quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Artigos Especiais: Rock Brasileiro 1974 – 1976 (Parte 1)

 

Gilberto Gil e Gal Costa

Falar de rock no Brasil, apesar dos narizes torcidos dos mais radicais, é falar também de MPB. Chega um ponto em que é praticamente impossível dissociar rock de MPB nos anos 70, numa via de dupla influência e muitas transas.  Nesse assunto também, irremediavelmente, é necessário falar também de história e política. A fatalidade histórica que foi a ditadura militar no período 1964-1985 foi a forja na qual foi conformada a cara sofrida e suada de nosso rock e também foi a pá que cavou a sepultura de muitos jovens talentos.

Nossa juventude tinha muita dificuldade em estar sintonizada com o que acontecia com o rock nos EUA e Inglaterra. São inúmeros casos de discos que foram lançados aqui com atraso e outros tantos mutilados (com edições limadas, capas diferentes das originais, etc…), além, é claro, dos muitos e muitos que não chegaram nem a ser lançados. Por outro lado, a inventividade de nossa música também era atrativa aos jovens, que se identificavam com as canções de protesto e o espírito também jovem da MPB da época. Justamente o período de transição entre os Beatles e as novas tendências do rock – psicodelia, art-rock e heavy rock – na virada dos anos 1960 para os 1970 foi o período de maior vácuo para o rock brasileiro, que ainda vagava pelo som beat da Jovem Guarda (já descambando gradativamente para uma música pop de orientação adulta).

Os Mutantes pareciam ser a grande novidade de larga difusão, altamente ligados com o conceito tropicalista naquele momento, em que a MPB era uma das engrenagens daquela usina sonora, com muito fuzz e experimentação. Também existiu, nas grandes cidades, uma cena beat paralela, de pequeno alcance, ligada ao circuito dos clubes e bailes, com bandas que iam evoluindo pouco a pouco para composições próprias de teor mais psicodélico e agressivo. Porém, existem pouquíssimos registros (a maioria em compactos) e que nem sempre eram realmente representativos dos sons que as bandas apresentavam nos palcos, devido ao total estranhamento das gravadoras e o medo da censura.

Banda Soma, do Rio de Janeiro. Começaram com os bailes, depois migraram para o som autoral, experimentando diversas vertentes do rock.

Entre 1968 e 1972, uma época extremamente profícua para o rock, o Brasil ainda encontrava-se muito distanciado em quantidade de lançamentos como em qualidade (de gravação, não musical) até mesmo de outros países periféricos. Entre nomes que bradaram com valentia nesse período podemos citar Módulo 1000, A Bolha, A Década, Os Brazões, Os Leif’s, Equipe Mercado, Som Imaginário, Liverpool, Karma, Lôdo, A Década, Os Lobos, Paulo, Cláudio & Maurício, Os Baobás, Kris Kringle, The Gentlemen, O Bando, Quarteto Nova Era, Soma, Analfabitles, Som Beat…

O que aconteceu neste período foi a gestação de uma MPB temperada com rock em discos excelentes, e que agregaram o rock (principalmente a influência dos Beatles) como mais um adicto em sua flavorização. Transa de Caetano Veloso, Expresso 2222 de Gilberto Gil, Vento Sul de Marcos Valle, Clube da Esquina de Milton Nascimento e Lô Borges, Passado, Presente e Futuro de Sá, Rodrix & Guarabyra, Fa-tal de Gal Costa e Acabou Chorare dos Novos Baianos foram trabalhos que tiveram boa repercussão entre a moçada que escutava rock e tiveram uma ponta de sucesso dentro do mercado musical brasileiro. Nestes discos, há a participação em estúdio de vários músicos que viriam a ser parte da história do rock sessentista-setentista brasileiro como Robertinho Silva, Luiz Alves, Wagner Tiso, Novelli, Nelson Angelo, Pepeu Gomes, Dadi, Lanny Gordin, etc.

Gal Costa, na época do espetáculo-disco Fa-tal, contando com uma poderosa banda de apoio

Em 1973, um acontecimento marcante que abriu a porta para que outros conseguissem ao menos um registro fonográfico – o sucesso meteórico dos Secos & Molhados. Este é um grupo em que o binômio Rock-MPB é constante. Vendendo horrores e lotando ginásios por onde passava, a banda conseguiu colocar hits no rádio e aparecer na TV, com um som bastante ousado e uma atuação performática. Um feito realmente único até então e que fez com que as gravadoras passassem a compreender um pouco melhor o mercado para o rock no Brasil. No ano seguinte, surge à tona uma produção mais intensa das bandas locais. Os shows de Alice Cooper no Brasil arrebataram a atenção de milhares de jovens e colocaram o rock em pauta na grande mídia, para o bem e para o mal. Estes dois fatores propiciaram um tímido deslanche da produção local na época e nos anos de 74 a 76 aconteceram alguns dos melhores trabalhos do rock brasileiro na década de 70.

Secos & Molhados ao vivo

Ao analisar os trabalhos das bandas do período já se consegue perceber um alinhamento maior com a cultura mundializada do rock do que nos anos anteriores. A linguagem do rock progressivo, especialmente, foi interpretada muito bem no Brasil e assimilada mais ou menos na mesma época que em países periféricos da Europa. Por ter uma abordagem bem mais aberta e menos padronizada do que outros estilos de rock, o rock progressivo entrou com força no Brasil, trombando com a força de nossa música popular. A MPB teve papel fundamental para diferenciar completamente a produção de rock (progressivo) do Brasil, ao mesmo tempo que diluindo a face realmente “rock” da coisa, também colocava-lhe um toque altamente original.

