sábado, 14 de janeiro de 2023

Kasabian – Kasabian (2004)


 

De um caldeirão de fórmulas vencedoras testadas em laboratório e em plateias aos saltos, misturadas com uma dose de paranóia psicotrópica, surge o álbum de estreia dos Kasabian, a melhor banda que Leicester viu nascer. Com os pés no apocalipse e os olhos nos grandes palcos.

A formação dos (na altura) Saracuse, pelos colegas de escola Sergio Pizzorno (guitarrista e co-compositor), Tom Meighan (vocalista) e Chris Edwards (baixista), a quem se juntou Chris Karloff como co-compositor, guitarrista e responsável pelos sintetizadores e programações, remonta a 1997. Para além de uma juventude passada na cena hardcore-techno do centro de Inglaterra, no cenário musical em redor assistia-se à explosão da conversão do acid-house no big beat e na música electrónica, com bandas como os Chemical Brothers ou os Prodigy a levarem o underground ao topo do mundo com álbuns como Dig Your Own Hole e The Fat of the Land, respectivamente; os Primal Scream a reinventarem-se no fritanço de Vanishing Point e XTRMNTR, os Death in Vegas a despontar com Dead Elvis e os Stone Roses acabados de cair em batalha contra si próprios, com a bandeira da baggy generation na mão.

Sete anos depois, já rebaptizados como Kasabian, em alusão à motorista posteriormente arrependida do envolvimento nos massacres perpetrados pelo clã de Charles Manson (a palavra soou bem a Karloff e é um critério tão válido como outro qualquer), surge o álbum de estreia homónimo. Tão explosivo como claustrofóbico, tão beligerante como paranóico, mas acima de tudo carregado de futuros hinos de estádio.

“Club Foot” abre as hostilidades com cerca de vinte segundos ambientais, em antecipação do que vai acontecer a seguir. E o que vai acontecer a seguir são guitarras de arame farpado, um baixo como um furacão, um Tom Meighan com o ímpeto de um Liam Gallagher a comandar multidões de pandeireta na mão e um refrão que começa com “ooooosh”. Quem vier à procura de densidade lírica entrou claramente na sala errada, mas se o objectivo for uma noite épica e murros no ar em festejo, 13 videojogos, 10 programas de televisão e 6 filmes em que “Club Foot” foi utilizado não podem estar todos enganados.

Logo de seguida, “Processed Beats” traz Madchester para o século XXI, com uma linha de baixo saltitante que poderia ter sido feita por Mani para os Stone Roses, uma performance vocal que encheria de inveja Shaun Ryder dos Happy Mondays se este conseguisse aperceber-se de alguma coisa que se passasse à sua volta na altura, e mais uma vez o nonsense da letra como forma de rebeldia. Uma guitarra acústica cola os elementos e em vez de solos maiores que a própria vida, Karloff toma as rédeas com sequenciadores e sintetizadores ocasionalmente dissonantes e tensos.

“Reason Is Treason”, que já tinha sido avançado meses antes como primeiro single, é o tema mais assumidamente indie rock do álbum, acelerado e directo ao assunto, com o twist de mais uma vez Karloff mudar de ideias a meio e mandar tudo abaixo com um sequenciador que inicia quase outra canção diferente, desta vez cantada por Pizzorno, voltando a acelerar no final e colando na perfeição para resolver a questão. “I.D.” manda todo o ímpeto abaixo e cai de cabeça no caldeirão dos psicotrópicos sem encontrar saída da insónia e paranóia que daí advêm. A paisagem sonora montada por Chris Karloff presta-se à escuta de headphones na escuridão, seja qual for o estado de sobriedade (ou falta dela) do ouvinte.

Passando pelo instrumental curto e quase bucólico “Orange”, chegamos a outro dos momentos-chave do álbum e da carreira dos Kasabian: “L.S.F. (Lost Souls Forever)” é um arranha-céus nascido e gravado numa quinta, com a mira apontada às multidões que mais cedo ou mais tarde viriam a encher festivais e estádios, um hit instantâneo tão infalível que ninguém quer realmente saber se a letra fala de disparates como prostitutas polifónicas ou Messias para animais (spoiler alert: fala sim senhor).

“Running Battle” marca o meio do álbum com mais uma quebra de ritmo, mais hipnótico que frenético, um escapismo nocturno que tem de ser feito sem acordar ninguém, até chegar lentamente à luz no crescendo que culmina no refrão de “Test Transmission”, o primeiro tema em que Sergio Pizzorno assume a voz principal apesar de já ter assegurado grande parte dos refrões até aqui.

