domingo, 11 de maio de 2025

MARCO ANTONIO - UM PAR DE ALIANÇAS (EP 1965)

 



Druca:
Marco Antonio foi um cantor que hoje, infelizmente, poderia ser catalogado como "brega", pois esse conceito se dinamizou demais. 

Na realidade, Marco Antônio foi um cantor romãntico popular com sucesso principalmente no Norte/Nordeste, cujas músicas não eram assim de mau gosto. 

Foi dele a gravação de sucesso da versão em Português ("Agora ou Nunca") para "It's Now or Never", com Elvis Presley; por sinal, a única música "levemente jovem" gravada por ele (em selo Carroussel, já que sua carreira ocorreu mesmo foi na Odeon, nos anos 60). 

Ele teve um fim tragicamente pueril: sofreu uma descarga elétrica enquanto mexia em um aparelho elétrico em casa, creio, ainda nos anos 60. 

Seu único LP (Odeon, 1963) é o resultado de faixas de compactos e de inéditas daquele selo. Seus maiores sucessos, além de "Agora ou Nunca", foram, principalmente, "Ave Sem Ninho", "O Pranto dos meus Olhos", entre outras.

Antonino:
Além de fã do cantor As informações estão no Blog do Carbono Musical. Segundo a postagem de Vicente J. Rodrigues do Blog Carbono Musical os dados artísticos do cantor são:

Que iniciou a carreira artística em meados da década de 1950. Contratado pela Columbia, gravou em 1954, a batucada "Você chorou", de Átila Bezerra, Sebastião Gomes e Jorge Gonçalves, e a marcha "Ximbica resfriada", de Alneida Freire, Murilo Vieira e A. Vanderley.

Foi para a RGE e gravou em 1961, com acompanhamento do conjunto RGE os sambas "Mulher de trinta", de Luiz Antonio, e "Samba de improviso", de Haroldo Barbosa e Luis Reis, e os boleros "Beija-me depois", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, e "Volta", de Ciro de Souza e Antônio Moreira. 

Em 1962, gravou a marcha "Sujaram a barra", de Nello Nunes, A. Batista e Guguta; o samba "É menino", de Antoninho Lopes, Zé da Vila e Ramandini; o bolero "Chega", de A. F. Conceição e Espírito Santo, e a guarânia "Contando os dias", de Lupicínio Rodrigues. 

Nesse ano, participou da coletânea "14 sucessos de ouro - Vol. 2" da RGE interpretando em dueto com a cantora Elza Laranjeira a balada "Amor".

Em 1964, lançou aquele que acabou sendo seu último disco, o LP "Tu serás a estrela guia" gravado pela Odeon e no qual interpretou as músicas "Se eu pudesse lhe dar o perdão", de Marino Pinto e Carlos Marques; "Andaluza" e "Espera mais um pouco", de Cyro Monteiro e Dias da Cruz; "A noite o luar e alguém", de Cid Magalhães e Amâncio Cardoso; "O pranto dos meus olhos", de Neco e J. Pereira; "É bom ser bom", de Fernando Barreto; "Abre a porta", de Rutinaldo; "Tu serás a estrela guia" e "Deus esteja nesta casa", de Maurílio Lopes e Flávio Carvalho; "Ave sem ninho", de Nilo Barbosa e Geraldo Morais; "Nosso amor tinha raiz", de Paulo Marques e Jorge Ramos, e "Nossas alianças", de Paulo Gesta e Jorge Smera. 

Começou a fazer bastante sucesso com a balada "Nossas alianças", sendo tocada nas Rádios quando sofreu o trágico acidente no qual veio a falecer. (Dicionário de Cravo Albin da Música Popular Brasileira).

Esse disco contém um selo bem colorido, diferente dos tradicionais dessa gravadora. As músicas do disco da postagem são as seguintes:

Lado A: 
01-Um par de alianças;

Lado B: 
02-Foi por amor que eu pequei.

MUSICA&SOM ☝








OS MOTOKAS (ROUPA NOVA) - AS 12 MAIS - COMPACTO (1975 EP)

 



Desta vez, um compacto duplo lançado em 1975, pela gravadora Continental, intitulado "As 12 Mais", do grupo Os Motokas, nos primórdios do Roupa Nova.

