quarta-feira, 24 de maio de 2023

“Black Sabbath” (Vertigo, 1970), Black Sabbath

 


No final dos anos 1960, a cultura e as política fervilhavam em todo o mundo. O movimento hippie e a sua filosofia de “paz e amor”, estavam no ápice, influenciando a cabeça de milhões de jovens. O rock amadurecia e passava por transformações, se desdobrando em outras vertentes como o hard rock e o rock progressivo que estavam em plena ascensão. Os Estados Unidos e a finada União Soviética travavam uma “guerra fria” que dividia o planeta em capitalistas e comunistas, e criavam um estado de tensão de uma possível Terceira Guerra Mundial. Falando em guerra, no Vietnã, os norte-americanos ainda insistiam numa guerra contra os vietnamitas que se arrastava por anos e que já havia ceifado a vida de milhões de pessoas, apesar do clamor mundial por um basta naquele conflito.

Enquanto isso, em Birmingham, na Inglaterra, um grupo de quatro jovens cabeludos, que via com desprezo tanto a filosofia hippie quanto as lideranças políticas internacionais, davam início aos primeiros passos da carreira musical da banda Earth, em 1968. Formada por Ozzy Osbourne (vocais), Tony Iommi (guitarra), Gezzer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria), a Earth fazia inicialmente um som calcado no blues rock, mas que aos poucos, foi ganhando volume mais alto e mais peso, uma tentativa para que público que frequentava os bares onde a banda tocava, parassem de conversar e prestassem a atenção na apresentação da banda.

Em agosto de 1969, Jim Simpson, então empresário da Earth, conseguiu agendar shows na legendária casa noturna Star Club, em Hamburgo, Alemanha, mesmo estabelecimento onde os Beatles haviam tocado no início da carreira. Foi durante a temporada em Hamburgo que Ozzy, Tony, Geezer e Bill descobriram que já havia uma outra banda também chamada Earth. Foi então que eles decidiram mudar o nome da banda. Por sugestão de Gezzer Butler, fã de filmes e romances de terror, mudaram o nome de Earth para Black Sabbath. O novo nome foi baseado num filme italiano de 1963, I Tre Volti Della Paura (As Três Máscaras, no Brasil), de Mario Bava (1914-1980), estrelado por Boris Karloff (1887-1969). No Reino Unido e nos Estados Unidos, o filme foi exibido nos cinemas sob o título Black Sabbath (Sabá Negro, em português).

À esquerda, o cartaz do filme I Tre Volti Della Paura, que nos países de idioma inglês foi rebatizado
como Black Sabbath,  título que inspirou o nome da banda. 

Com o novo nome e inspirado nele, o quarteto direciona a orientação musical da banda para temas mais sombrios, que aliadas ao som pesado que praticava, começou a ampliar o número de fãs. Há quem afirme que o foco em temas ocultistas, teria sido uma estratégia promocional para a banda ganhar fama e conquistar o seu espaço no cenário do rock pesado, que naquele momento tinha na linha de frente o Led Zeppelin e o Deep Purple.

Ao custo de 600 libras, o Black Sabbath grava em outubro de 1969 cerca de doze músicas em dois dias, no Regent Sound Studios, em Londres. O material foi gravado ao vivo no estúdio, sob a coordenação do produtor Rodger Bain, que no processo de mixagem acrescentou sons de sinos, chuva e trovões. Com material gravado suficiente para lançar um álbum, o empresário Jim Simpson conseguiu um contrato com a gravadora Vertigo, que teria apenas o trabalho de lançar e distribuir. Dois meses depois, a banda lança o seu primeiro single, “Evil Woman”.

Propositalmente ou não, o Black Sabbath lançou o seu primeiro e homônimo álbum no dia 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira. Conforme a banda havia optado desde que havia mudado de nome, a sonoridade pesada somada ao clima soturno e denso das letras, dão o tom de todo o álbum. Temas como guerra, caos social, morte, conflitos entre bem e mal, desfilam pelas onze faixas de Black Sabbath.

