quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

BIOGRAFIA DOS Los Hermanos

Los Hermanos

Los Hermanos é uma banda brasileira de rock alternativo, formada no Rio de Janeiro, em 1997.[1]

O som do grupo foi fortemente influenciado por bandas do underground carioca dos anos 1990, tais como Acabou La Tequila, Carne de Segunda e Mulheres Q Dizem Sim, entre outras, e pelo som de bandas estrangeiras como Weezer e Squirrel Nut Zippers.[2]

História

1997 - 1998: O início e a repercussão

Até então estudantes da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Marcelo Camelo (jornalismo)[1] e Rodrigo Barba (psicologia) formaram uma banda que contrapunha o peso do hardcore com a leveza de letras sobre o amor.[3] Além disso, a banda contava com um saxofonista e, posteriormente, o tecladista Bruno Medina, estudante de publicidade na mesma faculdade[1], foi incorporado à formação do grupo. Com a entrada dos músicos Rodrigo Amarante (vocaisguitarra e percussão) e Patrick Laplan (baixo) e com a saída de três músicos de sua formação (o trompetista Márcio e os saxofonistas Carlos e Victor), a banda gravou, em 1997 seus primeiros materiais: as demos "Chora" e "Amor e Folia".[4]

As demos repercutiram na cena underground do Rio de Janeiro e, posteriormente, os Los Hermanos foram chamados para tocar no "Superdemos", grande festival de música independente carioca e no festival Abril Pro Rock, de Recife[1], considerado um dos festivais que mais revelam artistas nacionais.

1999 - 2001: Los Hermanos e o sucesso

Em 1999, a banda assinou com a gravadora Abril Music[1] e lançou seu primeiro álbum, o homônimo Los Hermanos, que repercutiu entre o público jovem, identificados com as letras estilo Jovem Guarda, misturadas a um conjunto musical influenciado pelo rockska e samba.[5] O sucesso do álbum foi puxado pela música "Anna Júlia", escolhida - pela gravadora - como primeiro single do trabalho. O disco foi produzido pelo famoso produtor Rick Bonadio[6], conhecido por emplacar bandas-fenômenos. Segundo Bonadio, teria sido ele o responsável por convencer os integrantes da banda a inserir a canção na seleção do repertório final do álbum.[7] O single é inspirado numa paixão do produtor da banda e levou a banda não só às rádios de todo o país, mas a eventos diversos, como feiras agropecuárias, estádios de futebol,[8] e micaretas,[9][10] e a tocar para mais de 80 mil pessoas em alguns festivais do país, mesmo com um único disco lançado.[11][12] A banda era presença constante em programas populares de auditório em canais abertos. Em apenas um semestre, "Anna Julia" já figurava nas primeiras posições das principais rádios do país.[13] Seu videoclipe, que contava com a atriz Mariana Ximenes[14], era constantemente exibido em programas dedicados ao gênero tanto nos canais abertos, como na MTV. Somente naquele ano, Los Hermanos já havia vendido 300 mil cópias[15] e emplacado dois singles na parada de sucesso, como a já citada "Anna Julia" e o segundo single, "Primavera". O álbum emplacou também uma indicação ao Grammy de 2000.[1]

Na entrega do Prêmio Multishow de Música Brasileira 2000, Marcelo Camelo demonstrou estar embaraçado ao ganhar de Chico Buarque na categoria de melhor música, com "Anna Julia". Envergonhado, disse: "Cara, eu não sei nem o que falar. Eu me sinto envergonhado de ganhar um prêmio em uma categoria em que o Chico Buarque esteja competindo".[16]

Em 2001, a música "Anna Júlia" foi gravada pelo ex-beatle George Harrison. Antes de seu falecimento, Harrison se juntou ao vocalista Jim Capaldi, do Traffic, para gravar uma versão em inglês para o sucesso.[1]

2001 - 2002: Bloco do Eu Sozinho

Dois anos depois, em julho de 2001, o grupo lança o álbum Bloco do Eu Sozinho[17][18][19], também pela Abril Music.[1] O título do disco faz referência a um ser solitário e melancólico, no meio de um bloco de carnaval.[17] Algumas das músicas desse álbum, foram tocadas no Rock in Rio III. A banda perdera o baixista Patrick Laplan, alegando divergências musicais, o qual montou sua própria banda, Eskimo.

