sexta-feira, 26 de maio de 2023

Discografias Comentadas: Rita Lee & Tutti Frutti

 

Discografias Comentadas: Rita Lee & Tutti Frutti
Em sentido horário: Luis Carlini, Emilson, Lee Marcucci, Rita Lee e Lucinha Turnbull

Como mês passado apresentei a Discografia Comentada de Arnaldo Baptista, achei justo trazer aqui o período mais rocker da carreira de Rita Lee pós-Mutantes, aquele junto com o Tutti Frutti. São quatro álbuns de estúdio e um ao vivo, todos gravados entre uma guerra de egos gigante entre ela e o guitarrista Luis Carlini, mas que pariu clássicos atemporais do rock nacional.

Contextualizando a história, Rita sai (ou é despedida) dos Mutantes, e funda as Cilibrinas do Éden junto de Lúcia “Lucinha” Turnbull, considerada a maior fã de Mutantes do Brasil. Após apresentarem-se abrindo para os próprios Mutantes durante o Phono 73, no dia 10 de maio de 1973, que teve uma discreta reação da plateia, o projeto acaba sendo deixado de lado. Lúcia conhecia o pessoal do grupo Lisergia, composto por Lee Marcucci (baixo), Emilson (bateria) e Luis Sérgio Carlini (guitarras), e inspiradíssimos na versão Glam de David Bowie, transformam a união Cilibrinas + Lisergia no Rita Lee & Tutti Frutti, e assim começa a sequência de lançamentos.


Atrás do Porto … Tem Uma Cidade [1974]

A estreia de Rita ao lado da Tutti Frutti é uma das grandes joias da música nacional dos anos 70. A formação da Tutti Frutti aqui conta com Lucinha Turnbull (vocal de apoio, guitarra, violão de 12 cordas e palmas), Luis Carlini (guitarra, guitarra havaiana), Lee Marcucci (baixo), mais a adição dos músicos contratados pela Philips Mamão (percussão), Paulinho Braga (bateria) e Juarez (saxofone). O álbum abre com o manifesto rock ‘n’ roll de “De Pés No Chão”, com Rita já mandando todo mundo longe, em uma das primeiras letras feministas da história do rock nacional, e com um show a parte da Tutti Frutti, destacando a guitarra de Luis Carlini. Mais rock ‘n’ roll raiz com pitadas progressivas surge em faixas como “Pé De Meia” e nos sucessos “Mamãe Natureza”, canção ainda dos tempos das Cilibrinas, e “Tratos à Bola”, com a letrinha da menina que cresceu e deu tratos à bola saindo por aí, em uma clara alusão à sua saída dos Mutantes. Falando nisso, se os Mutantes achavam que Rita não havia como tocar na fase progressiva, então impressione-se com o talento da menina tocando piano, moog e mellotron na sensacional “Yo no Creo Pero …”, uma das melhores canções de toda sua carreira, inclusive considerando os próprios Mutantes. O trecho do solo de Carlini é de chorar, com harmônicos de guitarra e violões fazendo a cama para a entrada do solo, complementada por mellotron e piano, no melhor estilo Yes. Outra faixa com boas inspirações progressivas, e com uma letra muito interessante é “Eclipse do Cometa”. As intervenções dos teclados de Rita nessa canção lembram até Gentle Giant. A ruivona emociona nos vocais da sensacional “Menino Bonito”, acompanhada primeiramente apenas pelo seu piano, e depois, pelo lindo arranjo orquestral de Ely Arco Verde, mostrando que além de ser uma exímia vocalista, também é uma pianista de mão cheia. Ely também comanda os arranjos do maior sucesso do LP, “Ando Jururu”, faixa swingante que antecipava a onda disco em quase 4 anos, e que posteriormente foi regravada por nomes como Raimundos e Kiko Zambianchi. Falando em dançar, tente se segurar (e ao mesmo entender) a completa “Círculo Vicioso”, uma quebradeira swingada que faria Sly Stone se encantar. O instrumental dessa música é muito complexo, e a participação de Luis Cláudio nas guitarras jazzísticas, misturadas com flautas e moog, é um baque no cérebro. Os vocais sensuais de Rita e Lucinha no centro lembram muito o que a Blitz faria ano depois. Paulada de um disco excelente, na minha opinião tão bom quanto seu predecessor, o aclamado Fruto Proibido, que saiu no ano seguinte.

Discordando com a forma como a Philips interferiu na produção de Atrás do Porto … Tem Uma Cidade, Rita sai da Philips e assina com a Som Livre, recebendo em abril de 1975 um contrato milionário (a época) para gravar um disco nos moldes mais profissionais possível. Pouco antes, em janeiro de 1975, se apresentam com sucesso no festival Hollywood Rock, deixando registradas as canções “Mamãe Natureza”, “Minha Fama De Mau” e “E Você Ainda Duvida?” no álbum Hollywood Rock. Em seguida, ela e a Tutti Frutti ficaram semanas criando o novo álbum em uma casa a beira da represa de Ibiúna, o que permitiu parir um dos maiores discos da história do rock nacional.


Fruto Proibido [1975]

Não é meu disco preferido de Rita Lee, mas é inegável a qualidade e o investimento que Fruto Proibido teve para alçar a ruiva para além dos patamares de ex-Mutante, alcançando assim o status de Rainha do Rock. A Tutti Frutti é reformulada, agora com Franklin Paolillo (bateria e percussão), Guilherme Bueno (piano e clavinete) e os vocais de apoio de Rubens e Gilberto Nardo. Aqui, a fusão rock ‘n’ roll com progressivo casa perfeitamente, ainda mais com a produção de Andy Mills. Faixas como “Dançar Para Não Dançar”, “Fruto Proibido” e “Pirataria” trazem todo o vigor do rock, com letras muito críticas, embalo para dançar pela casa e refrãos grudentos. A última conta com a flauta de Manito, que também toca órgão na enigmática e progressiva “O Toque”, com seu lindo momento central saindo das cavernas progressivas de Yes e King Crimson, e que foi co-escrita em parceria com Paulo Coelho. Paulo também colabora no excelente blues de “Cartão Postal”, onde Carlini dá mais um presente para os ouvidos. Falando em Carlini, claro, fechando essa obra prima, “Ovelha Negra”, a faixa que melhor define Rita, mais um desabafo por sua saída dos Mutantes, e que eternizou um dos solos de guitarra mais conhecidos do rock nacional. Outros grandes sucessos ficaram para “Agora Só Falta Você”, com a guitarra de Carlini marcando época, e mais uma letra bastante feminista, posteriormente regravada por Maria Rita e Pitty, e “Esse Tal de Roque Enrow”, faixa também co-escrita ao lado de Paulo Coelho, com uma ótima presença do saxofone de Manito. E por falar em feminismo, que tal a linda homenagem para “Luz del Fuego”? Essa bela homenagem à vedete Dora Vivacqua é um rockzão para macho nenhum botar defeito, com uma letra fantástica que exalta todas as qualidades das mulheres, e que foi posteriormente regravada por Cássia Eller. Quem fazia isso no Brasil nos anos 70? Só Rita! Fruto Proibido vendeu mais de 200 mil cópias logo em sua tiragem inicial, e é considerado até hoje um dos melhores discos nacionais de todos os tempos.

