sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Review: Metallica - The Metallica Blacklist (2021)


Existem várias formas de ouvir música. Trilha de fundo pra quando você estiver fazendo outra coisa, escutar com atenção um álbum de sua banda preferida, curtir um disco que faz bem pra você. The Metallica Blacklist não se enquadra em nenhuma dessas situações. Celebrando os trinta anos do clássico Black Album, o Metallica convidou 53 artistas dos mais variados gêneros musicais para darem as suas interpretações para as doze canções que transformaram a banda em uma das maiores de todos os tempos, tudo com a supervisão de Giles Martin, produtor inglês responsável pelos relançamentos dos Beatles e filho do lendário George Martin.

A audição é um exercício sonoro e de aprendizagem por versões que dão às canções novas abordagens do metal ao pop, do rock ao country, da música eletrônica ao jazz, sem cerimônia e sem medo. O resultado, em grande parte, é positivo, principalmente se você tiver a cabeça aberta para diferentes gêneros musicais – mas até aí nada de novo, já que o Metallica nunca foi uma banda para fãs mais ortodoxos de metal, convenhamos. O tracklist é organizado na mesma ordem do álbum original e apresenta as diferentes versões de uma mesma canção em sequência. Assim, temos seis “Enter Sandman” diferentes, sete “Sad But True”, cinco “Holier Than Thou”, sete “The Unforgiven”, quatro “Wherever I May Roam”, três “Don’t Tread on Me”, duas “Through the Never”, doze “Nothing Else Matters”, uma “Of Wolf and Man”, duas “The God That Failed”, três “My Friend of Misery” e uma “The Struggle Within”.

Vou listar os destaques entre essas dezenas de covers, que ao meu ver são os que trazem novos elementos e diferentes pontos de vista, comprovando a força de canções que soam fortes independentemente do estilo em que são tocadas. “Enter Sandman” tem como pontos altos a doce versão pop de Alessia Cara & The Warning, o Ghost dando a sua cara para o maior hit do Metallica e fazendo isso de maneira sensacional, a desconstrução promovida pelo colombiano Juanes e a pegada gótica industrial dada pela japonesa Rina Sawayama. Já “Sad But True” recebe uma versão absolutamente arrepiante apenas com voz e violão gravada pelo inglês Sam Fender, um incrível cover country pelas mãos de Jason Isbell and The 400 Unit, uma interpretação que une samples da gravação original ao rap cantado em espanhol levada à cabo pelo Mexican Institute of Sound e a pegada pop contemporânea de St. Vincent.

O segundo CD abre com a releitura cinematográfica e emocional de “Holier Than Thou” pela banda escocesa Biffy Clyro. A canção ganha também destaque na versão com ares skate e pop punk entregue pelo canadenses do Pup e na excelente interpretação de Corey Taylor, vocalista do Slipknot e do Stone Sour. “The Unforgiven”, no entanto, sofre em versões fracas e pra lá de esquisitas, salvando-se apenas a linda releitura acústica pelo combo de pop latino Ha-Ash – com direito ao refrão cantado em espanhol – e a belíssima interpretação repleta de feeling de Moses Sumney, ambas realçando a linda melodia que a composição sempre teve.

As versões para “Wherever I May Roam” abrem o CD 3 e seguem no mesmo caminho decepcionante, com exceção da sensacional abordagem country de Jon Pardi, com direito até a um solo de violino na melhor escola Charlie Daniels. O mesmo vale para “Don’t Tread On Me”, uma das melhores e menos comentadas canções do Black Album que aqui ganha versões decepcionantes, com exceção da ótima releitura do Volbeat, que dá novo fôlego à faixa injetando o seu DNA e com direito à mudanças de tom e melodia no refrão. O The Hu, uma das bandas mais originais surgidas na cena metal nos últimos anos, manda bem demais em “Through The Never”, inserindo cantos tribais e instrumentos étnicos de seu país natal, a Mongólia, para dar um clima pra lá de especial para a música.