Bloco do Eu Sozinho surpreendeu grande parte do público por ser um álbum (quase) sem resquícios do anterior. Ao som da banda, acrescentaram-se levadas melancólicas do samba, da bossa nova e de outros ritmos latinos. A euforia do primeiro álbum não se repetiu nas vendas e a banda passou a tocar em lugares menores, com a diminuição de seu público. Porém, a partir desse ponto, a banda ganhava um grande aliado em sua caminhada, justamente o público, que se mostrava cada vez mais fiel. Músicas como o primeiro single "Todo Carnaval tem seu Fim", "A Flor", "Sentimental", entre outras, tornaram-se hits à parte do lado comercial. Depois de algum tempo do lançamento, a crítica especializada começaria a elogiar o álbum, que ganhou notoriedade no meio após ter chegado ao conhecimento de todos a divergência que havia entre a banda e a gravadora. O guitarrista Rodrigo Amarante, passou a ter mais espaço na banda, com composições como "Retrato Pra Iaiá", "Sentimental", "Cher Antoine" e "A Flor" (essa com Marcelo Camelo). Seguiram-se ainda participações no "Fordsupermodels" (a banda tocava em um palco, fazendo a trilha sonora para o evento de moda), e no Luau MTV, no qual foram incluídas, em versão acústica, músicas do primeiro e do segundo CD, além de covers de “A Palo Seco” de Belchior e “Esquadros” de Adriana Calcanhoto,[20] e que mais tarde seria lançado em DVD.

O videoclipe da música “Fingi Na Hora Rir” foi dirigido por Caíto Mainier.[21][22]

2003 - 2004: Ventura

Marcelo Camelo na Fnac em 2003.

O ano de 2003 chegava e já na BMG, os Hermanos lançaram o álbum Ventura. Antes chamado de Bonança[1], foi o primeiro disco brasileiro a "vazar" em sua fase de pré-produção. O terceiro álbum apresentava um Los Hermanos multi-facetado. De "Samba a Dois"[23] ao pop rock de "O Vencedor" ou dos diálogos de "Conversa de Botas Batidas" e "Do Lado de Dentro", Ventura vinha com status do álbum que consolidaria a banda no cenário nacional. O primeiro single, "Cara Estranho", marcou boa presença nas rádios e em premiações de videoclipes. Vieram depois "O Vencedor" e "Último Romance", essa última de Rodrigo Amarante, que assinou 5 das 15 músicas do álbum e passou a se destacar como compositor do cenário. A cantora Maria Rita em seu álbum homônimo, gravou três músicas de Marcelo Camelo: "Santa Chuva", "Cara Valente" e "Veja Bem Meu Bem".

Os shows passaram a abrigar uma legião de fãs que passaram a ser a marca registrada da banda. Foi na turnê do álbum Ventura, que foi registrado o DVD Los Hermanos no Cine Íris, em 28 de junho de 2004, gravado no Rio de Janeiro, com um repertório predominante do álbum.

Foi nesta época que a banda gravou a trilha sonora do curta-metragem Castanho, de Eduardo Valente, na qual o estilo do disco ficou muito evidente na primitiva versão de "Conversa de Botas Batidas" e da canção conhecida só por "Tema do Macaco".

