segunda-feira, 23 de setembro de 2024

“Fly By Night” (Mercury Records, 1975), Rush

 



Após o lançamento do álbum de estreia em 1974, a banda canadense Rush enfrentou uma crise significativa com seu baterista John Rutsey (1952-2008). Apesar da boa receptividade do álbum, Rutsey mostrou-se relutante em se comprometer com a intensa agenda de turnês. Além disso, sua condição de saúde, decorrente de complicações da diabetes, tornava impraticável sua participação na vida na estrada com a banda. 

No documentário Rush: Beyond the Lighted Stage, lançado em 2010, o guitarrista Alex Lifeson e o baixista e vocalista Geddy Lee afirmaram que os motivos de Rutsey deixar o Rush foram outros. Enquanto Rutsey preferia um estilo mais direto de hard rock, influenciado por bandas como Bad Company, Geddy Lee e Alex Lifeson inclinavam-se para o rock progressivo, inspirados por bandas como Yes, Genesis e Pink Floyd. Essa divergência musical gerou um estado de tensão dentro da banda que culminou na decisão de Rutsey de deixar a banda que ajudou a criar. A última apresentação de Rutsey como membro do Rush ocorreu em 25 de junho de 1974, em Ontário, no Canadá. 

Com a saída de Rutsey, Rush se viu obrigado a buscar um substituto em um curto período de tempo devido aos compromissos com a agenda de shows. A banda realizou audições e, finalmente, entre cinco candidatos, escolheu Neil Peart (1952-2020) como o novo baterista. Peart se juntou oficialmente à banda em 29 de julho de 1974, apenas duas semanas antes da primeira turnê americana do Rush. A nova formação fez sua estreia abrindo para Uriah Heep e Manfred Mann na Civic Arena, Pensilvânia, diante de onze mil pessoas. 

Rush em 1974, ainda com John Rutsey (à esquerda), Geddy Lee e Alex Lifeson.


Além de assumir as funções de baterista, Peart também se tornou o principal letrista, introduzindo um estilo lírico mais literário que diferenciava significativamente o som da banda do seu álbum de estreia autointitulado. Com sua entrada no Rush, Neil Peart não apenas assumiu o posto de novo baterista da banda, mas também marcou uma mudança estilística crucial que atendia ao que Lee e Lifeson almejavam para o Rush. Essa nova direção musical foi essencial para o desenvolvimento da identidade sonora do Rush, que teve como ponto de partida seu segundo álbum de estúdio, Fly by Night. 

O álbum Fly by Night foi gravado no Toronto Sound Studios, em dezembro de 1974. A produção ficou aos cuidados da própria banda Rush e do produtor Terry Brown, que foi responsável pela remixagem do álbum de estreia do trio canadense. As gravações de Fly by Night ocorreram entre os compromissos de shows agendados. 

Lançado em 14 de fevereiro de 1975, Fly by Night chegou às lojas trazendo em sua capa a icônica ilustração de uma coruja, obra do pintor e ilustrador italiano Eraldo Carugati (1920-1997). O artista foi um sobrevivente dos campos de concentração na Itália, na 2ª Guerra Mundial. Após o fim do conflito, Carugati mudou-se para os Estados Unidos. 

A produção polida, a clareza e o equilíbrio das performances de Fly by Night marcam uma evolução significativa no estilo musical do Rush, iniciando um processo de transição do blues-rock para um som mais voltado para o rock progressivo. No entanto, o álbum apresenta faixas na linha do hard rock e outras com elementos acústicos em que a banda flerta com a folk music. As linhas de baixo de Geddy Lee são proeminentes, enquanto o trabalho de guitarra de Alex Lifeson é poderoso e complexo. Fly by Night confirmou o papel de Neil Peart como novo baterista do Rush, elevando a musicalidade e a sofisticação lírica da banda. Músico culto e leitor ávido, o profundo conhecimento literário de Peart permitiu-lhe escrever letras bem elaboradas, explorando temas de fantasia, ficção científica e filosofia para as canções do Rush, tornando-o letrista principal da banda. 

Detalhe da contracapa de Fly By Night com a nova formação do
Rush com Neil Peart ao centro.


