domingo, 5 de novembro de 2023

CRONICA - FREEDOM | Through The Years (1971)

 

É costume na Freedom mudar de rótulo depois que um LP é produzido. Para o seu 4º álbum , o grupo inglês assinou com a Vertigo (Colosseum, Gentle Giant, Black Sabbath…). Ao longo do caminho, porém, a escalação mudou. Mesmo que contribua para a composição do futuro LP, o baixista/vocalista Walt Monaghan prestou seus serviços a Mick Abraham antes de ingressar no If. O baterista Bobby Harrison e o guitarrista Roger Saunders recrutaram em troca Peter Dennis, que além de cantar e tocar baixo tocava teclado.

Este novo visual Freedom lança Through The Years em 1971. Composto por 6 faixas, este disco segue a veia do hard rock, mas livre das influências psicológicas que caracterizaram as obras anteriores. Mas num hard rock mais suave, o trio parece ter desacelerado. Se o combo perder potência (ligeiramente), ganha em sofisticação sem cair na complexidade. Esta quarta tentativa continua acessível e será inspirada na música americana. Como as músicas de Southernrock que duram mais de 6 minutos, como "Freestone" na abertura com sua ponte groovy, mas especialmente a ameaçadora e blues "Get Yourself Together" com toques rústicos salpicados de solos de blues fortes. No meio está o country “Through The Years” com pausas atmosféricas e à chegada deliciamo-nos com os divertidos 7 minutos de “Toe Grabber”. No meio encontramos o boogie pesado “London City” e a balada comovente “Thanks” com magníficas melodias de piano.

Resumindo, Freedom nos dá um bom álbum que pode ser ouvido sem complicações. Mas pergunta, qual gravadora receberá esse grupo em seu 5º LP ?

Títulos:
1. Freestone   
2. Through The Years
3. Get Yourself Together      
4. London City          
5. Thanks       
6. Toe Grabber

Músicos:
Peter Dennis: baixo, teclado, voz
Bobby Harrison: bateria, voz
Roger Saunders: guitarra, piano, voz

Produzido por: Rodger Bain



Bananamoon Band – Bananamoon Band (2014, LP, France)




Tracklist:
A1 Pretty Miss Titty (1st Version) 4:03
A2 Rich Girl 3:45
A3 Un Oeuf For You 5:36
A4 My Mother's Gone To India/ Hare Krishna/ Time Of The Green Banana/ Remember The Name 5:25
B1 Why Are We Sleeping? 9:36
B2 French Garden (1st Version) 3:24
B3 French Garden (2nd Version) 3:31
B4 Pretty Miss Titty (2nd Version) 1:46
B5 Je Ne Fume Pas Des Bananes 5:00

Musicians:
Bass – Patrick Fontaine
Composed By – Daevid Allen
Drums, Vocals – Marc Blanc
Guitar, Lead Vocals [Lead Vocal] – Daevid Allen
Vocals – Gilli Smyth

Notes:
Tracks 1, 2, 3, 4 recorded in Studio CBE in March 1968.
Track 6 recorded at Antibes in July 68.
Tracks 5, 7, 8, 9 recorded at Deia in August 1968 at the Banamoon [sic!] Observatory
Limited edition 1000 copies

ste é um pacote precioso para quem está interessado em como você passa do Soft Machine para o Gong em alguns anos, bem como para quem está interessado em rock psicológico de primeira linha e muito original em geral - este álbum não irá decepcionar. quer frontal. Mais focado do que o extenso CD anterior que continha as gravações da Banana Moon Band, Daevid Allen / Banana Moon Band / Gong - Je Ne Fum' Pas Des Bananes, que preencheu o tempo de execução do CD com faixas de Gong e Daevid Allen (e separou muitas das sessões da Banana Moon Band com essas faixas estranhas), este lançamento segue estritamente o material da Banana Moon Band e é possivelmente completo nesse aspecto no que diz respeito à produção gravada. Elaboradamente embalado em estilo vintage, capa com fundo dourado reflexivo metálico na capa e contracapa com um LP de vinil transparente de alta qualidade no interior e uma coleção de inserções efêmeras de alta qualidade, incluindo seis impressões fotográficas extremamente bonitas da capa sessão de fotos dentro de um saco plástico que pode ser fechado novamente, este é um lançamento lindamente realizado no cânone de reedições e edições de prestígio de Daevid Allen/Gong. Este é um lançamento de rock psicológico muito significativo e, embora preencha uma lacuna importante na carreira de Daevid Allen, é diferente de quase tudo que ele já fez em muitos aspectos.