Na apresentação da banda no Video Music Brasil (VMB) do ano de 2003, foram apresentados pelo cantor e compositor Caetano Veloso. Ao anunciar a banda, Veloso colocou uma barba ruiva postiça, tal como todos os membros das primeiras filas da premiação. Ato classificado como "mico", pelo tecladista Bruno Medina.[24]

Em janeiro de 2004, a banda se apresentou no programa Domingão do Faustão, da Rede Globo. Durante o programa, a banda tocou a música "Anna Júlia", devido a insistência do apresentador Fausto Silva em dizer que a banda "nunca mais tocara" a canção. A banda recebeu um e-mail de uma fã, questionando e criticando o apresentador. Essa crítica foi rebatida pelo tecladista Bruno Medina, no próprio site da banda.[25]

Em 2 julho de 2004, o vocalista Marcelo Camelo foi agredido pelo vocalista Chorão, da banda Charlie Brown Jr.. A agressão ocorreu na sala de desembarque do aeroporto de Fortaleza[26][27][28] e o agressor, chegou a ser detido pela Polícia Federal.[29] O Charlie Brown Jr., mesmo enviando uma nota pedindo desculpas pelo acontecimento,[30] foi processado por Camelo e teve que indenizar o cantor da banda carioca por danos morais e ressarcimentos de compromissos cancelados. A agressão ocorreu por causa de declarações de Marcelo Camelo e de Rodrigo Amarante, à revista OI, sobre a então recente campanha publicitária da marca de refrigerantes Coca-Cola.[27] Na ocasião, a banda paulista era a contratada e, no vídeo, questionava um rapaz que não estava de acordo com os itens oferecidos no comercial.[31]

Ainda em 2004, foi lançado o documentário "Além Do Que Se Vê", também dirigido por Caíto Mainier, mostra os bastidores do processo de gravação de Ventura.[32]

2005 - 2007: 4 e hiato

Em 2005 chega o quarto álbum da banda, 4. Produzido por Alexandre Kassin, que assinara os dois últimos, o álbum mostrava um conteúdo mais introspectivo e uma aproximação mais impactante com a MPB. O disco, no entanto, seria considerado "irregular" pela grande crítica. Seja no violão de "Sapato Novo" e na bossa de "Fez-se Mar", ou a predominância de um clima saudoso nas letras de Camelo e Amarante, 4 dividiu novamente o público: a banda estava em mais um novo rumo. O álbum teve como single de bastante repercussão a música "O Vento" do guitarrista Rodrigo Amarante. Seguiram-se a esse single "Condicional" e "Morena", ambas as músicas com clipes lançados ao mesmo tempo.

Em abril de 2007, a banda anunciou um recesso por tempo indeterminado nos trabalhos, alegando o acúmulo de muitos projetos pessoais ao longo de seus dez anos de carreira. Estavam previstos dois shows de despedida, a se realizarem nos dias 8 e 9 de junho de 2007, que posteriormente seriam lançados no CD e DVD Los Hermanos na Fundição Progresso. Porém devido à grande procura por ingressos (que haviam rapidamente se esgotado), a banda decidiu fazer um show extra no dia 7 de junho (show que não foi incluído no DVD). O álbum foi oficialmente lançado em agosto de 2008 em parceria com o canal Multishow.

2009 - 2010: Reuniões esporádicas

Mesmo em recesso, a banda realizou duas apresentações no festival Just a Fest, nos dias 20 e 22 de março de 2009, nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Nos shows, abriu junto com a banda alemã Kraftwerk para a banda inglesa Radiohead.[33]

Em 2010, a banda deu início a uma mini-turnê pelo Nordeste. Os shows em Fortaleza (no Ceará Music), Salvador e Recife foram confirmados por Bruno Medina em sua coluna no portal G1.[34] No mês de outubro a banda tocou no festival SWU, realizado no interior de São Paulo.[33] Apesar dessa pequena quebra no hiato, nenhuma notícia sobre álbum novo foi confirmada.

2012 - 2015: Turnês

Em novembro de 2011, Bruno Medina publicou em seu blog pessoal, no G1, que em 2012 o Los Hermanos sairia para uma turnê, as datas coincidem com o 15º aniversário da banda.

