CD/LP

O que foi um trio em seus dois ótimos primeiros discos, agora é um quarteto, porém, sem a presença do tecladista e fundador da banda, Enrico Filippi, que deu lugar para os dois novos membros, Davide Capitanio (guitarra e violão, instrumentos que são novidades na banda) e Michele Lenzi (teclado, oboé, flauta e violão). Baixo e bateria seguem nas mãos de Alfonso Capasso e Jacopo Giusti, respectivamente. Devido a suas influências, o sabor sinfônico e neo-progressivo já é esperado, mas a banda entrega também algo além, e por meio de ingredientes ambiental e psicodélicos adequados, o resultado é um disco delicioso de ouvir do começo ao fim.  

“Il Mondo Di Fronte” já começa o disco de maneira poderosa. Baixo, teclado e bateria continuam brilhantes, mas agora “manchado” por uma guitarra elétrica. Uma peça onde paixão e técnica é exposta com muito entusiasmo. A seção rítmica é robusta, sendo muito engrandecida pelas mudanças de andamento, enquanto isso, teclas e guitarra digladiam-se em seções instrumentais que imergem o ouvinte na atmosfera progressiva do disco. Vale destacar também o momento em que a música silencia e entra em um clima celestial extremamente lindo, ficando nessa linha até o seu término. “Frammenti Di Un Giorno” direciona o disco para uma ligeira mudança de ritmo. Possui um início pastoral por meio de uma flauta e logo se transforma em uma peça de bateria linear. A maneira com que guitarra e sintetizador dialogam, cria uma melodia progressiva com características bastante vintage. De clima sombrio e guitarras floydianas, a peça evolui de forma contínua através de solos refinados e ecléticos. Ainda há uma pausa de clima sombrio.  

“Home Trip”, possui primeiramente algumas notas nas teclas antes de entrar as primeiras e suaves batidas, a linha de baixo é bastante evidente e as suas primeiras notas dentro do compasso me lembra “Owner of a Lonely Heart”, sei que pode parecer estranho do nada uma comparação dessa, pois eu achei estranho quando ouvi, mas não teve como não ligar uma coisa com a outra. O ambiente criado é de um soft jazz até que a guitarra eleva a peça para um outro patamar por meio de um excelente solo. Uma dica, para quem gosta de órgão e sintetizador, a segunda metade da música ainda tem algo grandioso a oferecer. “Destinazioni Oblique” é a menor e mais doce faixa do disco, sendo a única que possui voz por meio da narração da já conhecida de discos anteriores, Serena Andreini. Através de arpejos belíssimos e atmosfera onírica, traz uma grande mudança em relação ao que estava acontecendo até aqui. Uma música de extrema fragilidade que flui perfeitamente para mais um épico do disco.  

“Cartimandua”, o belíssimo violão solitário que a inicia, logo ganha a companha de uma trompa intensa. Depois de pouco mais dos dois minutos iniciais, toda a banda se une em uma sonoridade refinada e cheia de requinte. O interessante nesse disco é que basicamente todas as faixas tem tamanho suficiente para evoluir gradativamente. Aqui o som aprazível do início, aos poucos vai ganhando pompa e uma influência jazzística com um excelente solo de guitarra. A mudança de ritmo de linha blueseira que impulsiona a música para o seu ápice na sua parte final é incrível. “Coda Marea 04” começa por meio de alguns leves arpejos e notas suaves de violino. Possui uma seção rítmica excelente, com algumas mudanças contínuas de tempos e passagens intrincadas. Não costumo gostar de solos de bateria - já devo ter comentado isso aqui algumas vezes – no meio de uma música, mas aqui, admito que ficou ótimo e encaixou muito bem, não se estendendo mais do que o necessário. O dueto de teclado que vem em seguida e que guia a música para o final é o que podemos chamar de cereja do bolo.  

“L'Ultimo Riflesso”, tem um início que coloca o disco novamente em um ar contemplativo, de atmosfera floydiana e clima suave e onírico, permanece dentro dessa linha até mais ou menos sua parte intermediária. Então que a peça se intensifica, mesmo sem perder a sua serenidade, o solo de guitarra é daqueles que faria com que os maiores nomes da guitarra progressiva batessem palma de pé para Davide Capitanio, valorizado ainda mais por ser feito sobre uma harmonia lindíssima. “La Salita” é bastante animada, de seção rítmica sólida e ótimos duelos de guitarra e teclado. As mudanças contínuas de tempo enriquece ainda mais a peça.  

