domingo, 8 de junho de 2025

Egberto Gismonti - Dança dos Escravos (1989)

 

"Danza dos Esclavos" é um título profundo que evoca a história e a cultura brasileiras, e também é o último álbum de Gismonti da semana. Aqui, mais uma vez, Egberto Gismonti está completamente sozinho com seus violões de 8 e 10 cordas, em uma gravação de qualidade excepcional, onde tudo soa muito claro, limpo e detalhado, como se Gismonti estivesse tocando bem na sua frente. Apenas o violão de Gismonti é ouvido, mas sua magia faz com que pareça que vários instrumentos estão tocando ao mesmo tempo; às vezes, parece que ele está tocando uma linha melódica, um baixo e percussão, tudo ao mesmo tempo! Não é à toa que este é considerado um de seus melhores trabalhos e um exemplo incrível do que pode ser feito com um violão nas mãos de um gênio.
 
Artista: Egberto Gismonti
Álbum: Dança dos Escravos
Ano: 1989
Gênero: Jazz/Fusão
Duração: 47:10
Nacionalidade: Brasil



Aqui, os ritmos são incrivelmente importantes, complexos e fascinantes. Não são os ritmos "simples" de uma música pop. São como padrões entrelaçados que fazem você sentir a "dança" do título, às vezes rápida, às vezes lenta, às vezes com uma sensação de luta ou energia. Mas sempre mágicos e hipnotizantes. E embora o ritmo seja fundamental, existem algumas melodias muito bonitas e emocionantes. Essas melodias podem ser alegres, nostálgicas, reflexivas ou cheias de energia vital. Elas "falam" com você sem usar palavras. O Maestro Gismonti usa toda essa técnica para expressar ideias musicais complexas e muitos sentimentos ao mesmo tempo com um único instrumento. Além disso, como eu disse antes, o som é muito claro; você pode ouvir o timbre da madeira do violão, o som dos dedos nas cordas. É uma experiência auditiva muito rica.
 
Aqui está o comentário do meu amigo e irmão Callenep, que criou esta entrada há muito tempo e hoje temos que lembrá-la:
Mais um grande álbum do monstro solo brasileiro: apenas seus violões são ouvidos neste disco, revelando o virtuosismo e a inovação de Gismonti neste, seu principal instrumento. Desde meados do século XX, a música popular brasileira é reconhecida por sua capacidade de transformar a teoria harmônica, que até então permanecia dentro dos limites da tradição. Músicos como Luis Bonfá e, mais tarde, a onda da Bossa Nova, culminando com Baden Powell, deram ao violão um leque expandido de possibilidades que recriaram a harmonia e o ritmo e se espalharam pelo mundo. Gismonti deu a essa inovação outro grande toque, e isso pode ser sentido neste álbum, que captura um gênero muito familiar na música popular latino-americana: a dança, e que o próprio Gismonti usa como um dos eixos de suas composições, estabelecendo uma conexão primordial com as origens populares e folclóricas de suas obras.
Em Dança dos Escravos, há uma jornada colorida, cada peça dedicada a uma pessoa em particular. Entre elas, há várias peças que já haviam sido gravadas, mas não em versão para violão solo, como "Trenzinho do Caipira", onde Gismonti homenageia o grande compositor nacionalista brasileiro Heitor Villa-Lobos, que já havíamos ouvido em Trem Caipira, mas com uma instrumentação orquestral onde os sopros criam o som do trem avançando de forma impressionista. Nessa versão, o ruído do trem se esvai, e os violões preferem nos contar sobre a viagem, as paisagens que ele atravessa. "Dança dos Escravos" havia aparecido em Infância, também orquestrada para quarteto. Nesta ocasião, a versão para violão solo é quase tão completa quanto a versão para quarteto, graças ao virtuosismo do intérprete. Outra que já havia sido ouvida em versão instrumentada é "Memória e Fado" (Árvore). E, finalmente, "Salvador", que é tocada aqui em tom marrom e constitui uma espécie de standard pessoal para Gismonti, aparecendo em inúmeras gravações, nunca igual à anterior. Esse é um fator notável: cada vez que Gismonti retorna a um tema anterior, ele o recria, o renova e nos oferece uma nova experiência musical que mal nos lembra de algo que já ouvimos, como a alma da música.
Rua Netuno


O próprio título evoca a história e a memória do Brasil. A resiliência, o sofrimento, mas também a força e a cultura que emergiram dessa história. Também evoca os ritmos e as formas musicais que têm raízes africanas e se misturaram no Brasil. É como uma paisagem sonora que nos faz refletir sobre o passado e sentir a energia da cultura brasileira.

E com isso encerramos o último álbum do Gismonti desta semana no blog, então só falta ouvir.


Se decidir ouvi-lo, não se frustre se não "entender" tudo imediatamente. Deixe-se levar pelos ritmos, melodias e sensações. Cada audição pode revelar algo novo. É uma fascinante porta de entrada para a música instrumental brasileira de alto nível.
 