Foto da contracapa do LP Tudo foi Feito pelo Sol. Os Mutantes em 1974.

Em 1974, a cisão dos Mutantes rendeu três rebentos – o disco Tudo foi Feito Pelo Sol, da inteiramente repaginada trupe assumida por Sérgio Dias; o disco Atrás do Porto tem um Cidade, de Rita Lee & Tutti Frutti, e o incensado Lóki, de Arnaldo Baptista. Cada um dos três eqüidistantes em termos sonoros. Sérgio Dias cada vez mais espiritualista em devaneios guitarrísticos e texturas eletrônicas de teclados, estava diametralmente oposto à confessionalidade mundana do irmão Arnaldo, que por sua vez, a anos- luz se distanciava de sua ex-esposa Rita Lee, que era só festa com seu Tutti Frutti. Se os três juntos eram geniais, separados também o foram, cada um a sua maneira. Tudo foi Feito pelo Sol foi lançado pela Som Livre e foi o maior sucesso comercial dos Mutantes, ainda que fosse constantemente massacrado pelas mãos de críticos do rock progressivo, como Ezequiel Neves. Os Mutantes, já bem experientes e até mesmo com pioneirismo, tinham o melhor equipamento de som do país naquela altura; o disco teve uma boa produção e destaca-se com facilidade dentro do rock brasileiro do período. Atrás do Porto tem uma Cidade foi só um beliscão para a Philips do que viria a ser o sucesso de Rita com o Tutti Frutti. Já Lóki, também lançado pela Philips, ficou bastante tempo incompreendido pelo público. Arnaldo Baptista tentou, neste período, firmar-se com uma banda de apoio, que batizou de Space Patrol (futuramente, aportuguesada para Patrulha do Espaço). Mas isso não aconteceu concretamente nos anos que se seguiram, por suas inconstâncias de comportamento e a depressão.

Os Secos & Molhados, depois do estrondoso sucesso de sua estréia, gravaram seu segundo disco. Mesmo sem o brilho e o apelo do primeiro disco, as vendas foram escandalosas para o padrão do nascente pop brasileiro. A ascenção foi tão meteórica quanto rápido deteriou-se o ambiente interno do grupo, que logo ruiu. Ney Matogrosso lançou-se em carreira solo logo em seguida e João Ricardo tentou tanto carreira solo, quanto seguir com o grupo, que só foi lançar outro trabalho em 1978. Mas em nenhuma dessas empreitadas teve sucesso próximo ao que experimentou entre 73-74.

O show de Alice Cooper, ocorrido em março de 74, foi uma ocasião gloriosa para um dos grandes grupos da época, o Som Nosso de Cada Dia. O ex-tecladista dos Incríveis, Manito, tinha em mente a criação de uma big band chamada Cabala, mas no fim das contas, ao travar contato com o multiinstrumentista e compositor Pedro Baldanza (guitarra, vocal) mixa suas ideias para o formato power-trio (completando o time com o baterista-vocalista Pedrinho Batera). Em 1973, entram no estúdio para gravar o antológico disco Snegs, com um rock progressivo psych impactante, autêntico e transcendente. A própria produção dos shows de Alice Cooper foi quem os selecionou para a abertura dos shows e quase se arrependeu disso, porque o trio roubou a cena. Os shows em São Paulo e no Rio foram uma catarse, um choque para a moçada local, sendo o primeiro grande show de rock a acontecer no Brasil. Até então, apenas o Santana tinha se apresentado por aqui (em 1971 e em 1973). Ravi Shankar era muito papo cabeça pra maioria e Jackson Five, água com açúcar em demasia. Alice Cooper sim – representava a eletricidade do rock.

O pavilhão do Anhembi lotado para o show de Alice Cooper

Apenas depois da abertura para Alice Cooper é que a gravadora Continental resolve concluir e lançar Snegs, um disco com a capa inacabada e uma produção indigna de sua música magnânima. Contudo, a formação do trio durou pouco e a banda se repaginou para quarteto no ano seguinte, com a inclusão de Egídio Conde (egresso do Moto Perpétuo) e Tuca Camargo (egresso do Apokalypsis). Nesta formação, começaram a trabalhar em um som mais atmosférico, construindo uma ambiciosa suíte chamada “Amazônia”, que nunca foi lançada integralmente. Fragmentos da suíte foram aproveitados no lado B do disco Som Nosso, de 1977, cujo lado A já mostrava a banda em um direcionamento totalmente distinto, partindo para uma abordagem funk-soul.

