sábado, 7 de janeiro de 2023

“Mellon Collie And The Infinite Sadness” (1995, Virgin Records), Smashing Pumpkins

 


Formada em 1987, em Chicago, a banda norte-americana Smashing Pumpkins estava em franca ascensão no começo dos anos 1990. Após o modesto sucesso do álbum de estreia, Gish, por meio de um selo pequeno, o Caroline Records, o quarteto formado por Billy Corgan (guitarra e vocais), James Iha (guitarra), D’Arcy Wretzky (baixo) e Jimmy Chamberlin (bateria), ganhou projeção mundial com Siamese Dream, segundo álbum da banda, e o primeiro lançado por uma grande gravadora, a Virgin Records.

 Siamese Dream catapultou a banda para o estrelato puxado pelas faixas “Today”, “Cherub Rock”, “Disarm” e “Rocket”, que ajudaram o álbum a atingir a marca de 6 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Nada mal para uma banda que originária da cena do rock alternativo norte-americano. E pouco tempo, os Smashing Pumpkins estampavam capas de algumas das principais revistas de música do mundo como a Rolling Stone e Spin, e se tornaram atrações de destaque de festivais importantes como o Lollapalloza, nos Estados Unidos, e o Reading Festival, na Inglaterra.

Depois do grande êxito de Siamese Dream, o público e a crítica aguardavam com grande expectativa o terceiro álbum dos Smashing Pumpkins. O que será que o quarteto estaria preparando para o próximo trabalho?

Quanto estava nos preparativos para as gravações do novo álbum, a banda havia anunciado que seria um álbum duplo, o que gerou uma certa perplexidade na imprensa e na gravadora ante a ousadia. Tal reação se devia ao fato de que álbum duplo era um formato pouco comum entre bandas do rock alternativo, e mais comum em banda campeãs em vendagens de discos como Beatles, Pink Floyd ou Led Zeppelin. Embora os Smashing Pumpkins tivessem vendido milhões de cópias de Siamese Dream, o quarteto ainda carregava a aura de banda alternativa.

A opção dos Smashing Pumpkins em lançar o terceiro trabalho como álbum duplo foi por causa do farto material que o grupo havia criado. Depois do fim da turnê de Siamese Dream, Billy Corgan compôs ao longo de quatro meses, dezenas e mais dezenas de canções, num total de 60 músicas. A banda tinha a intenção de fazer um álbum que marcasse uma geração, assim como The Wall, do Pink Floyd. Em alguns shows, a banda já tocava algumas canções da nova safra de músicas, e que foram bem recebidas pelos fãs. O período tão fértil em criatividade da banda foi comparado ao período em que os Beatles gravaram o “álbum banco”, em 1968.

As gravações do novo álbum ocorreram entre março e agosto de 1995. Diferente do que aconteceu com os dois primeiros, álbuns, a banda decidiu neste novo trabalho não gravar com o produtor Butch Vig. Para produzir o novo álbum, trouxeram Alan Moulder e Flood. Billy Corgan, que havia trabalhado com Vig na produção de Gish Siamese Dream, também trabalhou na produção do novo álbum. Corgan sempre foi conhecido não só por ser o líder da banda, mas também por ser centralizador, perfeccionista e exigente, a tal ponto em vários momentos destratar os colegas de banda.

Smashing Pumpkins, da esquerda para a direita: D'arcy Wretzky,
Jeff Schroeder, Billy Corgan e James Iha.

Intitulado Mellon Collie And The Infinite Sadness, o terceiro trabalho dos Smashing Pumpkins foi lançado em 24 de outubro de 1995 como álbum duplo conforme prometido, sendo que duplo no formato CD e cassete, e triplo no formato LP.   

Nas suas 28 faixas, Mellon Collie And The Infinite Sadness mostra a capacidade dos Smashing Pumpkins trafegar pelos mais diversos estilos musicais com grande desenvoltura, indo do heavy metal mais brutal até canções doces e singelas, passando por pop radiofônico e experimentações com orquestra. Curiosamente, cada um dos dois discos ganhou um título: o disco 1 foi batizado de Dawn To Dusk, e o disco 2 foi nomeado Twilight Starlight.

Mellon Collie And The Infinite Sadness  começa com o disco 1 (ou Dawn To Dusk), abrindo em tom calmo e instrumental da faixa que dá nome ao álbum, uma bela e melancólica canção executada com piano e um naipe de cordas. Em seguida vem “Tonight, Toninght”, uma das faixas mais famosas do álbum e um dos grandes sucessos da banda, em que Billy Corgan canta acompanhado da banda e de uma seção de cordas formada por trinta músicos da Chicago Symphony Orchestra.

