segunda-feira, 29 de maio de 2023

Discografias Comentadas: Bon Jovi (Parte I)


Discografias Comentadas: Bon Jovi (Parte I)
Bon Jovi no início da carreira: David Bryan, Tio Torres, Jon Bon Jovi, Alec John Such e Richie Sambora
Pouquíssimas bandas geram reações tão extremadas quando seu nome é mencionado como o Bon Jovi. Entre fãs e detratores, o amor e o ódio formam um antagonismo com poucos precedentes na história da música popular. Muitos creditam o sucesso da formação ao visual de seu fundador, o vocalista Jon Bon Jovi (nascido John Francis Bongiovi Jr.), mas o fato é que o grupo do Estado norte-americano de New Jersey soube como poucos sobreviver às mudanças no mercado fonográfico ocorridas nos últimos 30 anos. Filhote da primeira onda hair metal norte-americana, ao lado de bandas como Ratt, Dokken e Mötley Crüe, o Bon Jovi aproveitou-se da exposição na crescente MTV e confirmou seu status como uma das maiores bandas da década de 80 a partir de seu terceiro disco, Slippery When Wet (1986), fazendo dos videoclipes uma força tão grande quanto suas composições e suas performances sobre os palcos. No início dos anos 90, quando a derrocada dos grupos oitentistas de hard rock parecia inevitável, o Bon Jovi conseguiu aquilo que praticamente nenhuma outra formação do gênero conseguiu: permaneceu lançando álbuns de sucesso, adaptando sua sonoridade à época, mas sem cometer o erro de se deixar levar pelas tendências que dominavam o mercado fonográfico, jamais abrindo mão de sua identidade. A banda lançou recentemente seu décimo quinto álbum, e com esta discografia comentada, entre eu e Davi Pascale, prestaremos homenagem a uma de minhas formações favoritas.

bonjovie31Bon Jovi [1984]
Normalmente, na música, os sucessos nascem do esforço de uma banda em criar uma boa canção, que agrade através de seu talento como compositores e instrumentistas. E o que dizer do caso contrário, de uma banda que nasceu de um sucesso? Pois essa é a história do Bon Jovi, que foi formado por Jon a fim de aproveitar o êxito obtido com “Runaway” e confirmar o desejo de levar sua vida como um artista profissional. Gravada pelo cantor em 1982, ao lado de músicos de estúdio, na época em que Jon trabalhava no Power Station Studios, do qual seu primo Tony Bongiovi era sócio, a canção chegou às mãos de uma rádio de Nova York e tornou-se um sucesso local em 1983, levando à formação do grupo e à assinatura de um contrato com a gravadora Mercury Records. Não tardou para que o quinteto, formado por Jon, vocalista e ocasional guitarrista, Richie Sambora (guitarra), Alec John Such (baixo), Tico Torres (bateria) e David Bryan (teclados), lançasse, em janeiro de 1984, seu debut autointitulado. Como não poderia deixar de ser, Runawayfoi incluída no disco, constituindo sua abertura, além de ter sido lançada como primeiro single e videoclipe, atingindo a 39ª posição na Billboard e ajudando Bon Jovi a alcançar o 43º posto. Sua marcante introdução ao teclado, aliada a um belo solo de guitarra e às viciantes vocalizações, tornaram-se marcas registradas desse hard rock que, além de ser a melhor faixa do álbum, constitui a única música dos dois primeiros discos presente constantemente nos set lists do Bon Jovi nos últimos 25 anos. Apesar disso, justiça deve ser feita: mesmo que Bon Jovi não seja um dos melhores lançamentos do grupo, trata-se de uma coleção sólida de canções em conjunção com sua época e devendo pouco às bandas que já confirmavam seu sucesso na seara do hard rock oitentista. Roulette, que conta com um bom trabalho de Sambora e um refrão interessante, é uma delas, assim como Burning For Love, forte na simbiose entre teclados e guitarra, e “Shot Through the Heart”, que apresenta algumas semelhanças com “Runaway”. A balada She Don’t Know Me, além de ser a única música lançada em álbuns de estúdio do grupo sem contar com créditos para Jon como compositor, foi a primeira a apresentar o Bon Jovi executando uma música desse gênero, algo que a banda faria diversas vezes no futuro, muitas vezes com bons resultados e gerando grandes êxitos. “Love Lies” é a segunda canção nesse formato, mas sem o mesmo ânimo de “She Don’t Know Me”, que é dona de um refrão até certo ponto simplório, porém simpático. “Breakout” é divertida, enquanto “Come Back” traz o peso da guitarra de Sambora um pouco mais em evidência e o uso extensivo de backing vocals, uma constante na carreira do grupo, especialmente através da voz do guitarrista, que ao vivo executa com competência de sobra o importante papel de complementar as vocalizações de Jon. O disco é encerrado com a rock ‘n’ roll “Get Ready”, inocente como o disco da qual faz parte, mas cujo título é um indicativo do sucesso que estava por vir pouco tempo depois, tomando os palcos e as paradas musicais de assalto. Bon Jovi pode não oferecer o melhor da mistura entre Van Halen e Bruce Springsteen que o quinteto supostamente se prestava a fazer, mas foi o suficiente para que chamasse a atenção de muitos e iniciasse, de leve, a conquista do posto de uma das mais importantes bandas a emergir nos anos 80.