Wilf Carter - The Dynamite Trail! ~ The Decca Years 1954-58 (1990)





 1. One Golden Curl (3:07)
 2. My Mountain High Yodel Song (2:15)
 3. I'm Gonna Tear Down The Mailbox (2:34)
 4. Maple Leaf Waltz (2:07)
 5. There's A Tree On Every Road (2:07)
 6. I Bought A Rock For A Rocky Mountain Gal (2:10)
 7. Shoo Shoo Sh' La La (2:36)
 8. The Sunshine Bird (2:10)
 9. Kissin' On The Sly (2:36)
 10. The Alpine Milkman (2:20)
 11. Dynamite Trail (2:39)
 12. Strawberry Roan (1969) (2:59)
 13. Ragged But Right (2:14)
 14. There's A Padlock On Your Heart (2:32)
 15. The Yodelin' Song (2:23)
 16. On A Little Two Acre Farm (2:54)
 17. Strawbewerry Roan (1956) (2:45)
 18. My Little Lady (2:21)
 19. Silver Bell Yodel (2:11)
 20. Away Out On The Mountain (2:40)
 21. The Blind Boy's Prayer (2:30)
 22. X's From Down In Texas (2:15)
 23. Let A Little Sunshine In Your Heart (2:22)
 24. There's A Blue Bird On Your Windowsill (2:09)
 25. My French Canadian Girl (2:16)
 26. Sick, Sober And Sorry (2:17)
 27. A Sinner's Prayer (2:15)
 28. My Prairie Rose (2:09)
 29. Yodeling Babies To Sleep (2:21)
 30. Born To Lose (2:20)

pass: polarbear







Ambrosia - 1976-Pittsburgh and 1978-Boston Radio broadcast shows

 


Ambrosia

31/10/1976
Mesquita da Síria, Pittsburgh, PA
29/10/1978
Dos anos 70 e isso me lembrou que, ei, essa é uma banda na qual eu não pensava (ou ouvia) há anos, mas nos primeiros dias do banda (meados dos anos 70) gostei muito deles. Ambrosia foi formada no início dos anos 70 e era formada pelo guitarrista/vocalista David Pack, pelo baixista/vocalista Joe Puerta, pelo tecladista Christopher North e pelo baterista Burleigh Drummond. A banda ficou impressionada com o rock progressivo da época, mas também tinha uma forte afinidade com harmonias vocais e rock melódico e pop. Eles criaram uma grande mistura de rock e pop progressivo e mainstream, apresentando seus vocais e arranjos, pelo menos em seus primeiros álbuns ( Ambrosia - 1975 e Somewhere I've Never Traveled - 1976). No entanto, em seu terceiro e quarto álbuns ( Life Beyond LA - 1978 e One Eighty - 1980), eles abandonaram principalmente os aspectos progressivos e se voltaram para uma abordagem pop comercial mais suave e astuta. Isso resultou em alguns singles de sucesso ('How Much I Feel', 'Bigger Part of Me' e 'You're the Only Woman'), mas destruiu sua credibilidade como banda de rock. Eles retornaram ao rock mais pesado em seu último álbum, Road Island - 1982), mas afundou comercialmente e a banda se separou logo depois. A banda se reuniu em 1989 e permaneceu em turnê em várias formas ao longo dos anos subsequentes. Então, uma história irregular, mas eu ainda gosto muito desses dois primeiros álbuns. Então, aqui está Ambrosia daquela época, abrindo pela primeira vez no Kansas em 1976, e depois com um show mais longo em Boston em 1978. O show de 1978 foi para divulgar seu terceiro álbum (representado nas primeiras 4 músicas do set), mas depois disso eles tocam apenas músicas dos dois primeiros álbuns (e algumas músicas adicionais do show anterior). Ambos foram programas transmitidos por rádio, mas a qualidade de gravação do programa de 1978 é muito melhor do que a do programa de 1976. 

