domingo, 6 de agosto de 2023

Discografias Comentadas: MC5


Discografias Comentadas: MC5

“Irmãos e Irmãs! Eu quero ver um mar de mãos! Me deixem ver um mar de mãos! Eu quero que todo mundo faça barulho. Eu quero ouvir um pouco de revolução, irmãos. Eu quero ouvir uma pequena revolução. Irmãos e Irmãs, chegou a hora de cada um de vocês decidir se vocês serão o problema ou se vocês serão a solução. Vocês devem escolher, irmãos, vocês devem escolher. Leva cinco segundos, cinco segundos de decisão, cinco segundos para perceber o seu propósito aqui no planeta. Cinco segundos para saber que é tempo de se mover. É hora de começar com isso. Irmãos, é hora de testemunhar e eu quero saber, vocês estãos prontos para testemunhar? Vocês estão prontos? EU LHES DOU UM TESTEMUNHO, O MC5!”

Oito anos de atividade e uma pequena discografia. Foi tudo o que o MC5, os “Cinco da Cidade do Motor”, precisaram para mudar a cara do Rock and Roll para sempre. Apaixonados pelo som enérgico e elétrico de gente como Chuck Berry, Dick Dale e The Ventures e pela viagem libertadora de jazzistas como John Coltrane e Sun Ra, a banda de Detroit (maior polo automobilístico americano, logo, “A Cidade do Motor”) logo chamou a atenção ao abrir shows e roubar a atenção do público de Cream e Big Brother & The Holding Company e mais ainda quando se afiliou politicamente ao poeta e ativista de esquerda John Sinclair para ser o empresário da banda fazendo uma ponte até então inédita entre o jovem gênero musical e o marxismo assumido – em plena época de paranoia e perseguição anticomunista.

Membros do “Panteras Brancas”, grupo de extrema-esquerda anti-racista fundado por Sinclair, a banda mais politicamente comprometida à época misturava junto ao discurso anti-capitalista explícitas referências ao trinômio “sexo, drogas e rock and roll” sendo pregado como contracultura em shows que eram além de concertos de música verdadeiras intervenções políticas e artísticas, sempre com provocações que não poucas vezes terminaram em quebra-quebra, prisões e controvérsia.

Pessoal e artisticamente, o MC5, com sua clássica line up de Rob Tyner (vocais), Wayne Kramer (guitarras, vocais), Fred “Sonic” Smith (guitarras, vocais), Michael Davis (baixo, vocais) e Dennis Thompson (bateria), é uma das verdadeiras representações dos excessos do Rock and Roll. Visceral, rasgado e primal, seus três discos gravados 69 e 71 inspirariam no final da década de setenta junto com outras bandas o punk, o hardcore e praticamente tudo que era pautado por velocidade e volume.


mc52 Kick Out The Jams [1969]

Não obstante ser um debut ao vivo, é um registro que abre com o discurso citado no início do texto a plenos pulmões pelo vocalista Rob Tyner, sendo logo seguido por “Ramblin’ Rose”, que pega o soul em falsete de Ted Taylor para acelerar em 500 por hora, com Wayne Kramer emulando Ted de forma de forma bradada e desesperada. E em sequência “Kick Out The Jams”, cujo brado inicial “Kick out the jams, motherfucker!” promoveu uma sinuca de bico entre a banda, a gravadora Electra e a loja de departamentos Hudson que se recusava a vender o álbum. A corda acabou estourando em seu nó fraco quando a banda comprou um anúncio de página inteira mandando a Hudson “ir se foder”, causando a demissão dos músicos da gravadora. As guitarras barulhentas de Kramer e Fred “Sonic” Smith (pai dos Ramones em som, visual e atitude) criam aquela que é talvez a primeira canção punk da história: a velocidade anfetamínica, os brados e gritos e a distorção e intensidade criam algo no mínimo deslocado em 1969. A porrada continua comendo solta em “Come Together” e “Rocket Reducer No. 62 (Rama Lama Fa Fa Fa)”, com refrãos fortes e riffs impactantes. A piração chega ao auge no soul-rock apocalíptico “Motor City Is Burning” (com o groove de baixo ornamentando belos e chapados solos de guitarra) e a versão da banda para “Starship” de Sun Ra, com a improvisação rolando desenfreada com distorção de guitarra, sons estranhos e harmonias vocais correndo livres e desimpedidas, sem estrutura definida. “Kick Out The Jams” quebrou com a moda do rock “bicho grilo” que discursava sobre paz e amor com baladas folk com um registro “quente”, sonora e liricamente revolucionário. Mesmo o sucesso à época sendo moderado, nada impediu o novo paradigma aberto de crescer vigorosamente: nada mais seria como antes.


