sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

“Dare” (Virgin Records, 1981), The Human League

 


No final dos anos 1970, o Reino Unido viu surgir uma proliferação de bandas munidas de sintetizadores praticando uma música pop eletrônica influenciada por Kraftwerk, pelo produtor Giorgio Moroder, e pelo álbum Low, de David Bowie, lançado em 1977. O avanço tecnológico na época permitiu que os sintetizadores se tornassem mais modernos, mais compactos e mais acessíveis, o que permitiu com que muitos jovens britânicos, sob o lema punk “faça-você-mesmo”, montassem suas próprias bandas, mesmo que com pouco conhecimento musical. Ao lado de artistas e bandas da primeira geração do synthpop britânico como Gary Numan, Ultravox, Soft Cell e Depeche Mode, a banda The Human League foi um dos mais destacados nomes.

Formada em 1977, em Sheffield, na Inglaterra, a banda foi criada por dois operadores de computadores, Martyn Ware e Ian Craig Marsh, ambos apaixonados pelo som do Kraftwerk, glam rock e soul music da gravadora Motown. Decididos a praticar um tipo de música mais voltada para o som eletrônico, a dupla adquiriu sintetizadores e convidaram o amigo Adi Newton para assumir os vocais, e batizaram a banda com o nome The Future.

Porém, um mês depois, Newton deixou a banda e foi substituído por um ex-porteiro de hospital, um jovem de cabelo esquisito (comprido de um lado, curto do outro) chamado Philip “Phil” Oakey. Com a entrada do novo vocalista, a banda foi rebatizada para The Human League. Em 1978, o trio virou um quarteto com a entrada de Philip Adrian Wight (sintetizadores e slides), e já contava com o primeiro single gravado, o “Being Boiled”, lançado pelo selo independente inglês Fast Product Records.

Em 1979, a banda assina contrato com a Virgin Records e lança no mesmo ano o seu primeiro álbum, Reproduction. No ano seguinte sai o segundo álbum, Travelogue. Os dois primeiros álbuns mostram o Human League praticando um tipo de música eletrônica mais experimental, densa, sombria e lenta, cheia de “texturas” sonoras criadas pelos sintetizadores influenciadas pelo álbum Low, de David Bowie. Era uma Human League bem distante da banda pop comercial que o grande público conheceria mais tarde. Apesar de razoavelmente bem avaliados pela crítica, Reproduction e Travelogue tiveram um desempenho comercial ruim.

As baixas vendas dos dois discos e o sucesso do cantor Gary Numan com o hit “Cars”, canção que se tornou um clássico do synthpop, talvez tenham motivado Martyn Ware e Ian Craig, os dois membros fundadores da Human League, a deixarem a banda em 1980.

The Human League em 1979, da esquerda para a direita: Martyn Ware,
Philip Oakey, Ian Craig e Philip Adrian Wright.

Com a saída de Craig e Ware, Phil Oakey ficou numa situação complicada. Agora ele era responsável por uma banda que se encontrava endividada e com agenda de shows a cumprir. Contando apenas com o colega Philip Adrian Wight na banda, Oakey tinha pouco tempo para achar mais gente para compor o restante da banda e cumprir os compromissos. Era uma situação parecida com a que o guitarrista Jimmy Page viveu no final dos anos 1960, quando à época, se viu sozinho com o que restou dos Yardbirds e uma turnê na Escandinávia a cumprir. Teve que convocar às pressas novos músicos para ocupar as vagas deixadas pelos antigos integrantes. Remontada e sob o nome New Yardbirds, a banda de Page cumpriu a turnê na Escandinávia. E a experiência deu tão certo, que a formação se manteve e a banda foi rebatizada novamente com outro nome: Led Zeppelin.

Decidido a dar continuidade ao Human League, Oakey saiu à cata de gente para reformular a banda. Em novembro de 1980, entraram para a banda o baixista e tecladista Ian Burden, e as vocalistas Joanne Catherall e Susanne Sulley. No caso de Joanne e Susanne, as duas ainda eram adolescentes, tinham respectivamente 18 e 17 anos de idade, e eram completamente inexperientes, nunca tinham subido num palco para cantar. Eram tão somente duas estudantes do ensino médio. Oakey as conheceu numa boate em Sheffield dançando graciosamente, e as convidou para integrar a Human League.

Em fevereiro de 1981, saiu o single “Boys and Girls”, o primeiro com a nova formação, mas que ainda guardava um experimentalismo sonoro da antiga formação. O single alcançou o longínquo 47º lugar na parada britânica de singles. Aquele single fez Phil Oakey perceber que era necessário dar um novo rumo para o Human League, um direcionamento musical mais comercial.

