sábado, 14 de janeiro de 2023

“Are You Gonna Go My Way” (Virgin Records, 1993), Lenny Kravitz

 


Foi através do seu segundo álbum, Mama Said, de 1991, que o cantor Lenny Kravitz se tornou um artista conhecido no cenário da música pop mundial. As faixas “Always On The Run” (com participação do guitarrista Slash, dos Guns n’ Roses) e “It Ain’t Over Til It’s Over” estouraram nas rádios de todo o mundo, fazendo com que Mama Said vendesse 2 milhões de cópias e alcançasse o 39º lugar da parada da Billboard 200, nos Estados Unidos.

Mas foi com o terceiro álbum, Are You Gonna Go My Way, lançado em 9 de março de 1993, que Kravitz consolidou-se como astro do rock internacional. O álbum prosseguiu com o estilo musical desenvolvido por Kravitz nos álbuns anteriores, que soma referências de soul, funk, hard rock dos anos 1970, pop e R&B. Are You Gonna Go My Way ainda traz como “bônus” estilístico, uma experiência de Kravitz com o reggae.

Boa parte das gravações de Are You Gonna Go My Way contou apenas com Lenny Kravitz (vocais, guitarras elétricas e acústicas, Mellotron, baixo, bateria e sinos), o Craig Ross (guitarra solo) e o Tony Breit (baixo), além dos músicos convidados e adicionais.

 Are You Gonna Go My Way foi o primeiro de uma série álbuns de Kravitz que Ross participou. Os dois se conheceram em 1991, pouco antes de Kravitz começar a turnê de Mama Said. Naquele momento, Kravitz precisava de um guitarrista na sua banda, e Ross assumiu o posto. Dali em diante, ambos formaram uma bela parceria, com Ross criando solos incríveis de guitarra para as canções de Lenny Kravitz. E alguns desses solos magistrais de Craig Ross estão presentes em Are You Gonna Go My Way.

Da esquerda para a direita: Tony Breit, Lenny Kravitz e Craig Ross.

O álbum já começa em alto nível com um petardo sonoro, um hard rock fantástico, contagiante e que dá nome ao álbum. Foi o primeiro single de Are You Gonna Go My Way, lançado em fevereiro de 1993, um mês antes do lançamento do álbum. A música foi gravada apenas com Lenny Kravitz (vocais, guitarra e bateria), Craig Ross (guitarra solo) e Tony Breit (baixo). Os três criam um som pesado e ao mesmo tempo dançante, muito por conta de algumas “pinceladas” de funk que a música possui. Os riffs de guitarra de Ross são incríveis e ficam “encravados” na memória do ouvinte. Apesar da bateria ter sido tocada por Kravitz nas gravações do álbum, no videoclipe da música, quem aparece tocando é a talentosa baterista Cindy Blackman, que passou a fazer parte da banda do cantor pouco antes de começar a turnê de Are You Gonna Go My Way.

Embora seja uma balada, “Believe” não é necessariamente uma balada romântica, está mais para uma canção sobre “autoajuda”, de elevação de autoestima: “The future's in our present hands / Let's reach right in / Let's understand / If you want it you've got to believe” (“O futuro está presente em nossas mãos / Vamos chegar bem / Vamos compreender / Se você quiser você tem que acreditar”). Na sequência “Come On And Love Me”, um funk rock com uma bateria e uma linha de baixo poderosas.

“Heaven Help” é a única música do álbum não composta por Lenny Kravitz. É uma balada linda e leve, em que Kravitz mostra que além de astro do rock, tem talento para cantar R&B e soul music. Segue depois outra balada, a acústica “Just Be A Woman”, com Lenny Kravitz cantando acompanhado de um violão, e um teclado fazendo o som de fundo.

A temperatura sobe novamente com o hard rock “Is There Any Love In Your Heart” e seu som melódico e forte que remete ao Led Zeppelin. A música foi gravada com um power trio clássico, com Lenny Kravitz nos vocais e bateria, Craig Ross na guitarra e Tony Breit no baixo. Ao fazer os solos de guitarra, Ross parece se inspirar em Jimmy Page.