Cuidado, não pense que só porque é tocado apenas com violão significa que se trata de música de fundo. Pelo contrário, como todos os álbuns do Blog Cabeza, é uma obra sonora que exige sua atenção. Imagine-se em uma jornada guiada exclusivamente pelo violão de Egberto Gismonti. Uma jornada por ritmos, melodias e sentimentos. Aprecie os detalhes, tente ouvir as diferentes camadas sonoras que o maestro cria com um único violão.

Espero que esta explicação sirva de mapa para explorar este álbum maravilhoso.
 
Aproveite bastante e agradeça a Calle Neptuno por esta beleza. E continuaremos com a jornada de gravação deles na semana que vem.
 
 
 
 
Lista de faixas:
1. 2 violões (vermelho)
2. Lundu (azul)
3. Trenzinho de Caipira (verde) [Heitor Villa-Lobos]
4. Alegrinho (amarelo)
5. Dança dos Escravos (preto)
6. Salvador (branco)
7. Memória e Fado (marrom)

Formação:
- Egberto Gismonti / guitarras
 

Karfagen - Messages from Afar: Second Nature (2024)

 

Aqui está mais um álbum do incansável projeto ucraniano Antony Kalugin, e até mesmo pela arte da capa, parece muito promissor. Talvez valha a pena destacar a fluidez deste álbum e como ele mantém o interesse ao oferecer andamentos variados, assinaturas de compasso, cantores convidados (incluindo Colin Bass, do Camel) e vários sons que se integram ao todo. Todas as músicas são interessantes e, embora mantenham a mesma sonoridade básica de sempre, também têm brilho suficiente para entreter com um progressivo sinfônico que às vezes se transmuta em jazz rock, com influências de Canterbury em outros momentos. Certamente, a presença de um membro do Camel aqui não é mera coincidência; à luz das evidências, tem seu próprio significado, já que sua série de álbuns na coleção "Messages from Afar" é inspirada em influências do passado, mas com explorações inovadoras e contemporâneas. Mais um bom pequeno álbum do Karfagen, e não será o último desta semana.

Artista: Karfagen
Álbum: Messages from Afar: Second Nature
Ano: 2024
Gênero: Sinfônico Progressivo
Duração: 48:24
Referência: Discogs
Nacionalidade: Ucrânia


Como sempre, uma ótima capa gera expectativas para a música que se segue. E, neste caso, elas são recompensadas. E duvida-se, dada a natureza prolífica deste ucraniano, que todas as suas obras sejam tão boas, já que ele realmente sofre de uma espécie de incontinência composicional e lança álbuns quase como se tivesse colite musical. Mas é preciso dizer que, pelo menos em seus trabalhos recentes, ele mantém um padrão altíssimo. Será que ele se purificará com partituras? Devo esclarecer que este não é o meu estilo preferido e, em particular, este estilo sinfônico suave me parece bastante insosso, embora sua qualidade musical seja evidente, e é por isso que ele está na lista de favoritos do blog.

Mas vamos parar com esse absurdo e fazer um comentário sério...