Contém uma seleção nacional e internacional de sucessos da época. A seguir veja a lista das canções:

Lado A:
1. Band of the run / Someday, somewhere / Mrs. Vandebilt;
2. I'm falling in love with you / You make me feel brand new / She made me cry;

Lado B:
3. Triste canção / A noite mais linda do mundo / Férias na praia;
4. Naquela mesa / Teimosa / Se não for por amor

 







PAUL MAURIAT - SUCCÉS DE TOUJOURS (1973)



A seleção desse disco é mais clássica, menos pop e remete ao inicio da carreira do maestro. Neste caso, predomina canções francesas em tributo à Paris. Além das músicas originais do álbum, incluímos mais quatro canções que fazem parte da seleção, porém com versões diferentes de arranjos e foram lançadas na Europa.

As músicas que compõem a seleção deste disco são as seguintes:

01. Souls le ciel de Paris / Padam, padam;
02. La vie en rose;
03. C'est si bon / I love Paris / Paname;
04. April in Paris;
05. Domino / Le gamin de Paris / Mademoiselle de Paris;
06. Paris canaille / J'aime Paris au mois de mai;
07. A Paris / Pigalle;
08. Les feuilles mortes;
09. En avril a Paris  / L'ame des poètes;
10. Symphonie;
11. Sous les ponts de Paris / Coin de rue / Romance de Paris;
12. Menilmontant / Paris je t'aime / La goualante du pauvre jean;

Bônus:
13. C'est si bon (La version 2);
14. La goualante du pauvre jean (La version 2);
15. La vie en rose (La version 2);
16. Sous les ponts de Paris (La version 2).










Edição France

MUSICA&SOM ☝




Mike Ratledge (6 May 1943 – 5 February 2025) - The Soft Machine: Volume Two 1969 + Fourth 1971

 

                 



MIKE RATLEDGE 



Michael Roland Ratledge (6 de maio de 1943 – 5 de fevereiro de 2025) foi um músico britânico. Integrante da cena musical de Canterbury, foi membro fundador da Soft Machine. Foi o último membro fundador a


deixou o grupo, em 1976. Ratledge nasceu em Maidstone, Kent, filho do diretor de uma escola secundária moderna de Canterbury. Quando criança, foi educado em música clássica, o único gênero musical tocado na casa de seus pais. Aprendeu a tocar piano e, com seu amigo Brian Hopper, que conhecera na Escola Simon Langton Grammar para Meninos, em Canterbury, tocou peças clássicas para piano e clarinete.

SOFT MACHINE

                                     


SOFT MACHINE é uma banda de rock inglesa de Canterbury, Kent. A banda foi formada em

1966 por Mike Ratledge, Robert Wyatt, Kevin Ayers, Daevid Allen e Larry Nowlin.
 O Soft Machine foi fundamental na cena de Canterbury; tornou-se uma das primeiras bandas psicodélicas britânicas e, mais tarde, migrou para o rock progressivo e o jazz. Em 1971, o Soft Machine tornou-se uma banda puramente instrumental. A formação do Soft Machine passou por muitas mudanças, incluindo Andy Summers, Hugh Hopper, Elton Dean, John Marshall, Karl Jenkins, Roy Babbington e Allan Holdsworth.
                                

Embora tenham alcançado pouco sucesso comercial, os críticos consideram que a Soft Machine foi influente

no rock. Dave Lynch, da AllMusic, os chamou de "uma das bandas underground mais influentes de sua era". O nome da banda tem origem no romance "The Soft Machine", de William S. Burroughs.
                      

