terça-feira, 13 de maio de 2025

Erika de Casier – Lifetime (2025)

 

Durante o dia, Erika de Casier distribui cantadas suaves e beijos de despedida por meio de R&B retrô. À noite, ela é uma hitmaker incógnita. No ano passado, de Casier emprestou um toque de aço à inebriante faixa de clube de verão do produtor da Flórida Nick Léon, "Bikini", e em 2023 ela entrou em estúdio com o grupo de K-pop NewJeans, coescrevendo várias músicas do EP Get Up — entre elas a vencedora e ingênua "Super Shy". A cantora dinamarquesa deixou discretamente suas impressões digitais por todo o renascimento do pop em andamento após o milênio, mas às vezes às custas de Erika de Casier, a artista solo. Enquanto seu último álbum, Still , de 2024 , muitas vezes impressionava e encantava, uma onda de participações especiais desnecessárias diluiu os talentos singulares de sua criadora. Inteiramente escrito e produzido por ela mesma e lançado por seu próprio selo, Independent Jeep Music,…

MUSICA&SOM

… Lifetime é uma recentralização deliberada, uma tentativa de de Casier de destilar sozinho a maior parte de uma década em uma vibração altamente potente.

Abandonando sua nostalgia característica pelos anos 2000, de Casier se comprometeu com o pré-Napsterdom em espírito e som, triangulando três estrelas-guia pop de alto conceito, todas lançadas entre 1992 e 1998: Janet Jackson , Ray of Light , de Madonna , e, no ápice de seu altar, Love Deluxe , de Sade . Cada música aqui desaparece — quão retrô é isso — em uma cama de sintetizadores aquosos, impulsionada por baterias boom-bap. "If you know, what Id do, do to you", de Casier arrulha na abertura do álbum "Miss", sua voz envolta em tanto reverb que se dissolve nas bordas. Um título provisório para a Lifetime era Midnight Caller , uma abreviação fácil para sedução, mistério e ameaça reunidos em um. Várias faixas ("You Can't Always Get What You Want", "The Chase", "Two Thieves") até incorporam o que são tons de discagem diegéticos — um notável janetismo — ou ondas sonoras moldadas para imitar um deles de forma convincente.

Enquanto "Miss" cede lugar ao piano de estufa e à tabla de "You Can't Always Get What You Want", a Lifetime dá uma guinada em direção a Pure Moods , e com isso alguma banalidade new age precisa do período: "Saúde ou doença — você nunca sabe o que ganha/Pode muito bem viver com gratidão." Mas de Casier entrega essas canções de forma maliciosa e sugestiva — um brilho em seus olhos, bebida em seu hálito — e a folha de letras é apropriadamente marcada com cada "uh", "uhmm", "ah" e "mmh-mhh" perdidos. Em "Moan", sucessora espiritual de "Throb", de Jackson, seu apelo hipnótico para "apenas fazer amor" distorce toda a faixa, representado por um teclado apaixonado: "%!//&"//"/!!/!(()!="##=". O gancho sincopado de "Delusional", construído em torno de um sample imortalizado por "Insane in the Brain", de Cypress Hill, é irresistivelmente cativante, assim como a maneira como a língua de de Casier se prende em "slow motion", logo antes de "You Got It!" lançar um jato de espuma do mar. E de vez em quando, de Casier toca em algo profundo: "A verdade estava no fundo do vinho/Bordeaux pode fazer você falar muito", ela observa, sobriamente, no destaque do trip-hop "December".

Se os resultados do processo de composição solo da Lifetime forem mistos, o trabalho de de Casier por trás das mesas de som é deslumbrante do começo ao fim, desde as investidas extraterrestres em raves que percorrem o campo estéreo em "Seasons" até a ciborgue melancólica cuja voz ecoa a sua em "December". Começando como uma trepadeira funky no estilo TLC, "Two Thieves" gradualmente se transforma em um som industrial que deixaria o Massive Attack orgulhoso. Mas há desafios que surgem ao se conectar completamente ao mainframe. A Lifetime carece de uma persona dominante e bem definida em seu centro — uma Janet sensual, um Sade Adu inflexível, uma Madonna impetuosamente tentando a transcendência. De Casier parece se preocupar com isso também. “Quando a luz se apaga/Você ainda me vê?”, ela pondera em voz alta na faixa-título do disco, mas não se sabe ao certo o que procurar além de “batom, blush, olhos entreabertos e uma sensação tão ousada”. Por outro lado, os melhores agentes nunca chegam à primeira página. Eis um mestre do soft power em ação.