O clima leve das duas primeiras faixas é quebrado por uma sequência de faixas que são verdadeiros petardos que unem peso sonoro e agressividade. “Jellybelly”, um rock que possui uma massa sonora compacta que percorre toda a música como um “rolo compressor”. “Zero” possui uma sobreposição de camadas de guitarras que produzem um som pesado e maciço. Em “Here Is No Why”, a banda parece transitar entre o hard rock e o grunge, num ritmo pesado e lento. A influência grunge se faz presente em “Bullet With Butterfly Wings”, um rock poderoso em que a bateria de Jimmy Chamberlin parece explodir nos ouvidos de quem está ouvindo o álbum. “To Forgive” faz uma pausa na sequência de paulada sonora, trazendo um pouco mais de calma para que o ouvinte recupere o fôlego.

A artilharia sonora e pesada dos Smashing Pumpkins retorna com “Fuck You (An Ode To No One)” - onde o baterista é bastante exigido e a banda flerta com todo o poder de agressividade do heavy metal alternativo – e com as guitarras “sujas” e cheias de zumbido de “Love”.

O grupo retoma a leveza e delicadeza com “Cupid De Locke”, uma canção curta e melódica, cuja base instrumental cria toda uma atmosfera de sonho e fantasia exigida pelos versos cheios de lirismo poético. A calmaria prossegue com a balada “Galapogos” e a canção de tom pessimista “Muzzle”.

Com pouco mais de nove minutos de duração, o rock balada “Porcelina Of The Vast Oceans” alterna momentos de suavidade e som pesado. O disco 1 encerra com a agradável “Take Me Down”, uma balada leve e romântica cantada por James Iha, e que traz versos singelos como “When you sleep, when you dream / I'll be there if you need me, whenever I hear you sing” (“Quando você dorme, quando você sonha / Eu estarei lá se você precisar de mim / sempre que ouvir você cantar”).

Cena do premiado vídeoclipe de Tonight, Tonight".

O disco 2 (ou Twilight To Starlight) começa “Where Boys Fear To Tread” e o seu som pesado com influência grunge, seguida pela ruidosa “Bodies” com os vocais desesperadamente berrados de Billy Corgan. Na sequência, os Smashing Pumpkins vão por um caminho mais acústico na balada “Thirty-Three” e na folk music romântica “In The Arms Of Sleep”. “1979” é a faixa mais pop do álbum, e não foi à toa, se tornou um dos maiores sucessos da carreira do quarteto norte-americano.

“Tales Of A Scorched Earth” possui camadas de guitarra formam uma massa sonora compacta, suja e veloz, e traz Billy Corgan cantando de uma maneira insana tal qual um cantor de metal extremo. No longo rock balada “Thru The Eyes Of Ruby”, a banda alia peso e melodia, e alterna durante a canção momentos calmos e outros mais crus e tensos. “Stumbleine é apenas uma balada a base de voz e violão dedilhado. Em “X.Y.U.”, os Smashing Pumpkins retomam o som pesado trazendo a voz de Corgan com efeito metálico.

A partir de “We Only Come Out At Night”, o álbum segue numa reta final com uma musicalidade mais leve e melódica. “We Only Come Out At Night” lembra os Rolling Stones em sua fase psicodélica no álbum Their Satanic Majesties Request (1967). A balada “Beautiful” é mais uma canção do álbum que mostra a veia poética e romântica de Billy Corgan: “And I can't help but feel attached / To the feelings I can't even match / With my face pressed up to the glass / Wanting you” (“E eu não consigo evitar de me sentir apegado / A sentimentos que nem consigo comparar / Com o meu rosto colado no vidro / Querendo você”).

Na linda e “preguiçosa” “Lily (My One And Only), Billy Corgan canta de uma maneira tão calma e serena sobre um jovem apaixonado por uma garota chamada Lily.  A paixão também está presente nos versos de “By Starlight”: “By starlight I'll kiss you / And promise to be your one and only / I'll make you feel happy / And leave you to be lost in mine” (“Sob a luz da estrela eu te beijarei / E prometo ser o seu primeiro e único / Eu farei você se sentir feliz / E deixarei você se perder em mim”).

“Farewell And Goodnight” encerra o álbum do jeito que começou: de forma calma, melódica e agradável. A canção é essencialmente acústica, executada por violões, piano e uma discreta percussão, trazendo Billy Corgan, James Iha, D'arcy Wretzky e Jimmy Chamberlin cantando juntos versos desejando boa noite para cada hora, em cada dia.