THE SOFT MACHINE - VOLUME TWO 1969

                         


O primeiro LP da Soft Machine costumava chamar a atenção, com sua capa com partes móveis, bem como a presença do talentoso compositor Kevin Ayers. Mas, musicalmente, o Volume Dois transmite melhor a

A banda apresenta caprichos dadaístas e fortes inclinações avant-rock.
 Hugh Hopper substituiu Ayers no baixo, e seus timbres fuzz e inclinações experimentais suplantaram a ênfase pop de Ayers. O núcleo criativo por trás deste que é o mais progressivo dos álbuns de rock progressivo, no entanto, é Robert Wyatt. Ele fornece os arranjos musicais para as ideias peculiares de Hopper na coletânea de músicas de fluxo de consciência ("Rivmic Melodies") do lado um.
                     

Ao contrário do primeiro disco, que soava entrecortado e muitas vezes sonolento, este se mistura melhor e tem um som mais animado. A adição de músicos de sopro de estúdio aprimorou a formação sem guitarra dos Softs, e

O tecladista Mike Ratledge, cuja erudição musical frequentemente entrava em conflito nos primeiros dias com os espirituosos Wyatt, Ayers e Daevid Allen, suavizou seu toque aqui. Ele até contribui com um dos destaques do álbum com "Pig" ("Virgens são chatas/Elas deveriam ser gratas pelas coisas que estão ignorando"). Mas é Wyatt quem eleva esta estranha joia musical às suas alturas artísticas.
(Por Peter Kurtz)
                    
 


The Soft Machine – Volume Dois
Gravadora: Water – water196, Universal Music Special Markets – B0008536-02
Formato: CD, Álbum, Reedição 2007
País: EUA
Lançamento:    
Gênero: Rock
Estilo: Rock Psicodélico, Rock Progressivo

FAIXAS

MELODIAS RIVMIC 
       

                


01. Pataphysical Introduction Pt. I    1:00
02. A Concise British Alphabet Pt. I    0:10
03. Hibou, Anenome And Bear    5:59
04. A Concise British Alphabet Pt. II    0:11
05. Hulloder    0:54
06. Dada Was Here    3:25
07. Thank You Pierrot Lunaire    0:48
08. Have You Ever Bean Green?    1:19
09. Pataphysical Introduction Pt. II    0:51
10. Out Of Tunes    2:34

ESTHER'S NOSE JOB        

    
11. As Long As He Lies Perfectly Still    2:34
12. Dedicated To You But You Weren't Listening    2:32
13. Fire Engine Passing With Bells Clanging    1:50
14. Pig    2:09
15. Orange Skin Food    1:47
16. A Door Opens And Closes    1:09
17. 10:30 Returns To The Bedroom    4:13

LINE - UP


Bass, Acoustic Guitar, Alto Saxophone – Hugh Hopper
Organ [Lowry, Hammond], Harpsichord, Piano, Flute – Mike Ratledge
Percussion, Drums, Vocals – Robert Wyatt
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – Brian Hopper
Written-By – Hopper (tracks: 2, 4 to 8, 10, 12, 17), Ratledge (tracks: 3, 10, 11, 13 to 17), Wyatt (tracks: 1 to 11, 17)

NOTES


Recorded in February/March 1969 at Olympic Sound Studios, London.

FLAC Size: 196 MB

THE SOFT MACHINE - FOURTH 1971

                 


A habilidade coletiva do Soft Machine é hipercomplexa e refinada, visto que eles são extremamente letrados em todas as áreas do estudo musical. Em quarto lugar, está a livre purificação de todo esse conhecimento pela banda, entrelaçada em sons barulhentos e esfumaçados.

Estruturas sonoras. Seus ritmos arcanos têm uma mentalidade própria de parar e seguir, que soa incrivelmente fresca, embora sonoramente impregnada de tons suaves e quentes. Obviamente, há muita habilidade na execução, enquanto a mistura de free jazz, jazz direto e psicodelia estilo Gong se funde em um platô skronky. A bateria de Robert Wyatt é impecável — tão perfeita que às vezes se torna um mapa imperceptível sobre o qual os membros da banda traçam sua direção instintiva.
                   