7800-fahrenheit-W3207800º Fahrenheit [1985] 
Apesar da repercussão inicial positiva, o sucesso não veio imediatamente para o Bon Jovi. “Runaway” foi um hit considerável para um grupo iniciante, mas não foi suficiente para corresponder às aspirações dos ambiciosos músicos, especialmente de Jon, que catalisou essa dose de frustração no resultado presente em 7800º Fahrenheit, recheado de letras ricas em melancolia, algo que ia contra o tom mais festeiro do hard rock oitentista, bem explorado no debut. Escondidas mesmo sob canções mais cheias de malícia e descontração, estavam as incertezas de uma banda que começava a trilhar seu caminho e ainda não havia amadurecido totalmente a ideia de passar a vida na estrada, vivendo de sua música. A primeira faixa, In and Out of Love, até pode enganar o ouvinte, pois trata-se de um legítimo pop metal, conduzido por um bom riff de Sambora e dono de um solo tão safado quanto sua letra.The Price of Love, introduzida pela bateria de Tico torres em fade in, segue uma linha semelhante, mas já dá mostras de um clima menos positivo. Musicalmente, considero-a superior à anterior, focando menos em riffs de guitarra e mais nas linhas vocais de Jon, apesar de também destacar mais um solo de qualidade. Em Only Lonely, a melancolia descrita anteriormente começa a dar as caras mais explicitamente, resultando em uma power ballad que pode soar datada, especialmente pela sonoridade dos teclados, mas tem destaque entre os fãs que apreciam a primeira fase do grupo. “Only Lonely” acabou sendo a canção proveniente de 7800º Fahrenheit que mais obteve destaque na Billboard, alcançando o modesto 54º posto, frustrando  expectativas e não ajudando muito a melhorar o desempenho do álbum na mesma parada, na qual chegou à 37ª posição, abaixo da ambição do quinteto. Outra balada, muito menos power que a anterior, é “Silent Night”, ainda mais brega e datada, o que não quer dizer necessariamente que isso é ruim. Aliás, essas duas faixas são perfeitas para destruir a tese daqueles que afirmam que o Bon Jovi, com o passar do tempo, passou a “apelar para baladas ‘mela cueca’” a fim de manter seu sucesso. Ora pois, o grupo sempre incluiu esse tipo de canção em seus álbuns, e somente alguém muito desatento ou mal intencionado ignoraria esse fato. Talvez a música mais ambiciosa do quinteto neste disco, “Tokyo Road” assume um tom mais narrativo, contando inclusive com uma introdução em japonês, na voz de uma menina, interrompida pelos riffs de Sambora, tornando a faixa o hard rock mais vigoroso do álbum, com direito a mais um solo de qualidade. Minha favorita de 7800º Fahrenheit e uma das preferidas em toda a carreira do grupo vem em seguida: The Hardest Part Is the Night. Sua letra, em tom quase confessional, reflete a solidão de seu protagonista e é bem interpretada por Jon, que passava por problemas de relacionamento na época. Instrumentalmente, trata-se de um ótimo equilíbrio entre um hard rock mais tradicional e uma power ballad, dotado de mais um belo refrão. “Always Run to You” é mais baseada em riffs de guitarra, assim como “Secret Dreams”, que fecha o álbum com seu riff mais explicitamente heavy metal e com a raríssima presença de Tico Torres como um dos compositores. Não fosse a produção e a profusão de teclados, “Secret Dreams” poderia soar muito mais pesada e provavelmente melhor, mas mesmo assim trata-se de uma boa faixa. Nem tão boas são as duas que ainda não citei: “King of the Mountain” tem um andamento quadrado e não empolga nem pela profusão de backing vocals. O nível cai ainda mais com “(I Don’t Wanna Fall) to the Fire”, candidata forte ao título de pior canção registrada pelo Bon Jovi. De refrão repetitivo e desagradável, não convence nem o fã mais complacente. 7800º Fahrenheit pode não ser um dos melhores discos lançados pelo Bon Jovi, mas, por diversos motivos que fogem à fria razão, tem um lugar especial reservado em minha memória auditiva. Trata-se de um momento único na discografia do grupo, que jamais se repetiria posteriormente; o final da inocência, de certa forma consciente, e sua sequência foi uma prova de que o quinteto era capaz de perseverar e, apesar do moderado fracasso, não deixar se abalar, focando-se como nunca na produção de um sucessor não apenas à altura, mas muito superior em qualquer aspecto. Confira aquiuma resenha especial focada em 7800º Fahrenheit.

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Slippery When Wet [1986] 
Não se deixe enganar por “Let It Rock” e sua longa introdução tocada por David Bryan nos teclados. Foi com uma frase roubada de uma música lançada dois anos e meio antes que nasceu o Bon Jovi que conhecemos hoje em dia. Mais do que isso, foi com “Shot through the heart, and you’re to blame/You give love a bad name” que o pop metal mostrou de vez que era uma força a ser reconhecida no panteão musical oitentista. Outros grupos já experimentavam sucesso havia alguns anos, colocando singles no Top 40 da Billboard e vendendo grandes quantidades de discos com regularidade, mas You Give Love a Bad Name foi a primeira música do gênero a galgar o primeiro posto. Seu perfeito equilíbrio entre melodias pop, instrumental simples mas com um toque metálico e um refrão extremamente viciante conquistou e ampliou um público que já era crescente, abrindo espaço para que outras bandas do estilo tivessem a oportunidade de mostrar seu trabalho. Na composição, ao lado de Jon e Richie, um tal Desmond Child apareceu pela primeira vez, dando início a uma parceria que continuaria ao longo dos anos. Child, que já havia trabalhado com o Kiss, foi indicado pelo próprio Paul Stanley e uniu-se ao vocalista e ao guitarrista na composição de quatro canções de Slippery When Wet, um trabalho que não apenas gerou dividendos para o Bon Jovi, mas consolidou o nome do compositor no mercado fonográfico, gerando convites posteriores de artistas como Alice Cooper e Aerosmith, interessados em reposicionar suas carreiras nos anos 80. Apesar das qualidades de “You Give Love a Bad Name”, o sucesso do Bon Jovi não veio baseado apenas em um single. Slippery When Wet é sólido de ponta a ponta, e a maior prova disso é que a sequência natural no track list, Livin’ on a Prayer, também atingiu a primeira posição na Billboard. Dessa vez, a união entre o pop metal herdado do Van Halen e recheado de melodias cativantes encontrou uma narrativa no estilo de Bruce Springsteen e moldou-se à perfeição. O groove certeiro de Alec, a guitarra com talk box, o refrão pronto para ser bradado em arenas e estádios lotados, o mágico solo de Sambora… Tudo conspirou para que a história de Tommy e Gina, um casal proletário norte-americano, se tornasse, mais do que um clássico do Bon Jovi, parte da cultura popular, transcendendo as fronteiras dos Estados Unidos. Quer mais? O que dizer de “Wanted Dead or Alive”, que, diferentemente de baladas anteriores, inspirou-se nas histórias de cowboys e adaptou-as ao cotidiano de uma banda na estrada? Jon oferece uma performance fantástica, mas é Richie que mais brilha na canção, tanto com seus backing vocals quanto em sua magnífica performance nas doze e nas seis cordas. Mais do que isso: em Wanted Dead or Alive o guitarrista oferece um dos melhores solos de sua carreira, o verdadeiro clímax da canção. Não para por aí: quem prefere o Bon Jovi mais baseado em riffs de guitarra tem “Raise Your Hands”, assim como o lado mais malandro do grupo é explorado na suingada “Social Disease”, que também traz instrumentos de sopro. Lembrando um pouco o estilo de “Runaway” há “I’d Die For You”, uma das melhores do disco, mais metálica e evidenciando a produção superior de Slippery When Wet, responsabilidade do canadense Bruce Fairbairn. Entre as power ballads, há a irresistivelmente pop “Without Love”, uma de minhas favoritas e infelizmente ignorada ao vivo, e Never Say Goodbye, mais lenta e reflexiva, de inspiração juvenil. O álbum é encerrado com a alegre e rock ‘n’ roll “Wild in the Streets”, mostrando de vez que o Bon Jovi renovou seus ânimos para a criação de Slippery When Wet e acreditava no material que estava apresentando. O resultado se revelou em muito mais do que a primeira posição que o álbum ocupou na Billboard por oito semanas, mas em um fenômeno que rendeu mais que 28 milhões de cópias vendidas ao redor do planeta.