Lenny Kravitz durante as gravações do álbum Are You Gonna Go My Way.

“Black Girl” é um rock balada com teor psicodélico, e tem como destaque uma interessante harmonização dos vocais feitos por Lenny Kravitz. Em “My Love”, mais uma balada romântica, Kravitz canta que seu amor neste céu deserto anda 100 milhas e que tem um sorriso de um anjo. O romantismo prossegue com “Sugar”, uma canção de amor que segue bem ao estilo do R&B dos anos 1970, e não seria estranho afirmar que é uma espécie de “irmã” de “It Ain’t Over Til It’s Over”.

“Sister” é uma canção triste e traz um tema lamentavelmente atual: a violência doméstica contra a mulher. Lenny mostra toda a sua sensibilidade ao abordar o assunto na canção, ao se passar pela figura de um irmão que vê o sofrimento da irmã após a violência que sofreu do marido.

“Eleutheria” é a música que destoa do conjunto do álbum. É uma experiência de Lenny Kravitz no reggae, com uma inspiração na sonoridade de Bob Marley & The Wailers. O título da música é o nome de uma das ilhas que compõem as Bahamas, e que fora visitada por Kravitz, onde ele construiu uma casa e um estúdio.

Are You Gonna Go My Way teve uma boa recepção do público e da crítica. Os videoclipes de algumas faixas do álbum tiveram boa exibição da MTV norte-americana. Foi o primeiro álbum de Kravitz a figurar entre os 20 melhores da Billboard 200 (ficou em 12º lugar), nos Estados Unidos, e o primeiro do cantor a liderar a parada de álbuns da Austrália. No Reino Unido, alcançou o posto de 2º lugar. O além do single da faixa-título, o Are You Gonna Go My Way gerou mais quatro singles, “Believe”, ‘Heaven Help”, “Is There Any Love In Your Heart” e “Spinning Around Over You”.

O álbum conquistou disco de platina dupla pela venda de pouco mais de 2 milhões de cópias. É o segundo álbum mais vendido da carreira de Kravitz, perdendo apenas para o álbum 5, de 1998, que alcançou a marca de 6 milhões de cópias vendidas. Em fevereiro de 1994, Lenny Kravitz ganhou o BRIT Awards na categoria “Melhor Artista Internacional Masculino Internacional”. A faixa-título conquistou o MTV Video Music Awards como “Melhor Video Masculino”, também em 1994, e que contou com a apresentação ao vivo de Kravitz e uma participação especial do ex-baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones.

Foi lançado em 1994 o documentário Alive From Planet Eart, dirigido por Doug Nichol sobre a turnê de Are You Gonna Go My Way.

Em 1995, já com status de estrela de primeira grandeza do rock, Lenny Kravitz lançou o sucessor de Are You Gonna Go My Way, o quarto álbum intitulado Circus. Porém, Circus não conseguiu repetir o desempenho do seu antecessor, a tal pondo de ter vendido apenas pouco mais de 500 mil cópias nos Estados Unidos, muito abaixo do esperado.

Faixas

Todas as faixas por Lenny Kravitz, exceto onde indicado.
  1. "Are You Gonna Go My Way" (Kravitz - Craig Ross)
  2. "Believe" (Kravitz - Hirsch)
  3. "Come On And Love Me"
  4. "Heaven Help" (Gerry Deveaux - Terry Britten)
  5. "Just Be A Woman"
  6. "Is There Any Love In Your Heart?" (Kravitz - Ross)
  7. "Black Girl"
  8. "My Love" (Kravitz - Ross)
  9. "Sugar"
  10. "Sister"
  11. "Eleutheria"



"Are You Gonna Go My Way" 
(videoclipe original)

"Believe" (videoclipe original)

"Come On And Love Me"

"Heaven Help" (videoclipe original)

"Just Be A Woman"

"Is There Any Love In Your Heart?"
(videoclipe original)

"Black Girl"

"My Love"

