Neste post, continuarei a série de playlists com o melhor do rock separadamente por anos. E nesse em específico, abordarei o ano de 1976. Nele, foram lançados vários álbuns clássicos, como os primeiros do Ramones e do Heart, o Hotel California do Eagles, o épico 2112 do Rush, o Rocks do Aerosmith, entre outros. Veja abaixo, a playlist com algumas das melhores músicas desse período e alguns álbuns de destaque.
Músicas contidas na playlist:
Queen - Tie Your Mother Down Aerosmith - Back In The Saddle Aerosmith - Combination Rainbow - Starstruck Rainbow - Stargazer KISS - Detroit Rock City KISS - Shout It Out Loud Heart - Magic Man Heart - Crazy On You Led Zeppelin - Achilles Last Stand Led Zeppelin - Nobody's Fault But Mine AC/DC - Dirty Deeds Done Dirt Cheap AC/DC - Jailbreak Peter Framptom - Do You Feel (Like We Do) Peter Framptom - Baby I Love Your Way Kansas - Carry On Wayward Son Eagles - Hotel California Eagles - Life on the Fast Lane Thin Lizzy - Jailbreak Thin Lizzy - The Boys Are Back In Town Rush - 2112 Rush - A Passage To Bangkok Lynyrd Skynyrd - Cry For the Bad Man Alice Cooper - I Never Cry Bad Company - Run With the Pack The Runaways - Cherry Bomb Ramones - Blitzkrieg Bop Ramones - Beat on the Brat Black Sabbath - Rock 'n ' Roll Doctor Black Sabbath - It's Allright Judas Priest - Victim of Changes Judas Priest - The Ripper Blue Öyster Cult - (Don't Fear) The Reaper Wild Cherry - Play That Funky Music Elton John & Kiki Dee - Dont Go Breaking My Heart Tom Petty And The Heartbreakers - Breakdown Tom Petty And The Heartbreakers - American Girl Doobie Brothers - Takin' It To the Streets Chicago - If You Leave Me Now Wings - Silly Love Songs Wings - Let 'Em In Rod Stewart - Tonight's the Night (Gonna Be Alright) Boston - Rock 'n' Roll Band Jethro Tull - Too Old to Rock 'n' Roll: Too Young to Die Styx - Crystal Ball Scorpions - Pictured Life UFO - Highway Lady Genesis - Entangled Elton John - Sorry Seems to be the Hardest Word Blondie - In the Flesh Tommy Bolin - Gypsy Soul Electric Light Orchestra - Livin' Thing Electric Light Orchestra - Telephone Line Allman Brothers Band - In Memory of Elizabeth Reed Aerosmith - Sick As A Dog Aerosmith - Last Child Rush - Something For Nothing Queen - Somebody To Love Heart - Soul of the Sea Heart - Sing Child Rainbow - Tarot Woman KISS - Do You Love Me KISS - Beth KISS - Calling Dr Love KISS - Hard Luck Woman KISS - God of Thunder Led Zeppelin - For Your Life Led Zeppelin - Royal Orleans Peter Framptom - Show Me The Way Ramones - Havana Affair Ramones - I Wanna Be Your Boyfriend
Ainda que o Machine Head se apegue em uma fórmula em seu novo álbum, ela é extremamente eficaz e foi desenvolvida pela própria banda. E essa característica é comum aos grandes nomes da música, diga-se de passagem: criar uma sonoridade original e conquistar o público através de suas próprias ideias. É o que ouvimos em Of Kingdom and Crown.
Décimo álbum do grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Robb Flynn, o álbum marca um novo começo para o Machine Head. Sucessor do subestimado Catharsis (2018), que muitos não assimilaram bem devido às sempre presentes experimentações conduzidas por Flynn, o novo disco marca a estreia do guitarrista Waclaw “Vogg” Kieltyka (chefão do Decapitated, um dos nomes mais tradicionais do death metal polonês) e do baterista Matt Alston (ex-Sanctorum) – no entanto, a bateria foi gravada por Navene Koperweis, fenomenal instrumentista com passagem pelo Animals As Leaders e The Faceless. Vogg e Matt entraram nos lugares de Phil Demmel, que retornou ao Vio-lence, e de Dave McClain, que voltou ao Sacred Reich. Estas mudanças, somadas à saída do baixista Adam Duce em 2013 – substituído por Jared MacEachern, grande parceiro de Robb no período atual da banda -, encerraram uma das épocas mais criativas do Machine Head, responsável por gravar ao menos dois trabalhos já clássicos, os fenomenais The Blackening (2007) e Unto the Locust (2011).
