terça-feira, 17 de janeiro de 2023

10 discos essenciais: cantoras brasileiras

 



Desde Chiquinha Gonzaga na virada do século XIX para o século XX, as mulheres vêm escrevendo capítulos importantes na história da música popular brasileira. Ao longo do tempo, elas deram valiosas contribuições para a construção da música brasileira. De Clementina de Jesus a Anitta, de Dalva de Oliveira a Karol Conka, passando por Marina Lima, Adriana Calcanhoto, Maysa, Inezita Barroso, Dona Ivone Lara, Dolores Duran, Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso, Ângela Ro Ro, Carmen Costa, Nara Leão, Roberta Miranda, Irmãs Galvão, Maria Rita, Alaíde Costa, Céu, Rosa Passos e mais outras tantas artistas dos mais diversos gêneros musicais, não só mostraram o talento delas, como também serviram de exemplo de modelo libertário para outras mulheres na quebra de tabus e preconceitos, seja dentro da música ou na vida cotidiana.

10 discos essenciais traz dez álbuns de dez cantoras brasileiras de diferentes épocas e estilos, destacando as suas qualidades e a importância deles para a música popular brasileira.

Gal Costa (Philips, 1969), Gal Costa. A cantora deste álbum em nada lembra a cantora tímida do álbum Domingo, lançado em parceria com o amigo Caetano Veloso, em 1967. Neste seu primeiro e autointitulado álbum solo, Gal Costa é uma outra artista, transfigurada numa versão tropicalista de Janis Joplin. O álbum mostra uma Gal mais diversificada, indo do romantismo pop psicodélico (“Não Identificado”) ao soul (“Se Você Pensa”), passando pelo rock (“Divino Maravilhoso”) e pela bossa-pop (“Baby”). Gal radicalizaria mais ainda na transgressão tropicalista no álbum seguinte, o lisérgico Gal, lançado no mesmo ano de 1969.


Claridade (Odeon, 1975), Clara Nunes. Poucas cantoras encarnaram tão bem a ancestralidade africana na música brasileira como Clara Nunes (1942-1983). Após um começo de carreira transitando por vários estilos, Clara se encontrou no samba. Tendo o Candomblé como sua religião, Clara levou os sambas dos terreiros para o grande público e tornaram-se sucesso radiofônico. Levou para a sua música o universo cultural das religiões de matriz africana ajudando na sua difusão. Clara foi uma das cantoras mais populares da música brasileira nos anos 1970, sendo uma recordista em vendas de discos. Um dos seus álbuns mais populares é Claridade, de 1975, o nono de sua carreira. O álbum tem sambas antológicos, um deles falando de lendas afro-brasileiras (“O Mar Serenou”) e outro da sua crença nos orixás (“A Deusa dos Orixás”). Mas há espaço para sambas falando de amor como as alegres “O Sofrimento de Quem Ama” e “Tudo É Ilusão”. Claridade traz ainda o samba “apocalíptico” de Nelson Cavaquinho, “Juízo Final”, gravado brilhantemente por Clara Nunes.  


Falso Brilhante (Philips, 1976), Elis Regina. No final de 1975, Elis Regina (1945-1982) estreava no Teatro Bandeirantes, em São Paulo, o espetáculo “Falso Brilhante”, o qual contava a história da cantora gaúcha, desde o início da sua carreira até o alcance da fama. Motivada pelo sucesso do espetáculo, Elis gravou o álbum de estúdio Falso Brilhante. Elis selecionou dez músicas das pouco mais de quarenta canções do repertório do espetáculo para o álbum. Em Falso Brilhante, Elis mesclou compositores consagrados com outros pouco conhecidos até então. Foi através deste álbum que o compositor Belchior ganhou visibilidade através de “Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida” em interpretações arrasadoras de Elis. “Fascinação”, “Quero”, “Gracias A La Vida” e “Tatuagem” são outros bons momentos do álbum.


Álibi (Philips, 1978), Maria Bethânia. Embora já fosse considerada uma das grandes cantoras da sua geração, Maria Bethânia ainda era restrita a um público específico, formado por estudantes universitários e intelectuais fãs de MPB. Estava mais para uma cantora cult. Foi com o álbum Álibi que em 1978 a irmã de Caetano Veloso se tornou a primeira cantora da música popular brasileira a atingir a marca de 1 milhão de cópias vendidas com um álbum. Faixas como “Sonho Meu” (dueto com Gal Costa), “Explode Coração” e “Negue” fizeram grande sucesso e se tornaram presença obrigatória no repertório de shows de Bethânia. Merecem destaque também “O Meu Amor” (dueto com Alcione), “Diamante Verdadeiro”, “Álibi”, “Ronda” e a bucólica “Interior”.