Pedro Baldanza, que já tinha estrada como músico de estúdio (havia participado de algumas gravações com os Novos Baianos), também aparece tocando baixo em outro trabalho de 1974, da banda paulistana Perfume Azul do Sol. Típica banda obscura, pouquíssimo sabe-se sobre sua trajetória. O grupo foi formado pelo casal Ana Maria Guedes (piano, vocal) e Benvindo (violão, vocal), que conseguiram ganhar a atenção do empresário Moracy do Val (que já era empresário dos Secos & Molhados e empresariaria o Moto Perpétuo em seguida) com suas composições. Porém, o empresário não investiu a grana merecida nos dois, que haviam formado uma banda. Porém, dessa relação com Moracy do Val, descolaram um contrato com o pequeno selo Chantecler e conseguem colocar na praça o disco Nascimento, que apesar da paupérrima produção, é uma gema da psicodelia hippie-brasileira do período. Apenas 120 cópias foram lançadas, praticamente todas distribuídas entre o círculo social da banda; apenas uma única sessão de fotos foi feita e uma rápida aparição na TV Cultura, de São Paulo. Nenhum outro show foi realizado e a banda se desfez rapidamente, pelo desinteresse de Ana Maria Guedes.

Já o Moto Perpétuo surgiu a partir de Guilherme Arantes, um jovem pianista que se equilibrava entre a vontade de seguir a carreira musical e estudar arquitetura na USP, e do baterista Diógenes Burani, um já tarimbado músico de estúdio, egresso d’O Bando e da banda de apoio de Gal Costa. Os dois se encontraram no palco tocando em uma peça de teatro. Dali, recrutam o baixista Gérson Tatini, um aficcionado pelo Yes, Cláudio Lucci, um violonista de formação clássica e Egídio Conde, guitarrista. O grupo se forma em 1974 e adquire um rápido e frenético entrosamento. Com as composições de tom lírico de Guilherme Arantes, conseguem um contrato com a Continental através de Moracy do Val e gravam, sob a batuta de Peninha Schmidt (um dos principais produtores fonográficos da época), o álbum auto intitulado no fim de 1974. Contudo, a Continental deu mais atenção a outra banda contratada – a carioca A Barca do Sol, o que dificultou a promoção do belo e progressivo trabalho do Moto Perpétuo. Em poucos meses e com poucas perspectivas de sucesso, veio a dissolução. Guilherme Arantes partiu para consolidar-se como um grande compositor e artista solo de sucesso a partir de 1976. Egydio Conde migrou para o Som Nosso de Cada Dia e os remanescentes tentaram continuar, sob a alcunha de São Quixote.

A formação do Apokalypsis

Diversas outras bandas ativas e freqüentadoras dos palcos existentes na capital paulista não chegaram a deixar nada registrado. É o caso do Apokalypsis, formado pelo baterista, vocalista e compositor Zé Brasil (que chegou a fazer parte do início da Space Patrol, de Arnaldo Baptista). Contando com Tuca Camargo (tecladista), Edu Ladessa Parada (baixo) e Prandini (guitarra, sax, flauta), estrearam em novembro de 1974 no Teatro da Universidade Católica e tocaram em diversos festivais de grande público da época. Não gravaram nada em estúdio como grupo, mas recentemente vieram a tona dois lançamentos ao vivo, um de 74 e outro de 75, no qual é possível escutar a interessante mistura sonora do grupo e suas letras utópicas e contestadoras. A trajetória do grupo ficaria em stand-by no fim de 75, mas é retomada entre 77-78. Apenas em 1976 Zé Brasil lançou um compacto pela CBS, apresentando-se como Maytrea & Silvelena (que era sua esposa), com duas singelas canções folk. De paulistanos sem discos, temos ainda o Scaladácida, bastante ativa no circuito de shows e festivais. Formada em fins de 72, abrigou o inglês Ritchie Court, flautista e vocalista, que ficaria famoso depois em carreira solo e que participou de outros projetos importantes. Cantavam em inglês um repertório de rock progressivo e jazz-rock, segundo relatos do próprio Ritchie. Apesar de serem considerados um importante live-act da época, não ter conseguido assinar um contrato foi um dos motivos do fim da banda, pois Ritchie estava como turista no país e teve problemas com o visto. A banda consistia de Azael Rodrigues (bateria, futuro membro do Divina Increnca), Fábio Gasparini (guitarra), Sérgio Kaffa (baixo, tocou com Arnaldo Baptista e depois integraria O Terço, além de inúmeras participações em gravações) e Ritchie Court (flauta e vocal). Existe material registrado ao vivo da banda, que até então não viu a luz do dia.

Sérgio Hinds e Roberto Moreno – o Terço no ápice de sua carreira

No Rio de Janeiro, o grupo O Terço dava seu definitivo passo rumo ao som progressivo que o tornou célebre e o colocou como um dos maiores nomes do rock brasileiro da época. Participaram como banda de apoio dos parceiros Sá & Guarabyra no disco Nunca, depois da partida de Zé Rodrix. Neste trabalho, já se destacam auxiliando nas vocalizações e em belos arranjos, oferecendo pequenos toques progressivos ao cancioneiro acústico da dupla. No ano anterior, haviam lançado seu segundo disco ainda como trio, balançando-se entre um nascente rock progressivo e uma linhagem puramente fuzz guitar. Em 74, estavam reformulados como quarteto, com adição do tecladista mineiro Flávio Venturini, que foi fundamental para a nova sonoridade do grupo, acrescentando positivamente na questão harmônica e vocal. No fim daquele ano (novembro de 74), entrariam em estúdio para registrar Criaturas da Noite, seu principal trabalho e um dos principais expoentes do rock progressivo brasileiro, com incursões pela música popular, especialmente a desenvolvida por Milton Nascimento a partir de Clube da Esquina e por Sá, Rodrix & Guarabyra. Apesar do disco ter saído em 75, a banda já experimentava, com sucesso, músicas do novo repertório nos shows anteriores ao lançamento.