"Sugar"

"Sister"

"Eleutheria"

Resenha Exit Álbum de Tangerine Dream 1981

 

Resenha

Exit

Álbum de Tangerine Dream

1981

CD/LP

Exit' é um comentário político idealizado pelo líder do Tangerine Dream, Edgar Froese, como resposta à paranoia da Guerra Fria, que batia forte naquele ano de 1980. As pessoas na Europa estavam convencidas da iminência de um bombardeio nuclear. A música do grupo tenta responder a essa tensão com um apelo pela paz. Na faixa de abertura, 'Kiew Mission', uma atriz russa sussurra, como se estivesse ao pé do ouvido do ouvinte, o seguinte poema, também em russo (tradução livre): 

"Continentes: Ásia, África, Europa, Austrália, América: esta é a Terra. Passado, presente e futuro: um mundo de paz. Compreensão: incompleta e completa. Perguntar, responder, falar: meditar. Diálogo: comunicar-se com amigos. Trocar ideias sem fronteiras. O ser humano é racional: fala e conversa... Continentes: Ásia, África, Europa, Austrália, América: esta é a Terra."

Tangerine Dream foi a primeira banda de rock (OK, rock de vez em quando) do lado de cá da Cortina de Ferro a tocar ao vivo em Berlim Oriental, a apenas centenas de metros de distância do seu estúdio, situado de frente para o terrível muro. Em outro esforço de boa vontade, enviou cópias deste álbum 'Exit' para pessoas diversas na União Soviética para sensibilizá-las a favor da paz mundial.

A faixa título, localizada mais adiante, retoma a base rítmica da música inicial e adiciona uma melodia pungente e pessimista com um fundo de chuva caindo, como que num vislumbre do mundo após o apocalipse.

Entre a primeira e a terceira faixas está 'Pilots Of Purple Twilight', uma das músicas clássicas do grupo, baseada num baixo muito sincopado que infelizmente o grupo deixou de explorar nas fases seguintes, e sobre ele uma frase de teclado repetitiva que pelas pequenas variações de tempo nota-se que não foi programada no sequenciador, e sim tocada à mão - uma façanha de concentração!

'Network 23' é uma faixa alegre e dançante, ainda que produzida com uma porção de timbres originais e bizarros, como não podia deixar de ser. Essa batida eletrônica é precursora direta do techno e do trance. É curioso pensar que o TD não seguiu mais amiúde por essa linha para se tornar mais popular e reivindicar o título de originadora do estilo.

'Remote Viewing' contrasta com o resto do conteúdo por representar um olhar para trás, com um segundo movimento tranquilo e pontuado por solos atmosféricos de teclado por Froese. O que liga essa faixa ao resto do álbum são os sons ambient sinistros no começo.

Resenha Night On Bald Mountain Álbum de Fireballet 1975

 

Resenha

Night On Bald Mountain

Álbum de Fireballet

1975

CD/LP

Muitas vezes, ao usarmos a palavra superestimado para definir algum disco, pode soar como se fosse algo pejorativo, mas nem sempre isso é um fato, pois muitas vezes apenas estamos tentando dizer que ele não nos atinge de uma maneira tão eminente quanto parece ter atingido a maioria das pessoas. Night On Bald Mountain é bom exemplo disso, pois apesar de considerá-lo um bom álbum, passa longe da magnificência que já o vi ser colocado. Sinto que os músicos são muito melhores do que a música que eles entregaram, ficando parecendo que apesar de possuírem um grande potencial, tiveram dificuldade em desenvolver uma coleção de peças que viessem a se tornar memoráveis após algumas audições.  

“Les Cathedrales”, música que inicia o álbum, é um número muito bom, repleto de guitarras, órgão e várias boas mudanças de andamento que vão desde um começo pesado a um clima atmosférico que faz com que lembremos de Genesis – embora um pouco demais, pecando na originalidade. Mas apesar disso, considero um começo de disco muito bom. “Centurion (Tales Of Fireball Kids)” direciona o álbum para uma musicalidade mais pomposa, sendo mais influenciada em Emerson, Lake & Palmer e Triumvirat. Possui algumas mudanças de ritmo interessantes. 