Mais um interlúdio instrumental (“Pinch Roller”) separa-nos de “Cutt Off”, uma potencial banda sonora para um filme policial em LSD, com suspense, tensão libertada no refrão e até uma letra parecida com uma narrativa, apesar de meio desconexa como de costume.

O universo cinemático prolonga-se em “Butcher Blues”, novamente um momento em que o ritmo baixa. A título de curiosidade, “butcher” será a tradução mais aproximada do apelido Kasabian na sua origem arménia. Já a caminho do final do álbum, o terceiro instrumental “Ovary Stripe” soa mais a uma canção inacabada por falta de letra, até pela duração, enquanto “Orange” e “Pinch Roller” se assumem como interlúdios curtos. Na última faixa, “U Boat”, Sergio Pizzorno volta a assumir a voz principal e o ambiente é pairante como no limbo de final de festa em que as drogas já perderam o efeito mas a ressaca ainda não se instalou.

Com um milhão de álbuns vendidos e uma mão cheia de momentos que ainda hoje incendeiam plateias, o álbum homónimo dos Kasabian foi a sólida génese de um monstro. Sonicamente perderam-se grande parte dos ambientes psicadélicos daqui em diante, devido à saída não propriamente pacífica de Chris Karloff durante a gravação do segundo álbum (Empire), mas a capacidade de Sergio Pizzorno para construir refrões monumentais para a voz de Tom Meighan levou a banda ao topo das tabelas de vendas e cartazes de festivais ou estádios com lotações esgotadas, pelo menos até à detenção de Meighan por violência conjugal em julho de 2020 ter levado à sua expulsão da banda. Em outubro voltarão aos palcos pela primeira vez em dois anos, provavelmente com Pizzorno a acumular a liderança criativa com as vozes principais.


Black Keys – Rubber Factory (2004)


 

A definição da identidade, a confiança no som e o orgulho nas raízes musicais fazem de Rubber Factory, o primeiro grande cartão de visita dos Black Keys. Foi à terceira tentativa. A verdade é que poucos são os que acertam à primeira.

Valem pelo momento, pelo marco na vida de cada um, mas a verdade é que raramente as primeiras vezes são memoráveis. A procura da identidade, a falta de confiança, de jeito ou o atabalhoamento no cumprimento das tarefas a fazer, são muitos os fatores que fazem da estreia um momento com elevada percentagem de insucesso para quem se lança em terrenos novos. Foi assim com os Black Keys.

Pode ter sido por excesso de voluntarismo, um entusiasmo excessivo que os levou a lançar três discos em três anos. Quem sabe, se o vigor descontrolado próprio dos mais jovens. Também pode ter sido por ainda procurarem o ponto mágico, o tal que faz a diferença entre o sucesso e um travo amargo na boca, ou por ainda não terem a identidade definida. Também pode ter sido, apenas, a vida e dores de crescimento que com ela chegam. The Big Come Up (2002) e Thickfreakness (2003), não são maus discos. Do ano seguinte, Rubber Factory menos ainda o é. Ouvidos hoje, torna-se evidente que já lá estava tudo. Faltava acerto e, sobretudo, confiança. Acontece muito quando se está em estreia.

Mas voltemos aos discos. Três anos, três discos, todos de nível e registo parecido, mas apenas um certeiro. Em Rubber Factory tudo é melhor, soa a disco em vez de soar a ajuntamento de canções, a produção mais cuidada, os grooves mais contagiantes, os riffs mais marcantes. Simultaneamente, ouve-se o fim da vergonha de soar aos mais velhos blues elétricos, ouve-se o fim da crise de identidade de quem até hoje vive entre o blues e o rock, de quem só ao terceiro disco percebeu que, afinal, é mesmo nesse limbo que está a identidade da dupla. Entre “When the Lights Go Out”, “All Hands Against his Own”, “Desperate Man”, “Stack Shot Billy” e “The Lenghts”, ouve-se tudo o que os faria explodir. Mesmo que, à época, poucos o tenham percebido.