"Reconheço que, faz uns bons dias, venho pensando sobre a melhor maneira de começar a redigir este post que vocês agora leem; e não era para menos, afinal a mim foi delegada a delicada missão de tornar pública uma notícia que com certeza deixará muitos queixos caídos por aí, a começar pelo meu próprio. Sim, apesar das circunstâncias me envolverem diretamente, foi com surpresa que presenciei o encadeamento de uma série de felizes coincidências, sem as quais nada do que tenho para contar a vocês teria sido possível. Bom, acho que já fiz suspense o suficiente, portanto hora de parar de encher linguiça e ir logo ao que importa. É com enorme satisfação, um certo frio na barriga e a expectativa de despertar alguns sorrisos Brasil afora que anuncio: 2012 será ano de turnê do Los Hermanos!"[35]

A turnê aconteceu em 12 cidades do Brasil.

Em 5 de dezembro de 2014, a banda anunciou dois shows em mais uma reunião dos membros. As apresentações ocorreram em 30 e 31 de outubro de 2015 em comemoração ao aniversário de 450 anos da cidade do Rio de Janeiro. A pedido dos fãs, a banda também fez uma pequena turnê pelo Brasil.

2019: Novo retorno

No fim de dezembro de 2018, os quatro integrantes anunciaram a nova turnê da banda. No ano de 2019, o disco de estreia completava 20 anos. A estreia da turnê aconteceu no dia 30 de março de 2019, o primeiro show desde 2015, no Lollapalooza Argentina[36], onde a banda tocou músicas de seus quatro discos.[37]

Entre 5 de abril e 18 de maio, a banda se apresentou em 11 cidades brasileiras, para um público total de 250 mil espectadores.[38] A turnê contou com um setlist padronizado, onde alguns shows foram abertos com "A Flor" e terminaram com um encore de "Deixa o Verão", "Azedume" e "Pierrot.".

No dia 2 de abril de 2019, após 14 anos, a banda lança uma nova música, o single "Corre, Corre".[39][40] A música foi gravada em três dias, em 24, 25 e 26 de março, no estúdio Cia. dos Técnicos, em Copacabana.[41]

No mês seguinte, na noite do sábado, dia 4, a banda faz grande show no Maracanã e toca 26 músicas, celebrando toda a discografia. 42 mil pessoas assistiram a apresentação no estádio.[6][42] O show foi transmitido ao vivo pelo canal pago Multishow.[43] Segundo o site setlist.fm, o show do Maracanã foi composto por 10 músicas do disco Ventura, 6 músicas do 4, 6 músicas do Bloco do Eu Sozinho, 4 músicas do Los Hermanos e o single "Corre, Corre". Das 27, Marcelo Camelo canta 16, incluindo "A Flor", que conta com a participação de Rodrigo Amarante, que por sua vez, canta 11 músicas do concerto.[44]

O último show da turnê aconteceu no Allianz Parque, em São Paulo, para 45 mil pessoas.[45][46]

No dia 14 de maio de 2020, a banda lança seu segundo álbum ao vivo Los Hermanos 2019, gravado durante a turnê daquele ano.[38][47]

Em 2021, a música "Sentimental" passa a fazer parte da trilha da novela "Verdades Secretas", da TV Globo.[48]

Integrantes

Linha do tempo

Integrantes

Banda de apoio

Ex-integrantes

Discografia

Ver artigo principal: Discografia de Los Hermanos

Prêmios e indicações

Grammy Latino

  • (1999) Indicado a Melhor Álbum de Rock Brasileiro com Los Hermanos
  • (2004) Indicado a Melhor Álbum de Rock Brasileiro com Ventura
  • (2006) Indicado a Melhor Álbum de Pop Contemporâneo com 4