tumblr_inline_mfq0dqB3Pk1rt1g9cNew Jersey [1988] 
Superar o resultado fantástico de Slippery When Wet seria uma tarefa hercúlea. A banda teve o talento, otiming e as ajudas certas para fazer com que o álbum fosse um sucesso. Querendo provar que seu êxito não era fogo de palha, o grupo reuniu-se novamente após uma breve pausa na extensa turnê de 1986/87 e já iniciou os trabalhos de composição daquilo que viria a ser New Jersey. Para a produção, Bruce Fairbairn foi novamente o escolhido, assim como seu auxiliar, um certo Bob Rock, cuidou novamente da mixagem.  Tal qual em Slippery When Wet, Desmond Child compôs quatro canções ao lado de Jon e Richie para o novo disco, sacramentando de vez uma parceria musical que ainda renderia muito no futuro. Na maior parte de seu track list, New Jersey é uma sequência natural, diria até proposital de seu antecessor. É fácil estabelecer um paralelo entre diversas canções presentes nos dois álbuns, a começar pela primeira, Lay Your Hands on Me, que, assim como “Let It Rock”, conta com uma longa introdução (para os padrões de um grupo mais popular) que constrói o clima para abrir os trabalhos, dessa vez protagonizado pela bateria de Tico Torres e de diversos efeitos provenientes da guitarra de Sambora. Quando a canção finalmente engrena, mostra-se um hard rock classudo, com uma dose interessante de peso, bons riffs e um Jon Bon Jovi dominando cada vez melhor sua voz. “Bad Medicine” tenta repetir o sucesso de “You Give Love a Bad Name” e consegue, ao menos nas paradas, alcançando a posição mais alta na Billboard. Musicalmente, considero-a inferior, mas seu potencial para arrebatar admiradores com seu estilo malandro é inegável, tanto que permanece sendo executada em praticamente todos os shows do grupo até hoje. Para corroborar ainda mais minha tese de que a sequência foi proposital, Born to Be My Baby segue o estilo narrativo de “Livin’ on a Prayer” e é tão boa e viciante quanto. Baseada em um bem sacado groove de baixo e amparada pelo uso extensivo de backing vocals, a faixa frustra aqueles que duvidavam da capacidade da banda em conseguir fazer jus a Slippery When Wet. Melhor ainda é Blood on Blood, a mais metálica do disco e, facilmente, uma das melhores canções que o Bon Jovi já registrou em sua longa carreira, além de ser mais uma a explorar o estilo Springsteen de narrativa. Mostra de que Bruce Fairbairn acertou na produção de New Jersey, “Homebound Train” oferece uma dose extra de peso e ao mesmo tempo suinga como nenhuma outra no disco. O jeito cowboy de ser também dá as caras, através da ótima “Wild is the Wind” e da balada “Stick to Your Guns”, que são separadas por uma breve canção registrada em mono e com a qualidade de áudio propositalmente sofrível. A composição da faixa é creditada a uns tais “Captain Kidd” e “King of Swing”, nada menos do que pseudônimos utilizados por Jon e Richie. Falando em baladas, o álbum ainda reserva “Living in Sin”, até que bastante interessante, mas nada comparado à power ballad das power ballads, a fantástica I’ll Be There For You, a preferida de uma grande parcela dos fãs e mais uma presença no topo da Billboard. Em que pesem as diversas críticas à sua breguice, poucas músicas merecem ter seu refrão bradado com tanta energia quanto “I’ll Be There For You”, e assistir sua apresentação ao vivo é uma experiência única. New Jersey ainda conta com “99 in the Shade”, na linha dos dois primeiros discos, e encerra com a descompromissadamente acústica “Love For Sale”, registrada em ritmo de descontração. Se alguém estava descrente de que o sucesso do Bon Jovi havia chegado pra ficar, quebrou a cara. Assim como Slippery When WetNew Jerseygalgou o número um na parada de álbuns da Billboard e firmou de vez a formação como uma das maiores bandas de todos os tempos.
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Bon Jovi de visual repaginado, na capa do single para “Keep the Faith”
O sucesso gigantesco de Slippery When Wet e New Jersey fez com que o quinteto se destacasse entre diversas outras bandas de hard rock que infestavam o cenário, e sua capacidade sobre o palco ajudou a levar o nome do Bon Jovi para os mais diversos cantos do planeta. Esse trabalho, contudo, cobrou seu preço, e a maratona de shows quase sem intervalos iniciada em 1984, e potencializada a partir de 1986, quase levou à dissolução do grupo. Após o término da “Jersey Sindicate Tour”, em fevereiro de 1990, a banda entrou em um hiato que só seria efetivamente quebrado no início de 1992, quando o quinteto se reuniu para compor e registrar o álbum seguinte. Em meio a esse tempo, Jon Bon Jovi lançou seu primeiro disco solo, Blaze of Glory (1990), constituído por canções inspiradas no filme “Young Guns 2″ (“Jovens Demais para Morrer”), lançado no mesmo ano. Richie Sambora fez o mesmo, e editou Stranger in This Town em 1991, mesclando seu lado tipicamente hard rocker com uma faceta blues.

Album_84Keep the Faith [1992] 
Entre 1988 e 1992, o mercado fonográfico roqueiro norte-americano e, consequentemente, o mundial, passou por mudanças bastante bruscas. Atingindo um ponto de saturação e submerso na repetição de muitos clichês, o pop metal, que havia alcançado seu auge no final dos anos 80, começou a receber cada vez menos atenção por parte de suas gravadoras, da importante MTV e das estações de rádio. No seu lugar, bandas originárias da região de Seattle, no Noroeste dos Estados Unidos, assumiram o protagonismo, em um “movimento” que foi rotulado como grunge. Muitas formações tipicamente oitentistas perderam força e até encerraram atividades, definitiva ou temporariamente. Outros continuaram lançando discos, mas sem sequer fazer sombra às glórias de um passado recente. Consciente do novo cenário, o Bon Jovi, como nenhum outro grupo de hard rock oitentista, soube se adaptar às mudanças e manter seu status de grande banda. Desde a capa de Keep the Faith, de logo reformulado, passando pelo visual mais cleandos músicos, até a sonoridade e a excelente produção (dessa vez comandada por Bob Rock), nada exalava ranço da década passada. Apesar dessa reformulação, em nenhum momento o grupo cedeu às tendências em voga, mantendo sua identidade e conquistando novos fãs sem desagradar os antigos admiradores. Prova disso é o fato do álbum ser tido em tão alta conta quanto seus dois maiores sucessos, Slippery When Wet e New Jersey, e ter sido marcado por mais uma série de singles de sucesso.  O track list exala maturidade, tanto musicalmente quanto liricamente, o que não quer dizer que não haja músicas mais descompromissadas, como é o caso da descontraída “I’ll Sleep When I’m Dead”, da autobiográfica “Blame it on the Love of Rock & Roll”, de “Woman in Love” e de “Little Bit of Soul”. No campo das baladas, há equilíbrio: enquanto a ótima “I Want You” remete aos (agradáveis) exageros passionais da década de 80, Bed of Roses, ainda melhor, soa mais contemporânea, reflexiva e elaborada. Há uma dose extra de peso em algumas músicas, como na arrebatadora abertura, “I Believe”, mostrando de cara um Bon Jovi renovado e com fôlego para enfrentar a nova década, em “Fear”, evidenciando a excelente sonoridade do baixo de Alec em sua abertura, e especialmente em “If I Was Your Mother”. A faixa-título constitui um clássico instantâneo, baseada em linhas bem sacadas de todos os instrumentos e menos em riffs de guitarra, apesar de Sambora não deixar de carimbar mais um solo com sua marca registrada. Melhor do que essa (e que “Bed of Roses”, também excelente), apenas as duas últimas músicas que ainda não citei: In These Arms e “Dry County”. A primeira, além de ter sido a última composta para Keep the Faith, constitui indiscutivelmente a melhor contribuição do tecladista David Bryan para o grupo, que a escreveu junto a Jon e Richie. Viciante, trata-se de uma aula de como criar um crescendo irresistível, culminando no refrão dos refrões e em mais um solo fantástico de Sambora. E Dry County”? Essa mereceria uma resenha apenas para ela. É interessante notar que a maior prova da maturidade adquirida pelo Bon Jovi entreNew Jersey e Keep the Faith é justamente uma música com cara de épico setentista, remetendo obviamente à presente influência de Bruce Springsteen e de músicas suas como “Jungleland” e “Backstreets”, apesar da temática lírica diferente, abordando a vida sem perspectivas de tantas pequenas cidades. Além de Jon oferecer aquela que talvez seja sua melhor performance vocal de sua carreira, Richie não fica nem um pouco para trás, emendando uma sequência de solos de tirar o fôlego, ocupando grande parte dos quase dez minutos de música. Apesar de ter alcançado a 5ª posição na Billboard, abaixo dos dois antecessores, que atingiram o topo, Keep the Faith não apenas confirmou a sobrevivência do Bon Jovi na nova década, mas conseguiu maior respaldo entre aqueles que não acreditavam na capacidade do grupo, tornando-se também um dos favoritos dos fãs.