Rita Lee (Som Livre, 1979), Rita Lee. Após o lançamento do álbum Babilônia, em 1978, Rita Lee termina de maneira turbulenta a sua união com a banda Tutti-Frutti. A partir do álbum seguinte e que leva o seu nome, Rita inicia a parceria com o marido Roberto de Carvalho, redireciona a sua música para uma sonoridade mais pop e “palatável” para as grandes massas, o que a torna uma das cantoras campeãs em vendas de discos no Brasil. “Mania De Você” se torna um enorme sucesso nacional, assim como “Doce Vampiro”, “Chega Mais” e “Arrombou A Festa II”, o que fez o álbum ser um dos mais vendidos do ano de 1979.  Rita Lee, o álbum, já dava sinais do que seria o pop e o rock do Brasil na nova década que se aproximava.


Mais (EMI-Odeon, 1991), Marisa Monte. Apadrinhada pelo crítico musical Nelson Motta, Marisa Monte surgia em 1989, então com pouco mais de 21 anos, como uma grande novidade na música brasileira numa embalagem de diva. Seu primeiro álbum, MM, gravado ao vivo, fez um grande sucesso. No entanto, foi através de Mais que Marisa iria confirmar que não seria uma sensação musical passageira. Em seu segundo trabalho, Marisa mostrava que não era apenas uma grande intérprete, mas também uma compositora talentosa. O álbum traz parceria dela com outros compositores como “Tudo Pela Metade”, “Mustaphá” e "Ainda Lembro” (com Nando Reis) e “Beija Eu”, composta por ela e Arto Lindsay. “Beija Eu”, “Ainda Lembro” e “Volte Para O Seu Lar” tocaram no rádio e levaram Mais à marca de 700 mil cópias vendidas. 


Raízes do Samba – Carmen Miranda (EMI-Odeon, 1999), Carmen Miranda. Falecida em 1955, aos 46 anos, Carmen não gravou álbuns, gravou apenas discos de 78 rpm que traziam duas músicas. Só após a sua morte é que foram lançadas coletâneas reunindo os seus grandes sucessos. Provavelmente, se Carmen tivesse vivido mais anos, certamente ela teria gravado álbuns. Uma boa opção básica para quem quer conhecer a obra de Carmen é uma coletânea da série Raízes do Samba, lançada pela EMI-Odeon em 1999. A série reuniu coletâneas trazendo os grandes sucessos dos artistas consagrados do samba da gravadora. A coletânea de Carmen traz 20 gravações feitas por ela pela Odeon, entre os anos de 1935 e 1940, incluindo clássicos como “O Que É Que A Baiana Tem” (dueto com Dorival Caymmi), “Quando Eu Penso Na Bahia” (dueto com Sylvio Caldas) e “No Tabuleiro Da Baiana” (dueto com Luiz Barbosa).


Acústico MTV (Universal Music, 2001), Cássia Eller. Entre o final dos anos 1990 e começo dos anos 2000, Cássia Eller vivia o melhor momento da sua carreira. No rastro do sucesso do álbum Com Você … Meu Mundo Ficaria Completo, de 1999, Cássia lança em 2001 o Acústico MTV. Terceiro álbum ao vivo de Cássia, o trabalho traz alguns dos grande sucessos da carreira da artista em versões acústicas como “Malandragem”, “E.C.T.”, “Por Enquanto” e “O Segundo Sol”. Outros bons momentos do álbum acústico são as regravações de “Non, Je Ne Regrette Rien” (antigo sucesso de Edith Piaf), “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” (Beatles), “Quando A Maré Encher” (Nação Zumbi) e o bem humorado samba do baiano Riachão, “Vá Morar Com O Diabo”. O álbum acústico foi um grande sucesso comercial de Cássia, vendeu mais de 1 milhão de cópias, rendendo uma turnê por todo o Brasil. Uma pena que Cássia não pode desfrutar mais tempo dos êxito do álbum: ela morreria no final de 2001 vítima de um infarto do miocárdio, aos 39 anos.