Para fazer jus ao conteúdo musical, a capa mostra uma casa de um moinho de Mapledurham Watermill, no Rio Tâmisa, Inglaterra, como se lembrasse uma casa abandonada. Em primeiro plano, uma mulher com uma aparência aterradora, estática, e com um olhar fixo para que a vê. Seria uma bruxa ou uma alma de outro mundo?

Imagem recente da casa que aparece na capa do álbum Black Sabbath. 

O álbum começa com som de chuva, trovão e badaladas de sinos, criando todo um clima de suspense e angústia ao ouvinte. Em seguida entra a banda fazendo um som pesado, lento e tenso, aumentando ainda mais o estado de tensão em quem ouve o álbum. Considerada a primeira música autenticamente heavy metal, “Black Sabbath” teria sido inspirada numa suposta experiência ocultista de Geezer Butler quando a banda ainda se chamava Earth.

A faixa seguinte, “The Wizard”, segundo Geezer Butler, teve como inspiração o mago Gandalf, de Senhor dos Anéis. Há quem afirme no entanto que a inspiração foi um traficante que fornecia drogas para a banda. O principal destaque desta música é a performance da gaita em estilo blues, executada por Ozzy Osbourne, que acompanha simultaneamente os movimentos dos outros instrumentos formando um só bloco sonoro. “Behind The Wall Of The Sleep” é outra faixa do álbum com inspiração literária, desta vez num conto escrito em 1919 por H.P. Lovecraft (1890-1937).

Fechando o lado A da versão LP de Black Sabbath, “N.I.B”, cujas iniciais significariam “Natitvity In Black”. Mas o real significado diria respeito a um apelido de Bill Ward, em referência à barba do baterista que parecia uma ponta de caneta (“pen nib”, em inglês). Além dos incríveis riffs e solos de guitarra de Tony Iommi, outro elemento atrativo da base instrumental de “N.I.B.” é a linha de baixo executada por Butler com efeito de pedal wah-wah, um recurso mais comum com guitarras. A letra faz referência a Lúcifer que se propõe a dar tudo para quem se dispuser a segui-lo.

Abrindo o lado B, “Evil Woman”, uma música da banda Crow, e que o Black Sabbath regravou para o seu primeiro disco. Enquanto a versão original do Crow é um blues rock com arranjos mais melódicos, mais elaborados, com direito a um naipe de metais que dá uma alegria à música, a versão do Sabbath é mais pesada, econômica e crua. Na edição americana do álbum, “Evil Woman” foi trocada por “Wicked World”.

Com um início acústico e uma letra curta, “Sleeping Village” dá início ao uma maratona instrumental, com trechos em andamentos e ritmos diferentes, permitindo a cada membro da banda mostrar as suas habilidades. O longo improviso instrumental de “Sleeping Village” se emenda com “Warning”, última faixa do álbum.

Black Sabbath, da esquerda para a direita: Bill Ward, Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Tony Iommi.

Longa, com pouco mais de dez minutos de duração, “Warning” foi originalmente gravada por Aynsley Dunbar Retaliation. Assim como na faixa anterior, em “Warning”, a banda faz um improviso instrumental, só que bem mais longo. Aqui, a banda mistura elementos de blues, jazz e hard rock. Tony Iommi está magnífico nesta faixa: faz solos de guitarra fantásticos como um veterano, embora tivesse na época apenas 21 anos de idade. Quem o ouve fazer os solos com tanta destreza, não imagina que ele havia perdido a ponta de dois dedos de sua mão esquerda num acidente de trabalho, a mesma mão que ele faz os solos no seu instrumento.

A recepção ao álbum Black Sabbath não foi das mais afáveis, muito pelo contrário. O jornalista Lester Bangs, da revista Rolling Stone, por exemplo, foi irônico: “Igual ao Cream! Mas pior”. Robert Christgau, do jornal The Village Voice, de Nova York, classificou o álbum como “necromancia de merda”.

