domingo, 28 de maio de 2023

POEMAS CANTADOS DE CAETANO VELOSO


 

Boas Festas

Caetano Veloso

Boas Festas
Caetano Veloso

Anoiteceu
O sino gemeu
E a gente ficou
Feliz a rezar

Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
Pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem


Boas Vindas

Caetano Veloso

Boas Vindas
Caetano Veloso

Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe

Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe

Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa

Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe
E a irmã da sua mãe

Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa

Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe



BIOGRAFIA DE Michael Bolton

 

Michael Bolton

Michael Bolton (nome artístico de Michael BolotinNew Haven26 de fevereiro de 1953) é um músicocompositor e cantor estadunidense que vendeu mais de 53 milhões de álbuns em todo o mundo e se tornou famoso em meados dos anos 1980 e início da década de 1990. Apesar de ser essencialmente um cantor de heavy metal, Bolton também é conhecido como um cantor de soft-rockbaladas e até como tenor.

Biografia

Michael Bolton nasceu em New Haven em 26 de fevereiro de 1953. Oriundo de uma família judia de origem russa, Bolton é o mais novo de três irmãos.

Começo

Desde criança demonstrou talento musical e aos 15 anos já havia sido contratado por uma gravadora. Bolton lançou seu primeiro álbum - Michael Bolotin - em 1975. Entretanto, em 1983, devido a problemas comerciais, Michael mudou seu nome para Michael Bolton e em seguida lança um álbum homônimo.

Sucesso

Aproveitando o sucesso obtido como compositor, ele co-escreveu o tema How Am I Supposed To Live Without You, para Laura Branigan, cantora mundialmente conhecida como a intérprete de Gloria, que fez parte da trilha sonora do musical Flashdance, de 1983. A canção ficou no top 10 das rádios americanas e manteve-se nas paradas durante três semanas. Graças ao sucesso alcançado, Branigan e Bolton decidiram então a voltar a trabalhar juntos, agora com a canção I Found Someone, de 1985, que não repetiu o sucesso anterior. Em 1987, porém, a cantora Cher fez desta música um hit. Desde então Michael trabalha compondo para outros artistas. Sua popularidade aumentou quando começou a co-escrever para artistas como BabyFaceDiane WarrenBob DylanBarbra StreisandKISSKenny RogersKenny GPatti LaBelle, entre outros. Em fins da década de 80, Bolton alcançou fama mundial ao gravar baladas românticas. Um de seus maiores sucessos foi com a interpretação de (Sittin' On) the Dock of the Bay, regravação de um clássico de Otis Redding. Assim, Bolton começou a se interessar por soul e por clássicos da Motown, chegando até a regravar Georgia on My Mind, sucesso de Ray Charles. Bolton também fez inúmeras parcerias como cantor. Entre as mais frutíferas figuram as com Plácido DomingoLuciano PavarottiJosé Carreras, Lucia Aliberti, Patti LaBelleCeline DionRay CharlesPercy Sledge e BB King.

Vida Pessoal

Michael Bolton é pai de três filhas (Isa, Holly e Taryn), frutos de sua união com Maureen McGuirel, que durou de 1975 a 1990. Esteve comprometido com a atriz Nicollette Sheridan de março de 2006 a agosto de 2008. Ele é vegetariano desde os seus 18 anos.

Discografia

Álbuns de estúdio

  • 2019 - A Symphony of Hits

Compilações

Ao vivo

Blackjack


Review: Faith No More – King for a Day ... Fool for a Lifetime (1995)

 


No final dos anos 1980 o Faith no More presenteou o mundo com "Epic", faixa do segundo álbum da banda, The Real Thing (1989). A canção alcançou a nona posição nas paradas da Billboard e permaneceu no Top 40 por um total de 13 semanas. Seu vídeo, com imagens de um piano explodindo e um peixe saltando fora d'água, foi exaustivamente reproduzido pela MTV na época. Angel Dust (1992) trouxe faixas estranhas e diversas, que devem ter surpreendido os fãs que só conheciam a banda por seu grande single. 

Depois da saída do guitarrista Jim Martin logo após a turnê do álbum, muitos questionaram se a química teria se perdido, mas a resposta veio da melhor forma com King for a Day ... Fool for a LifetimeBilly Gould (baixo), Mike Bordin (bateria), Mike Patton (vocal) e Roddy Bottum (teclado) recrutaram Trey Spruance (guitarrista da outra banda de Mike Patton na época, Mr. Bungle) para as seis cordas. Ele gravou o álbum porém acabou saindo antes da turnê começar, sendo substituído por Dean Menta, que era roadie de teclados.