Casa das Máquinas rodando o Brasil com seu ônibus

Fonograficamente, 1974 teve a estréia da Casa das Máquinas, banda já bem profissionalizada, formada pelo experiente baterista dos Incríveis, Netinho. Não foi com esse disco que a banda ficou famosa e obteve prestígio, pelo fato de ser um trabalho irregular e pouco direcionado. Esse seria apenas o começo de seu vôo. Ainda em São Paulo, em 1974, estreava em disco a lendária banda Made in Brazil. Desde seus primórdios, a fórmula do grupo era um rock básico e sem firulas, com figurino glam e muita distorção. No Rio, ocorreu a estréia do original grupo A Barca do Sol, que também contou com o flautista Ritchie Court, posteriormente. Um grupo que não aceitava o título de rock por si só, por ser baseado em instrumentos acústicos, mas que foi abraçado pelo público que circundava a cultura rock na época. Sua fusão sonora os aproximava bastante do folk-rock europeu, mas mantendo uma forte brasilidade. A banda foi formada por um grupo de jovens músicos de formação erudita, que se encontraram em um curso de extensão em música com Egberto Gismonti, que os produziu e participou em seu disco de estréia. Nando Carneiro (violonista, vocalista e compositor da Barca) era irmão do poeta e letrista Geraldo Carneiro (atualmente um imortal da Academia Brasileira de Letras), parceiro de Egberto Gismonti. A banda assinou com a Continental para lançar seu disco de estréia no fim de 74 e ganhou notoriedade, de público e crítica.

A legendária Barca do Sol e sua trupe acústica

Egberto Gismonti, padrinho da Barca do Sol, ao vivo

Tangenciando a MPB e o rock, há que se comentar dos lançamentos de Academia de Danças, de Egberto Gismonti, onde o virtuoso pianista ousava com sintetizadores e uma possante banda formada por Robertinho Silva e Luiz Alves (Som Imaginário) e o disco ao vivo de Milton Nascimento, Milagre dos Peixes, gravado majestosamente no Teatro Municipal de São Paulo, acompanhados também do Som Imaginário. No Nordeste, Alceu Valença estreava sozinho pela Som Livre com o trangressor Molhado de Suor, e a disruptiva Ave Sangria agitava com som e atitude o Recife de 1974. Ainda que o disco careça de punch, devida a precariedade da gravação realizada em apenas 5 dias em um estúdio carioca, a Ave Sangria atestou sua participação na história do rock no período, desviando de cacetetes e censuras da nossa ditadura. Os Novos Baianos encontravam-se no fim do sonho hippie da vida comunitária, mas ainda soltando fogo pelas ventas com o bem energéticos Novos Baianos, o último com o violonista e vocalista Moraes Moreira. Já o lançamento de Vamos pro Mundo, também de 1974, os mostrou mais como grupo de samba/carnaval.

Raul Seixas e seu parceiro Paulo Coelho

Por fim, é essencial falar de Raul Seixas, que atingiu o grande público com o disco Gitá em 74 e o enorme sucesso da faixa homônima. Raul se deu mal com a ditadura por pregar a tal “Sociedade Alternativa”. Foi preso em 73, tomou uns sopapos da polícia e foi mandado para umas “férias forçadas” nos EUA. Quando o disco estourou, a ditadura achou por bem acabar com o sumiço de Raul e trazê-lo de volta ao país, onde se consolidou como uns dos maiores nomes do rock e talvez o único dessa época que realmente rompeu a barreira do tempo.

Outros grupos que se iniciaram em 1974 foram o Terreno Baldio, em São Paulo, o Vímana, o Bacamarte e o Veludo no Rio.

Em 1974 o rock adquiriu escala no Brasil e as revistas noticiavam que a coisa viria num crescente, com apresentações a serem confirmadas de grandes bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin, Yes, Black Sabbath, Joe Cocker, Black Oak Arkansas e várias outras. A única que realmente esteve mais próxima de se concretizar foi a do Traffic, que já tinha até data marcada, mas foi abortada porque a própria banda encerrou as atividades.

Liberdades X excessos na música

 

Muito se diz sobre o quanto a música “era melhor”, ou “foi melhor” nas décadas anteriores, principalmente até os anos 80. Acredito que esse tipo de sentimento tem muito mais a ver com a memória afetiva de cada um do que com a qualidade das músicas e dos músicos mais atuais. Difícil comparar um disco que você ouviu a vida toda, muitas vezes diariamente à um que acabou de ser lançado. O primeiro sempre vira um ponto de referência difícil de ser alcançado.

Porém um ponto que me chama atenção de uns anos para cá é o tempo de música que temos em cada álbum ultimamente. Para isso temos que lembrar qual é a definição de um álbum e como essa definição foi se desenvolvendo ao longo do tempo. Obviamente não entrarei em detalhes e tentarei resumir para não desviar o foco do texto.

A música era difundida basicamente nas rádios e os artistas precisavam de uma forma para distribuir essas obras para os meios de divulgação. Assim, os singles, geralmente com uma faixa de cada lado, atendiam muito bem a necessidade. Os álbuns até o início da década de 60 eram apenas uma compilação de singles. Quando os grupos perceberam que o álbum era muito mais importante para eles e serviam muito mais do que uma mera coletânea e sim como um dos legados que os artistas deixariam para a posteridade, começaram a ter um cuidado maior com esse lançamento. Muitos dizem que a cultura de álbuns se iniciou com o Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967), porém tivemos outros bons exemplos anteriores como o sensacional Pet Sounds (1966). A era do álbum foi o início do apogeu do rock and roll.