Admirável Chip Novo (Deck Disk, 2003), Pitty. Quando Pitty apareceu no cenário musical brasileiro em 2003, ela subverteu todos os valores que se espera de uma cantora vinda da Bahia: não era uma diva da MPB e muito menos uma cantora esfuziante de axé music. Era uma cantora de rock que lançava o seu primeiro álbum solo, Admirável Chip Novo. O álbum apresenta uma bem costurada colcha de influências que vão do punk rock ao grunge, passando pelo hard rock. Quase todas as faixas viraram hits, dentre elas “Teto De Vidro” e “Equalize”, “Máscara” e a faixa-título, fazendo Admirável Chip Novo vender mais de 700 mil cópias. Não seria exagero afirmar que Admirável Chip Novo é um dos melhores álbuns de estreia da história do rock brasileiro.


A Mulher do Fim do Mundo (Circus / Natura Musical, 2015), Elza Soares. Com uma carreira iniciada ainda nos anos 1950, Elza Soares iniciou um incrível processo de renovação artística no começo dos anos 2000, ao associar o seu samba a seguimentos da música pop contemporânea como o rap e a música eletrônica. Isso ficou evidente no elogiado álbum Do Cóccix Até O Pescoço, de 2002. Com A Mulher do Fim do Mundo, Elza consolidou o seu processo de renovação, onde ela ampliou o seu experimentalismo. O álbum foi aclamado pela crítica e ainda fez Elza conquistar um público jovem e engajado, e isso aos 80 anos. A Mulher do Fim do Mundo é um álbum ácido, forte, e toca o dedo na ferida em assuntos delicados como a violência contra a mulher (“Maria da Vila Matilde”), a decadência social nas grandes cidades brasileiras (“Luz Vermelha”) e a vida barra pesada de um transexual negro na prostituição (“Benedita”). A conquista do Grammy Latino 2016 na categoria “Melhor Álbum de Música Popular Brasileira” foi o reconhecimento do valor de uma das cantoras mais aguerridas da música brasileira. 


“O Samba Poconé” (Sony Music, 1996), Skank

 



Segundo álbum do Skank, Calango deu grande projeção à banda mineira em todo o Brasil e ajudou a abrir um novo momento para o rock brasileiro nos anos 1990, ao lado do primeiro e autointitulado álbum dos Raimundos e de Da Lama Ao Caos, álbum de estreia de Chico Science & Nação Zumbi, todos eles lançados em 1994. Calango fez um enorme sucesso comercial, vendeu mais de 1 milhão de cópias, conquistando assim o Disco de Diamante, e teve faixas como “Jackie Tequila”, “Esmola”, “Te Ver” e a regravação de “É Proibido Fumar”, antigo sucesso de Roberto Carlos, entre as músicas mais tocadas no Brasil na época. Após o estouro de Calango, o Skank se via desafiado em fazer do próximo álbum algo melhor ou superior.

Gravado no estúdio Mosh, em São Paulo, O Samba Poconé, o terceiro álbum de estúdio do quarteto, contou com a produção de Dudu Marote em parceria com próprio Skank. Insatisfeito com a mixagem de Calango, o Skank decidiu mixar O Samba Poconé  fora do Brasil, no Soundtrack Studios, em Nova York, sob responsabilidade de Michael Fossenkemper. Abanda passou duas semanas em Nova York mixando o novo álbum.

Para o novo álbum o Skank convidou o francês Manu Chao, vocalista da banda francesa Mano Negra, para participação especial em três faixas de O Samba Poconé. O Skank e o Manu Chao já se conheciam desde 1992, quando o francês esteve em Belo Horizonte, cidade natal do quarteto.

Manu Chao: participação especial em três faixas de O Samba Poconé.

O título teve como inspiração a cidade de Poconé, que se localiza no interior do Mato Grosso. Além disso, o conteúdo do disco buscou inspiração nos antigos filmes de comédia produzidos pela companhia cinematográfica Atlântida, estrelados por Zé Trindade, Renta Fronzi, Grande Otelo dentre outros. Os pequenos circos do interior do Brasil também foram outra fonte de inspiração para o álbum.

Todas es referências estão presentes na concepção da arte gráfica de O Samba Poconé. A banda contratou o ilustrador espanhol radicado no Brasil, José Robles, que entre os anos 1950 e 1970, ilustrou vários cartazes e painéis de cinemas de São Paulo. O design gráfico do encarte ficou por conta de Gringo Cardia.