No seu quinto disco, os californianos transitam entre diversos estilos musicais de maneira única. Com menor adição de teclados que nos trabalhos anteriores e com a parceria do renomado produtor de diversos nomes do heavy metal, Andy Wallace (Ghost, Sepultura, Slayer), King for a Day ... Fool for a Lifetime traz mais peso à banda, característica essa que se mantém desde então.

A abertura é um chute na porta. Em “Get Out”, Mike Patton questiona: “E se não houver mais nenhuma diversão?”. A faixa flerta com o punk e contém, provavelmente, o mais pesado riff de guitarra já presente em uma gravação do Faith no More.

A banda costuma frequentemente utilizar uma variedade de influências em sua música, mas elas acabam não assumindo inteiramente o controle das faixas. Exemplos disso são o country presente em “Take this Bottle”, o gospel em “Just a Man”, o death metal em “Cuckoo for Caca” e o jazz em “Star A.D.”. Essa última remete às big bands e parece ter saído diretamente de um disco de Benny Goodman, com naipe de metais e um grande trabalho de Billy Gould no baixo (que acaba sendo o grande destaque de todo o álbum). Já o primeiro single “Digging the Grave”, “Ricochet”, “The Gentle Art of Making Enemies” (com Patton cantando um hilariante “Feliz aniversário, filho da puta!”) e “What a Day” são faixas pesadas e calcadas basicamente no rock, sem muitas experimentações.

Fazer uma resenha de um álbum do Faith no More sem mencionar a performance vocal de Mike Patton seria um sacrilégio. O cara é facilmente um dos melhores e mais interessantes vocalistas do rock de todos os tempos e consegue flutuar por uma variedade absurda de estilos vocais, sendo suave e relaxante e dois segundos depois dar a impressão de estar vomitando no microfone (e isso é genial!). Exemplos disso são “Ugly in the Morning”, com vocais que lembram latidos, e “Caralho Voador”, com o refrão susurrado em português (errado) e com umas pitadas de bossa nova que lembram João Gilberto.

O Faith no More é uma banda única. Apesar disso, King for a Day ... Fool for a Lifetime segue sendo um álbum muito subestimado pela crítica, porém marca a reinvenção de uma banda que foi uma das maiores dos anos 1990. Quer ter sua atenção presa do início ao fim durante 45 minutos? Então ouça esse disco.



Review: Electric Mob – Discharge (2020)

 


Algumas bandas caem no gosto dos formadores de opinião e recebem elogios aos montes. Esse é caso do Electric Mob. Formado em Curitiba em 2016, o quarteto chamou a atenção com o EP Leave a Scar (2017) e acabou assinando um contrato com a Frontiers Records, meca do melodic rock e sleaze. O primeiro fruto dessa parceria é Discharge, lançado em 2020 em todo o mundo.

O disco de estreia do Electric Mob justifica os elogios e traz um hard rock que consegue equilibrar elementos contemporâneos e tradicionais. Bebendo em influências como Audioslave, Aerosmith, Whitesnake, Guns N’ Roses, Rival Sons, Alice in Chains e Lenny Kravitz, a banda entrega uma identidade sonora forte e com qualidade que salta aos ouvidos. Há bem encaixados toques clássicos que aproximam o som do lado mais bluesy do rock, como podemos ouvir nos riffs de “King’s Ale” e “Got Me Runnin’”, por exemplo, característica essa que dá um certo ar vintage muito agradável para a música do Electric Mob.

São doze faixas em pouco mais de 47 minutos, e aposto que se você colocar o CD para tocar ninguém vai acreditar que é uma banda brasileira. Os vocais de Renan Zonta são um destaque imediato, com um alcance enorme e talento para variar entre tons mais altos e outros mais graves. A guitarra de Ben Hur Auwarter bebe em referências como Izzy Stradlin, Joe Perry, Brad Whitford e Scott Holiday (o geniozinho do Rival Sons), com riffs e solos que esbanjam feeling. E a dupla Yuri Elero (baixo) e André Leister (bateria) é puro rock and roll e energia.