O álbum começa com o hard rock "Anthem" e sua introdução espetacular, na qual Neil Peart apresenta suas viradas de bateria demolidoras, que somadas ao baixo de Geddy Lee e à guitarra de Alex Lifeson criam uma sonoridade pesada e compacta, mas ao mesmo tempo dotada de um incrível domínio técnico. Para escrever a letra desta música, Peart inspirou-se na novela distópica "Anthem", da escritora e filósofa russo-americana Ayn Rand (1905-1982), publicada pela primeira vez em 1938. Os versos incentivam o indivíduo a encontrar o seu próprio caminho e manter a autoestima elevada para não ser subjugado por ninguém: “Saiba que seu lugar na vida é onde você quer estar / Não deixe que eles te digam que você deve tudo a mim / Continue olhando pra frente, não há porque olhar em volta / Mantenha a sua cabeça longe do chão que eles não vão conseguir te derrubar”. 

"Best I Can" é um hard rock que remete ao Rush do álbum de estreia. A letra expressa as dificuldades que o eu lírico encontra na sua vida e a incerteza que tem do futuro. Ao mesmo tempo, reflete sua ambição e determinação em alcançar os seus objetivos, apesar das suas limitações. 

O peso do hard rock prossegue com "Beneath, Between and Behind", que começa com riffs de guitarra que lembram o som do Led Zeppelin. A letra de "Beneath, Between and Behind" foi a primeira escrita por Neil Peart para o Rush, e versa sobre fatos históricos dos Estados Unidos como a sua independência em 1776, a expansão do oeste e o genocídio indígena. 

A letra de "Anthem" foi escrita por Neil Peart inpirando-se na novela de mesmo
nome escrita po Ayn Rand (foto), de publicada pela primeira vez em 1938. 
 

Encerrando o lado 1 está "By-Tor and the Snow Dog", a faixa mais longa do álbum, com pouco mais de oito minutos de duração, e que revela a primeira inclinação do Rush para o rock progressivo. Foi a primeira experiência do Rush com composições longas e divididas em várias partes. A letra de "By-Tor and the Snow Dog" retrata uma luta épica entre o bem e o mal. By-Tor, o cavaleiro das trevas, simboliza a malevolência e as forças do submundo, enquanto o Snow Dog representa a pureza e a retidão. A batalha começa e, finalmente, By-Tor é derrotado e recua para o Inferno. A vitória do Snow Dog traz alegria e salvação ao mundo superior, simbolizando o triunfo do bem sobre o mal. 

Musicalmente, "By-Tor & The Snow Dog" atravessa mudanças dinâmicas de ritmo e melodia. Começa com riffs vigorosos de guitarra que progridem através de uma sequência de batalha complexa caracterizada por mudanças de andamento e instrumentais intrincados, culminando numa resolução triunfante. A estrutura da música reflete o arco narrativo do conflito entre By-Tor e o Snow Dog, mostrando o virtuosismo musical da banda e a habilidade de contar histórias. 

O lado 2 de Fly by Night começa com a faixa-título, que é uma das músicas mais populares da carreira do Rush. Neil Peart foi quem escreveu a letra, que conta um pouco da sua experiência, aos 18 anos, em deixar o Canadá para ir morar em Londres, em busca de novos desafios: “Voar pela noite, para longe daqui / Mudar minha vida de novo / Voar pela noite, adeus minha querida / Meu navio não está vindo e eu não posso fingir”. 

A faixa seguinte, "Making Memories", abre uma sequência de canções mais voltadas para uma sonoridade eletroacústica, entre o folk rock e a folk music. "Making Memories" é um folk rock cuja letra, escrita por Neil Peart, faz referência à vida da banda na estrada fazendo turnês. 

"Rivendell" é uma linda balada folk à base de voz e um violão dedilhado que traz todo um clima medieval. A letra tem como inspiração o reino élfico que dá nome à canção e que faz parte da trilogia O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien (1892-1973). Os versos descrevem um retiro sereno e pacífico, livre dos problemas do mundo, um santuário onde se pode encontrar o descanso e a tranquilidade. 

Fly by Night encerra com "In The End", uma música que começa acústica, evolui para um hard rock de ritmo lento e termina da forma como começou. Seus versos tratam sobre perseverança, autodescoberta e destacam a importância do esforço pessoal para que o indivíduo alcance os seus objetivos.

Além de exímio baterista, Neil Peart era um ávido leitor,
cujo conhecimento literário elevou a qualidade das letras das canções do Rush,
ao assumir também o posto de letrista na banda.

