quinta-feira, 25 de maio de 2023

“Rita Lee” (Som Livre, 1979), Rita Lee

 



O ano de 1977 foi bastante intenso para Rita Lee: ela cumpria um ano de prisão domiciliar por porte e uso de maconha (coisa que ela sempre negou por estar grávida na época em que foi presa, em 1976), o nascimento do seu primeiro filho com o marido Roberto de Carvalho, e por fim, depois que cumpriu a prisão domiciliar, a turnê Refestança, com Gilberto Gil, que passou pelas principais cidades brasileiras no final daquele ano, juntando as bandas de apoio dos dois artistas e que resultou no álbum gravado ao vivo Resfetança.

Em abril de 1978, Rita Lee & Tutti Frutti retomaram a sua jornada discográfica com um novo álbum de estúdio após dois anos, Babilônia. O álbum emplacou dois grandes sucessos, “Miss Brasil 2000” e “Jardins da Babilônia”, e trazia uma Rita Lee fazendo um aceno para a sonoridade pop. Porém, mal o álbum foi lançado, a banda Tutti-Frutti dissolveu-se, consequentemente pondo fim à parceria com Rita Lee.

Mesmo Rita Lee & Tutti-Frutti fazendo sucesso, internamente, a situação não ia bem. O pivô da instabilidade teria sido o guitarrista e tecladista Roberto de Carvalho, que desde que entrou para a Tutti-Frutti em 1977, passou a ganhar destaque e gerar uma insatisfação no guitarrista solo Luiz Carlini, que por muito tempo, era o maior protagonista da banda, depois de Rita. Além disso, Carlini se mostrava insatisfeito com a direção musical que a banda adotou no álbum Babilônia, com uma sutil acentuação pop, e que se afastava da orientação mais roqueira dos álbuns anteriores. Carlini decidiu deixar a banda e levou consigo o nome do grupo. Sem que ninguém soubesse, ele teria registrado o nome da banda para si.

Para dar prosseguimento à turnê do álbum Babilônia, Rita fez uma nova banda e a batizou com o nome Cães e Gatos, numa alusão às brigas internas no grupo durante os ensaios. Concluída a turnê, Rita passa a focar na sua carreira solo, firma parceria com Roberto de Carvalho e redireciona a sua orientação musical para um caminho mais abrangente do que o dos tempos com a banda Tutti Frutti, agora mais voltado para uma sonoridade pop, algo que Babilônia já dava indícios. Nesse redirecionamento, Roberto de Carvalho teve um papel bastante importante.


Roberto de Carvalho no Tutti-Frutti, em 1977: pivô da
implosão da banda.

Em maio de 1979, entra nos estúdios SIGLA, da Som Livre, no Rio de Janeiro, e começa a gravar aquele que é considerado o seu verdadeiro primeiro álbum solo, Rita Lee. Para essa empreitada, Rita reuniu um time de músicos bastante especial que incluiu o fantástico tecladista e arranjador Lincoln Olivetti (1954-2015), o guitarrista Robson Jorge (1954-1992), o baterista Picolé, o trompetista Márcio Montarroyos (1948-2007), as cantoras Cláudia Telles, Jane Duboc e Sônia Buernier para os vocais de apoio. Algumas figuras conhecidas do passado de Rita também estavam presentes: o baixista Lee Marcucci (baixo) e a percussionista Naila Skorpio, ambos integrantes da última formação da Rita Lee & Tutti-Frutti, e o guitarrista Sérgio Dias Baptista, ex-colega de Rita nos Mutantes.

Rita Lee, o álbum, chegou às lojas em agosto de 1979, surpreendendo o público e a crítica pelo seu conteúdo musical. Na capa, um close do rosto de Rita Lee mostrando um detalhe de seu ombro onde aparece uma tatuagem artificial com o desenho do nome da cantora, criado pelo designer Hans Donner. A contracapa mostra Rita Lee, grávida do seu segundo filho, e o marido Roberto de Carvalho empunhando uma guitarra. 

Quem esperava um álbum essencialmente de rock como os que Rita gravou com a Tutti-Frutti, viu um álbum assumidamente pop, recheado de canções feitas sob medida para tocar em emissoras de rádio FM. Temas sobre amor, sexo e feminismo estão presentes na maioria das oito faixas do álbum. Mostra uma Rita Lee ainda mais livre, leve e solta ao abordar esses assuntos.

O álbum começa com a faixa “Chega Mais”, uma canção pop com nítida influência de disco music, mas trazendo um flerte com a velha tradição das músicas carnavalescas do Brasil. A letra da música trata de maneira alegre e festiva sobre a intimidade sexual de um casal. “Chega Mais” é uma espécie de “irmã mais velha” de outros dois grandes sucessos posteriores da carreira solo de Rita, “Lança Perfume” e “Banho de Espuma”.