“The Fireballet”, dentro da miscelânia de influências da banda, agora é hora de vermos um forte aceno ao Focus em sua introdução. Musicalmente é boa, mas considero os vocais pouco inspirados e vão ficando cada vez mais irritante – uma espécie de Yes com vocais ruins - conforme a peça se desenvolve. “Atmospheres”, a forma como ela começa suave é claramente influenciada no Genesis. Quando a ouvi pela primeira vez, achei que estaria diante de um dos destaques do disco, mas apesar de bonita e ter um solo de flauta legal, no fim das contas, acabou soando muito previsível e caminhando para uma direção musical chata.  

“Night On Bald Mountain” é a faixa título e que por meio dos seus quase 19 minutos encerra o disco. Uma versão da composição clássica de Mussorgsky misturada com ideias próprias da banda. Se existe um momento para chamar de brilhante no disco, certamente é este, com a banda conseguindo cobrir um tema clássico quase sem adições orquestrais e mesmo assim obtendo bastante êxito no resultado final. Mesmo sem muita originalidade, as várias mudanças e referências, além de momentos dramáticos, fazem da peça um exemplar progressivo bastante valioso. Vale mencionar também a vibração meio hard/heavy dos vocais que remete um pouco ao Uriah Heep.  

Apesar de às vezes soar exageradamente derivado, há uma boa exibição de musicalidade principalmente na faixa título, sendo essa sem dúvida o principal motivo de eu dar a este disco nota 3 – que o tira do status de mediano -, onde mesmo não tendo força para ser chamado de clássico absoluto, os amantes mais pertinazes de rock progressivo sinfônico dos anos 70 terão muito com o que se entreter aqui – ao menos por um tempo. 

BIOGRAFIA DOS Soft Machine

Soft Machine

Soft Machine foi uma banda do Reino Unido pioneira de rock psicodélico e jazz de CantuáriaInglaterra. O nome foi originado do livro de mesmo nome de William S. Burroughs. Foi uma das principais banda do movimento musical Canterbury.

História

O Soft Machine surgiu de uma banda anterior chamada Wilde Flowers, que já havia incluído em diversos momentos Brian Hopper (guitarrasaxofone e flauta), Hugh Hopper (baixo), Robert Wyatt (bateria e vocal), Kevin Ayers (vocal), Richard Sinclair (guitarra e vocal), Pye Hastings (guitarra e vocal), David Sinclair (teclado) e Richard Coughlan (bateria). Os quatro últimos formaram o Caravan, outra banda famosa do movimento Canterbury.

O Soft Machine foi formado em 1966 por Robert Wyatt na bateria e vocal, Kevin Ayers no baixo e vocal, Daevid Allen na guitarra e Mike Ratledge no teclado. Gravaram o primeiro e único single da banda e outras gravações demo que foram lançadas vários anos depois. Em 1967, após retorno de uma apresentação na França, Allen, que era australiano, foi proibido de reentrar na Inglaterra, então o grupo continuou como um trio. Em 1968 eles realizaram turnê pelos Estados Unidos, abrindo para a Jimi Hendrix Experience. Durante essa turnê ele gravaram seu primeiro álbum, em Nova Iorque. Após a saída de Ayer, no final da mesma turnê, o Soft Machine refez a formação com a inclusão de Hugh Hopper no baixo. Gravaram o segundo álbum em 1969.