Mellon Collie And The Infinite Sadness superou todas as expectativas dos Smashing Pumpkins. O álbum duplo foi bastante elogiado pela crítica, a tal ponto de ter sido eleito o “Álbum do ano” por revistas como a TimeRolling StoneBillboard e Spin.

Comercialmente, Mellon Collie And The Infinite Sadness se tornou o álbum mais vendido da carreira dos Smashing Pumpkins. Na primeira semana de lançamento nos Estados Unidos, vendeu nada menos que 1 milhão de cópias. Ao todo, o álbum chegou alcançou a marca de 10 milhões de cópias vendidas.

Mellon Collie And The Infinite Sadness gerou cinco singles: “Bullet With Butterfly Wings”, “1979”, “Zero” (1º lugar na Espanha e 3º lugar na Nova Zelândia), “Tonight, Tonight” (7º lugar no Reino Unido) e “Thirty-Three”.

Billy Corgan, Darcy Wretzky e James Iha na premiação do
MTV Video Music Awards, em setembro de 1996.

Além da boa receptividade da crítica e do bom desempenho nas vendas, Mellon Collie And The Infinite Sadness faturou vários prêmios. O videoclipe de “Tonight, Tonight” conquistou em 1996, sete prêmios do MTV Video Music Awards: “Vídeo do Ano”, “Vídeo Inovador”, “Melhor Direção”, “Melhores Efeitos Visuais”, “Melhor Fotografia”, “Melhor Direção de Arte” e “Escolha da Audiência”. A música “Bullet With Butterfly Wings” conquistou em 1997 o prêmio Grammy na categoria “Melhor Performance de Hard Rock”.

Mas em meio ao sucesso e muita exposição na grande mídia, um fato abalou a carreira dos Smashing Pumpkins e foi parar nas páginas policiais. Em julho de 1996, antes de um show da banda no Madison Square Garden, em Nova York, o tecladista contratado para a turnê, Jonathan Melvoin, morreu de overdose de heroína no quarto de hotel em que o baterista Jimmy Chamberlin estava hospedado. Chamberlin sofreu overdose, mas escapou da morte. Contudo, o baterista não escapou da prisão: foi detido por porte da droga, e depois expulso da banda. Sua expulsão teria sido para que o músico fosse se tratar de sua dependência pela heroína. Em seu lugar entrou Matt Walker. Jimmy Chamberlin retornou à banda em 1999 na Arising! Tour.

Mellon Collie And The Infinite Sadness é de longe o mais bem-sucedido álbum da carreira dos Smashing Pumpkins, e é considerado o melhor álbum da banda norte-americana, e figura entre os maiores álbuns de rock dos anos 1990. A revista Time elegeu Mellon Collie And The Infinite Sadness o melhor álbum de 1995. Em 1998, ficou em 29º lugar na lista dos maiores álbuns de todos os tempos da revista Q. Na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos da revista Rolling Stone, o álbum-duplo ficou em 487º lugar. Mellon Collie And The Infinite Sadness foi incluído na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll of Fame.

Faixas

Todas as letras compostas por Billy Corgan, exceto "Take Me Down", composta por James Iha e "Farewell and Goodnight", composta por Billy Corgan e James Iha.

 

CD/cassete

Disco 1: Dawn To Dusk

  1. "Mellon Collie And The Infinite Sadness"
  2. "Tonight, Tonight"
  3. "Jellybelly"
  4. "Zero"
  5. "Here Is No Why"
  6. "Bullet with Butterfly Wings"
  7. "To Forgive"
  8. "Fuck You (An Ode To No One)"
  9. "Love"
  10. "Cupid De Locke"
  11. "Galapogos"
  12. "Muzzle"
  13. "Porcelina Of The Vast Oceans"
  14. "Take Me Down" 

Disco 2: Twilight To Starlight

  1. "Where Boys Fear To Tread"
  2. "Bodies"
  3. "Thirty-Three"
  4. "In The Arms Of Sleep"
  5. "1979"
  6. "Tales Of a Scorched Earth"
  7. "Thru The Eyes Of Ruby"
  8. "Stumbleine"
  9. "X.Y.U."
  10. "We Only Come Out At Night"
  11. "Beautiful"
  12. "Lily (My One And Only)"
  13. "By Starlight"
  14. "Farewell And Goodnight"

 

The Smashing Pumpkins: Billy Corgan (vocal principal, vocais auxiliares, guitarra, piano, produção, mixagem, arranjos em "Tonight, Tonight", direção artística e design gráfico), James Iha (guitarra, créditos adicionais por "Take Me Down" e "Farewell And Goodnight": vocais, mixagem e produção adicional), D'arcy Wretzky (baixo, vocais em "Beautiful" e "Farewell And Goodnight") e Jimmy Chamberlin (bateria, vocais em "Farewell And Goodnight").