Detalhe da contracapa: Rita Lee (grávida, esperando o segundo filho)
e o marido Roberto de Carvalho.

A faixa seguinte, “Papai Me Empresta O Carro” é um rock que remete à Rita Lee dos tempos com a Tutti-Frutti. Trata-se de um rock divertido sobre um jovem que pede o carro emprestado ao pai para sair com sua namorada, e claro, desfrutar sossegadamente dos prazeres sexuais com sua amada.
“Doce Vampiro” é uma balada romântica em que Rita se passa por uma mulher apaixonada por um vampiro, e a ele se entrega num amor ardente, com direito a mordida no pescoço. Fechando o lado 1, “Corre-Corre”, outra faixa do álbum com influência da disco music, cuja letra trata sobre trabalhar muito e sobreviver com pouco dinheiro.

O lado 2 começa com o romantismo de “Mania De Você”, a canção favorita de Rita Lee do álbum. Foi composta por Rita e Roberto em cinco minutos, após uma transa ardente. A letra apresenta a mulher tomando as rédeas numa relação sexual, dona do seu próprio prazer. “Mania De Você” é uma canção sobre um ato sexual do ponto de vista feminino, o que a eleva à condição de canção libertária. Até então, o mais comum eram canções sobre sexo partindo do ponto de vista masculino. Rita promove com esta canção uma ruptura, e numa época em que o Brasil estava sob um regime ditatorial, o que só valoriza ainda mais desafio da rainha do rock brasileiro. Musicalmente, os arranjos de “Mania De Você” tiveram como inspiração “From The Beginning”, bela canção do Emerson, Lake & Palmer, presente no álbum Trilogy, de 1971.

Elvira Pagã (1920-2003) foi uma atriz e vedete de teatro de revista que fez muito sucesso no Brasil entre os anos 1940 e 1950. Sua beleza e seu corpo escultural, povoaram o imaginário masculino. Rita Lee presta uma homenagem a ela com uma música que leva o seu nome e questiona as imagens preconceituosas contra a mulher construídas pelo machismo ao longo do tempo: “Moça bonita, só de boca fechada / Menina feia, um travesseiro na cara / Dona de casa só é bom no café da manhã”. Interessante perceber que já naquela época, o que poderia soar como uma “brincadeira” para os machistas, não havia graça alguma para Rita.


A vedete Elvira Pagã: inspiração para Rita Lee compor uma canção em sua homenagem e que
também questiona o padrão feminino idealizado pela sociedade patriarcal. 

A próxima faixa, “Maria Mole”, é completamente dispensável, a mais chata do álbum. Lenta, faz jus à história de Maria Mole, uma garota preguiçosa ao extremo e nada asseada, namorada do não menos preguiçoso Rocambole.

Em 1976, Rita Lee havia lançado o single de “Arrombou A Festa”, um rock que ela compôs com Paulo Coelho, e que sacaneava os principais astros da música brasileira da época. O single gerou polêmica, mas fez um enorme sucesso, vendendo mais de duzentas mil cópias. Três anos depois, Rita Lee e Paulo Coelho repetiram a dose com “Arrombou A Festa II”, faixa que encerra o álbum Rita Lee. Desta vez, os alvos do deboche da roqueira são Alcione, Fafá de Belém, Sidney Magal, Cauby Peixoto, Lady Zu e Miss Lene, essas duas últimas, as duas grandes sensações da disco music brasileira. Nos versos sobre Magal, Rita não alisa, pega pesado:  “O Sidney Magal rebola mais que o Matogrosso / Cigano de araque, fabricado até o pescoço”.

O repertório pop e acessível do álbum Rita Lee desagradou os antigos fãs de Rita, mas agradou em cheio o grande público, principalmente os adolescentes. “Mania De Você”, “Doce Vampiro”, “Chega Mais” e “Papai Me Empresta O Carro” fizeram um grande sucesso e ajudaram Rita Lee, o álbum, a chegar à marca das 400 mil cópias vendidas.

“Chega Mais” foi tema de abertura da novela de mesmo nome, em 1980, escrita por Carlos Eduardo Novaes, produzida e exibida pela TV Globo.

“Mania De Você” foi tema de comercial de TV dos jeans Ellus, em que um casal de jovens mergulha numa piscina, e ao som da canção de Rita Lee, começa a tirar a roupa debaixo d’água. Com o slogan “tire a roupa para quem você gosta”, o comercial conquistou o público jovem da época, mas escandalizou os mais conservadores.


