quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Lynyrd Skynyrd - Parte I

 



Um dos principais grupos do Southern Rock terá sua longa e complexa história contada por mim aqui no Baú. O Lynyrd Skynyrd foi um desses fenômenos com poucos equivalentes na história da música. Em menos de meia década, foram de completos desconhecidos a mega astros mundiais, tendo uma infeliz ascensão a ícones após o fatídico acidente de avião em 20 de Outubro de 1977 que vitimou quase todos os integrantes do grupo, encerrando as atividades do Lynyrd Skynyrd em seu auge.

 O texto foi dividido em duas partes. Nessa primeira, abordo os álbuns gravados pela banda na década de 70, período no qual o hepteto divulgou o estilo como poucos, conquistando fãs por todo o mundo (Estados Unidos principalmente) e que teve uma tragédia inexplicável encerrando as suas atividades no ano de 1977.


The One Percent em 1969: Ronnie Van Zant, Bob Burns, Gary Rossington (em pé);
 Larry Junstrom e Allen Collins (abaixo)

O grupo foi formado em Jacksoville (Flórida) no verão de 1964, através de Ronnie Van Zant (vocais), Bob Burns (bateria) e Gary Rossington (guitarras), com o nome de The Noble Five. Eles se conheceram em uma partida de beisebol, sendo Bob e Gary pertencentes ao grupo You, Me and Him, tendo como baixista Larry Junstrom. Mudam de nome para The Noble Five, e em seguida, em 1965, mudam para My Backward, ambas as formações já com Larry Junstrom (baixo) e Allen Collins (guitarras). O repertório era composto por versões de clássicos do British Rock, como Beatles, Stones e Yardbirds. Mudaram de nome por diversas vezes, até finalmente adotar The One Percent. 


O raro primeiro compacto da banda
Esse nome durou alguns meses, e enquanto ensaiavam, Burns e Rossington foram suspensos da Rober E. Lee High School, por terem cabelos longos. O professor que os suspendeu era de Educação Física, chamado Leonard Skinner. Como uma "homenagem" ao professor, resolvem adotar o nome que os consagrou, Lynyrd Skynyrd, 

Largam os estudos e começam a ensaiar de oito a doze horas por dia, em uma pequena cabana ao sul de Jacksonville. Nessa época, uma das principais atuações dos rapazes foi abrir para os The Allman Joys, dos irmãos Duane e Gregg Allman, os quais recomendaram o grupo a se esforçarem e criar suas próprias canções. Em 1968, o grupo compõe suas primeiras canções, "Need All My Friends" e "Michelle", registradas em um raro compacto pela gravadora Shade Tree. 



A The One Percent em 170: Allan Collins, Gary Rossington, Ronnie Van Zant, 

Bob Burns e Larry Junstrom



Em junho de 1970, durante o casamento de Collins, surge a primeira interpretação de "Free Bird", ainda sem os longos solos em homenagem a Duane Allman. Ainda em 1970, saem em turnê abrindo para o Strawberry Alarm Clock. Insatisfeito com a carreira musical, Burns decide voltar aos estudos, sendo substituído por Rickey Medlocke. Outro a sair - ser demitido, de fato, foi Junstrom. Sua baixa técnica não agradava aos colegas, e ele foi substituído por Greg Walker, além da entrada de Billy Powell (piano). Essa formação não durou muito. Walker e Medlocke decidiram regressar para a cidade de Blackfoot, e então, Burns retorna para as baquetas. No baixo, Leon Wilkeson é o novo músico. Este durou até o fim de 1972, sendo então substituído por Ed King, guitarrista de origem.

Depois de muitas gravações de demos, e tentativas frustradas em diversos selos, eis que o sol nasce para os garotos. Eles chamam a atenção do produtor Al Kooper, durante uma apresentação em Atlanta. Em março de 1973, com a ajuda de Kooper, assinam com a MCA Records, e assim, começam a gravar o álbum de estreia. Há diversos músicos de estúdio nessa gravação, como Robert Nix (bateria), Steve Katz (harmônica), Bobbi Hall (percussão) e o própio Kooper (baixo, mellotron, mandolin e órgão), creditado como Roosevelt Gook. Após o término das gravações, em abril do mesmo ano, Leon Wilkeson regressa como baixista, com Ed King tornando-se o terceiro guitarrista. 