O Samba Poconé chegou às lojas em 5 de julho de 1996, e já 500 mil cópias vendidas antecipadamente. Foi o primeiro álbum da banda mineira a receber um tratamento promocional para lançamento internacional. Em seu terceiro álbum, o Skank deu não só prosseguimento ao que musicalmente foi explorado em Calango, como reggae e o ragga, como também se aproximou da sonoridade do pop praticado nos país de língua hispânica.

Uma das ilustrações do encarte de O Samba Poconé, de autoria do ilustrador espanhol
radicado no Brasil, José Robles.

“É Uma Partida de Futebol” é quem abre o álbum grande estilo. Composta por Nando Reis e Samuel Rosa, é sem sombra de dúvidas, uma das melhoras e mais contagiantes músicas já feitas em língua portuguesa sobre o futebol. A letra descreve com grande emoção e propriedade, uma partida de futebol e a paixão que move tanta gente por esse que é o esporte mais popular do planeta.

A faixa seguinte, “Eu Disse A Ela”, é uma ragga de letra romântica, com uma batida eletrônica que contrasta com trombones. Samuel Rosa canta acompanhado de belos e afinados vocais femininos de apoio. Um dos versos faz referência à Avenida Contorno, em Belo Horizonte, cidade o Skank surgiu: “Ondas Amarelas na Contorno cheia...”.

“Zé Trindade” é uma faixa onde o Skank presta uma animada homenagem ao ator e comediante Zé Trindade (1915-1990). A música é um misto de pop latino, reggae e raggamuffin. Baiano de Salvador, Zé Trindade foi um astro do cinema brasileiro nas décadas de 1940 e 1950 em comédias fazendo papel de homem casado com mulher autoritária, mas que paquerava qualquer tipo de mulher que visse pela frente. Zé Trindade tinha um talento para criar bordões antológicos e mostravam o espírito dos tipos mulherengos que fazia no cinema: “Mulheres, cheguei!”, “Comigo é no jiló!” e “É chato a gente ser gostoso!”. O cantor francês Manu Chao faz participação especial nesta faixa.

O ator e comediante Zé Trindade, homenageado pelo Skank em uma música que leva o seu o nome.

A faixa do álbum que talvez rivalize em popularidade com “É Uma Partida de Futebol” é “Garota Nacional”. Com uma letra que trata sobre um sujeito que não resiste ao poder de sedução de uma garota, a música ganhou na época um videoclipe em que o Skank contou com a participação de belas atrizes e modelos como Carla Marins, Ingra Liberato, Vanessa de Oliveira, Paloma Duarte, Dominique Scudera, Cibele Larrama e Shirley Miranda. O videoclipe conquistou o prêmio do MTV Video Music Brasil, em 1996, na categoria “Escolha da Audiência”.

O ska pop “Tão Seu” traz um romantismo em seus versos e descreve os efeitos irresistíveis que um novo amor exerce sobre uma pessoa: “Eu faço tanta coisa / Pensando no momento de te ver / A minha casa sem você é triste / A espera arde sem me aquecer”. É uma das faixas mais famosas do álbum”.

Após um tema romântico, uma música com uma temática social, “Sem Terra”, faixa que inspirada no Movimento dos Sem Terra e a sua luta pela reforma agrária no Brasil. Manu Chao participa nos vocais nesta faixa. 

O título pode parecer se tratar de uma música sobre políticas, mas na verdade “Os Exilados” é um reggae romântico e que fala sobre a força que o amor, capaz de ultrapassar barriras e distâncias:  “Com você eu vou mais longe / Que os cristos, que as crenças / Que o bonde de Valença / Com você eu vou mais longe ê”.

A atriz Carla Marins em cena do videoclipe de "Garota Nacional".

 “Um Dia Qualquer” é talvez a faixa mais “miscigenada” do álbum, uma mistura de referências musicais. A faixa possui uma bateria e uma percussão bem presentes, uma linha de baixo robusta, e os trompetes bastante destacados. 

O Skank volta a fazer dueto com Manu Chao em “Los Pretos”, música com letra em espanhol que trata de racismo, mas que ao mesmo tempo, parece lançar uma luz no fim do túnel, um fio de esperança: “Toda esperanza a los pretos / Toda esperanza a nosotros / Los pretos de Manhattan, los pretos de los guetos / Los pretos de ojos en los astros”. (“Toda esperança para os pretos / Toda esperança para nós / Os pretos de Manhattan, os pretos dos guetos / Os negros dos olhos nas estrelas”).