“Tra Cielo E Terra” é extremamente atmosférica, dando um toque oriental em seus sons. Ambiental e pastoral, apresenta conotações jazzísticas e aumenta sua intensidade conforme se desenvolve, a banda mostra uma faceta mais moderna, misturando sons eletrônicos com progressivo clássico. O trabalho de teclas é maravilhoso e mostra o quão talentoso é Michele Lenzi. “I Pomeriggi Di Armida”, um disco que chegou até aqui sendo impecável, não poderia terminar de forma diferente. De clima jazzístico, sereno e incursões clássicas de progressivo, possui notas impecáveis de todos os instrumentos, seção rítmica sólida e teclas que deslizam suave e brilhantemente por toda a sua extensão, mas novamente a guitarra vai sobressair com belas frases e um solo que é de arrepiar. 

Destinazioni Oblique é um disco de músicas instrumentais bastante intensas. São quase 80 minutos divididos em 10 faixas brilhantes, indicado a qualquer amante de rock progressivo clássico, mas que também goste de bandas que tem a capacidade de trazê-lo para um contexto moderno e pessoal.  

Amphettamine une post grunge e rock alternativo em novo single "In Despair” Divulgação

 

Amphettamine une post grunge e rock alternativo em novo single "In Despair”

Divulgação

Amphettamine lança novo single "In Despair” em todas as plataformas de streaming via Electric Funeral Records. Amphettamine é um projeto solo, idealizado e fundado no início de 2020 em Curitiba por Amandha Ribaski (compositora e vocalista).

No aspecto lírico, trata-se de temas obscuros, reais e cotidianos, inspirados em situações pessoais. As melodias acompanham as nuances, buscando sua originalidade e contendo influências de post grunge, gothic e industrial.

O projeto também conta com a participação de Músicos convidados: Roberto Hendrigo (Remedy Tones, Marven James, ex-Semblant), Malcom Gouvêa (Independente) e Jefferson Verdani (Cülpado, Jailor, Axecuter e Sadtheory), que realizaram participações em algumas músicas, como compositores ou intérpretes.

In Despair:  
"Esta música se refere à problemas psicológicos, especialmente à depressão e síndrome do pânico, sendo então um reflexo pessoal de como essas condições afetam o dia-a-dia e a mente de quem é portador desses problemas. Como o nome da música sugere, o instrumental, juntamente com os vocais rasgados, buscam passar toda essa sensação de angústia e desespero." - diz Amphettamine. 

Crítica ao disco de Tillison Reingold Tiranti - 'Allium: Una Storia' (2021)

 Tillison Reingold Tiranti - 'Allium: Una Storia'

(1º de setembro de 2021, Reingold Records)

Tillison Reingold Tiranti - Allium Una Storia

Tillison Reingold Tiranti é o nome do trio formado pelo renomado Andy Tillison (teclados e bateria), seu parceiro do The Tangent , Jonas Reingold (guitarra e baixo) e o vocalista Roberto Tiranti (voz), que integrou grupos como Novos Trolls e Labirinto. Eles são apoiados por Antonio De Sarno compondo as letras e Ray Aichinger no saxofone tenor e soprano.

O álbum de estreia que apresentaram a 1 de setembro de 2021, é um trabalho conceptual lançado pela Reingold Records que se baseia na história pessoal do próprio Andy Tillison , que se lembra de quando era um rapaz de 15 anos que tocava teclado para o primeira vez, uma vez ao vivo com um grupo italiano chamado Allium , um grupo do qual ele nunca mais ouviu falar e não há informações.

Este álbum de Tillison Reingold Tiranti é a resposta para a pergunta: o que teria acontecido se Allium tivesse gravado um álbum? A resposta para isso é a obra ' Allium: Una Storia '.

Com três faixas e um total de 39 minutos e 30 segundos, o álbum é uma homenagem àquelas bandas italianas de rock progressivo que não conseguiram alcançar a glória da fama como outras, mas que deixaram um legado intangível de experiências e músicas que só vem da memória.

O álbum abre com ' Mai Tornare ', uma faixa de 17 minutos onde há muitos arranjos e clichês típicos do Rock Progressivo Italiano, mas tudo bem montado para criar uma peça única que soa totalmente irrepetível. Dentro disso, o teclado de Tillison parece livre, fluido, como um líquido se adaptando ao seu recipiente.