Um dos pilares do Southern

(Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd) é lançado em setembro de 1973. O álbum de estreia do Lynyrd Skynyrd é um dos quatro pilares de sustentação do chamado Southern Rock, ao lado de Idlewild South (The Allman Brothers Band), Poco (Poco) e Tres Hombres (ZZ Top). Através da suas oito faixas, estão a essência de um período distinto dentro do rock 'n' roll. O riff sacolejante e os assovios em "I Ain't The One" introduzem umas das vozes mais marcantes do rock 'n' roll. O poder de "Poison Whiskey" é tão alucinante quanto a de um uísque batizado, em uma das canções mais esquecidas no repertório do Skynyrd. 

Ronnie Van Zant fazia estardalhaços com simplicidade, como podemos comprovar nas baladaças "Tuesday's Gone" e "Simple Man", mostrando para os anos 80 como fazer uma mulher se derreter sem forçar com palavras melosas. Temos a participação de Al Kooper tocando mandolin na engraçada "Mississippi Kid", que assim como "Gimme Three Steps" e "Things Goin' On", apresenta as influências country que se tornariam uma constante em todos os álbuns do grupo posteriormente, destacando a harmônica de Steve Katz na primeira, o slide de Rossington na segunda e o piano de Powell na terceira. 

Hepteto mágico: Allen Collins, Billy Powell, Bob Burns, Leon Wilkeson,
Ed King, Ronnie Van Zant e Gary Rossington
O álbum encerra com a épica "Free Bird", composta em homenagem a Duane Allman e digna de um dos solos de guitarra mais famosos (e complicados) que já se gravou, no qual Allen Collins simplesmente faz chover utilizando uma sobreposição de três guitarras (que eram reproduzidas fielmente nos shows ao vivo, com Rossington e King complementando o trio). 

O compacto de "Don't Ask Me No Questions"
Não é em vão que (Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd) conquistou platina dupla, vendendo até hoje mais de dois milhões de cópias (apenas nos Estados Unidos) e frequentemente encontrado na lista de melhores de todos os tempos. A participação de Wilkeson ficou relegada apenas para "Mississippi Kid" e "Tuesday's Gone", e na foto que hoje consiste na capa do álbum. 

O single "Gimme Three Steps" fracassou nas paradas, mas o disco chegou na posição 27 da Billboard, levando o pessoal do Lynyrd a abrir para o The Who durante a turnê americana de QuadropheniaEm janeiro de 1974, começam a gravação do segundo disco. Pouco antes do lançamento, sai o single "Don't Ask Me No Questions", outro fracasso comercial. 


O segundo álbum do Lynyrd, tão fundamental quanto seu antecessor

Em abril daquele ano, Second Helping chega às lojas. Se o primeiro álbum é essencial, a sequência é tão fundamental quanto. Um dos melhores trabalhos do Southern Rock, é nele que está o maior hit do grupo, "Sweet Home Alabama", trazendo vocalizações femininas (Clydie King, Sherlie Matthews e Merry Clayton) eternizada posteriormente nos jogos de beisebol e futebol americando ocorridos naquele estado. Mais uma platina dupla para a coleção do hepteto. É uma resposta às críticas de Neil Young, que criticou o passado racista do sul Norte-Americano em "Southern Man". Foi o segundo single de Second Helping​alcançando a oitava posição na Billboard, a melhor da carreira do grupo.

Outro grande clássico é "Workin' for M. C. A.", afinal, quem nunca cantou a melodia feita pela introdução da guitarra, junto com Van Zant, que levante a mão. Al Kooper novamente participa, agora tocando piano na agitada "Don't Ask Me No Questions", a qual conta com um trio de metais composto por Bobby Keys, Trewor Lawrence e Steve Madiao, e "The Ballad of Curtis Loew", uma linda balada country. Outra balada, porém extremamente caprichada, é "I Need You", com Mike Porter na bateria, e capaz de cortar os pulsos apenas com a voz de Van Zant. 