Seriam o tempo e a insistência a revelar-se decisivos. A tal conversa das 10 mil horas, a mesma que diz que só com a prática se atinge a perfeição. O sucessor (Magic Potion) demoraria dois anos a chegar, outro tanto para Attack & Release e só três anos depois, já em 2011, se ouviria El Camino, esse, o de “Lonely Boy”. Mais tranquilos, mas com música mais vigorosa. Mais seletivos na hora de atacar e mais confiantes na hora de assumir as raízes, vagarosas e sofridas, mais certeiros na hora do riff, os Black Keys demorariam até se tornarem num dos melhores portos de abrigo para fãs de blues rock. Como o fizeram? Está tudo em Rubber Factory. O resto? O resto fez o tempo e a vida. Às vezes é assim. Mesmo que a busca seja por um riff capaz de fazer tremer joelhos.


BIOGRAFIA DOS Silence 4

Silence 4

Silence 4 foi um grupo musical português formado em 1996, cujas canções eram cantadas maioritariamente em inglês. A banda, proveniente de Leiria, era constituída por David Fonseca (voz e guitarra), Sofia Lisboa (voz), Rui Costa (baixo), e Tozé Pedrosa (bateria). A banda acabou por desmembrar-se em 2001 e o seu cantor e principal compositor, David Fonseca, iniciou-se numa carreira a solo. Rui Costa integrou a banda Filarmónica Gil e, mais recentemente, a banda A Caruma.[1][2][3][4][5][6]

Biografia

Tudo começou em 1995. O David e o Tozé já se conheciam e costumavam tocar juntos. Numa ocasião, o David mostrou as suas cassetes a Carlos Matos, dono de uma loja de música alternativa em Leiria. Ele gostou bastante e a ideia de formar uma banda era cada vez mais forte. Algum tempo antes, David tinha ouvido a Sofia a cantar num bar e tinha-lhe proposto a formação de uma banda. Sofia não ficou muito convencida, porque naquela altura os convites não faltavam, mas nunca era nada concretizado. Exactamente um ano após este encontro, David voltou a contactar a Sofia, dizendo que tinha chegado a altura de formar a banda.

Começaram a tocar com péssimas condições técnicas. Após algum tempo, Rui Costa foi convidado para se juntar à banda. Começou por lhes dizer que o som era péssimo. Então propôs uma experiência: que se desligassem os amplificadores e que tocassem assim, naturalmente. Para se ouvirem teriam de estar todos em silêncio, daí o "Silence" do nome da banda.

Enviaram uma maquete para o jornal Blitz, ganhando alguma notoriedade. Concorreram ao Festival Termómetro Unplugged e ganharam. Receberam de prémio 500.000$00 (cerca de 2500 €), os quais foram todos gastos em gravações de maquetas. Quando foram tentar a sua sorte nas editoras, a resposta era sempre a mesma: cantar em Inglês, nem pensar.

Recusando ceder às exigências das editoras que queriam o disco todo em português, acabaram por ser convidados para gravar uma versão de uma canção dos Erasure, "A little respect" para a compilação "Sons de Todas as Cores" (1998). Pouco tempo depois o tema começa a ter sucesso em algumas estações de rádio mais importantes.

A editora Polygram (actual Universal), acabou por aceitá-los. Foi assim que surgiu o disco de estreia, "Silence Becomes It", que alcançou, contra todas as expectativas, a quintupla platina, passando vários meses em número 1 do Top Nacional. Este CD teve a participação de Sérgio Godinho num dos temas.

Começaram a digressão por todo o país, durante a qual fizeram 90 concertos em 6 meses. No dia 18 de Dezembrode 1998 realizaram o mítico concerto no Pavilhão Multiusos para uma grande multidão. No ano seguinte continuaram a digressão, embora com menos concertos.

Seguiu-se um período de ausência, durante o qual se refugiaram em Londres, longe de todas as pressões. Foi nos estúdios Ridge Farm que nasceu "Only Pain Is Real". Neste segundo disco utilizaram piano e simuladores de orquestra. Este segundo álbum foi estreado em Leiria (2000) e atingiu a platina após 2 semanas. Fazem uma nova digressão, durante a qual realizaram mais de 100 concertos. A tour de 2000 terminou com dois concertos únicos no Coliseu dos Recreios (19 e 20 de Dezembro) que marcaram a memória dos presentes. O grupo acaba com os seus elementos a enveredarem por outras iniciativas.

A editora Universal lançou, no dia 29 de Novembro de 2004, um duplo CD e DVD com o registo das duas noites de concerto no Coliseu dos Recreios, nos dias 19 e 20 de Dezembro de 2000.