Jazz-rock espacial do prolífico gênio ucraniano Anthony Kalugin
. Anthony Kalugin é, sem dúvida, um nome que ressoa alto e bom som na cena progressiva. Este prolífico compositor ucraniano caracteriza-se por um som dinâmico e genuíno, consolidado pela apresentação de uma ampla gama de timbres de teclado e guitarra, que vão do retrô/vintage ao pomposo e neoprog.
Tecladista, guitarrista, baixista e vocalista; em geral, um músico com uma versatilidade assustadora, sua criatividade é multifacetada, magistralmente exibida em outros projetos como Sunchild e Hoggwash. Este é seu décimo oitavo álbum com o Karfagen, dezoito anos após o lançamento de seu álbum de estreia, "Continium".
Completamente desconectado do trabalho anterior da banda, "Dragon Island", este álbum escapa da linha suave e pastoral, apresentando um som moderno e eletrizante por meio de uma fusão de jazz-rock repleta de improvisação. Uma apresentação clara e meticulosa de virtuosismo em tons quentes, simultaneamente revestidos por uma camada nítida de inusitado, harmonias complexas e ritmos incontáveis.
Uma performance bastante direta, mas que oferece muito a ser explorado: gratificante para o ouvinte atento que capta os motivos recorrentes ao longo da obra. Além disso, este "Messages from Afar: Second Nature" é apresentado como o terceiro volume da série de álbuns de Anthony Kalugin, iniciada em 2017 com "Messages from Afar: First Contact". Três álbuns que começam e se desenvolvem na mesma linha, apresentando paralelos marcantes e seções quase idênticas. É sempre um prazer ouvir Kalugin manuseando esses sons marcadamente neoprogressistas e modernistas.
Esta extensa peça longa está repleta de histórias com seções paradisíacas que parecem relíquias musicais trazidas de outros planetas e suas luas estranhas. Acompanhada por uma sublime capa, cortesia de Igor Sokolskiy, um deleite musical para todos os fãs de virtuosismo progressivo, engenharia de som e fantasia espacial.
"Ride Your Dream" abre o álbum com uma cortina de sons que nos reencontra com o mundo fantástico do primeiro "Messages from Afar". Vários temas do álbum são revisitados para nos imergir diretamente em um mar de sintetizadores místicos que recontam crônicas marcianas.
“Fantasion” são sete minutos de pura energia e dinâmicas contrastantes. Ondas de teclados abrasivos surgem progressivamente entre as linhas de baixo, acompanhadas por arpejos e melodias encantadoras. Na metade da faixa, encontramos uma seção reservada e desconhecida onde as guitarras assumem o centro do palco, com harmônicos pastorais, mas uma luta constante que dá lugar a solos intensos que se tornam cada vez mais distintos. Uma interação climática com harmônicos jazzísticos e mudanças repentinas de tom encerra a pompa desta composição colorida.
Apresentada com uma progressão de acordes plácida e um baixo reconfortante, “November Blue” não tem apenas um título, mas também o som típico de um standard de jazz. Uma bela canção dominada pelo saxofone e pelas ocorrências rápidas da base harmônica. A tristeza que a música carrega durante seus primeiros segundos gradualmente se ameniza com a chegada de motivos maiores e instrumentação adicional colorida.
Em “Bond of Love”, Maria Panasenko libera seu talento vocal, entregando uma poderosa canção neoprogressiva que assume uma miríade de formas. Após uma abertura acústica, Kalugin entrega uma demonstração instrumental em Ré que desequilibra o ouvinte com um riff agressivo e penetrante. A versatilidade do compositor é plenamente realizada nas seções jazzísticas com sons quase barrocos, solos de saxofone, riffs rápidos e breaks mid-tempo.
Dmytro Ignatov assume um papel central na guitarra, embelezando esses sete minutos de paixão instrumental desenfreada com licks icônicos. Quatro minutos e meio depois, uma seção de metal surge, desencadeando um dos breakdowns mais satisfatórios do álbum. Apenas para fechar com um floreio após o reaparecimento das inflexões encantadoras de Maria Panasenko, uma lufada de ar fresco.
“Agora by Night” é uma peça acústica contemplativa de Dmytro Ignatov. Excelência total apoiada pelo som suave de uma guitarra arejada e reflexiva. Uma pausa necessária em um álbum progressivo tão intenso. O sintetizador reaparece, iluminando a ágora, como se fosse a lua.
O fim do ciclo dia-noite chega com "Daybreak", uma canção de swing luminoso com um piano agitado em movimentos complexos de jazz. O saxofone parece roubar a cena, exacerbando a tensão e inevitavelmente se resolvendo em um tema icônico e quase familiar. Excelente jazz moderno.
Com um título e uma aura puros e juvenis, "Bright Little Sister" é uma bela balada de sentimentos inocentes e pseudo-natalinos. Colin Bass, baixista do Camel, empresta sua voz para completar esta peça com linhas vocais simples, porém evocativas. Sem dúvida, uma música que se inspira fortemente no estilo Camel e em uma beleza simples, porém emocional.
“Searching for Mr. Kite” é a faixa mais longa do álbum; um leviatã infestado de sintetizadores clássicos que revivem diferentes eras da obra criativa do gênio ucraniano. É, sem dúvida, uma forte candidata à melhor faixa do álbum e um dos emblemas imutáveis ​​que caracterizam o som de Anthony Kalugin.
A transição entre os diferentes motivos é majestosa e dinâmica, trazendo riffs de piano espetaculares junto com as ondas. Por volta dos quatro minutos, o motivo principal faz sua entrada apenas para se reexpor em diferentes versões explosivas.
O solo de sintetizador é sobrenatural, repetindo linhas melódicas hipnóticas no órgão Hammond e em outros sons complexos, apenas para aterrissar novamente naquele tema característico de “Searching for Mr. Kite”.
“Second Nature” é um minueto de piano que encerra o álbum com um tom pensativo e inconclusivo… Provavelmente apenas o começo de uma coletânea subsequente, “Messages from Afar”, e espero que seja…
Sem dúvida, este álbum tem pontos altos que serão lembrados pelo resto da história do Karfagen. Faixas como “Searching for Mr. Kite” e “Bond of Love” mostram Anthony Kalugin no auge de sua carreira, provando mais uma vez que ele está entre a elite dos tecladistas do rock moderno. Para quem não o conhece: este é um excelente álbum para mergulhar no universo do Karfagen, pilares inabaláveis ​​da cena musical atual.

Patricio Benítez


E aqui você pode ouvir um pouquinho disso...



Já apresentamos esse cara várias vezes; se você gostou do que ouviu, provavelmente vai gostar deste também. Então, não adianta ficar falando muito sobre ele.

