segunda-feira, 29 de maio de 2023
Sérgio Godinho – Salão de Festas (1984)
Um disco incompreendido na época mas redescoberto pela geração seguinte. “Coro das Velhas” e “Quimera do Ouro” são incontornáveis.
Godinho é um tipo urbano. Gosta da azáfama das grandes cidades, da bênção de se poder estar só no meio da multidão. Porém, faz o exercício contrário em Salão de Festas: celebra o imaginário rural e inspira-se na música folclórica. Este caminho já tinha sido aflorado na trilogia Pano-Cru, Campolide e Canto da Boca mas só agora é levado até às últimas consequências.
O tema-título define o tom de festa de aldeia que atravessa o disco. A cadência da voz tem uma riqueza rítmica tal que quase parece uma bateria (as sílabas são disparadas em rajadas rápidas, riscando no chão uma dança). A tradição não tem aqui o peso dos séculos mas sim a leveza atrevida da dona Adosinda do “Coro das Velhas”. Godinho ama o bulício da cidade mas despreza a arrogância de quem diz: “pobrezinho do campónio, não tem cultura”. Não há essa coisa de “não cultura”, toda a gente tem a sua sabedoria, seja erudita ou oral, e é contra estas hierarquias que Salão de Festas se bate.
O anti-elitista Salão de Festas foi incompreendido na época mas bandas como os Diabo na Cruz viriam buscar aqui inspiração para o seu “roque popular”. Os filtros podem ser diferentes – o jazz em Salão de Festas e o rock apunkalhado em Jorge Cruz – mas a essência é a mesma: manter a tradição acesa, reinventando-a. O velho e o novo encontrando-se no mesmo convite: vai um pezinho de dança?
QUADRA EDITAM NOVO DISCO “SELVA” E ANUNCIAM PRIMEIRAS DATAS DE APRESENTAÇÃO

Selva”, o terceiro disco de originais dos QUADRA, onde estão incluídos os singles “Tropicália” e “Solar Explosion” e já se encontra disponível em todas as plataformas de streaming. “Selva” representa a diversidade de estilos e intensidade do musical da banda e conta com várias participações.
Este novo trabalho tem como base o Indie Pop com influências da música de dança, principalmente House Music e Disco, mas que, ao mesmo tempo, também encontra de outros estilos mais orientados para a Indie Eletrónica, Eletro-rock e até mesmo Drum&Bass.
Para além da diversidade de estilos que a banda apresenta, Selva, destaca-se também pelas participações de Miguel Santos (Omie Wise) em duas músicas: no primeiro single “Tropicália” e na faixa “Sahara”, Gonçalo Ferreira (Travo) no segundo single “Solar Explosion”, Ronaldo Fonseca (Peixe-avião) na “Tigre de Papel” e Gilliano Boucinha (Paraguaii e Tyroliro) na faixa “Oculto”.
Apesar da diversidade apresentada no disco tudo se relaciona em harmonia. “Tal como na Selva, procurámos incluir opostos e contradições no mesmo registo discográfico. Investimos muito de nós neste álbum e estamos de acordo que esta é a obra que melhor nos define e que nos fez perceber quem somos e para onde queremos ir. Apesar de sentirmos que o nosso percurso discográfico representa quem éramos como projeto musical, este álbum é a miragem que, até agora, não estávamos a conseguir executar. Foi um trabalho muito longo, intenso e exigiu muito de nós; sentimos que saímos pessoas diferentes deste processo. Selva é o reflexo da montanha russa que vivemos e que seria impensável há um par de anos atrás. É a nossa forma de sair por cima das adversidades e, como banda, não podíamos estar mais orgulhosos deste trabalho”, explica a banda.
“Selva” será apresentado, ao vivo, dia 3 de Junho no MusicBox Lisboa e 8 de Junho no Primavera Sound Porto, 21 de julho no Ti Milha, 3 de agosto no Festival Ponte D’Lima, 25 de agosto no Theatro Circo, em Braga, e 26 de agosto no Absurda Art Fest.
EMMY CURL APRESENTA SINGLE DE ESTREIA DO NOVO ÁLBUM… “MIRANDUM”

Inspirada nas formas únicas do canto agudo e nas batidas rítmicas regionais do adufe de Trasmontano, Catarina Miranda aka emmy Curl dedilha as primeiras notas do seu novo álbum em 2020 em Vila Real, a apenas 24h de dar à luz o seu filho.
Agora, emmy Curl está pronta para apresentar ao público o primeiro single “Mirandum”, lançando uma atenção musical significativa sobre uma herança cultural quase esquecida do Norte de Portugal, integrando o seu próprio toque distintivo e estilo de interpretação no antigo folclore celta.
Em um estado de angústia, raiva e confusão, no meio da pandemia global, emmy Curl criou sua nova interpretação geracional de uma cultura oculta e quase esquecida, vinda de trás das montanhas na linda região do Douro. Com os campos de vinho plantados nas colinas íngremes e as oliveiras prateando a terra seca, a cultura celta com o trabalho árduo da vida pastoral ainda existe. No entanto, na cena musical popular portuguesa, a cultura folklore é quase inexistente e não representada. Nascida e criada no vale entre as altas montanhas de Vila Real, emmy Curl explora agora essas antigas melodias secretas, a forma particular de canto em tom alto e as camadas rítmicas incomuns.
O novo disco de emmy Curl tem lançamento previsto para o último trimestre de 2023.
ZÉ IBARRA EDITA DISCO DE ESTREIA A SOLO “MARQUÊS, 256.”