Em 1976, saiu o compacto duplo com as inéditas “Lá Vou Eu” – “Caçador De Aventuras” e “Status”, complementado por “Ovelha Negra”, e o single de “Arrombou a Festa”, faixa que esculhamba com os grandes nomes da música popular brasileira com muito bom humor, e tendo “Corista de Rock” no lado B.

Tutti Frutti na época do Fruto Proibido

Entradas e Bandeiras [1976]

Seria difícil manter nível de Fruto Proibido em seu próximo lançamento, mas Rita e a nova versão da Tutti Frutti, com o duo Carlini, Marcucci e os irmãos Nardo adicionados agora de Paulo Maurício (teclados, sintetizador, vocais) e Sergio Della Monica (bateria, percussão, Tubular Bells), lançaram ao meu ver o seu mais subestimado trabalho. Entradas e Bandeiras é um irmão mais novo de seu antecessor, com ótimos rocks, vide “Corista de Rock”, com mais um maravilhoso solo de Carlini, “Superstafa” (e dê-lhe solos ácidos de Carlini) e o riff pesado de “Posso Contar Comigo”, com mais uma grande letra feminista de Rita. Adoro o hardão de “Lady Babel”, faixa bastante intrincada e surpreendente para quem conhece Rita apenas por seus sucessos ao lado de Roberto de Carvalho, e a paulada “Departamento de Criação”, com Rita gritando que vai “dar trabalho à crítica” e um peso descomunal que alegrará os metaleiros de plantão, além de um mogg fantástico. Fãs de Raul Seixas irão reconhecer no country-rock de “Bruxa Amarela” as origens do que se tornou “Check-Up” anos depois. Claro, a canção é mais uma parceria de Rita com o guru Paulo Coelho, que depois adaptou a letra para Raulzito gravar. Outra faixa que os fãs mais ávidos irão reconhecer uma certa “semelhança” com algo que já se ouviu é “Com a Boca No Mundo (Tico-Tico)”, com seus acordes de C, G, A saídos de um Velvet Underground “Sweet Jane”, mas com uma virada embalada muito sensual e impactante pelo peso do funkzão/disco que a Tutti-Frutti entrega, bem como o tesão da voz de Rita. Fecha o disco a experimental “Troca-Toca”, com vocalizações e um embalo desconcertantes. E ainda, temos até uma nova “Ovelha Negra”, através da linda “Coisas da Vida”, uma das faixas mais motivacionais da carreira de Rita. Um álbum muito bom, que conseguiu encobrir os problemas internos que já rolavam entre Rita e Carlini.


Refestança [1977] (com Gilberto Gil)

A turnê de Rita e Tuffi Frutti com Gil e sua Refavela entre outubro e novembro de 1977 culminou no excelente ao vivo Refestança, que marca a estreia de Roberto “Zezé” de Carvalho como guitarra base e teclados, em uma Tutti Frutti contando ainda com Carlini, Mariucci, Sérgio Della Monica (bateria), Wilson Pinto “Willi” (vocais) e Naila “Scorpio” Mello (percussão). O contexto da turnê surgiu um ano antes, quando a imagem de Rita ficou manchada ao ser presa por porte de drogas, assim como o baiano Gil. Então, os dois criaram o projeto para poder reerguer suas carreiras, e assim nasce um álbum espetacular, que fez questão de colocar “É Proibido Fumar” de Roberto Carlos no set list, uma forma de contar o que aconteceu um ano antes, e que conta com os dois grupos no palco. Eles também atacam ao mesmo tempo a revisão de “Get Back” dos Beatles, aqui batizada “De Leve”, o rockzão “Refestança”, com a Refavela trazendo toda sua pimenta percussiva nas costas de Djalma Correia, um dos maiores nomes da percussão mundial, mas Naila não ficando nada atrás. A Tutti Frutti se apresenta junto de Rita e Gil em canções do segundo, dando bons ares roqueiros para “Back in Bahia”, “Giló” e “Arrombou a Festa”. Já a Refavela, composta além de Djalma por Moacir Albuquerque (Baixo), Pedrinho Santana (Guitarra), Milciades Teixeira (Teclados), Carlos Alberto Chalegre (Bateria) e Lúcia Turnbull (vocais) abrilhanta a linda introdução de “Odara” (Caetano certamente vibrou ao ouvir sua canção na voz de Gil), “Eu Só Quero Um Xodó”, interpreta a “Ovelha Negra” da “comadre”, com grande tempero progressivo, e a melhor canção do álbum, o resgate de “Domingo No Parque”, fazendo Rita novamente os backing vocals deste clássico que revelou os Mutantes para o Brasil lá no Festival da Canção da TV Record de 1967, e que aqui ganhou um final apoteótico. Um ótimo disco inclusive em termos de qualidade na produção.

Willy, Marcucci, Carlini, Rita, Roberto, Naila Scorpio e Della Monica

Babilônia [1978]