Billy Powell, Allen Collins, Leon Wilkeson, Bob Burns,
Ronnie Van Zant e Ed King (sentados); Gary Rossington (em pé)

Já "Swamp Music" é um boogie tipicamente Skynyrd, com um ritmo sacolejante. O maior destaque fica por conta de "The Needle and the Spoon", com um show a parte de Allen Collins no wah-wah, e mais um riff poderoro. Os metais também estão presentes em outro boogie, "Call Me the Breeze", que encerra um álbum exemplar de como é possível fazer uma sequência perfeita para um álbum perfeito. Alcançou a posição 12 da Billboard, recebendo platina dupla nos Estados Unidos. 

O single de "Free Bird"
Veio o single de "Free Bird", que chegou a posição 19 da Billboard, levando-os para uma turnê europeia em dezembro de 1974, abrindo para Queen, Humble Pie e Golden Earring. Encerrada a turnê, Bob Burns é substituído por Artimus Pyle. Com a pressão da MCA, devido ao sucesso de Second Helping, logo em janeiro de 1975 começam os registros do terceiro álbum. O grupo usa "Saturday Night Special", composta para o filme The Longest Yard (Robert Aldrich) como música central, lançando-a em single que alcançou a posição 27 da Billboard. 


A estreia de Artimus Pyle no Lynyrd

Em apenas um mês, concluem as gravações de Nuthin' Fancy, o primeiro ao chegar no Top 10 da Billboard, chegando na nona posição, e também o primeiro a entrar nas paradas britânicas, atingindo a posição 43. Com a participação especial de Barry Harwood (dobro, mandolin), David Foster (piano) e Bobbie Hall (percussão), além de Jimmy Hall tocando harmônica no country arrastado de "Made in the Shade" e na agitada "Railroad Song", que imita o som de uma locomotiva no andamento de Pyle, é mais uma bela sequência para os dois antecessores, apesar de eu achar o mais fraco dos três. 

A pegada característica do grupo aparece no boogie "I'm a Country Boy", na citada "Saturday Night Special", com um riff extremamente grudento, e em "On the Hunt", disparada a melhor canção do LP. "Am I Losin" resgata os momentos country, e é interessante como o órgão surge com força no blues "Cheatin' Woman". O álbum encerra com mais um clássico, "Whiskey Rock-a-Roller", que assim como "Sweet Home Alabama", virou obrigatória nos shows do grupo. 


Uma das últimas fotos com King (segundo da direita para a esquerda), e uma
das primeiras com Artimus (terceiro da direita para a esquerda)

Durante a turnê de promoção do álbum, que durou três meses, duas importantes mudanças ocorrem. Primeiro, King pede demissão, deixando o grupo como um sexteto. Em compensação, o conjunto vocal feminino The Honkettes (formado por Leslie Hawkins, Cassie Gaines e Jojo Billingsey) passa a prestar sua voz às canções do grupo, dando uma boa renovada a partir do quarto LP.


O único disco como sexteto

Com um novo produtor, Tom Dowd, o qual havia trabalhado com Cream e The Allman Brothers Band, em fevereiro de 1976 é lançado o quarto álbum, Gimme Back My BulletsÚnico disco do Lynyrd Skynyrd gravado como sexteto (apesar de uma longa sessão de audição para guitarristas, que inclusive contou com o renomado Leslie West como reprovado), esse álbum era para ser originalmente chamado de Ain't No Dowd About It

A faixa-título possui uma levada típica do Skynyrd, mas com um peso que dificilmente encontramos em outras canções do grupo. A pancadaria acalma com “Roll Gypsy Roll”, levada pelos violões e pela voz rasgada de Ronnie, e “Every Mother’s Son”, uma tímida canção com um andamento leve, e que também fez relativo sucesso assim como a faixa-título. O momento mais calmo fica para a bonita balada acústica “All I Can Do is Write About It”, tendo um violino (não identificado no álbum) e Barry Lee Harwood no mandolin. 


Formação como sexteto: Allen Collins, Leon Wilkeson, Gary Rossington,
Artimus Pyle, Ronnie Van Zant e Billy Powell

Lee Freeman apresenta sua harmônica no boogiezão “The Same Old Blues”, representante clássico do Southern Rock, com destaque para Rossington, que também faz misérias com o slide durante toda “Searching”. Ainda temos “Trust” e “Double Trouble”, sendo a última com uma maravilhosa participação das Honkettes, que também dão uma ótima contribuição para “Cry for the Bad Man”, detentora de mais um grande solo de Rossington. Apesar de ter sido o álbum com pior desempenho nos charts britânicos durante a década de 70, ele está muito acima de seu antecessor, batendo de frente com dois primeiros.