Visando ajudar a banda nesse novo direcionamento musical e na gravação do novo álbum, a Virgin Records indicou o produtor Martin Rushent (1948-2011). Embora jovem na época, Rushent era um produtor experiente, que já havia trabalhado com os mais diversos artistas, desde Fleetwood Mac e Emerson, Lake & Palmer a bandas punks como Buzzcoks e The Stranglers. No final da década de 1970, Rushent perdeu interesse em produzir bandas de guitarras, e passou a interessar-se por baterias eletrônicas e sintetizadores. Em 1980, Rushent montou com um sócio, o Genetic Studios, em Streatley, na Inglaterra, equipado com o que havia de melhor em equipamentos de gravação para música eletrônica. E foi nesse estúdio que, entre os meses de março e setembro de 1981, o Human League gravou o seu terceiro e consagrador álbum de estúdio, Dare. Bem no começo das gravações do álbum, mais um músico chegou para integrar a banda, Jo Callis, ex-guitarrista da banda punk escocesa The Rezillos, que ao entrar na Human League, teve que aprender a tocar sintetizador.

Em abril de 1981, a Human League lança o single “The Sound Of The Crowd”, que dá ao público uma pequena amostra do que o público iria encontrar no próximo álbum da banda que estava por vir: uma Human League eletrônica como antes, porém mais pop, mais dançante, mais radiofônica. E a reação por parte do público foi bastante positiva, já que o single figurou em 12º lugar na para de britânica de singles. Mais dois singles foram lançados antes do esperado álbum, “Love Action (I Believe In Love)”, em julho, que alcançou o 3º lugar na parada de singles do Reino Unido, e “Open Your Heart”, em setembro, cujo videoclipe foi o primeiro que a banda gravou na sua carreira.

Finalmente, em outubro de 1981, Dare foi lançado. No mercado americano, o álbum foi distribuído pela A&M Records como Dare!, com um sinal de exclamação inserido. Segundo a A&M, era para diferenciar do lançamento da Virgin Records no Reino Unido.

A capa de Dare foi inspirada na capa da versão britânica da revista Vogue, edição de abril de 1979, que trazia o rosto da modelo americana Gia Carangi (1960-1986). A ideia teria partido de Phil Oakey, e posta em prática por Philip Adrian Wright (além de tecladista, era o diretor visual do Human League) e o designer gráfico Ken Ansell. O rosto que aparece no retângulo no centro da capa de Dare é de Phil Oakey.


Capa da edição de abril de 1979 da edição britânica da revista Vogue (à esquerda),
inspirou capa do álbum Dare, da Human League.

O redirecionamento musical que Phil Oakey queria para o Human League, a banda conseguiu com maestria em Dare. É uma Human League distante da musicalidade dos dois primeiros álbuns. O experimentalismo eletrônico, e o som denso e sombrio dos discos anteriores, cederam lugar para uma música pop comercial, acessível e dançante. A presença dos vocais de Joanne Catherhall e Susanne Sulley, deram um toque especial ao pop eletrônico dançante da Human League, contrastando com a voz grave de Phil Oakey.

Dare começa “The Things That Dreams Are Made Of”, um synthpop que trata sobre aproveitar os prazeres que a vida pode oferecer. Uma sucessão de camadas de sintetizadores e efeitos sonoros povoam toda a base de “Open Your Heart”, que traz o produtor Martin Rushent responsável pela bateria eletrônica não só desta faixa como pela das outras faixas do álbum. Uma linha de baixo e uma bateria eletrônica dão início a “The Sound Of The Crowd”, pop eletrônico dançante com um refrão marcante que conta com grande presença dos vocais de apoio de Joanne e Susanne.

O ritmo do disco se acalma com a balada pop “Darkness”, onde a linha melódica agradável proporcionada pelos sintetizadores contrasta com os versos que falam de uma noite terrível de insônia em que o eu lírico da canção acredita ter visto vultos estranhos em movimento em meio à escuridão do seu quarto. Fechando o lado 1 da versão LP de Dare, a faixa “Do Or Die”, um synthpop que possui uma levada percussiva eletrônica e uma linha de baixo que dá robustez à base instrumental da música.

Abrindo o lado 2 do álbum, a instrumental “Get Carter”, cuja versão original, do pianista britânico Roy Budd (1947-1993), foi tema do filme policial de mesmo nome estrelado pelo ator Michael Caine. Se na versão original há um solo de cravo executado por Budd acompanhado por um piano, a versão da Human League tem tão somente um solitário solo de sintetizador num tom agudo e um tanto quanto aterrador. O ritmo arrastado e monótono de “I Am The Law” faz lembrar a Human League da fase de Revolution e Travelogue. A base instrumental sombria e hostil embala uma letra sobre um policial que faz valer o peso da Lei.

“Seconds” tem uma letra interessante que faz referência, ainda que de maneira indireta, ao assassinato do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, em 1963. Os versos fazem uma descrição do fato de maneira cinematográfica e ao mesmo tempo poética, mesmo sem citar o nome da vítima e do assassino, Lee Harvey Oswald (1939-1963). Na época em que a música foi lançada, houve quem associasse a letra da música ao assassinato de John Lennon, em dezembro de 1980. 

“Love Action” (I Believe In Love)” é um synthpop para as pistas, e traz na letra um tema autobiográfico referente aos possíveis amores vividos por Phil Oakey. Em determinado trecho da música, Oakey canta de um jeito falado que se aproxima do rap.