Os álbuns eram lançados em discos de vinil de 12” e eram tocados numa rotação de 33⅓ rpm. Sua capacidade musical era no máximo de 25 minutos de cada lado, mas o mais usual é termos algo em torno de 20 minutos. Quando se acumulava muita música em um mesmo lado do disco os sulcos, onde as agulhas atuam, deveriam ser cada vez mais próximos e quanto mais comprimidos esses sulcos, menor a qualidade da transmissão do disco para a agulha. Desse modo, uma limitação técnica acabou moldando o jeito de se pensar, produzir e consumir música. Ninguém tinha a intenção de ficar horas, dias ou até mesmo meses trabalhando em estúdio para lançar algo que seria arruinado na prensagem do disco. Ou seja, os artistas tinham os 40 minutos de música como um ideal.

Os artistas de hoje não se preocupam com esse detalhe já que o CD, lançado no início da década de 80 e popularizado quase uma década depois, tem capacidade de 80 minutos e não há nem a necessidade de se trocar de lado. Ou seja, a capacidade do CD é quase o dobro de um LP e pode armazenar todo o tempo de música sem nenhuma interrupção. E é aqui que está a questão de todo esse emaranhado de palavras que escrevo. Os músicos hoje em dia não estariam “livres demais”, sem limitações, que estão os deixando sem a necessidade de lapidar melhor sua música?

Peguem os discos mais aclamados da história e analisem o tempo de execução total. Como exemplos temos o Dark Side of the Moon com 43 minutos, o In The Court of Crimson King com 42, o The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars com 38 minutos e o primeiro do Led Zeppelin com 44. Estou certo que todos esses artistas e muitos outros da época tinham muitos mais idéias que queriam utilizar que não entraram nos discos – basta ver a quantidade de material extra que entram nesses relançamentos. Assim o processo de lapidação e cuidado com o que seria entregue ao público, me parece, era mais apurado. Certamente dois riffs ou duas melodias que hoje podem resultar em duas músicas foram condensadas em apenas uma, concentrando qualidade. Alguém já se deu conta que Reign in Blood, do Slayer, o álbum número 1 dos fãs, tem apenas 28 minutos totais?

Obviamente não estou dizendo que quanto mais longo pior o álbum já que temos inúmeros exemplos contrários em ambos extremos. Os artistas lançaram álbuns duplos e até triplos ao longo da história, mas para isso eles tinham que ter o respaldo da gravadora. Ninguém queria correr o risco de dobrar os custos, dobrar o valor de venda e ver esses esforços naufragarem. Alguns vão lembrar do irretocável All the Things Must Pass (1970), álbum triplo de George Harrison, lançado assim pelo acúmulo de material de anos e anos em que o músico ficou de escanteio na hora de escolher as músicas que entrariam nos discos dos Beatles.

Como disse, o CD surgiu no início da década de 80 com a capacidade de exatos 74 minutos. O mais curioso é que essa capacidade foi definida quando estavam desenvolvendo o produto com base na duração total da Nona Sinfonia em D menor, último trabalho de Herr Ludwig Van Beethoven. Com o passar dos anos a capacidade do CD foi elevada para 80 minutos mais por conta da necessidade de armazenar mais dados (medidos em megabytes) do que pela necessidade musical. O The Wall, por exemplo, não cabia todo em CDs de 74 minutos, mas consegui gravá-lo em apenas um disco quando surgiram essas mídias com 80 minutos.

Gosto muito do heavy metal do início da década de 80 e as bandas que estavam surgindo no período tinham a gana de lançar seus discos rapidamente e não é raro ouvir um álbum completo com pouco mais de 26-27 minutos. Inclusive o termo ‘álbum’ era usado quando o grupo queria dar maior valor ao seu lançamento, pois com esse tempo esses trabalhos podiam ser considerados EPs ou mini LPs. Em uma recente edição do Consultoria Recomenda indiquei o For the Universe (1985) do Martyr, uma banda holandesa de heavy metal como sendo um EP, mesmo ele sendo considerado um álbum pelo próprio grupo, mas essa definição é conflitante dependendo de onde você tira essa informação.

Apesar de ser a minha banda preferida não posso deixar de lembrar que o Iron Maiden tem abusado do tempo total de seus discos há pelo menos 20 anos. Basta lembrar que o último LP simples que a banda lançou foi o No Prayer For the Dying em 1990. E seu último lançamento, o The Book of Souls, foi lançado em LP triplo (CD duplo), após vários discos em LP duplo (CD simples), sem nenhuma excessão. Tenho certeza que se fossem limitados pelo tamanho de um LP simples alguns compassos ou algumas repetições em refrãos seriam limadas do resultado final. E eu estou falando de discos que gosto do modo em que foram lançados.