Of Kingdom and Crown traz treze faixas em seu tracklist normal, e mais duas músicas bônus que foram incluídas também na edição brasileira, lançada pela Shinigami Records em um belíssimo digipack de três faces e encarte de vinte páginas com todas as letras. São 70 minutos no total, com a produção assinada por Flynn ao lado de Zack Ohren, que já havia trabalhado com a banda em Catharsis.
A carreira do Machine Head pode ser dividida em duas fases. A primeira, nos anos 1990 e início da década de 2000, deu ao mundo álbuns seminais como a estreia Burn My Eyes (1994) e The More Things Change ... (1997), e também levou a banda a se aproximar do então em voga nu metal em discos controversos como The Burning Red (1999) e Supercharger (2001). Houve então uma reformulação em Through the Ashes of Empires (2003) com uma sonoridade que ganhou elementos mais melódicos e até mesmo progressivos lado a lado com o groove, o thrash e a agressividade sempre presentes. Foi essa mudança que gerou a aclamada segunda fase da banda, iniciada em Through the Ashes of Empires e que teve também The Blackening, Unto the Locust e Bloodstone & Diamonds (2014). É essa sonoridade que o quarteto retoma no novo disco.
Os mais de dez minutos de “Slaughter the Martyr” entregam uma abertura na mesma escola de “Clenching the Fists of Dissent” e “I Am Hell (Sonata in C#)”, primeiras músicas de The Blackening e Unto the Locust, respectivamente. É o metal climático e extremamente emocional do Machine Head em sua melhor forma, com vocais belíssimos e um arranjo que equilibra peso, melodia e doses enormes de sentimento. “Choke on the Ashes of Your Hate” traz velocidade e agressividade para a mistura, é uma das melhores do álbum e agradará em cheio os fãs da faceta mais thrash do quarteto. As guitarras de “Become the Firestorm” chamam a atenção de imediato, enquanto a violência conduzida pela bateria martelada sem dó leva a um refrão que é puro Machine Head, com vocais limpos contrapostos com a voz gutural de Flynn.
O uso de coros climáticos, uma das grandes marcas do Machine Head dos anos 2000, é retomado em “My Hands Are Empty”, composição escrita por Flynn e MacEachern com Logan Mader, guitarrista dos dois primeiros álbuns da banda. A alternância entre agressividade e trechos mais calmos é o ponto forte da música. A seguinte, “Unhallowed”, traz a dupla escrevendo com Vogg, e curiosamente segue uma receita similar. As duas funcionam como uma espécie de respiro, entregando doses enormes de melodia e peso.
A virada de página se dá com “Kill Thy Enemies”, com excelentes guitarras e andamento mais cadenciado, e que dá início à metade final do álbum. Grande música, com solos repletos de melodia de Flynn e Vogg. A melodia também dá o tom em “No Gods, No Masters”, com Jared encorpando os vocais de Robb em uma solução que funciona muito bem e é usada de forma precisa pela banda. A parte central, com doses cavalares de groove, é pra colocar um sorriso em todo fã.
“Bloodshot” talvez seja a mais agressiva do disco, e traz elementos do Decapitated para o universo do Machine Head. Junto com “Rotten”, que vai na mesma linha, conduzem o ouvido para o encerramento, que se dá com a climática “Arrows in Words from the Sky”, em que Flynn mais uma vez se debruça sobre a fórmula de fazer metal do Machine Head. Grande fechamento!
Temos ainda as músicas bônus. A primeira, “Exterroception”, é uma canção instrumental onde o Machine Head dá uma aula prática de como fazer groove metal, e que fica ainda mais efetiva com a ausência de vocais. A segunda é a versão acústica para “Arrows in Words from the Sky”.
Of Kingdom and Crown é excelente. Uma retomada das grandes e enormes qualidades do Machine Head do século XXI, período em que a banda gravou aqueles que, para muitos, são os seus melhores discos – me inclua nessa lista, por favor! É preciso entender que Robb Flynn sempre foi um músico inquieto e que gosta de experimentar novas abordagens. Foi essa mentalidade que levou a banda ao topo do universo do metal, ainda que com alguns escorregões pelo caminho. A chegada de novos integrantes reativou o seu melhor, e o resultado é um dos grandes álbuns de 2022.