Dona do maior número de versões presentes no álbum – doze no total -, “Nothing Else Matters” merece um parágrafo só seu. Phoebe Bridgers apresenta uma interpretação minimalista acompanhada por piano e orquestrações, e que agrada muito. Myley Cyrus vem com Elton John, o violoncelista Yo-Yo Ma, Robert Trujillo e Chad Smith a tiracolo para uma versão grandiosa, enquanto Dave Gahan, vocalista do Depeche Mode, apresenta uma abordagem sombria para a balada, e que funciona muito bem. A versão feita pela cantora chilena Mon Laferte, com uma bela instrumentação e a letra cantada em espanhol, é belíssima. A linda versão instrumental feita pelo pianista russo Igor Levit abre o quarto CD e é simplesmente de arrepiar, deixando ainda mais evidente todo o sentimento que James Hetfield e Lars Ulrich despejaram na composição. O My Morning Jacket entrega um dos melhores momentos de todo o projeto com uma “Nothing Else Matters” que une elementos de country com o pop da década de 1950 e é absolutamente sensacional. Outro bom momento ocorre com Darius Rucker, vocalista e guitarrista do Hootie & The Blowfish, cuja releitura vem adornada por elementos country e orquestrais, com um resultado final muito bonito. Chris Stapleton, um dos ícones do country e southern contemporâneo, brilha intensamente em sua interpretação, que traz vocais excelentes e guitarras simplesmente sublimes.

Uma das versões mais desconcertantes presente nos quatro CDs é “Of Wolf and Man”, que soa como uma música diferente, porém familiar, na roupagem folk entregue pelo Goodnight, Texas. O Idles, uma das bandas mais celebradas da atualidade, faz uma versão punk com elementos góticos de “The God That Failed”, que soa irreconhecível. A cantora irlandesa Imelda May também brilha apresentando o seu ponto de vista para “The God That Failed”, que ficou excelente. A francesa Izia transforma “My Friend of Misery” em um potente pop rock, enquanto o genial Kamasi Washington desconstrói a canção em um jazz de cair o queixo. O álbum chega ao fim com o sempre ótimo casal Rodrigo y Gabriela, com uma versão acústica e instrumental para “The Struggle Within” que é de cair o queixo.

A edição brasileira de The Metallica Blacklist, lançada pela Universal Music, é linda, com 4 CDs e encarte com 16 páginas em um box digipack com cinco faces e acabamento luxuoso, com aplicação de verniz nos detalhes.

Existem várias formas de ouvir música. Uma das mais gratificantes é ser capaz de perceber a grandeza e a beleza de um projeto como esse, que celebra um dos álbuns mais importantes de todos os tempos ao mesmo tempo em que reafirma a força imortal de suas canções.

 


Review: Ozzy Osbourne – Patient Number 9 (2022)

 


É surpreendente que Ozzy Osbourne ainda esteja vivo. E é uma alegria que o vocalista inglês ainda esteja entre nós. Surpreendente porque todos sabem as inúmeras loucuras vividas pelo Madman – que não à toa recebeu esse apelido – e as quantidades industriais de drogas e álcool que Ozzy consumiu em seus mais de setenta anos, substâncias essas que inclusive geraram uma mutação em seu organismo e que foi detectada por pesquisadores. E a alegria de ver – ou melhor, ouvir - Ozzy ativo mesmo após ser diagnosticado com Parkinson e vivendo diversos problemas de saúde nos anos recentes é intensificada com audição de Patient Number 9.

Lançado em 9 de setembro, Patient Number 9 é o décimo terceiro álbum do vocalista e, assim como o anterior, foi produzido por Andrew Watt. Porém, ao contrário de Ordinary Man (2020), que trazia um som mega processado e a voz de Ozzy duplicada em praticamente todas as canções, o novo disco tem um som muito mais orgânico e “verdadeiro”, e essa é uma qualidade que faz uma diferença enorme no resultado final.

Um dos atrativos de Patient Number 9 é trazer Ozzy ao lado de alguns dos maiores guitarristas que o rock já viu. Participam do álbum Jeff Beck, Mike McCready, Eric Clapton e Josh Homme, além dos parceiros de longa data Zakk Wylde e Tony Iommi. No baixo temos Duff McKagan, Robert Trujillo e Chris Chaney (Jane’s Addiction), enquanto a bateria é dividida entre Chad Smith e o falecido Taylor Hawkins. A presença desses convidados coloca o trabalho em um nível superior e parece ter inspirado Ozzy e Watt nas composições, que contam com parcerias com vários dos músicos presentes no disco. Traduzindo: Patient Number 9 é o melhor álbum de Ozzy em anos, e o meu preferido desde Ozzmosis (1995).