Há uma brincadeira que rola na internet em relação ao tempo de duração das músicas do Dream Theater. Apesar da brincadeira ser engraçada e gerar muitas tiradas legais elas são obviamentes exageradas. Mas toda piada para ser engraçada tem que ter um grau de exagero sim, mas principalmente um fundo de verdade. Acredito que o Dream Theater anda exagerando há muito tempo. O problema de se ter músicas muito longas é que ela tem que ser atrativa ao longo de toda sua duração, se não o ouvinte perde o interesse. O Yes lançou Close to the Edge (1972) com a faixa título tomando um lado todo do LP. A música fez um estrondoso sucesso porque é possivelmente a melhor música da banda. Porém, entorpecidos com o sucesso, tiveram a brilhante idéia de fazer um álbum duplo com apenas 4 faixas e lançaram o controverso Tales From Topographic Oceans (1973), que, apesar de seus inúmeros defensores (e tenho certeza que pelo menos um aparecerá aqui nos comentários), a grande maioria concorda que é um álbum difícil de ouvir e com muitas passagens que sobram. Acredito que tivessem os egos um pouco menos inchados e uma maior dose de bom senso o conteúdo composto para aquelas músicas teriam passado por uma peneira e certamente um disco muito mais conceituado seria lançado. E é exatamente nesse excesso que o Dream Theater está pecando. Basta dizer que esse último álbum The Astonishing (2016) tem 130 minutos e para preencher essa eternidade de música eles foram capazes de fazer não só uma, mas duas introduções para um mesmo disco. É ou não é um exemplo de falta de bom senso?

Quando falamos de bandas atuais fazendo um som legal não é raro lembrarmos de grupos que tem como um de seus objetivos o resgate da sonoridade de décadas atrás. Bandas como o Ghost, o Rival Sons, o Vintage Trouble e a carreira solo de Jack White lançaram os melhores discos dos últimos anos e tinham como característica não só o som calcado em gêneros e grupos das décadas de 70 e 80, mas também o tempo de seus álbuns, todos produzidos como se tivessem sido lançados nessas épocas. Pode ser coincidência, ou não.

Outro ponto que deve ser abordado é que as bandas hoje em dia não ganham mais tanto dinheiro quanto ganhavam na venda dos discos em si por conta de todo o contexto de distribuição musical que temos e que não é necessário detalhar aqui, pois todos estamos cansados de saber. Antigamente os shows eram encarados como uma forma de divulgar a venda dos discos. Atualmente um lançamento desse é mais um pretexto para uma turnê que é a forma que as bandas realmente ganham. Isso, talvez, influencie na quantidade de esforço que um artista empregue na gravação de um álbum. Será que não existe um sentimento de “deixe como está” ou “está bom assim mesmo”, algo que não aconteceria quando o álbum era algo mais importante? Ou até mesmo a quantidade de faixas. Talvez as bandas não se importem muito em peneirar e lançar só as melhores. Um álbum de heavy metal nos anos 80 tinha em média 7-8 músicas. Hoje pode chegar facilmente à 15. Acredito que não só as bandas lançam tudo porque afinal o CD comporta, como imaginam que quanto mais material for colocado no mercado, maior a chance de se produzir um hit de sucesso. Porém, pelo menos na minha opinião, uma quantidade exagerada de músicas acaba atrapalhando na hora de identificar aquelas melhores faixas diluindo a atenção.

Alguns artistas como o Kiss e o Twisted Sister já disseram diversas vezes que não têm mais o interesse de lançar álbuns, ou por questões financeiras – por acharem que não vão vender na quantidade que queriam –, ou porque o público está só interessado nos clássicos. Mas também existe um outro fator: o modo que as pessoas ouvem música atualmente. Poucos tem o interesse de ouvir o disco como um todo, estando confortável em ouvir apenas os singles e isoladamente. Em um vídeo no canal do Gastão Moreira, André Barcinski apresentou um dado que das pessoas que ouvem a primeira faixa de um disco apenas 30% ouvem a segunda. Não sei de onde ele tirou essa informação, mas, se for real, ela é importantíssima.

Tem muito tempo que estou ensaiando em fazer esse texto. Porém nunca o levei para a frente porque tive receio em ser mal interpretado ou até mesmo em não conseguir elaborar algo que interessasse outras pessoas. Não espero que as bandas lancem músicas de 2 minutos e nem sou adepto ao punk. Muito menos estou dizendo que músicas longas são necessariamente ruins – ouçam “Thick As a Brick” do Jethro Tull. Esse é um assunto que queria abordar há muito tempo aqui e só não sabia como fazê-lo. Queria até usar mais exemplos e argumentos, mas não quero deixar o texto muito longo, apesar que isso nunca ter sido problema aqui na Consultoria do Rock. Enfim, o texto como um todo tem a característica de um brainstorm e espero que seja só o início de uma boa discussão aqui nos comentários.

A OBRA DE AMÁLIA RODRIGUES

                                                  AMÁLIA RODRIGUES



ALVORADA - MEP 60002

Cabeça de Vento - Disse Mal De Ti - Tentação - Avé Maria Fadista





                                                      NATAL DOS SIMPLES


COLUMBIA - 8E 006 40090

Natal dos Simples (José Afonso) - Balada do Sino (José Afonso)

Orquestra dirigida por Paul Gérard.