Mesmo com uma recepção tão negativa, Black Sabbath conseguiu se firmar na 8ª posição na parada de álbuns do Reino Unido. E conseguiu tal posição sem promoção de marketing da gravadora, apenas na base do “boca-a-boca”. Nos Estados Unidos, ficou 23º lugar na Billboard 200, e naquele país chegou à marca de 1 milhão de cópias vendidas.

Foi com o passar do tempo que Black Sabbath teve a sua reputação elevada e o seu reconhecimento como marco relevante da história do heavy metal. Em 1989, a revista Kerrang! pôs o álbum na lista dos 100 Maiores Álbuns de Heavy Metal de Todos os Tempos. A revista Q afirmou que o álbum é tão influente que permaneceu como modelo para bandas de heavy metal, mesmo após trinta anos de lançamento.

Em 2012, Black Sabbath foi classificado em 243º lugar da lista dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos da revista Rolling Stone. A publicação elegeu ainda Black Sabbath  como 5º melhor álbum de metal de todos os tempos.

Faixas

Lado 1
1."Black Sabbath"      
2."The Wizard"
3."Behind The Wall Of Sleep"
4."N.I.B."        

Lado 2
5."Evil Woman" (cover de Crow) Larry WeigandDick WeigandDavid Wagner
6."Sleeping Village"              
7."Warning" (cover de The Aynsley Dunbar Retaliation) Aynsley DunbarAlex DmochowskiVictor HicklingJohn Moorshead

Todas as músicas foram creditadas a Tony Iommi , Geezer Butler , Bill Ward e Ozzy Osbourne , exceto onde indicado. 


Black Sabbath: Ozzy Osbourne (vocais e gaita), Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria).



."Black Sabbath"  

SORAIA TAVARES - A CULPA É DA LUA (𝗟𝗘𝗧𝗥𝗔 da música)

 

Rua Direita - Nem Me Despedi


BLAYA - NINJA (𝗟𝗘𝗧𝗥𝗔 da música)

 

“A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado” (Polydor, 1970), Mutantes

 


Na virada de 1969 para 1970, o Tropicalismo já era coisa do passado. Com Caetano Veloso e Gilberto Gil “convidados” a se mandarem do Brasil pelo regime ditatorial militar, indo buscar exílio na Inglaterra, o movimento tropicalista estava morto e enterrado. No entanto, o movimento havia deixado um valioso legado que influenciaria tudo que se produziria na música brasileira nas décadas seguintes.

A banda Mutantes, um dos principais expoentes do Tropicalismo, procurava a seu modo seguir caminho próprio após o fim do movimento que abalou a produção cultural do Brasil no final dos anos 1960. Mesmo findado o movimento tropicalista, o que não faltou foi trabalho para o trio paulista naquele ano de 1969. A banda viajou para a França, onde participou do MIDEM (Mercado Internacional de Discos e Editores), em Cannes, e ainda se apresentou no Teatro Olympia, em Paris, e num programa de TV. Em julho de 1969, os Mutantes haviam iniciado uma temporada no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, o espetáculo multimídia Planeta dos Mutantes, que a princípio tinha o propósito de rodar pelo Brasil, mas devido ao custo do espetáculo, tornou-se inviável. Ainda naquele ano, participaram do 4º Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, com a canção “Ando Meio Desligado”, que na classificação final ficou em 10º lugar.

Em outubro de 1969, os Mutantes deram início às gravações do seu terceiro álbum de estúdio, A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado, no estúdio Scatena, em São Paulo, tendo no comando da produção Arnaldo Saccomani.

Os Mutantes, da esquerda para a direita: Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias. 