O single “Devil You Know” é o grande destaque, mais faixas como “King’s Ale”, “Got Me Runnin’”, “Far Off”, “Higher Than Your Heels” e “We Are Wrong” mostram uma banda com diversas cartas na manga e potencial para gravar muitos álbuns excelentes nos próximos anos. Pessoalmente, o caminho que me parece mais adequado para o Electric Mob em seus passos seguintes é limar de vez as influências de metal (ouvidas, por exemplo, em canções como “123 Burn” e “Brand New Hope”) e seguir o caminho do hard rock pesado e com ingredientes clássicos que ouvimos nas ótimas “Devil You Know” e “We Are Wrong”, curiosamente as faixas que abrem e fecham o trabalho.

O saldo final é um álbum muito bom e que apresenta uma banda com grande futuro. O Electric Mob tem talento, músicos muito acima da média, sabe compor e sabe onde quer chegar. E esses são fatores vitais para tornar a banda um dos principais nomes do rock brasileiro nos próximos anos, com apoio e suporte para também crescer e se destacar mundo afora.



Review: Jonny Lang – Lie to Me (1997)

 


Jonny Lang surgiu como um raio no cenário do blues na segunda metade dos anos 1990. Com apenas 16 anos, o jovem bluesman emplacou um hit de proporções planetárias e conquistou fãs muito além do cenário do blues, ajudando a popularizar o estilo e a rejuvenescer o público do gênero que é tido como o pai do rock and roll.

Nascido em Fargo, na Dakota do Norte, Jon Gordon Langseth Jr. começou a tocar violão aos 12 anos e logo chamou a atenção. Seu pai o levou então para tocar na Bad Medicine Blues Band, uma das poucas bandas de blues da região. Ted Larsen, guitarrista do grupo, deu aulas e ensinou o caminho das pedras para Jonny. A banda logo foi rebatizada para Kid Jonny Lang & The Big Bang devido ao sucesso que o então adolescente fazia com o público. O pessoal da gravadora A&M Records assistiu a uma apresentação do grupo no Bunkers Bar, em Minneapolis, e ofereceu um contrato para Jonny. Isso foi na mesma época em que outros prodígios do blues estavam surgindo, como Derek Trucks e Kenny Wayne Shepherd. Toda essa trajetória culminou com a mudança da banda para Minneapolis e a gravação do álbum Smokin’, lançado de forma independente em 1995 e creditado à Kid Jonny Lang & The Big Bang.

Lie to Me, seu segundo álbum na prática, é o seu primeiro disco solo e chegou às lojas em 28 de janeiro de 1997, um dia antes de Jonny completar o seu décimo-sexto aniversário. Com produção de David Z (Buddy Guy, Etta James, Neneh Cherry), ganhou platina nos Estados Unidos e chegou ao número 44 da Billboard 200. O álbum traz doze músicas, incluindo canções originais e versões para composições de nomes como Ike Turner e Sonny Boy Williamson.

A música que dá nome ao disco e se tornou o seu maior hit abre o play apresentando as credenciais de Jonny Lang. Com um riff de clavinete e um groove contagiante, une influências de Stevie Wonder a um blues pesado e com ótima interpretação de Lang, tanto no vocal quanto na guitarra. Clássico imediato!

“Darker Side” é uma balada soul com toques sutis de jazz e instrumentação exemplar, com direito a mais uma excelente performance vocal de Jonny. A versão para “Good Morning School Girl”, de Sonny Boy Williamson, é um dos pontos altos, assim como a jazzy “Still Wonder”. “Matchbox”, de Ike Turner, é convertida ao blues por Lang, com um solo de guitarra que mostra todo o talento do menino de Fargo. Outra grande versão é a para “Back for a Taste of Your Love”, do bluesman Syl Johnson.

A influência de B.B. King é fortemente sentida em “A Quitter Never Ends”, com Lang derramando feeling de sua guitarra. Já a deliciosa “Hit the Ground Running” é rhythm and blues da melhor estirpe. O disco visita novamente o terreno do jazz em “Rack ‘Em Up”. “There’s Gotta Be a Change” é outra que merece menção, com Lang cantando muito sobre uma base cheia de balanço.