As teclas de Mike Ratledge são quentes por toda parte, mantendo uma qualidade terrosa que mantém o foco no

O espaço entre o chão e o céu que o Soft Machine tenta habitar. O trabalho de saxofone de Elton Dean grita a cadência mais inventiva e, como dificilmente é rítmico, assume a liderança, cuspindo uma linguagem insana. Certamente, a banda é o prefácio de boa parte da produção pós-rock de Chicago, já que os Softs sem dúvida fazem uma referência aos experimentos de Miles Davis com Bitches Brew, que estavam acontecendo nos EUA na mesma época.
                   

Soft Machine – Quarta
gravadora: One Way Records – A 26254
Formato: CD, álbum, reedição Outubro de 1995
País: EUA
Lançamento: 1971    
Gênero: Jazz, Rock
Estilo: Fusion, Jazz-Rock, Prog Rock

FAIXAS

                


01. Teeth    9:12
02. Kings And Queens    5:02
03. Fletcher's Blemish    4:35
04. Virtually (Part 1)    5:17
05. Virtually (Part 2)    7:06
06. Virtually (Part 3)    4:33
07. Virtually (Part 4)    3:22

LINE - UP


Alto Flute, Bass Clarinet – Jimmy Hastings
Alto Saxophone, Saxello – Elton Dean
Bass – Hugh Hopper
Cornet – Mark Charig
Double Bass – Roy Babbington
Drums – Robert Wyatt
Organ, Piano – Mike Ratledge
Tenor Saxophone – Alan Skidmore
Trombone – Nick Evans

NOTES


Recorded in autumn, 1970 at Olympic Studios, London.

MUSICA&SOM ☝



 

DISCOS QUE DEVE OUVIR - Ghandi - Grateful Message 1990 (Germany, Hard Rock, Heavy Metal)

 

Ghandi - Grateful Message 1990 (Germany, Hard Rock, Heavy Metal)


Artista: Ghandi
De: Alemanha
Álbum: Grateful Message
Ano de lançamento: 1990
Gênero: Hard Rock, Heavy Metal
Duração: 43:00

Tracks:
Songs written by Arnie Ghandi except where noted.
01. Floating Space Odyssey (Arnie Ghandi, Peter Coller) - 1:51
02. Chilly Winter Nights - 4:58
03. The Way I Am - 5:40
04. Baby It's You - 4:04
05. All In All - 4:53
06. S.H.K. - 0:56
07. Tales Of Pain - 4:27
08. Big City Life (Arnie Ghandi, Uli Namaschk, Gerald Schröder) - 3:32
09. In The Heat Of The Night - 6:12
10. By The Sea - 6:27

Personnel:
- Jones - lead vocals, percussion
- Arnie Ghandi (Arnold Sprenger) - lead guitar, keyboards, vocals, producer
- Peter Coller - lead guitar
- Guido Berendes - bass, vocals
- Gonzo - drums
+
- Thomas "Lessy" Schröder - backing vocals
- Joey Gad - drums
- Nicky Grand - drums
- Joz No - bass (04,05)

V8 - Luchando Por El Metal 1983)

 




Esta lendária banda de metal argentina está finalmente embarcando. O motivo do atraso foi a minha obsessão em encontrar o material em um formato realmente de alta qualidade. Hoje, graças à grande contribuição do nosso amigo Claudio (DRF Metal Rec), que pessoalmente copiou este álbum, podemos desfrutar desta banda pioneira do heavy metal dos anos 80.
Fundado em 1979 por Ricardo Iorio e Ricardo Moreno, é um dos grupos mais emblemáticos e influentes do heavy metal argentino. Seu álbum de estreia, Luchando por el metal (Luta pelo Metal), lançado em 1983, foi um álbum relativamente malsucedido na época, mas ganhou valor simbólico ao longo do tempo, tornando-se uma das influências mais notáveis ​​do gênero e até mesmo considerado um dos melhores álbuns de rock argentino.
Muito obrigado Claudio por compartilhar esse material com a qualidade que ele merece!!! (E haverá mais V8s no futuro...) 
 