Gravado entre muitas brigas de Rita e Carlini, o derradeiro disco de estúdio de Rita Lee com a Tutti Frutti é mais um álbum recheado de ótimos rocks, e abre com o grande sucesso, “Miss Brasil 2000”, para sacolejar a casa sem piedade, e com Roberto brilhando no piano. Outros grandes sucessos ficaram e “Eu E Meu Gato”, que entrou para a trilha da novela O Pulo do Gato, e é um bom rock comandado pelos teclados de Roberto, além das participações mais que especiais de Guto Graça Mello (tumba), Lincoln Olivetti (sintetizadores) e os gatos de Rita (Ziggy Stardust e Martha My Dear) e do cachorro Anibal. Outra para sacolejar é “Agora É Moda”, que me lembra muito o que o Som Nosso de Cada Dia faz no lado A do álbum Som Nosso, sendo uma faixa muito dançante, e com uma letra muito atual, principalmente para os brasileiros que acreditam no desgoverno, com frases como “pegar alguém pulando o muro”, “inquisição da idade média”, “Culpar o mercado estrangeiro”, “economizar a gasolina”, “tentar salvar a natureza” entre outros. Não à toa, acho essa a melhor faixa do disco. Falando em Som Nosso, Manito da o ar da graça mais uma vez, agora no rockzão de “Jardins da Babilônia”, mais um grande sucesso que lembra bastante “Esse Tal Roque Enrow”. Importante lembrar, que a formação da Tutti Frutti é a mesma de Refestança. “Modinha” é uma parente próxima de “Vida de Cachorro” (Mutantes) e mais uma fantástica letra de Rita, acompanhada apenas pelos violões dela e Carlini, bem como uma tímida percussão feita por Naila e Sergio, e com Rita também na flauta doce. Há única faixa aquém, “O Futuro Me Absolve”, apesar da boa letra, e com a participação de Chico Batera no gongo chinês. As brigas eram tantas que somente uma canção da dupla está em Babilônia, o ótimo rock de “Sem Cerimônia”. Carlini também compôs sozinho o rockaço “Que Loucura”, um parente próximo de “Agora Só Falta Você”. Aqui está também a primeira parceria de Rita e Roberto, no caso a balada rocker “Disco Voador”. Considero este o mais fraco dos álbuns aqui apresentados, mas mesmo assim, muito melhor do que muito do que Rita fez posteriormente, principalmente durante os anos 90 e 2000.

As brigas entre Rita e Carlini ganharam força (as baixarias e confusões deixo para o rapaz do “ok! ok!”), assim como o relacionamento entre Rita e Roberto se consolidou, e então, a cantora tocou sua carreira ao lado do marido, lançando outros clássicos atemporais para a música nacional, e deixando para a história esses cinco álbuns com a Tutti Frutti que foram os responsáveis por hoje ela ser considerada nada mais nada menos do que a Rainha do Rock Nacional.


Discografias Comentadas: Stevie Ray Vaughan

Discografias Comentadas: Stevie Ray Vaughan

Neste artigo, pretendemos trazer a discografia do grande bluesman Stevie Ray Vaughan. Acompanhe!

Stephen Ray Vaughan nasceu em 3 de outubro de 1954, em Dallas, no Estado norte-americano do Texas.

Após lutar pelo sucesso nos anos anteriores, Vaughan fazia parte e excursionou com a banda Paul Ray and the Cobras durante grande parte de 1977, mas perto do final de setembro, depois que eles decidiram se voltar a uma direção musical mainstream, ele deixou a banda e formou a Triple Threat Revue, que incluía o cantor Lou Ann Barton, o baixista WC Clark e baterista Fredde Pharaoh. Em janeiro de 1978, eles gravaram quatro músicas em Austin, incluindo a composição de Vaughan, “I’m Cryin’”.

Chris Layton

Em meados de maio de 1978, Clark saiu do grupo para formar seu próprio conjunto e Vaughan renomeou a banda para Double Trouble, nome retirado do título de uma canção de Otis Rush. Após o recrutamento do baixista Jackie Newhouse, Pharaoh desistiu, em julho, e foi brevemente substituído por Jack Moore, que havia se mudado de Boston para o Texas; ele tocou com a banda por cerca de dois meses. Vaughan então começou a procurar por um baterista e logo depois, conhecendo Chris Layton, o qual havia recentemente se separado do Greezy Wheels. No início de julho, Vaughan fez amizade com Lenora Bailey, conhecida como ‘Lenny’, que se tornou sua namorada e, finalmente, sua esposa. O casamento duraria seis anos e meio.

Vaughan também contratou Robert ‘Cutter’ Brandenburg como gerente de turnês, a quem ele conheceu em 1969. Dirigindo-se a ele como ‘Stevie Ray’, Brandenburg convenceu Vaughan a usar seu nome do meio no palco.

Em outubro de 1980, o baixista Tommy Shannon participou de uma apresentação do Double Trouble no Rockefeller, em Houston. Shannon, que estava tocando com Alan Haynes na época, participou de uma jam session com Vaughan e Layton no meio do set. Quase três meses depois, quando Vaughan ofereceu a Shannon a posição, ele aceitou prontamente.

Tommy Shannon

Apesar de popular no Texas na época, o Double Trouble não conseguiu atrair a atenção nacional. A sorte do grupo mudou quando o produtor musical Jerry Wexler o recomendou a Claude Nobs, organizador do Montreux Jazz Festival. Nobs concordou em reservar o Double Trouble em 17 de julho. A apresentação foi encerrada com algumas vaias e desapontou Vaughan.

Na noite seguinte, o Double Trouble foi reservado no lounge do Casino Montreux, com Jackson Browne presente. Browne tocou com a banda até as primeiras horas da manhã e ofereceu-lhes o uso gratuito de seu estúdio de gravação pessoal no centro de Los Angeles. No final de novembro, a banda aceitou sua oferta e gravou dez músicas em dois dias. Enquanto estavam no estúdio, Vaughan recebeu um telefonema de David Bowie, que o conheceu após a apresentação em Montreux, e o convidou para participar de uma sessão de gravação de seu próximo álbum de estúdio, Let’s Dance. Em janeiro de 1983, Vaughan gravou a guitarra de seis das oito canções do álbum, incluindo a faixa-título e “China Girl”.

Em meados de março de 1983, Gregg Geller, vice-presidente de A & R da Epic Records, assinou com a Double Trouble, por recomendação do produtor musical John Hammond.

Double Trouble

Com o sucesso de Let’s Dance, Bowie pediu a Vaughan que atuasse como instrumentista de destaque para a próxima turnê Serious Moonlight, percebendo que ele era um aspecto essencial do sucesso inovador do álbum. No final de abril, Vaughan começou os ensaios para a turnê em Las Colinas, no Texas. Quando as renegociações contratuais por sua taxa de performance falharam, Vaughan abandonou a turnê dias antes de sua data de abertura.

Em 9 de maio, a banda se apresentou no The Bottom Line, em Nova York, onde eles abriram para Bryan Adams, com Hammond, John McEnroe, Rick Nielsen, Billy Gibbons e Johnny Winter presentes. O desempenho rendeu a Vaughan uma crítica positiva publicada no jornal Nova York Post, afirmando que o Double Trouble superou Adams. Depois de adquirir as gravações realizadas no estúdio de Browne, o Double Trouble começou a montar o material para um LP completo.