61pAitN-MlLThese Days [1995] 
Antes do lançamento da sequência paraKeep the Faith, alguns fatos importantes aconteceram com o Bon Jovi. O primeiro foi o lançamento da coletânea Cross Road (1994), que além de celebrar dez anos de uma carreira recheada de êxitos, conta com uma regravação de “Livin’ on a Prayer”, intitulada “Prayer ’94″, e com duas novas músicas, a balada Always eSomeday I’ll Be Saturday Night, mais dois clássicos instantâneos, executados ao vivo até hoje com grande frequência. O outro fato marcante foi a demissão do baixista Alec John Such, primeira e única baixa da formação original, até hoje não totalmente esclarecida, mas justificada por um suposto desinteresse do músico para com o grupo, além de falta de dedicação. Alec foi substituído não oficialmente por Hugh McDonald, que foi um dos músicos que registraram “Runaway” em 1982 e sobre o qual pipocaram boatos de que havia gravado todas as linhas de baixo no grupo desde Keep the Faith. Sobre These Days, logo de início percebe-se que o caminho traçado desde o disco anterior foi seguido, com ainda mais maturidade e até uma certa dose de pessimismo (ou realismo?) em suas letras e em seu clima geral, algo evidente desde a abertura, com a pesada Hey God, sepultando de vez os timbres mais “plásticos” dos teclados de David Bryan no passado. Além disso, briga com “Runaway” pelo trono de melhor abertura de disco na carreira do Bon Jovi. A irônica “Something For the Pain” é outra bela faixa, e ainda por cima faz graça com as tendências musicais da época em seu divertido videoclipe. O rock mais direto também aparece com destaque em “Damned”, com uma linha de bateria que remete a “Keep the Faith”, e em “If That’s What It Takes”. A grande quantidade de baladas, fato que normalmente pode ser fonte de críticas, não incomoda nem um pouco em These Days, muito pelo contrário, pois seu nível de qualidade é elevado, especialmente em se tratando das três típicas power ballads presentes. A primeira é This Ain’t a Love Song, maior sucesso extraído do disco (14º lugar na principal lista de singles da Billboard). A segunda é uma de minhas preferidas na trajetória do grupo, Lie to Me, que adota o tom mais reflexivo de “Bed of Roses”, mas ainda melhor explorado. Mais próxima do estilo oitentista é “Hearts Breaking Even”, aberta com um bom solo de Sambora e dotada de um daqueles refrões passionais que o Bon Jovi sabe criar com tanta naturalidade, mas que infelizmente nunca foi tocada ao vivo, talvez em função de sua exigente performance vocal. Ainda no campo das baladas (ou quase), há “My Guitar Lies Bleeding in My Arms”, mais adulta e fugindo totalmente de um formato mais tradicional; “(It’s Hard) Letting You Go”, outra bastante diferente, assumindo um tom mais depressivo e constituindo um ponto baixo do disco; e “Diamond Ring”, composta originalmente para New Jersey e que fecha o track list original de maneira acústica. Além das músicas citadas, ainda há a ambiciosa e questionadora “Something to Believe In”, totalmente alinhada com o Bon Jovi adulto dos anos 90, e a épica faixa-título, constituída por seis minutos e meio daquilo que de mais brilhante o grupo havia feito no decorrer de sua carreira, um verdadeiro workshop de composição. These Days pode não ter obtido o mesmo destaque de seus três antecessores, atingindo, no máximo, o nono posto na parada de álbuns da Billboard, mas ajudou como nenhum outro disco a tornar o Bon Jovi ainda maior fora de seu país de origem, especialmente no Reino Unido e no Japão, onde o disco carimbou a primeira posição e rendeu vários singles de sucesso. A banda daria mais uma pausa em suas atividades após o término de sua turnê de promoção, gerando mais discos solo de Jon e Richie, mas isso é assunto para a próxima parte…



MUSICA AFRICANA


Bana - Merecimento de Mãe  [1997]



Cantor cabo-verdiano, Adriano Gonçalves nasceu a 5 de março de 1932, no Mindelo, em Cabo Verde. Oriundo de uma família pobre, ele tinha os mesmos sonhos de muitos jovens africanos, guardando a esperança de um dia ter a oportunidade de emigrar e conseguir uma vida mais afortunada num país estrangeiro. Dono de um timbre vocal raro e forte, desde tenra idade despertou a curiosidade das comunidades locais do seu país para o seu canto, despertando para um percurso artístico que deu os primeiros passos com algumas atuações em pequenos circuitos de música de Cabo Verde, ao mesmo tempo que trabalha na estiva de Porto Grande. No início da década de 60, já com nome firmado no seu país, é convidado para uma atuação em Dakar, no Senegal, onde passa uma temporada, dedicando-se ao desenvolvimento das suas capacidades vocais e à descoberta de outros estilos musicais. A sua fama foi galgando sucessivas barreiras, levando-o a interpretar as suas mornas e coladeras, em palcos importantes do Senegal e na rádio nacional do país. Em 1966, junta-se a outros emigrantes cabo-verdianos, como Frank Cavaquinho, Luís Morais (clarinete), Morgadinho (trompete), Jão de Lomba e Tói de Bibia (guitarra) para fundar o célebre agrupamento Voz de Cabo Verde. Nessa altura, os músicos dividiam a atividade artística com o trabalho numa fábrica de café. Depois do primeiro (e modesto) EP do coletivo, aos poucos, na companhia do grupo ou a sós, Bana foi conseguindo atuações noutros locais, particularmente em Portugal, nos Estados Unidos da América e na Holanda. Com o florescimento do seu percurso como cantor, Bana monta, em 1974, um restaurante-dancing na capital portuguesa, o Monte Cara, espaço que se tornaria uma rampa de lançamento para jovens valores da música cabo-verdiana. Nessa época, ele era já um valor consagrado das mornas, património musical de Cabo Verde que defende com unhas e dentes. As suas sucessivas gravações em disco acabam por tornar-se documentos históricos e, ao fazerem dele um intérprete especial da música africana lusófona, conferem-lhe um estatuto que, entre outras coisas, chegou a render-lhe breves aparições na Sétima Arte, em filmes europeus. Além de Lisboa, e do seu Mindelo natal, a Holanda torna-se uma pátria adotiva e um local revisitado muitas vezes, para gravar ou para partilhar a sua música com os públicos. Acumulando diversas distinções honrosas no seu país, com algumas condecorações presidenciais à mistura, viria a ser considerado o rei da música cabo-verdiana, elevado ao mesmo altar que consagrou os conterrâneos Cesária Évora e Tito Paris, ambos apadrinhados, em início de carreira, por Bana.
Discografia
1965, Nha Terra
1965, Pensamento e Segredo
1967, Bana à Paris
1969, Rotcha-Nu
1971, Merecimento de Mãe
1974, Contratempo
1976, Cidália
1977, Miss Unidos
1979, Bana - A Voz de Ouro - Mornas
1980, Bana - A Voz de Ouro - Coladeras
1981, Morabeza
1983, Gardénia
1986, Merecimento
1990, Bana - A Voz de Ouro
1992, Solidão
1994, Bana - O Encanto de Cabo Verde
1998, Gira Sol
1999, Bana ao vivo no Coliseu
2000, Fado
2003, Dê Dês
2007 Bana e Amigos (CD e DVD)