MI0003549917Back In The Usa  [1970]

Agora assinados com a Atlantic, o som do debut em estúdio do MC5 deve muito à paixão do seu produtor Jon Landau (co-produtor da obra-prima de Bruce Springsteen “Born To Run”, entre outros discos do Boss) pelo rock cinquentista e sua pouca afeição ao rock psicodélico. O resultado foi que, justamente, a banda concentrou todos seus esforços em fazer uma versão pesada e alucinada do que os pioneiros do estilo tocavam, o que se vê na abertura e no fechamento do álbum, os covers “Tutti-Frutti” de Little Richard e “Back in the USA” de Chuck Berry. Menos politizado mas ainda fazendo música barulhenta o suficiente para fazer qualquer conservador ficar de cabelos em pé, na hora de compôr material próprio a banda investe na delinquência e no hedonismo, como dá pra ver em “Teenage Lust” e “Call Me Animal”, rythm and blues com guitarras pesadas, cozinha marcada e vocais raivosos. Também se sai muito bem nos temas mais elaborados, como na balada “Let Me Try” e “Looking At You”, com os solos de guitarra de Wayne Kramer antecipando aquele hard rock mais rápido praticado no final da década e o baixo “na cara” levando a música. A pedrada política da vez fica por conta de “The Human Being Lawnmower”, com uma cozinha tensa e explosiva, em uma música que varia entre o tom pulsante e as frases rapidíssimas para a época (construção que lembra muito do que o pessoal do hardcore viria fazer na década seguinte) para criticar o histórico de violência e opressão da raça humana, definidos na música como uma “raça ancestral de primatas assassinos”. Afiados e diretos como nunca, o MC5 estava em sua melhor forma ao fazer Back in the USA, legítimo disco de rock mal educado, desordeiro e desobediente – trilha sonora perfeita para exorcizar angústias.


MC5_-_High_TimeHigh Time [1971]

Banda libidinosa que só eles, o MC5 fez do seu canto de cisne “High Time” o resultado de uma transa entre seus dois registros anteriores. O mais criticamente elogiado e menos vendido álbum do grupo (que causou a demissão da gravadora e pouco após a dissolução do grupo, que jamais veria a sua formação original novamente – Tyner morreria de ataque cardíaco em 91 e Fred de overdose em 94) é de longe o álbum mais elaborado da banda, apresentando além do trinômio guitarra-bateria-baixo vários outros instrumentos pouco usuais no rock. Isso logo se vê na introdução, a obra-prima de sete minutos “Sister Anne” (com a ponte-refrão emprestada pelos Dead Kennedys em “Let’s Lynch The Landlord”), com o ritmo pesado da banda sendo acompanhado por um piano cinquentista com solo de gaita e backing vocals femininos dando uma belíssima adição, com um final marcial de percussão marcada e instrumentos de sopro dando um final hilário à música que versa sobre uma moralista. Disco de composições mais longas, a banda mostra ser formada por compositores de mão cheia, cruzando tudo bom feito na música americana até então; para os amantes de barulho, as porradas de três minutos “Gotta Keep Movin’” e “Poison”, um grooveado hard rock que antecipou a sonoridade da década seguinte em alguns anos; há também a a balada groooveada “Miss X”, e de quebra a banda ainda entrega duas peças mais experimentais, “Future/Now”, metade metralhadora sônica e metade cadência etérea e a influenciada por free jazz e sobretudo Sun Ra “Skunk (Sonically Speaking)”, pesada e viajante, com os tradicionais instrumentos mais percussão, conga, trompete, trombone e sax tenor desenhando uma música intensa e cheia de camadas. Fechamento com chave de ouro para uma banda com fome de tudo que era novidade para quela juventude: liberação de costumes, experimentações sonoras e ativismo político se mostraram os ingredientes certeiros para um fenômeno trangressor que definitivamente não se ouve todo dia.