Tracklist:
1976 - Syria Mosque, Pittsburgh
01. Make Us All Aware (6:30)
02. Can't Let A Women (6:38)
03. Holdin' On To Yesterday (6:12)
04. I Wanna Know (7:45)
05. World Leave Me Alone (4:33)

1978 - Paradise Theater, Boston
01. Life Beyond L.A. (6:19)
02. If Heaven Could Find Me (4:46)
03. Not As You Were (4:15)
04. How Much I Feel (5:47)
05. And... Somewhere I've Never Traveled (5:12)
06. Nice, Nice, Very Nice (6:07)
07. The Brunt (5:39)
08. Band intros > Holding On To Yesterday (5:55)
10. Can't Let A Woman (Get Into My Head) (6:23)  
11. I Wanna Know (7:17)


Ambrosia:
David Pack - vocals, guitar
Chris North - keyboards
Joe Puerta - lead vocals, bass
Burleigh Drummond - drums, percussion, background vocals
David Cutler Lewis (1978 show only) - keyboards





Yes - Heaven & Earth [2014]




Quando o Yes começou a excursionar pelo mundo apresentando alguns dos principais álbuns que consagram o grupo na década de 70, muitos foram os fãs que esperaram por um fim próximo da banda, ainda mais sem seu principal vocalista, Jon Anderson. Poucos foram os que apostaram suas fichas em uma sequência de lançamentos de estúdio, após o contestado Fly From Here (2011), com o vocalista  Benoît David, que acabou sendo demitido pouco tempo depois. O álbum trazia canções da época do Yes-Buggles (quando Geoff Downes e Trevor Horn entraram no grupo para substituir Rick Wakeman e Jon Anderson respectivamente) e que ficaram de fora de Drama, lançado pelo grupo em 1980. A simpatia que tenho por Drama fez-me ganhar Fly From Here, o qual considero um álbum muito bom, principalmente pela suíte "We Can Fly From Here", com um excelente trabalho instrumental e vocal.

O vocalista Jon Davison foi o substituto, e junto de Steve Howe (guitarras, violões, vocais), Cris Squire (baixo, vocais), Alan White (bateria, percussão) e Geoff Downes (teclados, piano, sintetizadores), faz parte de mais uma das inúmeras formações que o grupo teve desde 1968, que para surpresa de todos, anunciou o lançamento de seu vigésimo primeiro álbum de estúdio para o dia 21 desse mês no Reino Unido (22 nos Estados Unidos), sendo que o mesmo foi gravado entre 06 de janeiro e 14 de março de 2014.

Steve Howe, Jon Davison, Alan White, Geoff Downes e Cris Squire

Seria o mesmo uma decepção? Iria o quinteto arcar com um vexame gigantesco? Poderia nascer uma ideia brilhante? Essas eram algumas perguntas que os fãs já faziam, pois ninguém apostava nas longas suítes como "Awaken", "The Gates of Delirium" ou "Close to the Edge", e tão pouco acreditavam que o Yes fosse capaz de fazer algo na linha de "Owner of a Lonely Heart" ou "Love Will Find a Way" novamente, e até mesmo as canções da fase Yes-Buggles seriam improváveis. Trevor Horn, vocalista e principal compositor dos discos Drama Fly From Here, está de fora, e assim, a empolgação foi abafada por conta do medo e ansiedade por não ver seu time passar vergonha jogando em casa.

Infelizmente, o resultado foi exatamente o esperado, e o quinteto acabou perdendo feio para um álbum fraco e sem inspiração chamado Heaven & Earth.

Como fã do grupo, consegui o material antes do lançamento, através das buscas pela internet, e o que mais me chamou a atenção é que das oito faixas da bolacha, sete contam com a participação de Davison como compositor, além de que o grupo fez uma parceria com o produtor Roy Thomas Baker, famoso por seus trabalhos ao lado do Queen (Queen IIA Night at the Opera e Jazz são alguns dos álbuns exemplos) e do Journey (Infinity e Evolution), e que também produziu os contestados No Rest fo the Wicked (Ozzy Osbourne) e Chinese Democracy (Guns N' Roses).

Jon Davison - "Mamãe, tô no Yes!" e Cris Squire - "Até quando vou aguentar isso?"
A curiosidade de como são as mãos de Davison na escrita, bem de como soaria o casamento das produções elegantes e sobrecarregadas de Thomas junto à técnica e perfeição individual do quinteto salta aos olhos, mas infelizmente, acaba coçando incomodativamente os ouvidos durante os pouco mais de cinquenta minutos de Heaven & Earth.