Cena do comercial para TV dos jeans Ellus, que como
trilha sonora, "Mania de Você", de Rita Lee, em 1979.

Se o público dos shows de Rita já era grande na época do Tutti-Frutti, a partir do sucesso do álbum Rita Lee, esse público só aumentou. Suas aparições na TV tornaram-se mais frequentes, o que só contribuiu para impulsionar as vendas dos seus discos. O álbum de 1979 não só elevou Rita Lee a estrela de primeira grandeza da música brasileira, como abriu caminho para uma sequência de álbuns de grande sucesso comercial como Rita Lee (1980), Saúde (1982) e Rita Lee & Roberto de Carvalho (1983), contrariando as previsões dos mais pessimistas de que o sucesso comercial de Rita não chegaria à próxima década. 

Faixas

Todas as faixas compostas e escritas por Rita Lee e Roberto de Carvalho, exceto as indicadas.

Lado 1
  1. "Chega Mais"             
  2. "Papai me Empresta o Carro"           
  3. "Doce Vampiro" (Rita Lee)    
  4. "Corre-Corre"         

 Lado 2
  1. "Mania de Você" 
  2. "Elvira Pagã" 
  3. "Maria Mole" (Rita Lee - Guto Graça Mello)
  4. "Arrombou a Festa II" (Rita Lee - Paulo Coelho)






Comercial de TV dos jeans Ellus com a
música "Mania de Você" - 1979


Abertura da telenovela Chega Mais, TV Globo,
com a música "Chega Mais" - 1980

“Bridge Over Troubled Water” (Columbia, 1970), Simon & Garfunkel

 


A dupla Simon & Garfunkel estava em pleno auge da carreira naquele agitado e conturbado final dos anos 1960. O ano de 1968 foi bastante proveitoso para a dupla, pois a canção “Mrs. Robinson” foi um dos maiores sucessos daquele ano, chegando a alcançar o posto de 1º lugar da Billboard 100, nos Estados Unidos. A música era tema principal do filme The Graduate (no Brasil, A Primeira Noite De Um Homem), que havia estreado nas telas de cinema no fim de 1967. “Mrs. Robinson” foi incluída no quarto álbum da dupla, Bookends, lançado em abril de 1968, e em 1969, viria a conquistar dois prêmios Grammy: “Melhor Gravação do Ano” e “Melhor performance vocal de pop contemporâneo (dupla ou grupo)”. Bookends foi sucesso de público e de crítica, alcançando o 1º lugar da Billboard, nos Estados Unidos, onde vendeu mais de 2 milhões de cópias.

O grande êxito comercial de Bookends foi uma espécie de “ensaio de luxo” para a grande obra-prima de Simon & Garfunkel que estava por vir: Bridge Over Troubled Water. Porém os fãs tiveram que esperar por Bridge Over Troubled Water por pouco mais de uma ano e meio.

Após a dupla ter colaborado com quatro canções para o filme The Graduate, dentre as quais, a famosa “Mrs. Robinson”, Art Garfunkel foi convidado para participar do filme Catch 22 (no Brasil, Ardil 22), de Mike Nichols (o mesmo diretor de The Graduate) no papel do Tenente Nately. Era a estreia de Garfunkel na carreira cinematográfica. Enquanto Garfunkel estava no México envolvido com as filmagens que duraram cerca de oito meses, durante esse tempo todo Paul Simon estava em Nova York compondo canções para o próximo álbum da dupla.

O processo arrastado das filmagens em que Garfunkel estava envolvido no México e que custaram quase um ano, acabaram criando uma ansiedade da gravadora Columbia por um novo álbum da dupla para poder pegar carona na ótima vendagem de Bookends. O máximo que a Columbia conseguiu de Simon & Garfunkel foi o lançamento do single da canção “The Boxer”, lançado em março de 1969.

Dustin Hoffman em cena de The Graduate que teve como tema musical principal
a canção "Mrs. Robinson", de Simon & Garfunkel.

Concluídas as filmagens de Catch 22 em setembro de 1969, em outubro, Simon & Garfunkel iniciaram as gravações de Bridge Over Troubled Water, sob a produção de Roy Halee, o mesmo produtor de Bookends. Buscando um maior foco nas gravações do novo álbum, Simon & Garfunkel recusaram convites para apresentações.

A princípio, o novo álbum estava planejado para ter 12 músicas. Porém, para a da 12ª música, houve um impasse. Paul Simon compôs “Cuba Si, Nixon No”, mas Art Garfunkel rejeitou. Ao invés dessa, Garfunkel queria alguma canção com coral de Bach, coisa que Simon não queria. No final das contas, não deu nem uma coisa e nem outra: o álbum ficou nas 11 músicas.