Homenageados e regravados por artistas tão diferentes como Rage Against The Machine, Jeff Buckley, Monster Magnet, Pearl Jam, The Damned, Corrosion of Conformity, Bad Brains e Entombed, a sensação de ouvir MC5 permanece com um inedistismo fresco e vigoroso até hoje. Dá pra entender o saudosismo de uns dos anos sesenta/setenta: poucas vezes na história da música popular se viu em quantidade tão grande artistas rompendo os limites impostos de maneira tão desavergonhada.

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De volta a Matthew Ellis com Obie Clayton, 1975

 



Mas que mudança de aparência temos aqui, no espaço de apenas 4 anos, do folk hippie ao glam rocker ao piano no longo roupão real à la Chopin ou Liszt! E, de fato, concomitantemente, mantendo as aparências como é comum no pop, a música passou do material acústico um tanto derivado dos Beatles para canções mais produzidas e comercializadas, um pouco mais de rádio pop no formato, não necessariamente melhor, apesar da mudança.

Deste álbum, espero que todos concordem que a música  Bad For You é de longe a melhor faixa que eu acho, com sua surpreendente harmonia vocal de Matthew, e seu refrão irresistível:


Até o arranjo é feito perfeitamente, com a introdução de piano elétrico mais acústico e acordes de guitarra criteriosamente adicionados ao fundo, então o sostenuto de corda adicionado em execuções posteriores do mesmo padrão... que música!

Deveria ter sido um sucesso na época como eu sempre digo... 


MUSICA&SOM

MUSICA&SOM



Those Days de Torsten Hartmann, da Alemanha 1980

 






Há canções aqui em que ele está estranhamente imitando Nick Drake, às vezes até citando suas canções, " quando eu era jovem, etc, " (Place to Be) foi alterado para " quando eu era uma folha".  Infelizmente, ele não explorou as incríveis afinações originais que Nick fez, com o som de cordas soltas dando a tudo aquelas ricas texturas harmônicas / harmônicas, que tornaram suas músicas tão inesquecíveis. Eu acho que ele usa algumas afinações não convencionais aqui e ali. Além das canções de Nick Drake, existem faixas ssw relativamente comuns para preenchê-lo. Os fãs de Nick podem achar isso interessante e, de qualquer forma, bastante raro e, até onde eu sei, nunca copiado para digital antes. .

Dreams of Sandy:





Pouco conhecido SSW Chi Coltrane, em álbuns de 1972 a 1981

 













Outra mulher incrivelmente bonita, obviamente. Novamente surpreendente, nunca a encontramos antes, na mesma linha de Brit Lesley Duncan , que todos parecem ter amado, mas menos emocional, mais semelhante à recente Sarah Kernochan . Ela fez 4 álbuns no período em questão:

Cantora/compositora americana, nascida em Racine, Wisconsin, EUA, em 16 de novembro de 1948. Criada em uma família musical começou a estudar piano. Depois de alguns anos fazendo turnês em pequenos clubes, ela teve seu primeiro sucesso nos Estados Unidos, "Thunder And Lightning", em 1972. Chegou às paradas nos Estados Unidos, mas não fez muito sucesso na Europa. Seu segundo single "Go Like Elijah" foi seu grande avanço na Europa (o single não vendeu muito bem em sua terra natal). Depois de mais alguns sucessos, ela decidiu morar na Europa, onde tinha um grupo fiel de fãs, principalmente na Alemanha e na Suíça. Ela saiu de cena devido a uma doença de fadiga. Ela voltou em 2009, lançando outro álbum 'Greatest Hits' e começou a turnê novamente. Ela também está trabalhando em um novo material .

Do primeiro álbum, The Wheel of Life :


O grande encerramento do álbum de 1977 se chama The Road to Tomorrow : 


Eu realmente amo essa música. Claro, ele lembra inúmeros outros grandes sucessos do final dos anos 70 da música pop da época na progressão de acordes, o acúmulo dramático, os sentimentos sendo expressos, a ingenuidade especialmente tão típica daqueles dias pré-mudança climática, pré-polarização política , mas ainda é lindo.