Do álbum saíram os singles "Double Trouble" e "Gimme Back My Bullets", que não emplacaram, assim como disco, que recebeu apenas ouro. Pouco depois do lançamento de Gimme Back My Bullets, o irmão mais novo de Cassie Gaines, Steve Gaines, foi adicionado como terceiro guitarrista. 


O ótimo álbum ao vivo


Uma extensa turnê pelos Estados Unidos elevou o nome do Lynyrd Skynyd novamente, além de um famoso show no festival de Knebworth em 1976, abrindo para os Rolling Stones e Todd Rudgren. Essa turnê foi registrada no espetacular One More From The Road (1976), um dos melhores discos ao vivo da história, tendo performances impecáveis par "Free Bird", "Tuesday's Gone", "The Needle and the Spoon" e "Workin' for M. C. A.", entre outras. É o álbum mais vendido da carreira da banda, conquistando platina tripla, chegando a nona posição da Billboard e na décima sétima do Reino Unido, levando-os para um grandioso show, diante de 200 mil pessoas no dia 21 de agosto, no Knebworth Park, ao lado de Rolling Stones, 10cc e Hot Tuna.​

Allen Collins e Artimus Pyle (acima);
Leon Wilkeson, Ronnie Van Zant, Gary Rossington, Steve Gaines e Buddy Powell (abaixo)



1977 começou com a Street Survivors Tour, a qual levou o Lynyrd Skynyrd para suas primeiras apresentações no Japão. Em abril, novamente com Tom Dowd, voltam aos estúdios para gravar o quinto álbum. Uma pequna turnê pelos EUA ocorre entre abril e junho do mesmo ano, e em agosto, voltam para concluir as gravações de Street Survivors, lançado no dia 17 de outubro daquele ano.

A capa original do derradeiro Street Survivors

Esse é daqueles discos que marcaram época. Através de seus sulcos, temos a sensação de uma banda alegre por estar vivendo a melhor fase da carreira. Um naipe de metais é utilizado para deixar o clima ainda mais para cima, como ouvimos em “What’s Your Name”. Como sempre, temos momentos mais calmos através da bonita introdução de “I Never Dreamed”, a qual conta com um interessante arranjo acústico, além do boogie tradicional (com leves pitadas de jazz e blues) em “Honky Tonk Night Time Man”, na qual Collins simplesmente detona seus dedos com um solo muito veloz.

“That’s Smell” parece ter saído das gravações do clássico Layla and Other Assorted Love Songs, de Derek and the Dominoes, tamanha a similaridade das guitarras do grupo com a guitarra de Eric Clapton, e claro, além dos solos de guitarra, a participação das The Honkettes torna a canção ainda mais agradável. “One More Time” foi gravada em 1971, tendo na formação Ed King (guitarra), Greg Walker (baixo), Rick Medlocke (bateria), Tim Smith e Leslie Hawkins (ambos nos backing vocals), além de Van Zant, Collins e Rossington.



Imagens do terrível acidente de avião do dia 20 de outubro (acima);
Notícia contando sobre a tragédia com o Lynyrd (abaixo)



O slide come solto em “You Got That Right”, com a participação de Steve nos vocais, e ainda temos dois blues alucinantes: “Ain’t No Good Life”, também cantada por Steve, com momentos sacanas ao piano e momentos pesados na guitarra; “I Know a Little”, capaz de colocar a casa abaixo através da hipnotizante escala de baixo. Quinto lugar nas paradas da Billboard, alcançando ouro dez dias após seu lançamento, e platina dupla nos Estados Unidos pouco tempo depois, com mais de dois milhões de discos, enfim, esse é o grande disco da carreira do Lynyrd Skynyrd. Uma pena que tenha sido o último dessa fase do grupo.