Segue-se o reggae pop de “Sul da América”, e o álbum se encerra com “Poconé” e seu ritmo acelerado e animado que lembra uma mistura de ska e baião.

O Samba Poconé superou todas as expectativas, foi aclamado pelo público e pela crítica. As faixas “É uma Partida de Futebol”, “Garota Nacional”, “Tão Seu” foi bastante executada em rádio e contribuíram para que o álbum vendesse mais de 1,8 milhão de cópias, tornando-se o mais vendido da discografia do Skank.

Skank nos anos 1990. 

Além da turnê nacional, o Skank internacional que incluiu Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e Suíça. Na Espanha, “Garota Nacional” foi 1º lugar na parada radiofônica.

O rastro do sucesso do Skank atraiu outros olhares. Um poeta baiano chegou a processa a banda mineira por supostamente ter plagiado algumas de suas letras, mas acabou não dando em nada. Algumas gravadoras, com a intenção de ganhar mais dinheiro, lançaram bandas que eram meras cópias do som Skank, dentre elas, uma tal de Sr. Banana, de Curitiba.

Isso de alguma forma acabou influenciando o quarteto mineiro a iniciar um processo de reorientação musical, buscando não ficar preso numa “fórmula” e partir para uma outra sonoridade. A partir dos dois álbuns seguintes, Siderado (1998), e Maquinarama (2000), o Skank iniciou o seu caminho rumo a um som com texturas psicodélicas e com algumas referências de Britpop, cujo processo se consolidou no elogiado álbum Cosmotron (2003), quando a banda em nada mais lembrava aquela da fase O Samba Poconé.

Faixas
  1. "É Uma Partida de Futebol" (Nando Reis - Samuel Rosa)
  2. "Eu Disse a Ela"                 
  3. "Zé Trindade"                   
  4. "Garota Nacional"                          
  5. "Os Exilados"                    
  6. "Los Pretos"        
  7. "Tão Seu"             
  8. "Sem Terra" (Chico Amaral)
  9. "Um Dia Qualquer"          
  10. "Sul da América"               
  11. "Poconé" (Chico Amaral)


Todas as canções são de autoria de Samuel Rosa e Chico Amaral, exceto as indicadas.

Skank: Samuel Rosa (guitarra e voz), Henrique Portugal (teclado e vocal), Lelo Zaneti (baixo e vocal) e Haroldo Ferretti (bateria).


Ouça na íntegra o álbum O Samba Poconé



"É Uma Partida de Futebol"
 (videoclipe original)

SUPER PROGRESSIVO

 

Par Lindh Project – Time Mirror (2011)


Par Lindh Project é uma banda que surgiu com aquela importante onda neoprogressiva sueca dos anos 90. Par Lindh (líder) é um pianista incrível muito influenciado por Keith Emerson e os vocais estão a cargo de Magdalena HAGBERG embora ela não esteja mais presente aqui ela e a voz então é de Al Lewis.



Raros videos de ELP !






O primeiro clipe pertence a "Creole Dance" extraído do vídeo gravado pelo sohw no teatro Gran Rex em Buenos Aires, Argentina, em 9 de agosto de 1997. Uma música extraordinária que mostra porque Keith Emerson é um dos melhores ou o melhor tecladista de rock
   O segundo mostra a era Emerson, Lake e Powell no Fox Theatre em Detroit em 17 de outubro de 1986. É outro clássico incrível... TARKUS!


Trace - Birds



Trace é uma banda holandesa liderada por Rick VAN DER LINDEN que é um dos tecladistas essenciais do Rock Progressivo não só pela sua qualidade mas também pelo seu estilo clássico único, aqui misturado com um pouco de ritmo de Jazz à la Emerson, Lake e Palmer. Jaap VAN EIK (guitarra, baixo, voz) influenciado por Jan Akkerman (dos Focus) também se destaca.
O Trace lançou 3 álbuns entre 1974 e 1976, sendo os dois primeiros os que mais gosto.Seu último trabalho, White Ladies, é muito harmonioso na minha opinião.