A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado chegou às lojas em março de 1970, trazendo em sua capa uma fotografia inspirada numa gravura de Gustave Doré (1832-1883) para uma passagem do poema A Divina Comédia, de Dante Alighieri (1265-1321). A ideia partiu da mente criativa de Cláudio César, irmão mais velho de Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, e também um talentoso construtor de instrumentos musicais e inventor. No quintal da casa de seus pais, os três irmãos cavaram uma cova e fizeram uma lápide de isopor. Para a iluminação, puseram um spot de luz dentro da cova. A fumaça era de uma fogueira que eles fizeram para realçar um ambiente sombrio. Quem aparece saindo do túmulo falso com o peito nu é Arnaldo, enquanto Rita e Sérgio, são as duas figuras de pé, vestidas num manto, que na verdade eram colchas de chenille. Nas cabeças, ambos usaram tiaras de folhas de louro.

Mas polêmica mesmo foi a contracapa, em que Arnaldo, Rita e Sérgio aparecem deitados numa cama tomando café da manhã, acompanhados do baterista Dinho, de pé, vestido de militar nazista tomando um gole de café numa caneca. A foto foi tirada na cama dos pais de Arnaldo e Sérgio. Durante a sessão de fotos, a mãe dos dois músicos, Clarice Baptista, que não sabia de nada, adentrou o quarto e quase desmaiou quando viu a cena, digamos, “dantesca”, ao menos para ela. Aliás, ”dantesca” é apropriado já que o termo é relativo a Dante Alighieri, cuja obra principal inspirou o título do álbum.

A música que abre o álbum é “Ando Meio Desligado”, a mesma com a qual os Mutantes participaram do 4º Festival Internacional da Canção, em 1969. Ela começa com uma percussão executada por ninguém menos que Naná Vasconcelos. Os primeiros versos parecem se referir sutilmente aos efeitos da maconha: “Ando meio desligado / Eu nem sinto meus pés no chão”. Os teclados tocados por Arnaldo Baptista e a guitarra de Sérgio Dias fazem um “duelo” na reta final da música.

A polêmica foto dos Mutantes na cama que chocou a mãe dos irmãos Arnaldo e Sérgio.

A faixa seguinte, “Quem Tem Medo De Brincar De Amor”, trata sobre a descoberta do sexo na adolescência, numa época em que a virgindade era tabu. “Ave, Lúcifer” é inspirada numa passagem bíblica, a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, e faz referência ao sexo. No verso “Prometo abrir o meu amor macio...”, a palavra “abrir” foi censurada, talvez porque os censores acreditaram que fosse uma associação com vagina. Um ouvinte mais atento vai perceber que no áudio, a palavra “abrir” foi apagada, criando um curtíssimo vazio sonoro no verso cantado por Rita Lee.

“Desculpe, Babe” se tornou outro grande sucesso do álbum e da carreira dos Mutantes, e conta com Naná Vasconcelos tocando bongô. Em “Meu Refrigerador Não Funciona”, um blues rock debochado e pesado, com pinceladas psicodélicas, Rita Lee canta aos berros inspirada em Janis Joplin, enquanto Arnaldo encarna um cantor negro americano de blues. A base instrumental sensacional serve de sustentação para Arnaldo cantar desesperado sobre o seu refrigerador que não funciona.

“Hey Boy” é uma balada bem ao estilo dos primórdios do rock’n’roll nos anos 1950, conta a vida de um jovem que leva um boa vida sustentado pelo pai rico, usa jaqueta importada e desfila com seu carro novo na Rua Augusta, famoso ponto de encontro dos jovens da cidade de São Paulo, entre as décadas de 1950 e 1960. “Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo”, composta por Roberto Carlos e Erasmo Carlos especialmente para os Mutantes, traz na letra, clichês bem condizentes à filosofia hippie como amizade, flor, esperança e paz.

Uma das músicas mais debochadas e hilárias já gravadas pelos Mutantes foi a regravação que o trio paulista fez para “Chão De Estrelas”, canção que fez sucesso na voz de Sílvio Caldas em 1937, e que é um clássico do cancioneiro brasileiro. A versão dos Mutantes ganhou arranjos fantásticos e muito doidos do maestro Rogério Duprat (1932-2006), cheio de colagens sonoras como banda marcial, ruído de avião, relógio cuco, tecido rasgando, e mais outras loucuras. Para completar, Arnaldo Baptista canta de maneira jocosa, imitando a impostação de voz do veterano Sílvio Caldas (1908-1998). Quem não gostou da galhofa do jovem trio paulista foi o apresentador de TV Flávio Cavalcanti (1923-1986), que furioso, quebrou o disco dos Mutantes diante das câmeras.