Tiranti parece mais um na equação. E ele consegue a textura certa para enfeitar e fazer sua voz parecer indispensável para o som do álbum. Embora não haja como negar que, se este fosse um álbum instrumental, teria sido tão bom quanto. Por outro lado, o baixo de Reingold é suave e elementar, estando presente e carregando a espinha dorsal das canções em vários momentos. Outro que brilha é Aichinger no sax que dá uma performance colorida e espacial. A composição tem vários momentos que vão de uns extremamente grandiloquentes a outros descontraídos e mais calmos da instrumentação, isso é complementado pelas vozes cheias de força e nuances de Roberto Tiranti .

Há influências da psicodelia, da música folclórica italiana e do jazz, tudo dentro de uma aura de improvisação. O que é notável nisso tudo é que o álbum, apesar de ter sido gravado durante uma pandemia, parece ter sido feito com todos os integrantes dividindo uma sala, já que é notória a estreita e excelente coordenação que ocorreu entre todos eles.

Ao contrário da primeira música ' Ordine Nuovo ', a segunda faixa tem um estilo mais próximo da cena de Canterbury, mas sem esquecer que este é um álbum que busca homenagear uma banda italiana de Rock Progressivo dos anos 70. Ao contrário da primeira música, ela dura apenas oito minutos que tem um som mais melancólico com uma atmosfera comovente que se combina com interessantes segmentos jazzísticos que lembram as grandes influências deste estilo no rock progressivo italiano.

A terceira e última música, ' Nel Nome Di Dio ', tem um ar funk e está bem mais próxima do rock, mas como todo o álbum não esquece quem está homenageando. Existem arranjos de rock progressivo italiano muito distintos que são executados com maestria por seus músicos, tanto Andy Tillison nos teclados e bateria quanto Jonas Reingold na guitarra e baixo. A faixa tem muitas reviravoltas que vão desde riffs acústicos, um órgão Hammond e uma performance incrível na percussão.

Este álbum, pela sua origem, é um muito bom tributo às bandas italianas de Rock Progressivo com um álbum dinâmico e atrativo que vai conquistar qualquer fã que goste de RPI. Allium: Una Storia ' é um álbum completo que não manca em nenhum ponto, se sustenta bem sozinho, mesmo que não tivesse um background tão mítico, seu som por si só já nos convida a redescobrir o Progressivo Italiano Rock porque tem atuações maravilhosas e excelentes.

Crítica ao disco de Kayak - 'Out of this World' (2021)

 Kayak - 'Out of this World'

(7 de maio de 2021, InsideOut Music/Century Media)

Caiaque - Fora deste mundo

O novo álbum desta icónica banda holandesa vem carregado de boas canções que não chocam e têm momentos musicais que se tornarão os vossos favoritos.

Kayak é uma banda de rock progressivo fundada na Holanda em 1972 por Ton Scherpenzeel e Pim Koopman , no auge do gênero a que pertencem, para se separarem em 1982. Voltariam a se reunir em 1999 e hoje com uma vasta carreira na carreira ombros, o conjunto musical lançou seu 18º álbum de estúdio, “ Out of This World ” .

Hoje com apenas Ton Scherpenzeel (tecladista, baixista e backing vocals) como membro original, o grupo holandês é formado por Bart Schwertmann (vocal), Marcel Singor (guitarrista e vocal), Kristoffer Gildenlöw (baixista) e Hans Eijkenaar (bateria).

O quinteto holandês regressa ao mercado musical com um lançamento que à primeira vista mantém as ideias musicais vistas no seu trabalho anterior, “ Seventeen ”, editado em 2018.

“ Out of This World ” abre com a faixa-título do álbum, uma faixa de rock progressivo sinfônico com melodias que preparam para o que está por vir. Um domínio quase completo dos teclados de Ton Scherpenzeel com todos os instrumentos reunidos em uma concha sinfônica.

Isso é seguido por “ Waiting ”, que é mais curta que a faixa de abertura, mas tem uma linha de guitarra cativante, bem como um baixo extremamente funky . Às vezes o tema me lembra o Gênesis da época de Phil Collins .

A impressionante “ Under A Scar ” abre com um piano extremamente dramático, com uma guitarra que soa como um lamento, e então dá lugar a toda a banda se juntando para uma das melhores seções instrumentais do disco. Não só isso, a voz de Marcel Singor se destaca e mostra todo o seu esplendor.