Prêmio Tim de Música Brasileira

  • (2004) Indicado a Melhor Disco Pop/Rock com Ventura
  • (2004) Marcelo Camelo ainda concorria com Veja Bem Meu Bem (interpretada por Maria Rita), como melhor canção

Prêmio Multishow de Música Brasileira

  • (2000) Vencedor do prêmio de Melhor Composição com Anna Julia
  • (2000) Vencedor do prêmio de Grupo revelação
  • (2002) Indicado ao prêmio de Melhor Disco com Bloco do Eu Sozinho
  • (2004) Vencedor do prêmio de Melhor Grupo
  • (2004) Indicado para Melhor Disco com Ventura
  • (2004) Indicado para Melhor Canção com O Vencedor
  • (2006) Rodrigo Amarante vence na categoria Melhor Instrumentista
  • (2006) Indicado para Melhor Grupo e Melhor Show
  • (2006) Indicado para Melhor Disco com 4
  • (2006) Indicado para Melhor Canção com O Vento

MTV Video Music Brasil

  • (2000) Vencedor na categoria Melhor Videoclipe de Artista Revelação com Anna Júlia
  • (2002) Indicado na categoria Melhor Fotografia com o clipe Todo Carnaval tem Seu Fim
  • (2003) Indicado na categoria Direção de Arte com Cara Estranho
  • (2003) Indicado na categoria Direção com Cara Estranho
  • (2003) Indicado na categoria Videoclipe do Ano com Cara Estranho
  • (2003) Indicado na categoria Audiência com Cara Estranho
  • (2003) Indicado na categoria Videoclipe de Rock com Cara Estranho
  • (2004) Indicado na categoria Direção com O V'''encedor'
  • (2004) Indicado na categoria Edição com O V'''encedor'
  • (2004) Site de Marcos Sketch e Ricardo Brautigam indicado na categoria Melhor Website
  • (2005) Indicado na categoria de Melhor Vídeo de MPB com O Vento
  • (2006) Blog Hermaniacos indicado na categoria Melhor Website
  • (2006) Vencedor na categoria Melhor Vídeo Clipe de MPB com Morena
  • (2007) Indicado na categoria Melhor Show
  • (2015) Blog O Que Essa Banda Tem?

Um dos maiores geradores de conteúdo da banda é indicado ao Prêmio Top Blog Brasil 2015




01. Tenha Dó
02. Descoberta
03. Anna Júlia
04. Quem Sabe
05. Pierrot
06. Azedume
07. Lágrimas Sofridas
08. Primavera
09. Vai Embora
10. Sem Ter Você
11. Onze Dias
12. Aline
13. Outro Alguém
14. Bárbara

GRAVETOS & BERLOQUES (HEADS, HANDS & FEET)