Logo que foi lançado Fly by Night , em fevereiro de 1975, o Rush iniciou uma turnê promocional do álbum que durou até junho daquele ano. A turnê passou pelos Estados Unidos e Canadá, com apresentação da banda em 70 cidades, abrindo shows do Kiss e do Aerosmith. 

Embora Fly by Night  não tenha recebido uma grande aclamação da crítica musical como um todo, o álbum foi reconhecido por muitos como um passo significativo para o Rush, preparando o terreno para seu sucesso futuro e trabalhos mais amplamente celebrados. A revista Circus elogiou Fly by Night  por sua complexidade musical e inovação, observando a mudança do Rush em direção a elementos progressivos. Já a revista Creem foi mais crítica: apreciou a habilidade técnica da banda, mas mostrou-se mais favorável ao rock direto do álbum de estreia do Rush. A Melody Maker fez uma crítica favorável, destacando o objetivo ambicioso do álbum, os arranjos intrincados e a influência significativa de Neil Peart. 

Nas paradas de álbuns do Canadá, " Fly by Night alcançou o 9° lugar, enquanto na parada da Billboard 200, nos Estados Unidos, o segundo álbum de estúdio do Rush ficou em 113°. Comercialmente, Fly by Night foi bem no mercado americano, onde alcançou a marca de 1 milhão de cópias vendidas, enquanto no Canadá, terra natal do Rush, o álbum vendeu apenas 100 mil cópias. 

Como bem pode sugerir o título do álbum, Fly by Night representou uma espécie de decolagem do Rush rumo à sua consagração. O trabalho de Terry Brown na produção e a chegada de Neil Peart na condução da bateria e como principal letrista da banda foram pontos fundamentais para o processo de transformação estética da banda. Com uma evolução musical significativa e letras profundas, o álbum é um testemunho da capacidade do Rush de inovar e se reinventar. A dedicação e o talento dos membros da banda estabeleceram as bases para futuras experiências mais acentuadas do Rush no rock progressivo a partir de seus álbuns subsequentes Caress of Steel (1975) e 2112 (1976).

 

Faixas

Todas as letras escritas por Neil Peart , exceto onde indicado.

 

Lado 1

1.“Anthem” (Geddy Lee/Alex Lifeson/Neil Peart)

2.“Best I Can” (Geddy Lee)

3.“Beneath, Between and Behind” (Alex Lifeson/Neil Peart)

4.“By-Tor and the Snowdog” (Geddy Lee/Alex Lifeson/Neil Peart)

I.“At The Tobes Of Hades”

II.“Across The Styx”

III.“The Battle”

IV.“Epilogue”

 

Lado 2

5.“Fly By Night” (Geddy Lee/Neil Peart)

6.“Making Memories” (Geddy Lee/Alex Lifeson/Neil Peart)

7.“Rivendell” (Geddy Lee/ Neil Peart)

8.“In The End” (Geddy Lee/Alex Lifeson)

 

Rush: Geddy Lee (vocais, baixo e violão clássico), Alex Lifeson (guitarras elétricas, violões de 6 e 12 cordas) e Neil Peart (bateria, percussão e letras)



Ouça na íntegra o álbum Fly By Night


"Fly by Night" (videoclipe original)

Classificando todos os álbuns de estúdio de Carly Simon

 Carly Simão

Depois de começar sua carreira com sua irmã nas Simon Sisters, Carly Simon ganhou destaque no início dos anos 1970 como uma das principais figuras do movimento de cantores e compositores. Graças a grandes sucessos como That's The Way I've Always Heard It Should Be, Legend in Your Own Time e o atemporal You're So Vain, ela passou grande parte da década como uma presença permanente nas paradas. Como a maioria dos artistas veteranos, sua carreira passou por altos e baixos nos anos seguintes, mas ela continua sendo uma das cantoras e compositoras por excelência dos últimos 50 anos. Veja como classificamos todos os 23 álbuns de Carly Simon.

23. Christmas Is Almost Here

 

Em 2002, Simon entrou no espírito festivo com sua primeira coleção de canções de Natal , Christmas Is Almost Here. Embora não seja tão insípido quanto alguns dos álbuns de Natal que ganhamos de outros artistas veteranos ao longo dos anos, também não é particularmente emocionante. A menos que você goste de ouvir interpretações sem graça de padrões festivos, é melhor evitá-lo.