Lie to Me foi o início de uma carreira que daria ao mundo outros álbuns excelentes como Wander This World (1998), Long Time Coming (2003) e Turn Around (2006). Jonny Lang segue ativo e seu último trabalho, Signs, saiu em 2017. Além disso, ele fez dezenas de participações especiais em discos de gente como Buddy Guy, Anders Osborne, Herbie Hancock, Eric Johnson e Cindy Lauper, entre outros. Um músico super talentoso, cujo trabalho vale a pena acompanhar de perto.



Review: Legião Urbana – Dois (1986)

 


Segundo disco da Legião Urbana, Dois chegou às lojas em julho de 1986 e trouxe uma imensa evolução em relação ao álbum de estreia, lançado no início de janeiro de 1985, poucos dias antes da primeira edição do Rock in Rio. Considerado com justiça um dos melhores discos já gravados por uma banda brasileira, Dois foi o responsável por mostrar que a Legião poderia entregar muito mais do que havia mostrado em seu debut e antecipou caminhos que o grupo seguiria nos anos seguintes.

A banda chegou a cogitar o lançamento de um álbum duplo que se chamaria Mitologia e Intuição, mas a gravadora EMI vetou a ideia. Dois foi produzido por Mayrton Bahia, que assinaria todos os discos do quarteto até O Descobrimento do Brasil (1993). Fica evidente nesse segundo álbum a enorme influência não apenas do The Smiths na sonoridade da Legião Urbana mas também de nomes como The Cure e U2, e o distanciamento do tempo nos permite perceber que essa ascendência aconteceu com mais intensidade justamente aqui, sendo deixada de lado ou minimizada nos trabalhos posteriores.

Puxado por hits como “Eduardo e Mônica”, “Tempo Perdido” e “Índios”, o álbum vendeu mais de 900 mil cópias e se tornou um dos mais populares da discografia da Legião. “Daniel na Cova dos Leões” começa a audição com uma letra messiânica e abre mão do refrão, enquanto “Quase Sem Querer” vai por caminhos mais simples em uma canção predominantemente acústica e que se tornou um dos grandes hits da carreira da banda.

A habilidade narrativa de Renato Russo é demonstrada de maneira total em “Eduardo e Mônica”, a história de um casal que se apaixona apesar da diferença de idade. Um dos maiores clássicos da história do rock brasileiro, sem dúvida alguma. “Tempo Perdido” também fez história, e fechava o lado A do LP com uma claríssima influência de The Cure.

A segunda parte do álbum abre com “Metrópole”, que soa fora de lugar dentro da atmosfera extremamente lírica do disco. Ela ficaria melhor no LP seguinte, Que País é Este (1987). “Música Urbana 2” recoloca o álbum nos trilhos e é um blues acústico onde a voz profunda de Renato é o principal ingrediente, com o vocalista entregando uma das mais impressionantes interpretações de sua carreira. “Andre Doria” é uma das jóias perdidas do repertório da banda, enquanto “Fábrica” retoma o clima messiânico de “Daniel na Cova dos Leões”.

O álbum fecha com uma das mais famosas canções da Legião Urbana, a belíssima “Índios”, onde Renato canta sobre experiências de vida em uma letra com ar autobiográfico e que se transformou em um dos hinos eternos do grupo.

Dois possui algumas canções um tanto desnecessários como o interlúdio “Central do Brasil” e “Plantas Embaixo do Aquário”, porém a força de suas músicas é tão forte que soterra qualquer falha que o álbum possa ter. Um disco que ainda preserva grande parte de sua magia e apelo no ano em que completará 35 anos, atestando a perenidade que todo grande clássico possui.



ROCK ART


 

“Give Thankx” (Warner, 1978), Jimmy Cliff

 




Muito antes de Bob Marley (1945-1981) ter se tornado “Rei do Reggae”, Jimmy Cliff já havia conquistado o posto de primeiro astro do reggae fora da Jamaica, ilha caribenha onde ritmo musical nasceu, assim como Marley e Cliff. Após iniciar a carreira artística aos 14 anos e ter gravado alguns singles, Jimmy Cliff deixou a Jamaica em 1965, aos 17 anos, e foi morar em Londres, Inglaterra. Lá assinou contrato com a Island Records, de Chris Blackwell, empresário inglês que já havia morado na Jamaica e conhecia a produção musical jamaicana. A gravadora havia se tornado uma espécie de porta de entrada para bandas e cantores jamaicanos na Europa. A Island se tornaria fundamental não só para carreira internacional de Cliff, mas também para a expansão do reggae fora da Jamaica.