O Vanilla Ninja surgiu na Estônia em 2002 e encerrou suas atividades em 2008, período em que gravou quatro álbuns. Após um longo hiato, retornou em 2020 com nova formação e novo disco. Encore foi lançado em 2021 e é o primeiro trabalho da banda em quinze anos, desde Love is War (2006). O CD foi lançado no Brasil pela Hellion Records em uma bela edição digipack de três faces, com direito a pôster e encarte de dezesseis páginas com fotos e todas as letras.
O álbum vem com doze novas canções gravadas por Lenna Kuurmaa (vocal e guitarra), Piret Järvis (guitarra), Katrin Siska (teclado) e Triinu Kivilaan (baixo). Musicalmente, apesar de associada à cena hard e metal, o que ouvimos é um pop rock com guitarras e canções bastante acessíveis, e que não soariam estranhas em um disco de grandes nomes do pop como Demi Lovato e Miley Cyrus, por exemplo. A música de abertura, “Gotta Get It Right”, deixa isso bem claro. O som é um pop rock na melhor definição do termo, sempre trazendo bons refrãos.
A banda explora também outros estilos como o country de “No Regrets” e acerta em baladas bem feitas como a grudenta “Faith”. O nível sobe em “Waterfalls”, com excelentes vocais de Lenna, coros e arranjos orquestrados. A música título traz teclados que remetem ao eurodisco, enquanto em “Incredible” ouvimos boas harmonias vocais sobre uma base predominantemente acústica. Há uma grande quantidade de baladas, como sempre, intercaladas com faixas mais energéticas e rockeiras.
Encore é um bom álbum de pop rock, com canções bastante acessíveis e muito bem produzido. E, ainda que não entregue um tipo de música que converse com o meu universo sonoro, é muito bem feito. Há, entre uma parcela do público, notadamente o de rock e metal, a visão de que a música pop é descartável e não é “verdadeira”. Isso é bastante discutível, já que é possível encontrar autenticidade em todos os gêneros musicais, assim como bandas e artistas pré-fabricados pipocam em todos os estilos, inclusive nos “intocados” rock e heavy metal. Independente dessa discussão, se você curte o Vanilla Ninja, tem aqui um álbum consistente para celebrar o retorno da banda.
Acantilados biografia ACANTILADOS é um novo grupo de pós-rock de Quilmes formado por Nicolas AIMONE e os irmãos Pablo e Lucas LEAL; eles lançaram seu primeiro álbum em 2014
Devo admitir que após a saída de Neal Morse, fiquei preocupado com os rumos que a banda tomaria – embora soubesse que ainda existia muito talento ali presente. Então que, com o lançamento de Feel Euphoria, a banda de pouquíssimos erros parecia dar a sua primeira derrapagem que seria realmente sentida pelos fãs mais exigentes, algo que se repetiria ainda em seus dois próximos discos (Octane de 2005 e Spock’s Beard de 2006), onde, embora ainda haja qualidade, passa longe do brilho de outrora. Eu na época, já andava meio desanimado com qualquer lançamento do grupo, tinha em mente que a Spock’s Beard estava fadada a se tornar uma banda de passado glorioso, porém, de presente de lançamentos mornos após o outro. Até que, ao ler algumas críticas de X, percebi que a eles pareciam finalmente ter lançado algo novamente algo digno de um dos nomes mais representativos da era moderna do rock progressivo.
X é um disco de musicalidade muito robusta e eclética, principalmente devido ao uso de bastante teclados sinfônicos combinados com outros elementos que vão desde a união de sons mais leves e estereotipados vindos do neo-progressivo até estruturas mais complexas e composições longas que carrega o espírito 70’s do gênero. A música encontrada aqui é bastante ampla, passando por temas obscuros, harmonias calmas, ataques de guitarra, teclados e riffs superinteressantes, além de uma cozinha sempre bastante sólida e variável. Algumas influências que podem ser percebidas são Genesis, Gentle Giant, Yes, um pouco de Pink Floyd e até mesmo Focus.