 

"Mellon Collie And The Infinite Sadness"

"Tonight, Tonight"  
(videoclipe original)

"Jellybelly"

"Zero" (videoclipe original)

"Here Is No Why"

"Bullet with Butterfly Wings" 
(videoclipe original)

"To Forgive"

"Fuck You (An Ode To No One)"

"Love"

"Cupid De Locke"

"Galapogos"

"Muzzle"

"Porcelina Of The Vast Oceans"

"Take Me Down"

"Where Boys Fear To Tread"

"Bodies"

"Thirty-Three" 
(videoclipe original)

"In The Arms Of Sleep"

"1979" 
(videoclipe original)

"Tales Of a Scorched Earth"

"Thru The Eyes Of Ruby"

"Stumbleine"

"X.Y.U."

"We Only Come Out At Night"

"Beautiful"

"Lily (My One And Only)"

"By Starlight"

"Farewell And Goodnight"

10 discos essenciais: rock brasileiro anos 1990

 


Após um período fértil e de grande exposição na década de 1980, o rock brasileiro entrou em declínio entre o fim daquela década com a chegada da década de 1990. A maioria das bandas que estouraram nos anos 1980, acabou ou voltou ao cenário alternativo. Das grandes bandas, apenas Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii e Barão Vermelho, conseguiram resistir e manter a popularidade em alta. Enquanto isso, num sentido oposto, o sertanejo, a axé music e a lambada estavam em franca ascensão e passaram a fazer parte do cardápio musical do público. A situação realmente não er nada animadora para o rock brasileiro. Tudo indicava que o futuro para o rock no Brasil não seria dos melhores.

Mas por outro lado, a chegada da MTV ao Brasil em 1990 era o único fio de esperança para o combalido rock brasileiro. E como dizia o RPM nos anos 1980, “no underground, repousa o repúdio”, foi abrindo as portas para o underground, que a MTV Brasil se tornou uma plataforma importantíssima para a divulgação de uma nova geração de bandas do rock brasileiro que estava surgindo. E bandas das mais diversas partes do país.  

No entanto, a década de 1990 começa para o rock brasileiro em 1994, um ano-chave para o estilo. O ano de 1994 viu o Brasil ser sacudido por momentos emocionalmente fortes, como a morte do piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, e a conquista do tetracampeonato mundial de futebol Seleção Brasileira, e a criação do Plano Real, que pôs abaixo a até então imbatível hiperinflação, mudando assim totalmente a economia do Brasil. E é nesse cenário que a nova geração do rock brasileiro começa a ter visibilidade.

Diferente da geração roqueira dos anos 1980, muito vinculada ao pós-punk inglês, a geração dos anos 1990 trazia a brasilidade musical misturada com referências estrangeiras. De Brasília vinham os Raimundos trazendo a fusão de forró com hardore; do Rio de Janeiro, vinha o Rappa trazendo rock, rap, reggae misturados com a malandragem carioca. De Minas Gerais, o Skank trazia naquele ano o seu reggae mergulhado no dancehall, mas com uma linguagem brasileira. O manguebeat colocava Pernambuco no mapa do rock nacional, tendo Chico Science & Nação Zumbi como o grande "farol", e trazia a reboque outras tantas bandas pernambucanas que praticavam uma sonoridade completamente inovadora, onde rock, hardcore, rap, maracatu, embolada, coco eram todos enfiados num só balaio. Nem o heavy metal escapou da mistureba sonora: até o Sepultura entrou na onda ao flertar o seu som pesado e agressivo com a percussão afro-baiana e a música índios xavantes.

Confira um abaixo dez álbuns que ajudam a compreender o que foi o rock brasileiro dos anos 1990. O critério foi focar apenas em bandas e artistas que despontaram na década de 1990. Álbuns lançados nos anos 1990 por bandas dos anos 1980, ficaram de fora.


Calango (Chaos/Sony Music, 1994), Skank. Reggae praieiro, ragga, pop rock, batidas eletrônicas, bom humor e temas sociais formam a receita musical de Calango, segundo álbum de estúdio do Skank, e que foi responsável por catapultar a banda mineira para o estrelato. Praticamente todas as faixas viraram sucesso no rádio, e o álbum bateu a casa de 1,2 milhão de cópias. Através de hits certeiros como “Jackie Tequila”, “Te Ver” e “Pacato Cidadão”, presentes em Calango, lotar estádios e arenas passou a ser uma rotina na vida do Skank.