Há um frescor nas composições e uma força na interpretação de Ozzy como há muito não ouvíamos. E isso, mais uma vez, é louvável em um artista que enfrenta o que o vocalista está enfrentando. Não há pena, não há autocomiseração. O que temos é energia, experiência e feeling, ingredientes que trabalham juntos em todos os aspectos do disco, da composição das músicas ao resultado final. Muito superior a Ordinary ManPatient Number 9 entrega um tracklist sem momentos dispensáveis, onde se destacam faixas como a música título (com Jeff Beck), “Immortal” (com Mike McCready esmerilhando), a pesadíssima “Parasite” (com Zakk Wylde), “Mr. Darkness” (novamente com Wylde), “Evil Shuffle” (puro Black Sabbath com Zakk Wylde brilhando) e a pegada mais acessível de “Dead and Gone”, além, é claro, das duas canções com Tony Iommi, as pedradas “No Escape From Now” e “Degradation Rules”.

Patient Number 9 é um álbum surpreendente, e um disco que Ozzy Osbourne estava devendo aos fãs há um certo tempo. Pode ser que seja o seu álbum de despedida, ou o Madman pode nos surpreender mais uma vez com um novo trabalho. E, se realmente for o seu último disco, fecha de maneira sublime uma das mais inacreditáveis trajetórias que o rock presenciou.

DEFINIÇÃO DE KRAUTROCK A Progressive Rock Sub-genre

 

KRAUTROCK

Um subgênero de rock progressivo


Definição de Krautrock

Krautrock (também chamado de "Kosmische musik") é um movimento de rock experimental/vant-garde alemão que surgiu no final da década de 1960. Pretendeu-se ir para além das excentricidades desenvolvidas pelo universo do rock psicadélico selvagem dos EUA, dando especial ênfase aos tratamentos electrónicos, manipulação sonora e motivos hipnóticos mínimos (continuando o estilo de "musique concreto" e música repetitiva minimalista mas dentro de um ambiente mais acessível).

Krautrock colocou ênfase em épicos instrumentais estendidos e extáticos, negligenciando o formato de canções psico-pop convencionais. O termo Krautrock foi usado pela primeira vez pela imprensa musical britânica de uma forma muito depreciativa.

O movimento Krautrock é amplamente associado a bandas notórias como Popol Vuh, Amon Duul, Faust, Neu!, Ash Ra Tempel, Agitation Free, Guru Guru, etc. como drones, atmosferas lúgubres melancólicas, improvisações coletivas longas e complicadas, pulsos binários repetitivos de bateria, guitarras fuzz, feedback, ruídos eletrônicos primitivos, baladas alucinatórias e viagens de blues rock de garagem. Krautrock pode ser descrito como uma "aventura" anárquica, intensa, ácida, telúrica, noturna, espacial, sombria e onírica através da música rock.

Os anos mais consistentes da cena Krautrock cobrem um período relativamente curto de 1970 a 1975. Após seus primeiros esforços espontâneos, hiperativos e psicodélicos, as bandas geralmente se separaram ou declinaram para outras sensibilidades musicais, mais alinhadas com o rock mainstream ou com paisagens sonoras ambientais. .

Cada região desenvolve sua cena musical particular, interpretando de forma diferente a estrutura musical do Krautrock. Por exemplo, a escola de Berlim focou em synthscapes "astrais", estranhas experiências eletrônicas e acid jams (Ash Ra Tempel, Agitation Free, Mythos, The Cosmic Jokers, Kluster...). com alguns sotaques folclóricos (Popol Vuh, Amon Duul, Gila, Guru Guru, Witthuser & Westrupp...). Cenas underground de Colônia e Dusseldorf focadas em happenings, rock político, eletrônica, ritmos pulsantes e Krautrock de sonoridade limpa (Floh de Cologne, La Dusseldorf, Neu! Can...).

Esta cartografia musical é absolutamente correcta mas revela naturalmente algumas variações e excepções. Esta intrigante e louca cena alemã dos anos 1970 teve um renascimento nos últimos anos graças a um grande número de reedições (de clássicos há muito perdidos) publicadas por vários selos independentes (Spalax, Garden of Delights, Long Hair Music...) como um resultado direto da inspiração musical de Krautrock de bandas de pós-rock modernas. Na verdade, existem algumas bandas de neo rock psicodélico que tentam segurar o Krautrock e que, notavelmente, encontram um lugar importante para se expressar durante o histórico Festival Burg Herzberg na Alemanha.