Lançado em 26 de janeiro de 1970, Bridge Over Troubled Water começa com a canção que deu nome ao álbum. É sem sombra de dúvidas a grande canção da carreira de Simon & Garfunkel. Composta por Paul Simon, ele teria buscando inspiração no reverendo Claude Jetter e seu coral gospel Swan Silvertones. Simon era quem iria gravá-la, porém, ele não conseguia alcançar as notas mais altas que a canção exige. Coube a Art Garfunkel gravar a canção, e para tanto, Paul Simon e o arranjador Larry Knetchell, refizeram as partituras e arranjos para que Garfunkel a gravasse. A interpretação de Art Garfunkel é sublime, começando de maneira suave e crescendo com o decorrer da canção até chegar ao ápice no final da música, onde o vocalista alcança incrivelmente as notas mais altas. Ao longo do tempo, “Bridge Over Troubled Water” foi regravada pelos mais diversos artistas, dentre os quais Elvis Preley, Aretha Franklin, Johnny Cash e Elton John. No Brasil, a canção ganhou uma versão em português da dupla Kleiton & Kledir em 1983, sob o título “Corpo E Alma”. 

“El Cóndor Pasa (If I Could)” é uma música composta pelo peruano Daniel Alomía Robles (1871-1942) em 1913, baseada nas canções folclóricas dos Andes, na América do Sul. A canção ganhou fama mundial através da versão em inglês de Simon & Garfunkel. Simon canta acompanhado do conjunto Los Incas, que executa a base instrumental por meio de instrumentos andinos, transportando o ouvinte no tempo e no espaço para algum lugar do interior do Peru.

A faixa seguinte, “Cecília”, trata sobre um rapaz apaixonado pela sua amada Cecília, que por sua vez, demonstra ser uma garota de espírito livre, disposta a não se prender afetivamente a ninguém. Em “Keep The Customer Satisfied”, um rockabilly bem inspirado nos Everly Brothers, a dupla canta o prazer de estar de volta ao lar após uma cansativa turnê.

O lado A da versão LP do álbum se encerra com “So Long, Frank Lloyd Wright”, uma canção em que a dupla presta uma homenagem ao arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright (1867-1959). Além de possuir uma linha melódica suave e delicada, a canção tem como destaque um violão que guarda influências da bossa nova.

Paul Simon e Art Garfunkel.

“The Boxer”, uma das mais belas canções do repertório de Simon & Garfunkel, abre o lado B de Bridge Over Troubled Water. Composta por Paul Simon, a canção revela-se um tanto quanto autobiográfica. Conta a história de um jovem que deixa o lar de sua família e parte para Nova York, onde vai batalhar para vencer na vida. Foi uma das canções mais demoradas para gravar, levando cerca de 100 horas de gravação.

Misto de folk music com rock’n’roll, “Baby Driver” conta a história de um garoto que mora num lar confortável e seguro, mas que não mede esforços em partir para o mundo lá fora em busca de aventuras que satisfação os seus desejos e fantasias sexuais. A música possui efeitos sonoros como ruídos de carros e vocais bem ao estilo dos Beach Boys.

“The Only Living Boy In New York” foi composta por Paul Simon durante o período em que Art Garfunkel estava no México participando das filmagens de Catch-22. E é justamente sobre aquele momento em que os dois membros estavam em lugares distantes que a canção trata em seus versos. O “Tom” ao qual a música se refere é o próprio Garfunkel: esse era o nome que ele usava quando montou a dupla com Paul Simon, no final dos anos 1950. Simon usava o nome artístico de Jerry.  Uma curiosidade nessa canção é que o trecho vocal que emite um “aaahhh!” foi feito pelas vozes de Simon & Garfunkel multiplicado por oito, camada sobre camada. A ideia era dar a impressão ao ouvinte de que se tratava de um coral de oito vozes, mas que na verdade eram duas.

Numa época em que não havia internet, a carta era um dos meios de comunicação mais utilizados. “Why Don't You Write Me” retrata em seus versos sobre um jovem apaixonado que aguarda ansiosamente pela carta da mulher que ama,e questiona porquê dela não escrever para ele.

Art Garfunkel atuando no filme Catch-22.

“Bye, Bye, Love”, é uma regravação ao vivo de um dos maiores sucessos dos Everly Brothers, dupla que foi uma das grandes influências sobre Simon & Garfunkel. A música foi gravada ao vivo durante uma apresentação de Simon & Garfunkel, em Ames, no estado de Iowa. Fechando o álbum, a balada ao violão e naipe de violinos “Song For The Asking”, uma canção que para alguns, mostrava-se uma sutil despedida da dupla.