“Edge Of The In-Between" já entrega um excelente começo de álbum. Sintetizadores que lideram a direção de uma música que logo em seus primeiros segundos se mostra muito melódica. Tudo soa tão familiar, mas ao mesmo tempo cheio de frescor e vibrações positivas. Alan Morse e Ryo Okumoto já parecem querer deixar algo claro, não pretendem fazer solos de guitarra e teclado de forma aleatória no meio das músicas, eles querem que façam sentido e mesclem bem com partes das músicas de maneira agradável. “Kamikaze”, com pouco mais de 4 minutos, é a faixa mais curta do disco. Um número instrumental bastante divertido. Apesar de todos tocarem muito bem na peça, certamente se trata de uma vitrine para Okumoto que despeja criatividade em algumas linhas até mesmo alucinantes nas teclas.
“The Emperor's Clothes” inicia por meio de um belo violão antes que a banda toda entre junta em uma sonoridade sinfônica - com direito a até mesmo o uso de trompa. Os coros do excelente refrão lembram um pouco o Gentle Gianti, porém, feito de uma maneira mais melódica. A peça também entrega um ótimo solo de bateria seguido perfeitamente de um solo de piano, criando um dos melhores interlúdios de todo o disco. “From The Darkness”, passando dos 16 minutos, é o primeiro épico do disco. A banda mostra um enorme domínio técnico e que faz com que tudo flua muito bem do começo ao fim. É uma peça bastante melódica e rítmica que possui excelentes solos e uma instrumentação ótima, além de vocais muito bons. A interação sólida com que guitarra, baixo, teclado e bateria trabalham lembra o Yes – embora, obviamente, soando mais pesado.
“The Quiet House“, começa por meio de uma batida seca e um baixo poderoso. Há uma boa variação de riffs pesados e sons mais limpos de guitarra. Assim como as faixas anteriores, possui mudança de andamento e estilo e uma ótima instrumentação, além de uma ambientação que causa uma sensação bastante agradável e até um pouco “assustadora” em alguns pontos. “The Man Behind The Curtain” começa dando a sensação de que estaremos diante da peça mais pesada do disco, mas não demora para que ocorra uma transição e a música salte para dentro de uma atmosfera muito mais leve. Possui vocais agradáveis e ótimas passagens instrumentais, além de um refrão do tipo que gruda facilmente na cabeça.
“Jaws Of Heaven” é o outro épico do disco, também passando dos 16 minutos, é a peça que encerra X. Não é apenas a melhor música do disco, mas a considero certamente uma das 5 melhores composições de todo o catálogo da banda. Uma mistura perfeita entre o rock progressivo sinfônico e uma sonoridade mais pesada. Um dos grandes trunfos da música é que mesmo quando ela parece vagar de uma forma em que achamos que poderá haver até mesmo uma perda no senso de direção, sempre tudo volta para os trilhos brilhantemente, eles sabem exatamente o que estão fazendo. Possui no geral uma vibração bastante sombria. Perto dos 9:20 a música silencia e vai permanecendo assim, seguindo com uma sonoridade serena que vai ganhando cada vez mais robustez até o momento em que a peça explode em uma sonoridade sinfônica incrível e que repete o tema do início. Alan Morse ainda entrega um solo de guitarra cheio de sentimento que funciona como a cereja do bolo em toda pompa instrumental criada pela banda. Um final de disco arrepiante.
X é indiscutivelmente um dos melhores álbuns lançados pela banda. Possui melodias impressionantes, composições deslumbrantes e uma produção cristalina. Um típico disco de rock progressivo sinfônico moderno com muitos elementos da era de ouro do gênero.
Maior figura feminina do rock brasileiro em todos os tempos . Rita Lee deixou os Mutantes em 1972, e a partir de então, trilhou a sua bem sucedida carreira solo e ajudou a abrir espaço para as mulheres no rock brasileiro. Confira abaixo, 10 discos essenciais da carreira de Rita Lee pós-Mutantes.
Hoje É O Primeiro Dia Do Resto De Sua Vida (Polydor, 1972), Rita Lee. Assim como em seu primeiro álbum solo, Build Up, de 1970, em seu segundo álbum, Hoje É O Primeiro Dia Do Resto De Sua Vida, Rita Lee contou com os Mutantes como banda de estúdio. Nota-se uma forte influência dos Mutantes, refletindo a transição pela qual passava a banda, estando ainda entre o rock irreverente e o virtuosismo do rock progressivo, para o qual se direcionavam. Nesse aspecto, Hoje É O Primeiro Dia Do Resto De Sua Vida, lançado em 1972, guarda um parentesco com Mutantes e Seus Cometas No País Dos Baurets, álbum lançado pelos Mutantes naquele mesmo ano. Depois disso, as coisas desandaram para Rita: ainda membro dos Mutantes, a cantora divergiu das orientações musicais da banda, e decidiu cair fora.