Melhores álbuns do Krautrock



4.16 | 353 ratings
HOSIANNA MANTRA
Popol Vuh
4.21 | 162 ratings
EDGE OF TIME
Dom
4.14 | 426 ratings
ASH RA TEMPEL
Ash Ra Tempel
4.42 | 58 ratings
EISZEIT
Gam
4.11 | 662 ratings
FUTURE DAYS
Can
4.10 | 548 ratings
YETI
Amon Düül II
4.08 | 372 ratings
TANZ DER LEMMINGE [AKA: DANCE OF THE LEMMINGS]
Amon Düül II
4.15 | 144 ratings
LETZTE TAGE - LETZTE NÄCHTE
Popol Vuh
4.05 | 420 ratings
NEU!
Neu !
4.06 | 203 ratings
GILA [AKA: FREE ELECTRIC SOUND]
Gila
4.02 | 473 ratings
PHALLUS DEI
Amon Düül II
4.06 | 159 ratings
KÄNGURU
Guru Guru
4.05 | 156 ratings
SELIGPREISUNG
Popol Vuh
4.04 | 154 ratings
VOLUME 10
Electric Orange
3.97 | 746 ratings
TAGO MAGO
Can
4.01 | 209 ratings
ELECTRIC SILENCE
Dzyan
3.96 | 520 ratings
EGE BAMYASI
Can
3.98 | 317 ratings
WOLF CITY
Amon Düül II
4.35 | 33 ratings
NIBELUNGENLIED
German Oak
4.01 | 167 ratings
AGUIRRE
Popol Vuh

Krautrock negligenciado e obscuro álbuns de joias




SUPERNOVA
Ibliss
4 TIMES SOUND RAZING
Silberbart
SILOAH [ALSO RELEASED AS SÄUREADLER]
Siloah
MY SOLID GROUND
My Solid Ground

DISCOGRAFIA - ABSTRACT TRUTH Indo-Prog/Raga Rock • South Africa

 

ABSTRACT TRUTH

Indo-Prog/Raga Rock • South Africa

Abstract Truth biografia


Abstract Truth (eles evitavam o prefixo "the" porque não queriam soar dogmáticos) foi ideia de um certo Kenneth Edward Henson (apelidado de Ken E Henson por David Marks).

A banda Abstract Truth existiu por muito pouco tempo, mas foi uma época de supercriatividade. Eles explodiram na cena musical de Durban no início de 1969, lançaram 2 álbuns de estúdio em 1970 (bem como uma compilação no mesmo ano!) e, após inúmeras mudanças de formação, implodiram em 1971.

Henson tinha sido o guitarrista de uma banda chamada Leeman Ltd, formada em Durban em 1965. Em 1966, ele e o enigmático Ramsay MacKay se reuniram com os ex-membros do Navarones, Colin Pratley e Nic Martens, para criar Freedom's Children, indiscutivelmente o maior sucesso da África do Sul. banda de rock. Clive Calder, que assinou Abstract Truth com a EMI em 1970, disse recentemente que Freedom's Children, em sua opinião, "foi então e provavelmente ainda é hoje (mais de 30 anos depois) o único grupo de rock SA que, dadas as circunstâncias certas na localização geográfica certa , poderiam ter se tornado uma banda de rock de sucesso internacional apenas por serem eles mesmos e fazerem o que fizeram."

Henson esteve envolvido nos primeiros lançamentos de singles de Freedom's Children, que foram inacreditavelmente creditados a "Fleadom's Children" porque o governo da época considerava a palavra "Freedom" inaceitável! Henson então deixou o Freedom's Children para se juntar ao The Bats por uma estada de seis semanas.

Em 1969, Henson e o saxofonista Sean Bergin estavam em um grupo de jazz chamado The Sounds. Henson diz: "Em fevereiro de 1969, fui abordado pelo proprietário de um hotel local. Ele soube que eu tocava cítara e perguntou se eu poderia montar uma roupa exótica/oriental para apoiar uma dançarina do ventre na discoteca do hotel/ bar." O pub se chamava "Totum" e ficava no Palm Beach Hotel, na Gillespie Street de Durban.