Texas Flood [1983]

O álbum de estreia de Stevie Ray Vaughan foi lançado em 13 de junho de 1983, através do selo Epic Records. As gravações ocorreram entre 22 e 24 de novembro de 1982, no Riverside Sound, em Austin, Texas, Estados Unidos. A produção ficou por conta da própria banda, Stevie Ray Vaughan and Double Trouble, e Richard Mullen. O trabalho é aberto com uma faixa sensacional, que remete à década de 50, chamada “Love Struck Baby”. O clássico “Pride and Joy” possui letras sobre uma garota e um feeling espetacular da guitarra de Vaughan, incluindo um solo de guitarra arrepiante! A versão para “Texas Flood”, de Larry Davis, é indescritível, e a atuação de Stevie é digna de todos os elogios. Outra versão, agora para “Tell Me”, de Howlin’ Wolf, apresenta uma melodia divertida e contagiante. Encerra o lado A mais um cover, desta feita da banda Isley Brothers, com “Testify”, uma canção com profundo toque Soul, mesmo instrumental. Outra faixa instrumental abre o lado B, com “Rude Mood”, na qual Vaughan faz misérias com a guitarra e a bateria de Chris Layton divide o protagonismo. “Mary Had a Little Lamb” é outro cover, desta feita de Buddy Guy, contando com uma pegada Blues Rock incrível. “Dirty Pool” demonstra um sentido mais melancólico, com a guitarra de Vaughan praticamente em lamento, constituindo-se em uma música extraordinária. “I’m Cryin’” é outra faixa bem divertida e empolgante, com uma levada bastante maliciosa. Para encerrar o disco, outra faixa instrumental, a sorumbática “Lenny”. “Love Struck Baby” foi o primeiro single, sem maiores repercussões, enquanto “Pride and Joy” atingiu a 20ª posição da parada de Rock da Billboard. Texas Flood atingiu a 38ª posição da principal parada norte-americana, a Billboard 200, e ultrapassa 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Muito mais importante que isto, Texas Flood é um álbum que atesta a genialidade de Stevie Ray Vaughan.


Após uma breve turnê na Europa, a Double Trouble se apresentou como abertura para o The Moody Blues durante uma turnê de dois meses na América do Norte. Depois de aparecer na série de televisão Austin City Limits, a banda fez um show com ingressos esgotados no Beacon Theatre, de Nova York. A revista Variety escreveu que o set de noventa minutos no Beacon “não deixou dúvidas de que esse jovem músico do Texas é de fato o ‘guitar hero’ da atualidade”.


Couldn’t Stand the Weather [1984]

Em janeiro de 1984, Stevie Ray Vaughan and Double Trouble foi ao estúdio Power Station, em Nova York, com produção da própria banda, com auxílio de Richard Mullen e Jim Capfer. A Epic Records lançou o disco em 15 de maio daquele mesmo ano. A instrumental e ‘roqueira’ “Scuttle Buttin’” abre o disco, em um ritmo acelerado. A magnífica “Couldn’t Stand The Weather” é repleta de malemolência e swing, em uma composição repleta de feeling e criatividade, com excelentes vocais de Stevie. A versão marcante para “The Things (That) I Used to Do”, de Eddie Jones, traz intensidade e um clima intimista para a obra. Para encerrar o lado A, Vaughan abala todas as estruturas com um cover sensacional para “Voodoo Child (Slight Return)”, de Jimi Hendrix, com o nome sutilmente alterado para “Voodoo Chile (Slight Return)”, com uma apresentação incrível de Stevie nas guitarras. O lado B é aberto com o toque sutil de “Cold Shot”, uma versão para a faixa originalmente composta por Michael Kindred e W. C. Clark. Outro cover matador é para “Tin Pan Alley”, em uma tour de 9 minutos de absolutos feeling, intensidade e paixão. “Honey Bee” é repleta de Boogie, em uma composição lotada de energia e de ritmo. A instrumental “Stang’s Swang” encerra o disco, com um Jazz vívido e envolvente. “Voodoo Child (Slight Return)” e “Cold Shot” alcançaram, respectivamente, as 26ª e 29ª colocações na parada US Rock da Billboard, com o single final “Couldn’t Stand The Weather” não repercutindo em termos de paradas de sucesso. O álbum Couldn’t Stand The Weather manteve a curva ascendente de sucesso de Stevie Ray Vaughan, conquistando a 31ª posição da Billboard 200 e também ultrapassando a casa de 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. De modo até surpreendente, pode-se dizer que Couldn’t Stand The Weather conseguiu a “impossível” missão de se igualar, em termos de qualidade, ao impressionante Texas Flood.


Em 4 de outubro de 1984, Vaughan encabeçou uma apresentação no famoso Carnegie Hall que incluiu muitos músicos convidados. A apresentação tinha um intuito de contribuição para a T.J. Martell Foundation’s, para financiar a pesquisa sobre câncer e leucemia. O público de 2.200 pessoas também contava com a esposa, a família e os amigos de Vaughan.

No dia seguinte, a Double Trouble fez uma aparição em uma loja de discos em Greenwich Village, onde assinaram autógrafos para os fãs. No final de outubro de 1984, a banda excursionou pela Austrália e Nova Zelândia. Nos dias 5 e 9 de novembro, eles tocaram em concertos com ingressos esgotados no Sydney Opera House. Ao retornar para os EUA, a Double Trouble fez uma breve turnê na Califórnia. Logo depois, Vaughan e Lenny foram para a ilha de Saint Croix, nas Ilhas Virgens dos EUA, no Mar do Caribe, onde passaram algum tempo em férias em dezembro. No mês seguinte, a Double Trouble voou para o Japão, onde eles apareceram em cinco apresentações.


Soul to Soul [1985]

Novamente com a produção da própria banda e de Richard Mullen, Soul to Soul foi gravado no estúdio Dallas Sound Lab, em Dallas, nos Estados Unidos, entre março e maio de 1985. A Epic Records o lançou em 30 de setembro daquele mesmo ano. “Say What!” é um Hard Blues Rock inspirado, contando com bastante distorção da guitarra de Vaughan, em solos infernais, e os teclados de Reese Wynans bem proeminentes. O trabalho de metais é mais notável em “Lookin’ Out the Window”, originalmente composta por Doyle Bramhall. Novamente os teclados dão as cartas em “Look at Little Sister”, com o saxofone de Joe Sublett comandando este cover da faixa de Hank Ballard. A melancolia é preponderante em “Ain’t Gone ‘n’ Give Up on Love”, oferecendo um grande destaque às guitarras de Vaughan, com o feeling único do guitarrista em efervescência. Para fechar a primeira metade, “Gone Home”, outro flerte ‘jazzístico’, em uma composição de Eddie Harris. Outro momento de Doyle Bramhall no disco é “Change It”, uma canção mais Rock. “You’ll Be Mine”, de Willie Dixon, possui um toque inegável de rockabilly, deixando-a ainda mais saborosa. “Empty Arms” tem Vaughan na bateria e Shannon, Layton e Wynnans nos vocais, em uma música mais contida. Uma versão pesada para “Come On (Part III)”, de Earl King, traz o rock ainda mais para a musicalidade do álbum. Encerrando o trabalho com uma melodia mais tristonha, está a tocante “Life Without You”. “Look At Little Sister” e “Change It” foram os singles e ambos, curiosamente, conquistaram a 17ª posição da parada US Rock da Billboard. Soul to Soul atingiu a 34ª colocação da principal parada norte-americana de discos. Longe de ser um álbum qualquer, muito pelo contrário, mas, mesmo assim, considera-se que Soul to Soul está em um nível mais baixo que seus antecessores. Ainda assim, vendeu 1 milhão de cópias apenas nos Estados Unidos.