Luchando Por El Metal é o álbum de estreia da pioneira banda argentina de heavy metal V8, lançado em 10 de abril de 1983 pela gravadora Umbral. Este álbum acaba sendo o mais importante da banda, já que foi o que os consagrou e que, junto com Riff, os transformou nos maiores expoentes do heavy metal argentino do início a meados dos anos 80.
O V8 já havia se apresentado no festival BA Rock no final de 1982, onde várias músicas deste álbum foram tocadas ao vivo; Ao mesmo tempo, a banda gravou uma demo através de Pedro Leontjew, seu primeiro empresário, no estúdio El Jardín. A fita continha "Disgusting Tiredness", "Throwing Up Heavy Metal", "Evil", "Metal Hyena", "Judgment Day", "Bloody Fates" e "I'm Going to Go Crazy". Vale ressaltar que "Maligno" permaneceu inédita até sua compilação no box set Antología de 2001, enquanto "Juicio final", "Vomitando heavy metal" e "Asqueroso cansancio" foram reescritas e regravadas para seus álbuns subsequentes. Este álbum foi concebido e lançado em tempos turbulentos na Argentina pós-Malvinas, antes do retorno do país à democracia, durante os meses finais do Processo de Reorganização Nacional, como pode ser visto em algumas letras.
As músicas mais populares do álbum são "Destruction", "Metal Brigades", "I'm Very Tired" e, com a participação de Pappo, "Metal Hyena". Embora a ideia original fosse usar o som de um motor V8 para a introdução de "Destruction", como o carro certo não foi encontrado, foi usado o som de um Torino, gravado pelo baixista Ricardo Iorio em uma garagem perto do estúdio.
Em 1992, a Radio Tripoli o relançou em CD, junto com o restante da discografia da banda, enquanto, junto com Un paso más en la batalla, foi lançado em edição limitada em vinil em 2012 na Europa, pelo selo espanhol Beat Generation.

Este prólogo é necessário para entender quem era o V8 em seus primórdios. Um quarteto irritável ao vivo e raivoso em suas músicas. E acho que entendo que eles eram verdadeiramente autênticos, não uma pose ou uma imagem pré-fabricada, ao contrário do Riff, cuja imagem foi deliberadamente escolhida para romper com o rock que estava sendo feito na Argentina, incluindo o Pappo's Blues. Porque o V8 tinha mais a ver com o bairro da classe trabalhadora; e o que o punk fez em Londres, o heavy metal fez aqui, começando com o V8. Letras vingativas, sociais e recriminatórias, e música furiosa.
Embora o V8 existisse desde 1980, a formação que gravou o primeiro LP se estabilizou em 1981. O show no BARock (1982), onde trocaram insultos com o público que os vaiava e jogava laranjas, de alguma forma lhes deu maior publicidade. Tanto Iorio quanto Zamarbide trabalharam como frontmen do Dr. Rock e do Dulces 16, respectivamente. Isso os fez ver a atmosfera e, entre outras coisas, conhecer Pappo, que lhes deu uma mão tanto na apresentação com eles quanto na chegada ao álbum.
Antes do BARock, havia uma nota onde eles expressavam seu mau humor social. Para Iorio, o V8 era "uma autêntica banda de heavy metal", e quanto à mensagem, "não queremos bancar os profetas, mas também não conseguimos parar de falar um pouco sobre o que estamos passando. As mesmas coisas acontecem conosco, como acontece com qualquer cara; sabemos como é, e queremos que esse cara venha a um dos nossos shows e se solte." Zamarbide ecoou esse sentimento: "Queremos que as pessoas recebam toda a energia que podemos dar. Claro, o recital é uma forma de canalizar energia, mas tem que ser feito de forma inteligente, para que depois não digam que somos idiotas que não entendem nada." Anos depois, o próprio Zamarbide, falando sobre o show no BARock, relembrou como gritou com um dos espectadores que estava provocando Iorio: "Eu surtei e disse: 'Vamos lá, seu hippie de merda, suba aqui ou eu te mato!'. E lembrei que estava sendo transmitido ao vivo no rádio! Foi uma verdadeira bagunça, mas a gente não dava a mínima para nada, não ligava."
E assim chegamos ao Fighting for Metal, o álbum de estreia do V8. E, apropriadamente, também deve ser dito que é o primeiro álbum genuinamente heavy metal feito por uma banda argentina. A primeira coisa que devo admitir (felizmente) é que a bagunça que os vi fazer ao vivo não se reflete no álbum. Fighting for Metal é um ótimo álbum e definitivamente revoluciona o gênero no país; um LP que deve muito (talvez muito) ao trabalho de Osvaldo Civile no violão.
Musicalmente falando, Luchando por el metal é variado, mas de alguma forma recicla as diferentes variantes do metal do momento, o que por outro lado o torna previsível, já que boa parte do material tem ares de thrash e speed metal que se ouviam em bandas inglesas ou americanas. Gravado em um estúdio comum, apesar de ter alguns equipamentos ou instrumentos emprestados para soar melhor, o som final não fica dos melhores e contribui para que o quarteto não atinja o seu melhor. Mas as nove músicas, que juntas não duram nem meia hora, são um amálgama de músicas criadas para liberar a energia da qual eles estavam falando. E dentro desse amálgama, como eu disse antes, Osvaldo Civile é a estrela, com solos e ritmos muito bons, que elevam a categoria de todo o álbum. Por sua vez, Alberto Zamarbide não tem exatamente uma voz abrangente, mas cumpre seu papel, mesmo que seja prejudicado pelo som geral e por uma mixagem medíocre. Gustavo Rowek manda bem na bateria, e Ricardo Iorio faz seu trabalho sem se destacar muito.
Dentro de uma lista de músicas semelhantes, gosto particularmente das duas faixas mais conhecidas, “Destrucción” e “Muy cansado estoy” (Estou muito cansado), que, junto com “Brigadas metálicas” e “Ángeles de las tinieblas” (Anjos das trevas), são os destaques do álbum.
Lembro-me que a propaganda da edição original anunciava a presença de Pappo como convidado, mas sua participação se resume a um breve e medíocre solo em "Hiena de Metal", que é ofuscado pela performance de Civile na mesma música.
Do lado das letras, as coisas estavam mais equilibradas. Irritado com a sociedade falsa, a onda "mansa e quieta" e o mundo em geral, não foi surpresa encontrar versos que não tinham nada a ver com complacência ou correção política.
Devo concluir então que Fighting for Metal é um LP muito bom. Não é excelente, mas é bom o suficiente para ouvir e entender essa banda um tanto barulhenta no palco, mas verdadeiramente genuína, que pode ser descrita como tudo, menos falsa.
 