Conseguir a discografia completa dessa banda foi uma verdadeira saga iniciada há, aproximadamente, 2 anos e só concluída há alguns meses. Sim, pois mesmo deparando-me com as imagens e links desses álbuns com certa facilidade por aí, a verdade é que todos apresentavam problemas de alguma ordem. Em alguns casos, os equívocos -fruto da falta de conhecimento e, também, descaso- eram tão escabrosos que transformavam-se em um desserviço visto que o material erroneamente disponibilizado acabava sendo disseminado como um vírus e muitos incautos terminavam por baixar um conteúdo que não correspondia aos álbuns em foco e, sem nem pestanejar, os disponibilizavam em seus blogs com a propriedade de experts -de um material que eles não conhecem, diga-se de passagem, caso contrário não cometeriam essas barbaridades- e o círculo vicioso não parava nunca. Cheguei a encontrar vários links informando ser correspondentes ao primeiro álbum -de 1971 e auto-intitulado- e seu conteúdo ser o do 'Tracks'(72) ou de outro álbum qualquer e, apesar de meus insistentes alertas de que o post estava incorreto, era fragorosamente ignorado em todos. Em vários outros casos, 'The Country Boy', uma de suas faixas mais conhecidas, simplesmente estava acintosamente mutilada! Incrível como ninguém percebia, só eu!
Decidido a por um fim neste imbroglio, propus-me a disponibilizar sua discografia comme il faut. Como a consegui? De várias maneiras: de comunidades, torrents e diversos outros sites P2P ou -no caso da já citada 'The Country Boy'-, até mesmo, 'roubando' de um site de comercialização de discos on-line que a disponibilizou na íntegra para audição e em excelente bitrate. Foi só dar o play e o 'Santoforge' fez o resto. Só através destes mecanismos de compartilhamento encontrei rips de razoável qualidade, o que me facilitou muito o trabalho de remasterização. O único material que baixei via blog foi 'Home From Home', figurinha fácil e sem erros -até porque saiu em CD- por aí . E é esse trabalho arqueológico que disponibilizo para vocês.
Mas, antes, permitam-me apresentá-los, com a devida reverência, a esta cultuada banda.
Acho que muitos já conhecem Albert Lee, renomadíssimo guitarrista inglês de 65 anos, saudado, de Nashville a Londres, como um gênio das 6 cordas. Ainda não o conhecem? Então aproveitem bem esta postagem. Profissionalizado ainda adolescente, Lee sempre se destacou dos demais de sua geração devido à sua intensa pegada country no instrumento e, por muitos, considerado um inovador, um estilista no gênero. Em 1969, já com seu nome firmado no meio musical como session man e guitarrista da The Thunderbirds, banda de Chris Farlowe, fundou com Tony Colton (vocais) e Ray Smith (guitarra/vocais) a Poet & The One Man Band, lançando apenas um álbum, completamente ignorado. Persistente, no ano seguinte adicionou à receita Chas Hodges (baixo/banjo/violino/vocais), Pete Gavin (bateria/percussão/vibrafone/vocais) e Mike O'Neill (teclados/vocais) e, assim, estava formalmente criada a Heads, Hands & Feet. Neste mesmo ano concluem, mas inexplicavelmente não comercializam, o excelente 'Home From Home'. Este trabalho só viria à tona -com o subtítulo 'The Misssing Album' - em 1996 e já em formato digital. Conheci a banda quando, em 71/72, em uma de minhas visitas regulares à Modern Sound/RJ, deparei-me com um álbum duplo em um reluzente amarelo, com apenas uma pequena ilustração em relevo, o nome da banda e...só! Como jamais conseguia sair daquela loja sem algum disco cuidadosamente alojado sob o sovaco, resolvi arriscar meus trocados naquela dispendiosa bolacha dupla e apaixonei-me logo à primeira orelhada. De imediato, percebi estar diante de um clássico e, instantaneamente, tornou-se um de meus discos de cabeceira. Era um trabalho completamente diferente de tudo que estava sendo feito à época pois impossível de categorizar. Era como se o country tivesse feito um pacto de sangue com o prog, o blues, folk, rock, o r&b, o rockabilly, o jazz e, até mesmo, a música de câmara, para criar algo que suplantasse todas as barreiras musicais usualmente impostas pelo mercado em prol de algo maior. Irrepreensível de ponta a ponta, é impossível ficar imune. Difícil apontar um destaque mas, além de 'The Country Boy', 'Song For Suzie' pode soar muito familiar a alguns.
No ano seguinte lançam 'Tracks', mais um belo trabalho, mas permanecem completamente ignorados por aqui, apesar do grande prestígio alcançado no eixo USA/UK e da fama de uma das melhores performances em palco da época. Chega o ano de 73 e, com ele, outro grande disco, 'Old Soldiers Never Die'; ainda assim, já no ano seguinte, a banda se dispersa de maneira amigável. Todos seus membros posteriormente participariam de diversos outros trabalhos e Albert Lee -apresentar seu extenso currículo por aqui seria inviável!- consolidou seu prestígio como guitar hero e, posteriormente, levou sua Telecaster -posteriormente, desenvolveria um instrumento exclusivo junto à Ernie Ball- para a banda de Eric Clapton -em sua autobiografia, aquele que já foi chamado de Deus deixa clara sua admiração, chegando a referir-se a ele como 'o melhor guitarrista do mundo'- por 5 anos. Hoje, além de músico requisitadíssimo, com diversos discos solo gravados, alguns Grammy e disputadíssimas vídeo-aulas, faz parte da Rhythm Kings de Bill Wyman, além de manter a excelente Hogan's Heroes, entre diversos outros projetos.