Três dias após o lançamento desse LP, com cinco shows de grande repercussão, vivendo a melhor fase de sua carreira, o grupo embarcou no avião Convair V-300, que acabou ficando sem combustível a poucos quilômetros do aeroporto de Greenville (Carolina do Sul). Apesar da tentativa desesperada do piloto em fazer um pouso de emergência, tentando aterrisar em uma pequena pista de pouso, o avião acabou chocando-se contra árvores de uma floresta em Gillsburg, Mississippi, vitimando Van Zant e os irmãos Steve e Cassie Ganies, além de três pessoas da equipe do grupo (piloto, co-piloto e assistante de turnês). Os demais integrantes da banda, bem como o resto da equipe,de apoio, sofreram ferimentos gravíssimos, escapando por pouco da morte.


A capa sem chamas de Street Survivors

O acidente (e a ótima qualidade) alavancaram as vendas de Street Survivors, e não demorou muito a aparecer com uma nova capa, já que a capa original traz uma imagem dos integrantes da banda cercados por forgo, sendo Gaines o que mais contém chamas à sua volta. A pedido da esposa de Gaines, a nova capa contém apenas uma imagem do grupo com um fundo negro.

Lynyrd Skynyrd & The Honkettes: Leon Wilkeson, Artimus Pyle, Allen Collins, Leslie Hawkins,
Gary Rossington, Ronnie Van Zant, Steve Gaines e Jo Billingsley (em pé);
Billy Powell e Cassie Gaines (sentados)
 

O Lynyrd Skynyrd acabou suas atividades depois da tragédia. Allen Collins e Gary Rossington se reuniram na casa de Van Zant, e concordadam em nunca mais voltar com o Lynyrd Skynyrd. Era o fim de uma das grandes bandas dos anos 70. Mas não por completo, como veremos em alguns dias.



55 anos de “White Light/White Heat”: Outro grande trabalho do The Velvet Underground.

Além do famigerado “disco da banana” o Velvet Underground construiu uma discografia que eu considero perfeita, com trabalhos bastante diferentes e conceituais. Hoje um desses trabalhos está completando 55 anos! Chegou a hora de trocarmos uma ideia sobre o “White Light/White Heat”!

A banda vinha do lançamento do disco “da banana”, um dos maiores discos de estreia de todos os tempos em 1967. Com um impacto imensurável para a história da música e uma originalidade incrível, o Velvet Undergroun abriu as portas e balançou o mercado fonográfico. Em 1968 a banda seguiu a linha de composição com temas pesados, uma sonoridade que incomoda os ouvidos mais sensíveis mas que abraça os fãs de psicodelismo e colocou nas lojas o segundo trabalho, o “White Light/ White Heat”.

Sombrio tanto quanto a estreia, este disco é menos comentado do que o homônimo de estreia mas tem valor equiparado na minha opinião e é um disco que representa bem o que é o Velvet Underground, desde a sua capa até cada faixa dele. Também foi um disco extremamente influente posteriormente, principalmente para o Punk Rock 10 anos depois. E de fato é um grande disco, o último com John Cale. Eu destaco a faixa título de abertura, a maluca ”The Gift”, a serena ”Here She Comes Now” e a lendária ”Sister Ray”. Esqueça canções chicletes por algum momento e desfrute da genialidade do Velvet! Vale demais a atenção nos 55 anos de seu lançamento!

 



45 anos de “Don’t Shoot Me I’m Only the Piano Player”: Mais um fruto do auge de Elton John.

 Falar de Elton John é falar de um dos maiores e mais importantes nomes da história da música pop! E que legal pensar que em 1973 ele estava deslumbrando de um auge incrível como músico e mais uma vez nos entregou um disco fantástico com um título ainda mais legal, o “Don’t Shoot Me I’m Only the Piano Player”! Que  completou 45 anos!

Num retrospecto recente, Elton havia lançado o disco “Honky Chateau” que é um trabalho fantástico, no qual Elton havia entendido o caminho perfeito a se seguir musicalmente na década de 70. E com esse rumo tomado, no ano seguinte, em 1973 ele lançou no iníco do ano, um grande disco, dos melhores da carreira, o “Don’t Shoot Me I’m Only The Piano Player”.