Robbie Pavid, que tocou bateria no The Mods em 1967, lembra: "[O dono do clube] queria uma banda de apoio para uma apresentação de dança do ventre que atraísse clientes para seu coquetel. Ken conseguiu Brian Gibson, que tocaria baixo, anteriormente do grupo britânico the 004's, Sean Bergin que tocava flauta e sax, eu na percussão, que estava com a banda The Third Eye, e Ken na guitarra solo e cítara. Eu tocava no The Third Eye ao mesmo tempo que Abstract Truth (cujo show no "Totum" era um show de 5 a 7 horas de coquetel) e então corria para o show do The Third Eye .... ahh, o que você pode fazer quando é jovem !!!!"

Uma citação de um pôster de 1969 resume isso: "balanço para Abstract Truth todas as noites no Totum, no Palm Beach Hotel, das cinco às sete."

"Para preencher a noite depois que a dançarina do ventre fez seu trabalho", lembra Henson, "começamos a tocar um híbrido de padrões de jazz, folk/rock e jams do tipo oriental. Logo substituímos a atração principal e a dançarina do ventre não era mais mais."

"A música parecia se conectar e fluir desde a primeira noite", diz Pavid, "então a dançarina do ventre foi devidamente dispensada e a banda contratada para continuar no estilo muito diferente que evoluiu. A maioria das noites estava lotada de jovens ansiosos para ouça e experimente a forma livre de sons que fluíam das longas canções improvisadas."

O repórter Carl Coleman descreveu seu som em um artigo de notícias da época como "totalmente diferente de qualquer outro grupo jovem em Durban. Eles são provavelmente o grupo mais avançado do país. Sua música é exótica, progressiva e não comercial".

"Acho que somos algo novo musicalmente", disse Henson no mesmo artigo. "Basicamente, nosso som é uma música de forma livre - usamos a linha melódica, mas improvisamos nos solos. É realmente uma fusão de blues, folk, jazz e música oriental."

O jeito autodidata de Henson de tocar o tradicional instrumento de cordas indiano, a cítara, aprimorou ainda mais a sensação oriental. "Ele toca este instrumento imensamente difícil com relativa facilidade", disse Coleman.

Brian Gibson veio do País de Gales, onde começou no cabaré. "Estive no pop por dois anos e depois vim para a África do Sul com um grupo conhecido como 004's".

O guitarrista do Future Bats, Pete Clifford, também estava nos anos 004 e a banda lançou alguns singles e um álbum intitulado 'It's Alright' em meados dos anos 60. No lado b de um de seus singles estava uma versão de 'Parchman Farm' do pianista boogie-woogie Mose Allison, que mais tarde foi retrabalhada por Abstract Truth e lançada no álbum 'Totum'. Isso não é o mesmo que 'Parchman Farm Blues' de Bukka White, que foi gravado em 1937, embora aborde um tema semelhante.

O álbum 'Totum' foi gravado em Joanesburgo em um único fim de semana usando uma máquina de 4 canais. O álbum foi lançado no início de 1970. "De acordo com os padrões de hoje, é bastante difícil", diz Henson, "mas acho que foi uma interpretação honesta do que estávamos fazendo."

Em outra crítica de jornal, Coleman disse o seguinte sobre o lançamento do álbum de estreia de Abstract Truth: "Sean, Brian, Robbie e Ken elevaram o pop sul-africano do toque meloso da música chiclete para novos patamares do pop progressivo. Que conquista!"

A loja on-line Freak Emporium tem esta breve resenha de 'Totum' em seu site: "Excelente mistura de freak rock melódico e melancólico do início dos anos 70 com sons africanos apresentando diversos instrumentos: teclados, flautas, guitarras elétricas, saxofone,

A maior parte de 'Totum' consiste em retrabalhos incomuns de canções de jazz, folk e blues. A única composição da banda é 'Total Totum/Acid Raga' encharcada de cítara. Donovan, Dylan, Gershwin, Simon e Garfunkel e outros recebem o tratamento especial Abstract Truth que lembra o início do King Crimson em alguns lugares.

A 3rd Ear Music esteve envolvida com Abstract Truth desde o início e o líder David Marks lembra que ele dirigiu até a Cidade do Cabo para buscar Sean Bergin e George Wolfaardt para se juntar a uma nova formação do Abstract Truth. "Sean estava na banda original desde meados de 1969, mas voltou para Cape. Robbie Hahn assumiu - no que parecia ser um papel de gerente/amigo solto para Abstract Truth (antes de Big B Brian Pretorius ser nomeado gerente. )" diz Marks no site da 3rd Ear Music.

