sábado, 14 de janeiro de 2023

SAIBA TUDO SOBRE Piruka

 


Piruka

Biografia

Piruka, nome artístico de André Silva (Lisboa, 30 de Agosto de 1994), é um rapper português. Cresceu na Madorna, concelho de Cascais, assim como Dillaz, outro rapper português.

Os seus maiores êxitos são os temas "Ca Bu Fla Ma Nau", e "Se Eu Não Acordar Amanhã".

Em 2016 e 2017, sem qualquer apoio de uma grande editora (recusou vários ofertas de contratos com grandes gravadoras), obteve centenas de milhares de seguidores no YouTube e Spotify, assim como milhões de reproduções acumuladas nas plataformas de streaming.
Em maio de 2017, os vídeos do seu álbum de estreia, AClara - lançado no final de 2016 -, já haviam passado mais de 32 milhões de visualizações no YouTube. No que se refere à totalidade dos vídeos de Piruka naquele serviço de vídeo da Google, André Silva já ultrapassava, em maio de 2017, os 64 milhões de visualizações. Isto reflete uma popularidade enorme do rapper, pois o terceiro nome da música portuguesa com mais views no YouTube é Diogo Piçarra, com menos 20 milhões de visualizações que Piruka (ou seja, 44 milhões de views acumuladas). Piruka, neste critério, apenas é ultrapassado por Agir, que possui mais de 85 milhões visualizações na sua conta oficial do YouTube.

Piruka cita Sam The Kid como um dos seus ídolos.


Parecido com




Fotos





Faixas principais

O Som Expansivo de Childish Gambino em “3.15.20”

 Donald Glover é uma das grandes forças criativas dessa geração. O cara é ator, diretor, roteirista (vejam Atlanta!), comediante, e, é claro, músico, assumindo o nome Childish Gambino. Um dos artistas mais interessantes dos últimos anos, o Rapper vem dando uma guinada ao Soul/R&B contemporâneo desde seu último (e maravilhoso) disco Awaken, My Love! (2016), e, no último dia 25, nos presenteou com um álbum supresa, “3.15.20”.

O que mais me chama na atenção no disco é que ele soa como uma Mixtape, como foi untitled unmastered. (2016) de Kendrick Lamar. As faixas são, em sua maioria, nomeadas pela minutagem em que aparecem no tracklist, e soam como o mais puro e caótico (num bom sentido) sumo da mente inquieta de Glover.

A dicotomia entre a produção computadorizada e um refrão cheio de alma de “Algorhythm” abre espaço para temas mais universais, como na lindíssima “Time” (com participação não creditada de Ariana Grande), em mais um refrão a ser cantado pelas massas. As rimas de 21 Savage em “12.38” são o mais próximo do Hip Hop que temos aqui, já que Glover dá um foco maior à sua voz natural, cheia de falsetes à la Al Green.

Quando ele resolve fazer Pop, o resultado também é sensacional. “19.10” soa como uma faixa perdida de Prince e “42.26” já havia sido um hit sob o nome “Feels Like Summer”, que, embora seja uma canção aparentemente solar, tem muito a ver com os tempos caóticos em que estamos vivendo.

As facetas mais experimentais e psicodélicas de Glover aparecem na explosão eletrônica de “32.22” e o suíngue Soul de “47.48”, que conta, num dos momentos mais singelos do álbum, com a participação do filho de Glover, Legend. Os corais gospel de “53.49” fecham o disco de maneira explosiva e fenomenal.

“3.15.20” é o salto de Childish Gambino ao desconhecido, se provando, mais uma vez, bem-sucedido. Ele traz ao mainstream uma necessária pluralidade e certa dose de “loucura”, um artista que, com certeza, é um dos gênios dessa geração.





CAPAS E FOTOS DO ROCK PORTUGUÊS

 

Resenha Eros Álbum de Dün 1981

 

Resenha

Eros

Álbum de Dün

1981

CD/LP

Dün foi um tipo de banda que sempre esteve sujeita a uma série de acontecimentos inconstantes dentro do seu ambiente de trabalho, como mudanças constantes de formação, direção e uma ideia musical central incerta, além de muitas mudanças no próprio nome da banda. Então que em 1980 a banda finalmente definiu as coisas de uma maneira mais sólida, consolidando uma formação fixa, nome e curso musical concentrado e objetivo. O que inicialmente era para ser somente um tributo à Mahavishnu Orchestra se tornou uma banda em que a sua sonoridade se misturava entre algo como um Magma mais jazzístico, tendências vanguardistas na linha de Henry Cow e, em suas apresentações ao vivo uma banda que flertava até com o free jazz.  