Você pode ouvi-lo no Bandcamp:
https://antonykalugin.bandcamp.com/album/messages-from-afar-second-nature-24-48-hi-res


Lista de faixas:
1. Ride Your Dream (3:41)
2. Fantasion (7:25)
3. November Blue (4:34)
4. Bond of Love (versão expandida) (7:02)
5. Agora by Night (4:31)
6. Daybreak (3:47)
7. Bright Little Star (3:55)
8. Searching for Mr. Kite (versão expandida) (11:04)
9. Second Nature (2:25)

Formação:
- Antony Kalugin / teclados, vocais, percussão, guitarra e baixo adicionais (1,7)
Com:
Maria Panasenko / vocal principal (4)
Ivan Goritski / bateria
Dmytro Ignatov / guitarras elétricas e acústicas
Max Velychko / guitarras (5)
Konstantin Ionenko / baixo
Yan Vedaman / saxofones
Colin Bass / vocais (7)
Vladislav Karbovskyi / baixo (3,6,8)
Alexandr Ignatov / teclados (10)




Egberto Gismonti - Kuarup (1989)

 

Mais do gênio brasileiro. Mas, para variar um pouco o que temos oferecido no blog, desta vez apresentamos a trilha sonora de um filme chamado "Kuarup", do cineasta Ruy Guerra, baseado em um romance de Antonio Calado. A maravilhosa trilha sonora do filme é de Egberto Gismonti, por meio de sua produtora, Carmo Producciones Artísticas. O álbum é majoritariamente instrumental, e Egberto é acompanhado por uma excelente equipe de músicos. Aliás, há duas orquestras trabalhando aqui, uma regida por Jacques Morelenbaum e a outra, a Transarmônica D'Alma D'Omrac, grupo formado por Egberto. Uma raridade na produção artística de Gismonti

Artista: Egberto Gismonti
Álbum: Kuarup
Ano: 1989
Gênero: Jazz latino / Trilha sonora / World Music
Duração: 40:20
Nacionalidade: Brasil



Para entrar no clima, deixo vocês com o vídeo da música "Kalimba", de Egberto Gismonti & Nana Vasconcelos, que não está neste álbum, mas serve como uma forma de adentrar no tema e que, aliás, me lembra da etnomúsica de Jorge Reyes e de toda a companhia mexicana de música pré-colombiana:


Tentarei explicar desajeitadamente parte do significado deste título, já que o tema vem da cultura dos índios amazônicos, e quem melhor do que Egberto, que viajou à selva para aprender sobre as tribos amazônicas em primeira mão, para compor a trilha sonora deste filme? Observe, repito, que não encontrei muitas informações. Se alguém souber mais sobre este assunto e quiser me corrigir, por favor, faça-o.

"Kuarup" é uma madeira que dá nome a um ritual indígena amazônico cujo significado para os índios é a despedida dos mortos e marca o início do período de luto. O ritual vem do mito sobre a tentativa de ressuscitar: segundo os índios do Alto Xingu (o Xingu é um rio amazônico que atravessa os estados do Mato Grosso em seu alto curso e do Pará em seu baixo curso), o Kuarup é uma festa muito importante que acontece uma vez por ano no Parque Indígena do Alto Xingu, onde vive essa tribo colorida. Eles usam muitas cores vibrantes, muito amarelo, embora não sejam militantes do Pro (Partido do Pro). É um ritual que dura dois dias. Durante as celebrações, há comida, dança, canto, rezas e lamentos da época, quando troncos de madeira pintados são erguidos e decorados com faixas amarelas e vermelhas e alguns objetos (cada tronco corresponde a um morto), e o xamã conduz o ritual, as almas dos mortos serão libertadas e viverão em outro mundo. Nesta cerimônia, os indígenas lamentam a partida definitiva de seus entes queridos. O festival marca o fim do período de luto.

Sobre o documentário, ele é baseado no romance de Antonio Callado, que conta a história de um padre jesuíta chamado Taumaturgo Ferreira, que abandonou a vida que conhecia para viver entre os indígenas do Xingu. A música é tão tensa quanto contida, como um espírito chamando da própria paisagem pela qual Ferreira se apaixona. Duas orquestras — a primeira liderada pelo violoncelista Jaques Morelenbaum, a segunda por Gismonti — acrescentam sua expansividade expressiva, proporcionando um espaço confortável para o violão de Gismonti.

Gismonti mistura texturas com sutileza artesanal. Sua flauta de bambu confere integridade decorativa às transições, enquanto seu sintetizador ora apela para o contexto cinematográfico, ora se destaca. A peça central da trilha sonora é a mais melancólica "Sônia", um toque suave de amor em um mundo sem amor.

E aqui está um pouco do que estamos tentando explicar a você.

Provavelmente seria melhor ouvir essa música junto com o filme, já que ela pode não ser totalmente independente. Ainda assim, é uma curiosidade arquivística encantadora para se ter no estúdio de Gismonti.