DMK - Abana Bamfumu (2019)




Andy Latimer adiciona sua guitarra à música 'Light' de seu parceiro Peter Jones


Uma bela colaboração do mítico líder e guitarrista do Camel , Andy Latimer , que adicionou sua guitarra à música 'Light' de seu parceiro Peter Jones , especificamente para seu projeto Tiger Moth Tales .

Jones, notoriamente, é um talentoso multi-instrumentista que na última turnê do Camel foi o tecladista e também trouxe outros instrumentos ao palco. Quem já o conhecia não ficou surpreso, mas ele conquistou o público por sua grande qualidade como artista e em alguns momentos eclipsou o próprio Latimer.

Agora ele convidou seu 'patrão' da Camel para tocar um belo solo em 'Light', música que fecha o álbum 'A Song of Spring', editado pelo selo White Knight de Robert Reed , e que foi lançado no dia 4 de março. .

Este videoclipe da música 'The Light' tem duração de 5 minutos e meio e o solo de Latimer pode ser ouvido logo no final, a partir do minuto 4'40'' . Você pode ver o vídeo nestas linhas.

camelo 2021

Pete Jones está no comando de tudo: voz, teclado, sax, guitarra, bateria, percussão e produção. Ele foi auxiliado por John Holden como tecladista e assistente de som e masterização. Deve-se lembrar que Jones é cego e algumas dessas tarefas ele não conseguiu realizar. O único convidado adicional é o mencionado Andy Latimer.

"Eu queria terminar o álbum com algo grande e icônico", diz Jones sobre a música 'Light', sobre a qual ele também comenta: "Originalmente, tratava-se de deixar a escuridão do inverno sair e deixar entrar a luz da primavera, mas eu 'já fiz isso." tinha feito com a faixa de abertura 'Spring Fever'. Então John e Elizabeth Holden entraram , que escreveram letras sobre como superar a morte de um parceiro, o que é sempre tristemente relevante para alguém, em algum lugar. Então nós misturou isso no tema original, e tudo se juntou como um cinto emocional.

Sobre a colaboração de Latimer, ele comenta: "Andy estava disposto a tocar em uma das minhas músicas por um tempo, mas de alguma forma nunca o fizemos. Eu sabia que 'Light' seria a faixa certa para Andy, então dei a ele muito compassos da música, acordes do refrão para improvisar e fazer o que ele domina. O resultado foi impressionante, e realmente parecia um momento glorioso, como quando o sol nasce, e a maneira perfeita de terminar o álbum. Andy é um adorável cara, e o que ele traz para o álbum é um solo incrível e sou muito grato por sua contribuição."

- Temas de 'A Song of Spring':

1. Spring Fever 06:52
2. Forester 07:51
3. Dance 'Til Death 10:20
4. Holi 02:46
5. The Goddess And The Green Man 02:39
6. Mad March Hare 04:00
7. Rapa Nui 07:34
8. Light 15:25


Crítica ao disco de Anthony Phillips - 'Strings of Light' (2019)

 Anthony Phillips - 'Strings of Light' (2019)

(25 de outubro de 2019, Esoteric Antenna/Cherry Red Records)

Anthony Phillips - cordas de luz

Hoje temos a excelente (e um tanto atrasada) oportunidade de apreciar a mais recente obra fonográfica do maestro britânico ANTHONY PHILLIPS , que se intitula "Strings Of Light" e foi editada pela editora Esoteric Antenna a 25 de Outubro do ano passado 2019. foi um dos lançamentos mais esperados do ano porque um novo álbum ou uma nova turnê de um ex-integrante da lendária e significativa banda GENESIS sempre desperta expectativas. Se por um lado, o bom STEVE HACKETT já começa a nos entediar um pouco ao repetir esquemas de trabalho em seus últimos quatro discos de rock – embora se reconheça que neles preserva sua atitude eclética – e fazer redundantes homenagens ad nauseam ao GENESIS , para Em outro lugar, TONY BANKSbrilhou em grande com o seu terceiro álbum de música de câmara “Five”. Bem, agora focando no caso de ANTHONY PHILLIPS, ele fez extensas explorações sonoras com um arsenal de violões, tão extenso que este álbum teve que ser lançado em CD duplo e DVD que o acompanha. Lembremos que “Private Parts & Pieces V - Twelve”, de 1985, é gravada exclusivamente com violão de 12 cordas, mas agora temos uma lista mais ampla de itens que inclui violões de 6, 12 e 16 cordas, violões clássicos, uma guitarra (variante andina da guitarra espanhola), e alguma intervenção minúscula da guitarra Fender Stratocaster em uma das canções contidas no segundo volume. O professor PHILLIPS também se exibiu em grande estilo.