Vaughan, que achava cada vez mais difícil tocar partes de guitarra e cantar ao mesmo tempo, queria adicionar outra dimensão à banda, então ele contratou o tecladista Reese Wynans para gravar em Soul to Soul; e ele se juntou à banda logo depois disso.

Após uma turnê de nove meses e meio, a Epic Records solicitou um quarto álbum da Double Trouble como parte de sua obrigação contratual. Em julho de 1986, Vaughan decidiu que eles gravariam o LP, Live Alive, durante três shows ao vivo em Austin e Dallas. Em 17 e 18 de julho, a banda realizou concertos com ingressos esgotados na Austin Opera House, e em 19 de julho, no Dallas Starfest. Eles usaram gravações desses shows para montar o LP, que foi produzido por Vaughan.

O álbum Live Alive foi lançado em 17 de novembro de 1986, e é o único LP oficial ao vivo que a Double Trouble lançou durante a vida de Vaughan, apesar de nunca ter aparecido na parada da Billboard 200. Vaughan admitiu posteriormente que não foi um dos seus melhores esforços.

Em 1960, quando Vaughan tinha seis anos de idade, ele começou a roubar as bebidas do pai. Atraído por seus efeitos, ele começou a fazer suas próprias bebidas e isso resultou em dependência de álcool. Enquanto Vaughan afirmou que ele experimentou, pela primeira vez, os efeitos da cocaína quando um médico lhe prescreveu uma solução líquida do estimulante como um spray nasal, tem sido relatado que sua primeira incursão com a droga foi em 1975, enquanto tocava com os Cobras.

Antes disso, Vaughan havia usado brevemente outras drogas, como cannabis, metanfetamina e Quaaludes, o nome comercial da metaqualona. Depois de 1975, ele regularmente bebia uísque e usava cocaína, particularmente misturando as duas substâncias juntas. Na turnê europeia de setembro de 1986, a situação chegara em um ponto crítico. No auge do seu abuso de substância, Stevie bebia 1 litro de uísque e usava sete gramas de cocaína por dia. (Craig Hopkins – Stevie Ray Vaughan – Day by Day, Night After Night: His Final Years, 1983–1990).

Em setembro de 1986, o Double Trouble viajou para a Dinamarca, para um tour de um mês pela Europa. Durante a madrugada de 28 de setembro, Vaughan adoeceu após uma apresentação em Ludwigshafen, na Alemanha, sofrendo de desidratação e ficou perto da morte, recebendo tratamento médico. O incidente resultou no seu check-in na The London Clinic sob os cuidados do Dr. Victor Bloom, que o avisou que ele estava a um mês de distância da morte.

Depois de ficar em Londres por mais de uma semana, Stevie retornou aos Estados Unidos e entrou no Hospital Peachford, em Atlanta, onde passou quatro semanas em reabilitação do abuso de substâncias; Shannon também se registrou em reabilitação na cidade de Austin.

Em novembro de 1986, após sua saída da reabilitação, Vaughan voltou para a casa da mãe em Glenfield Avenue, em Dallas, onde passou grande parte de sua infância. Durante esse tempo, a Double Trouble começou os ensaios para a turnê Live Alive. Embora Vaughan estivesse nervoso em se apresentar após alcançar a sobriedade, ele recebeu apoio. A turnê começou em 23 de novembro, na Towson State University, que foi a primeira apresentação de Vaughan com a Double Trouble após sua reabilitação.

Como a turnê progrediu, Vaughan estava ansioso para trabalhar em material para o seu próximo LP, mas, em janeiro de 1987, ele pediu o divórcio de Lenny, fato que o restringiu de todos os projetos até que o processo fosse finalizado.

Isso o impediu de escrever e gravar músicas por quase dois anos, mas o Double Trouble escreveu a música “Crossfire” com Bill Carter e Ruth Ellsworth. Em 6 de agosto de 1987, o Double Trouble apareceu no Austin Aqua Festival, onde tocaram para uma das maiores audiências de sua carreira. Após uma turnê de um mês como o show de abertura de Robert Plant, em maio de 1988, que incluiu um show no Maple Leaf Gardens em Toronto, a banda foi contratada para uma turnê européia, que teria 22 apresentações e terminou em Oulu, Finlândia, em 17 de julho. Este seria o último show de Vaughan na Europa.


In Step [1989]

Com produção da própria Double Trouble e de Jim Gaines, In Step (uma clara referência ao processo de reabilitação de Stevie) foi gravado entre 25 de janeiro e 13 de março de 1989, no Kiva Studios, em Memphis, e nos Sound Castle e Summa Studios, em Los Angeles, todos nos Estados Unidos. A Epic Records lançou o trabalho em 6 de junho daquele ano. “The House Is Rockin’” é uma canção espetacular, mais um Blues Rock repleta de ritmo e velocidade. “Crossfire” mantém a pegada da faixa anterior, apontando vocais insanos de Vaughan e sua guitarra totalmente endiabrada, em outro Blues Rock incrível. “Tightrope” é menos intensa e pesada, e conta até com uma leve influência country, em uma música inspirada e cheia de swing. A Double Trouble faz uma versão envenenada para a clássica “Let Me Love You Baby”, de Willie Dixon, com Vaughane Wynans em uma dobradinha encantadora. “Leave My Girl Alone” é uma canção com uma pegada mais melancólica, embora a guitarra de Vaughan continua bem pesada, em uma boa versão para a original de Buddy Guy. “Travis Walk” é curta e divertida, com um toque retrô, e andamento rápido. “Wall of Denial” traz bons vocais de Vaughan e seus solos de guitarra com muito feeling. “Scratch-N-Sniff” é um Blues divertidíssimo, demonstrando um balanço cativante, com ótimo aspecto dançante. O cover para “Love Me Darlin’”, com direito a Fuzz Face, é simplesmente brilhante, encontrando um Vaughan afiadíssimo nos solos. Encerrando o disco, tem-se a notável “Riviera Paradise”, de inspiração jazzy, uma música que dispensa qualquer tipo de comentário. Quatro singles foram retirados de In Step, com “The House Is Rockin’”, “Wall of Denial” e “Tightrope” alcançando as 18ª, 46ª e 14ª colocações na parada US Rock da Billboard, respectivamente. O single de “Crossfire” realizou o feito de ficar com o 1º lugar dessa mesma parada. In Step atingiu a 33ª posição da Billboard 200, vendeu mais de 2 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos e venceu o Grammy na categoria Best Contemporary Blues Performance, em 1990. Enfim, se não for o melhor, In Step é um sério candidato a este posto na discografia de Vaughan.