Aproveite. Você tem o material para curtir o áudio, o resto é com você.
 
 
 
Lista de Tópicos:
01. Senhores da Terra
02. Ossuário
03. Valsa de Francisca I
04. Anta
05. Urucum
06. A Força da Floresta
07. A Dança da Floresta
08. Águas
09. Sônia
10. A Morte da Floresta
11. Valsa de Francisca II
12. O Som da Floresta
13. Jogos da Floresta #1
14. Jogos da Floresta #2
15. Mutação

Formação:
- Egberto Gismonti / piano, violão, flauta de bambu, bambuzal
- Jacques Morelenbaum / violoncelo
- Dulce Bressane / voz
Músicos:
Aloysio Fagerlande / Fagote
Alceu Reis, Márcio Mallard / Violoncelo
Paulo Sérgio Dos Santos / Clarinete, Saxofone
Jurim Moreira / Bateria
Celso Woltzenlogel / Flauta
José Pinto / Trompete
Fréderic Stephany, Marie Christine Bessler / Viola
Bernardo Bessler, Giancarlo Pareschi, José Alves, Michel Bessler / Violino





Missus Beastly - Missus Beastly (1970)

 

 

Costumo defender, como um ávido “consumidor” de rock alemão, que esse país não pode ser rotulado com a versão experimental e psicodélica que se convencionou, graças a uma piada da imprensa britânica, “krautrock”. Foi um movimento contra cultural que atingiu proporções musicais com algumas comunidades hippies alemãs que decidiram expandir, por intermédio da música, os seus conceitos de vidas alternativas e que se expressavam com músicas experimentais, lisérgicas e minimalistas.

Mas paralelo a esse movimento, a essa cena que florescia nas ruas alemãs, de forma marginal e underground, existia outra muito forte com bandas que exploravam grandes seções de improvisações, baseados no jazz rock e no peso do embrionário hard rock, onde podemos citar como as principais: Kraan, Thirsty Moon, Passport, Release Music Orchestra, Out of Focus, Missing Link, Embryo e Brainstorm, Guru Guru, apenas as mais proeminentes.

A Alemanha sempre entregou, com muita qualidade, bandas de várias vertentes do rock. Então considero um equívoco colocar todas as bandas alemãs dentro do mesmo “saco” do krautrock, limitando, injustamente, o rock n’ roll alemão, a referida cena, não que esta seja ruim, pelo contrário.

Equívoco este plantado por formadores de opinião e alguns sites tido como referência na informação do rock progressivo e afins. Mas no final da década de 1960, mais precisamente em 1968, surgia uma banda que, em comparação com as mencionadas que abrilhantaram a cena jazz rock na Alemanha, é mais obscura, mais desconhecida, porém deu a sua grande contribuição para a música progressiva e o hard rock germânico conhecida por MISSUS BEASTLY.

Missus Beastly

A banda, como disse, foi formada em 1968 com o nome de “Psychotic Reaction”, evoluindo em duas eras diferentes. A banda mudou o seu nome para “Missus Beastly” (da boneca negra “Mistress Beastly”) sendo talvez uma das primeiras bandas que lançou, de forma oficial, um álbum com vertente jazz rock com verdadeiras jam sections lisérgicas e psicodélicas com doses cavalares de hard rock e blues com um progressivo ainda engatinhando.

O nome do primeiro álbum, “Missus Beastly”, de 1970, alvo de minha resenha de hoje, foi gravado no CPM Studio, ainda em meados do ano de 1969, com uma pequena tiragem de 1.000 cópias. Uma verdadeira pérola, uma verdadeira preciosidade do fusion alemão que caiu no ostracismo empoeirado do rock.

A banda contou com a ajuda de ilustres músicos para conseguir gravar o seu debut, foram eles: o flautista do Xhol Caravan, Hansi Fischer, bem como membros do Amon Duul II, que estavam em estúdio à época. Eles acabaram participando do álbum também tocando seus instrumentos.

O Missus Beastly, na época da gravação e lançamento do álbum, homônimo contava com a seguinte formação: Lutz Oldemeier na bateria e percussão, Atzen Wehmeyer na guitarra e vocal, Wolfgang Nickel no órgão, piano e vocal e Pedja Hofmann no baixo e vocal, com as participações mais do que especiais de: Hansi Fischer, na flauta, da banda Xhol Caravan e mais o grande Embryo, Dieter Serfas na percussão que era do Amon Duul II, além de Chris Karrer no violão também do Amon Duul II, além de ter participação da primeira encarnação do Amon Duul e no Embryo e John Weinzierl no violão.

O álbum começa com a faixa curta e grossa chamada “XOX”, uma guitarra distorcida, estridente, com uma voz falada em alemão, algo desconexo, mostrando o que viria a seguir: peso e muita jam section ácidas e perigosas.