 
Integrantes:

Alberto Zamarbide: Vocal
Osvaldo Civile: Guitarra
Ricardo Iorio: Baixo, vocal
Gustavo Rowek: Bateria

Músicos convidados:

Pappo: Guitarra em “Metal Hyena”
Marcelo Vitale: Teclado em “If you can surpass fear”

Temas:

01- Destrucción
02- Parcas sangrientas
03- Si puedes vencer al temor
04- Ángeles de las tinieblas
05- Tiempos metálicos
06- Muy cansado estoy
07- Brigadas metálicas
08- Torturador
09- Hiena de metal


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Hugo y Osvaldo Fattoruso – La Bossa Nova De Hugo y Osvaldo Uruguay-1969

 



Após a separação do The Shakers em 1969, os irmãos Fatorusso ficaram devendo um álbum à gravadora Emi Odeón para finalizar o contrato com a gravadora. Nessas circunstâncias, surgiu a ideia de gravar essa obra em especial no estilo bossa nova, com arranjos de jazz, rock e psicodelia ao estilo dos Beatles. Músicas originais e covers de Burt Bacharach, George Harrison e Manolo Guarda fazem deste álbum uma joia que não teve muito impacto na época, mas agora é muito valorizada entre colecionadores e amantes da música ao redor do mundo. Agora no navio podemos apreciar esta obra como foi gravada originalmente , com som mono, digitalizada em alta qualidade com profundidade sonora de 24 bits. 