Aqui, as canções teriam um direcionamento mais pop e radiofônico ainda mais intenso mas sem perder toda a magia artística e refinada que Elton desenvolvera anteriormente, todas as músicas se encaixam e me sinto num rumo bem definido durante toda a audição. Gosto bastante de “Daniel”, uma das aberturas mais fantásticas de um disco, clássico absoluto, representando tudo isso que falei. E mais pro lado B, uma composição toma o brilho para si, chamada “Crocodile Rock”, lúdica e perfeita.

De considerações finais, “Don’t Shoot Me I’m Only The Piano Player” é um disco simplesmente mágico, nos leva num imaginário íntimo e carrega uma leveza que nos contagia e alivia. Com certeza é um trabalho muito importante para a carreira de Elton e que carrego com carinho na minha coleção. Fica a homenagem e a recomendação!




CRONICA - ELIAS HULK | Unchained (1970)

 

Mais uma dessas combinações obscuras, vindas sabe-se lá de onde para desaparecer pouco depois no mais completo anonimato.

Elias Hulk aparece no final dos seus sessenta anos em Bournemouth, uma cidade costeira no sul da Inglaterra. Reúne o ex-vocalista do The Roulettes Peter Thorpe, o baixista James Haines, o baterista Bernard James e também os guitarristas Granville Frazer e Neil Tatum.

Em 1970, o quinteto publicou em nome do selo Young Blood o Lp Unchainedpara a capa um tanto misógina e sexista, deve-se admitir. Composto por 8 faixas num total de pouco mais de 31 minutos, musicalmente Elias Hulk oferece um heavy rock psicodélico a meio caminho entre Cream e Black Sabbath, mas menos blues e menos pesado. O disco começa com a peça mais longa "We Can Fly" ultrapassando 6 minutos. Um título pesado onde a voz de Peter Thorpe se mostra nasal e doentia até que as guitarras em belas harmonizações partem em delírios estratosféricos com de bônus um solo de bateria e um baixo inflado com hélio. As outras peças irão variar entre 3 e 4 minutos. "Nightmare" é um hard rock sólido liderado por uma voz furiosa. Elias Hulk acalma as coisas com a balada folk “Been Around Too Long” com uma pausa exótica. "Ontem's Trip" está um pouco abalado, entre blues e jazz que podem evocar Ten Years After. Caleidoscópica, “Anthology Of Dreams” é mais hipnótica e tribal. Voltamos aos sabores exóticos com o passeio “Free” e a sua ponte galopante. Percorremos os caminhos de Katmandu no instrumental "Delhi Blues" e seus ragas drifts. A volta de 33 termina com "Ain't Got You" no gênero de balada hard pop com um ácido wah-wah.

Ouvindo este ensaio, parece óbvio que o grupo não estava destinado a ter sucesso. No ano seguinte Elias Hulk se separa e cada um irá para vários projetos. Em 2008, a banda ressurgiu com uma formação renovada para alguns shows e o lançamento do Ep Unfinished Business . Resumindo, Unchained não tem nada de impressionante, mas escuta bem.

Títulos:
1. We Can Fly
2. Nightmare 
3. Been Around Too Long    
4. Yesterday’s Trip    
5. Anthology Of Dreams      
6. Free
7. Delhi Blues
8. Ain’t Got You

Músicos:
James Haines: Baixo
Bernard James: Bateria
Neil Tatum: Guitarra
Peter Thorpe: Vocal
Granville Frazer: Guitarra

Produção: Miki Dallon


CRONICA - JOURNEY | Freedom (2022)

O fracasso comercial de Eclipse terá dado razão a Jonathan Cain, que saboreou com muita moderação os rumos aventureiros que Neal Schon desejava seguir, em busca de emoções em um certo número de títulos. Como Toto na época de Falling In Between, Journey havia perdido um pouco a bússola, tanto que demorou onze anos para encontrá-la, sem saber ao certo se ainda funcionaria. Melhor subir a fasquia, porque Cain não estava longe de fazer as malas, e se Ross Valory e Steve Smith (reconvocado em 2015 e despedido novamente com o seu parceiro na desgraça em 2020) até Deen Castronovo (de volta depois de ter sido libertado após os seus contratempos com a lei) pode jogar as variáveis ​​de ajuste, sem um dos grandes arquitetos do imenso sucesso do grupo nos anos 80 teria sido uma questão completamente diferente para Neal Schon. Valory é, portanto, mais uma vez descartado, e como em 1986 na época de Raised On Radio, é Randy Jackson quem toma seu lugar. Mais um recruta para este álbum, e de certo peso se acreditarmos em sua onipresença nos créditos, o baterista Narada Michael Walden fez uma passagem rápida desde que saiu do Journey, esclarecendo uma situação um tanto incômoda para Castronovo que, voltou para casa antes Walden saiu, restava apenas meio assento para sentar atrás de seus barris.