Brian Gibson deixou a banda para seguir carreira solo e depois se tornou um conhecido pregador gospel. Gibson gravou um álbum gospel em 1981 intitulado 'Special Agent', que foi lançado pelo selo Revelation, distribuído pela WEA Records e co-produzido por Hawk's Dave Ornellas.

"A música de Abstract Truth era única na época, já que a formação era totalmente diferente do que estava acontecendo em geral", lembra Robbie Pavid. "Para mim, foi um dos melhores e mais gratificantes momentos de exploração musical e satisfação. Tocar com Ken especialmente foi gratificante, pois parecíamos nos conectar e ir a lugares musicalmente." Pavid então deixou Abstract Truth para dedicar toda a sua atenção ao The Third Eye com Dawn e Ronnie Selby e eles lançaram três álbuns de rock progressivo entre 1969 e 1970, mas isso é outra história.

David Marks retoma a história novamente: "Brian [Finch] e eu queríamos trazer nossos amigos músicos Mike Dickman (violão e voz) e Pete Measroch (piano e voz) - dois nascidos e criados nos subúrbios do norte de Joanesburgo - para atordoar Durban."

"Eu ouvi George [Wolfaardt] tocando com um traje de três peças parecido com Jimi Hendrix na Cidade do Cabo [Elephant com Richard Black e Savvy Grande]", disse Mike Dickman em julho de 2001, "e assim, quando Dave Marks aconteceu estar indo para lá por um motivo ou outro, eu disse a ele: 'Olha - tem um cara chamado George que toca baixo lá. Se você o encontrar, diga a ele que precisamos dele aqui...' Curiosamente, ele fez , e nesse meio tempo nós entramos em contato com Sean, então - em um único fim de semana - a banda se expandiu. A banda mudou rapidamente para um modo bastante Zappaesco, que não era para onde eu estava indo, então eu saí, provavelmente estupidamente. ."

"Mike Dickman não aguentou Durban", diz Marks, "ele ficou por um show ou dois e então desapareceu para ressurgir na Cidade Dourada de volta ao seu solo e caminhos errantes. Mike emigrou para a França em 1985 - com o French esposa Vera - ainda tocando violão e traduzindo versos budistas para o francês e o inglês."

Vários outros músicos tocaram ao vivo como parte da formação em constante mudança do Abstract Truth (Henson sendo o único fator estável), incluindo Ian Bell, Eric Dorr, Harry Poulos, Ramsay MacKay e Brian Alderson. No final de 1970, no entanto, a formação que gravou o soberbo álbum 'Silver Trees' era Ken E Henson (guitarra, voz), Peter Measroch (teclados, flautas, voz), Sean Bergin (flautas, sax) e George Wolfaardt ( baixo, flautas, bateria).

O colecionador de música e fã do Abstract Truth, John Samson, escreveu na revista eletrônica SA Rock Digest em 2002: "Este é um progressivo psicodélico cheio de órgão giratório, baixo rítmico constante e muita flauta. Na verdade, 3 dos 4 membros do o grupo é creditado por tocar flauta e é isso que dá leveza ao álbum. Vale ressaltar também que há apenas uma música acima da marca de 4 minutos, uma característica incomum em um álbum de rock progressivo. A música longa é o título faixa que apresenta uma guitarra incrível de Ken E Henson e intrincado órgão tocando de Peter Measroch."

"Outro toque interessante", continua Samson, "é o som jive africano na faixa de abertura 'Pollution' e o cravo em 'Moving Away', o primeiro colocando o álbum na África, o último colocando o álbum na Europa Medieval, ambos dando o álbum uma sensação de atemporalidade e apelo universal. É esta mistura maravilhosa de psicodélico, rock, jazz, clássico, blues, funk e jive que torna este álbum especial que deve ser procurado, e com os instrumentos de sopro desempenhando um papel importante em o álbum, isso poderia fazer uma boa (Retro) Fresh Flute Salad."

"'Silver Trees' foi uma tentativa de gravar nossas canções mais estruturadas e de autoria própria", lembra Henson, "para nos tornar um pouco mais acessíveis à gravadora/público comprador de discos". Ao contrário de 'Totum', 'Silver Trees' não traz versões cover e todas as faixas foram compostas por vários membros da banda. A faixa-título foi co-composta por Mike Dickman, que já havia saído quando esta gravação foi finalizada.