Atrás Do Porto Tem Uma Cidade (Philips, 1974), Rita Lee & Tutti Frutti. Terceiro álbum solo de Rita Lee, Atrás Do Porto Tem Uma Cidade é o primeiro trabalho da cantora com a banda Tutti Frutti. O álbum já dá mostras da orientação musical que Rita tomaria, voltada para um som influenciado pelos Rolling Stones e pelo hard rock, e esteticamente centrado no glam rock. Ainda assim, há resquícios de psicodelia e rock progressivo. Destaques para as faixas “De Pés No Chão”, “Yo No Creo Pero...”, “Mamãe Natureza”, e para o hit do álbum “Menino Bonito”.
Fruto Proibido (Som Livre, 1975), Rita Lee & Tutti Frutti. Sem sombra de dúvidas, o melhor álbum da carreira de Rita Lee. Segundo álbum que ela gravou acompanhada da banda Tutti Frutti, Fruto Proibido é uma combinação infalível de hard rock, rock’n’roll, blues e folk music. Recheado de hits como “Agora Só Falta Você”, “Esse Tal De Roque Enrow” e “Luz Del Fuego”, Fruto Proibido alçou Rita Lee a grande estrela feminina do rock brasileiro. “Ovelha Negra” virou um “hino”, e o solo de guitarra de Luís Carlini no final da música, é de uma sensibilidade assombrosa.
Entradas E Bandeiras(Som Livre, 1976), Rita Lee & Tutti Frutti. Apesar de não ser tão arrebatador como Fruto Proibido, Entradas E Bandeiras vendeu bem e manteve a chama do som de Rita Lee acesa através de faixas como “Corista De Rock”, “Coisas Da Vida”, “Superstafa”. O álbum traz uma faixa da dupla Raul Seixas e Paulo Coelho, “Bruxa Amarela”. Foi nessa época que Roberto de Carvalho, seu futuro marido, entrou para a sua banda. Grávida do seu primeiro filho, Rita é presa por porte de maconha.
Refestança(Som Livre, 1977), Rita Lee & Tutti Frutti e Gilberto Gil. Após cumprir um ano de prisão domiciliar por porte de maconha, Rita Lee seguiu com a Tutti-Frutti numa turnê festiva com Gilberto Gil chamada Refestança, que percorreu as principais cidades brasileiras. A turnê resultou no álbum gravado ao vivo Refestança. O álbum traz sucessos da carreira de Gil (“Domingo No Parque”, “Back In Bahia”, “Eu Só Quero um Xodó”) e da carreira de Rita (“Ovelha Negra”, “Arrombou A Festa”) e covers como “É Proibido Fumar” (Roberto Carlos), “Odara” (Caetano Veloso) e uma versão em português de “Get Back”, dos Beatles que virou “De Leve”, mais tarde regravada por Lulu Santos.
Babilônia(Som Livre, 1978), Rita Lee & Tutti Frutti. Babilônia foi último álbum de Rita Lee com o Tutti Frutti. Apesar do sucesso que desfrutavam, a relação da cantora com a banda estava insustentável, principalmente após a entrada do guitarrista Roberto de Carvalho, que se tornaria marido de Rita e o pivô da crise. Se a relação entre Rita e a banda estava ruindo, o sucesso comercial de Babilônia era razoável, puxado pelos hits “Miss Brasil 2000”, “Agora É Moda” e “Jardins Da Babilônia”. Luis Carlini, guitarrista e dono da marca Tutti Frutti, saiu da banda e levou consigo o nome. Rita montou outra banda para acompanhá-la na turnê do álbum com o nome Cães & Gatos.
Rita Lee (Som Livre, 1979), Rita Lee. O álbum Rita Lee marca uma nova fase da ex-vocalista dos Mutantes. A partir deste álbum, ela inicia a parceria com o marido Roberto de Carvalho, redireciona sua música para uma sonoridade mais pop e “palatável” para as grandes massas, o que a torna uma das cantoras campeãs em vendas de discos no Brasil. “Mania De Você” se torna um enorme sucesso nacional, assim como “Doce Vampiro”, “Chega Mais” e “Arrombou A Festa II”. O álbum foi um dos mais vendidos do ano de 1979.