O primeiro volume inicia-se com a dupla 'Jour De Fête' e 'Diamond Meadows'. Como expressões musicais de correntes calmas de rios e garoas suaves de primavera, ambas as peças flutuam no ar com uma magia evocativa cativante. No caso de 'Jour De Fête', temos um exercício de atmosferas alegres que se movem com sobriedade por uma graciosidade colorida. Por seu lado, 'Diamond Meadows' percorre um caminho ligeiramente mais introspectivo, mas a intrínseca e inevitável majestade das cordas da guitarra são acentuadas com uma energia diligente e cuidada do maestro PHILLIPS, que se traduz num eflúvio de tonalidades expressionistas. Aos poucos, eles desenvolvem um aumento da energia sonora até chegarem ao epílogo, que é quando as coisas se acalmam até que eles assinem o descanso total. Uma ótima maneira de começar o álbum. A terceira peça, intitulada 'Caprice In Three', é a primeira onde a guitarra de nylon assume o papel principal, e que se repetirá de imediato com 'Castle Ruins'. A primeira destas peças mencionadas, como indica o seu título, é uma composição académica em compasso 3/4 que se inspira no legado barroco. Podemos imaginar um HAENDEL remodelado pela faceta mais serena de BACH enquanto os ares corteses que percorrem a peça do início ao fim são irrefutavelmente realçados. Já em 'Castle Ruins', ela ostenta uma aura mais cerimoniosa por meio de uma postura mais calma, à maneira de um ANDRÉS SEGOVIA*. PHILLIPS sempre se sentiu tremendamente à vontade no meio acadêmico e com todos os seus anos ainda por cima, não perdeu um centímetro de sua sensibilidade criativa dentro desse esquema de trabalho. Quando chega a vez de 'Sereias e Donzelas do Vinho', o bom ANTHONY inspeciona um pouco sua faceta reflexiva enquanto continua a utilizar recursos de cor graciosa para as sequências de escamas nas quais o corpo central se apoia. Com pouco mais de 6 ¼ minutos de duração, 'Winter Lights' se destaca como a peça mais longa deste volume e pode muito bem ser considerada o ápice dela. Sua mistura sólida e fluida de passagens evocativas com outras notavelmente vivas se baseia em um impulso criativo sustentado no legado do tema imediatamente anterior, algo sobre o qual PHILLIPS constrói dispositivos eficazes de magnificência sônica. Como dissemos antes, um verdadeiro zênite para o primeiro volume. o bom ANTHONY inspeciona um pouco sua faceta reflexiva enquanto continua a utilizar recursos de cor graciosa para as sequências de escalas nas quais o corpo central se apoia. Com pouco mais de 6 ¼ minutos de duração, 'Winter Lights' se destaca como a peça mais longa deste volume e pode muito bem ser considerada o ápice dela. Sua mistura sólida e fluida de passagens evocativas com outras notavelmente vivas se baseia em um impulso criativo sustentado no legado do tema imediatamente anterior, algo sobre o qual PHILLIPS constrói dispositivos eficazes de magnificência sônica. Como dissemos antes, um verdadeiro zênite para o primeiro volume. o bom ANTHONY inspeciona um pouco sua faceta reflexiva enquanto continua a utilizar recursos de cor graciosa para as sequências de escalas nas quais o corpo central se apoia. Com pouco mais de 6 ¼ minutos de duração, 'Winter Lights' se destaca como a peça mais longa deste volume e pode muito bem ser considerada o ápice dela. Sua mistura sólida e fluida de passagens evocativas com outras notavelmente vivas se baseia em um impulso criativo sustentado no legado do tema imediatamente anterior, algo sobre o qual PHILLIPS constrói dispositivos eficazes de magnificência sônica. Como dissemos antes, um verdadeiro zênite para o primeiro volume. 'Winter Lights' se destaca como a peça mais longa deste volume e pode muito bem ser considerada o ápice dela. Sua mistura sólida e fluida de passagens evocativas com outras notavelmente vivas se baseia em um impulso criativo sustentado no legado do tema imediatamente anterior, algo sobre o qual PHILLIPS constrói dispositivos eficazes de magnificência sônica. Como dissemos antes, um verdadeiro zênite para o primeiro volume. 'Winter Lights' se destaca como a peça mais longa deste volume e pode muito bem ser considerada o ápice dela. Sua mistura sólida e fluida de passagens evocativas com outras notavelmente vivas se baseia em um impulso criativo sustentado no legado do tema imediatamente anterior, algo sobre o qual PHILLIPS constrói dispositivos eficazes de magnificência sônica. Como dissemos antes, um verdadeiro zênite para o primeiro volume.

Anthony Phillips

'Song For Andy' combina o halo introspectivo da faixa #2 com a graça discreta da faixa #5. Sob o belíssimo título de 'Pilgrimage Of Grace' desenrola-se uma peça que cumpre a função de mergulhar irrefutavelmente no lado melancólico de PHILLIPS, enquanto 'Skies Crying' tem a função de revitalizar o potencial de cor ágil e sofisticado que tanto caracteriza o violão de 12 cordas. Há nesta peça um ar outonal que se sente dinâmico: a imagem da intrépida queda das gotas de chuva como portadoras de uma espécie de vigor para um dia nublado onde nasce a dita chuva. Outro ponto alto deste volume 1 cujos últimos dez minutos são ocupados pela tríade 'Mouse Trip'*, 'Restless Heart' e 'Still Rain'. Esta tríade começa com um ar travesso, continua com um espírito calmo e focado, e termina com um personagem reservado e misterioso. Depois de apreciar os temas que percorremos até agora, que por si só já falam de uma obra musical completa e coesa, fazemos um pequeno momento de descanso antes de abordar o segundo volume de “Strings Of Light”. Este começa com a miniatura 'Into The Void' (dura pouco mais de um quarto de minuto) que consiste em um fraseado esparso e agudo de um violão de 12 cordas, o mesmo que mudará radicalmente para uma atitude pródiga e versátil para a bela e exótica peça 'Andean Explorer', que dura 4 minutos e pouco. Passando de uma passagem exaltadamente expressionista para outra de teor renascentista, transita depois por paisagens misticamente pastorais que inevitavelmente nos remetem para a faceta folk-rock do GENESIS de 1970. Este segundo volume acaba de começar e já nos mostra um de seus ápices. Em seguida, seguem dois lotes duplos de uma música curta e outra mais desenvolvida: 'Mystery Tale' e 'Sunset Riverbank'; 'Tale Ender' e 'Shoreline'. A primeira leva inicia-se com ares sóbrios e furtivos complementados com a sua oportuna quota de cor, continuando com um amável langor onde se evoca o suave repouso da luz após a chegada da noite. As pontuações elegantes da guitarra elétrica no último terço parecem evocar a presença de estrelas na paisagem noturna. O segundo lote começa com eflúvios flutuantes de violão e depois se transforma em uma sequência de imponentes escalas de violão de 12 cordas impulsionadas por uma gravidade distante, um halo remoto que, apesar de tudo, tem um grande charme. 'Days Gone By' retorna aos ares acadêmicos graças ao violão clássico, baseado em compasso 7/8; aliás, também nos traz de volta à faceta mais calorosa da ideologia estética de PHILLIPS.