Zé Ibarra, cantautor brasileiro e elemento dos Bala Desejo, acaba de editar o seu primeiro disco a solo, “Marquês, 256.”. Este lançamento acontece mesmo antes de começar uma digressão em Portugal com 6 datas e a passar por algumas das principais cidades do país.
“Marquês, 256”, título do disco de estreia a solo de Zé Ibarra, alude ao endereço do prédio da cidade natal do Rio de Janeiro em que o artista ficou confinado durante a pandemia Covid-19. O disco é composto por oito canções escolhidas do repertório cantado por Ibarra nos espetáculos privados que fazia no vão das escadas do prédio de sua avó, durante os tempos de isolamento social.
Em formato de voz e violão, o cantor vai de canções originais a versões de outros músicos. De Sophia Chablau – compositora de “Hello” (2021) – a Milton Nascimento, de quem Ibarra interpreta “San Vicente” (1972). A canção “Vou-me embora” (Paulo Diniz, 1972) está no disco onde também se canta “Dó a dó” (Dora Morelenbaum e Tom Veloso, 2020), “Olho d’água” (Paulo Jobim e Ronaldo Bastos, 1978) e “Vai atrás da vida que ela te espera” (Guilherme Lamounier, 1974). Dos originais o disco vai buscar canções como “Como eu queria voltar” (Lucas Nunes, Tom Veloso e Zé Ibarra, 2018) e “Itamonte” (Zé Ibarra, 2018), composição de aura mineira inspirada pela infância do artista no município de Itamonte (cidade no estado das Minas Gerais) e lançada há cinco anos, single e primeiro avanço do álbum da “Dônica”, banda carioca da qual Ibarra fez parte.
Aos 26 anos, Zé Ibarra lança o primeiro disco a solo enquanto toca com Bala Desejo – quarteto galardoado pelo Grammy Latino e formado pelo artista com Dora Morelenbaum, Julia Mestre e Lucas Nunes – e prepara o lançamento de outro álbum a solo, o primeiro disco de estúdio e de originais propriamente dito.
A partir do próximo dia 7 de junho, Zé Ibarra vai apresentar-se ao vivo e a solo em Portugal. A digressão em Portugal arranca na Escola das Artes e Ofícios, em Ovar, seguindo depois para Coimbra (Salão Brazil), no dia 8 de junho, duas datas em que tocará a solo. Nas restantes datas, já com os músicos que o acompanharão, passará por Castelo Branco (Cineteatro Avenida), a 10 de junho e, a 15 de junho, o músico sobe ao palco do B.Leza, em Lisboa. Dois dias depois, a 17 de junho marca presença no Festival Rádio Faneca, em Ílhavo. A passagem de Zé Ibarra por Portugal terminará no dia 18 de junho, com um concerto no Novo Salão Ático, no Coliseu Porto .
“LUA É A SEGUNDA MÚSICA A SER REVELADA DO PRÓXIMO ÁLBUM DE ANTÓNIO ZAMBUJO

Já está disponível “Lua”, faixa que abre o disco “Cidade”, próximo álbum de António Zambujo, a ser editado este ano.
Ao longo dos próximos meses, António Zambujo vai disponibilizar nas plataformas digitais as novas canções. Agora, é editado “Lua”, tema de abertura do disco, que se vai juntar a “Dancemos um Slow”, editado no passado dia 12 de Maio.
Até ao final do ano, vão ser reveladas mais músicas do alinhamento do décimo álbum de António Zambujo.
“Cidade” foi inteiramente escrito e composto por Miguel Araújo.
“UNDERDOGS” É O PRIMEIRO ÁLBUM DOS THE DUST