Outra faixa que se destaca é " Mystery ", faixa que resume influências da Electric Light Orchestra , passando por Marillion e Yes . Com sintetizadores extremamente oitentistas e um som que lembra os melhores momentos do neo-prog da época.

“ Critical Mass ” é mais uma daquelas músicas que vão ficar com você, lembrando a Trans-Siberian Orchestra que às vezes também lembra Mike Oldfield ou Jean Michel Jarre . Com mais um daqueles momentos do rock sinfónico que o vão conquistar com o seu épico rock progressivo que não deixará ninguém indiferente com a grande execução e técnica que todos os seus elementos mostram para criar uma das melhores canções do álbum.

Outra das canções que destaco é “ A Writer's Tale ”, sendo uma canção onde o Kayak tem todo o espaço para se desenvolver e onde a música atinge maiores graus de bombástico. Sendo intenso e emocionante, este é um épico musical que soa complexo e cativante, tornando-se uma viagem progressiva do início ao fim.

São muitas as outras canções a destacar: “ Distance to Your Heart ”, “ Red Rag to a Bull ”, entre outras que fazem deste álbum um momento único e irrepetível.

“ Out Of This World ” de Kayak é um disco extremamente sólido que nunca para, oferecendo todos os tipos de músicas e sons. Ton Scherpenzeel mostra todo seu trabalho composicional sendo o grande pilar do grupo. Por outro lado, percebemos como as diferentes veias que coexistem no grupo holandês, que vão do progressivo ao sinfónico, dão origem a estas maravilhosas peças sonoras que não vão deixar ninguém indiferente.

Ryoji Ikeda - Ultratrônica (2022)

Arte da capa para Ultratronics por Ryoji Ikeda
O mais novo lançamento de Ryoji Ikeda, Ultratronics , é um retorno à forma, continuando diretamente a série de álbuns que começou com Dataplex de 2005 , seguido por Test Pattern e Supercodex , o último dos quais foi lançado em 2013. Ele lançou muitas coisas nesse meio tempo, como como Música para Percussão e Música para Instalações Vol. 1 (e 2), para não mencionar a insanidade particularmente incrível de sonificação de dados mais minimalismo que é a Superposição . Este mais novo lançamento não é apenas material novo, já que várias faixas datam de 1989, vários anos antes de seu primeiro álbum, 1000 Fragments , ser lançado.

Como tal, este álbum parece ter o passado em mente, passando por vários estilos de glitch/microsound/noise que estiveram presentes ao longo da sua carreira, embora ainda se ramifique em termos de som. As primeiras cinco faixas apresentam vozes sintetizadas - embora sejam muito distorcidas na maior parte, "ultratronics 00" parece estar lendo alguns tipos de comandos e "ultratronics 04" - uma incrível faixa techno mínima que parece um direto sequência de "data.flex" e "data.reflex" do Dataplex - tem essa contagem de voz sintetizada em inglês, falhando em contar com precisão até 30 algumas vezes, antes de finalmente ter sucesso. É meio engraçado, mas governa mesmo assim.

O trecho de faixas de “ultratronics 05” a “ultratronics 09” é absolutamente insano, principalmente quando chegamos a 07, que parece quase completamente atípico em sua discografia (fingindo que See You at Regis Debray não conta aqui). Temos esse incrível banger industrial de uma faixa, cheia de sons sutis de gravações de transmissão de rádio e 'vocais' por meio de recitações do alfabeto fonético da OTAN ( Codinome: A a Z vem à mente agora, mesmo que apenas em conceito). O fato de que este está parado sem ser lançado desde pelo menos os anos 90 é insano, embora provavelmente tenha sido remasterizado um pouco desde então. Ultratronics 07, 08 e 09 são de 1989-1992, que é aproximadamente o mesmo período de tempo que o Canal X rastreia1000 fragmentos Ryoji Ikeda EPvem de onde; essas faixas são repletas de amostras de vocais e transmissões de rádio, embora a única coisa que chega perto musicalmente seja “What's Wrong?”, que mal chega a um minuto.