Duas canções são parcerias de Davison com Howe, no caso "Believe Again", faixa de abertura que parece ter saído dos pesadelos da carreira solo de Jon Anderson (sim, a voz de Davison em estúdio lembra ainda mais a voz de Anderson, talvez por conta da mixagem), e com um refrão nada cativante, e "Step Beyond", uma mistura dos piores momentos da carreira de Rick Wakeman com o GTR, trazendo vocalizações características do Yes de "Leave It" e "Changes" e um andamento nada sofisticado por Squire.

Depois, tem uma colaboração com cada membro do Yes. "To Ascend", a primeira canção a ter divulgação na internet, inclusive sendo a trilha de um curto filme que apresenta o álbum, é ao lado de Alan White. Uma balada bonitinha na linha de outras como "Wonderous Stories" e "Circus of Heaven", só que não tão facilmente deglutivel, e que por outro lado é uma das poucas que não compromete.

Alan White - "Que Sono!"

"In a World of Our Own", de Davison com Squire, é uma aventura descabida por um mundo pop que nem o GTR conseguiu imaginar, soando extremamente falsa e apelativa, enquanto "Subway Walls", de Davison com Downes, acaba sendo a surpresa positiva de todo o álbum, já que poucos podiam esperar que a melhor canção viria exatamente do mais contestado músico da atual formação. Ela encerra o disco com uma magnífica introdução feita somente por Downes nos sintetizadores, a qual cria toda uma expectativa para trazer o vozeirão de John Wetton, sendo uma digna representante dos melhores trabalhos do Asia. Com o passar de seus nove minutos, o baixo de Squire sai da mesmice, aparecendo com mais clareza e força, e ainda temos o único solo de teclados de todo Heaven & Earth (muito bom por sinal) e um solo interessante de Howe. "Subway Walls" acaba sendo um ponto fora da curva no fim das contas, pois foge totalmente da concepção das demais canções, pois emprega aquilo que não aparece nas outras, e que podemos pegar por exemplo principal "It's Was All We Knew".

Esta é a única canção na qual não há a mão de Davison, sendo composta exclusivamente por Howe, trazendo um ritmo quase flower-power, um andamento que lembra ABBA, teclados essencialmente anos 80, um trecho instrumental saído de alguma canção perdida pelo Led Zeppelin na fase In Through the Outdoor e vocalizações características de grupos como Beach Boys e Beatles, não acrescentando nada de relevante para o álbum, a não ser mais alguns breves solos pouco criativos do guitarrista. Por isso, ela acaba sendo bastante representativa do que é o conjunto final de Heaven & Earth. Você consegue perceber diversas influências nas canções, menos as influências de Yes.

Não há nenhum momento com passagens intrincadas, um duelo de teclados ou guitarras ou até uma variação de andamento na bateria de White. As canções começam, mostram seu refrão e terminam de forma que você nem se dá de conta que ouviu algo, de tão fracas que são, e para mim, que me considero um grande fã do grupo, é muito dolorido ter que dizer isso, mas sabe quando você tenta se consolar dizendo algo como: "Está uma porcaria, mas mesmo assim, é melhor do que muita porcaria que tem por aí", e depois de alguns minutos acaba dizendo: "É, tem muita porcaria que é melhor que isso"? Pois é, isso é Heaven & Earth.

Steve Howe - "Que que estou fazendo com a minha carreira?"

A sexta canção a ter o nome Davison entre os compositores é "The Game", ao lado de Squire e do tecladista Gerard Johnson (The Syn, Saint Etienne), que começa muito bem com Howe ao slide, mas os teclados de Downes fazem o Yes soar mais Asia do que Yes, e o estilo AOR do segundo não casa com a voz de Davison. Não chega a ser tão maçante quanto outras do álbum, o que já mostra a pobreza total de Heaven & Earth, já que na verdade só Howe realmente escapa, durante seu solo, que também não possui nada de mais, mas é um dos poucos momentos a lembrar que estamos ouvindo algo gravado pelo Yes, além de que a letra é uma das mais simplórias que os britânicos registraram sob seu nome ("We all know the rules of game / Us fools stay and play the same / As if our days remain").

Davison ainda trouxe uma canção composta apenas por ele, "Light of the Ages", cujo destaque fica de novo totalmente para a performance de Howe no violão e no slide guitar, mas também chamando a atenção Downes ao piano e algumas passagens instrumentais, as quais advindas do Yes, poderiam ter sido bem mais exploradas, só que para o que foi apresentado até então, as mesmas fazem o ouvinte vibrar por não ser tão sem graça, concorrendo portanto com "The Game" para a posição de segunda melhor do álbum, lembrando que o primeiro lugar é de "Subway Walls" sem nenhuma dúvida.