Se você está atrás de um disco com músicas fantásticas, porém, não convencionais e que se desenvolvem por vezes de uma maneira alucinante, Eros certamente vai suprir facilmente toda a sua demanda. Todas as composições são intrincadas, aventureiras e em alguns momentos até mesmo selvagens. Sendo uma banda de instrumentação tão forte e intensa, com uso massivo de flautas, baixo fuzz, piano e uma infinidade de percussões, é uma enorme conquista que ela ainda consiga soar tão compacta, ainda mais se for considerado todos os tipos de compassos estranho e síncopes, além de suas paradas e recomeços instrumentais. Muito interessante também é a forma como a música em Eros pode passar de delicada para agressiva de uma maneira tão abrupta, mas sem perder de forma alguma a coerência.  

Mas se eu falar que este disco apesar de ser tão incrível, não é necessariamente um trabalho bonito? Pelo menos não no sentido musical ocidental. Eros, álbum nomeado em homenagem ao deus grego da beleza, é uma impressionante exibição de uma fusão de jazz de vanguarda, possuindo um tipo de beleza mais exótica em sua dissonância e graça melancólica do que a maioria das músicas que você vai ouvir na vida. O disco consegue fundir com verdadeira maestria a peculiaridade do som do Magma com sons do jazz clássico e orquestral, entregando ao ouvinte uma experiência auditiva que embora não seja muito fácil, é extremamente surpreendente, inovadora e genial.  

Eros pode ser considerado indiscutivelmente um dos mais incríveis discos de música progressiva de vanguarda que o mundo já viu? Com certeza, não vejo motivo para vê-lo de forma diferente a isso. A habilidade composicional da banda é algo sublime, ainda que não seja muito acessível. Mas ouvidos mais acostumados certamente ficarão encantados com as performances em cada uma de suas faixas. Um álbum onde todas as suas ambições elevadas realmente resultaram em algo grandioso.  

Resenha White Eagle Álbum de Tangerine Dream 1982

 

Resenha

White Eagle

Álbum de Tangerine Dream

1982

CD/LP

'White Eagle' (um título que pode ser uma referência à Polônia, terra natal da primeira esposa de Edgar Froese)  é um álbum de estúdio criado na fase em que a banda estava gravando uma grande quantidade de trilhas sonoras para filmes. Efetivamente, a faixa título, composta por Johannes Schmoelling, foi relançada como tema de um seriado policial de TV alemão, 'Tatort'.

Seguindo a prática de álbuns anteriores, o TD faz um LP cujo primeiro lado é tomado por uma suíte em vários movimentos sem pausas, enquanto o lado B contém faixas avulsas. 'Mojave Plan' é uma sucessão de temas sem muita conexão um com o outro. Começa com alguns sons ambiente que sugerem um deserto e um grito de águia sintetizado. É um começo modorrento e, quando parece que não vai mais ficar interessante, surge o tema principal. Sobre uma base rítmica algo crua, há uma sequência de solos de teclado, um pouco à maneira de 'Tangram'. Na metade do tempo da faixa surge o segundo tema, que também tem um ritmo animado e se caracteriza por vários samples curiosos. Aos 14:40 minutos surge enfim a melhor parte, pontuada pelo famoso sequenciador e com uma tonelada de truques de percussão, timbres sobrepostos e, por fim, um tremendo crescendo com samples de orquestra, dando ao arremate um clima apocalíptico.

'Midnight in Tula', possivelmente uma composição solo de Schmoelling,  é uma tentativa de soar pop e lúdico, algo que o TD na realidade nunca soube fazer, soando forçada e um pouco irritante. Esta música começa com uma breve sequência de notas citando 'Trans Europa Express' do Kraftwerk, por motivo que ignoro, já que o TD e aquela outra banda mais famosa nunca se relacionaram para nada. 

'Convention of the 24', que traz todas as marcas de uma criação solo de Froese - incluindo uma bela guitarra - é interessante pelos efeitos atmosféricos e pelo ritmo borbulhante e sincopado do baixo sequenciado. Esta e a seguinte são as faixas mais bem-acabadas do álbum.

A faixa-título, composta por Schmoelling com seu característico toque leve e atmosfera tranquila, é a versão original do tema de 'Tatort' e é construída a partir de arpeggios de instrumentos sintetizados que se tornaram sinônimo de Tangerine Dream ao longo dos anos.