Após o período ímpar do rock psicodélico, com Ayers e Wyatt cantando na maioria das canções, Volume Two lançou uma transição da banda para um som mais instrumental, o que hoje é considerado como fusion jazz. A banda passou a ter sete integrantes em 1969, com a adição de quatro instrumentistas de sopro. Mas após alguns meses somente o saxofonista Elton Dean permaneceu na banda. O resultado foi a formação clássica do Soft Machine, composta por Wyatt, Hopper, Ratledge e Dean. Gravaram Third em 1970 e Fourth em 1971, com a presença de vários convidados, a maioria músicos de jazz, como Lyn DobsonNick EvansMarc CharigJimmy HastingsRab Spall e Roy Babbington. Todos os membros da formação clássica possuiam grande experiência em estilos musicais. A tendência da banda em construir suítes extensas de composições regulares atingiu seu ápice com o álbum Third

Agora é que vem a fase jazz-rock-progressivo com as participações dos seguintes músicos: Allan Holdsworth(guitarra) Karl Jenkins (sax soprano, barítono, oboé e teclados) John Marshall(bateria) que substituiu Wyatt, que também teve a participação do baixista do BRAND-X Percy Jones e Roy Babbington também no baixo.E os músicos supracitados acima.

Após discussões sobre a direção musical da banda, Wyatt deixou o grupo em 1971 e formou o Matching Mole (em inglês um trocadilho para machine molle, a tradução francesa para soft machine). Ele foi temporariamente substituído pelo baterista australiano Phil Howard, mas desavenças musicais o fizeram ser retirado da banda. Poucos meses depois Dean também deixou o Soft Machine. Eles foram substituídos respectivamente por John Marshall (bateria) e Karl Jenkins (teclado), ambos ex-membros de Nucleus, banda de Ian Carr. Em 1973 Hopper deixou a banda, seguido de Ratledge em 1976. Ratledge era o último membro da formação original. Outros músicos da banda durante períodos posteriores foram os baixistas Roy Babbington e Steve Cook, os guitarristas Allan Holdsworth e John Etheridge, o saxofonista Alan Wakeman e o violinista Ric Sanders. As gravações e apresentações de 1978 foram as últimas da banda. O nome Soft Machine foi utilizado na gravação de 1981 Land of Cockayne, e por algumas apresentações em 1984 de uma banda que incluia Jenkins e Marshall.

Desde 1988 várias gravações ao vivo da banda vêm sendo lançadas em CD. Em 2002, Hugh Hopper, Elton Dean, John Marshall e Allan Holdsworth realizaram turnê com o nome Soft Works. Em 2005. com a substituição de Holdsworth por John Etheridge, realizaram turnê e gravaram Soft Machine Legacy. Elton Dean faleceu em Fevereiro de 2006, sendo substituído por Theo Travis.

Em setembro de 2005 foi lançada a biografia do Soft Machine sob o título de Out-Bloody-Rageous, por Graham Bennett.

Integrantes

Em destaque aparecem os integrantes da formação clássica da banda, que, entre outras obras, gravou o álbum Third.

Discografia

Álbuns

  • The Soft Machine (ABC/Probe, 1968)
  • Volume Two (ABC/Probe, 1969)
  • Third (Columbia, 1970)
  • Fourth (Columbia, 1971)
  • Five (Columbia, 1972)
  • Six (Columbia, 1973)
  • Seven (Columbia, 1973)
  • Bundles (Harvest, 1975)
  • Softs (Harvest, 1976)
  • Land of Cockayne (EMI, 1981)
  • The Peel Sessions (gravado em 1969-1971) (Strange Fruit, 1991)
  • Spaced (gravado em 1969) (Cuneiform, 1996)
  • Virtually (gravado em 1971) (Cuneiform, 1998)
  • Noisette (gravado em 1970) (Cuneiform, 2000)
  • Backwards (gravado em 1968-1970) (Cuneiform, 2002)
  • Facelift (gravado em 1970) (Voiceprint, 2002)
  • Somewhere In Soho (gravado em 1970) (Voiceprint, 2004)
  • Breda Reactor (gravado em 1970) (Voiceprint, 2005)
  • Grides (gravado em 1970) (Cuneiform Records, 2006)