Rita Donte – Ritual (2025)

 

Os laços entre Cuba e México remontam a muito tempo: há evidências de múltiplos movimentos populacionais pré-históricos.
Em "Ritual" , Rita Donte, de Havana , funde formas tradicionais cubanas com o espírito mais descontraído e menos impetuoso de sua nova terra natal, o México, onde certos estilos mais antigos são preservados, embora drasticamente transformados em casa.
Às vezes esparsos e transparentes, como no animado "Paseo de las Misiones", às vezes exuberantemente românticos, como no bolero "La Vida es Hermosa". " Ritual" apresenta a música cubana vista por uma lente mexicana, com alguns ecos inesperados da diáspora judaica de língua espanhola e do Brasil dos anos 80 (a cuidadosamente organizada "Calle Libertad", cujo progresso alegre contrabandeia...

MUSICA&SOM

...uma mensagem séria). O canto de Rita Donte é suave, porém preciso, e a rumba meditativa de encerramento "Zunzun Baba" é um final tranquilo e adequado para a obra.

Vikings Invasion - Vol. 1 (1975) (Switzerland, Krautrock, Hard Blues Rock)

 



- Charles Sterchi - guitar, vocals
- Eric Eberhard - bass
- Gerhard Burri - drums
+
- Martin Murray - producer


01. The Mirror (Charles Sterchi) - 2:57
02. The Love Song Of J. Alfred Prufrock (Charles Sterchi, Eric Eberhard/Thomas Stearns Eliot) - 6:08
03. Blues Special (Charles Sterchi, Eric Eberhard) - 5:45
04. Listen To Four Guitars On Your Corner (Charles Sterchi) - 6:18
05. Shadow Boogie (Charles Sterchi) - 2:39
06. Rolling Times (Charles Sterchi) - 3:45
07. Dark Lane Child (Charles Sterchi, Eric Eberhard) - 4:47
08. Moon Of Alabama (Charles Sterchi/Bertolt Brecht) - 5:48
09. Rhapsody On A Windy Night (Charles Sterchi/Thomas Stearns Eliot) - 3:44
10. Answer For My Life (Charles Sterchi) - 3:31
Bonus:
11. Across The Street (Charles Sterchi) - 11:22






Passport - Hand Made 1973 (Germany, Krautrock, Jazz Fusion)

 



- Klaus Doldinger - soprano & tenor saxes, Moog synthesizer, electric piano, mellotron, producer
- Wolfgang Schmid - bass, guitar
- Frank Roberts - Fender piano, organ
- Curt Cress - drums


All tracks written by Klaus Doldinger.
01. Abracadabra - 7:20
02. The Connexion - 5:31
03. Yellow Dream - 4:17
04. Proclamation - 2:37
05. Hand Made - 9:26
06. Puzzle - 4:02
07. The Quiet Man - 4:36







segunda-feira, 12 de maio de 2025

Think - Variety 1973 (Germany, Krautrock, Progressive Rock)


KomKol - Index 1973 (Germany, Krautrock, Polit Rock)

 



Aparentemente, seu nome é uma contração de comunicação e coletivo . Uma banda progressiva underground incomum e muito obscura do início dos anos 1970, sobre a qual muito pouco se sabe. Eles tocavam um polit-rock variado, do hard-rock ao folk, semelhante ao Ton Steine ​​​​Scherben e ao Lokomotive Kreuzberg.

Hans-Jürgen Eich (guitars, vocals), 
Dieter Sallinger (drums, percussion), 
Thomas Roscher (bass, vocals), 
Walter Slansky (guitar, congas, vocals), 
Mischa Zai (organ, pianos, vocals), 
+ Fred Pfirrmann (organ, vocals)

Alles Wissen Was Gut Für Dich Ist / Fragen Und Antworten / Annoncenzauber / Mainzelmännchenzeit / Die Schule Der Anpassung / Sie Haben Die Wahl / Schöne Heile Welt / Biene Und Stachelschwein







The Motherhood - I Feel So Free 1969 (Germany, Krautrock, Psychedelic Jazz Rock)

 



Doldinger, Klaus (tenor/alto/soprano saxes, clarinet, piano, organ, vocals)
Forsey, Keith (drums, vocals)
Lindenberg, Udo (drums, vocals)
Meid, Lothar (bass)
Vincent, Paul (guitar)

Back In The Dark 2:35
Cleopatho 6:14
Coming Home Baby 2:32
Degeneration 6:51
Devil Don't Get Me 8:23
I Feel Free 4:04
Sahara 15:20
Sitar Beat 1:35
Slurpin' 3:22
Soul Tiger 1:48
Tatort Titelmusik 3:19






Shortino/Northrup – Afterlife [2004]

 



Em 1993, Paul Shortino e JK Northrup, dois talentos natos, uniram forças e lançaram Back On Track, simplesmente um dos melhores discos de Hard Rock de todos os tempos. Mesmo não alcançando o retorno comercial esperado, a parceria ganhou status de cult, fazendo com que muitos “caçadores de relíquias” corressem atrás. O súbito interesse fez com que houvesse inclusive um relançamento comemorando os dez anos do produto original, com quatro bonus-tracks, que é a versão que disponibilizamos aqui na Combe tempos atrás.