Bridge Over Troubled Water teve uma recepção “morna” por parte da imprensa. O jornalista Richard Williams afirmou que o álbum tem alguns “momentos de tédio”. No entanto, o público recebeu muito bem o álbum: alcançou o 1º lugar na parada de álbuns da Billboard 200, nos Estados Unidos por cerca de 10 semanas e vendeu mais de 8 milhões de cópias. No Reino Unido, Bridge Over Troubled Water ficou no topo da para de álbuns por cerca de 35 semanas e chegou à marca de 3 milhões de cópias vendidas. Entre 1970 e 1972, Bridge Over Troubled Water teve a proeza de ser o álbum mais vendido da História. Foi por muitos anos, o álbum mais vendido da gravadora CBS, posto que só veio a perder para Thriller (1982), de Michael Jackson, nos anos 1980. Desde que foi lançado, Bridge Over Troubled Water vendeu no mundo inteiro mais de 25 milhões de cópias.

Em meio ao sucesso do recém lançado Bridge Over Troubled Water, a dupla Simon & Gafunkel chegou ao fim de 1970. Apesar do ótimo desempenho comercial do grupo, a relação entre Paul Simon e Art Garfunkel estava estremecida. O desgaste provocado pela superexposição bem como a carreira de Art Garfunkel no cinema, estariam entre os fatores para a dissolução da dupla. Para Paul Simon, a carreira cinematográfica de Garfunkel ofuscava a carreira da dupla. Garfunkel por sua vez, acreditava que seu envolvimento no cinema, ajudaria ainda mais a propagar a dupla Simon & Garfunkel.

Apesar das tensões, a separação foi amigável. Garfunkel prosseguiu com a sua carreira no cinema e na música, e Paul Simon começou a sua consagrada carreira solo.

Em 1971, mesmo após o fim da dupla, Bridge Over Troubled Water continuava com seu prestígio em alta. Na edição do prêmio Grammy daquele ano, o álbum venceu em seis categorias, um fenômeno: “Álbum do Ano”, “Canção do Ano” (pela faixa-título), “Melhor Canção Contemporânea” (pela faixa título), “Melhor Arranjo para Acompanhamento Vocal” (pela faixa-título), “Melhor Engenharia de Gravação – Música Não Clássica” e “Gravação do Ano” (pela faixa-título).

Art Garfunkel e Paul Simon na premiação do Grammy, em 1971.

Depois da dissolução em 1970, a dupla se reuniu mais algumas vezes, mas sem um compromisso para gravar material inédito. A reunião mais notável e emblemática ocorreu em setembro de 1981, quando Simon & Garfunkel se apresentaram no Central Park, em Nova York, para um público estimado em 500 mil pessoas. O show foi registrado e lançado como álbum duplo gravado ao vivo The Concert In Central Park, em 1982.

Faixas

Lado 1
  1. “Bridge Over Troubled Water”
  2. “El Condor Pasa (If I Could)” (Daniel Alomía Robles – versão para o inglês: Paul Simon)
  3. “Cecilia”
  4. “Keep The Customer Satisfied”
  5. “So Long, Frank Lloyd Wright”


Lado 2
  1. “The Boxer”
  2. “Baby Driver”
  3. “The Only Living Boy In New York”
  4. “Why Don't You Write Me”
  5. “Bye Bye, Love” (ao vivo em Ames, Iowa) (Felice Bryant - Boudleaux Bryant)
  6. “Song For The Asking”


Todas as canções foram compostas por Paul Simon, exceto as indicadas.




“Bridge Over Troubled Water”

“El Condor Pasa (If I Could)” 


“Cecilia”

“Keep The Customer Satisfied”


“So Long, Frank Lloyd Wright”


“The Boxer”


“Baby Driver”


“The Only Living Boy In New York”


“Why Don't You Write Me”


“Bye Bye, Love” 


“Song For The Asking”


Resenha Tattooed Millionaire Álbum de Bruce Dickinson 1990

 

Resenha

Tattooed Millionaire

Álbum de Bruce Dickinson

1990

CD/LP

No fim dos anos 80 Bruce Dickinson anda desanimado com o Maiden pelo direcionamento musical. No clássico Somewhere in Time o vocalista não havia contribuído com nenhuma canção. 

Então em 1989 Bruce teve a oportunidade de  compor e gravar Bring Your Daughter…To The Slaughter, para a trilha sonora do filme A Nightmare On Elm Street 5: The Dream Child. Todos ficaram entusiasmados com a criação do tema. O chefão Steve Harris queria a faixa para o próximo disco do Maiden e acabou conseguindo.