Após o divórcio de Vaughan com Lenora ‘Lenny’ Darlene Bailey ser finalizado, a gravação do quarto e último álbum de estúdio da Double Trouble, In Step, começou. Inicialmente, Stevie possuía dúvidas sobre suas habilidades musicais e criativas depois de alcançar a sobriedade, mas ganhou confiança à medida que as sessões progrediam. As notas do álbum incluem a citação; ‘graças a Deus o elevador está quebrado’, uma referência ao programa de doze passos proposto pelos Alcoólicos Anônimos (AA).

Pouco antes da produção do álbum estar completa, Vaughan e aDouble Trouble apareceram em uma festa presidencial em Washington, com George H. W. Bush.

Em 1990, Vaughan gravou um álbum com seu irmão Jimmie, sob o nome Vaughan Brothers, chamado Family Style, lançado pela Epic Records em 25 de setembro daquele ano (assunto para um futuro post). Na segunda-feira, 27 de agosto de 1990, Vaughan e integrantes da comitiva de Eric Clapton fizeram uma jam session no Alpine Valley Music Theater, no Alpine Valley Resort, em East Troy, no estado norte-americano de Winconsin. Depois, eles decolaram para o Aeroporto Internacional de Midway, em Chicago, em um helicóptero, a forma mais comum de entrar e sair do local, pois só há uma única entrada, também utilizada pelo público.

No começo da tarde daquela segunda-feira, um helicóptero do modelo Bell 206B caiu nas proximidades de uma colina de esqui, na localidade de East Troy, no estado norte-americano de Winconsin, pouco depois de decolar. Todos os seus cinco ocupantes morreram imediatamente.

No helicóptero estavam o piloto Jeff Brown, o agente Bobby Brooks, o guarda-costas Nigel Browne, o manager de turnê Colin Smythe e o músico Stevie Ray Vaughan, este, com apenas 35 anos de idade. A investigação subsequente determinou que a aeronave partiu em condições de nevoeiro, com visibilidade supostamente abaixo de duas milhas de acordo com uma previsão local. O relatório do National Transportation Safety Board afirmava: “Quando o terceiro helicóptero estava partindo, ele permaneceu em uma altitude menor que os outros, e o piloto virou para o sudeste em direção ao terreno. Subseqüentemente, o helicóptero caiu em terreno montanhoso a cerca de dois quintos de milha do ponto de decolagem”.

Os registros da Administração Federal de Aviação (FAA) mostraram que Brown estava qualificado para voar por instrumentos em um avião, mas não em um helicóptero. Testes toxicológicos realizados nas vítimas não revelaram vestígios de drogas ou álcool em seus corpos.

A morte e o funeral de Vaughan foram uma verdadeira comoção. Estima-se que cerca de 3 mil pessoas participaram do cortejo até o cemitério Laurel Land de Dallas. Entre os convidados estavam nomes como Stevie Wonder e ZZ Top.

O túmulo de Vaughan diz: “Thank you… for all the love you passed our way”.

Um quinto e último álbum de estúdio de Stevie Ray Vaughan and the Double Trouble, contendo gravações que abrangem a maior parte de sua carreira foi lançado cerca de um ano após a morte de Vaughan. O álbum apresenta dez faixas inéditas, gravadas entre 1984 e 1989. Apenas uma canção, “Empty Arms”, apareceu em um dos álbuns anteriores do grupo. As músicas foram compiladas pelo irmão de Stevie, Jimmie Vaughan, como um veículo para lançar a faixa-título.


The Sky is Crying [1990]

The Sky Is Crying é o quinto álbum de estúdio e, na realidade, uma compilação de gravações inéditas de Stevie Ray Vaughan and the Double Trouble, que vão de janeiro de 1984 a maio de 1989. Além da própria banda, Jim Gaines, Richard Mullen e Jim Capfer recebem créditos de produção. O trabalho foi lançado, pela Epic Records, em 5 de novembro de 1991. “Boot Hill” é um Blues padrão, embora criativo, com excelentes vocais de Stevie. A versão magnífica para “The Sky Is Crying” é simplesmente de arrepiar, especialmente, quando Vaughanfaz sua guitarra “chorar”, refletindo o feeling monstruoso que ele possuía. “Empty Arms”, desta feita, está com o andamento mais veloz, enquanto serve para introduzir uma versão inacreditável para “Little Wing”, do mestre Jimi Hendrix. “Wham” é puro Rockabilly e se opõe ao Blues pesado e lento de “May I Have a Talk with You”, em um cover deveras sentimental para a faixa de Howlin’ Wolf. “Close to You”, de Willie Dixon, ganha o peso da guitarra infernal de Vaughan ao mesmo tempo em que a versão para “Chitlins con Carne”, de Kenny Burrell, traz à tona a veia jazzy da Double Trouble. A autoral “So Excited” é um típico Hard Blues Rock, furioso e intenso, com a cara de Vaughan. Para finalizar o trabalho, a acústica “Life by the Drop”, uma belíssima composição tocada por Steviecom um violão de 12 cordas. Os três singles lançados foram “The Sky Is Crying”, “Empty Arms” e “Little Wing”, as quais atingiram, respectivamente, a 2ª, 3ª e 26ª posições na parada US Rock da Billboard. O álbum alcançou a 10ª colocação da Billboard 200 e ultrapassou a marca de 2 milhões de cópias vendidas.


A versão para “Little Wing” propiciou à Stevie Ray Vaughan and Double Trouble um Grammy na categoria Best Rock Instrumental Performance, em 1993. Em 1992, ainda tentando faturar um troco, a Epic Records lançou o segundo álbum ao vivo do conjunto, In the Beginning, creditado a Stevie Vaughan and Double Trouble, com uma apresentação da banda em 1º de abril de 1980, transmitida pela rádio KLBJ-FM.

Vaughan venceu cinco W. C. Handy Awards e foi postumamente introduzido no Blues Hall of Fame, em 2000.

Suas vendas de álbuns nos EUA estão em mais de 15 milhões de unidades. Family Style, lançado logo após sua morte, ganhou o prêmio Grammy de 1991 na categoria de Best Contemporary Blues Album.