MUSICA&SOM

MUSICA&SOM


Três Tristes Tigres – Mínima Luz (2020)


 

Mais de 20 anos depois, os Três Tristes Tigres voltam aos discos, com uma obra densa e claustrofóbica mas também recompensadora.

É o aguardado regresso de uma das mais interessantes e mutantes parcerias da música portuguesa das últimas décadas. Ana Deus (quem se lembra dos BAN?) e Alexandre Soares (um dos fundadores dos GNR) já viveram muitas vidas, juntos e em separado, mas o legado dos Três Tristes Tigres (TTT) – grupo que os junta à poetisa Regina Guimarães – ficou de certa forma inacabado há mais de 20 anos.

Depois disso, cada um para seu lado, até Soares e Deus se juntarem no projeto Osso Vaidoso, que nos deu dois discos, mais crus e despidos que o trabalho anterior dos TTT. Mesmo a vida deste grupo central não é fácil de caracterizar. Em 1993 sai Partes Sensíveis, a bem recebida estreia pop, ainda sem Alexandre Soares. De seguida, em 1996, chega o segundo volume, Guia Espiritual, que é um passo em frente numa construção ainda pop mas mais complexa e profunda. Este foi o grande momento da banda, com elogios da crítica e do público, muito à boleia do óptimo single “Zap Canal“. E se o segundo disco era muito bom, possivelmente o terceiro foi ainda melhor: Comum sai em 1998 e é um álbum ainda mais exploratório, com as electrónicas a ganharem preponderância. Um disco denso, claustrofóbico e muito rico e, juntamente com o anterior, um trabalho incontornável do melhor que a música portuguesa fez nos anos 90.

Depois, o silêncio. Houve o reencontro enquanto Osso Vaidoso, até que o trio assumiu o regresso enquanto TTT. Em declarações recentes, Ana Deus e Alexandre Soares falam como se esta fosse uma nova vida, uma nova banda. Parecem pouco interessados no passado – mesmo que glorioso – e isso costuma ser o combustível para andar em frente, para a busca. E a busca sempre foi um traço marcante destes músicos.

Chegados a este distópico ano de 2020, temos finalmente nas mãos o quarto disco de originais de Três Tristes Tigres (disponível em CD, vinil e na síntese digital): Mínima Luz.

Encontramos aqui alguns marcos terrestres que nos indicam a familiaridade com a região TTT na sua vertente mais livre e mais exploratória. O grupo traz-nos uma espécie de síntese entre a linguagem de Comum e a fraca iluminação dos Osso Vaidoso, deixando para trás as “canções” dos registos anteriores. O resultado é um disco imersivo, opressivo e labiríntico. Mínima Luz faz jus ao seu nome, com as preciosas palavras lutando para nos levar adiante, no meio das camadas e dos mantras instrumentais que se vão revelando, sem pressas.

Sentimos saudades do lado pop – ainda assim inventivo – que os Três Tristes Tigres já nos deram, mas o caminho é agora, cada vez de forma mais declarada, de exploração. Não temos aqui nada que ouçamos na rádio e, na verdade, nada que não identifiquemos, imediatamente, como o rasto sonoro dos Três Tristes Tigres. Numa altura em que há tanta coisa indistinta, rapidamente consumível e superficial, Mínima Luz é o contraponto teimoso e aventureiro a tudo isso.

Difícil, sim. Mas também recompensador.



Fiona Apple – Fetch The Bolt Cutters (2020)

 

Ao quinto álbum, Fiona Apple apresenta a sua melhor música. Fora dos limites reservados aos comuns mortais, a nova iorquina volta a mostrar que o seu o planeta tem uma bela banda sonora. Um dos candidatos a disco do ano.

Viver num Universo paralelo terá vantagens. Imagino que as chatices sejam menos, que não se corra risco de apanhar um qualquer vírus, que não seja preciso perder tempo com preocupações mundanas que a nós, meros mortais, nos consomem. Melhor ainda, só mesmo se mesmo vindos de nave espacial, aterrados de surpresa, conseguirmos que o mundo terráqueo nos venere, nos receba de braços abertos, com vénias até para os mais afortunados. É o caso de Fiona Apple, a mulher de 42 anos que aos 19 já ganhava Grammys, a cantora que assim que cheirou o topo da indústria musical terrena se afastou, a que esperou quase dez anos para lançar o sucessor de Idler Wheel. A mesma que lançou Fetch the Bolt Cutters sem aviso e mesmo assim colecionou vénias. 10 em 10 diz a Pitchfork. Deve ser boa a vida no Universo de Fiona.