Porém, tal fato animou os chefões da gravadora EMI, que incentivaram Dickinson a gravar um disco inteiro com suas criações e iniciar sua tão desejada carreira solo. O primeiro passo era arrumar um bom guitarrista e parceiro musical. Jannick Gers possuía um extenso currículo, tendo ganhado notoriedade ao trabalhar na banda solo de Ian Gillan do Deep Purple. Gers havia participado da canção solo para a trilha sonora citada e Bruce decidiu continuar trabalhando com o guitarrista, uma vez que a parceria fluiu tão bem;

A dupla compôs quase todas as canções que faria parte do futuro álbum. Para completar o grupo foram recrutados o baixista Andy Carr e o baterista Fabio Del Rio, que embora não fossem nomes conhecidos no meio metálico, eram músicos competentes e criaram a cozinha perfeita para as aspirações do vocalista. A produção ficou a cargo de Chris Tsangarides (Gary Moore, Yhin Lizzy, Judas priest, etc...) e o engenheiro de som foi Nigel Green, que Havia trabalhado com o próprio Maiden nos clássicos Killers  e The Number Of The Beas, 

A abertura com “Son of a Gun” deixa em evidência duas realidades que se perpetuariam por todo o álbum: O vocalista havia se afastado completamente do som de sua banda principal, optando por um hard n´ heavy melódico e mais direto, promovendo uma volta as suas raízes musicais e trazendo influências diretas de AC/DC, Aerosmith antigo, UFO, Free e outros medalhões setentistas. 

Outro fator importante foi a entonação vocal de Dickinson, que está cantando mais solto, com timbres mais roucos e rasgados, sem tanto esmero, bem diferente do que  havia feito nos dois últimos discos do Maiden. Jannick Gers apresenta uma dos melhores trabalhos de guitarra de sua carreira, seja na escolha de timbres, seja na execução dos temas, em nada lembrando sua futura participação na donzela.

A faixa titulo traz um hard musculoso cuja letra seria direcionada  ao baixista Nikki Sixx e seus companheiros do Motley Crue; “Born e 58” é uma canção midi tempo, trazendo influências claras de Def Leppard e Aerosmith, com refrão pegajoso e bons jogos de vocais; "Hell On Wheels", com a letra cantada em cima do riff da guitarra de Gers poderia estar em qualquer álbum do AC/DC;

“Gipsy Road” é uma das baladas mais bonitas que eu ouvi em todos os tempos. “Dive! Dive! Dive!”, com sua base segura e riff arrastado ganhou clip na MTV da época; A única canção não autoral é o cover do Mott The Hoople, “All The Young Dudes”, composto por David Bowie. Em minha opinião esta é uma das versões definitivas desta canção, que ganhou varias outras releituras durante os anos;

Fechando o álbum temos a aerosmithiana “LIckin’ the Gun”, a despojada “Zulu Lulu” e “No Lies”, a maior canção do disco com mais de seis minutos e a única faixa totalmente composta por Dickinson. 

“Tattooed Millionaire” chegou as lojas em maio de 1990, e embora não tenha apresentado nada de novo, seu rock básico e sincero cativou crítica e público, que se surpreenderam com a nova faceta do vocalista.

O disco impactaria também o Iron Maiden, pois a aproximação de Gers com Bruce acabou sendo determinante para que o guitarrista conseguisse a vaga deixada por Adrian Smith. O sucesso do disco também serviria para deixar o vocalista mais seguro para abandonar a donzela e se aventurar em novos caminhos musicais.

Resenha IX Álbum de Host 2023

 

Resenha

IX

Álbum de Host

2023

CD/LP

Era final dos anos 90 quando o PARADISE LOST resolveu dar uma ousada guinada no seu som e visual, o que deixou seus fãs pasmos: de um grupo de doom/gothic metal para um grupo de rock com influências de eletrônica.

Essa fase “alternativa”, digamos assim, renderia uma sequência de quatro discos, com muitos fãs virando as costas e chamando eles de vendidos. Passados uns bons anos, a banda voltaria a lançar excelentes discos de doom/gothic metal e boa parte desses mesmos fãs os receberia de braços abertos.

Mas, novamente a vontade de fazer algo naquela linha bateu forte e Greg Mackintosh (guitarrista) resolveu dar voz a esse desejo antigo, só que agora, calejado das porradas levadas, fora do PARADISE LOST. Surge então o HOST, então projeto individual, mas que virou uma dupla com a entrada do seu velho amigo, Nick Holmes (vocais).