Compilações

  • Rock Generation Vol. 7 (gravações demo de 1967) (BYG, 1972)
  • Rock Generation Vol. 8 (gravações demo de 1967) (BYG, 1972)
  • At the Beginning (gravações demo de 1967 previamente em Rock Generation; também chamado Jet-Propelled Photographs) (Charly, 1976)
  • Triple Echo (compilação de três canções, 1967-1976) (Harvest, 1977)
  • BBC Radio 1967-1971 (Hux, 2003)
  • BBC Radio 1971-1974 (Hux, 2003)
  • Out-Bloody-Rageous (canções de 1967-1973) (Sony, 2005)

Ao vivo

  • Alive & Well: Recorded in Paris (Harvest, 1978)
  • Live at the Proms 1970 (Reckless, 1988)
  • BBC Radio 1 Live in Concert 1971 (Windsong, 1993)
  • BBC Radio 1 Live In Concert 1972 (Windsong, 1994)
  • Live at the Paradiso 1969 (Voiceprint, 1995)
  • Live In France (recorded 1972; also issued as Live in Paris) (One Way, 1995)
  • Floating World Live (gravado em 1975) (MoonJune Records, 2006)

Singles

  • Love Makes Sweet Music/Feelin', Reelin', Squeelin' (Polydor UK, 1968)

Curiosidades

Premiações

  • O álbum no qual Jenkins tocou pela primeira vez no Soft Machine, Six, ganhou a premiação de melhor álbum britânico de jazz no Melody Maker em 1973.
  • O Soft Machine foi escolhido como a melhor banda pequena de jazz no Melody Maker em 1974.
  • O nome do saxofonista Elton Dean inspirou Reginald Kenneth Dwight no nome artístico junto com Long John Baldry da banda Bluesology: Elton John.

Franz Ferdinand – Franz Ferdinand (2004)


 

Com a sua explosiva mistura de indie rock com disco sound, o álbum de estreia dos Franz Ferdinand faz dançar as cinzas da tua tia-avó coxa.

Is This It não só insuflou nova vida no rock, como criou o molde para o indie do século XXI: secções rítmicas possantes, vocalistas maiores do que a vida, produção crua e selvagem. O terramoto pós-Strokes teve importantes réplicas no outro lado do Atlântico, primeiro com os selvagens Libertines, mais tarde com os destrambelhados Arctic Monkeys, e, no entremeio, com os frenéticos Franz Ferdinand. Hat-trick para os beefs!

O quarteto escocês foi germinado nas escolas de arte de Glasgow, com tudo o que isso implica de educação do gosto e sofisticação arty. Porém, numa reacção contra o elitismo da sua própria tradição, os Ferdinand dizem ao mundo que “só querem pôr as miúdas a dançar”. Daí insuflarem as suas irrequietas guitarradas com um pulsar funk e disco. Podem não ter inventado a roda (“Miss You” dos Stones“Atomic” dos Blondie“Girls and Boys” dos Blur e “Disco 2000” dos Pulp são importantes referências) mas nenhuma outra banda de rock levara tão longe este namoro com o disco sound: o baixo borbulhante à Chic, o scratch funky das guitarras e os pratos de choque sincopados estão entranhados no próprio ADN dos Ferdinand.

Por debaixo deste festim do corpo (ancas!, pés! nádegas!) esconde-se o tal refinamento arty na qual foram formados, revelando-se na astúcia das letras (espirituosas e imaginativas) e na loucura formal das suas canções (com guinadas inesperadas no ritmo e no estilo).

O tema de abertura, “Jacqueline”, ilustra bem essa manipulação das expectativas, começando folkie e intimista (só viola, voz e versos literatos), até que um baixo determinadíssimo começa a marchar, espezinhando a placidez inicial. É então que o ataque-relâmpago acontece: rajadas de bateria e guitarras não deixando prisioneiros!; gritos de guerra contra a ética do trabalho! We only work when we need the money…

A famigerada “Take Me Out” tem uma estrutura igualmente doida. Começa com um pastiche de Strokes – guitarras rápidas e precisas, voz langorosa – até que o ritmo abranda e uma bomba de disco rock faz explodir o edifício. É impossível não dançar ao som desta ogiva atómica: malta do indie dança; malta que não sabe o que é isso do “indie” dança; coxos, paraplégicos e tetraplégicos dançam…