Livro: Slash – Slash com Anthony Bozza [2008]

 

“Este livro não é um desabafo… É apenas a história como a conheci”. A história de um garoto britânico chamado Saul Hudson que, ainda quase bebê, se mudou para os Estados Unidos e acabou se tornando Slash, um dos maiores guitarristas do mundo da música. Desde o encontro (e fulminante paixão) de seus pais até o lançamento do disco Libertad (2007), do Velvet Revolver, está tudo lá: o sexo, as drogas e o rock and roll aparecem em doses enormes com uma sinceridade e uma falta de pudores tal que parece que estamos sentados em um bar com o músico, ouvindo-o contar suas histórias entre os muitos drinques e cigarros…

O garotinho Saul Hudson

Claro que sua trajetória com o Guns And Roses ocupa a maior parte das quase 450 páginas desta autobiografia. Afinal, foi nesta banda que Slash encontrou fama e fortuna e também onde quase encontrou a morte por mais de uma vez. A história da banda, desde sua forma embrionária até sua chegada ao topo do mundo. Sua queda até o fundo do poço traz detalhes desconhecidos até para o fã mais “die hard”. Se o sucesso do grupo parece ter pegado Slash de surpresa, sua separação é retratada com uma grande riqueza de detalhes.

Depois de lermos o seu relato dos fatos, a triste constatação é que, se o Guns se despedaçou e deixou de ser uma das maiores bandas do mundo, a culpa é exclusivamente de Axl Rose que foi afastando seus comparsas (músicos, empresários, managers e pessoal de staff) até acabar ficando com este arremedo de banda que arrasta de um lado a outro do planeta.Nota-se muita mágoa de Slash ao falar de Axl. O que não ocorre quando ele relata a demissão de Steven Adler por abuso de drogas ou a saída de Izzy Stradlin da banda, segundo sua visão, por não aguentar mais os chiliques do temperamental vocalista. Fica claro o quanto ele tentou se manter no Guns o máximo de tempo possível, apesar dos estrelismos e “condições” impostas por Axl aos músicos da banda. Até que chegou um ponto em que tudo isto se tornou insustentável, até mesmo para ele!

Slash sobre o palco, com sua famosa cartola

Depois de lermos o livro, é impossível não se perguntar como um sujeito que raramente tinha sequer onde morar, que nunca teve um emprego “regular” por um longo período, que fugiu do colégio antes de completar o segundo grau, que roubava o que podia das mais diversas lojas (inclusive sua famosa cartola), que abusou (e muito) das drogas e que parece ter transado com metade da população de Los Angeles chegou a se tornar um ícone tão grande. A resposta, se sua música e talento já não bastassem, está nas páginas do livro: sua dedicação, empenho, convicção e amor pelo ato de tocar guitarra são superiores a todo o tipo de adversidade pela qual ele tenha passado. E, pode ter certeza, não foram poucas.

O guitarrista e sua mãe, que viria a falecer em 2009

Slash é leitura obrigatória para qualquer fã de Guns And Roses ou do guitarrista. Mas também é altamente indicado a todos aqueles que têm curiosidade de saber um pouco de como é a vida “fora do palco” no mundo da música. Um livro muito interessante e gostoso de ler. Como diz a capa: “parece exagerado. Mas não significa que não aconteceu”.

Discografias Comentadas: Megadeth – Parte II

 


Cryptic Writings [1997]
Se em Countdown To Extinction e Youthanasia o Megadeth havia amansado seu som, deixando de lado a agressvidade e a complexidade dos discos anteriores e investindo em músicas mais simples, com estruturas mais próximas do heavy metal e do hard rock, em Cryptic Writings a banda se mostrava mais uma vez em transição, mas desta vez abandonando muito do que a caracterizava como uma banda de metal em diversas faixas. Enquanto músicas como “Vortex” e “FFF” seguiam o estilo que a banda vinha adotando, outras como “Almost Honest”, “Use The Man”, “I’ll Get Even” e A Secret Place, apesar de interessantes, tinham pouca distorção, refrões de fácil assimilação e riffs que em nada lembravam o estilo de compor de Dave Mustaine, mais suaves e adequados às rádios do que aos mosh pits. Ainda assim, o disco continha duas músicas que se tornariam clássicos do grupo, a melódica Trust, que seguia a linha dos dois discos anteriores, e a estupenda She-Wolf, que soava totalmente deslocada no álbum, alternando bases cavalgadas e solos dobrados no melhor estilo Iron Maiden. Em resumo, Cryptic Writings era um disco extremamente irregular, mas que ainda trazia boas composições e mostrava uma banda cada vez mais distante de suas raízes. Vale ressaltar que este foi ainda o último disco com a mais celebrada formação da carreira da banda, com Dave Mustaine, Dave Ellefson, Marty Friedman e Nick Menza, visto que o último saiu do grupo após a turnê de divulgação do álbum.