22. Spoiled Girl

 

Hello Big Man, o décimo primeiro álbum de Simon, pode ter sido um disco convincente, mas seu desempenho desanimador nas paradas deixou Simon mais uma vez sem uma gravadora. Desta vez, foi a Epic que lhe ofereceu um lar e, em junho de 1985, ela lançou seu primeiro álbum sob a gravadora. Foi um fracasso épico, alcançando a modesta posição 88 na Billboard 200 e recebendo críticas ruins a torto e a direito. De forma compreensível, a Epic decidiu cortar suas perdas e começou a abandoná-la como uma batata quente.

21. Another Passenger

 

Para seu sexto álbum de estúdio, Carly Simon trouxe um novo produtor, Ted Templeman, e convidou The Doobie Brothers e Little Feat para a viagem. Só pela presença deles, você esperaria que Another Passenger fosse fenomenal. Não é. Depois de cinco álbuns excelentes, Simon atinge uma nota ruim aqui. Não é de forma alguma uma farsa, mas os grandes licks e ritmos de rock fornecidos pelos músicos de apoio simplesmente não têm lugar em um disco de Carly Simon. O álbum estagnou na posição 29 nas paradas pop, sinalizando o início de seu declínio comercial.

20. Spy


O oitavo álbum de estúdio de Simon (e seu último com sua casa de longa data Elektra) foi lançado em 30 de junho de 1979. Àquela altura, os dias de Simon no topo das paradas tinham acabado, e o álbum estagnou na posição 45 nas paradas pop — seu pior álbum até aquele momento. Embora o desempenho comercial não seja uma indicação da qualidade de um álbum, aqui, a péssima exibição de Spy é compreensível. Apesar de uma dispersão de boas músicas, é um caso decepcionante, com arranjos habilidosos e instrumentação exagerada que prejudicam os pontos fortes de Simon como artista.

19. Never Been Gone


De 2000 em diante, os álbuns de Simon pareciam ficar cada vez melhores. Never Been Gone, seu 23º e mais recente álbum, foi, em comparação com seus predecessores diretos, uma decepção comercial, estagnando na posição 134 na Billboard 200. Não é de forma alguma um álbum ruim, no entanto, e embora irregular, há alegria suficiente em ouvir Simon retrabalhar velhos favoritos como That's The Way I've Always Heard It Should Be e You're So Vain para manter os ouvintes felizes.

18. Come Upstairs


Depois que o fracasso comercial de Spy levou a Elektra Records a liberar Simon de seu contrato, a cantora encontrou um novo lar na Warner Bros. Seu primeiro álbum com a gravadora é Come Upstairs. Um assunto muito mais pesado e rock do que qualquer coisa que já ouvimos dela antes, sua principal atração é Jesse, uma música simples, mas poderosa, que mostra os talentos de Simon como compositora. Lançada como single, a música se tornou um grande sucesso... ao contrário do álbum em si, que se fixou em um número relativamente decepcionante 36 na Billboard 200.

17. Film Noir

 

O 17º álbum de estúdio de Simon (e o 3º composto por standards) provou ser um sucesso comercial surpreendente, alcançando a respeitável posição 84 na Billboard 200 no outono de 1997. Com seus vocais esfumaçados, arranjos sedutores e escolhas musicais intrigantes, é um caso maravilhosamente íntimo, com seu dueto com o produtor Jimmy Webb se destacando como um destaque do álbum.

16. Have You Seen Me Lately


Em setembro de 1990, Simon marcou um hit no meio da carreira com Have You Seen Me Lately. Descrita pelo New York Times como "soberba", sua glória brilhante é a faixa-título, uma comovente e terna surpresa com letras pungentes e melodias pontuais. As deliciosas Better Not Tell Her e Fisherman's Song também são adoráveis.

15. Letters Never Sent

 

Letters Never Sent, o 16º álbum de estúdio de Simon, foi inspirado por uma caixa de cartas antigas que Simon encontrou e que ela escreveu, mas nunca enviou. Um álbum apaixonado e intrigante com um toque erótico, ele apresenta uma performance vocal maravilhosamente matizada de Simon e um bom punhado de músicas fortes, incluindo a totalmente sedutora Like A River, que foi escrita em homenagem à mãe de Simon, a ativista dos direitos civis Andrea Simon,

14. My Romance

 

Depois de desfrutar de um renascimento crítico e comercial com Coming Around Again de 1987, Simon ficou alguns anos longe do estúdio de gravação antes de retornar em 1990 com seu 14º álbum, My Romance. Embora não esteja exatamente na mesma liga que seu antecessor direto, ainda é um álbum muito agradável, com Simon nos dando sua melhor impressão de Peggy Lee em padrões românticos como My Funny Valentine e Bewitched.