Em 2003, a revista norte-americana Rolling Stone classificou Vaughan em sétimo lugar entre os 100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos. Ele também se tornou elegível para o Hall da Fama do Rock and Roll, em 2008, mas não apareceu em uma lista de indicações até 2014, sendo introduzido ao lado da Double Trouble em 2015. A revista Guitar World classificou-o como o 8º lugar em sua lista dos 100 maiores guitarristas.

Em 1994, a cidade de Austin, Texas, ergueu o Stevie Ray Vaughan Memorial na trilha ao lado do Lago Lady Bird.

Ao todo, Stevie Ray Vaughan têm 6 álbuns de estúdio, 7 álbuns ao vivo, 9 coletâneas, 5 Vídeos, 8 videoclipes, 4 EPs e 33 singles.

 

MUSICA AFRICANA

 Mika Mendes - Mistério 1 (2019)




Mika Mendes:
Mickael Mendes nasceu em França,Nice.
Filho de um grande artista de Cabo Verde: Boy Ge Mendes.
Mika,entrou no mundo da música em 2001 com uma estréia em uma compilação:"aliança".
Em 2002/2004 surge a participação em diversos álbuns e compilações como "Philip Monteiro and Friends" e outros artistas cabo-verdianos.
Sai então em 2004/2005 o registro de cd "Paulo & Mika " na Holanda (Roterdão), com a colaboração do seu pai Boy Ge Mendes e outros músicos como Johnny Fonseca, Danilo Tavares, Djavan Mendes e o seu irmão, que compôs várias faixas deste álbum, um dos quais "Linda bo e".
Em dezembro de 2005 lançou o álbum "Paulo & Mika",que é extraído dos tubos "Linda bo é" e "Dam bo amor" que é o autor Mika Mendes e intérprete.
O sucesso do álbum resultou em turnês internacionais.
Em 2006 Mika Mendes é contactado por Nichols para participar no albúm de Márcia na música "N kre", e também para um dueto com Jamice em,(Nha Princesa).
Em 2007, Mika Mendes é o artista revelação em Portugal pelo seu talento e ainda recebe um prêmio.
Em 2008 Mika no rótulo do Sushiraw Kaysha, é uma estrela brilhante no céu,o seu álbum foi lançado em Julho de 2008.
Mika colaborou com outros artistas, como a revelação feminina Neuza em Portugal no o título (Cinderella), outro feito com Paulo Tavares "Sensualmente" escrito por Mika.
De 2008 a 2010 outra turnê internacional, concertos, festivais, mostras (Europa Estados Unidos da África).
Ele fundou seu o próprio selo com seu irmão REAIS TOQUE-° · 2010
E o seu novo álbum " My Inspiration" á planeado para março de 2011,com a participação de Djavan Mendes, Ge Mendes Boy, Mark G, Doumergue Thierry, Klaudio Ramos como compositores
e featurings, Chachi Nichol Carvalho .


Hot Blaze - No Amor Vale Tudo (2019)



Toharly Cordeiro Truzao, mais conhecido por Hot Blaze, é um cantor e compositor moçambicano, ex-membro da New Joint, nascido aos 30 de Outubro de 1990.

Blaze é um cantor versátil, seu estilo e sua voz são reconhecidos por grandes músicos da indústria da música moçambicana.


Crítica ao disco de Markus Reuter - 'Truce' (2020)

 Markus Reuter - 'Truce' (2020)

(17 janeiro 2020, Moonjune Records)

Markus Reuter - Trégua

O que estamos analisando agora é um álbum muito significativo, pois é a centésima edição da magnífica gravadora de música de vanguarda MoonJune Records, do magnífico e entusiasmado personagem Leonardo Pavkovic. Mas claro que não é só isso, porque na verdade, o melhor é que se trata de um disco do famoso mestre da Touch Guitar MARKUS REUTER. O álbum em questão é intitulado “Truce” e nos mostra um REUTER muito bem acompanhado pela dupla rítmica de Fabio Trentini [baixo fretless e sintetizador] e Asaf Sirkis [bateria]. “Truce” foi editado a 17 de janeiro a partir de algumas gravações ao vivo que decorreram no estúdio barcelonês La Casa Murada (em Banyeres del Penedes), numa sessão organizada em meados de maio de 2019. Ou seja, o mundo teve que esperar vários meses para descobrir a magia musical que aconteceu naquela ocasião, mas a espera valeu a pena, não só por se tratar de um lançamento especial dentro do catálogo da MoonJune Records, mas também por se tratar de um trabalho magnífico. Antecipamos que a REUTER nos dá um trabalho absolutamente brilhante neste novo trabalho a solo aproveitando ao máximo os contributos de Trentini e Sirkis: de facto, a autoria das sete peças aqui contidas é atribuída ao trio como um todo. Bem, agora vamos aos detalhes de “Trégua”, certo? Antecipamos que a REUTER nos dá um trabalho absolutamente brilhante neste novo trabalho a solo aproveitando ao máximo os contributos de Trentini e Sirkis: de facto, a autoria das sete peças aqui contidas é atribuída ao trio como um todo. Bem, agora vamos aos detalhes de “Trégua”, certo? Antecipamos que a REUTER nos dá um trabalho absolutamente brilhante neste novo trabalho a solo aproveitando ao máximo os contributos de Trentini e Sirkis: de facto, a autoria das sete peças aqui contidas é atribuída ao trio como um todo. Bem, agora vamos aos detalhes de “Trégua”, certo?