Encerrando o álbum, o maior sucesso da carreira do Human League, “Don’t You Want Me”. Com um riff marcante de sintetizador na introdução, refrão grudento e fácil de cantar e uma base rítmica irresistível, “Don’t You Want Me” é um exemplo clássico do pop perfeito para cativar as massas. Outro atrativo na música é o dueto de Phil Oakey e Susanne Sulley, que emulam o casal na letra da música. “Don’t You Want Me” foi um sucesso avassalador não só nas paradas radiofônicos como também nas pistas de dança em todo o mundo. 


The Human League em 1981, da esquerda para a direita: Susan Sulley,
Philip Adrian Wright, Joanne Catherall, Philip Oakey, Jo Callis e Ian Burden. 

A crítica recebeu muito bem o álbum Dare, assim como o público. Dare teve um sucesso comercial fantástico. Em dezembro de 1981, dois meses após seu lançamento, Dare já havia conquistado disco de ouro no Reino Unido. O álbum chegaria ao disco de platina tripla no Reino Unido ao bater a marca de 900 mil cópias. Nos Estados Unidos, Dare vendeu mais de 500 mil cópias. Para se ter uma ideia do ótimo desempenho comercial de Dare, a última vez que um álbum lançado pela gravadora Virgin Records havia alcançado o topo das paradas foi Tubular Bells, de Mike Oldfield, em 1973.

Quem também foi um sucesso em vendas foi o single de “Don’t You Want Me”, lançado em novembro de 1981. O single chegou ao 1º lugar nas parada de singles do Reino Unido, e na Billboard Hot 100, nos Estados Unidos. Chegou também ao topo da parada de singles do Canadá, Bélgica, Irlanda e Nova Zelândia.

“Dont You Want Me” foi o single mais vendido no Reino Unido em 1981, chegando ao 1º lugar em vendas no Natal daquele ano. Ao todo, o single de “Dont You Want Me” passou da casa de 1,5 milhão de cópias vendidas no Reino Unido. Nos Estados Unidos, o single de “Dont You Want Me” também teve um excelente desempenho em vendas ao chegar à marca de 1 milhão de cópias vendidas.

Capa do single de "Don't You Want Me", 1° lugar em vendas de singles
no Reino Unido, no Natal de 1981.

Um dado curioso é que todo esse sucesso do single de “Don't You Want Me” poderia não ter acontecido. Phil Oakey se opôs ao lançamento de um single para “Don’t You Want Me” por acha-la uma música “fraca”. Ele era tão descrente do potencial comercial de “Dont You Want Me” que ela foi posta como última faixa do lado B do álbum. Um outro artista ou banda colocaria “Dont You Want Me” como a primeira faixa de Dare. Mas a gravadora insistiu, Oakey foi vencido, e o single de “Dont You Want Me” foi lançado. E felizmente, Oakey estava errado.

Todo o esse sucesso comercial de Dare foi benéfico não apenas para a Human League, mas também para a própria Virgin Records. As vendas de Dare salvaram a Virgin Records da falência. Num espaço de um ano, a Human League foi do status de banda endividada e ao topo da fama no cenário da música pop mundial.

No final de 1981, Dare foi eleito 6º melhor álbum pela revista NME (New Music Express) e “Álbum do Ano” em votação dos leitores da revista Smash Hits. No ano de 1982, na edição do Brit Awards daquele ano, a Human League conquistou o prêmio de “Revelação Britânica” e Martin Rushent o de “Melhor Produtor Britânico”.

Para aproveitar ainda mais o prestígio de Dare, a Virgin Records lançou em meados de 1982 Love and Dancing, um álbum com remixes instrumentais das faixas de Dare. Na capa, a Human League está identificada como League Unlimited Orchestra, uma homenagem à Love Unlimited Orchestra, a orquestra que acompanhava o cantor, compositor e arranjador Barry White (1944-2003). Love and Dancing foi um dos primeiros álbuns de remixes lançados por uma artista ou banda na história da música pop.

Depois disso, a Human League ainda lançou mais alguns singles e o EP Fascination! (1983), e começava o processo de gravação do seu quarto álbum de estúdio, que não foi nada tranquilo. O produtor Martin Rushent desentendeu-se com a banda e acabou deixando a produção do novo álbum. Boa parte do material que havia sido gravado foi abandonado. A banda decidiu começar tudo do zero e convidou os produtores Hugh Padgham (o mesmo que produziu Ghost In The Machine e Synchronicity, do The Police) e Chris Thomas (produtor de Too Low For Zero, de Elton John). Em 1984, Hysteria, o quarto álbum da Human League, foi lançado. Apesar da mudança na produção, não repetiu o impacto de Dare.