                                                      CHEIRA A LISBOA


COLUMBIA - 8E 016 40235 - 1972

O Rapaz da Camisola Verde - Carta a um Irmão Brasileiro - Cheira a Lisboa - À Janela do meu Peito



GRAVETOS & BERLOQUES (GOODBYE JUNE-COMMUNITY INN (2019)


                                       GOODBYE JUNE-COMMUNITY INN (2019)




Direto do forno, 'Community Inn' traz a banda dos primos mais queridos de NashvilleLandonBrandon Tyler, mais pesada que nunca. Mas a fórmula, sempre certeira, de juntar uma certa classe zeppeliniana à aspereza southern country rock, segue fazendo estragos. E o 3º álbum da Goodbye June é uma pancada nas 'orêia', com riffs e composições ganchudas, magistralmente executadas. 
Afinal, é uma banda que sabe que influências são sempre bem-vindas, até porque (quase) inevitáveis, mas cópias nada mais são que...cópias!




OS DISCOS QUE NOS ESPERAM EM 2023

 

Sam Smith, Everything But the Girl, Gorillaz, Pink, Van Morrison, Lana Del Rey ou os Metallica prometem animar o mercado com novos álbuns.

Cada ano é um carregamento de nova música. E não vale a pena fingirmo-nos de videntes com uma bola de cristal à mesa. O calendário de lançamentos é fácil de alinhavar. Basta ir ordenando as oficializações de lançamentos num documento e esperar pelas ditas obras.

Com o feroz Iggy Pop, foi sempre a abrir. É esse o verbo do ex-Stooges. E é mesmo ele que abre o ano discográfico com o seu 19º álbum em seu nome, "Every Loser", que sai a 6 de janeiro. A eletricidade à solta das novas canções promete embriagar o cantor para mais umas diabruras no meio da multidão, quando cumprir a sua próxima digressão internacional. Iggy Pop é provavalmente o mais traquinas dos septuagenários em todo o mundo e é isso vai relembrar a quem tiver a sorte de o ver em palco. Na sexta-feira seguinte, a 13 de janeiro, é a vez de Margo Price lançar "Strays", ou mais um punhado de canções em que tenta encaixar o country noutros géneros como se fossem peças da Lego. Nesse dia, Gaz Coombes edita o seu quarto disco a solo "Turn the Car Around", deixados para trás novamente os Supergrass, onde se tinha projetado a meio dos anos 90. Quando será que o mundo lhe dará o devido valor?, perguntam as suas arejadas canções, que fintam os lugares comuns sonoros. 

 

A partir do dia 20 de janeiro, o mercado discográfico já está a trabalhar em pleno. As novidades são em peso, a começar desde logo pelos excêntricos rockers Måneskin, que colocam no mundo "Rush"! (o terceiro longa-duração dos italianos). Tal como os ABBA, a vitória do Festival da Eurovisão abriu-lhes caminho para uma carreira à escala planetária, que está para continuar. Nessa sexta-feira, sai o primeiro álbum em sete anos do veterano galês John Cale, "Mercy", que é um observatório ao mundo que o rodeia: mudanças climáticas, ascensão da extrema-direita, a antiga presidência de Donald Trump ou os efeitos da pandemia da covid-19. O disco agregou vários artistas indie, como Weyes Blood, Actress ou os membros dos Animal Collective. O baterista dos Blur, Dave Rowntree, lança o seu disco de estreia a solo, "Radio Songs", a saltitar entre sons, como quem procurava outra estação do éter na telefonia. Nesse dia, os Ladytron mostram mais sonhos de synthpop em "Time's Arrow", enquanto os indie-rockers Guided by Voices do ultra-produtivo Robert Pollard colocam mais um disco cá fora, "La La Land". Também a 20 de janeiro, os Wilco publicam em edição física "Cruel Country", no mundo digital há já vários meses. Na última sexta-feira de janeiro, no dia 27, Sam Smith edita "Gloria", onde põe cá fora todos os seus conflitos pessoais, ou o seu modo de pôr à prova a ginástica flexível da pop.

 

Em fevereiro, o mercado ainda vai fervilhar mais com os novos discos, no dia 3, de Ellie Goulding, "Higher Than Heaven", Shania Twain, "Queen of Me", os Young Fathers, "Heavy Heavy", e The Go! Team, "Get Up Sequences Part Two". No dia 10, estão marcados os lançamentos dos discos dos Paramore, "This Is Why", dos Yo La Tengo, "This Stupid World", dos Quasi, "Breaking Balls of History", e ainda o ao vivo (duplo CD + DVD + blu-ray) dos Rolling Stones, "Grrrr". Na sexta-feira, dia 17, podemos contar com os discos de regresso de Pink, "Trustfall", e dos Orbital, "Optical Delusion". Na sexta-feira final do mês nº2 do ano, dia 24, entramos na megalomania animada dos Gorillaz, em "Cracker Island", na indiscrição de Adam Lambert, em "High Drama", mas também na energia irrequieta e pós-punk dos Shame, "Food for Worms", e no romantismo outonal dos históricos The Church, "The Hypnogogue".

 

Há já alguns lançamentos garantidos para março, como os casos da fértil Lana Del Rey, "Did You Know That There's a Tunnel Under Ocean Blvd", da vanguardista eletrónica Fever Ray, "Radical Romantics", e do veteraníssimo norte-irlandês Van Morrison, "Moving On Skiffle". Todos estes discos estão calendarizados para dia 10. Já em abril, no dia 14, esperam-nos discos dos Metallica, "72 Seasons", e de Caroline Polachek (ex-Chairlift), "Desire, I Want to Turn Into You". Uma semana depois, a 21, os Smashing Pumpkins fecham a trilogia "Atum: A Rock Opera in Three Acts", com o terceiro volume, e com a edição no seu todo desta obra conceitual tão ao gosto do seu líder Billy Corgan.