Geoff Downes - "Fiz a melhor canção de Heaven & Earth!"

A arte é da mão de Roger Dean, única lembrança fiel ao anos 70, em uma imagem belíssima, só que musicalmente, Big Generator (1988) e Open Your Eyes (1998) chegam a serem clássicos Maravilhosos perto de Heaven & Earth, talvez por que quando você acha que a canção "Agora vai!", a empolgação não chega a durar um minuto. Resumindo o álbum, bem em clima de Copa do Mundo no Brasil, é possível afirmar que Heaven & Earth é o Fred da seleção brasileira, já que o tempo de jogo que o centroavante ficou com a bola nos pés durante o Campeonato Mundial até o presente momento é totalmente compatível com o tempo de música na qual você irá ficar plenamente satisfeito com o disco (com exceção de "Subway Walls", a única que vale a bolacha).

Seria a hora de dizer NÃO para o Yes? Bom, se você quer preencher mais um quadradinho da sua coleção, obviamente que a aquisição de Heaven & Earth é fundamental, ainda mais pela presença da supra-citada "Subway Walls", mas caso seja um admirador essencialmente das fases clássicas (o progressivo dos anos 70 ou o pop dos anos 80), invista seu dinheiro no álbum de Figurinhas da Copa, ou compre cerveja para torcer para a Costa Rica, que certamente qualquer um deles lhe trará mais diversão.

Steve Howe, Geoff Downes, Jon Davison, Alan White e Cris Squire estão se despedindo?
Track list

1. Believe Again
2. The Game
3. Step Beyond
4. To Ascend
5. In a World of Our Own
6. Light of the Ages
7. It Was All We Knew
8. Subway Walls







Maravilhas do Mundo Prog: Mahavishnu Orchestra - Dream [1973]

 




Um dos maiores guitarristas da história também é um dos mais desconhecidos entre o grande público do rock 'n' roll. Estou falando de John McLaughlin. O inglês começou sua carreira como músico solo, percorrendo diversos pubs e teatros de Londres (inclusive fazendo uma rara jam com Jimi Hendrix), e teve uma formação clássica muito sólida, já que além de tocar guitarra e violão, McLaughlin estudou piano e violino.

Em 1969, o prodígio músico mudou-se para os Estados Unidos, quando foi convidado para acompanhar a banda de Miles Davis, registrando os álbuns In a Silent Way (1969), Bitches Brew (1970), A Tribute to Jack Johnson (1971), On the Corner (1972) e Big Fun (1974), esse último trazendo registros feitos por McLaughlin ainda em 1969. Em todos esses álbuns, o guitarrista destaca-se por uma técnica primorosa, empregando velocidade com sentimento de forma inédita, propiciando que seu nome fosse aclamado em todo o mundo.

A estreia solo de McLaughlin
O trabalho com Davis levou McLaughlin a participar de gravações de outros gigantes, como Rolling Stones, Wayne Shorter, Larry Coryell, Jack Bruce e Miroslav Vitous, e ainda em 1969, McLaughlin já tinha gravado seu primeiro álbum solo, o excepcional Extrapolation, no qual ele, conforme sugere o nome, apresentando novas escalas, timbres e distorções para uma mistura perfeita de jazz com o rock, sendo um dos grandes discos de estreia da história da música, contando com a participação dos músicos Brian Odgers (baixo), Tony Oxley (bateria) e John Surman (saxofones), e destacando as faixas “It’s Funny”, “Pete the Poet”, “Two for Two” e “Binky’s Beam”.

O trabalho com Davis levou McLaughlin a participar de gravações de outros gigantes, como Rolling Stones, Wayne Shorter, Larry Coryell, Jack Bruce e Miroslav Vitous.

Segundo álbum de McLaughlin
Em 1970, o segundo disco solo comprova o belíssimo trabalho de Extrapolation,  o também excepcional Devotion, destacando a longa faixa-título e a participação mais que especial do baterista Buddy Miles, além dos músicos Larry Young (teclados) e Billy Rich (baixo). No álbum, aslém da faixa-título chamam a atenção “Don’t Let the Dragon Eat Your Mother”, “Dragon Song” e “Siren”.