Rita Lee (Som Livre, 1980), Rita Lee. O álbum de 1980 segue a mesma fórmula bem sucedida do álbum anterior: baladas, pop rock e um flerte com a disco music. Recheado de hits como “Lança Perfume”, “Baila Comigo”, “Caso Sério”, “Nem Lixo, Nem Luxo” e “Bem-Me-Quer”, o álbum vendeu mais de 700 mil cópias e chegou a ser lançado na Europa e nos Estados Unidos. Se por um lado, os antigos fãs torciam o nariz para nova fase de Rita, por outro ela conquistava uma legião de novos fãs através de shows cada vez mais elaborados e concorridos.
Saúde (Som Livre, 1981), Rita Lee. Os dois álbuns anteriores elevaram Rita Lee à condição de fenômeno pop de primeira grandeza, com direito altos índices de vendas de discos, turnês nacionais com arenas lotadas e até um programa especial na TV Globo só para ela. Rita Lee era a “galinha dos ovos de ouro” da gravadora Som Livre, a tal ponto da empresa construir um estúdio especialmente para a estrela do rock gravar o álbum Saúde. A faixa-título, “Banho de Espuma”, “Atlântida” e “Mutante” foram os hits do álbum.
Acústico MTV (Universal Music, 1998), Rita Lee. Tendência entre os 1990 e primeira metade dos anos 2000, a série “Acústico MTV”, da MTV Brasil, fez uma releitura por meio de versões acústicas dos sucessos da carreira dos mais diversos artistas da música brasileira, através de lançamentos simultâneos em CD e DVD. Rita Lee não ficou de fora da série, e em 1998, foi lançado Acústico MTV – Rita Lee. A cantora contou com convidados em participações especiais como Titãs (em “Papai Me Empresta O Carro”), Cássia Eller (em “Luz Del Fuego”), Paula Toller (em “Desculpe O Auê”), Milton Nascimento (em “Mania De Você”) e Armando Macedo (bandolim em “Ovelha Negra”).
Na virada da década de 1980 para a década de 1990, a capital de Pernambuco, Recife, vivia um grande marasmo cultural. Nada de novo e instigante acontecia. A cidade ainda vivia na ressaca da sonoridade tropical de Alceu Valença, Geraldo Azevedo dentre outros artistas pernambucanos. Mas era uma geração que havia despontado nos anos 1970.
Foi em cima desse marasmo, dessa paralisia cultural, carente de novidades transformadoras que um grupo formado por jovens músicos, artistas plásticos e intelectuais, decidiu mudar aquela situação. Tendo à frente Chico Science, Fred Zero Quatro (líder da banda Mundo Livre S/A), Renato Lins (mais conhecido como Renato L), esse grupo de artistas criou o movimento denominado Manguebit. O nome era a conjunção de mangue - referente aos manguezais tão presentes na geografia do Recife, rico em biodiversidade - com o bit, de computador, representando a tecnologia, a eletrônica, o futuro. Esteticamente, o movimento propunha a conexão entre as tradições populares pernambucanas com a contemporaneidade, com as vanguardas. Com o tempo, o nome do movimento passou a ser grafado como “Manguebeat”, com o “beat” (ritmo, em inglês).
Recife: berço do movimento manguebeat nos anos 1990.
Tendo a música como principal veículo de expressão, o manguebeat propunha uma fusão musical que envolvia os ritmos musicais tradicionais pernambucanos como maracatu, coco e ciranda, com expressões musicais de cultura de massa como o rock, rap, funk e o pop eletrônico. A cidade do Recife com os seus manguezais e sua desigualdade social, era o cenário principal nas letras das músicas dos cantores e bandas do movimento como Mundo Livre S/A e Chico Science & Nação Zumbi, que começava a ganhar força e agitar a cena musical da capital pernambucana naquele começo dos anos 1990.
A banda Chico Science & Nação Zumbi, nasceu da junção de músicos da banda de rock Loustal e do bloco afro Lamento Negro, em 1991. Chico agregava à mistura musical da sua nova banda, a sua experiência com cultura hip-hop, quando fazia parte do grupo Orla Orbe, no final dos anos 1980. Em pouco tempo, a banda era um dos principais nomes daquele novo movimento.
Chico Science (de pé de braços cruzados à esquerda) e Fred Zero Quatro: líderes respectivamente da Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre/SA, bandas disseminadoras do manguebeat.