 

Ainda sem data marcada, já com todas as certezas, serão lançados os novos álbuns dos Depeche Mode, "Memento Mori" (em março) e dos Killers (no início do ano). Pode também enriquecer o ano o primeiro álbum deste século dos recém-reformulados Everything But the Girl. A viver o seu maior interregno de sempre (sete anos), PJ Harvey promete voltar este verão às secções de novidades discográficas com nova obra. Quem também vai sair de um longo hiato em nome próprio é, ao fim de oito anos, Jennifer Lopez, através de "This Is Me... Now".

 

Concluimos esta previsão do ano que começou com futuros discos que ainda estão na esfera cinzenta das especulações. Kylie Minogue, Ed Sheeran (com um disco que tudo indica se chamará de "Subtract") e Noel Gallagher (através da sua banda High Flying Birds) já deram sinais de que vão publicar novos álbuns este ano.


ARETHA FRANKLIN É A MELHOR CANTORA DE TODOS OS TEMPOS PARA A ROLLING STONE

 

Foi divulgada a lista com os 200 melhores cantores de todos os tempos para a famosa revista de música.

A Rolling Stone divulgou em, 1 de janeiro, os nomes dos 200 melhores cantores de sempre - estrelas de várias gerações de artistas e de todos os géneros musicais. A revista norte-americana explica que os critérios da eleição assentaram na criatividade, na influência, na profundidade do catálogo de cada artista e na amplitude do legado musical que deixa ao mundo. A famosa publicação especializada em música sublinha, porém, que a lista contempla os melhores cantores e não os donos das melhores vozes.
 
"Eu, com a mão estendida, à espera que alguém lhe pegue", foi assim que Aretha Franklin descreveu a missão que tinha como cantora e é com estas palavras que Rolling Stone começa o artigo que fez com a seleção dos 200 melhores. A cantora norte-americana, filha do gospel e coroada a Rainha da Soul, foi eleita a melhor de sempre num espaço temporal de 100 anos. 

"Aretha poderia expressar júbilo, como vimos no documentário de gospel  'Amazing Grace'. Ou invocava o mais profundo desgosto, em baladas como 'Ain't No Way'. A sua arte é a maior conquista da música americana, se não da história americana. A sua voz é um cruzamento onde se encontram as diferentes tradições musicais, do gospel ao funk, do rock ao blues", escreve a Rolling Stone sobre a artista que morreu em 2018, aos 76 anos.  


norte-americana Whitney Houston, amiga de longa data de Aretha Franklin, está em segundo lugar na lista dos melhores cantores. "O disco homónimo de estreia, lançado por Whitney Houston em 1985, saiu um pouco antes do seu 22º aniversário e cimentou-a como uma das vocalistas mais potentes da pop", escreve a revista sobre a cantora que morreu em 2012. 

"Conheci a Whitney quando a mãe, a Cissy, que cantava comigo, a levou para uma das sessões de gravação. [A Whitney] tinha cerca de nove ou dez anos", contou Aretha Franklin precisamente à Rolling Stone, em março de 2012, poucas semanas depois da morte de Houston. "Ela sabia ser glamorosa e graciosa. Tinha muita classe. Sabia perfeitamente qual era o caminho que queria seguir", acrescentou a Rainha da Soul.  


Sam Cooke, tido como um dos artistas da soul com mais influência, foi eleito o terceiro melhor cantor de sempre. "Já era uma super estrela de gospel com os  Soul Stirrers mas quando seguiu a solo em 1957 começou imediatamente a definir a ideia de música soul", escreve a publicação sobre o cantor, compositor e empresário que morreu em 1964.

Na lista dos 20 melhores cantores de todos os tempos estão ainda os nomes de Billie Holiday (4º), Mariah Carey (5º), Ray Charles (6º), Stevie Wonder (7º), Beyoncé (8º), Otis Redding (9º), Al Green (10º), Little Richard (11º), John Lennon (12º), Patsy Cline (13º), Freddie Mercury (14º), Bob Dylan (15º), Prince (16º), Elvis Presley (17º), Celia Cruz (18º), Frank Sinatra (19º) e Marvin Gaye (20º).

Confira a lista com os nomes dos 200 eleitos



MILEY CYRUS INAUGURA 2023 COM MÚSICA NOVA

 

         'Flowers' é o nome do novo tema da artista norte-americana.

Miley Cyrus anunciou que vai lançar um tema novo ainda durante o mês de janeiro. A canção chama-se 'Flowers' e tem lançamento agendado para o dia 13.

O anúncio foi feito durante o evento "Miley's New Year's Eve Party" - o especial de fim de ano da televisão norte-americana CBS que a cantora protagonizou ao lado de Dolly Parton, estrela maior da música country. 


O espetáculo de passagem de ano, que teve lugar em Miami, contou ainda com uma série de convidados, como é o caso de David Byrne, Latto, Sia, Rae Sremmurd, Liily ou Fletcher.  


O último disco editado por Cyrus, "Plastic Hearts", saiu em 2020. 


Destaque

Vanilla Fudge – Vanilla Fudge (1967)

  Vanilla Fudge – Vanilla Fudge (1967) [2020, Remasterizado, Camada de CD + Ripagem SACD de Alta Resolução] Considerada por muito tempo uma ...