13. Coming Around Again

 

Depois de ser dispensada por várias gravadoras em resposta às vendas fracas, Simon finalmente encontrou um lar duradouro com a Arista Records. Seu primeiro lançamento com a gravadora, Coming Around Again, de 1987, se tornou seu maior sucesso em anos, alcançando a posição 25 na Billboard 200 e, eventualmente, recebendo disco de platina. Também foi um sucesso de crítica, com a People observando que "Simon continua, mesmo depois de toda essa turbulência emocional, talvez a mais interessante das cantoras pop femininas. Este álbum prova que ela ainda é cativante", e o New York Times dizendo que ele incorporou tudo o que ela faz de melhor.

12. Into White


Depois de desfrutar de um renascimento comercial com o hit top ten Moonlight Serenade, Simon retornou com seu quinto álbum de padrões (e 21º no geral) em 2005. Into White provou ser outro sucesso, subindo para o número 13 na Billboard 200 e número 1 na parada Top Internet Albums. Um álbum tranquilo, melífluo e vocalmente seguro, é uma audição obrigatória tanto para fãs obstinados quanto para ouvintes casuais.

11. Moonlight Serenade



Em 2006, Simon lançou seu quarto álbum de standards. Se ela esperava que fosse um sucesso quando o lançou, quem sabe. Mas foi exatamente isso que aconteceu, chegando ao número 7 na Billboard 200 para se tornar um de seus discos de maior sucesso comercial de todos os tempos. Ele se saiu igualmente bem do outro lado do oceano, tornando-se seu primeiro álbum top dez desde Boys in the Trees de 1978. Os principais destaques incluem o maravilhosamente teatral I Only Have Eyes For You e o absolutamente adorável All the Things You Are.


10. Boys in the Trees



Depois que Another Passenger não conseguiu atender às expectativas, Simon voltou à forma em seu sucessor, Boys in the Trees. Lançado em abril de 1978, o álbum chegou ao top dez nas paradas pop e recebeu disco de ouro logo depois. Ele também gerou vários singles no top dez, incluindo You Belong To Me, indicado ao Grammy. Descrito pela Rolling Stone como a "conquista mais serena de Simon até hoje", é uma peça envolvente, com uma performance lindamente discreta de Simon e uma beleza silenciosa nos arranjos.

9. Hello Big Man


Depois de se aventurar tanto no hard rock quanto nos padrões torch em suas duas gravações anteriores, Simon fez um retorno ao folk pop de seus álbuns anteriores em seu décimo primeiro álbum de estúdio, Hello Big Man. Embora seja irregular, o álbum é envolvente, com uma vantagem suficiente para impedir que até mesmo as baladas mais românticas caiam no sentimentalismo. A faixa-título e o cover de Is This Love? de Bob Marley são particularmente viciantes.

8. The Bedroom Tapes


O primeiro álbum de Simon do novo milênio, The Bedroom Tapes, de 2000, pode ter alcançado apenas a posição 90 na Billboard 200, mas não poderia ter pedido uma recepção melhor dos críticos. Aclamada por quase todos como um grande retorno à forma, a maravilhosa performance vocal, as confissões sinceras e a franqueza inabalável são remetem ao seu auge dos anos 70.

7. Playing Possum


 

O quinto álbum de estúdio de Simon, Playing Possum, continuou a sequência de sucessos que começou com No Secrets, tornando-se seu terceiro álbum consecutivo a entrar no top dez. Embora não esteja exatamente na mesma liga de seus antecessores, ainda é um álbum notavelmente sólido, com Simon emergindo de seu sensível nicho de cantora/compositora para se revelar como uma diva do rock atrevida. Faixas de destaque incluem After the Storm, Are You Ticklish, Waterfall e especialmente Attitude Dancing, uma música que a Rolling Stone descreve como "facilmente o corte mais emocionante de Carly Simon desde You're So Vain".