Peter Measroch tem algumas memórias interessantes sobre a criação da capa do álbum 'Silver Trees': "A história por trás daquela capa de aparência difusa é que a foto foi tirada por um fotógrafo suíço que esteve na África do Sul por um tempo, Teak Glauser, eu acreditam.

De qualquer forma, ele criou uma técnica fotográfica em que em uma foto colorida tudo pareceria normal, exceto os objetos que se moviam - eles teriam uma aura de arco-íris ao seu redor, coisas realmente alucinantes. Assim, a capa do álbum foi filmada para garantir que todos nos mexessemos no momento crítico. A EMI, no entanto, recusou-se a fazer uma foto colorida, então acabou parecendo borrada em preto e branco. Oh bem... os bons e maus dias..."

Pouco depois de 'Silver Trees', a EMI compilou um álbum chamado 'Cool Sounds For Heads', que continha faixas dos álbuns 'Totum' e 'Silver Trees' e também incluiu uma faixa inédita, 'My Back Feels Light/What Can You Say', que provavelmente foi uma saída das sessões de 'Silver Trees'.

A 'História da Música Contemporânea da África do Sul' de Garth Chilvers e Tom Jasiukowicz, publicada em 1994, diz o seguinte: "Abstract Truth produziu 'head-music' (ou seja, música inventiva e estimulante da mente) e foi uma das grupos progressivos na África do Sul. Infelizmente, não havia muitas outras cabeças interessadas em sua música e, portanto, um grupo que poderia ter feito coisas melhores se separou em 1971."

ABSTRACT TRUTH discography


ABSTRACT TRUTH top albums (CD, LP,)

3.36 | 32 ratings
Totum
1970
3.49 | 40 ratings
Silver Trees
1970

ABSTRACT TRUTH Live Albums (CD, LP, )

ABSTRACT TRUTH Videos (DVD, Blu-ray, VHS )

ABSTRACT TRUTH Boxset & Compilations (CD, LP, )

4.00 | 1 ratings
Cool Sounds For Heads
1970
4.25 | 4 ratings
Silver Trees And Totum
2005

PETER GABRIEL REVELA NOVA CANÇÃO “PANOPTICOM”


“VIDA ANTIGA” É O PRIMEIRO SINGLE DO ÁLBUM COM O MESMO NOME DE TOMÁS WALLENSTEIN


INÊS APENAS LANÇA VERSÃO ACÚSTICA DE “UM DIA DESTES”

 

HADESSA APRESENTA SINGLE DE ESTREIA “FORTUNA”


 Em dia de reis nasce HADESSA, artista emergente da música portuguesa, que lança o seu single de estreia “Fortuna” em conjunto com um videoclipe oficial realizado por Ana Ladislau e Joanna Correia. Esta é a sua primeira apresentação ao público e antecipa a edição do seu primeiro trabalho.

HADESSA promete ser a artista-sísmica que vem abalar a cena musical portuguesa em 2023. Com uma estética sumptuosa, a cantora, compositora e multi-instrumentista cria lugares imaginários com música cantada em português e que alia a uma vertente visual carregada de símbolos e referências para deleite dos nossos sentidos.

A cantautora refere: “Fiz um álbum de estreia. As minhas canções anseiam por se mostrarem ao mundo e não me faria sentido mostrar-me a mim, também, a medo. Estreio-me no esplendor que mereço, obstinada a criar um lugar na música que seja meu, à minha imagem.”

O tema “Fortuna” é esta ocupação do lugar que a artista quer criar para si mesma, é a primeira música do álbum de estreia com o mesmo nome, e define-se como prólogo de uma história. Tal como nos clássicos, é uma invocação, não à musa mas à deusa Fortuna, para que conceda os dons, em troca de devoção.

A canção, originalmente inspirada nos spirituals da América do Norte, foi produzida por Momma T, conferindo-lhe uma aura trip hop à qual foi acrescentada uma guitarra portuguesa frenética saída dos dedos de L-Capitan. A decorrência desta mistura é um hino tenso, intenso, sensual e sensorial que encapsula a persona artística de HADESSA e a eleva ao estatuto da diva pop que há muito ansiávamos ver em Portugal.

Destaque

ARDO DOMBEC Prog eclético • Alemanha

  ARDO DOMBEC Prog eclético • Alemanha Biografia do Ardo Dombec: Pouco se sabe sobre o ARDO DOMBEC, exceto que foi uma banda alemã de rock p...