A Bossa Nova de Hugo e Osvaldo é um álbum um tanto esquecido. O documentário Fattoruso (2017), ao analisar sua discografia, não o menciona, tendo sido relançado em CD apenas na Itália, em 2006, pelo selo Circolo Del Disco Produzione. Na discografia dos irmãos Fattoruso, foi colocado entre dois álbuns muito conhecidos no Rio da Prata: La conferencias secreta del Toto's bar (1968) de Los Shakers e Goldenwings (1977) de Opa.
Foi um álbum feito para cumprir o contrato com a gravadora que havia lançado The Shakers. Não houve pressão da gravadora e os irmãos gravaram livremente. O álbum segue a linha leve de músicas como “Nunca nunca” ou “Adorable Lola”, que os irmãos gravaram com Los Shakers. Os arranjos são muito delicados e podem evocar Jobim, embora apareça a marca de Hugo Fattoruso e haja psicodelia. Eles gravaram novas músicas dos The Shakers e fizeram covers de Burt Bacharach, The Beatles e do pioneiro do candombe, Manolo Guardia. As músicas foram cantadas em inglês. Em 2022 foi relançado em vinil pela gravadora Guerssen.

Em 1969, Hugo e Osvaldo moravam em Buenos Aires e ainda tinham um contrato a cumprir com a gravadora Odeón. Como Hugo lembra hoje, a ideia de gravar um disco de bossa nova com músicas próprias e alguns covers, com ele e Osvaldo tocando quase todos os instrumentos exclusivamente, partiu deles.
"Foi uma proposta que fizemos a Miguel Ángel Rota — produtor da Emi Odeón na época —", lembra Hugo. "Estávamos parados, tínhamos acabado de formar o Los Shakers, tocávamos com Billy Bond e também fazíamos jazz." Tínhamos total liberdade para escolher o repertório. Havia um sistema em que tínhamos que dar o nome da música que iríamos gravar dias ou semanas antes. Primeiro, nomeamos muitas das nossas próprias músicas e depois as juntamos com Osvaldo.”
O álbum demonstra o talento, a abertura musical e a originalidade inicial de Hugo e Osvaldo como criadores. Traz um toque dos Beatles de Los Shakers, muito do ouvido jazzístico que ambos aprimoravam desde a infância, uma interpretação original da bossa nova misturada com outros ritmos regionais e um espírito de liberdade e frescor que estava presente em Los Shakers e que continuaria em outras direções em sua experiência posterior.
"Esse tipo de abordagem nos era familiar; as fusões sempre estiveram conosco; “Nunca fomos puristas”, diz Hugo sobre a abordagem do álbum.
O aspecto mais marcante da Bossa Nova de Hugo e Osvaldo é a mistura de uma abordagem bossa mais convencional com certos arranjos e reviravoltas harmônicas e melódicas que fogem completamente dessa vibe. “Poema de las Cinco Rosas” é o melhor exemplo disso: uma mistura maravilhosa de bossa nova e pop psicodélico que poderia ter inaugurado um gênero musical. Há muito mais, incluindo novas versões de músicas dos The Shakers (“Never, Never”, “The Pine and the Rose”), covers dos Beatles (“You Like Me Too Much”) e Burt Bacharach (“This Guy's in Love with You”). Suas próprias músicas, “Dream and Reality”, “Dawning” e “The Long Night”, refletem o amor dos irmãos Fattoruso por Tom Jobim, adaptando o universo bossanovista de forma muito semelhante ao que fizeram com os Beatles em sua experiência com os The Shakers. A versão de Manolo Guardia para “Chicalanga”, cantada em inglês como o resto do as músicas do álbum mostram não apenas a influência fundamental que Guardia teve sobre os dois irmãos, mas também um caminho musical que ambos desenvolveriam extensivamente nos anos seguintes.
 
 
 
Músicos:

Hugo e Osvaldo Fattoruso: Todos os instrumentos

Temas:

01 - Sueño o Realidad
02 - Este Muchacho Está Enamorado de Ti
03 - Samba Doble
04 - Ojos Oscuros
05 - La Larga Noche
06 - Chicalanga
07 - Hechizo
08 - Me Gustas Demasiado
09 - Poema de Las Cinco Rosas
10 - Nunca Nunca
11 - Amaneciendo
12 - El Pino y La Rosa



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Destaque

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