Risk [1999]
Como o título sugere, Risk, lançado em 1999, foi uma aposta de Dave Mustaine e cia. Abandonando por completo o thrash/heavy metal, o disco apresentava composições totalmente calcadas no hard rock, mas com toques de música eletrônica, pop e até soul. E ainda que algumas faixas se salvassem graças ao talento de Mustaine e de Marty Friedman, foi extremamente dificil para os fãs assimilarem uma mudança tão radical na sonoridade da banda, mesmo com os indícios apresentados em Cryptic Writings. O disco foi muito mal recebido, mas havia motivos de sobra para tal rejeição: a música de trabalho, Crush’em, tinha guitarras pesadas sobre uma base praticamente disco music; “Breadline” parecia uma sobra de um dos discos que o Def Leppard lançou nos anos 90; e outras músicas chegam a soar como o Bon Jovi ou o U2 da época, ainda que as guitarras em geral fossem um pouco mais pesadas. Dentre os poucos bons momentos, é possível destacar a faixa de abertura, “Insomnia”, com a sua pegada industrial, “Prince Of Darkness” e “The Doctor Is Calling”, mas mesmo estas eram muito inferiores ao que a banda havia feito até então.

The World Needs A Hero [2001]
Com o fracasso de Risk e a subsequente saida de Marty Friedman da banda, Dave Mustaine decidiu gravar um disco que retomasse a veia heavy metal do Megadeth, e para isso recrutou o talentosíssimo guitarrista Al Pitrelli, que já havia passado pelo Savatage, pelo Widowmaker de Dee Snider e pela banda de Alice Cooper. Com ele, David Elefson no baixo e Jimmy DeGrasso na bateria, a banda lançou The World Needs A Hero em 2001. E ainda que a qualidade do material estivesse longe da apresentada no auge da carreira do grupo, o álbum conseguia ao menos resgatar o peso e o estilo clássico do Megadeth em alguns momentos. A abertura com “Disconect” é um dos destaques do disco, com um riff cadenciado e forte, na linha do álbum Countdown To Extinction. Outras que lembravam essa fase do grupo eram a excelente “Burning Bridges” e Dread And The Fugitive Mind, que tinha um ótimo refrão. Já o primeiro single do disco, “Moto Psycho”, tem uma pegada mais hard rock, lembrando a fase Youthanasia, assim como a balada “Promisses”. Havia ainda uma continuação para a clássica “Hangar 18”, de Rust In Peace, intutalada “Return To The Hangar”, que reaproveitava diversas passagens da letra, melodia e riffs da original; e a longa “When”, que é praticamente uma nova versão para “Am I Evil”, do Diamond Head, coverizada pelo Metallica desde a época que Mustaine integrava a banda. Após a turnê do disco, Dave Mustaine sofreu uma lesão em um nervo do braço que o deixou impossibilitado de tocar guitarra, e a banda acabou se separando por tempo indeterminado.

The System Has Failed [2004]
Recuperado da lesão no braço, Dave Mustaine começou a compor para um futuro disco solo, e convidou alguns músicos de estúdio para as gravações, incluindo o ex-guitarrista do Megadeth, Chris Poland, e o virtuoso baterista Vinnie Colaiuta. Contudo, ao longo das gravações, decidiu-se que o material seria lançado como um disco do Megadeth, e que uma nova formação seria reunida para promovê-lo. E aos primeiros acordes de Kick The Chair percebia-se que esta foi a decisão mais acertada, visto que o material era puro Megadeth e muito mais inspirado que os últimos discos da banda. Rápida, pesada e agressiva, a banda não tinha gravado nada tão furioso quanto esta música desde Rust In Peace, de 1990. A faixa de abertura, “Blackmail The Universe” também seguia esta linha, enquanto a segunda, “Die Dead Enough”, lembrava “Angry Again”, com um ótimo refrão. Ao longo do álbum é possível encontrar referências a todos os discos da carreira da banda, e ainda que a segunda metade do álbum não seja tão empolgante quanto a primeira, o nivel é elevado em todo o disco. Ainda assim, é impossível não destacar as músicas já citadas, além de “Tears In A Vial” e da sensacional “Back In The Day”, que narra o início da cena thrash metal nos Estados Unidos e tem uma pegada NWOBHM irresistível. No geral, The System Has Failed foi um retorno em grande estilo do Megadeth, apagando a má impressão que alguns de seus últimos discos haviam deixado no ar.