Faixas

Lado 1

  1. “The Things That Dreams Are Made Of” (Oakey – Wright)
  2. “Open Your Heart” (Callis – Oakey)
  3. “The Sound of the Crowd” (Burden – Oakey)
  4. “Darkness” (Callis – Wright)
  5. “Do or Die” (Burden – Oakey)

 

Lado2

  1. “Get Carter” (instrumental) (Roy Budd)
  2. “I Am the Law” (Oakey – Wright)
  3. “Seconds” (Callis – Oakey – Wright)
  4. “Love Action (I Believe in Love)” (Burden – Oakey)
  5. “Don’t You Want Me” (Callis – Oakey – Wright)

 

The Human League: Ian Burden (sintetizadores), Jo Callis (sintetizadores), Joanne Catherall (vocais), Philip Oakey (vocais, sintetizadores, design da capa), Susan Ann Sulley (vocais), Philip Adrian Wright (slides, sintetizador ocasional, design da capa)


Ouça na íntegra o álbum Dare


 

“Open Your Heart”

(videoclipe original)


 

“Love Action (I Believe in Love)”

Apresentação da Human League no 

programa de TV Multi-Coloured Swan Shop, 

no canal BBC 1, Reino Unido, em 1981

 

“Don’t You Want Me”

(videoclipe original)

MUSICA AFRICANA

 Cesaria Èvora-Cabo Verde



Cesária Evora 2006 Rogamar



Bonga - Fogo ba Kanijica  1994





DISCOS QUE DEVE OUVIR



MPB 4 / Quarteto em Cy - Cobra de Vidro 1978 (Brazil, MPB)


Artista: MPB 4 / Quarteto em Cy
Origem: Brasil
Álbum: 
Cobra de Vidro
Ano de lançamento: 1978
Gênero: MPB
Duração: 37:08
Formato: MP3 CBR 320 (Vinyl Rip)
Tamanho do arquivo: 88,6 MB (com 3% de recuperação)


Tracks:
01. Nada será como antes (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) - 2:18
02. A estrada e o violeiro (Sidney Miller) - 4:39
03. Guararapes (Dori Caymmi, Paulo César Pinheiro) - 2:59
04. Noites cariocas (Jacob Do Bandolim) - 3:34
05. 5/6/65 (instrumental) (Luiz Cláudio Ramos) - 2:59
06. Não existe pecado ao sul do Equador (Chico Buarque De Hollanda, Ruy Guerra) - 2:08
07. O cio da terra (Milton Nascimento, Chico Buarque De Hollanda) - 2:51
08. Me gustan los estudiantes (Violeta Parra) - 3:45
09. Oriente (Gilberto Gil) - 3:37
10. Because (Lennon-McCartney) - 2:23
11. Amor, amor (Sueli Costa, Cacaso) - 2:06
12. Fuga (Heitor Villa-Lobos) - 3:49

Personnel:
Quarteto em Cy:
- Cyva (Cyva Ribeiro de Sá Leite) - vocals
- Cynara (Cinara de Sá Leite Faria) - vocals
- Cybele (Cybele Ribeiro de Sá Leite Freire) - vocals
- Dorinha Tapajós (Dora Tapajós Gomes) - vocals
MPB 4:
- Magro (Antônio José Waghabi Filho) - vocals, keyboards, arranger
- Miltinho (Milton Lima dos Santos Filho) - vocals, guitar, cavaquinho
- Aquiles (Aquiles Rique Reis) - vocals
- Ruy (Ruy Faria) - vocals
+
- Luiz Cláudio Ramos (dos Santos) - acoustic & electric guitars, arranger, music director
- Bebeto Castilho (Adalberto José de Castilho e Souza) - bass, flute
- Enéas Costa - drums, percussion
- Mário Negrão - drums, percussion, flute
- Sivuca (Severino Dias de Oliveira) - accordion (02)
- Dori Caymmi (Dorival Tostes Caymmi) - acoustic guitar (03)
- Eugen Ranevsky, Jorge Ranevsky, Marcio Mallard, Watson Clis - strings (03)
- Djalma Correa - percussion (09)
- Marcos Maynard, Miguel Barcelar Chaves - producers





Maltese Falcon - Metal Rush 1984 (Denmark, Heavy Metal)




Artista: Maltese Falcon
Local: Dinamarca
Álbum: Metal Rush
Ano de lançamento: 1984
Gênero: Heavy Metal
Duração: 34:59
Formato: MP3 CBR 320
Tamanho do arquivo: 81,7 MB (com 3% de recuperação)


Tracks:
Songs written by Maltese Falcon.
01. Alive - 5:03
02. Rats - 3:37
03. Mammas In Town - 4:05
04. Heavy 'N' Loud - 5:17
05. Rebellion - 3:52
06. Headbanger - 4:52
07. On Fire - 4:58
08. Metal Rush - 3:15

Personnel:
- Søren Peter "Charlie" Jensen - vocals
- Martin Petersen - guitars
- Carsten Schmidt - guitars
- Hasse "Hal" Patino - bass
- Stig Nielsen - drums
+
- Henrik Lund - producer








SOM VIAJANTE (Forgas Band Phenomena "L'axe du fou•Axis of Madness" (2009)

 