Em julho de 1992, foi divulgado nos meios de comunicação o release Caranguejos com Cérebro, escrito por Fred Zero Quatro e que acabou se tornando o manifesto do Manguebeat, o movimento, e consequentemente, todos os artistas envolvidos ganharam visibilidade da grande mídia. A efervescência musical no Recife chama a atenção da imprensa musical do resto do Brasil, que a princípio, teve dificuldade de entender aquele novo caldeirão sonoro tão poderoso e moderno que não se via desde o Tropicalismo. Em de dezembro de 1993, a edição da revista Bizz daquele mês trouxe uma entrevista com a banda Chico Science & Nação Zumbi. No mês seguinte, a banda é uma das atrações da primeira edição do Festival Abril Pro Rock no Recife, evento que nasce com a explosão do movimento Manguebeat, colocando a capital pernambucana no mapa da música pop contemporânea brasileira.
Recife logo ficou pequena para Chico Science & Nação Zumbi. Em julho de 1993, a banda é capa do Caderno 2 do “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro. Na mesma época, Chico e seus companheiros fazem uma pequena turnê por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, abrindo assim caminho para outras bandas pernambucanas. A banda assina contrato com o selo Chaos, uma subsidiária da Sony Music, e entre meados de 1993 e janeiro de 1994, e entra no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, para gravar o seu primeiro álbum, sob a produção de Liminha.
Chico Science & Nação Zumbi e o produtor Liminha durante as gravações de Da Lama Ao Caos.
O álbum de estreia de Chico Science & Nação Zumbi já estava praticamente pronto no início de 1994, mas por causa da caxumba contraída pelo guitarrista Lúcio Maia, o músico não pode gravar as guitarras, o lançamento do álbum foi adiado. Finalmente, após o músico ter gravado as bases e solos de guitarra, o intitulado álbum Da Lama Ao Caos foi lançado em abril de 1994.
A faixa que abre o álbum é “Monólogo Ao Pé Do Ouvido”, cujos primeiros versos são uma tradução do movimento manguebeat: “Modernizar o passado é uma evolução musical...”. Sob uma base percussiva, Chico Science saúda Zapata, Zumbi, Antônio Conselheiro, Augusto Sandino e Panteras Negras, cada um fazendo as suas revoluções, defendendo a seus modos as suas causas, assim como Chico Science e os “mangueboys” promoveram uma revolução na música pop brasileira nos anos 1990.
Emendada na primeira faixa, “Banditismo Por Uma Questão De Classe” é uma embolada cheia de percussão e guitarras ferozes na qual Chico Science versa sobre o banditismo social. O crescimento voraz de uma metrópole como Recife em confronto com a riqueza natural dos seus mangues é o tema da faixa seguinte, “Rios, Pontes E Overdrives”. “A Cidade” é uma embolada pop que retrata a realidade as mazelas sociais do Recife. Em “A Praieira”, Chico Science & Nação Zumbi conectam na tomada a ciranda, um ritmo popular e tradicional da cultura pernambucana, acrescentando baixo e guitarras. A música ficou célebre pelos versos “Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor”.
Contraste social no Recife: tema abordado pela canção "A Cidade".
“Samba Makossa” é um cruzamento do samba brasileiro com a makossa, ritmo típico da República dos Camarões. A fusão promovida pela banda pernambucana é acrescida de uma guitarra melódica executada com competência por Lúcio Maia. Luta pela sobrevivência contra a fome num cenário de miséria numa metrópole como Recife, é o tema central de “Da Lama Ao Caos”, faixa que dá nome ao álbum, enquanto que a violência orbita os versos de “Maracatu Certeiro”, um maracatu cheio de guitarras distorcidas e raivosas.
Na curta e instrumental “Salustiano Song”, Chico Science & Nação Zumbi prestam homenagem ao cantor e rabequeiro Mestre Salustiano, uma das figuras mais importantes da cultura popular de Pernambuco. Lúcio Maia faz solos na sua guitarra que simulam uma rabeca. Com uma envolvente base funk, “Antene-se” aborda a dura realidade social do Recife, mas aponta que a mudança dessa realidade estaria no mangue: “Recife, cidade do mangue / Onde a lama é a insurreição / Onde estão os homens caranguejos”. Os tais “homens caranguejos” seriam os seres pensantes, com a capacidade de promover a transformação dessa realidade, provavelmente os próprios membros do movimento mangue beat (os “mangueboys” e as manguegirls”) e a sua busca pela revolução cultural na capital pernambucana.