Os Mutantes fizeram uma versão debochada de "Chão de Estrelas",
 sucesso de Sílvio Caldas (foto), de 1937. A brincadeira despertou a fúria
do apresentador de TV Flávio Cavalcanti.

“Jogo De Calçada” é um pop psicodélico de versos um tanto quanto surrealistas: “Mas eis que pingo a pingo a chuva chegou / Na rua de espelho que a água molhou / O menino que correu, cruzou e caiu...”. “Haleluia” mistura música sacra, rock e humor, mas já dá sinais sutis da orientação para o rock progressivo que os Mutantes iriam tomar mais adiante. O álbum termina com “Oh! Mulher Infiel”, faixa instrumental que possui andamentos diferentes e que alternam som pesado e distorcido com a delicadeza do ritmo lento do piano. 

A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado inicia um processo de transformação e ao mesmo tempo de transição na carreira dos Mutantes. Livres das amarras tropicalistas, mas carregando na bagagem a experiência adquirida com elas, os Mutantes começam a andar com as próprias pernas, direcionam o seu trabalho para uma sonoridade mais embebida no psicodelismo, porém adicionando mais peso, graças às linhas de baixo de Liminha e ao virtuosismo do baterista Dinho. Aliás, diga-se de passagem, Liminha e Dinho, que antes eram músicos de apoio, após A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado, foram efetivados na banda, e os Mutantes passaram a ser um quinteto.

O processo de transição musical permaneceria nos dois álbuns seguintes, Jardim Elétrico (1971) e Mutantes E Seus Cometas No País Do Baurets (1972), que mantiveram a mesma linha estilística de A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado. Depois disso, com a saída de Rita Lee em 1972, os Mutantes tomariam de vez o caminho para o rock progressivo, abrindo mão da irreverência que marcou o grupo, e praticando uma musicalidade mais séria e burocrática.

Faixas
Lado 1

  1. "Ando Meio Desligado" (Arnaldo Baptista - Rita Lee - Sérgio Dias)
  2. "Quem Tem Medo de Brincar de Amor" (Arnaldo Baptista - Rita Lee)
  3. "Ave, Lúcifer" (Arnaldo Baptista - Rita Lee - Élcio Decário)
  4. "Desculpe, Babe" (Arnaldo Baptista - Rita Lee)       
  5. "Meu Refrigerador Não Funciona" (Arnaldo Baptista - Rita Lee - Sérgio Dias)

Lado 2                                                                                                                                       

  1. "Hey Boy" (Arnaldo Baptista - Élcio Decário )
  2. "Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo" (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
  3. "Chão de Estrelas" (Orestes Barbosa - Sílvio Caldas)
  4. "Jogo de Calçada" (Arnaldo Baptista - Ilton Oliveira - Wandler Cunha)     
  5. "Haleluia" (Arnaldo Baptista)
  6. "Oh! Mulher Infiel" (Arnaldo Baptista)

Mutantes: Arnaldo Baptista (baixo, teclados e vocais), Rita Lee (vocais, percussões e efeitos) e Sérgio Dias (guitarras, baixo e vocais)



"Ando Meio Desligado"

"Quem Tem Medo de Brincar de Amor"

"Ave, Lúcifer"

"Desculpe, Babe"

"Meu Refrigerador Não Funciona" 

"Hey Boy"

"Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo"

"Chão de Estrelas"

"Jogo de Calçada"

"Haleluia"

"Oh! Mulher Infiel"

"Ando Meio Desligado", com os Mutantes 
ao vivo no programa "Som Livre 
Exportação", da TV Globo, em 1971.

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