Considerando que outros álbuns dele parecem várias suítes de faixas, isso não entra em ação até entrarmos no “ultratronics 11”, que aumenta a intensidade do microssom/glitch nas próximas músicas, resultando nessa incrível explosão de ruído que abre up “ultratronics 14”, antes de desaparecer lentamente no ambiente, na verdade faixas inspiradas no minimalismo (10, 15) que refletem de volta a “Luxus 1-3” e “Space”, que foram posteriormente coletadas no 2021“ultratronics 15” funciona como um epílogo para as 14 faixas de insanidade anteriores a esta, zumbindo sobre um som sutil de batimento cardíaco, desaparecendo no nada.

Então “ultratronics 16” acontece, acho que apenas para encerrar a primeira faixa, lembrando que sim, há altas frequências em um álbum de Ryoji Ikeda. Fora de 00, 11 e 16, não parece haver muitos tons de alta frequência ensurdecedores - pelo menos, nada tão forte quanto feito no Dataplex - o que é uma surpresa, a menos que eu fiquei totalmente surdo. Ainda há uma quantidade incrível de ruído aqui, porém, não me interpretem mal. Alguns dos momentos mais altos aqui me lembram muito as partes mais loucas da discografia do Cyclo .

Mesmo que isso reflita o passado em muitas partes, este é um álbum único dele. Considerando que a sonificação de dados parecia estar na vanguarda de seu som desde Dataplex , Ultratronics parece colocá-la de lado, focando mais na composição do que nos dados, mantendo o design de som que vem aperfeiçoando há décadas. É um lançamento brilhante e provavelmente um dos melhores dele. Eu recomendo verificar este.



BIOGRAFIA DOS Level 42


Level 42

Level 42 é uma banda inglesa de música pop formada no final dos anos 70. Teve seu auge nas décadas de 1980 e 1990, com canções nas paradas de sucesso de todo o mundo. É reconhecida pela alta qualidade dos músicos, destacando principalmente Mark King, baixista e vocalista do grupo. A banda terminou sua atividade no ano de 1994, mais tarde, em 2001 voltou a ativa, e em 2006 lançou um novo trabalho de estúdio. O Level 42 já vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.

História

Formação e primeiros anos

O grupo se formou em 1979, seu principal gênero era a fusão de Jazz e Funk. Os irmãos Gould – Boon, o guitarrista e Phil, o baterista – uniram-se a Mark King, vocalista, e fizeram diversos shows na Ilha de Wight. Phil Gould, Mark King e Wally Badarou – que mais tarde seria um dos produtores e compositor da banda – fizeram parte da banda pop "M" que em 1979 teve uma canção número 1 nos Estados Unidos. Em 1979, Mark King apresentou Phil Gould a Mike Lindup, que passou a fazer algumas apresentações junto ao grupo tocando teclado. A banda precisava de um baixista, e Mark King assumiu o cargo, sem deixar de ser o vocalista principal. Em 1980 foram contratados pela Polydor Records e lançaram o single "Love Meeting Love", e mais tarde "Love Games" que chegou ao top 40 no Reino Unido. O primeiro álbum, homonimo ao nome da banda, foi lançado em 1981 e chegou ao top 20 dos mais vendidos no Reino Unido, também apresentou um bom número de vendas em outros países da Europa. Em 1982 lançaram os álbuns The Early Tapes – com as canções que antes eram apenas demonstrações, e mais tarde foram gravadas em estúdio – e The Pursuit of Accidents, com o top 30 "The Chinese Way". Em 1983 lançaram o álbum Standing in the Light, primeiro álbum top 10 no Reino Unido, com a canção top 10, "The Sun Goes Down (Living It Up)" que tinha Mike Lindup como vocalista principal, e ótimos arranjos de King. Mais tarde, em 1984 lançaram True Colours, que rendeu a primeira canção no Billboard Hot 100 dos Estados Unidos, "Hot Water".

Sucesso mundial

Era Polydor (1985-1989)