Quando chega a vez de 'Crystalline', o império da delicadeza se impõe como o ar que preenche e dirige a ordem cósmica com sua mais sutil corporeidade: esta é a autoridade das passagens delineadas pelo violão. Por sua vez, 'Fleur-De-Lys' elabora um retrato sonoro do terreno em um momento de extrema quietude; o enquadramento musical levado a cabo pela guitarra clássica confere um ar académico ao processo contemplativo em curso. 'Grand Tour' retorna aos esquemas mais pródigos da pastoral através de um uso intensamente enérgico do violão de 12 cordas na expansão de vários timbres e focos melódicos. O meditativo é o modo predominante, mas encontra diferentes estratégias de eloquência ao longo do desenvolvimento temático, sendo assim que em alguns momentos se volta para autênticas descargas de vibrações extrovertidas. Uma peça muito bonita que nos envolve e nos questiona. A curta 'Home Road' (dura apenas 1 minuto) é puro calor envolto numa engenhosidade suave e lúdica, preparando o terreno para a música que fechará o set: 'Life Story'. É também o tema mais longo, pois ocupa um espaço de 10 minutos. O tema é integralmente encarnado por uma guitarra clássica disposta a exibir vários matizes de jovialidade e descontração, percorrendo lugares alegres e festivos, mas também outros marcados por uma espiritualidade contemplativa. Também não falta um trecho onde o desenvolvimento temático caminha por caminhos de cerimoniosa luminosidade, fazendo a vivacidade caminhar para uma dimensão mais sutil. O último minuto e meio elabora flutuações sonoras etéreas onde impera uma reflexividade austera. Assim termina o farto repertório contido em “Strings Of Light”, um álbum refinado e sublime com o qual ANTHONY PHILLIPS exorciza e remodela uma parte de seus versáteis fantasmas musicais, a parte dos violões. Este álbum exala brilho por cada um dos seus poros sonoros e como tal devemos considerá-lo como uma das obras mais completas do seu extenso catálogo publicado. Embora, olhando brevemente, a estrutura de um CD duplo possa parecer demorada, na verdade não é um trabalho tão exaustivamente longo: cada volume inclui material que vem junto em menos de 50 minutos, então você nunca ficará sozinho . torna pesado. Em primeiro lugar, a inspiração melódica está sempre presente, pulsando, inventando grandes engenhocas às vezes, penetrando em áreas mais sutis em outras... mas sempre com voos altos. Muito recomendável!!

- Amostras de 'Strings of Light':

Caprice In Three:

Winter Lights:

Skies Crying:

Grand Tour:

Life Story:

* O aspecto hispânico desta composição é justamente inspirado em várias imagens de antigos castelos espanhóis.
** O título desta peça é uma alusão humorística à peça Mouse trap, de Agatha Christie, que detém o recorde de apresentações mais longas no meio teatral londrino.


Crítica ao disco de David Cross & Andrew Brooker - 'Ends Meeting' (2018)

 David Cross & Andrew Brooker - 'Ends Meeting' (2018)

(19 de outubro de 2018, Cherry Red Records)

David Cross Andrew Brooker - Termina a Reunião

Houve um tempo em que DAVID CROSS e sua banda de apoio abriam para o trio HARMONY IN DIVERSITY , liderado pelo ex-membro do YES e do FLASH, Peter Banks. Nessa época, quando não demorou muito para que o baterista ANDREW BOOKERdeixou o HARMONY IN DIVERSITY por estar farto das mania e contramarchas de Banks, o referido baterista abordou DAVID CROSS para expressar sua admiração por seus álbuns solo e pelo trabalho do KING CRIMSON em geral, e aliás, para propor a ele que compartilhem uma sessão de gravação de composições livres e espontâneas pelo simples prazer de o fazer. Diante dessa oportunidade de criar algo juntos, a tarefa foi concluída na tarde de sexta-feira, 13 de outubro de 2006, no estúdio BOOKER Dawns Sounds, em Londres. CROSS e BOOKER deixaram um testemunho de sua química musical no desenvolvimento de projeções de rock. combinam-se formas próximas ao jazz-rock de vanguarda, psicodelia progressiva e atmosferas modernistas com raízes eletrônicas. Um violino elétrico, uma bateria eletrônica e alguns aparelhos de efeitos, feedback e outras fabricações cibernéticas de sons adicionais: esses dois senhores foram suficientes para essa logística. Este testemunho só foi tornado público no final de outubro de 2018 através da editora Noisy Records, que edita material a solo de CROSS, DAVID CROSS BAND e outros projetos que tem aqui e ali. O título desta publicação é “Ends Meeting”. Hoje temos a oportunidade de apresentar um álbum muito especial por ser o resultado de um encontro extraordinário e eletrizante entre esses dois visionários do rock experimental pertencentes a duas gerações distintas: sob a assinatura conjunta de DAVID CROSS & ANDREW BOOKER, temos este item ao nosso alcance, cujos detalhes passamos agora a revisar. Este testemunho só foi tornado público no final de outubro de 2018 através da editora Noisy Records, que edita material a solo de CROSS, DAVID CROSS BAND e outros projetos que tem aqui e ali. O título desta publicação é “Ends Meeting”. Hoje temos a oportunidade de apresentar um álbum muito especial por ser o resultado de um encontro extraordinário e eletrizante entre esses dois visionários do rock experimental pertencentes a duas gerações distintas: sob a assinatura conjunta de DAVID CROSS & ANDREW BOOKER, temos este item ao nosso alcance, cujos detalhes passamos agora a revisar. Este testemunho só foi tornado público no final de outubro de 2018 através da editora Noisy Records, que edita material a solo de CROSS, DAVID CROSS BAND e outros projetos que tem aqui e ali. O título desta publicação é “Ends Meeting”. Hoje temos a oportunidade de apresentar um álbum muito especial por ser o resultado de um encontro extraordinário e eletrizante entre esses dois visionários do rock experimental pertencentes a duas gerações distintas: sob a assinatura conjunta de DAVID CROSS & ANDREW BOOKER, temos este item ao nosso alcance, cujos detalhes passamos agora a revisar. O título desta publicação é “Ends Meeting”. Hoje temos a oportunidade de apresentar um álbum muito especial por ser o resultado de um encontro extraordinário e eletrizante entre esses dois visionários do rock experimental pertencentes a duas gerações distintas: sob a assinatura conjunta de DAVID CROSS & ANDREW BOOKER, temos este item ao nosso alcance, cujos detalhes passamos agora a revisar. O título desta publicação é “Ends Meeting”. Hoje temos a oportunidade de apresentar um álbum muito especial por ser o resultado de um encontro extraordinário e eletrizante entre esses dois visionários do rock experimental pertencentes a duas gerações distintas: sob a assinatura conjunta de DAVID CROSS & ANDREW BOOKER, temos este item ao nosso alcance, cujos detalhes passamos agora a revisar.