"XOX"

“Uncle Sam” já chega esmurrando a porta e arrebentando os pobres ouvidos com um hardão excitante, em uma hecatombe de solos de guitarra de tirar o fôlego com a bateria cheia de viradas e marcações tocada de forma agressiva e esporrenta, ao mesmo tempo. Uma ode ao peso, a visceralidade e a agressividade, tendo a camada do teclado dando amém a todo o frenesi sonoro que se sucede.

"Uncle Sam"

“Shame On You” começa ao estilo meio folk, ao estilo Jethro Tull, com a predominância de uma doce e delicada flauta, em contraponto ao que se ouvira na faixa anterior. Mas depois vem as improvisações, o jazz rock se faz presente com destaque para os teclados e a bateria, agora extremamente virtuosa e técnica, bem jazzy dando lugar aos dedilhados competentes de guitarra. Música bem versátil!

"Shame on You"

“Decision” retoma o álbum ao hard rock. Mais direta, com riffs pegajosos de guitarra e teclados tocados ao máximo, mostra uma faixa mais direta e crua deste excelente álbum.“Chinese Love Song” é o momento mais “louco” do álbum com vozes e gemidos, algo também meio desconexo, típico do krautrock também.“Mean Woman (Woody Mouse)” é o ponto alto do álbum. Um blues de encher os olhos e deixar os ouvidos e a alma no mais puro e genuíno êxtase. Bateria ritmada, marcada, bem excetuada, baixo pulsante e vigoroso, com algum groove, guitarra sendo delicadamente dedilhada e um vocal alto, altivo e limpo. Um blues rock de cair os queixos!


"Mean Woman (Woody Mouse)"

E para fechar com chave de ouro tem a “Aphrodisiakum” realçada pela base instrumental, em especial a “cozinha” que, mais uma vez dá o seu recado, com muito groove, dando um caráter mais “dançante” a música com os teclados tocados de forma frenética e muito competente.

"Aphrodisiakum"

Uma curiosidade sobre esse álbum e banda é que um grupo usurpador, liderados por um alemão chamado Henry Fromm, que se dizia empresário do Missus Beastly, além de flautista e baterista, pirateou suas músicas, assim como outros álbuns e singles sob o nome de “Missus Beastly” sem a permissão da banda.

O primeiro foi "Nara Asst Incense", com uma reedição ilegal da estreia da banda, de 1970, em LP e cassete e CD do selo bootleg “Germanofon”. A segunda foi “Volksmusik - ao vivo em Amsterdam”, em versão LP. A terceira foi "Im garten des Schweigens" mais tarde reeditado como "Super Rock Made in Germany", na versão LP. A quarta foi "Fuck you Free/Fire Bird". A quinta foi "A better Life/Henry's Dead Woman Blues". E o sexto lançamento pirata foi "Jawa Masa/Love Train Rock".






Estranha a essa excessiva ação de roubos e pirataria ao redor da banda, o que deduz que não estavam preocupados com as questões financeiras o que logo, certamente, levou ao fim precoce da banda ou ainda não tinham a mínima capacidade de gerir os negócios do Missus Beastly.

E falando em tantas mudanças, o Missus Beastly original, após o lançamento do seu primeiro álbum, sofreu com alguns rodízios de músicos. Paul Vincent na guitarra e Michael Scholz nos teclados se juntou à banda e o que era antes um quarteto, passou a ser um sexteto.

No verão de 1970, porém, Vincent foi substituído por Roman Bunka, bem como o saxofonista e flautista Jergen Benz também se juntou ao Missus Beastly. No final daquele ano Wehmeyer e Nickel sairiam da banda. Tudo isso em poucos meses!

Tendo problemas para encontrar shows e até mesmo tendo que vender a sua van e PA, por conta dos problemas financeiros, a banda se desfez em 1971. Hofman foi para a Índia, enquanto a maioria dos outros se juntou a bandas de maior sucesso como Bunka, Embryo, Benz, Erna Schmidt, Oldemeier e Checkpoint Charlie.

Até que alguns ex-membros juntamente com o ex-tecladista da banda Missing Link, Dieter Miekautsch, teve a árdua missão de reformular a banda, mantendo o estilo que construíra a estrutura sonora do álbum anterior, lançando três álbuns, um em 1974 chamado "Mi“sus Beastly”, outro em 1976 de nome “Dr. Aftershave And The Mixed-Pickles” e o terceiro em 1978 chamado “Space Guerrilha. Em 1982 a banda se separou.