Em Dezembro de 2013 é anunciado o regresso do grupo para alguns concertos comemorativos. Os 4 concertos especiais ocorreram no dia 15 de Março, no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, Açores; dia 22 de Março, na Praça do Mar, no Funchal, Madeira; dia 29 de Março no Pavilhão Multiusos de Guimarães e dia 5 de Abril na MEO Arena, em Lisboa.

A editora Universal lança em Março de 2014 a caixa "Silence 4 SongBook 2014" que inclui os álbuns "Silence Becomes It" e "Only Pain Is Real" e um terceiro com a primeira maqueta de 1996, as remisturas do EP Only pain Is Real:The RemixesOld Letters" e "Transplantation", gravadas ao vivo na Aula Magna (1999) e o inédito "Letter To Memphis", versão de um tema dos Pixies. O DVD inclui os telediscos da banda e os concertos do Coliseu dos Recreios (2000) e Pavilhão Atlântico (1998). A edição é acompanhada por um booklet de 60 páginas com imagens inéditas da banda.

Discografia

Outros Temas


SEXTA-FEIRA 13… “ST. JOHN OF SANDS” É O NOVO SINGLE DOS MIKE VHILES

 

Em plena Sexta-feira 13, os Mike Vhiles cortejam o oculto com “St Jonh of Sands”, novo single que antecipa “Mystic Dream Sequence“, disco de estreia que chega em Março com o selo gig.ROCKS!

Uma entrada em 2023 repleta de fuzz e reverb, que afasta o mau olhado e eleva o noise de um ano que se quer ruidoso. “St. John of Sands” foi produzido por Carlos de Jesus (Sunflowers), nos Arda Studios, e está agora disponível nas plataformas digitais.

“St. Jonh of Sands” sucede a “Border Crawler”, editada no mês passado, e fará parte do novo trabalho que nos chega em Março de 2023 

METAMITO ANTECIPA EDIÇÃO DE DISCO HOMÓNIMO COM VIDEOCLIP “TRANSMUTAÇÃO” E NOVAS DATAS AO VIVO

 

“GEORGIA” É O SINGLE QUE CELEBRA O LANÇAMENTO DO NOVO DISCO DE VELVET NEGRONI


SAM SMITH LANÇA NOVO SINGLE… “GIMME FEAT. JESSIE REYEZ & KOFFEE”


BANDA SONORA DE RAMÓN GALARZA PARA CIRCO COLISEU PORTO 2022 JÁ DISPONÍVEL


 

DISCOS QUE DEVE OUVIR






Artista: Celi Bee & The Buzzy Bunch Origem
USA (Puerto Rico)
Álbum: Alternating Currents
Ano de lançamento: 1978
Gênero: Disco
Duração: 32:40
Formato: MP3 CBR 320
Tamanho do arquivo: 77,6 MB (com 3% de recuperação)


Tracks:
Songs written by Pepe Luis Soto.
01. Macho (A Real, Real, One) - 7:04
02. Together - 3:56
03. Hold Your Horses, Babe - 4:40
04. Comin' Up Strong - 4:55
05. Alternating Currents - 4:23
06. Disposable Love - 4:01
07. Lost In Love - 3:41

Personnel:
- Celi Bee (Celida Ines Camacho, Celines Soto) - vocals
- Pepe Luis Soto - producer
- Hector Garrido - keyboards, arranger, conductor
- Pat Rebillot - keyboards
- Cliff Morris, Jeff Mironov, Lance Quinn - guitars
- Neil Jason, Will Lee - basses
- Allan Schartzberg, Roy Markowitz - drums
- Eduardo "Sabu" Rosado, Phil Kraus - percussion
- Eddie Fernandez - synthesizer
- Danny Cahn, Pat Russo - trumpets
- Barry Rogers - trombone
- Lou del Gatto, Morty Lewis - reeds
- The Irving Spice String Section - strings
- Helen Myles, Yolanda McCullough, Viviane Cherry - backing vocals
- Chuck Macruder - vocals (01)


Celi Bee & The Buzzy Bunch - Alternating Currents 1978 (EUA, Disco)





Artista: Julie London
Local: EUA
Álbum: Yummy, Yummy, Yummy
Ano de lançamento: 1969
Gênero: Pop tradicional, Cool Jazz
Duração: 33:28
Formato: MP3 CBR 320 (Vinyl Rip)