Em meados dos anos 2000, a Band Phenomena, liderada por Patrick Forgas, havia se internacionalizado. Em grande parte devido ao contrato com a gravadora líder americana Cuneiform Records. A partir de então, todos os programas dos experimentadores franceses não eram impressos à mão, mas publicados em número adequado de exemplares, com um toque de solidez inerente ao escritório de Maryland. O primeiro lançamento desse tipo foi o disco "Soleil 12" (2005) gravado "ao vivo" em estúdio, equilibrando-se na junção do free jazz com o rock progressivo. Para aumentar o efeito, o Maestro Forgas reforçou o conjunto com três tocadores de sopro e, ao mesmo tempo, contratou o violinista/regente/compositor Frederic Norel ( Bernard Struber Jazztet). O resultado satisfez tanto os próprios intérpretes quanto os ouvintes. Patrick espiritualizado em perseguição compôs várias outras peças, que planejava imortalizar sem demora. No entanto, vinculado a várias obrigações, seus colegas, com exceção do baixista Kenjo Mochizuki , o deixaram. E o mestre teve que organizar sua "banda fenomenal" do zero. A revisão de jovens talentos levou um bom tempo. Quando Monsieur Forgas fez sua escolha, os redutos da nova configuração do conjunto foram: guitarrista Benjamin Violet , tecladista Igor Brover ( Beatles' Secret Songbook ), saxofonista/flautista Sebastien Trognon , trompetista Dimitri Aleksalin , violinistaKarolina Mlodetskaya , a já mencionada baixista do Mochizuki e atrás da bateria, é a iniciadora direta do evento.
Na opinião do autor, o material de "L'axe du fou" se cruza fracamente com o trabalho anterior. Se a base do "Soleil 12" foi formada por faixas criadas por Forgas na juventude, então o disco de 2009 pode ser marcado com segurança com o selo "música do século XXI". O ponto de partida da grandiosa viagem instrumental é a peça "La clef (The Key)". Os compassos de abertura insinuam inequivocamente: temos diante de nós um prog de fusão moderadamente inteligente, complexo, ritmicamente ajustado e melodicamente atraente. E o desenvolvimento posterior da trama confirma a veracidade da primeira impressão. O centro motivador da obra são os prolongados solos de cordas de Mrs. Caroline. Partes de violino impecavelmente encorpadas, nas quais o lirismo anda de mãos dadas com o aventureirismo, nos fazem lembrar as palavras gentis da Fantasmagoria japonesaEm geral, um começo bastante colorido, prometendo uma continuação não menos interessante. O número do título é um tipo diferente de coisa. Um humor sombrio, às vezes agressivo e dissonâncias habilmente executadas, aliadas a uma poderosa comitiva polifônica, permitem-nos falar de proximidade espiritual com a direção do RIO. Embora em busca do "acorde perdido", Forgas e seus companheiros partem não da academia de câmara, mas das costas do jazz. Mas o nobre classicismo não é estranho aos participantes do projeto. O que prova o afresco "Double-sens (Double Entendre)" - uma fusão maravilhosa de delícias filarmônicas, rock ofensivo, cortes de guitarra e perspectiva orquestral-panorâmica. A propósito, no original, esta obra foi concebida como um épico de 35 minutos em várias camadas. Mas Patrick, com mão inabalável, cortou a cronometragem quase três vezes. E, aparentemente, não em vão.
Resumindo: em todos os aspectos, uma excelente fusão progressiva europeia que pode competir com os melhores representantes estrangeiros do gênero. Altamente recomendado.





SOM VIAJANTE (Hiro Yanagida "Milk Time & Hiro Yanagida" (1970/1971)

 


Como você sabe, a formação do rock progressivo japonês ocorreu sob o signo da psicodelia. E há razões para acreditar que este formato musical acabou por ser organicamente próximo da mentalidade dos habitantes da Terra do Sol Nascente. Para valores culturais tradicionais - desde as lendas misteriosas do gênero kaidan, as coloridas máscaras gritantes do teatro kabuki até as imagens líricas mais sutis do haicai com seu eufemismo exaustivo, formaram juntos um pano de fundo ideal, um ambiente confortável para a introdução de protótipos do plano "ácido". Um dos emissários da nova arte foi o organista e compositor Hiroishi Yanagida (n. 1949). Ele começou no conjunto The Floral , que funcionou por um curto período sob o disfarce de Apryl Fool desde 1969.Em 1970, a composição experimental de Food Brain tornou-se o refúgio de nosso herói . Ao mesmo tempo, o maestro Hiro, que almejava a máxima liberdade criativa, lançou-se com material próprio. O artista convidou colegas e amigos como acompanhantes - o guitarrista Kimio Mizutani , o maestro/violinista Hiroki Tamaki , o flautista Nozomu Nakatani , o baixista Keiju Ishikawa e o baterista Hiro Tsunoda . Um grupo de apoio tão maravilhoso ajudou o Sr. Yanagida a gravar o disco de estreia "Milk Time", que não é pecado lembrar meio século depois.
Por trás da introdução "Love St." da série "Oriente se funde com o Ocidente" segue o exuberante número hard "Running Shirts Long". Uma suave fantasia de câmara para cravo e flauta "When She Didn't Agree" alterna com "stoned" rock'n'roll "Happy, Sorry". E novamente nobreza incrivelmente puro-sangue de linhas clássicas a céu aberto ("Yum"); por Deus, tais apologistas do ecletismo ainda precisam ser procurados! A triste beleza da miniatura "Love T" com uma parte magnífica do violino elétrico é realçada pela colagem abstrata de vanguarda "Fish Sea Milk". E então o legal groove-jam psicodélico "Fingers of a Red Type-Writer" define o clima. O estudo neobarroco de 20 segundos "Milk Time" precede a maravilhosa peça final "Me and Milk Tea and Others", onde o violino,
O LP "Hiro Yanagida" (1971) é outra faceta do talento do ágil samurai Hiroishi. A obra de abertura de quebrar o cérebro "The Butcher" flui para o afresco não menos esquizofrênico "The Murder in the Midnight". A graça do violoncelo-cravo-flauta é ofuscada por gemidos de guitarra fuzz na faixa "Fantasia". Uma alegre zombaria dos padrões da biblioteca ("Good Morning People") atesta o bom senso de humor de Yanagida, enquanto seu primeiro exercício vocal "Always" é permeado por completo com o espírito dos Beatles . "The Skyscraper 42nd F" equipara um trio filarmônico de teclado de cordas com o crescente frenesi do rock desconstrutivo. Tropicana Jazz "Minha Querida Mary" Quarteto Masaru Imada ). E a narração suave da balada final "Melancholy" é realizada pessoalmente pelo mentor, com o melhor de modestas habilidades de canto.
Resumindo: um coquetel sonoro extremamente desequilibrado e ao mesmo tempo intrigante, ilustração viva da originalidade dos "j-progressors" dos anos 1970. Recomendo a todos os amantes da arte exótica.