Ainda em 1970, o guitarrista registrou o seminal Where Fortune Smiles, ao lado de John Surman (saxofones, clarinete), Dave Holland (baixo), Karl Berger (vibrafone) e Stu Martin (bateria), uma aula de jazz rock que chegou às lojas somente em 1971, e é uma das maiores preciosidades para os fãs do músico inglês.

Primeira homenagem para Chinmoy
No final de 1970, a carreira de McLaughlin começou a dar uma grande guinada. O guitarrista começou a ter contato com a religião hindu, tendo como líder espiritual Sri Chinmoy (o mesmo que veio a orientar na mesma época Carlos Santana), o qual foi apresentado ao guitarrista pelo empresário de Larry Coryell. 

Chinmoy acabou influenciando bastante na parte criativa do inglês, que mudou seu nome, adotando o Mahavishnu (deus hindu que significa além da compreensão do homem) antes do John McLaughlin e gravando um álbum totalmente inspirado na música oriental, utilizando-se somente de instrumentos acústicos que foram registrados em seu terceiro disco solo, My Goal's Beyond, o primeiro álbum ligado ao músico a conter instrumentos indianos (no caso a tabla e a tanpura), lançado em 1971. Esse álbum conta com a participação do percussionista brasileiro Airto Moreira.

No mesmo ano, McLaughlin decide expandir seus conhecimentos musicais, e apostando na união de músicos de diferentes países, lançando ao mundo a Mahavishnu Orchestra, um incrível quinteto constituído de exímios músicos de diferentes países, com o inglês McLaughlin (guitarra e violões), o americano Jerry Goodman (violino), que havia feito sucesso com o grupo The Flock no final dos anos 60, o irlandês Rick Laird (baixo), que havia acompanhado a banda do tecladista Brian Auger, o tcheco Jan Hammer (teclado, piano elétrico) e o panamenho Billy Cobham (bateria), que também havia passado pela batuta de Miles Davis.

Mahavishnu John McLaughlin e sua gigantesca Double Neck

Essa formação foi pioneira, praticamente criando o que hoje convencionou-se chamar de jazz fusion, empregando uma fusão de elementos do free jazz com o blues, o jazz tradicional, o rock e a música clássica, além da música hindu, funk e ritmos complexos, próximos ao rock progressivo. A ideia de Mahavishnu John McLaughlin era muito clara. Para ele, o violino deveria ser o instrumento principal, junto da guitarra, que não era apenas uma guitarra, mas uma double-neck composta por um braço de doze cordas e outro de seis, permitindo ampliar escalas e timbres. 

A imagem de McLaughlin empunhando essa gigantesca double-neck acabou virando marca registrada do guitarrista. Além disso, os teclados de Jan Hammer não eram teclados comuns, mas um mini-moog sintetizado que permitia alcançar sons extremamente inovadores, como as famosas distorções que mudam as frequências das notas do grave para o agudo (aquele botão esquerdo que tem no lado do moog, que faz a nota soar com uma variação marcante de frequência).

A estreia da Mahavishnu Orchestra
O álbum de estreia da Mahavishnu Orchestra foi lançado ainda em 1971, sob o nome de The Inner Mounting Flame, e é um perfeito atestado do que o fusion representa ao mundo, através das faixas "Dawn", "The Noonward Race", "Vital Transformation" e "You Know You Know", além de uma interessante rendição ao blues durante "The Dance of Maya".

Porém, escondidos entre a densa camada de fusion, elementos progressivos fazem-se presentes nas canções "A Lotus on Irish Stream" e "The Meeting of Spirits", trazendo intrincadas passagens de violinos, guitarras e teclados, bem como uma cozinha afiadíssima e concorrente a uma das melhores de todos os tempos. O álbum ainda tem a singela "Awakening", mais uma homenagem de McLaughlin ao seu líder espiritual. 

The Inner Mounting Flame ficou em décimo segundo lugar nas paradas de jazz dos Estados Unidos, ficando entre os 100 mais na parada total da Billboard (posição 89).

Segundo LP da Mahavishnu
O sucesso da Mahavishnu Orchestra propiciou uma grande temporada de shows pelos Estados Unidos, e em agosto de 1972, houveram poucas semanas para a gravação do segundo registro do grupo, com o mesmo time lançando Birds of Fire em março de 1973. O LP mantém a linha de seu antecessor, abrindo com a paulada da faixa-título, somente com canções mais curtas, que investem bastante no lado mais acessível (por que não pop) como no suingue Southern de "Open Country Joy" ou um londo solo de bateria durante "One Word".