Há quem se supere e quem bloqueie, mas poucos lhe ficam indiferentes. Os humanos, é sabido, acusam a pressão, entre nós até os há que adoecem com stress. Fiona é imune. Tidal, em 1996, valeu estatuto de estrela da música alternativa (assim se chamava nos idos 90), Fiona recebeu os prémios, aceitou o estatuto e três anos depois lançou When the Pawn…, o seu trabalho menos conseguido e nem por isso mau. Aprendeu. Corrigiu o passo e esperou seis anos para apresentar Extraordinary Machine, então o seu melhor trabalho. E descansou até 2012 quando nos presenteou The Idler Wheel, voltando a recolher elogios vindos dos muitos fiéis. Agora, a espera foi ainda mais longa, o disco chegou em formato digital e apenas com a promessa de uma edição física, chegou no espaço de Fiona, com o tempo de Fiona e direto para o topo da sua discografia. Fetch the Bolt Cutters é mesmo o seu melhor álbum.

O passeio pelo teclado que abre “I Want You to Love Me”, a primeira faixa, prepara-nos para um passeio onde se ouve spoken word, mas também o canto, onde se ouve rock e até hip hop. Onde se ouve Fiona no seu melhor, longe dos cânones que limitam os mortais, como “Shameika” o prova logo depois. E Fiona move-se num mundo próprio, o dela onde consegue músicas quase em registo de spoken word, mas com um subtil contrabaixo a garantir que a melodia nos fica na memória – “Fetch the Bolt Cutters”, no caso particular. Mas o manifesto de independência, não se fica pela declaração musical, pelo álbum ouve-se também a sua emancipação: em “Under the Table”, promete que não se calará, mesmo que seja inconveniente ao jantar onde nem queria ir; em “Relay” sente-se a agressividade contida, sustentada num ritmo nos soa africano. Surpresa? Mal chegámos a meio do disco e, a provar que Fiona até respeita algumas das nossas regras, também aqui o melhor ficou para o fim. Há “Ladies e Cosmonauts”, também “For Her”, as mais fortes candidatas a melhor faixa do álbum. E ainda “On I Go”. Na música que encerra Fetch The Bolt Cutters, Fiona reafirma o que já sabíamos – sabe que nada tem a provar, sente-se imune à pressão e exterior e deixa, subtilmente, o aviso: mais música, só quando lhe apetecer.

Surpreendente e a exigir várias voltas para lhe descobrir os segredos e as mensagens subliminares, Fetch the Bolt Cutters lembra-nos como é brilhante o Universo de Fiona e deixa-nos em suspenso, a pensar o que se seguirá. A nós, mortais, sem forma de contornar tempo ou espaço, resta esperar, tentar evitar crises de ansiedade e poupar energias a tentar prever o próximo passo da nova iorquina. Será o que lhe apetecer, chegará quando tiver tempo e provavelmente também ocupará o seu espaço nos tops dos discos do ano. Este já tem o espaço reservado.




Johnny Winter Scorchin´ Blues


Durante os anos 60, Johnny Winter excursionou e tocou muito, reafirmando suas raízes com vários discos sólidos para Alligator e Pointblank. Esta coleção reúne o melhor de 1968 a 1979. Uma época em que ele se envolveu muito com suas raízes do blues. Aqui estão Walking By Myself, Mother-In-Law Blues e Mad Blues. Occasionally Walking By Myself é uma das músicas escolhidas pela ELUS BLUES BAND (comigo no baixo) para tocar no meu casamento em homenagem a noiva (hoje minha esposa e mãe dos meus filhos). O vídeo está no YouTube caso você tenha interesse em ouvir a "versão".
Johnny Winter é de ouvir a todo volume, as canções de blues coletadas dos anos 60 e 70, seu jeito incomparável de tocar no violão de aço, acústico, elétrico, slide e está sempre no nível de qualquer grande guitarrista de blues. Cinco desses temas são suas próprias composições. Uma grande coleção de alguns dos melhores trabalhos de Winter. Se eu tivesse que escolher, este é um dos melhores álbuns.
Falar muito sobre Johnny Winter não faz muito sentido se você ainda não o ouviu, ele é um grande blues, entre muitos "dark" ele se destaca pelo quão "claro" é esse albino. Excelente blues e um daqueles discos que estranhamente vão parar no tocador.