BIOGRAFIA DE Tito Paris

Tito Paris

Tito Paris, nome artístico de Aristides Paris ComM (MindeloCabo Verde30 de maio de 1963), é um músicocompositor e cantor cabo-verdiano, radicado em Lisboa. É um dos maiores responsáveis pela divulgação da música das ilhas da Morabeza pelo mundo, além de uma figura de relevo da comunidade africana na capital.

Biografia

Nasce no seio de uma família dedicada à música. Aprendeu os primeiros acordes na guitarra com a sua irmã, foi tocando com os irmãos e com o primo Bau, que também se viria a tornar célebre e recebeu a influência de músicos como o clarinetista Luís Morais e o pianista Chico Serra. Aos 19 anos, ruma a Lisboa, a convite de Bana, para integrar a sua banda “A Voz de Cabo Verde”. 

Já em Lisboa, cedo começa a conquistar o seu espaço então na florescente cena da capital portuguesa, ao acompanhar Bana, Dany Silva, Paulino Vieira, Paulo de Carvalho, Celina Pereira e Vitorino Salomé. Como compositor, começa a escrever para vários artistas como Bana e Cesária Évora e é aí que começa a seguir uma carreira em nome próprio. Aos poucos, torna-se num dos maiores embaixadores da música de Cabo Verde em Portugal.

Em 1987, lança e produz o seu primeiro álbum, “Fidjo Maguado”, um trabalho que destaca principalmente o seu virtuosismo à guitarra e mais tarde, em 1994, grava o disco "Dança Ma Mi Criola”, pela editora MB Records de Boston, EUA. Em 1996, “Graça de Tchega”, o seu terceiro disco de originais, leva-o a atuar um pouco por todo o mundo e a promover a sua música e a de Cabo Verde. Em 2002, regressa a estúdio e lança “Guilhermina”. A sua música torna-se sinónimo das pontes culturais entre o mundo lusófono, o semba e a coladeira juntam-se à sua voz rouca e que chega agora um pouco a todos os quatro cantos do mundo. 

Em 2012, comemoraram-se os seus 30 anos de carreira, com um grande concerto em Roterdão, com a Orquestra Metropolitana da Holanda, com o lançamento de uma fotobiografia acompanhada de documentário, com um concerto esgotado no Coliseu dos Recreios de Lisboa e ainda a atribuição da medalha da cidade de Lisboa.

Em 2017, é um dos maiores marcos culturais de Cabo Verde. As pontes que tem criado entre os países de língua portuguesa levaram-no a ser agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, em 6 de abril de 2017.[1] O ano fica ainda marcado pelo regresso do músico aos discos, com o lançamento do álbum “Mim ê Bô” que conta com a participação especial do falecido rei da morna Bana, com Boss AC e o músico brasileiro Zeca Baleiro.

Discografia

1987

Fidjo Maguado

  1. Noti di Mindel
  2. Sês Odjos é Pret é Doce
  3. Grit D` Povo
  4. Ponto do Sol
  5. Papa Juquim Paris
  6. Serenata
  7. Fidjo Maguado
  8. Hora de Bai
  9. DISPIDIDA
  10. Mi Na Mei Di Mar
  11. Sabino Largáme
  12. Carnaval Dintintaçon
  13. Quem Bo é
1994

Dança Ma Mi Criola

  1. Ó Pretinha
  2. Dança ma mi Criola
  3. Estrela Linda
  4. Regresso
  5. Vitor
  6. Coregem Ermum
  7. Otilia Otilio
  8. Curti Bo Life
  9. Day Amor
  10. Mae Querida
  11. Nina
  12. Contam Bo Dor
1996

Graça De Tchega

  1. Um Ten Graca De Tchega
  2. No Intende
  3. Joana Rosa
  4. Preto E Mi
  5. Rainha Estrela
  6. Marina
  7. Mar Di Ilheu
  8. Kantador
  9. Um Cria Ser Un Poeta
  10. Cartinha D'holanda
  11. Um Paixao
1998