O progressivo que escondia-se no álbum anterior está mais obscuro ainda em Birds of Fire, aparecendo com clareza somente nas linhas acústicas de "Thousand Island Park". Nas demais canções, a base do jazz fusion destaca-se, principalmente na homenagem à Miles Davis, "Miles Beyond", nas curtas "Celestial Terrestrial Commuters" e "Hope", a quase balada "Hope" e a magistral "Sanctuary". Complementa o álbum uma vinheta de vinte e quatro segundos, batizada "Sapphire Bullets of Pure Love", que pouco acrescenta ao mesmo. 

Birds of Fire alcançou a décima quinta posição na Billboard, alavancando cada vez mais o nome de McLaughlin entre os americanos e o mundo.

Contra-capa de Between Nothingness & Eternity

O grupo saiu para mais uma série de shows, mas logo começaram a surgir as desavenças. Durante a perna europeia da turnê, começam a registrar o terceiro LP em Londres, mas Hammer e Goodman já mostravam-se bastante insatisfeitos com a forma como McLaughlin governava seus colegas durante as gravações. Os músicos não falavam-se mais, e então, houve a separação final da Mahavishnu Orchestra, mas para suprir os problemas contratuais, resolvem lançar um álbum ao vivo, trazendo registros de duas apresentações no Central Park (Nova Iorque) nas datas de 17 e 18 de agosto de 1971.

Between Nothingness and Eternity é o nome da bolacha, lançada em novembro 1973, e que surpreende com uma nova sonoridade, totalmente calcada no rock progressivo e sem tantas inspirações no fusion, tanto que apenas três músicas estão no LP, o qual abre com os ensandecidos e sensacionais duelos de McLaughlin e Hammer de "Trilogy", destacando os solos de Jerry Goodman e a performance soberba de Billy Cobham, seguida pela elegante e encantadora "Sister Andrea", com seu embalo Motown e as linhas intrincadas de guitarra e violino.

“Dream”, ocupando todo o lado B de Between Nothingness & Eternity

No Lado B, ocupando todo o sulco do vinil, está a Maravilhosa "Dream", a qual surge quase que surdamente, com o violino executando pequenos arpejos junto da guitarra. Essas notas vão aumentando de volume lentamente, assim como a velocidade das escalas soladas por McLaughlin, que sola sozinho com escalas ques tornaram-se características do seu estilo, quase que incompreensíveis ao ouvido humano tamanha a velocidade.

Goodman passa a solar sozinho, com o violino e utilizando com escalas não tão velozes, de uma forma menos agressiva, utilizando-se vez que outra de um pouco de velocidade, trazendo o piano elétrico de Hammer, que puxa o riff de "Dream" junto de baixo e bateria, explodindo no magnífico duelo de violino e guitarra, executando as mesmas notas com uma velocidade incrível, enquanto Laird maltrata seu wah-wah, tirando um som infernal de seu baixo, Cobham transforma-se em um polvo na bateria, em viradas malucas e uma velocidade assombrosa, e Hammer demole seu piano elétrico lembrando os bons tempos de Chick Corea.

Essa fantástica introdução leva-nos para mais um rápido trecho com violino e guitarra fazendo as mesmas notas, e a partir de então, começam os duelos, primeiro com Hammer e McLaughlin confrontando-se em escalas muito velozes, mudanças de acordes em um ritmo comandado apenas pelos dois, sem a presença dos outros músicos, ritmo esse que é extremamente rápido e complexo. Bateria e baixo voltam junto do violino, mostrando que o palco está pegando fogo com o duelo de guitarra e piano elétrico, e então Goodman resolve participar da brincadeira, solando entre as pesadas distorções da guitarra e as batidas aniquiladoras de Cobham.

O ritmo modifica-se, e com McLaughlin puxando um ritmo dançante, é a vez de Goodman começar seu solo, acompanhado pelo baixão de Laird e uma suingada levada de bateria. As notas extraídas do violino são furiosas, e ao fundo, é possível perceber que baixo e guitarra repetem o riff da clássica "Sunshine of Your Love" (Cream) por diversas vezes, enquanto Goodman e Cobham fazem um show a parte em seus respectivos instrumentos, um mais genial e perfeito do que o outro, com uma técnica incomum.