"Estou preso naqueles clubes de meados dos anos 1980", disse Greg em uma entrevista explicando o motivo do HOST existir. Nessa época, a então a dupla de adolescentes era frequentadora das pistas de dança dos clubes de West Yorkshire que tocavam THE CULT, THE MISSION, SISTERS OF MERCY, SIOUXSIE AND THE BANSHEES, DEPECHE MODE e mais uma infinidade de bandas com aquela inigualável pegada dark/gothic inglesa. Experiência bem vivida, vide as faixas “Tomorrow’s Sky” e “Hiding From Tomorrow” do disco debut que animariam facilmente essas mesmas pistas de dança caso tivessem sido lançadas a época.

E quando falamos de PARADISE LOST e HOST, logo vem a mente o homônimo disco de 1999, um dos mais marcantes da fase alternativa do grupo. Já “IX” (2023), o então debut, não é uma continuação do que foi feito lá atrás, mas sim uma evolução, já que seus resultados são bem superiores ao que havia sido feito então.

Não que “IX” (2023), caso tivesse sido lançado em meados dos anos 90, junto com “One Second” (1997) e “Believe In Nothing” (2001) fosse ser bem acolhido pela maioria dos fãs do PARADISE LOST daquela época, é uma questão temporal mesmo, de ser lançado na hora certa. Acredito que tanto eu como de boa parte dos fãs do grupo tenha hoje em dia maior tolerância a esse tipo de som do que quando dos lançamentos citados.

O HOST tem uma aura dark wave/gothic rock forte, com muitos sintetizadores, teclados, violinos e um clima melancólico que você pode sentir especialmente pelos soberbos vocais de Nick Holmes. Faixas como “Divine Emotion”, “My Only Escape” e “Inquisition” dificilmente seriam melhor interpretadas por outro vocalista.

Outra escolha acertada de Greg Mackintosh, que também assina a produção e gravação, foi chamar o experiente Jaime Gomez Arellano, músico e produtor que já trabalhou com ANGEL WITCH, CATHEDRAL, GHOST, MAYHEM e o próprio PARADISE LOST, para fazer a mixagem e masterização, além de tocar bateria acústica em três faixas. Um disco com um clima carregado desse, poder contar com uma pessoa experiente foi meio caminho andado para ter bons resultados.

A versão em CD ganhou três bonus tracks: o bom cover para “I Ran”, hit de 1982 do A FLOCK OF SEAGULLS, e dois remixes bem distintos: “Hiding From Tomorrow” em uma ótima versão bem dark wave feita pelo compositor de trilhas sonoras LUSTMORD (ou Brian Williams) e “Tomorrow’s Sky”, pelo misterioso produtor e músico GOST, beirando a dance music (aí já foi forçar demais a tolerância).

Seria ótimo se o HOST virasse de fato uma banda fixa, com mais lançamentos, mesmo que sob as sombras do PARADISE LOST. Greg e Nick não precisam provar mais nada a ninguém faz tempos, o projeto só reforça ainda mais como eles são dois músicos muito talentosos e versáteis.
Lançado no Brasil pela Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast, “IX” (2023) deve ser ouvido sem ressalvas, mesmo por quem torceu o nariz no longínquo ano de 1999...
Formação:
Greg Mackintosh: guitarra, baixo, teclados, programação, composição
Nick Holmes: vocais, letras
Jaime Gomez Arellano: bateria acústica
Alicia Nurho: violino

Faixas:
01 Wretched Soul
02 Tomorrow’s Sky
03 Divine Emotion
04 Hiding From Tomorrow	
05 A Troubled Mind	
06 My Only Escape	
07 Years Of Suspicion
08 Inquisition	
09 Instinct
10 I Ran (A FLOCK OF SEAGULLS cover, bonus track) 
11 Hiding From Tomorrow (LUSTMORD remix, bonus track)
12 Tomorrow’s Sky (GOST remix, bonus track)

Resenha Orsak:Oslo Álbum de Orsak:Oslo 2019

 

Resenha

Orsak:Oslo

Álbum de Orsak:Oslo

2019

CD/LP

É absolutamente impossível para este que escreve a presente resenha falar sobre o homônimo álbum de estreia da interessantíssima banda sueca Orsak:Oslo sem contar aos leitores a história de como fui apresentado ao som desse quarteto formado na cidade Gotemburgo por Christian Andersson (guitarra), Øyvind Minsaas (bateria), Bjarne Karlsson (teclado, guitarra) e Peter Nilsson (baixo).

Há cerca de dois meses eu encomendei, diretamente do site da Kapitän Platte Records, os dois primeiros álbuns dos noruegueses do The Low Frequency in Stereo (banda hoje dissolvida, e da qual já falei aqui quando resenhei o maravilhoso disco Pop Obskura, de 2013). O selo Kapitän Platte se especializou no lançamento, em vinil (e em edições limitadíssimas), de discos que só tinham saído em CD, digital download ou streaming. Era justamente o caso dos LPs que eu havia adquirido pelo site. Mas, para a minha surpresa, o pessoal da gravadora me mandou de brinde, junto com os vinis, o disco do Orsak:Oslo (sim, é assim mesmo que se escreve), banda da qual eu ainda não tinha ouvido falar. 