Ao vivo no B.Leza

  1. Nhor Deus
  2. Ó Pretinha
  3. Mar Di Ilheu
  4. Verdeaninha
  5. Curti Bo Life
  6. Mae Querida
  7. Marina
  8. Sodade
  9. Um Ten Graça De Tchega
  10. Dança Ma Mi Criola
1999

Ao Vivo

  1. Luanda
  2. Ódio e Pobreza
  3. Rosa Engeitada
  4. Boa Viagem
  5. Raposódias de Mornas
    1. Verdianinha
    2. Estrela di nha Peito
    3. Nha Terra
  6. Tudo sis Nome
  7. Anjo Negra
  8. 80 Mil Odioso
  9. Cartinha D`Holanda
  10. Mãe Querida
2002

Guilhermina

  1. Guilhermina
  2. Um Gostá Di Bô
  3. Rosto Di Morena
  4. Era Um Sonho
  5. Na Caminho Di Sandomingos
  6. Ondas Di Bô Corpo
  7. Criolo Ca Tem Patron
  8. Padoce Di Ceú Azul
  9. Febri Di Funáná
  10. Elisa Gomara Saia
2005

Acústico

(Edição Africana)

  1. Morna PPV
  2. Nha Sina
  3. Ondas di bô Corpo
  4. Que vida (inédito)
  5. Um gosta di bô
  6. Victor
  7. Estrela Linda
  8. Otilia/Otilio
  9. Sodade
  10. Poema Tropical
  11. Clarisse (com Paulo Flores)
  12. Febre di Funana
2007

Acústico

(Edição Europeia)

  1. Morna PPV
  2. Nha Sina
  3. Ondas di bô Corpo
  4. Que vida
  5. Victor
  6. Estrela Linda
  7. Otilia/Otilio
  8. Sodade
  9. Poema Tropical
  10. Febre di Funana
  11. Tchapeu di Padja
  12. Xandinha
  13. Galo Bedjo
2017Mim ê Bô




ESQUINA PROGRESSIVA

 

Magenta - We Are Legend (2017)



Magenta compreende em seu line up oficial o virtuoso tecladista, produtor e compositor Rob Reed, o subestimado, mas talentosíssimo guitarrista, Chris Fry e a premiada vocalista Christina Booth. Nesse disco eles estão acompanhados pelo baixista que tem se apresentado regularmente ao vivo com a banda, Dan Nelson e pelo novo baterista Jon ‘Jiffy’ Griffiths, músico bastante respeitado na cena.

Particularmente a primeira vez que me senti atraído pela banda foi através do disco Seven, lançado em 2004 e que ainda hoje considero um dos melhores álbuns de rock progressivo desse século. A banda mostrou uma incrível capacidade de conjurar passagens influenciadas pelo Yes, me fazendo sentir muitas vezes a maravilha de sentimento criado pelos ingleses na primeira metade dos anos 70. Um aspecto que permaneceu constante em todos os trabalhos da banda foi a presença de belas melodias enfatizadas pela combinação única de composição de Reed em seus teclados, a excelência de Fry nas guitarras e a magnífica voz de Booth, dando um toque feminino diferenciado.

Mas depois de Seven a banda pareceu seguir algumas tendências de querer “tentar algo diferente”. Essa necessidade que era extremamente compreensível quando falamos de um músico do status de Reed, às vezes resultou em respostas variadas, particularmente quando sons mais pesados ou mais sombrios foram criados. Claro que continuou existindo muitos momentos excelentes em cada um dos discos gravados pela banda, mas ainda assim não tinham a mesma consistência (talvez até por Seven possuir um padrão alto demais de comparação).

Mas voltaremos a falar sobre o ano de 2017 quando os adeptos e ansiosos seguidores da banda voltaram a ser informado por Reed que depois de uma “volta às origens” em 2013 com o excelente The Twenty Seven Club iriam tentar novamente “algo diferente”. Por que fazer isso? Por que mudar algo que estava tão bom? Foi inevitável pensar que o que havia sido feito em 2013 não poderia ser melhorado com esse pensamento da banda. Nunca fiquei tão feliz em está enganado.

Sem muitas comparações com lançamentos passados, esse disco é brilhante de maneira particular, soando diferente e ao mesmo tempo familiar. Embora inovador e moderno, de alguma forma permanece fiel às raízes clássicas da banda e é imensamente satisfatório.

We Are Legend é composto por um épico de 27 minutos e duas canções mais curtas. Isso soa familiar? Sim, algo como aconteceu em Close to the Edge do Yes. Bem, enquanto a Magenta referenciou as influências dos 70 quando necessário, eles também procederam a inovar sem comprometer onde sentiram a necessidade de fazê-lo, e o resultado é espetacular.