O sucesso da banda atravessou as fronteiras da Europa em 1985, quando foi lançado o álbum World Machine, bem recebido pelos fãs e crítica. O álbum tinha duas canções destaque: "Something About You" – sexto lugar no Reino Unido e sétimo lugar nos EUA, primeiro e único 'top 10' – e "Leaving Me Now", top 20 com um excelente desempenho de Mike Lindup. A banda quase acabou nesse mesmo ano por causa de desentendimentos entre Mark King e Phil Gould, mas os problemas foram resolvidos, e a banda continuou sua carreira para em 1987 lançar o mais famoso álbum de sua carreira: Running in the Family. Antes disso, em 1986, foi lançado o single Lessons In Love, terceiro lugar no Reino Unido, e bastante popular na América Latina. Running In The Family teve 4 canções 'top 10' no Reino Unido. Running in the Family veio com nostálgicos arranjos de King, e um ótimo trabalho vocal em combinação com Lindup. No final de 1987, os irmãos Phil e Boon Gould deixaram a banda, e alegaram que foi insatisfação com a gravadora. Eles nem mesmo gravaram o último videoclipe de Running in the Family: "Children Say". Para substituí-los entraram o guitarrista Alan Murphy, antigo guitarrista do grupo Go West e o baterista Gary Hisband. Em 1988 foi lançado o álbum Staring At The Sun, que apesar de ser considerado um fiasco pela crítica, chegou ao segundo lugar em vendas no Reino Unido e ao 'top 10' dos mais vendidos de toda a Europa além de entrar no Billboard 200, e foi muito bem recebido pelos fãs, apesar da mudança radical que ocorreu na estrutura da banda. Três singles foram lançados: "Heaven in My Hands", top 20, "Take a Look", top 40, e "Tracie", top 30. Em 1989, Alan Murphy morre vítima de HIV, e deixa o grupo sem um guitarrista por um período indeterminado. Em 1989 foi lançada a coletânea Level Best com a inédita "Take Care Of Youself", que foi lançada como single, e teve um video musical gravado que contou com King, Lindup e Husband. Em 1990, o Grupo deixou a Polydor Records e migrou para a RCA, onde começou um novo álbum, com um novo guitarrista.

Era RCA (1990-1994)

Em 1991, já pela RCA, a banda recruta o guitarrista Allan Holdsworth para a gravação do nono álbum, Guaranteed. Após a gravação, Holdsworth deixou a banda, e Jakko Jakszyk entrou para a turnê. O álbum Guaranteed teve boa recepção da parte dos fãs e da crítica: era o primeiro álbum que destacava solos de guitarra, alguns notáveis como "A Kinder Eye" e "She Can't Help Herself", e a canção principal de nome homônima ao título do álbum, alcançou o top 20 no Reino Unido. O álbum superou as expectativas dos musicos, e apesar da constante variação entre membros e a mudança de gravadora, chegou a ser o terceiro álbum mais vendido do Reino Unido. Em 1994, Phil Gould voltou à banda para gravar o álbum Forever Now, último álbum antes do fim da banda em 1994. O álbum não foi tão divulgado, a banda não lançava material novo há mais de três anos, e mesmo assim o álbum chegou ao 'top 10' no Reino Unido. O álbum era totalmente diferente do jazz-funk dos anos 80, e até mesmo do Rock do início da década de 1990. Forever Now trouxe canções mais calmas ao repertório da banda. Os três singles lançados: "Forever Now", "All Over You" e "Love In A Peaceful World" chegaram ao 'top 40' na Inglaterra. Em 1996, o álbum foi relançado em outra gravadora – Resugence – com algumas faixas inéditas. Phil Gould participou apenas da gravação do álbum, não aparece nos videoclipes, e fez pouquíssimas apresentações ao vivo. O grupo resolveu encerrar a atividade ao fim dos shows já agendados.

Anos recentes

A partir de 1994, a banda foi desfragmentada. Mark King formou o "Grupo Mark King", e Lindup seguiu carreira solo. No ano de 2000, o antigo baterista Gary Husband, entrou para o Grupo Mark King. No ano de 2001, o Level 42 voltou a ativa com os músicos: Mark King, Gary Husband, Lyndon Connah - nos teclados - e o irmão de King, Nathan King na guitarra. Em 2006, Mike Lindup voltou definitivamente ao grupo, que lançou nesse mesmo ano, o álbum Retroglide, primeiro álbum inédito depois de uma década. O álbum conta com o solo de Boon Gould e Phil Gould na bateria da canção "Ship"(não creditado). Esta foi a primeira canção gravada com a participação da formação original desde 1986. Retroglide foi lançado apenas na Europa, pela gravadora W14, de posse da Universal Music Group, antiga Polydor Records. Há um novo projeto de álbum de estúdio para ser lançado no ano de 2008.