Em 1967, a Island Records lançava o primeiro single de Jimmy Cliff na Inglaterra, “Give And Take”. Dois anos depois, Cliff veio ao Brasil para participar do 3º Festival Internacional da Canção com a música “Waterfall”. Na mesma época, emplaca o seu primeiro grande sucesso internacional, “Wonderful World, Beautiful People”, um dos primeiros reggaes a alcançar fama mundial. Em 1972, a popularidade de Cliff cresce quando ele participa como protagonista de The Harder They Come (Balada Sangrenta no Brasil), filme que contribuiu para a propagação do reggae pelo mundo. Famoso, Jimmy Cliff deixou a Island Records em 1973, e foi contratado pela Reprise Records, através da qual engatou uma sequência de álbuns, Music Maker (1974) e Follow My Mind (1976).

Jimmy Cliff astro do reggae e protagonista do filme The Harder They Come.

Apesar do pioneirismo e do prestígio alcançado, àquelas alturas dos anos 1970, a fama de Cliff era ofuscada pelo conterrâneo Bob Marley, que com os Wailers, havia se tornado o grande astro do reggae mundial. Mas Cliff seguiu em frente com o seu trabalho, consolidando-se como um dos nomes mais importantes do reggae, e imprimindo um estilo todo próprio, ao promover a confluência do reggae com soul music, baladas românticas e pop africano. Essas características são as que norteiam a música de Cliff no seu 12º álbum, Give Thankx, lançado em 1978. E são elas que a partir deste álbum que influenciariam os álbuns posteriores do cantor jamaicano.

Give Thankx foi produzido por Bob Johnston (1932-2015), produtor norte-americano experiente e que já havia produzido discos de astros da música como Bob Dylan, Johnny Cash (1932-2003), Simon & Garfunkel, Leonard Cohen (1934-2016), The Byrds, dentre outros artistas. Johnston tinha uma larga experiência na produção de discos rock, folk music, folk rock, gospel e blues, mas Give Thankx  seria a sua primeira experiência com o reggae, um terreno ainda desconhecido para ele.

Produtor Bob Johnston: experiente na produção de discos de rock e folk music, Give Thankx foi
sua primeira experiência no reggae.

É muito provável que a linha estilística musical do álbum tenha sofrido algum tipo de influência do produtor. Diferente dos álbuns anteriores, em Give Thankx há uma grande influência de soul music nos vocais de apoio e no canto de Jimmy Cliff. É muito provável que o produtor tenha percebido o potencial vocal de Cliff e o orientado para um caminho mais voltado para a soul music, sobretudo nas canções românticas presentes no álbum. Vale destacar, no entanto, que desde mais jovem, nos anos 1960, Cliff já ouvia soul music e toda a música negra norte-americana, que se tornariam uma referência na sua formação musical, e que renderiam belas canções como “Many Rivers To Cross”, canção com inspiração gospel e que ele gravou para o seu primeiro álbum, Jimmy Cliff, de 1969. Mas a partir de Give Thankx, Cliff daria mais vazão para o seu lado soul. Além do reggae, a base musical de Cliff, e de canções românticas inspiradas nas baladas soul music norte-americanas, há também referências do pop africano no repertório de Give Thankx.

Na versão LP de Give Thankx, a primeira faixa do lado 1, “Bongo Man”, abre o álbum com percussão em ritmo lento na sua introdução, seguido depois pela voz de Jimmy Cliff e os vocais de apoio. “Bongo Man” carrega um teor profético na sua letra que anuncia a chegada do homem do bongô, que traz consigo um novo dia, um novo momento. A canção ainda prega que não sigamos políticos e líderes de igrejas, mas que sigamos para Sião, o reino celestial de Deus, segundo a Bíblia, em Hebreus 12: 22-23.

Única faixa do álbum que não foi composta por Jimmy Cliff, “Stand Up And Fight Back” é de autoria do percussionista ganês Rebop Kwaku Baah (1944-1983), que participou das gravações de Give Thankx. “Stand Up And Fight Back” é um reggae de letra politizada e engajada, que propõe não nos acomodarmos e irmos luta. Seria uma música “irmã de alma” de “Get Up, Stand Up”, grande sucesso de Bob Marley & The Wailers.

O percussionista Rebob Kwaku Baah, autor de "Stand Up And Fight Back". 