MUSICA&SOM

Tracks:
01. Stoned Soul Picnic (Laura Nyro) - 3:28
02. Like To Get To Know You (Stuart Scharf) - 2:45
03. Light My Fire (Jim Morrison, John Densmore, Ray Manzarek, Robbie Krieger) - 3:19
04. It's Nice To Be With You (Jerry Goldstein) - 2:52
05. Sunday Mornin' (Margo Guryan) - 3:05
06. Hushabye Mountain (Robert Sherman, Richard Sherman) - 3:03
07. Mighty Quinn (Quinn, The Eskimo) (Bob Dylan) - 1:57
08. Come To Me Slowly (Margo Guryan) - 2:30
09. And I Love Him (Lennon-McCartney) - 2:04
10. Without Him (Harry Nilsson) - 2:51
11. Yummy, Yummy, Yummy (Arthur Resnick, Joey Levine) - 2:55
12. Louie Louie (Richard Berry) - 2:39

Personnel:
- Julie London - vocals
- Tommy Oliver - arranger, orchestral conductor, producer
- Michel Rubini - piano
- Al Casey, Neil Levang, Mike Deasy, Lou Morell - guitar
- Bob Knight - trombone
- Bill Perkins, Jim Horn - reeds
- Lyle Ritz - bass
- John Guerin, Hal Blaine - drums
- Gary Coleman, Dale Anderson - percussion
and others


Julie London - Yummy, Yummy, Yummy 1969 (USA, Traditional Pop, Cool Jazz)




Cinco discos para conhecer o trabalho do lendário produtor Bob Ezrin

 

Músicos nem sempre são os únicos responsáveis pelos produtos finais que oferecem ao público, como, por exemplo, um disco. Existem produtores que imprimem a sua marca de diversas formas possíveis.

Há diversos estilos de se produzir um disco. Existem os profissionais mais “relaxados”, que deixam uma banda trabalhar sem muitas privações ou interferências externas e aqueles que gostam de acompanhar as gravações de perto e influenciar até mesmo no processo criativo.

Bob Ezrin se encaixa na segunda situação. Ele não é simplesmente um produtor: é músico multi-instrumentista, pragmático e sempre entra de cabeça em qualquer projeto que se envolve.

Veja, abaixo, cinco discos importantes para conhecer o trabalho de Bob Ezrin:

Alice Cooper – Welcome to My Nightmare [1975]

O primeiro trabalho de reconhecimento de Bob Ezrin foi com a tia Alice: “Love It To Death”, de 1971. Quatro anos depois, a banda havia se desmanchado e, de agora em diante, o nome Alice Cooper correspondia ao próprio cantor e sua carreira solo.

Um segundo elemento era necessário para fazer aflorar a genialidade do personagem de Vincent Furnier. Bob foi o responsável, já começando pela sugestão de contratar a banda de apoio de Lou Reed (com o maravilhoso guitarrista Dick Wagner, diga-se de passagem).

“Welcome To My Nightmare” é exuberante. Todos os seus 2610 segundo de duração parecem ter sido pensados e propositalmente colocados, nada por acaso, desde suas orquestrações (cortesia do produtor) até as composições de letra e melodia.

O trabalho não só foi um dos maiores sucessos de Alice Cooper, como anunciou Ezrin para o mundo, servindo como referência para seu estilo de trabalho minucioso, versátil e altamente influente de acordo com a proposta.

Alice Cooper – vocal
Dick Wagner – guitarra, violão, backing vocals
Steve Hunter – guitarra, violão
Gerry Yons – guitarra adicional
Prakash John – baixo
Tony Levin – baixo
Pentti “Whitey” Glan – bateria
Johnny “Bee” Badanjek – bateria
Bob Ezrin – sintetizadores, teclados, Fender Rhodes, backing vocals
Vincent Price – sintetizadores, backing vocals

Josef Chirowski – sintetizadores, teclados, clavinete, Fender Rhodes, backing vocals
David Ezrin – backing vocals
Gary Lyons – backing vocals

01. Welcome To My Nightmare
02. Devil’s Food
03. The Black Widow
04. Some Folks
05. Only Women Bleed
06. Department Of Youth
07. Cold Ethyl
08. Years Ago
09. Steven
10. The Awakening
11. Escape

KISS – Destroyer [1976]

“Destroyer” foi o maior desafio da carreira de seus envolvidos. Tanto para o KISS quanto para Bob Ezrin.