Goodman, McLaughlin, Cobham, Laird e Hammer

O solo de violino encerra-se com uma série de repetições feitas por guitarra, sintetizadores e violino, levando então para o solo de McLaughlin, que mantém a velocidade e o ritmo dos anteriores. Porém, como sabemos, executar notas velozes na guitarra não é algo tão simples, e McLaughlin torna isso ainda mais difícil por que ele não utiliza-se de vibratos, arpejos ou bends. São seus dedos que deslizam casa por casa do instrumento com uma agilidade impressionante, confrontando seus ritmos com as batidas de Cobham, seja nos pratos, na caixa ou nos tons.

Esse magnífico duelo é daqueles de serem registrados nos anais da história do rock progressivo pela perfeição e demonstração do quão sobrenaturais os músicos do estilo são, já que tentar reproduzir o que é feito por esses monstros da música é impossível. Tanto McLaughlin quanto Cobham extrapolam os limites das possibilidades imagináveis de pegada, feeling e velocidade, principalmente no momento central do solo, onde chega a ser absurdo o que os dois constroem, expelindo uma quantidade infinita de notas em tão poucos segundos.

No sentido horário:
Billy Cobham, John McLaughlin, Jerry Goodman, Rick Laird e Jan Hammer

Repentinamente, Cobham torna tudo dançante, trazendo o baixo e acalmando a fúria da guitarra, que passa a construir um riff final, dividindo espaço com violino e sintetizadores, levando ao final da lunática "Dream" com uma magistral performance dos cinco instrumentos repetindo as mesmas batidas ao mesmo tempo, hipnotizando nossa mente e voltando para o riff inicial de violino e guitarra, de onde brota o suingue de baixo e bateria, com as intervenções do piano elétrico, para McLaughlin rasgar a sua guitarra com notas agressivas, que dividem espaço com o violino para mais uma pancadaria final entre os dois, e a Maravilhosa "Dream" fica com longos vibratos de guitarra e violino sobre o ritmo cadenciado do baixo, bateria e órgão, até encerrar-se com rufadas na bateria e uma singela batida no gongo, sobre aplausos frenéticos dos presentes no Central Park.

O tal álbum que começou a ser gravado em Londres saiu anos depois (1999) sob o título de The Lost Trident Sessions, trazendo como destaque a versão de estúdio para "Dream". No dia 30 de dezembro de 1973, era anunciado oficialmente o fim da Mahavishnu Orchestra, após 530 apresentações em menos de dois anos. Jan Hammer partiu para uma carreira solo de sucesso, e ainda fez parte da banda de Jeff Beck que registrou Wired (1976), bem como o ao vivo Jeff Beck With The Jan Hammer Group Live (1977).

John McLaughlin (e sua double neck), Jerry Goodman, Jan Hammer, Billy Cobham e Rick Laird

Cobham também investiu na sua carreira solo. Em 1973, gravou o aclamado Spectrus, contando com a presença do jovem Tommy Bolin nas guitarras, e na sequência, vieram Crosswinds (1974), Total Eclipse (1975) e uma série de álbuns que consolidaram Cobham como um dos maiores bateristas de sua geração, fazendo do mesmo um dos músicos mais requisitados por outros artistas para gravar a bateria em seus álbuns.

Goodman registrou o álbum Like Children (1975) ao lado de Jan Hammer, e ficou dez anos afastado da música, até que em meados dos anos 80, voltou a aparecer em uma carreira solo que não foi de grande sucesso. O músico passou a tocar ocasionalmente em estúdio e em apresentações como convidado, mas não mais integrou alguma banda. Laird lançou um único álbum solo, em 1977, batizado de Soft Focus, e hoje é um famoso fotógrafo de performances de jazz.

Mahavishnu John McLaughlin, Sri Chinmoy e Devadip Carlos Santana

Por fim, McLaughlin registrou, em 1973, o álbum Love, Devotion, Surrender, ao lado do guitarrista mexicano Carlos Santana, que na mesma época havia conhecido Sri Chinmoy, e adotado o nome de Devadip Carlos Santana. Em 1974, o inglês resolveu recriar a Mahavishnu Orchestra, criando uma verdadeira orquestra musical que nesse ano, lançou a segunda Maravilha Prog, 





Destaque

Bad Company – Bad Co (1974)

Em seu primeiro álbum, o Bad Company — liderado pelo ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, e pelo guitarrista original do Mott, Mick Ralphs — ...