A banda:

Lutz Oldemeier na bateria

Atzen Wehmeyer na guitarra e vocal

Petja Hofman no baixo e vocal

Wolfgang Nickel nos teclados

 

Com:

Hansi Fischer na flauta

Chris Karrer na guitarra

John Weinzierl na guitarra

Dieter Serfas na bateria


Faixas:

1 - XOX

2 - Uncle Sam

3 - Shame on You

4 - Decision

5 - Chinese love Song

6 - Mean Woman (Woody Mouse)

7 - Aphrodisiakum



Missus Beasty - "Missus Beastly" (1970)

Hannibal - Hannibal (1970)

 

O universo do rock obscuro e raro é definitivamente gigantesco. É como se fosse uma selva ainda inexplorada, intocável, esperando por nós, para desbravar e dominar a música, embora antiga, pelo menos a esmagadora maioria, que irá nos servir como um elixir, um deleite.

Por isso esse reles e humilde blog existe: para dar luz ao rock obscuro, para trazer à tona todas essas bandas, com suas histórias de fracassos comerciais sim, mas extremamente ricas, que nos ensina que a música, em sua forma genuína, ainda vale, ainda tem relevância para tais bandas.

E, para variar, estava eu, em mais uma de minhas incursões pela grande “web” em busca de novas sonoridades de bandas velhas e encontrei uma publicação nas redes sociais de uma banda que carregava em seu nome o de um personagem icônico e deveras perigoso que muito marcou a minha vida de cinéfilo. Falo de Hannibal Lecter.

Quem não lembra do Dr. Hannibal encarnado pelo excelente ator, vencedor do oscar, Anthony Hopkins, no filme “Silêncio dos Inocentes”, de 1991. Bem pelo menos foi com Hopkins que o personagem ganhou visibilidade.

Aquilo, claro, me chamou a atenção, uma banda de nome HANNIBAL, será que traria uma sonoridade boa? O que me reservaria? Logo busquei o seu álbum que estava disponível na grande rede e não hesitei em ouvir. Não esperei por muito tempo. Estava com uma incontida ansiedade em ouvi-lo.

Que banda, que álbum! Se eu associei qualidade sonora ao nome, no mínimo pitoresco da banda, deu certo, apesar de ser um risco pouco calculado, mas o fato é que o som da banda me envolveu por completo.

Quando o álbum do Bakerloo, já com o nome encurtado, lançou seu único trabalho, em 1969, homônimo, Clemson saiu da banda, para ingressar no Colosseum. O empresário da banda, Jim Simpson, já tinha agendado uma turnê pela Alemanha e se viu em uma situação complicada, porque a banda estava com seu line up incompleto.

"Bakerloo" (1969)

Antes de escolher o nome Hannibal a banda que foi recrutada excursionou pela Alemanha ainda com o nome Bakerloo para atender aos quesitos contratuais e assim fizeram os shows. Há quem diga que essa história não confere, que não há relação entre Bakerloo e Hannibal, mas fica registrada a história, pois ficou carente de confirmação. São as obscuridades...

Mas com algumas mudanças na formação, a banda, que já estava com um novo nome, “Hannibal”, tinha na figura do guitarrista Adrian Ingram, a importância para dar vida ao novo álbum, que viria a ser lançado em 1970, pelo selo “B & C Records”. Ingram veio de uma banda, meio pop, de Wolverhampton, que se chamava “The Californians”, que lançou vários singles entre 1967 e 1969 pela Decca e Fontana, além de ter tocado em uma razoável sequência de bandas locais como “The Choice” “Gilt Edge”, “Evolution”, antes de ingressar no Hannibal.

Junto com Adrian Ingram tinha também uma figura importante para a banda, o tecladista Bill Hunt, que era oriundo da banda “Brumbeat Psychsters Breakthru”, que gravou um single, para a Mercury, chamado “Ice Cream Tree” (b/w “ Julius Caesar”), acumulando material digno de um álbum que mais tarde seria lançado com o nome “Adventures Highway”.

O vocalista Alex Boyce, juntamente com a seção rítmica do Hannibal, Jack Griffiths, no baixo e John Parkes, na bateria, completaram a formação original da banda. Juntou-se também ao Hannibal o saxofonista e clarinetista Cliff Williams, que era mais um músico contratado, pois não aparece nos créditos no álbum, mas que deixou sua marca importante nas nuances sonoras da banda.

“Hannibal” foi concebido no “Island Studios” com o famoso produtor Rodger Bain, que produziu, entre outros, bandas do naipe de Budgie, Wild Turkey, Indian Summer, Barclay James Harvest, sendo auxiliado pelo engenheiro Roger Beale que trabalhou com Spooky Tooth, Clear Blue Sky, Family etc. Todas as faixas tiveram a participação na composição de Ingram, tanto nas letras como nas melodias, com eventuais participações de outros integrantes.

A arte gráfica de “Hannibal” ostenta uma capa dobrável com uma visão inferior, em negativo fotográfico, de um quadrúpede difícil de identificar no topo de uma colina arrastando um flautista contra um céu laranja. Um tanto quanto louco, não acham? O designer, Keith MacMillan (também conhecido como Keef), também fez visuais para álbuns do Colosseum (“Valentyne Suite”, de 1969), Beggars Opera, Rod Stewart (“Gasoline Alley”), Affinity, Hungry Wolf, Black Sabbath (“Paranoid”, de 1970), Warhorse, Manfred Mann, entre outros.