A turma da Kapitän Platte parece ter advinhado que eu tinha grandes chances de gostar do CD (pois é, ao contrário do que o leitor deve ter pensado, eles não me mandaram de brinde a edição em vinil). Sim, eu gostei bastante. Tanto que precisava vir aqui no “80 Minutos” compartilhar com todo mundo. Lançado em 2019, esse primeiro álbum dos suecos é, na verdade, uma compilação: ele reúne faixas pinçadas de EPs lançados entre 2016 e 2018 apenas no formato digital download. São eles As We Fall (2016), a tríade You’re All Gone, Tipping Point e Flodvåg (todos de 2017), Ghost Gear (2018). São, ao todo, seis faixas puramente instrumentais, sendo que a mais curta tem quase seis minutos de duração.

Se alguem fizer a pergunta “com o que se parece?”, eu responderia, baseado exclusivamente na audição desse material, que o Orsak:Oslo soa como um Neu! mais punk e metálico, mas ao mesmo tempo psicodélico. Mesmo assim, corro o risco aqui de estar a simplificar demais. Uma rápida pesquisa no site Discogs mostra que muitos estilos diferentes costumam ser associados à produção da banda, do krautrock ao blues, do hard rock ao pós-punk, passando até mesmo pelo progressivo. Caso se preste a devida atenção, dá para identificar, sim, um pouco disso tudo no som que eles fazem. 

“040 Sleepwalker”, por exemplo, soa como uma espécie de blues. Um blues não à moda do Delta do Mississipi, naturalmente, mas, sim, como o clima congelante dos fiordes nórdicos. Já “041 As We Fall” lembra bastante algumas coisas do The Cure. Mas o ponto alto do disco é, sem dúvidas, a épica (ô adjetivo batido, heim?) “050 Crying for Sleep”, com seus delirantes nove minutos de pura lisergia. É a única faixa que rompe com a fórmula predominante de canções minimalistas / repetitivas (aqui no bom sentido, tá?) e está dividida em duas seções, com a segunda celebrando desavergonhadamente o hard rock setentista. Prosseguindo com os títulos estranhos que começam com números, temos “064 Ghost Gear”, a música mais curta do álbum e que é, também, a faixa de encerramento. Ela começa com um breve solo de bateria que traz à nossa memória imagens de John Bonham espancando as peles, mas tudo não passa de uma espécie de false start. Na sequência, a banda manda um riff de guitarra que parece saído de uma trilha de faroeste espaguete do Ennio Morricone e dali em diante a música nada de braçada num mar de LSD. Mas tenho que pedir desculpas ao leitor, porque eu pulei etapas aqui. Fui direto para o prato principal e acabei deixando para trás as entradas. O disco abre com “052 Tipping Point”, que é puro motorik. Impossível não ouvir o primeiro minuto da faixa e não se lembrar, logo de de cara, de “Hallogallo”, canção de abertura do primeiro LP do Neu!, lançado em 1972. Seja onde Klaus Dinger estiver, certamente deve estar feliz com tamanha corrente de seguidores neste plano de existência. E temos também “043 Flodvåg”, uma espécie de mantra elétrico. Criadores de rótulos poderão chamá-la de “zen punk”. Ela também é a segunda faixa mais longa do disco e, pela atmosfera sugerida, é um convite ao transe. Quando se fala em rock na Suécia, o senso comum nos faz pensar imediatamente em bandas de death metal. Mas, pelo visto, existem muitos outros tesouros escondidos por lá esperando para serem descobertos e que mostram que o norte da Europa tem coisas mais diversas para mostrar. O Orsak:Oslo é um bom exemplo disso. O grupo pode até não trazer nada de novo ao universo do rock (e quem traz hoje em dia?), mas sabe fazer uso criativo das suas influências musicais e, o que é mais importante, com personalidade. E o faz misturando improvisação com ideias estruturadas. Ainda estou para ouvir seu trabalho mais recente, In Irons, lançado no mês passado, mas não tem erro: a estreia do quarteto em mídia física funciona, sim, como excelente porta de entrada. Por favor, entre sem medo!


Destaque

Firebird - Deluxe

  Banda: Firebird Disco: Deluxe Ano: 2001 Gênero: Blues-Rock, Stoner Rock, Hard Rock, Heavy Psych Faixas: 1. Dirt Trap (Steer) 3:15 2. Forsa...