Muitas mudanças na equipe, portanto, para o que Jonathan Cain nos apresentou como um retorno ao básico, tomando o monumental Escape como modelolançado em 1981, que foi disco de diamante certificado no ano passado nos Estados Unidos (mais de 10 milhões de cópias vendidas, tudo igual). Um veterano obviamente não se deixará enganar por esse tipo de promessas insustentáveis, mas deve-se reconhecer que ouvir os primeiros títulos dá alguma esperança, em particular "Together We Run" (no qual Pineda esquece Steve Perry por um tempo para evocar às vezes um certo Ted Poley) ou "The Way We Used To Be", que dão um pouco de cor ao AOR contemporâneo. A altiva balada "Still Believe In Love" também não falta charme, com belos e suaves vôos de Neal Schon, e uma voz que ainda se afasta de Perry (o que está acontecendo?). No gênero, "Don't Give Up On Us" não é desagradável,

Tudo isso é bom no geral, mas há um grande problema que surge antes mesmo de você apertar o botão play: o comprimento. O próprio Cain teve algumas reservas quanto a essa escolha de oferecer um álbum quase duplo com 15 faixas, com duração de quase uma hora e quinze. Esse tipo de aposta é como pegar uma estrada de montanha no meio da noite, a toda velocidade em uma estrada com neve, esperando sair ileso; agora só falta uma pancada no nariz para tornar a operação fatal com certeza. Demasiado vidro deve ser procurado do lado da produção, com um fenómeno infelizmente frequente nas produções do nosso tempo: esta mania de potenciar os baixos, e de amalgamar os diferentes instrumentos numa azáfama cansativa, e mesmo no limite do suportável em muitos títulos, como “You Got The Best Of Me”, perfeitamente servida por aproximações sonoras. O álbum foi gravado remotamente, Schon e Walden em San Francisco, Jackson em Los Angeles, Cain nos Estados Unidos e Pineda em casa nas Filipinas. A sensação de confusão geral é explicada por esses métodos de gravação?

O mais incapacitante continua, no entanto, a preencher, consequência da necessidade de satisfazer todos os egos, e entre os títulos um pouco toscos caros a Neal Schon (Come Away With Me, Let It Rain, Holdin' On…), a pomposa e bombástica balada Jonathan Cain (Live To Love Again) e alguns outros títulos AOR ligeiramente fracos, havia muito o que podar para conter este disco dentro de limites razoáveis. A impressão geral acaba por ser muito alterada, e poderia facilmente retomar a conclusão da crítica de Eclipse apostando que este álbum, apesar de certos encantos que ainda nos surpreendem encontrar num grupo de veteranos, não será um marco na discografia do Journey .

Títulos:
01. Together We Run
02. Don’t Give Up On Us
03. Still Believe In Love
04. You Got The Best Of Me
05. Live To Love Again
06. The Way We Used To Be
07. Come Away With Me
08. After Glow
09. Let It Rain
10. Holdin’ On
11. All Day And All Night
12. Don’t Go
13. United We Stand
14. Life Rolls On
15 Beautiful As You Are

Músicos:
Arnel Pineda: vocal
Neal Schon: guitarra, backing vocals, teclados
Jonathan Cain: teclados, backing vocals
Randy Jackson: baixo, backing vocals
Narada Michael Walden: bateria, backing vocals, teclados
__________
Deen Castronovo: vocais (8)
Jason Derlatka: vocais de apoio

Produtores: Neal Schon, Jonathan Cain, Narada Michael Walden

Label: Frontiers (Europa) / BMG (EUA)

Destaque

Bad Company – Bad Co (1974)

Em seu primeiro álbum, o Bad Company — liderado pelo ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, e pelo guitarrista original do Mott, Mick Ralphs — ...