MUSICA&SOM
(G&B Remaster)



MUSICA&SOM
(G&B Remaster)



MUSICA&SOM
(G&B Remaster)




SARA CORREIA & ISRAEL FERNÁNDEZ: FLADO OU FADENCO

 

Novo tema 'Bocas do Mundo' junta as duas vozes numa união ibérica.

A artista portuguesa Sara Correia e o músico espanhol Israel Fernández publicam hoje a canção transfronteiriça 'Bocas do Mundo', que coloca frente a frente fado e flamenco.

Sara Correia e Israel Fernández mantêm-se nos seus registos habituais de fadista e de cantor de flamenco, através de um dueto que é uma ponte sobre um rio raiano que transborda de "dor" e "solidão", sentimentos que escorrem na letra, que torna bilingue a "saudade", uma palavra portuguesa mas um estado de alma universal. 
 
Sara Correia e Israel Fernández são as 'Bocas do Mundo' e acima de tudo as almas dos seus géneros. Se dantes Portugal eram três efes, à Península Ibéria bastam dois: fado e flamenco. Não falta a este casamento musical o bom vento de um dedilhado de guitarra de flamenco ou os ritmos percussivos do famoso género espanhol.

'Bocas do Mundo' é o primeiro avanço para o próximo álbum da fadista Sara Correia.

Na gravação do vídeo em Lisboa, no bairro de Campo de Ourique, entrevistámos Sara Correia e Israel Fernández e sentimos o seu entusiasmo.

Sara Correia lembra-se bem como tudo começou. "Eu e o Israel conhecemo-nos na cerimónia dos Grammys Latinos, em Las Vegas [em 2021]. Eu já tinha ouvido o Israel a cantar, já sabia quem ele era, mas depois tive a oportunidade de o conhecer. Lembro-me que, a seguir a essa viagem, fui para uma digressão na América Latina e eu disse à minha editora que gostava de ter um tema com o Israel, que era realmente um desejo meu. Eu achava que fazia sentido misturar o fado com o flamenco e que as nossas vozes poderiam resultar. Entretanto, a minha editora em Portugal, a Universal, falou com a editora de Espanha. O Israel quis fazer parte desta música. Foi assim que começámos a montar tudo até gravarmos com o Israel em Madrid”.

 

O músico Diogo Clemente, amigo de longa data e até mestre de Sara Correia, é um peça fundamental neste processo. “O Diogo Clemente estava comigo em Las Vegas e nós estivemos todos juntos. Na altura, disse-lhe que gostava que fosse ele a fazer uma música e uma letra, porque acho que é uma pessoa que me conhece bem e que consegue compreender o nosso canto. O Diogo também canta e percebe, além de tocar. Então, fez esta música que é metade portuguesa, metade espanhola, e conseguimos juntá-las. É uma música lindíssima. Quando mostrámos ao Israel, ele gostou muito também. Foi um processo muito natural. Ou gostamos ou não gostamos do artista. Percebemos em estúdio que as vozes resultavam juntas. Foi uma benção”, admite Sara Correia.