Da Lama Ao Caos 
(Chaos/Sony Music, 1994), Chico Science & Nação Zumbi. O álbum que levou o movimento manguebeat para além das fronteiras de Pernambuco. Da Lama Ao Caos sintetiza muito bem a proposta musical do manguebeat ao fundir a tradição musical pernambucana como o maracatu, o coco e o frevo, com estilos musicais contemporâneos como o rap, rock, funk e música eletrônica. Destaques para as faixas “A Praieira”, “A Cidade”, “Rios, Pontes & Overdrives” e a faixa-título.



Raimundos 
(Banguela Records, 1994), Raimundos. Quem poderia imaginar que a mistura improvável do punk rock dos Ramones com o forró de duplo sentido de Zenilton poderia dar certo? Até o surgimento do primeiro e homônimo álbum dos Raimundos, muita gente duvidaria. O álbum de estreia dos Raimundos provou que isso era possível. Som pesado e veloz, as letras toscas de uma profundidade pornográfica imensa, fizeram com que o álbum chegasse causando impacto e dando um novo sopro de vida ao rock brasileiro. “Puteiro em João Pessoa”, “Selim”, “Nega Jurema”, “Palhas do Coqueiro” e “Rapante” conquistaram o público, que comprou as 200 mil cópias do álbum.

Cássia Eller (PolyGram, 1994), Cássia Eller. Cássia vinha de dois álbuns que tiveram baixíssimas vendagens, principalmente o segundo, O Marginal, de 1992. Em seu terceiro álbum, Cássia caprichou no repertório, que foi muito bem construído e mostra a versatilidade musical da cantora que vai desde um clássico do samba (“Na Cadência Do Samba”) ao baião-soul de Tim Maia (“Coroné Antônio Bento”), passando pela MPB com “E.C.T.” No rock, ela se sente à vontade nas releituras bem pessoais de “Lanterna dos Afogados”, dos Paralamas do Sucesso, e de “Partners”, do RPM. “1º de Julho” foi composta por Renato Russo especialmente para Cássia quando ela estava grávida. “Música Urbana 2”, da Legião Urbana, virou um blues rock com uma performance vocal de Cássia devastadora. O terceiro álbum de Cássia Eller vendeu 150 mil cópias, mais do que os dois primeiros álbuns juntos.

Mamonas Assassinas (EMI-Odeon, 1995), Mamonas Assassinas. Um dos maiores fenômenos de massa da história do rock brasileiro, os Mamonas Assassinas tiveram um sucesso meteórico, conquistando um público vasto que ia de crianças a idosos, graças ao humor escrachado, músicas escrachadas e figurinos engraçadíssimos. O primeiro e único álbum dos Mamonas - e que leva o nome da banda - mostra que além do humor, os integrantes da banda possuíam uma incrível versatilidade musical: misturavam heavy metal, forró, punk rock, pagode, sertanejo, música brega e ranchera mexicana num “liquidificador sonoro”. O álbum vendeu mais de 2 milhões de cópias, puxados por hits como “Pelados em Santos”, “Robocop Gay”, “Vira-Vira” e “Mundo Animal”. Às vésperas de embarcarem para Portugal, os Mamonas Assassinas morreram num desastre aéreo, na Serra da Cantareira, em São Paulo, gerando uma grande comoção nacional.

Usuário (Sony Music, 1995), Planet Hemp. Com o título Usuário, o álbum de estreia do Planet Hemp já deixava bem claro a que veio a banda carioca. O grupo ganhou fama pregando o discurso da legalização da maconha, atraindo para si muita polêmica e problemas com a Justiça e a polícia. Apesar das tretas e até mesmo prisões de alguns membros da banda, Usuário emplacou algumas faixas como “Legalize Já” e “Mantenha O Respeito”, que ajudaram ao álbum a vender mais de 100 mil cópias.


Roots (Roadrunner, 1996), Sepultura. Roots é o mais controverso álbum da discografia do Sepultura, trabalho que desperta paixão e ódio entre os fãs da banda mineira. Contudo, a sua proposta experimentalista que envolve percussão afro-baiana e gravações com índios xavantes, fez Roots agradar em cheio a crítica internacional que viu nele um disco fora dos padrões convencionais de um álbum de heavy metal. O álbum conta com a presença especial de Carlinhos Brown, que foi uma peça fundamental para que a proposta percussiva do disco desse certo. Além de Carlinhos Brown, as outras participações especiais no álbum são a de Mike Patton (vocalista do Faith No More) e Jonathan Davis (vocalista do Korn). Destaque para as faixas “Roots Bloody Roots“,“Ratamahatta” e das “indígenas” "Jasco" e "Itsári". Roots deixou um legado importante, servindo de referência para correntes contemporâneas do heavy metal, como nu metal, e influenciando bandas como Korn, Slipknot e Limp Bizkit.