Johnny Winter (1992) Scorchin´ Blues 

01. Walkin' By Myself 3:32
02. Divin' Duck 3:27
03. One Step At a Time 4:01
04. Bladie Mae 3:37
05. It Was Rainin' 5:06
06. Mean Mistreater 3:54
07. Mother-In-Law Blues 2:56
08. Dallas 2:45
09. Mean Town Blues 8:57


 

Ghèdalia Tazartès / Paweł Romańczuk / Andrzej Załęski - Carp's Head (2016)

 


...Escrever sobre a música do trio que foge de todos os padrões, é como não escrever nada. Tazartès provavelmente não precisa mais provar que é um vocalista excepcional, mas em "Carp's Head" ele mostrou uma gama muito ampla de suas habilidades vocais - alternando livremente do canto da garganta (me lembrou da extraordinária banda de Tuva, Alash Ensemble) , ópera macabra ao estilo de Scott Walker ("Good Ours", "The End of Western World"), à música clássica indiana ("Orient Calling") e ao blues demoníaco, mas mais próxima dos cantores siberianos do que daqueles negros do sul dos Estados Unidos. O som cru, mas muito intenso e profundo pode ser associado a várias produções OBUH (ouvir com atenção "Wolves and Birds" e "Wolves and Birds part 2"), musicalmente, no entanto, "Carp's Head" segue uma direção imprevisível, embora com a participação de muitas culturas de diferentes partes do mundo. Eu chamaria a coisa toda de um uivo analógico do outro mundo (ou talvez de Atrás da Sétima Montanha?).


O mais novo disco produzido pelo grupo de três - Ghédalia Tazartès, Pawel Romanczuk e Andrzej Zaleski - é o resultado de apenas alguns encontros e uma paixão compartilhada pela música que molda sua perspectiva. O longa foi gravado no estúdio Rogalów Analogue, na parte leste da Polônia. Vale a pena notar que o espaço e a paisagem circundante não influenciaram o som em si, já que o disco se afasta das tradições da música de câmara. Os músicos, tanto juntos quanto separadamente, evitam qualquer influência mainstream. Assim, o registro acústico é pacífico, espiritual e apresenta uma grande variedade de noções e emoções. A articulação vocal diversificada e o tom de Tazartès se entrelaçam bem com o jogo percussivo de Zaleski e as habilidades multi-instrumentais de Romanczuk. A pulsação rítmica está constantemente tomando novas direções, acabando por se transformar em ruído em algum momento. A voz, algo dramática, prende os ouvintes e os remete a uma viagem por quase-histórias inexistentes. Um indescritível mágico romântico personificado por um gato com cabeça de carpa. A artista cult francesa Ghédalia Tazartès é uma personagem intransigente que desafia a categorização. Gravou sozinho uma dezena de discos, chamando à sua forma de trabalhar "Impromuz" por falta de termo melhor. Antes dos anos 2000, suas aparições públicas eram eventos excepcionais. Romanczuk é um dos fundadores do grupo artístico polaco Male Instrumenty com quem gravou estes álbuns. Ele compôs várias trilhas sonoras de filmes e colaborou com importantes casas de teatro. Sua colaboração musical com Andrzej Zaleski e Ghedalia Tazartes começou em 2014; no entanto, ele estava familiarizado com a música deles por um bom tempo. Andrzej Zaleski -- músico, cineasta e curador -- colaborou com: Ghédalia Tazartès, Aspec(t), Joe Giardullo, Eugene Chadbourne, Charles Hayward, John Hegre, Tatsuya Yoshida, Pavel Fajt, Sylvie Courvoisier, Vinz Vonlanthen, Male Instrumenty , Johannes Bergmark e muitos outros. Ele também tocou em bandas como: Multicide, Mitch e Mitch, e 3 Meters, Za Seventh Mountain.