 

Israel Fernández também se sentiu convencido com a canção: “quando a escutei, senti identificação com a minha música, com a minha forma de sentir o meu canto. Senti uma imensa satisfação de compartilhar uma música com ela”. A dar embalo ao seu entusiasmo pelas Bocas do Mundo está a sua simpatia com o fado: “gosto muito, porque é uma música de raíz, com história e cultura. A forma de cantar é muito similar à do flamenco, no sentimento e na sua transmissão. É muito parecido, sinto-me identificado”.

 

Sara Correia concorda. “São músicas muito parecidas na forma como são expressadas. O fado não é só cantado, é interpretado com o corpo, tal como com o flamenco. Só nos faltam as palminhas, o resto é igual. O flamenco sempre fez parte da minha vida. Tenho a sorte de ter na minha vida pessoas como o Diogo, que é um exemplo e que é um irmão para mim. Conhece-me desde os meus três anos e que me foi mostrando ao longo dos tempos o que é que é boa música. Sempre foi um desejo meu, mas sou daquelas artistas que pensa que, para gravar, tem que ser alguém muito especial, com quem eu realmente me identifique. Eu acho que esse é um passo muito importante: não gravarmos só por gravar e só porque é bonito. Temos que gravar com pessoas com que nos identifiquemos e nos digam qualquer coisa. Quando conheci o Israel fiquei com a certeza que era este o caminho. Portanto, acontece este fado com flamenco”.

Quando esta entrevista foi feita, só tinham passado alguns dias dos dois concertos de Rosalía em Portugal, da Motomami World Tour. Num desses espetáculos, no Altice Forum Braga, a cantora catalã também superou a fronteira musical e interpretou o fado de Carminho, 'Escrevi Teu Nome no Vento', em bom português. Sara Correia ouviu essa versão. "A Rosalía é incrível e a Carminho é para mim a maior fadista da nova geração por tudo o que tem feito até agora. Ouvir a Rosalía a cantar um fado tradicional é surpreendente e deixa-me muito feliz”. Sobre Rosalía, Israel Fernández tem a acrescentar que “além de ser uma companheira e amiga, é uma benção o que fizeram para a música” Escrevi Teu Nome no Vento, cantado à capela pela famosa estrela espanhola.  

Sara Correia e Israel Fernández estão desde hoje, espera-se, nas 'Bocas do Mundo'.

 

 

NOVA MÚSICA DE SHAKIRA É UM RECADO PARA GERARD PIQUÉ? POIS, PARECE QUE SIM...

 

A cantora já mostrou o tema que fez com o produtor argentino Bizarrap. O antigo companheiro parece ser o alvo.

Shakira juntou-se ao produtor argentino Bizarrap numa das BZRP Music Sessions e o resultado da colaboração está a dar que falar. Na canção que fez nas sessões do produtor, a artista colombiana não deixou nada por dizer em relação ao ex-companheiro, Gerard Piqué, de quem se separou em 2022. Da relação, que durou mais de uma década, nasceram dois filhos. O final da história de amor entre o ex-futebolista e a artista colombiana tem sido atribulado e esmiuçado pela comunicação social. Shakira já tinha falado publicamente sobre o assunto mas agora usou a forma da canção para "desabafar". 

É que na letra do tema produzido por Bizarrap podemos ler frases como: "sou boa demais para ti e é por isso que estás com uma pessoa que é como tu" ou afirmações como: "não vou voltar para ti, não chores, não implores - não tenho culpa que sejas criticado, só faço música, desculpa se isso te incomoda ou se salpica para cima de ti". Mas há mais: "valho por duas de 22", "trocaste um Ferrari por um Twingo" ou "trocaste um Rolex por um Casio". 

Shakira também aborda a "perseguição" que sofreu por parte da comunicação social na altura do anúncio da separação e parece mandar indiretas a Clara Chia Marti, a nova namorada de Piqué.

 

Destaque

Mahan Mirarab – Unspoken (2026)

  Unspoken , o álbum de estreia de Mahan Mirarab pela ACT , abre um universo de histórias pessoais e profundamente sentidas. O guitarrista...