6. Torch

 

Lançado em agosto de 1981, Torch, o 10º álbum de estúdio de Simon, foi gravado durante um período de turbulência para a cantora, com seu tumultuado casamento com James Taylor finalmente chegando à sua amarga conclusão. Canalizando toda a sua emoção para seu trabalho, Simon produziu um de seus melhores álbuns em anos. Consistindo inteiramente de canções de torch, o álbum é um tiro do coração, com os vocais pungentes de Simon e a entrega graciosa, uma combinação perfeita para o material

5. Anticipation

 

O segundo álbum de Simon, Anticipation, foi lançado apenas nove meses após sua estreia em novembro de 1971. Como seu antecessor, teve um bom desempenho comercial, alcançando a posição 30 nas paradas pop e recebendo uma indicação ao Grammy Award de Melhor Performance Vocal Pop. Sua faixa titular espirituosa (que Simon revelou se relacionar com seus sentimentos enquanto esperava ansiosamente por um encontro com Cat Stevens quando adolescente) se tornou um grande sucesso, alcançando a posição 3 nas paradas de easy listening e o top 20 nas paradas pop. A estrela do show, no entanto, é a lindamente silenciosa Our First Day Together, uma enigmática deslumbrante com ecos de Joni Mitchell.

4. Carly Simon

 

O álbum de estreia autointitulado de Carly Simon é mais lembrado pelo hit estrondoso, That's The Way I've Always Heard It Should Be, uma obra-prima do soft rock que rendeu a Simon um hit no top dez e uma indicação ao Grammy de Melhor Performance Vocal Pop Feminina. O resto do álbum é igualmente adorável, com arranjos hábeis e uma performance vocal deslumbrante de Simon. Lançado em fevereiro de 1971, ele subiu para o número 30 nas paradas pop e rendeu a Simon seu primeiro Grammy de Melhor Artista Revelação.

3. This Kind of Love



Após reacender o interesse em sua carreira com vários álbuns esplêndidos de padrões, This Kind of Love viu Simon de volta ao dever de compor pela primeira vez desde o álbum de 2000, The Bedroom Tapes. É um disco esplêndido, repleto de vocais esfumaçados, trabalho de guitarra silenciosamente impressionante e letras intrigantes e profundamente pessoais. Lançado em abril de 2008, tornou-se outro sucesso no final da carreira da cantora, alcançando a posição 15 na Billboard 200.

2. Hotcakes


Após o enorme sucesso de No Secrets (e em particular, o single de sucesso de mega-vendas You're So Vain), a fasquia foi colocada quase impossivelmente alta para o seu sucessor. Mas Hotcakes superou o obstáculo com facilidade. Brincalhão e sombrio em igual medida, é um álbum cheio de nuances e perfeitamente equilibrado que ainda soa fresco hoje. As principais faixas para revisitar incluem Think I'm Gonna Have a Baby, Forever My Love e Haven't Got Time for the Pain, todas facilmente classificadas entre as melhores performances de Simon.

1. No Secrets


Depois de dois álbuns bem recebidos, Simon fez de tudo para seu terceiro álbum, No Secrets. Qualquer álbum com uma música como You're So Vain ficaria em nosso primeiro lugar, independentemente da qualidade do resto do material, mas o restante do álbum é igualmente sensacional. Lançado em novembro de 1972, No Secrets foi estratosférico, passando cinco semanas na primeira posição na parada US Billboard 200 e ganhando disco de ouro em apenas alguns meses de seu lançamento.


Taxi Girl “Mannequin” (1980)

 

Uma das pérolas da new wave nascida em França na viragem dos anos 70 para os 80, o single de estreia dos Taxi Girl representa também um dos primeiros exemplos de presença de maior protagonismo dos sintetizadores na canção pop francesa, sublinhando então as mudanças em curso exploradas pela lusodescendente Lio em Le Banana Split (1979) e antecedendo a maior visibilidade que os novos sons teriam em discos de nomes como os Indochine ou Etienne Daho na primeira metade dos anos 80.

Editado em 1980, e vincando mais de perto as heranças próximas da “escola alemã” do que Cherchez Le Garçon (segundo single, mais bem sucedido, lançado igualmente em 1980), Manequin é mesmo um tesouro a (re)descobrir. Transporta tanto um sentido de inocência e deslumbramento juvenil por novos estímulos (encontrados nas eletrónicas) como com eles sonha uma ideia de modernidade com travo sci-fi, que na altura era sobretudo comum à emergente nova pop eletrónica no Reino Unido. Note-se ainda que, além do som, a ideia de criar um retrato de um manequim não se afasta muito das visões lançadas em 1978 pelos Kraftwerk em The Model ou, até mesmo ainda antes, numa canção do álbum Trans Europe Express (1977) que em França teve lançamento em single numa versão em língua francesa como Les Manequins.