Com quase 12 minutos de duração, 'The Truce' abre o álbum estabelecendo um groove tão marcante quanto sofisticado, o mesmo que tem uma pegada tão contundente que REUTER não precisa de muito tempo para elaborar riffs na base e, consequentemente, expande em frases incendiárias marcadas por um expressionismo deliciosamente bombástico. Desde antes do meio, o trio descontrola-se num clima de caos majestoso dentro de uma ponte curta que, quando acesa com uma nova chama, obriga o groove a intensificar o seu halo sofisticado. Embora haja uma passagem em que o grupo explora algumas vibrações um pouco mais controladas – até mesmo etéreas –, a questão é que os três músicos articulam uma potência comum impregnada de uma virilidade aristocrática. Estamos em território fronteiriço entre os STICK MEN de “Deep” e o ATTENTION DEFICIT do primeiro álbum. 'Swoonage' se encarrega de levar as coisas para uma dimensão mais calma, beirando até o misterioso. Os belos e evocativos solos de guitarra, graciosamente articulados dentro do balanço lento controlado armado pela dupla rítmica, parecem ter sido tirados de um pôr do sol de outono dentro de um universo alternativo psicodélico. Há algo de vitalístico nesses solos que não se pode negar, mas sua missão não é mostrar força de caráter, mas retratar contornos bem desenvolvidos de alguma inquietação interior. Uma peça muito bonita, claro, e que também serve como porta de entrada eficaz para a terceira faixa do álbum, 'Bogeyman', que acentua essa avenida de explorações introspectivas até se tornar algo veementemente crepuscular. Embora o título faça alusão a um espectro aterrorizante, na realidade o que aqui se destila não é uma aura nefasta mas uma perturbação solipsista marcada por uma expressão enérgica de psicodelia refinada. A ORQUESTRA MAHAVISHNU retorcida pelo forno industrial do KING CRIMSON? Sim, algo assim... e aliás, uma extensão do zênite iniciado pelo tópico anterior. 'Be Still My Brazen Heart' é projetado para levar o trio mais longe na noite escura da alma e projetar uma dimensão melancólica e contemplativa. Através de seus estremecimentos exuberantes de free-jazz, o bloco rítmico estabelece um balanço calmo que permite que o violão se solte em uma exibição de texturas agitadas pela saudade; o baixo também cria algumas cores adicionais que completam a paleta de som atual. A ORQUESTRA MAHAVISHNU retorcida pelo forno industrial do KING CRIMSON? Sim, algo assim... e aliás, uma extensão do zênite iniciado pelo tópico anterior. 'Be Still My Brazen Heart' é projetado para levar o trio mais longe na noite escura da alma e projetar uma dimensão melancólica e contemplativa. Através de seus estremecimentos exuberantes de free-jazz, o bloco rítmico estabelece um balanço calmo que permite que o violão se solte em uma exibição de texturas agitadas pela saudade; o baixo também cria algumas cores adicionais que completam a paleta de som atual. A ORQUESTRA MAHAVISHNU retorcida pelo forno industrial do KING CRIMSON? Sim, algo assim... e aliás, uma extensão do zênite iniciado pelo tópico anterior. 'Be Still My Brazen Heart' é projetado para levar o trio mais longe na noite escura da alma e projetar uma dimensão melancólica e contemplativa. Através de seus estremecimentos exuberantes de free-jazz, o bloco rítmico estabelece um balanço calmo que permite que o violão se solte em uma exibição de texturas agitadas pela saudade; o baixo também cria algumas cores adicionais que completam a paleta de som atual. 'Be Still My Brazen Heart' é projetado para levar o trio mais longe na noite escura da alma e projetar uma dimensão melancólica e contemplativa. Através de seus estremecimentos exuberantes de free-jazz, o bloco rítmico estabelece um balanço calmo que permite que o violão se solte em uma exibição de texturas agitadas pela saudade; o baixo também cria algumas cores adicionais que completam a paleta de som atual. 'Be Still My Brazen Heart' é projetado para levar o trio mais longe na noite escura da alma e projetar uma dimensão melancólica e contemplativa. Através de seus estremecimentos exuberantes de free-jazz, o bloco rítmico estabelece um balanço calmo que permite que o violão se solte em uma exibição de texturas agitadas pela saudade; o baixo também cria algumas cores adicionais que completam a paleta de som atual.

Com a dupla de 'Power Series' e 'Let Me Touch Your Batman', REUTER e seus companheiros de viagem reforçam sua estratégia de organizar quadros jazz-prog-psicodélicos em ambientes agressivos e elegantes. O primeiro destes temas referidos remete-nos para uma síntese das peças #2 e #3 com uma dose extra de luminosidade que permite aos três instrumentos, quer no seu brilho individual, quer na sua engenharia comum, estabelecerem uma arquitetura deslumbrante. O dinamismo é evidente apesar de não ter um esquema rítmico arrojado; coragem e coragem trazem à tona sua musculatura inerente enquanto o jam faz bom uso de seus andaimes de 9 minutos. Aliás, no último terço desta peça temos um dos solos mais sólidos e extravagantes de REUTER. Por sua parte, 'Let Me Touch Your Batman' caminha para um terreno mais extrovertido, acrescentando uma dose de sensualidade e animação às viagens cósmicas pensadas para a ocasião. O que soa agora está mais de acordo com uma encruzilhada entre a faceta jazz-rock do KING CRIMSON dos anos 90, a linha de trabalho do projeto WINGFIELD REUTER STAVI SIRKIS e o padrão de um visionário como RAY RUSSELL. O esquema sonoro é meticulosamente preparado para que se gere um crescendo retumbante e absolutista, e é exatamente isso que acontece diante de nossos ouvidos enquanto a maquinaria triádica preserva com pulso de ferro o feedback de seu próprio redemoinho. Os últimos dois minutos servem para atenuar progressivamente a garra de forma a acentuar a combinação de free-jazz e sonoridades cósmicas. Se o tema mais extenso do disco se encarregou de abri-lo, o segundo mais longo será aquele que o encerra: este se chama 'Gossamer Things' e dura pouco mais de 11 ¾ minutos. Se a faixa mais longa do álbum se encarregou de abri-lo, será a segunda mais longa que o fecha: esta se chama 'Gossamer Things' e dura pouco mais de 11 ¾ minutos. No que diz respeito ao groove, segue o padrão da 'Power Series' no que diz respeito à gestão da parcimônia muscular, enquanto em relação às nuances, fraseado e efeitos do Touch Guitar, a questão está mais para o lado de uma síntese. primeira e penúltima peças; Assim sendo, a ocasião é propícia para que a REUTER dê largas ao seu virtuosismo técnico de forma coerente sob as pautas de tensão inerentes ao canal temático. No período entre pouco antes de passar o limite do quinto minuto e antes de atingir o limite do sétimo minuto, temos um nível muito alto de incandescência da Touch Guitar. Já um pouco mais tarde, o groove deriva para uma faixa mais sutil e espaçosa, o que permite que os elementos flutuantes da instrumentação venham confortavelmente à tona... E assim a coisa persiste para um encerramento sonhador para o álbum. .

Tudo isto é o que nos foi oferecido ao longo do repertório de “Truce”, um álbum absolutamente brilhante, devastador na sua postura aventureira e hercúlea, convincente na sua garra intensa: um álbum que não esmorece na sua demonstração de génio experimental. . Música jazz-progressiva de alto nível de MARKUS REUTER e seus magistrais companheiros de viagem Fabio Trentini e Asaf Sirki contidos em um álbum que só podemos recomendar 500%.

- Amostras de  'Truce':

Destaque

QUEEN - QUEEN II (1974)

  Queen II é o segundo álbum de estúdio da banda britânica Queen. Seu lançamento oficial aconteceu em 8 de março de 1974, através dos selos...