United Abominations [2007]
Estabilizado com Glen Drover nas guitarras, Shawn Drover na bateria e James Lomenzo no baixo, além do lider Dave Mustaine, o Megadeth manteve a fórmula do disco anterior em United Abominations, lançado em 2007. Misturando músicas mais agressivas a outras mais melódicas, o grupo adotou um estilo que ficava no meio termo entre o thrash de Rust In Peace e o heavy metal de Countdown To Extinction. A faixa de aberura, “Sleepwalker”, tendia para para o lado mais rápido, técnico e intrincado, enquanto a música de trabalho, “Washington Is Next!” era mais melódica e marcante, com uma influência latente da NWOBHM, além de ter um refrão excelente. Outros destaques eram as ótimas “Never Walk Alone… A Call To Arms”, dona de um riff típico de Dave Mustaine; e a faixa de encerramento, “Burnt Ice”, repleta de solos de Mustaine e Glen Drover. Há ainda uma nova versão de “A Tout Le Monde”, de Youthanasia, com Cristina Scabbia, vocalista do Lacuna Coil, como convidada. AInda que a versão original seja melhor, a nova, intitulada “A Tout Le Monde (Set Me Free)”, não faz feio. Em resumo, United Abominations consolidou a recuperação do Megadeth após a lesão de Mustaine e a reformulação da banda, mantendo o nome da mesma em alta.

Endgame [2009]
Apontado por diversas revistas como o melhor lançamento de 2009, Endgame mostrava o Megadeth voltando a investir no thrash metal técnico e vigoroso dos tempos de Peace Sells… But Who’s Buying e Rust In Peace. Contando com um novo guitarrista, o virtuosíssimo Chris Broderick, Dave Mustaine voltou a compor músicas mais rápidas, complexas e agressivas, e o resultado foi excelente. Da abertura, com a instrumental “Dialectic Chaos”, repleta de solos de Mustaine e Broderick, ao encerramento com “The Right To Go Insane”, tudo que os fãs esperavam do Megadeth podia ser encontrado no álbum. Os riffs de This Day We Fight são sensacionais, e surpreendiam a quem achava que a banda nunca mais soaria tão pesada e agressiva. “Headcrusher”, a música de trabalho do disco, era outra que não deixava pedra sobre pedra, e remetia diretamente aos tempos de Rust In Peace. Havia também músicas mais cadenciadas e melódicas, como “44 Minutes” e a faixa-título, que também eram excelentes, e até uma semi-balada, “The Hardest Part Of Letting Go… Sealed With A Kiss”, também inspiradíssima. Endgame figura facilmente entre os melhores trabalhos da banda de Dave Mustaine, e mostrava que apesar de todas as polêmicas que o guitarrista/vocalista parecia fazer questão de entrar, o mesmo continuava muito afiado na hora de compor.

Th1rt3en [2011]
Dando continuidade ao bom momento que a banda vivia, vinda de um álbum elogiado pela crítica e público, o retorno do baixista David Elefson e a turnê com os chamados Big Four, Dave Mustaine e cia decidiram que a hora de lançar um novo álbum havia chegado. Entretanto, como o tempo para compor novo material foi curto, a saída foi utilizar faixas compostas em sessões de gravações de outros discos e ainda não aproveitadas oficialmente pela banda para complementar o track list do disco. Contudo, quem esperava um disco irregular e inferior aos últimos lançamentos da banda se decepcionou, uma vez que Th1rt3en mantinha o nível elevado dos últimos discos. Entretanto, se em Endgame a banda explorou sua faceta mais pesada e agressiva, no novo álbum o lado mais melódico e marcante ficou mais evidente, até porque algumas das faixas foram compostas para discos como Countdown To Extinction e Youthanasia. Os principais destaques do disco são a faixa de abertura, “Sudden Death”, que havia sido lançada no videogame Guitar Hero 6; o single “Public Enemy Number 1”, que tinha um riff sensacional ; e as melódicas “New World Order” e Black Swan, ambas com trabalhos de guitarras impressionantes de Mustaine e Broderick e ótimos refrões.

Destaque

THE CONTENTS ARE - Live Davenport, Iowa [US RAREST 1968 Hard Blues Acid Rock]

  AQUI TEMOS UMA GRAVAÇÃO AO VIVO NO "THE EAGLES LODGE DANCELAND, EM DAVENPORT, IOWA, EM 1968!! É UMA GRAVAÇÃO INÉDITA RETIRADA DAS MAS...