Wooden Veil (2009)

 


Wooden Veil adiciona um brilho metálico de elementos industriais à escuridão primordial, tecendo na música o tema do culto dos últimos enclaves da tecnologia em uma natureza epidêmica desenfreada. Interlúdios ambientais, transe xamânico e vocais demonicamente femininos (vem à mente "Rusty Sword" de R. Stiller) adicionam seus dois centavos ao processo de criação de um universo coerente, e muitos outros doadores poderiam ser indicados. Uma obra bastante hermética, sobretudo tendo em conta o ecletismo que se manifesta ao fazer malabarismos com convenções inteiras, não apenas com géneros. Filip Szalasek )


O WOODEN VEIL está junto desde 2007, mas eles não são tanto uma banda quanto um coletivo artístico multinacional cuja música serve apenas como um complemento para sua prática artística total. Com sede em Berlim, os membros individuais colaboraram com várias bandas underground, mas a música é apenas uma manifestação de seus interesses multifacetados. O conjunto apresenta o artista/escritor/cineasta alemão Marcel TÜRKOWSKY e o músico/artista japonês e ex-gueixa Hanayo (NAKAJIMA), junto com outros artistas/escritores Dominik NOÉ, o tcheco Jan PFEIFFER e o artista americano Christopher KLINE.

Eles fazem comparações com as antigas colônias de arte rural, o teatro xintoísta, os filmes de vanguarda de Alejandro JODOROWSKY e a arte performática de Yves KLEIN. A partir desse caldeirão criativo de influências, eles criaram seu próprio culto de rituais, santuários, talismãs, mantos e máscaras. Esses exóticos, juntamente com vídeos conceituais sinistros, exposições abstratas e outros acontecimentos, ajudam a criar uma mística em torno de WOODEN VEIL. Seu álbum de estreia autointitulado de 2009 foi aparentemente gravado em várias instalações para que as faixas absorvessem as características específicas de cada novo lugar, e a música é indiscutivelmente mais coerente no contexto de suas apresentações-exibições.

Apesar da baixa prioridade que o WOODEN VEIL dá à sua própria música, ele oferece uma síntese provocativa e desafiadora de música industrial psicodélica e folk caótico de base acústica. Partidas eletrônicas rígidas e batidas xamânicas cruas (executadas em instrumentos de percussão improvisados) fornecem um pano de fundo para colisões incomuns de glockenspiel, banjo, saltério de martelo, harpa de judeu e cítara. O álbum está atualmente disponível no formato LP/CD e como download digital. Artistas semelhantes no banco de dados incluem os primeiros AMON DÜÜL, ANIMA-SOUND e EMTIDI. 




”Made Up Mind”: O grande talento da Tedeschi Trucks Band

 Das bandas de Rock da atualidade, a Tedeschi Trucks Band é uma das mais prestigiadas da cena. Para quem gosta do rock americano clássico é a banda certa nos dias de hoje, e a recomendação é o disco, ”Made Up Mind”!

Lançado em 2013, o disco mostra uma banda pronta, que é formada pelo casal Susan Tedeschi e Derek Trucks. É um evolução desde o disco de estreia, o ”Revelator” de 2011, acontece que neste segundo disco ficou claro a absorção da banda do que melhor aconteceu na música americana na década de 70, a sonoridade é bem atual e contemporânea e isso pode fazer com que uma galera mais nova sinta mais interesse num tipo de música como o Rock que precisa de bandas como essa para atingir o público da geração atual.

Um dos maiores destaques do disco é sem qualquer dúvida a guitarra de Derek Trucks, seu timbre e seus solos são fantásticos, se esse cara tivesse construído sua carreira na década de 70, com certeza ele seria um grande nome da época, é um músico diferenciado.

”Made Up Mind”, é um grande disco da década 2010, está longe de ser um clássico ou uma obra prima, mas ainda assim é um bom disco de uma banda bastante relevante no cenário e nos da mais um ânimo em ver uma banda atual fazendo um som raiz e de excelente nível. Vamos ficar atentos aos próximos lançamentos e ver o que mais essa bela banda tem a nos oferecer!




Destaque

QUEEN - QUEEN II (1974)

  Queen II é o segundo álbum de estúdio da banda britânica Queen. Seu lançamento oficial aconteceu em 8 de março de 1974, através dos selos...