Integrantes

IntegranteInstrumentoPeríodoÁlbuns gravados
Mark King
Vocal / Baixo

1981 – 19942001 – atualmente

  • Todos
Mike Lindup
teclado / Vocal

1981 – 19942006 – atualmente

  • Todos
Phil Gould
Bateria

1981 – 19871994

  • Level 42
  • The Early Tapes
  • The Pursuit of Accidents
  • Standing in the Light
  • True Colors
  • World Machine
  • Running in the Family
  • Forever Now
R. Boon Gould
Guitarra

1981 - 1987

  • Level 42
  • The Early Tapes
  • The Pursuit of Accidents
  • Standing in the Light
  • True Colors
  • World Machine
  • Running in the Family
  • Retroglide
Gary Husband
Bateria

1987 – 1993; 2001 – atualmente

  • Staring at the Sun
  • Guaranteed
  • Retroglide
Alan Murphy
Guitarra

1987 - 1989

  • Staring at the Sun
Allan Holdsworth
Guitarra

1991

  • Guaranteed
Nathan King
Guitarra

2001 – atualmente

  • Retroglide
Lyndon Connah
Teclado

2001 – 2006

  • Retroglide
Jakko Jakszyk
Guitarra

1991 – 1993; 1994

  • Forever Now

Discografia

Álbuns

  • 1981: Level 42 (#20 UK) – Polydor
  • 1982: The Early Tapes/Strategy (#46 UK) – Polydor
  • 1982: The Pursuit of Accidents (#17 UK) – Polydor
  • 1983: Standing in the Light (#9 UK) – Polydor
  • 1984: True Colours (#14 UK) – Polydor
  • 1985: World Machine (#3 UK; #18 US) – Polydor
  • 1987: Running in the Family (#2 UK; #23 US) – Polydor
  • 1988: Staring at the Sun (#2 UK; #128 US) – Polydor
  • 1991: Guaranteed (#3 UK) – BMG
  • 1994: Forever Now (#8 UK) – BMG
  • 2006: Retroglide – Universal
  • 2013: Sirens

Singles

Elite Records

  • 1981 - "Sandstorm"
  • 1981 - "Love Meeting Love" / "Instrumental Love"

Polydor Records

  • 1981 - "Love Meeting Love" / "Instrumental Love" (#61 UK)
  • 1981 - "(Flying On The) Wings Of Love"
  • 1981 - "Love Games" / "Fourty Two" (#38 UK)
  • 1981 - "Turn It On" / "Beezer One" (#57 UK)
  • 1981 - "Starchild" / "Foundation And Empire" (#47 UK)
  • 1982 - "Are You Hearing (What I Hear)?" / "The Return Of The Handsome Rugged Man" (#49 UK)
  • 1982 - "Weave Your Spell" / "Love Games" (#43 UK)
  • 1983 - "The Chinese Way" / "88" (#24 UK)
  • 1983 - "Out Of Sight, Out Of Mind" / "You Can't Blame Louis" (#41 UK)
  • 1983 - "The Sun Goes Down (Living It Up)" / "Can't Walk You Home" (#10 UK)
  • 1983 - "Micro-Kid" / "Turn It On" (#37 UK)
  • 1984 - "Hot Water" / "Standing In The Light" (#18 UK; #87 US)
  • 1984 - "The Chant Has Begun" / "Almost There" (#41 UK)
  • 1985 - "A Physical Presence" / "Turn It On" (#87 UK)
  • 1985 - "Something About You" / "Coup D'eat" (#6 UK; #7 US)
  • 1985 - "Leaving Me Now" / "I Sleep On My Heart" (#15 UK)
  • 1986 - "Lessons In Love" / "Hot Water" (#3 UK; #12 US)
  • 1987 - "Running in The Family" / "Dream Crazy" (#6 UK; #87 US)
  • 1987 - "To Be With You Again" / "Micro-Kid" (#10 UK)
  • 1987 - "It's Over" / "A Physical Presence" (#10 UK)
  • 1987 - "Children Say" / "Starchild" (#22 UK)
  • 1988 - "Heaven In My Hands" / "Gresham Blues" (#12 UK)
  • 1988 - "Take A Look" / "Man" (#32 UK)
  • 1989 - "Tracie" / "Three Words" (#25 UK)
  • 1989 - "Take Care Of Yourself" / "Silence" (#39 UK)
  • 2006 - "The Way Back Home" – Lançado pela Universal, antiga Polydor.