Uma das características hoje mais vezes apontadas entre as memórias dos Taxi Girl tem a ver com um dos seus fundadores. Em 1978 o grupo nasceu entre dois amigos que partilhavam, imagine-se, uma admiração por Bob Dylan. Um deles chamava-se Daniel Rozoum, o outro era Mirwais Ahmadzaï, nome que o mundo conheceria na viragem para o ano 2000 quando encetou uma relação (felizmente recorrente) como produtor e autor junto de Madonna.




Bauhaus “She’s in Parties” (1982)

 

Em finais de 1982 os Bauhaus não eram mais um nome estranho, apenas familiar aos clientes do underground britânico. Tinham nascido em clima pós-punk, enfrentando os modelos vigentes através de uma lógica minimalista, herdando ainda um apelo melodista e uma certa teatralidade do velho glam rock e um sentido sombrio na sua música e alma que deles fez os pais do rock gótico.

Depois de somados alguns primeiros êxitos e depois de dada uma contribuição (bem positiva) para a sequência de abertura do filme The Hunger, de Tony Scott, o aproximar de 1983 fazia prever mais e melhores acontecimentos. Todavia acumulava-se uma tensão entre Peter Murphy e os restantes elementos da banda. A cedência da sua imagem para uma campanha das cassetes Maxwell, que podia ter sido usada em favor da popularidade do grupo, abrira mais ainda o fosso. Uma pneumonia afectou-o entretanto, levando Daniel Ash e David J a comandar os destinos da etapa de arranque da escrita e gravação de um novo álbum.

Além dos temas novos, foram ressuscitar canções da sua primeira etapa, uma das quais She’s In Parties, na qual se usavam o mundo do cinema como metáfora para explicar cenas da vida real e das relações entre pessoas. Dotada de uma estrutura dub quase subliminar, sob uma barragem eléctrica possante e uma melodia irresistível, e com a arrebatadora voz finalmente registada por Murphy depois de fisicamente recuperado, acabou escolhida como single. Foi um sucesso, mas o teledisco mostrava os Bauhaus como uma vulgar banda pop que não eram. Mais uma digressão, e quatro meses depois, o fim foi inevitável. O primeiro fim, entenda-se. mas na altura ninguém imaginava o que viria a acontecer em 1998 (e depois)…




Shocking Blue, “Venus” (1969)

 

As versões podem dar novas vidas às canções e por vezes há até quem, através de versões, acabe por descobrir pistas e referências das bandas e artistas que admira… Aconteceu assim quando, através dos Nirvana, uma nova geração “descobriu” The Man Who Sold The World, uma canção de Bowie de 1970 que andava (então) algo esquecida. Ou quando, via a leitura de This Must Be The Place (Naive Melody) dos Arcade Fire, muitos chegaram ao original dos Talking Heads, facto que mereceu até uma linha de diálogo no filme de Paolo Sorrentino com o mesmo título da canção. Mas nem sempre os originais têm a mesma sorte por via de uma puslão arqueológica junto de quem descobre uma versão… E quando em 1986 as Bananarama obtiveram um dos seus maiores êxitos com Venus, poucos viajaram no tempo para descobrir os autores da versão original da canção: os Shocking Blue.

Nascidos em Haia (Holanda) em 1967, traduziam na sua música um sentido cosmopolita de modernidade que então caracterizava já a “movida” de Amesterdão. Ao invés de muitas outras bandas que nasciam em vários territórios mimetizando ecos das culturas pop/rock chegadas do Reino Unido ou EUA, sem depois conseguirem cativar atenções para lá das fronteiras locais, os Shocking Blue conquistaram atenções internacionais. Depois de três primeiros singles apenas com impacte local entre 1967 e 1968, conseguiram em 1969 levar Long and Lonesome Road mais longe, conquistando o número 75 na tabela de singles americana e o número 6 em França. Mas, poucos meses depois, Venus ainda os levaria mais longe…

Assinada por Robbie Van Leeuwen, destacando a voz de Mariska Veres, Venus conquistou atenções na Holanda no verão de 1969. Mas arrebatou maiores paixões nos EUA onde chegou inclusivamente a subir ao número um da Billboard. Na face B do single holandês original surgia o tema Hot Sand. Em 1986 a versão das Bananarama repetiria o número um americano, conquistando na verdade ainda maior projeção global.




ROCK ART


 

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