Com vocais bem ao estilo da soul music, “She Is A Woman” é um reggae lento e romântico em que Jimmy Cliff imagina a sua mulher ideal: verdadeira, livre, capaz de aliviar a dor de um homem quando este se sente um insano.

O romantismo prossegue em “You Left Me Standing By The Door”, uma balada em que Cliff se mostra um cantor versátil, capaz de ir além dos limites do reggae. A canção bebe na fonte do soul pop da Motown e da Stax.

Fechando a sequência de canções de amor e o lado 1 de Give Thankx, “Footprints”, uma balada romântica que assim como as anteriores, também herdou as vocalizações da soul music.   

O lado 2 começa em alto astral com “Meeting In Afrika”, uma música alegre e com uma linha percussiva forte e muito presente. Aqui, Cliff se afasta do reggae e se aproxima do afrobeat que teve no nigeriano Fela Kuti (1938-1997) o seu maior expoente. Em “Meeting In Afrika”, Cliff canta a união de todos os povos, a defesa indenitária e a ancestralidade do povo negro.

"Meeting In Africa" traz influências do afrobeat, gênero musical que teve Fela Kuti como seu ícone maior.

“Wanted Man” é um reggae sobre um homem que teria a sua “cabeça a prêmio” apenas por lutar pelo amor, pela justiça e sinceridade. A letra reflete o momento turbulento em que passava a Jamaica nos anos 1970, quando a ilha caribenha era dividida por duas correntes políticas que disputavam ferozmente o poder, enquanto o povo vivia em completo estado de miséria e violência. “Lonely Streets” possui uma letra melancólica que trata da solidão noturna nas ruas de uma grande cidade. A linha de baixo é bem acentuada assim como a percussão.

Depois da melancólica “Lonely Streets”, segue o reggae alegre e solar “Love I Need”, que faz referência a um homem que está em busca de um amor que o complete. “Love I Need” é de longe, a música mais famosa de Give Thankx. No Brasil, em 1980, fez parte da trilha sonora da telenovela Água Viva, de Gilberto Braga, produzida e exibida pela TV Globo. Encerrando o álbum, “Universal Love (Beyond the Boundaries)”, canção que prega o amor sem limites entre as pessoas, capaz de ultrapar as barreiras políticas, sexuais, familiares e religiosas.

Give Thankx teve um razoável desempenho comercial. As faixas “Stand Up And Fight Back”, “Wanted Man”, “Lonely Streets” e “Love I Need” foram os grandes sucessos radiofônicos do álbum.

No final dos anos 1970, o reggae já havia se consolidado no cenário da música pop mundial. Em maio de 1980, após 12 anos, Jimmy Cliff esteve novamente no Brasil, mas desta vez como um astro consagrado. Fez uma pequena turnê país ao lado de Gilberto Gil que passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Recife. Em Salvador, o show de Cliff e Gil foi realizado no estádio da Fonte Nova para um público estimado em 50 mil pessoas.

Gilberto Gil e Jimmy Cliff em Salvador: turnê conjunta pelo Brasil em 1980.

Naquele mesmo ano de 1980, outros dois gigantes do reggae, Bob Marley e Peter Tosh, também estiveram no Brasil. Enquanto a passagem de Marley foi apenas promocional e sem shows, Peter Tosh se apresentou num festival de jazz em São Paulo e fez uma participação especial num capítulo da telenovela Água Viva, da TV Globo.

Ainda em 1980, Jimmy Cliff lançou o sucessor de Give Thankx, o álbum I Am the Living.

Faixas

Lado 1
  1. “Bongo Man”
  2. “Stand Up And Fight Back” (Rebop Kwaku Baah)
  3. “She Is A Woman”
  4. “You Left Me Standing By The Door”
  5. “Footprints”


Lado 2
  1. “Meeting In Afrika”
  2. “Wanted Man”
  3. “Lonely Streets”
  4. “Love I Need”
  5. “Universal Love (Beyond The Boundaries)”


Todas as faixas escritas por Jimmy Cliff, exceto a indicada.


“Bongo Man”


Stand Up And Fight Back”


“She Is A Woman”


“You Left Me Standing By The Door”


“Footprints”


“Meeting In Afrika”


“Wanted Man”


“Lonely Streets”


“Love I Need”


“Universal Love 
(Beyond The Boundaries)”


Destaque

Kleiton & Kledir – Kleiton & Kledir (1980)

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