Os primeiros 4 ¼ minutos do repertório são ocupados por 'Loopscape A', peça que, mais do que tudo, serve como carta de introdução à dimensão mais discreta da abordagem estética que a dupla pretende desenvolver: grooves misteriosos e linhas de violino evocativamente alucinantes que se congregam numa atmosfera que tem muita magia e também muita majestade. Com a dupla 'The Shakes Rattled' e 'Sleek' – que juntas ocupam um espaço de 19 minutos – a dupla já embarca em um caminho de explorações mais inteligentes e intensas dentro de sua própria projeção musical. 'The Shakes Rattled' estabelece um sublime e encantador exercício de hibridação entre jazz-rock e psicodelia através da filtragem modernista de atmosferas e enclaves melódicos de inspiração árabe. É como fazer uma cirurgia drástica no padrão do clássico carmesim 'The Talking Drum' através de um esquema majestoso de parcimônia cibernética em um clima de fusão. Embora o esquema rítmico não seja muito frenético, nota-se que aqui pulsa uma persistente desenvoltura nas sólidas interações entre os dois músicos. Por seu lado, 'Sleek' mergulha no parcimonioso até se tornar envolventemente cerimonioso, com um BOOKER que exibe um swing lento e sofisticado que, a partir dos seus ornamentos electrónicos, estabelece a paisagem perfeita para os locais que irão desenhar os floreios sóbrios do Violino CRUZ. Sóbrio, mas que fique registado, capaz de ostentar uma genuína energia expressiva (como o que encontramos em algumas obras Embora o esquema rítmico não seja muito frenético, nota-se que aqui pulsa uma persistente desenvoltura nas sólidas interações entre os dois músicos. Por seu lado, 'Sleek' mergulha no parcimonioso até se tornar envolventemente cerimonioso, com um BOOKER que exibe um swing lento e sofisticado que, a partir dos seus ornamentos electrónicos, estabelece a paisagem perfeita para os locais que irão desenhar os floreios sóbrios do Violino CRUZ. Sóbrio, mas que fique registado, capaz de ostentar uma genuína energia expressiva (como o que encontramos em algumas obras Embora o esquema rítmico não seja muito frenético, nota-se que aqui pulsa uma persistente desenvoltura nas sólidas interações entre os dois músicos. Por seu lado, 'Sleek' mergulha no parcimonioso até se tornar envolventemente cerimonioso, com um BOOKER que exibe um swing lento e sofisticado que, a partir dos seus ornamentos electrónicos, estabelece a paisagem perfeita para os locais que irão desenhar os floreios sóbrios do Violino CRUZ. Sóbrio, mas que fique registado, capaz de ostentar uma genuína energia expressiva (como o que encontramos em algumas obras a partir de seus ornamentos eletrônicos, estabelece a paisagem perfeita para os lugares que irão atrair os floreios sóbrios do violino de CROSS. Sóbrio, mas que fique registado, capaz de ostentar uma genuína energia expressiva (como o que encontramos em algumas obras a partir de seus ornamentos eletrônicos, estabelece a paisagem perfeita para os lugares que irão atrair os floreios sóbrios do violino de CROSS. Sóbrio, mas que fique registado, capaz de ostentar uma genuína energia expressiva (como o que encontramos em algumas obrassolistas de um TREY GUNN ou de um TONY LEVIN). A curta peça 'Spared Bhangra' estabelece uma viagem sonora calorosa às atmosferas hindus, talvez seja um prelúdio para um tema mais musculado como 'Worship The Gourds'. Esta mostra ares de família com 'The Shakes Rattled' mas com uma aura ligeiramente mais ameaçadora, pois agora o violino explora a sua dimensão furiosa enquanto os arranjos percussivos adoptam um tenor tribal. É como um ritual sórdido revestido de elegância cósmica, preenchendo o seu espaço de pouco mais de 8 minutos com um motivo consistente que nunca se esgota.

A peça mais longa do repertório é a que dá título ao álbum e dura pouco menos de 11 minutos e meio. 'Ends Meeting' incorpora a mais recente projeção ambiciosa e, de fato, o faz desenvolvendo a faceta mais exuberante do esquema sonoro da dupla, ao mesmo tempo em que dá um novo toque aos seus recursos recorrentes de estilização cerimoniosa e ares de fusão filtrados por uma lente prog-psicodélica . Há momentos em que CROSS sonda e exalta suas arestas mais amadurecidas, enquanto em outros se concentra na exaltação de uma graça lírica que se situa entre o sonhador e o luminoso. Pouco antes de atingir a fronteira do oitavo minuto, o foco temático adquire uma espécie de calma tentativa por alguns momentos, que motivam o impulso de novos exercícios expressionistas. Em termos gerais, a subtil vitalidade que se dinamiza nas cuidadas interações entre os dois músicos permitem que esta peça em questão estabeleça o apogeu decisivo do álbum. 'Loopscape B' fecha o álbum com um tenor introspectivo, centrado em linhas flutuantes de violino que, na sua severidade impressionista, se multiplicam através de efeitos electrónicos. “Ends Meeting” é uma obra excelente e, como já dissemos, eletrizante, que capta de forma fidedigna as dimensões mais evocativas e modernistas de DAVID CROSS e ANDREW BOOKER. Mais do que um duo, este conjunto tem-se comportado como uma mesa de diálogo na hora de criar toda a música misteriosamente bela que se junta neste álbum. É um item altamente recomendado para os amantes do rock artístico que se projeta de frente para as alturas tecnológicas da criação musical.

- Amostras de Ends Meeting'':

Os Shakes Rattled:

Ends Meeting:


ROCK ART


 

DE Under Review Copy (ALTO!)

 

ALTO!

Formados em 2008 na cidade minhota de Barcelos, os Alto! têm no seu line up - Bruno Costa (guitarra, voz), Tiago Silva (baixo, voz), João Pimenta (na voz, antenas), Paulo Senra (bateria, voz) e Ricardo Miranda (guitarra, orgão mágico) -, uma prova de que é possível fazer um rock poderoso, dançável e tenso sem grandes máquinas comerciais por detrás. Em 2009, o grupo estreou-se com um EP digital (na realidade teve uma reduzida versão física) intitulado "See You In Hell, Ron!" que anunciava já a tormenta sob a forma de sincera homenagem a Ron Asheton, o então recentemente falecido guitarrista e fundador dos incontornáveis The Stooges. Ainda antes da edição pela Lovers & Lollypops, em 2010, do seu CD "Computer Says No", o grupo lançou uma cassete de tiragem extremamente limitada (30 exemplares) intitulada "Autodestruction Tour 2010" que foi disponibilizada nalguns concertos do grupo e permitia antecipar o disco. O EP foi gravado em formato analógico em Gijón, Espanha, por Jorge "Explosion" e Mike Mariconda. Para os mais atentos, o grupo é formado por elementos que militam noutras bandas barcelenses como os Black Bombaim (Paulo Senra) e Green Machine (Bruno Costa e João Pimenta). Como alguém escreveu - e bem -, "os Alto! são, acima de tudo, a recolha de uma eficaz pesquisa daquilo que é o rock: música para homens, que gostam de dançar, que gostam de mulher e que gostam de exageros. Ou seja, mexendo com estereótipos, funcionaria igualmente para qualquer mulher mais desleixada que não goste de dançar, para homens que gostem de mulheres que gostam de dançar e por aí fora".

DISCOGRAFIA

 
SEE YOU IN HELL, RON! [CDR, Lovers & Lollypops, 2009]


AUTODESTRUCTION TOUR 2010 [Tape, Lovers & Lollypops, 2010]

 
COMPUTER SAYS NO [CD, Lovers & Lollypops, 2010]

 
ALTO [CD, Lovers & Lollypops, 2012]

COMPILAÇÕES

 
NOVOS TALENTOS FNAC 2010 [2xCD, FNAC, 2010]

 
LOVERS & LOLLYPOPS [CD, Optimus Discos, 2011]


Destaque

Kleiton & Kledir – Kleiton & Kledir (1980)

  O álbum de estreia homônimo da dupla Kleiton & Kledir (1980), lançado pela Ariola, consolidou a carreira dos irmãos gaúchos após o fim...