O desafio principal era fazer com que a banda desse um grande passo adiante. Não era permitido fugir muito da sonoridade dos trabalhos anteriores, mas era necessário dar algum toque de refinamento.

Bob Ezrin pegou quatro garotos praticamente iniciantes – com três anos de banda – e os transformou em verdadeiros músicos. Houve controvérsia, visto que o baterista Peter Criss não gostou muito da forma de trabalho de Ezrin, enquanto o guitarrista Ace Frehley chegou a ser substituído em duas músicas.

Outras atitudes drásticas para o conceito Kiss foram tomadas: desde orquestrações em algumas composições até aulas de teoria musical para os mascarados regidas pelo professor Ezrin.

Dessa união saiu um clássico do rock n’ roll, que traz tanto seriedade quanto diversão na medida certa. Aqui, o Kiss foi elevado a um novo patamar. Há quem diga que este seja o único “álbum” de verdade da banda, em sua plenitude, do início ao fim. Discordo, mas entendo.

Gene Simmons – baixo, backing vocals, vocal em 3, 4, 6 e 7
Ace Frehley – guitarra, violão, backing vocals
Peter Criss – bateria, vocal em 8, backing vocals

Músicos adicionais:
Dick Wagner – guitarra solo em 5 e 6
Brooklyn Boys Chorus – vocal em 4
David e Josh Ezrin – vozes infantis em 3

01. Detroit Rock City
02. King Of The Night Time World
03. God of Thunder
04. Great Expectations
05. Flaming Youth
06. Sweet Pain
07. Shout It Out Loud
08. Beth
09. Do You Love Me?

Pink Floyd – The Wall [1979]

Em qualquer dicionário, a definição de música gira em torno de “uma forma de arte”. Tal definição foi perdida com o tempo, desde que Elvis Presley gerou muitas cifras na década de 1950.

Uma das bandas que melhor conseguiram recuperar a real definição de música (ligada à arte), sem abandonar o comércio, foi o Pink Floyd. E um de seus trabalhos supremos contou com um dedo de Bob Ezrin na produção: “The Wall”, gravado e lançado em 1979, segue um sucesso.


“The Wall” é minucioso e ousado. Milimetricamente perfeito. Representa o auge da criatividade do controverso Roger Waters e o melhor momento dos integrantes como conjunto e como integrante, solitário.

Bob Ezrin é creditado por ter sido a força que controlou o Pink Floyd no momento. Era necessário alguém com conhecimento técnico musical e, acima de tudo, jogo de cintura para administrar tamanhos egos.

Apesar do relacionamento conturbado com os integrantes (principalmente com o tecladista Richard Wright), Bob Ezrin teve, aqui, presença decisiva para absorver o que poderia sair de melhor para construir um dos best-sellers e um dos discos mais artísticos do rock.

Roger Waters – vocal, baixo, guitarra e violão adicional, sintetizadores
David Gilmour – vocal, guitarra, baixo adicional, seqüenciador, sintetizadores, clavinete, percussão
Richard Wright – piano, órgão, sintetizadores, clavinete
Nick Mason – bateria, percussão

Músicos adicionais:
Jeff Porcaro – bateria em Mother
Lee Ritenour – guitarra-base em One Of My Turns e violão em Comfortably Numb
Joe Porcaro – caixa em Bring The Boys Back Home
Bleu Ocean – caixa em Bring The Boys Back Home
Freddie Mandel – órgão Hammond em In The Flesh? e In The Flesh
Bobbye Hall – percussão
Ron di Blasi – violão clássico em Is There Anybody Out There?
Larry Williams – clarineta em Outside The Wall
Trevor Veitch – mandolin
Frank Marrocco – concertina
Bruce Johnston – backing vocals
Toni Tennille – backing vocals
Joe Chemay – backing vocals
Jon Joyce – backing vocals
Stan Farber – backing vocals
Jim Haas – backing vocals
Fourth Form Music Class, Islington Green School, London – backing vocals
Bob Ezrin – teclados, arranjos orquestrais
Michael Kamen – arranjos orquestrais
James Guthrie – percussão, sintetizadores em Empty Spaces, sequenciador, bateria em The Happiest Days Of Our Lives

Disco 1:
01. In The Flesh?
02. The Thin Ice
03. Another Brick In The Wall (Part 1)
04. The Happiest Days of Our Lives
05. Another Brick In The Wall (Part 2)
06. Mother
07. Goodbye Blue Sky
08. Empty Spaces
09. Young Lust
10. One Of My Turns
11. Don’t Leave Me Now
12. Another Brick In The Wall (Part 3)
13. Goodbye Cruel World