Transpiração Contínua Prolongada (Virgin, 1997), Charlie Brown Jr.. O Brasil já tinha antes bandas de skate rock como Grinders e Lobotomia. Mas nenhuma alcançou um nível de popularidade tão grande como a banda Charlie Brown Jr. E boa parte dessa popularidade se deveu ao carisma, simplicidade e à personalidade forte de Chorão, vocalista, skatista e fundador da banda. Produzido por Rick Bonadio (o mesmo dos Mamonas Assassinas), Transpiração Contínua Prolongada é o álbum de estreia do quinteto de Santos, que traz a combinação musical que se tornaria a marca registrada da banda, uma mistura de ska, rap, funk rock, reggae e punk rock. Faixas como “O Coro Vai Comê!”, “Proibida Pra Mim (Grazon)”, “Quinta-Feira” e “Tudo Que Ela Gosta de Escutar” caíram na boca do público jovem e nas rádios de todo Brasil.

Televisão de Cachorro (BMG, 1998), Pato Fu. Formada em 1992, em Belo Horizonte, a banda Pato Fu despontou no cenário do rock brasileiro como uma versão contemporâne dos Mutantes, por causa do seu som pop rock calcado no experimentalismo e pelo humor. O fato de na época ser um trio formado por dois rapazes e uma garota, tornavam as comparações inevitáveis. Mas foi com o quarto álbum, Televisão de Cachorro, lançado em 1998, que o Pato Fu deixou de ser uma banda “esquisita engraçadinha” do rock alternativo para conquistar um público mais amplo. Embora mantivesse um pouco do experimentalismo dos álbuns anteriores, Televisão de Cachorro tendeu para algo mais “palatável”, mais radiofônico. Faixas como “Antes Que Seja Tarde”, “Canção Pra Você Viver Mais” e a releitura para “Eu Sei”, da Legião Urbana, foram os grandes sucessos do álbum.

Lado B Lado A (Warner, 1999), O Rappa. Terceiro álbum d’O Rappa, Lado B Lado A consolidou a banda carioca como uma das mais importante e politizadas de sua geração. O álbum representou também a consagração do baterista Marcelo Yuka como letrista, que faz uma análise mais profunda em temas como violência policial, o descaso do poder público nas comunidades carentes e o abismo social que separa ricos e pobres. Com mais de 500 mil cópias vendidas, Lado B Lado A é o álbum melhor sucedido da carreira d’O Rappa. A faixa “A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)” se tornou o maior sucesso da carreira da banda. “Me Deixa”, “O Que Sobrou do Céu” e “Tribunal de Rua” foram outras faixas de Lado B Lado A que também alcançaram grande popularidade. 


CAPAS E FOTOS DO ROCK PORTUGUÊS


NO BAIRRO DO VINIL

 Paco Bandeira - Hip Hip / Rumba Paca

Hoje, invertemos um pouco o curso normal do nosso blogue ao apelarmos a um músico que toda a gente conhece, ao contrário daqueles que até agora temos vindo a apresentar. Falamos de Paco Bandeira, um dos artistas mais conhecidos da musica ligeira portuguesa, proveniente da região alentejana de Elvas. Facto pouco conhecido é o verdadeiro nome de Paco Bandeira, Francisco Veredas Bandeiras, que viria a adoptar o nome artístico de Paco Bandeira, por nítida influência espanhola. De facto, devido à proximidade de Elvas com a fronteira e com os imensos amigos espanhóis que lhe chamavam “Paco” (diminutivo de Francisco em castelhano) e “Bandera”, foi esse o nome artístico com que se apresentou em palco no início da sua carreira e também o que, justamente, adoptou aquando da gravação do seu primeiro disco.
Durante quase toda a sua carreira, as canções de Paco Bandeira ficaram associadas, de uma maneira ou de outra, às características da sua região natal, tais como as planícies e as searas, a interioridade da província portuguesa, com especial relevo para a vida no campo. Paco Bandeira, teve também imediatamente no período pós-25 de Abril, um contributo importante no canto de intervenção de cariz mais político, dando particular destaque à emigração, ao contrabando, às populações itinerantes de ciganos e à guerra colonial em África.