O single “Darts of Pleasure” não lhes quer ficar atrás, o invejoso. Num tema sobre a lascívia do desejo, como é que os nossos escoceses favoritos decidem musicar o clímax orgasmático final? Acertaram: com uma espécie de hino da mocidade alemã. Clamam com êxtase: “Ich heiße superfantastisch /ich trinke schampus mit lachsfisch”. Champanhe e salmão fumado? Mais tabaco, amigo Kapranos…

“This Fire” tem o mesmo lúbrico tema, desta feita traduzindo o descontrolo da carne com guitarras flamejantes no refrão (o fogo do desejo a ondular). Espertos, os bandalhos…

A dinâmica verso suave/ refrão-bomba, tão fresca na revolução pós-Pixies, acabou por se tornar formulaica. Até que os Ferdinand a revitalizam em novos termos: dança/descansa, corpo/olhos, dancer tresloucado/voyeur perverso.

Conciliando melodias orelhudas com pura doidice, sensualidade anti-pensante com inteligência arty, hedonismo com uma escuridão latente (“40′ ” aflora o tema levezinho do suicídio), Franz Ferdinand é uma obra mais completa do que parece. Os Bee Gees se lessem Irvine Welsh e ouvissem Gang of Four…


POEMAS CANTADOS DE SERGIO GODINHO

Tantas Vezes Fui à Guerra

Sérgio Godinho


Tantas vezes fui à guerra

que só sei é guerrear

eu gostava um destes dias

de ter tempo de amar

Tenho pistolas de prata

tenho uma bala dourada

se não tenho o teu amor

não me servem para nada

Nem aos deuses nem à morte

peço perdão do que fiz

já não suporto bem a dor

já só quero é ser feliz

Olarai, assim é que se vai

olarai, assim é que são

olarai, as gentes que farão

que os dias maus já lá vão

Nada vale o que é de mais

em lhe dou nenhum valor

eu só trago no bornal

valentia e destemor

Só me rendo, quando muito

quando a morte me atingir

a minha bandeira branca

é o lençol que me cobrir

Nem aos deuses nem à morte

peço perdão do que fiz

já suporto bem a dor

já só quero é ser feliz

Olarai, assim é que se vai

Olarai, assim é que são

Olarai, as gentes que farão

Que os dias maus já lá vão.


Tem o Seu Preço

Sérgio Godinho


Tem o seu preço não ter um endereço

Andar à solta enquanto a vida vai e volta, eu sei bem

Não venhas tarde, vais saber encontrar-me

Enquanto a vida vai e volta, a vida vai e já não volta

Tem o seu charme saber com quem amar

Tem o seu charme saber com quem amar

Tem o seu charme saber com quem amar

Tem o seu charme saber com quem amar

Morada certa, morada tão incerta

À minha volta vagueia o diabo à solta, eu sei bem

Alma tão lusa e a vista é tão difusa

Enquanto a onda vai e volta, a onda vai e já não volta


Alma tão lusa, o usa quem a usa

Alma tão lusa, o usa quem a usa

Alma tão lusa, o usa quem a usa

Alma tão lusa, o usa quem a usa

Mantem-te certo na viela adormecida

De bairro em bairro estive tão desaparecido, eu sei bem

Bairro após bairro, gritámos na avenida

Desfilámos pelas ruas, pelos becos, avenidas

Andar à solta, criar laços nesta vida

Andar à solta, criar laços nesta vida

Andar à solta, criar laços nesta vida

Andar à solta, criar laços nesta vida

Tem o seu preço não ter um endereço

Andar à solta enquanto a vida vai e volta, eu sei bem

Não venhas tarde, vais saber encontrar-me

Enquanto a vida vai e volta, a vida vai e já não volta

Andar à solta, criar laços nesta vida

Tem o seu charme saber com quem amar

Alma tão lusa, o usa quem a usa

Andar à solta, criar laços nesta vida

Eu sei bem!

Destaque

Invisible Empire – Chants Before The Last Battle (1999)

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