Com o faro sempre astuto, a Frontiers Records chamou a dupla onze anos mais tarde e os fez unir forças novamente para trabalhar em um novo álbum. “Afterlife” é um disco mais diversificado, trazendo faixas que passam pelo AOR, o Melodic Rock e até buscando sonoridades mais atuais. Não chega ao nível de seu antecessor, mas ainda assim tem qualidade de sobra para ser apreciado. Shortino mostra, mais uma vez, porque era afilhado de ninguém menos que Ronnie James Dio e recentemente se tornou fiel escudeiro de Carmine Appice.



A abertura com “Here I Am” já evidencia o lado mais melódico em comparação com o trabalho anterior. Mas é impossível deixar de citar como grande destaque a balada “Like A Stone”, simplesmente uma das mais lindas compostas nos últimos anos no gênero. A simplicidade do arranjo dá um charme todo especial, criando um momento único. Já “Crazy Mind” conta com a participação de Johnny Edwards, curiosamente a quem Paul substituiu no King Kobra. As peças que a vida prega são incríveis. A suingada “Crossfire” também merece destaque, especialmente pela categoria de JK.

Aliás, o guitarrista brilha sozinho na instrumental “Mark My Words”, verdadeiro show de feeling e técnica, como só os grandes do instrumento sabem fazer. Uma bela oportunidade para conferir o trabalho de dois dos nomes mais subestimados do Hard Rock. Mas o tempo se encarrega de fazer justiça, e a internet proporciona o espaço necessário para recuperarmos essas pérolas perdidas.



Paul Shortino (vocals)
JK Northrup (guitars, bass, synth)
B.E. Haggard (drums)
Nir Averbuch (piano)
Johnny Edwards (additional vocals on "Crazy Mind")
Tommy Denander (guitar solo on “Feel Again”)

01. Here I Am
02. Afterlife
03. Like A Stone
04. Crazy Mind
05. Feel Again
06. Crossfire
07. Slave
08. Gypsy Soul
09. Mark My Words
10. As I Fall
11. Prisoner



Sebastian Bach – Kicking & Screaming [2011]

 



Foi tanto falatório, que não tinha como não criar expectativa. Mas o fato é que Sebastian Bach venceu muitas barreiras desde que lançou Angel Down. Aquela figura chamada de Barbie por alguns roqueiros das antigas passou a ser reconhecida pelas gerações posteriores, forçando até mesmo o respeito dos barbados e pançudos que se acham eternos sabedores. Algum tempo depois, ele retorna com Kicking & Screaming. Não, Tião – como ficou carinhosamente conhecido por esses lados – jamais apagará a imagem de vocalista do Skid Row. Mas pode conviver com ela, assim como outros cantores lendários já fizeram.

Aqui, podemos percebê-lo mais melódico, menos agressivo em comparação ao trabalho anterior. Mas sem perder um pingo de qualidade. E o grande trunfo está no novato Nick Sterling, um talento acima da média. O garoto manda ver riffs e solos com a categoria de um veterano, formando uma dupla e tanto com o dono da festa. Isso já fica claro na faixa-título, misturando todas as características que encontramos no play. E a levada de Bobby Jarzombek é simplesmente delirante. O peso com toques britânicos aparece em “My Own Worst Enemy”, verdadeiro convite ao headbanging com linhas de guitarra emocionantes.

“Tunnelvision” traz a participação de John 5. E apesar de seu trabalho mais conhecido ser com Marylin Manson, execrado pelos mais radicais, é inegável que trata-se de um dos maiores talentos de sua geração. Certo toque de modernidade é notado, mas trata-se de um Hard Rock potente, dos bons, lembrando até algo do álbum Live To Win, de Paul Stanley, que também teve John participando. Só que o bicho pega para valer é na seguinte, “Dance On Your Grave”, cacetada certeira com baixo pulsante. Vibração totalmente oitentista, com Bach fazendo sua tradicional gritaria. Mantendo o nível lá em cima, “Caught In a Dream” mostra todo o entrosamento do trio.