Disco 2:
01. Hey You
02. Is There Anybody Out There?
03. Nobody Home
04. Vera
05. Bring The Boys Back Home
06. Comfortably Numb
07. The Show Must Go On
08. In The Flesh
09. Run Like Hell
10. Waiting For The Worms
11. Stop
12. The Trial
13. Outside The Wall

Bonham – The Disregard Of Timekeeping [1989]

O álbum de estreia do Bonham é um dos mais diferentes do hard rock oitentista, gênero em que se enquadrou, mesmo que erroneamente. Talvez pela presença de Bob Ezrin, não muito experiente em gêneros mais acessíveis.

Ainda assim, é um dos álbuns de hard rock mais rebuscados – e menos óbvios – dos anos 1980. A trupe de Jason Bonham, filho do lendário John Bonham, soube dosar o experimental com o comercial. Agradou aos fãs dos dois lados.


Seria equivocado esperar algo como o Led Zeppelin, aliás. A não ser pelas doses experimentais e as nuances fora do convencional.

“The Disregard Of Timekeeping” apresenta um instrumental arrojado e muito bem composto aliado aos vocais grudentos de Daniel MacMaster. Jason se destaca por suas linhas de bateria pesadas e diferenciadas. Guitarra e baixo soam muito bem também

Há, por aqui, as esperadas orquestrações de Bob Ezrin, mas moderadas. Sintetizadores e teclados marcam maior presença. O produtor ocupou-se em gerenciar a criatividade do quarteto nas composições, tanto que tem crédito autoral em três faixas.

Daniel MacMaster – vocal
Ian Hatton – guitarra
John Smithson – baixo, teclados, violino
Jason Bonham – bateria, percussão

Músicos adicionais:
Bob Ezrin – orquestração
Trevor Rabin – baixo, backing vocals
Jimmy Zavala – gaita
Bill Millay – teclados, sintetizadores
Duncan Faure – backing vocals

01. The Disregard Of Timekeeping
02. Wait For You
03. Bringing Me Down
04. Guilty
05. Holding On Forever
06. Dreams
07. Don’t Walk Away
08. Playing To Win
09. Cross Me And See
10. Just Another Day
11. Room For Us All

30 Seconds To Mars – 30 Seconds To Mars [2002]

Muita gente não deu nada para o 30 Seconds To Mars quando o mesmo surgiu. Afinal, era um projeto do ator Jared Leto.

Mero engano de quem pensou que não passaria de um projeto paralelo. O grupo teve boas vendas em todos os seus álbuns, não só pelo nome de Jared Leto, mas também pelo bom trabalho apresentado.

Para mim, apenas o primeiro atingiu um patamar de qualidade realmente acima da média. E adivinha quem foi o produtor?

Diferente de seus sucessores, o disco de estreia, autointitulado, não descambou para o post-hardcore. As canções bebem na fonte do rock progressivo, com nuances variantes e instrumental complexo e denso, além de vocalizações menos “berradas” e sintetizadores bem colocados.

É o único trabalho dos cinco que não contém ao menos uma composição assinada por Bob Ezrin. Ainda assim, a presença e influência do cara no registro são notáveis.

Jared Leto – vocal, guitarra, baixo, sintetizadores, programação
Shannon Leto – bateria (vocal e guitarra na faixa oculta de 11)
Solon Bixler – baixo em 6, sintetizadores em 10, guitarra em 2, 4, 9, 10 e 11

Músicos adicionais:
Bob Ezrin – piano em 8
Dr. Nner Tesy – sintetizadores adicionais
Maynard James Keenan – backing vocals em 3
Danny Lohner – programação em 3
Joe Bishara – programação em 4
Jeffrey Jaeger – baixo adicional em 4, 9 e 10
Brian Virtue – sintetizadores em 6

01. Capricorn (A Brand New Name)
02. Edge of the Earth
03. Fallen
04. Oblivion
05. Buddha for Mary
06. Echelon
07. Welcome to the Universe
08. The Mission
09. End of the Beginning
10. 93 Million Miles
11. Year Zero (Hidden track: The Struggle)

Destaque

Arthur Doyle - Alabama Feeling (1978)

No final de 1977, Arthur Doyle trouxe seu quinteto para Nova York para tocar no Brook, um loft na West 17th Street administrado por Charles ...