A versão remasterizada do álbum contém as faixas criadas para série 'Tatort', com destaque para 'Speed' e 'Moorland', que mostram algumas inovações estilísticas do grupo em 1983.

NO BAIRRO DO VINIL

 José Sampaio - Adeus Guiné - A Mulher Portuguesa

José Sampaio. Nome desconhecido do actual universo musical português tem hoje, contudo, mais uma oportunidade de sobressair das sombras e da poeira do esquecimento, através de uma entrada directa para o nosso bairro do vinil. No entanto, cremos que tal oportunidade não lhe irá trazer o sucesso pretendido, isto porque, conforme analisaremos, as temáticas das canções presentes neste disco há muito que não transparecem a realidade portuguesa.
Do pouco que conseguimos apurar, pela análise da capa e da contracapa do disco que nos chegou às mãos, só podemos concluir tratar-se de um cantor emigrado em França (a julgar pela editora francesa Serenata que distribuía os discos, muito provavelmente para a comunidade portuguesa aí radicada), que terá gravado pelo menos mais de 12 discos , para além deste E.P. que agora se comenta (com acompanhamento musical por Jorge Fontes e Os Alegrias)
O que nos chamou a atenção deste cantor , não foi propriamente a sua voz rude de cantor campestre, nem o enquadramento sonoro que reveste as canções, uma vez que estamos apenas perante mais um cantor, entre centenas de outros, do folclore português. O que nos chamou a atenção foi, bem pelo contrário, os títulos das duas faixas que abrem cada uma das faces do vinil: “Adeus Guiné” e “A Mulher Portuguesa”, títulos que à primeira vista nos podem levar a pensar estarmos, por um lado, perante uma canção de intervenção contra a guerra colonial e, por outro lado, uma canção de homenagem de homenagem à mulher lusitana.

Se é verdade que elaboramos este texto passados garantidamente mais de 30 anos sobre a gravação deste disco, não podemos deixar de reparar no contracenso, à luz dos dias de hoje, entre os títulos das canções e as respectivas letras. De facto, “Adeus Guiné” nada mais é do que um apelo à guerra, sob o pretexto de defesa daquilo que na altura era um território português. Aliás, os versos explícitos da sua autoria, tendo como pano de fundo efeitos sonoros de metralhadoras, são conclusivos : “Só esta pequena lembrança dos emigrantes de França, estamos prontos a lutar, amor cego e imortal é nosso dever a Guiné defender, será sempre Portugal”. Sem dúvida que, se atendermos ao facto, de nessa altura, serem mais do que recorrentes os cânticos anti-guerra e anti- regime, corporizados no chamado canto de intervenção, este disco só poderá ser visto como a metáfora do outro lado da barricada, ou seja, uma espécie de canto de anti-intervenção.
Da mesma forma, ao mesmo tempo que o cântico de apelo à libertação da condição social das mulheres se fazia sentir por toda a Europa e em especial em Portugal (entre outros, por José Barata Moura), José Sampaio através de “A mulher portuguesa”, apresenta-nos, mais do que a sua visão, a própria visão e concepção da condição da mulher durante o Estado Novo. Sem dúvida, que José Sampaio elogia a mulher portuguesa, não a tratando mal, bem pelo contrário, até admite que “se não fossem as mulheres, o homem não tinha razão”. No entanto, uma análise sociológica mais atenta da letra desta canção, leva-nos à conclusão de estarmos perante o contracenso do próprio elogio, uma vez que ao mesmo tempo que se destacam as qualidades de “boa companheira e mulher trabalhadeira”, simultaneamente, se está a dar enfâse, na mesma canção, ao papel dominante do homem, sempre triunfante fora do lar, ao contrário da mulher reduzida a à condição de dona de casa. Versos mais explícitos do que estes são impossíveis de encontrar nos tempos modernos : “Português emigrante, homem triunfante da mulher portuguesa, a sua mulher poupada fica sempre em casa e não sente tristeza”. Ora, quem é a mulher portuguesa que ao ouvir esta canção não se encherá de orgulho e emoção, por este tão rasgado elogio ?

Clique no Play para ouvir um excerto das duas canções

Destaque

Acylum - Zigeunerjunge (EP 2015)

  Estilo: EBM/Industrial Origem: Alemanha Lista de faixas: 01. Zigeunerjunge  02. Zigeunerjunge (Amduscia Remix) 03. Follow Me  04. Zigeuner...