No entanto, para quem pense a música de Paco Bandeira se resumiu à musica ligeira, com hinos de cariz mais sentimental e popular, trazemos hoje ao bairro do Vinil um pequeno achado, datado de 1973, no qual Paco Bandeira se nos apresenta de uma forma totalmente diferente daquela que tem habituado a maioria dos portugueses. O disco chama-se “Canto para ti”, um E.P. que contempla 4 temas todos eles diferentes entre si, sendo difícil até escolher o que mais se destaca. Contudo, ninguém poderá ficar indiferente à canção “Hip-Hip”, um registo com uma componente marcadamente rock, com um refrão alegre, numa linguagem quase onomatopaica para fazer esquecer as “guerras de cor, do ódio ou rancor” que Paco Bandeira recusa peremptoriamente nessa canção.
No outro lado do disco, como se um outro disco totalmente diferente se tratasse, já Paco Bandeira, influenciado pelas suas quase raízes espanholas, canta na língua castelhana, explicando a origem do seu nome artístico (a mi me llamam Paco), interpretando uma fantástica "Rumba Paca", quase a rondar a perfeição absoluta desse estilo de canto. Para quem nunca ouviu estes registos musicais, certamente ficará surpreendido, aliás, bastante surpreendido com a versatilidade inesperada de Paco Bandeira, cantor que ficámos a conhecer ao longo destes anos pela constância do mesmo género musical com que se tem apresentado. Da nossa parte, ficámos também surpreendidos, pelo que é com grande alegria que partilhamos um excerto destes dois temas.

Clique no Play para ouvir um excerto das canções

Resenha - Apocalypse – Live In Rio


Banda: Apocalypse
Disco: Live In Rio
Ano: 2006
Selo: Rock Symphony/Musea
Tipo: Ao Vivo

Faixas:
1. Cut – 7’27
2. South America – 8’30
3. Refuge – 5’05
4. Mirage – 4’40
5. Blue Earth – 7’57
6. Magic – 5’47
7. Waterfall Of Golden Waters – 9’05
8. Tears – 5’39
9. Time Traveller – 4’37
10. Coming From The Stars Medley – 6’36
Including:
Limites De Vento
Fantasia Mística
Último Horizonte
Notre Dame
11. Peace In The Loneliness – 7’14

Integrantes:
Gustavo Demarchi – voz e flauta
Eloy Fritsch – teclados
Ruy Fritsch – guitarra
Magoo Wise – baixo
Chico Fasoli – bateria

Resenha:
1. Cut
A introdução do show com a música ‘Cut’ e a guitarra de Ruy não podia ser mais Pink Floyd, bem aos moldes de ‘Wish You Were Here’ com os teclados de Eloy fazendo o caminho melódico.
Quando Gustavo começa a cantar não se pode esconder a influência de Marillion no som da banda. O ataque dos sintetizadores de Eloy são sentidos logo no começo, um cortante ataque musical.
Logo após a primeira parte da música é a vez de ouvirmos a porção 70’s da banda, incluindo excelentes linhas do baixista Magoo.

2. South America
Na sequência direta temos ‘South America’ com sua ótima introdução de teclados e baixo à frente.
A dinâmica de Chico Fasoli pode ser sentida logo no início, tudo isso acompanhado dos ótimos riffs da banda.
Pouco mais da metade do segundo minuto se passou, é a vez de Gustavo tomar as rédeas da melodia, normalmente, quando as banda se vêem obrigadas a trocar de vocalista, elas não conseguem achar alguém a altura, ou simplesmente o novo vocal não encaixa no estilo da banda. Gustavo se encaixou perfeitamente no som da banda, sem contar que o cara tem um grande vocal.
A melodia ousada do tema dá vazão ao baixo encarar linhas bem complexas.
Outro que não deixa a desejar é o guitarrista Ruy, o qual nos brinda com excelente linha de guitarra e solo.
É um tema imponente e envolvente.

3. Refuge
Com os cumprimentos de Gustavo ao público Magoo inicia um tema que me lembrou Emerson, Lake & Palmer, e em seguida o vocalista engrandece a faixa com linhas de flauta bem tocadas, mas nada de cópias de Ian Anderson (Jethro Tull) o que é muito comum, estão mais pra Camel.
Os vocais ora em falsete, ora em ataques violentos entram em conflito emocional, enquanto os sempre presentes sintetizadores fazem o ‘trabalho sujo’ trabalhando na melodia principal.

4. Mirage
Uma curta apresentação e o som espacial toma conta dos fones, Chico dá uma aula de percussão nos pequenos detalhes.
Após uma parte de teclados a banda volta com um tema forte, cavalgado, pulsante.
Os vocais de Gustavo sempre marcantes ficam extremamente bem casados no som da banda.