Numa sociedade cada vez mais fria, distante, apodrecida e esquecida de todos, onde, dia após dia cresce a incerteza de que o caminho é cada vez mais solitário e a entreajuda e espírito de solidariedade escasseiam por entre os dedos, surge, cada vez, a necessidade de dar voz ao nosso interior. Gritar! Por nós, por todos!
“Underdogs” é o reflexo de uma sociedade viciada, desorientada e com alguma dificuldade em enxergar com lucidez. É um grito daqueles que ficam sempre na sombra, que são menosprezados ou, até, desprezados mas que não perdem a vontade de continuar.
No fundo, se não continuarmos deixamos de ser nós. Parar é desistir e desistir é fácil demais para quem luta!
Sendo o primeiro LP dos The Dust é, também, o primeiro trabalho em estúdio a quatro, o que faz com que seja aquele que tem uma composição mais complexa e completa. Mantendo a sonoridade crua do rock’n’roll com uns acordes de blues, “Underdogs” traz, acima de tudo a prova da versatilidade sonora da banda que mostra o quão bem consegue navegar por entre as ondas sonoras do rock, oferecendo ao ouvinte diversas formas de o sentir, desde a balada, às guitarras explosivas, ao calor da ginga do rock’n’roll, passam também, ao leve, por sonoridades um pouco mais stoner.
O disco conta com com participações de Nancy Knox e Victor Torpedo, entre outras, foi gravado pela banda e misturado e masterizado por The Pentagon Audio Manufacturers, sai esta segunda feira, 29 de maio, com o selo da Raging Planet e será apresentado no dia 2 de Junho no Cine-Teatro Ginásio Clube de Corroios
GAZPA APRESENTA “NO MORE HOUSE”

O produtor e Dj Miguel Tenreiro, também conhecido como GAZPA é metade do duo GAZTWEEN que no final do ano passado editaram o EP “I” em estreia pela Jazzego. GAZPA apresenta-nos agora “No More House“. Com uma abordagem inovadora e exploratória, este trabalho de seis faixas mergulha profundamente no mundo do sampling, oferecendo uma experiência sonora única e cativante.
As seis faixas presentes em “No More House” são uma expressão da habilidade de GAZPA em criar uma atmosfera envolvente. Cada faixa é construída com base em samples cuidadosamente selecionados e manipulados, resultando numa fusão de sons ecléticos e envolventes. Pretende chamar à atenção aos fãs da música eletrônica que certamente encontrarão algo especial neste trabalho. Com influências que flutuam entre o Breakbeat, House, Glitch ou o Hip Hop, GAZPA pretende deixar um carimbo singular neste projecto.
GAZPA tem se destacado na cena musical com sua visão criativa e sonoridade distinta. “No More House” é um testemunho da paixão pela experimentação e por desafiar as convenções musicais.
JOÃO BORSCH EDITOU SEGUNDO ÁLBUM DE ESTÚDIO… “É SÓ HARAKIRI, BABY”

Já está disponivel o segundo registo de originais de João Borsch, “É Só Harakiri, Baby“. O sucessor do ousado “Uma Noite Romântica com João Borsch” conta com 14 faixas das quais fazem parte os singles “Pólvora”, “Deixa-me em Paz (Chagas)” e “Nunca Consigo Recusar“.
Depois de uma ousada primeira impressão deixada com o álbum de estreia “, João Borsch, natural do Funchal, está de regresso com “É Só Harakiri, Baby“, um álbum-musical que explora os vícios, as suas consequências, a introspecção e o medo paralisador de se ser vulnerável. O disco continua a linha de ambição do artista, explorando os limites da sonoridade e ambientes pop, com saltos vertiginosos de género e estilo ao longo da tracklis, sempre com um foco crescente na escultura tímbrica e ambiental. Nesse sentido e nesta linha artística, faria apenas sentido uma conclusão lógica: um disco conceptual, ou melhor, um musical de art pop, com uma narrativa e personagens definidas, irónico, folião, escandaloso e arrasador. “É Só Harakiri, Baby” leva os ouvintes a acompanhar uma personagem hedonista e as consequências de uma vida de vícios, insegurança e auto-destruição, entre a Terra e o Inferno, moldando o espaço e o tempo pelo caminho.
“É Só Harakiri, Baby” remete quem o ouve para as sonoridades dos anos 70, com arranjos meticulosos e instrumentação exuberante, contando com a participação especial de João Roque, da banda Mordo Mia.
“VIA TOWN” É O SINGLE DE ESTREIA DOS MARY’S BEAN

Passado um ano desde a oficialização do projeto como trio, os Mary’s Bean revelam ao público o seu primeiro tema, centrado nas suas influências grunge, punk e prog.
Na intenção de desconstruir a sociedade, focando-se na inquietação como motor para uma consciência coletiva em relação aos problemas atuais, o projeto leiriense composto por Filipe Cordeiro (voz e guitarra), Rafael Santos (bateria) e Hélio Major (baixista), acabam de editar o seu single de estreia, “Via Town”, faixa que reflete sobre uma relação de amor e ódio: “Numa relação aberta, as coisas são bastante quentes e, como sabemos, ao início tudo nos leva ao êxtase, mas em demasia pode tornar-se tóxico e, mesmo assim, somos levados pelo prazer”, sublinham os membros da banda, realçando também um dos versos da música; “Baby, I don’t know if there is another via for town”, como uma ode aos remorsos do autor por ter caído em tentação.
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