O disco abre com “Trojan”, que apresenta uma história de guerra terrorista que atacam a humanidade do oceano. Uma viagem de vinte e sete minutos com várias partes distintas. Começa com sons estranhos de teclado e uma suave melodia que explode em uma passagem pesada de violão. Logo no começo, Griffiths faz com que sua presença seja bastante sentida nas baquetas, Reed e Fry já se completam naturalmente em instrumentações fortes. A introdução da voz de Booth na música apresenta um dos mais poderosos versos que a banda criou na carreira. Há uma intenção clara nesta música de dar a cada artista uma chance de brilhar onde em todas as oportunidades o músico em questão foi bem sucedido. Acima de tudo, a música tem todas as perspectivas que você deseja em um épico progressivo. Espere ternura e raiva, peso e leveza, alquimia sonora em passagens dando ideias vertiginosas no som, entrega teatral, partes distintamente diferentes juntas em um tema comum e uma forte atração em cada uma de suas emoções. A banda está na melhor forma e a precisão parece ser ordem do dia. Os preenchimentos de Griffiths são perfeitamente elaborados para encaixar exatamente no que Fry e Nelson estão tocando. Criações cuidadosamente preparadas sob a orientação principal de Reed (já que sempre foi o principal compositor da banda). O trabalho da guitarra de Fry, como sempre, é assustador. Ele realiza progressões de jazz com muita facilidade, e seus interlúdios de momentos acústicos são particularmente de muito bom gosto. É claro que seus solos elétricos são, sem exceção, surpreendentes. Também se sente que Nelson, que apesar de suas aparições regulares ao vivo com a banda, gravou com Magenta pela primeira vez aqui, atingiu seu passo com grande precisão em um som de muita imensidão. Chover no molhado é falar de Booth e Reed e no quanto são magníficos artistas que se entregam aos níveis mais altos como em todos os discos.

É fato que com uma música desse comprimento, a banda tem espaço para respirar, e a composição passa por muitos picos. O solo de guitarra principal é Pink Floyd puro, e atrairá sem rodeios qualquer devoto de David Gilmour. O interlúdio do meio dá a Booth o alcance para parecer um anjo. Sua voz versátil passa de lamento angustiado a carícia suave e lembra-nos que ela mais do que merece seus inúmeros prêmios e elogios. Griffiths fornece um solo de estilo roto-tom que é uma reminiscência de “Time" do Pink Floyd, que leva a uma seção em que Reed sincopa efeitos de teclado acompanhado do contrabaixo de Griffiths (possivelmente destinado a conjurar os robôs gigantes marchando para a frente). Isso, por sua vez, leva a um riff de guitarra que é a cara da banda e poderia ter sido feito em Seven. Finalmente, uma passagem de rock mais moderno leva a um fim que dá uma sensação de consolo e paz. Uma mistura do Magenta clássico unido a “algo novo” muito bem direcionado, onde depois de quase meia hora de música tudo continua bastante engrenado.

A segunda faixa, “Colours” é sobre Vincent van Gogh. Começa com um toque meio infantil em um som que parece sair de uma caixa de brinquedo antes de explodir em camadas veementes de música progressiva. Se a música é sobre a paleta de um gênio, as cores musicais pintadas pela banda evocam exatamente isso. Booth quase cuspiu as letras ao adotar a personalidade de Van Gogh, e ela evoca perfeitamente sua loucura. A seção do meio mais uma vez apresenta Fry no modo Gilmour completo e Reed canalizando Rick Wright. Isso teria algum problema? Falta de originalidade? Muito pelo contrário, na verdade não há absolutamente nada de errado com isso. O mesmo toque inicial retorna e se junta a uma acumulação angustiante de órgão, violões e vocais, tudo se contrapondo magicamente. A precisão mostrada por Griffiths mostra novamente que ele foi a escolha perfeita para assumir a bateria da banda. Como a vida de Van Gogh atinge o seu fim atormentado a banda acompanha o tempo em um lento turbilhão de loucura musical calculada, terminando em uma resignação silenciosa. “Colours” é outra ótima música que mostra a Magenta no seu melhor.

A terceira e última música da banda é “Legend” e que fala sobre os últimos sobreviventes na Terra. É uma música mais angular, uso de maneiras menos óbvias de suas influências e que faz com que a banda seja tão admirada. Mas isso também não faz com que seja vista com más olhos. Possui coros e versos que são uma cama perfeita para que a gama emotiva de Booth deite tranquilamente. Tem muito efeito de sons de ficção científica modernos, criado por artifícios de estúdio. O solo de Fry é belíssimo e o refrão de “Its Over” cantado por Booth é de levar as lágrimas. A passagem final, uma pastoral e em seguida triunfante marcha lenta até a felicidade faz o ouvinte lembrar os anos 70 e que levou muitos dos fãs da banda a se apaixonarem por ela. O encerramento dessa passagem termina o álbum em um clímax agradável.

Apesar de alguns problemas como a doença de Booth e mudanças na banda. Através de We Are Legend eles mostraram que estão aqui para ficar e, embora possa haver uma nova atmosfera, novos membros e alguns sons novos, a base do progressivo de muito bom gosto que é o que se espera do Magenta clássico, também não foi embora, mas tem apenas um novo toque. Mais uma vez estenderam-se além do que qualquer fã razoável pode esperar, e além entregar algo clássico que irá apaziguar os fãs intransigentes, também produziu algo capaz de fazer com que atinge um novo público e aumente seu número de seguidores. Lindo do começo ao fim.



Track Listing

1.Trojan 26:09
2.Colours 10:47
3.Legend - 11:32





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