5. Blue Earth
‘Blue Earth’ começa como uma bonita balada ao piano, a guitarra de Ruy também ajuda a compor a melodia no início, por vezes trabalhando junto com os teclados de Eloy.
Na segunda parte da canção Magoo constrói uma ótima linha de baixo, que acabo junto com a guitarra, que daí pra frente ‘toma conta’ da melodia, pelo menos até que o piano volte à cena.

6. Magic
‘Magic’ tem ares de Neo Prog, por parte anunciadas com os sintetizadores, mas o que vem a seguir não seria tão esperado assim, uma quebradeira por parte de Chico e um solo poderoso de Ruy.
A melodia vocal ‘acalma’ a fera e a banda volta bucólica. A musicalidade está ali, os sintetizadores enlouquecem, a banda acelera novamente, e de repente temos, praticamente, um instrumental sendo tocado com 4 partes diferentes, cada instrumento segue uma linha apesar de buscar um som comum.

7. Waterfall Of Golden Waters
Parte rítmica pulsante, veias sonoras abertas, é assim que imaginei o cenário inicial de ‘Waterfall Of Golden Waters’.
A sempre ‘solante’ guitarra está presente durante todo o tema, bem como os sintetizadores que de repente aparecem.
Uma bela melodia vocal completa o time das possibilidades, com o tema complexo, e por vezes ‘alegre’ que volta lá pelo quinto minuto de música.
No decorrer do tema a banda vai se auto repetindo em seus próprios temas com certa propriedade até chegarmos ao segundo final ao som do vocal de Gustavo.

8. Tears
Os sintetizadores nesse início fazem papel de vozes e a flauta dá vida ao tema pausado.
Gosto da linha de baixo desse tema, com pausas.
O final marcial dá a impressão de que continua, porém é só um sinal.

9. Time Traveller
A 9ª faixa é uma balada ao piano e com bela melodia vocal. A banda entra logo em seguida ao primeiro verso.
Quase aos dois minutos entra um tema nos teclados bem parecido com os anteriores e a banda continua num ad infinitum sonoro.
Perto do quarto minuto da canção o tema fica extremamente interessante, mostrando dinâmica e versatilidade ao ficar mais rápido também mais interessante.

10. Coming From The Stars Medley
Including:
Limites De Vento
Fantasia Mística
Último Horizonte
Notre Dame

Essa introdução nos teclados lembra um pouco o som de Jon Lord (Deep Purple), mas na verdade vai além e culmina num ponto alto vocal, logo em seguida é a vez de apresentar o guitarrista a platéia, (solo mode: on).
Em seguida é a vez de Magoo Wise arrasar no baixo.
Na verdade a faixa serve de apresentação pra banda, onde cada um mostra um pouco de seus ‘dotes instrumentais’.
Depois de todos apresentados o tema volta e a banda encerra em grande estilo.

11. Peace In The Loneliness
‘Peace In The Loneliness’ foi escolhida para encerrar o disco e não faz feio, é uma faixa energética com um refrão forte.
Após um breve agradecimento de Gustavo a banda conta com a colaboração do pessoal da platéia para cantar um trecho da música original em português, e lhes digo que seria muito interessante ouvir Gustavo cantar o tema todo em português.

Os que me conhecem sabem que eu não sou fã de discos ao vivo, mas temos uma bela surpresa por aqui, são boas versões em inglês das músicas da banda.
No final ficamos com a sensação de realmente ter ‘visto’ um bom show de Rock progressivo, palmas para a banda.


Gabrielle Aplin lança balada pop “Good Enough”

 


A cantora e compositora inglesa Gabrielle Aplin lança a balada “Good Enough”, último single antes de seu novo álbum “Phosphorescent”. A faixa é uma busca da artista de tentar aproveitar as pequenas coisas e devolver com amor e gentileza tudo que ela recebe da vida.


A música é um dos destaques do novo álbum, “Phosphorescent”, que não é necessariamente um produto da pandemia, mas surge da solidão e estranheza que Gabrielle, como muitos de nós, experimentou ao longo desse tempo. Após uma mudança para o interior, com maior conexão com a natureza, Aplin notou que estava escrevendo canções com uma libertação recém-descoberta.


Destaque

Sweet Smoke - Just A Poke (1970) [ProgRock]

  O Sweet Smoke é frequentemente incluído no grupo Krautrock, quando na verdade, eles eram americanos. A banda era de Nova York, mas se mudo...