RCA Records

  • 1991 - "Guaranteed" / "All She Wants" (#17 UK)
  • 1991 - "Overtime" / "At This Great Distance" (#62 UK)
  • 1992 - "My Father's Shoes" / "As Years Go By" (#55 UK)
  • 1994 - "Forever Now" / "Romance" (#19 UK)
  • 1994 - "All Over You" / "Learn To Say No" (#26 UK)
  • 1994 - "Love In A Peaceful World" / "The Bends" (#31 UK)
  • 1985 - "A Physical Presence" / "Turn It On" (#87 UK)
  • 1985 - "Something About You" / "Coup D'eat" (#6 UK; #7 US)
  • 1985 - "Leaving Me Now" / "I Sleep On My Heart" (#15 UK)
  • 1986 - "Lessons In Love" / "Hot Water" (#3 UK; #12 US)
  • 1987 - "Running in The Family" / "Dream Crazy" (#6 UK; #87 US)
  • 1987 - "To Be With You Again" / "Micro-Kid" (#10 UK)
  • 1987 - "It's Over" / "A Physical Presence" (#10 UK)
  • 1987 - "Children Say" / "Starchild" (#22 UK)
  • 1988 - "Heaven In My Hands" / "Gresham Blues" (#12 UK)
  • 1988 - "Take A Look" / "Man" (#32 UK)
  • 1989 - "Tracie" / "Three Words" (#25 UK)
  • 1989 - "Take Care Of Yourself" / "Silence" (#39 UK)
  • 2006 - "The Way Back Home" – Lançado pela Universal, antiga Polydor.


Conferência Inferno – Ata Saturna (2021)

 

Ritmos maquinais dançáveis, hinos orelhudos em cordas MIDI, spoken word e uma atitude punk e melancólica. Onde é que já ouvimos isto?

New wave, post punk, art punk, tudo géneros popularizados nos 70s e 80s que, volvidos quatro décadas, já se tornaram parte dos nossos clichés sonoros. O que ouvimos na música dos Conferência Inferno não nos é estranho, nem é dotada de combinações inovadoras. Mas como um bom bife, para um carnívoro insensível como eu, é sempre bem-vindo um prato repetido bem feito. E diretamente do coração cultural do Porto, terra de Ban e GNR, os Conferência Inferno lançaram o Ata Saturna, o seu disco de estreia, pela editora Lovers & Lollypops.

Apuradas no forno várias dezenas de concertos depois, algumas das canções que ouvimos na estreia da banda de Francisco Lima (voz), Raul Mendiratta (sintetizadores) e José Silva (teclas) têm estado em rotação no circuito portuense, do Maus Hábitos ao Passos Manuel. Começaram a tocar ao vivo em 2019: primeiro lançaram o EP Bazar Esotérico no quarto, depois deram vida às canções (e à banda) ao vivo. Nem a pandemia os parou. Em 2021, lançam o primeiro longa-duração.

Regressando à metáfora do bife, Ata Saturna é um bife mal passado: é só para os paladares mais primitivos, apurados à repetição post-punk – nomenclatura assumida pela banda, nem que seja pelo tag usado no Bandcamp. Tem, como um bom bife mal passado, os nutrientes mais concentrados: de forma repetitiva, a voz de Ian Curtis com sotaque do Norte (és tu Reininho?) vai declamando afirmações urbano-depressivas, literariamente quase romântico, por cima de uma caixa de ritmos, baixo sintetizado industrial e, claro, uma linha de cordas. Isto é fazer punk com três instrumentos, nenhum deles uma guitarra.

Não mencionei o frontman dos Joy Division por acaso. Nas rimas em “ir” que cospe, por exemplo, Francisco Lima encontrou a cadência de Ian Curtis – como em “Ausente”: “Já estou farto de insistir, persistir”. Além das imagens agressivas das suas letras: “Cravos de abril num balcão de um bar”, em “Sina”; “Fodemos à pressa, a ritmo alucinante/Padecemos de morte e gerimos o medo/Numa rua torta pintada de merda”, em “Amanhã”; ou “Tenho cartas por abrir/Desprovidas de emoção”, em “Ausente”.

Numa época em que veneramos revivalismos bem feitos, uns com psicadelismos de Alvalade vestidos com blazer e gola alta coloridos, outros com neo soul em batidas lo fi, não nos esqueçamos destes rapazes.


Destaque

We All Together - We All Together 2 (1974)

  Continuamos com o rock peruano e todas as suas joias escondidas, agora em um estilo à la Beatles, algo que você já pode perceber pela capa...