Chico Science: líder da Nacção Zumbi e um dos articuladores do movimento manguebeat.
“Risoflora” traz um pouco de romantismo ao álbum, mas sem sair do “habitat natural” do álbum, os mangues e os rios do Recife: “Em meus braços te levarei como uma flor / Pra minha maloca na beira do rio, meu amor”. “Lixo Mangue” é mais uma faixa curta e instrumental de Da Lama ao Caos e que traz riffs poderosos e pesados de guitarra de Lúcio Maia sobre uma base percussiva que lembra o frevo. Na visionária “Computadores Fazem Arte”, Chico Science já discutia o avanço do emprego da tecnologia na produção artística, algo que se tornaria ao longo do tempo cada vez mais intenso. Fechando o álbum, outra faixa instrumental, “Coco Dub (Afrociberdelia)”, onde mais uma vez a guitarra de Lúcio Maia se destaca, em meio à percussão e loops.
Da Lama Ao Caos causou um certo estranhamento para o grande público e até mesmo para parte da crítica. Mas aos poucos, o álbum foi sendo assimilado e conquistando a confiança do público. Algumas faixas do álbum começaram a tocar nas emissoras de rádio e TV. “A Cidade” teve o seu vídeo clipe bastante veiculado na MTV Brasil. A música foi incluída da trilha sonora da segunda versão da novela Irmãos Coragem, da Rede Globo, em 1994. No mesmo ano, outra faixa do álbum fez parte de trilha sonora de novela, “A Praieira”, desta vez da novela Tropicaliente, também da Rede Globo. Isso ajudou a dar mais visibilidade a Chico Science & Nação Zumbi.
Com pouco mais de 100 mil cópias vendidas, a fama de Da Lama Ao Caos ultrapassou as fronteiras brasileiras. O álbum foi matéria jornalística da imprensa internacional, como a edição norte-americana da revista Rolling Stone. Logo surgiram convites para apresentações no exterior e uma primeira turnê internacional por cinco países. Em julho de 1995, Chico Science & Nação Zumbi se apresentaram com Gilberto Gil no Central Park Summer Festival, em Nova York, Estados Unidos. A banda deu uma esticada e tocou no lendário CBGB’s, templo do punk nova-iorquino. No mesmo ano, os pernambucanos se apresentaram no Festival de Montreaux, na Suíça. Ainda sob o efeito do prestígio de Da Lama Ao Caos,tocaram em janeiro de 1996, na oitava e última edição do Festival Hollywood Rock.
Chico ainda lançaria com a Nação Zumbi o segundo álbum da banda, o também elogiado Afrociberdelia, em maio de 1996. Mas lamentavelmente, em 2 de fevereiro de 1997, o líder da Nação Zumbi faleceu precocemente num acidente de carro numa estrada entre o Recife e Olinda. Tinha apenas 30 anos de idade. Apesar de ter perdido a vida ainda tão jovem, Chico Science deixou um legado riquíssimo para a música pop brasileira. Mesmo com sua morte, a banda Nação Zumbi seguiu em frente levando o legado de Chico Science. Da Lama Ao Caos frequenta as listas e enquetes de maiores álbuns da música brasileira de todos os tempos.
Faixas
"Monólogo Ao Pé do Ouvido"
"Banditismo Por Uma Questão de Classe
"Rios, Pontes & Overdrives" (Chico Science e Fred Zero Quatro)
"A Cidade"
"A Praieira"
"Samba Makossa"
"Da Lama Ao Caos"
"Maracatu De Tiro Certeiro" (Chico Science e Jorge du Peixe)
"Salustiano Song" (instrumental) (Chico Science e Lúcio Maia)
"Antene-se"
"Risoflora"
"Lixo Do Mangue" (instrumental) (Lúcio Maia)
"Computadores Fazem Arte" (Fred Zero Quatro)
"Coco Dub (Afrociberdelia)"
Todas as canções foram escritas por Chico Science, exceto as indicadas.
Chico Science & Nação Zumbi: Chico Science (voz, samplers em “Lixo Do Mangue”), Lúcio Maia (guitarras) Alexandre Dengue (baixo), Canhoto (caixa), Gilmar Bolla 8 (alfaia), Gira (alfaia), Jorge du Peixe (alfaia e tonel em "A Cidade") e Toca Ogam (percussão e efeitos).