“Hannibal” traz o jazz rock como a sua espinha dorsal sonora. Os músicos se apoiaram mais no lado “rock” do jazz rock, trazendo interessantes nuances de hard rock ao som do Hannibal. E não se enganem, amigos leitores, de os caras não tivessem talento para o jazz, muito pelo contrário, basta ouvir a guitarra de Ingram, o sax de Willians e a bateria pungente e complexa de Parkes. Sem contar também com textura blueseiras que me remete ao Colosseum em seus primórdios. Definitivamente o som do Hannibal era de vanguarda, novo, audacioso e ainda trazia um embrionário prog rock dada a viradas rítmicas das músicas.

O álbum é inaugurado pela faixa “Look Upon Me”. Ela está longe da complexidade das faixas seguintes, mas que não fica atrás, sobretudo pelo saxofone, os instrumentos de sopro que ganhariam destaque do início ao fim do álbum. Mas é com a guitarra e seus bons riffs que ganharia imponência logo no início, sem contar também com o bom e consistente vocal de Alex Boyce.

"Look Upon Me"

Na sequência temos a faixa “Winds of Change” segue a linha jazz rock que é a proposta do álbum, mas vem com um pouco mais de agressividade, um jazz mesclado ao hard rock tendo a guitarra como sustentáculo, sem contar com os vocais bem dramáticos, bem emocionais de Boyce que traz o contraponto ao peso da faixa que se mostra ainda bem elaborada, complexa sob o aspecto da melodia.

"Winds of Change"

“Bend for a Friend” traz batidas constantes, com guitarra rasgando com riffs poderosos e solos ocasionais, além de saxofone nervoso e órgão indo e vindo em uma sincronia instigante. Logo muda tudo e a sonoridade se revela jazzística com texturas de teclado em ritmo lento, algo meio lisérgico, mas em seguida os instrumentos de sopro ganha logo protagonismo.

"Bend for a Friend"

“1066” traz um blues rock vibrante muito determinado que já começa logo com os vocais bem trabalhados de Boyce. Definitivamente ele traz muito caráter em seu canto, com refrãos quentes e instigantes. Não podemos negligenciar o belo trabalho de bateria, enquanto o baixo pulsa fortemente. A seção rítmica também ganha destaque nessa faixa.

"1066"

“Wet Legs” é uma excelente faixa, tão boa com um órgão pulsante que se destaca logo antes dos três minutos de música, trazendo bons solos de guitarra ao estilo jazzy, bateria marcada e bem cadenciada entre o hard rock e jazz rock e baixo pulsante.

"Wet Legs"

E fecha com a faixa “Winter” que se destaca pela pegada jazzística mesclada ao hard rock implementada por Ingram, mostrando incrível destreza e versatilidade. Talvez “Winter” personifique o que foi o álbum na sua íntegra: versatilidade, complexidade, força, intensidade. O trabalho instrumental, como um todo, se faz evidente nessa faixa.

"Winter"

Após o lançamento de seu único álbum, em 1970, o Hannibal chegou a excursionar ao lado de bandas clássicas como o Black Sabbath e Free, mas infelizmente o seu precoce fim destruiu a sua trajetória que prometia surtir frutos, como esse único álbum.

O tecladista Bill Hunt fez turnê com a banda “The Move”, que era o nome da banda norte americana Bang, na época do álbum que foi gravado, mas não lançado em 1971 chamado “Message From The Country”. Toca saxofone e trompete em “No Answer”, álbum de estréia da Electric Light Orchestra, além de piano e cravo na banda de Roy Wood, “Wizzard”. Em 1989   ele gravou um single com “Blessing In Disquise”, que também apresentava Bob Lamb (Locomotive) e os “ex-alunos” do Slade, Dave Hill e Noddy Holder.

Adrian Ingram gravou um álbum de guitarra clássica em 1980 chamado “Duets”. Nos anos 1990 ele apareceu em lançamentos de “Jazz Cat” com Alan Skidmore e o Bem Crosland Quintet.

“Hannibal” recebeu alguns relançamentos em CD, pelo selo “Green Tree Records”, em 1994, na Alemanha, depois mais um relançamento, em CD, pelo selo “Melting Pot Music” em 2009, na Irlanda e em 2017 teve o seu primeiro relançamento, em formato LP, pelo selo “Music for Special Experiences”, em 2017 por toda a Europa.




A banda:

Alex Boyce nos vocais

Adrian Ingram na guitarra e composição

Bill Hunt nos teclados

Cliff Williams no saxophone e clarinete

Jack Griffits no baixo

John Parkes na bateria

 

Faixas:

1 - Look Upon Me

2 - Winds of Change

3 - Bend for a Friend

4 - 1066

5 - Wet Legs

6 - Winter 



"Hannibal" (1970)


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