Um clima mais Rock and Roll toma conta em “As Long As I Got The Music”, uma ode à vida típica de um músico. Um momento mais calmo aparece em “I’m Alive”, apenas preparando terreno para “Dirty Power” e sua pegada matadora, navegando até mesmo por mares mais pesados que o habitual. “Live The Life” possui um instrumental que parece derivado de “Monkey Business”. Mas claro que, como todo filho, tem alguma característica diferente do pai. No entanto, a lembrança é inevitável. Falando em inevitável, é claro que o disco não poderia passar sem uma balada. E “Dream Forever” cumpre seu papel com louvor, embora Tião já tenha se saído bem melhor nessa área.

Um groove de primeira dá as caras em “One Good Reason”, outra que remete aos velhos tempos sem perder o sabor de novidade. Outra que vai para o lado mais moderno é “Lost In The Night”, onde Nick parece ter tomado uns goles de Black Label, se é que vocês me entendem. Natural, afinal de contas ele possui influências mais atuais que as de Sebastian, o que é muito saudável para a parceria. Fechando de vez, a sentimental “Wishin’”, trazendo um pouco de romance ao ambiente. Com um belo arranjo, poderia facilmente figurar entre os hits nas rádios de antigamente. Belo modo de fechar a conta.

É difícil traçar um simples paralelo de Kicking & Screaming com os grandes clássicos da carreira de Sebastian Bach, especialmente os dois primeiros do Skid Row. É outra época, outra realidade e o que entrou para a história dificilmente será subtituído, até pelo impacto que teve. Até por isso, o recomendável é escutar sem ter pré-conceitos estabelec idos em mente. O que não muda é a capacidade de fazer um Hard/Heavy pegajoso e competente. E isso já basta.

Sebastian Bach (vocals)
Nick Sterling (guitars, bass)
Bobby Jarzombek (drums)

01. Kicking & Screaming
02. My Own Worst Enemy
03. Tunnelvision
04. Dance On Your Grave
05. Caught In A Dream
06. As Long As I Got The Music
07. I'm Alive
08. Dirty Power
09. Live The Life
10. Dream Forever
11. One Good Reason
12. Lost In The Night
13. Wishin'




Lynch Mob – Lynch Mob [1992]

 


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Após a turnê de divulgação do primeiro álbum “Wicked Sensation”, o Lynch Mob tratou de demitir o vocalista Oni Logan. Seus abusos e seu estilo de vida inconsequente não combinavam com a competência dos outros músicos incluídos – os dois ex-Dokken George Lynch e “Wild” Mick Brown, além de Anthony Esposito. O substituto para assumir os microfones foi Robert Mason, hoje integrante do Warrant.

Da esquerda pra direita: Anthony Esposito,
George Lynch, Mick Brown e Robert Mason

Seguindo o mesmo modelo de seu anterior, o segundo disco do Lynch Mob, auto-intitulado, foi lançado em 1992. Permanece o Hard Rock grudento e o estilo único de músicos excepcionais como Lynch e Brown. Mas é um disco menos pesado e mais melódico. Torna-se perceptível a evolução natural do conjunto, que apresenta um trabalho ainda mais uníssono e linear em termos de composição e execução, bem como uma melhor produção.

Robert Mason canta muito. Vocalista grandioso, exuberante e de grande alcance. Melhor do que seu antecessor em vários quesitos, principalmente na performance ao vivo (confira o bootleg “Live At Hollywood”). O bom baixista e backing vocal Anthony Esposito parece trabalhar melhor na cozinha com Mick Brown, batera competente e versátil. Sempre dispensando comentários, George Lynch é um poço de habilidade e criatividade. Não à toa, se tornou um dos grandes ídolos das seis cordas para uma geração.


Infelizmente, o êxito comercial aguardado não veio novamente e, após mais uma turnê de divulgação, o grupo se separou no ano seguinte e cada um partiu para seu caminho. Mick Brown e George Lynch ainda fariam parte de uma reunião do Dokken em 1995, mas este decidiu sair três anos depois. O Mob se reuniu várias vezes, sendo a última em 2008, permanecendo na ativa desde então.

Deste registro, os destaques vão para a grudenta Heaven Is Waiting, a autenticamente “lynchiana” Tangled In The Web, a paulada No Good e o cover Tie Your Mother Down, original do Queen. Vale a pena conferir.


01. Jungle Of Love
02. Tangled In The Web
03. No Good
04. Dream Until Tomorrow
05. Cold Is The Heart
06. Tie Your Mother Down (Queen cover)
07. Heaven Is Waiting
08. I Want It
09. When Darkness Calls
10. The Secret

Robert Mason – vocal
George Lynch – guitarra
Anthony Esposito – baixo, backing vocals
"Wild" Mick Brown – bateria, percussão, backing vocals






Destaque

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