segunda-feira, 9 de junho de 2025

FADOS do FADO...letras de fados...

 



Adeus ó minha gente

*ausente*
Jorge Fernando / Custódio Castelo
Repertório de Jorge Fernando

Adeus ó minha gente
Vou fazer-me à dura estrada
Minh'alma ardentemente
Quer erguer-se e está prostrada;
Longe está meu horizonte
Uma luz resta-me ao longe
Qual fogueira em alto monte

Adeus ó minha gente 
A quem vejo arrependidos
As mãos que me negaram 
Já mas deram como amigos;
Mas dentro de mim arde 
O sossego abrasador
Do Alentejo em fim de tarde

Adeus ó minha gente 
Venham ver-me á despedida
Nasci no lado errado 
No lado errado da vida;
Partindo fico ausente 
Nem memória vou guardar
Ai adeus ó minha gente

Adeus tentação

Jorge Rosa / José Inácio
Repertório de Lúcio Bamond


Com movimentos de cobra
Num canteiro de jardim
Ardilosa atrás de mim
Andas numa tentação

Atento à tua manobra
Passo o tempo de atalaia
Conheço as da tua laia
Percebo a tua intenção

Aquela maçã
Que certa manhã lá no paraíso
Deu volta ao juízo do bom pai Adão;
Foi bem o rastilho
De quanto cadilho um homem padece
Mas não me apetece esquecer a lição;
Por isso é escusado tentares o pecado
Que a Eva tentou
Estou bem como estou
Adeus tentação

Solteirinho e bom rapaz
Não tenham pena de mim
Sou feliz vivendo assim
Ao contrário não me arrisco

Se cassasse era capaz
De viver num céu aberto
Mas do certo p'ró incerto
Não quero correr o risco

Adeus vagabundo

Letra de Manuel de Andrade
Desconheço se esta letra foi gravada
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível

Letra transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do Fado


Vagabundo que vagueias
Por caminhos, por aldeias
Sem ter rumo, sem ter norte
Caminhante que palmilhas
Essa estrada, curtas milhas
Que leva às portas da morte

Vai, amigo, porta em porta
Nessa rua escura e torta 
A pedir por caridade
Segue a caminhada eterna
Deixando em cada taberna 
Um amor, uma saudade

Vai sorrindo, vai cantado
Pois o sol já vai baixando 
E mais um dia morreu
Vai, amigo, passo a passo
E não temas o cansaço 
Pois esse caminho é teu

Adeus, segue o teu caminho
Caminhando ao desatino 
Vagabundo, vai sozinho
Até que um dia, perdido
Adormeças esquecido 
Na berma desse caminho

Adeus, sê feliz

Manuel Paião / Eduardo Damas
Repertório de António Mourão

Foi só pra ti, pra ti que eu vivi
Tu foste toda a minha vida
Mas já nem sei se o amor que te dei
Foi uma ilusão perdida

Tu não estás mais a meu lado
E o meu coração magoado
Vive num mundo de dor
Eu nem sei bem o que sinto
E nem sei se ainda minto
Quando ‘inda falo de amor

Da felicidade
Só há saudade

E tudo passou, e nada mais ficou
Do que um amor só destroçado
Eu vou viver somente pra esquecer
Fazer do presente, o passado

Só espero que ainda um dia
Tu penses com nostalgia
Em mim, que tanto te quis
Digo-te adeus para sempre
Com carinho, docemente
Adeus amor, sê feliz

Jovem Guarda Canta The Beatles (V/A 60's Brasil)





Jovem Guarda Canta The Beatles (V/A 60's Brasil).

Trata-se de uma compilação que reúne alguns dos melhores grupos e artistas brasileiros interpretando "covers" dos Fab Four.

Capa/criação : Sid Quadros


Faixas/Tracklist:

01 - Renato e Seus Blue Caps - Sou Feliz Dançando Com Você (I'm So Happy Just To Dance With You)
02 - The Youngsters - Vem (Help)
03 - Os Carbonos - Ana (Anna (Go To Him)
04 - Renato e Seus Blue Caps - Escreva Logo (Please Mr. Postman)
05 - The Brazilian Bitles - Qual A Razão (Day Tripper)
06 - Paulo César Barros - Eu Me Apaixonei (I Feel Fine)
07 - Renato e Seus Blue Caps - Garota Malvada (I Call Your Name)
08 - The Fevers - Hey Jude
09 - Paulo César Barros - Eu Te Amo (And I Love Her)
10 - Renato e Seus Blue Caps - Não Volto Mais (Paperback Writer) 
11 - Os Lordes - Submarino Amarelo (Yellow Submarine)
12 - Paulo César Barros - Não Consigo Te Esquecer (The Night Before)
13 - Renato e Seus Blue Caps - Menina Linda (I Should Have Known Better)
14 - The Youngsters - Gente Demais (Ticket To Ride)
15 - Paulo César Barros - Eu Quero Amar Você (I Want To Hold Your Hand)
16 - Renato e Seus Blue Caps - Meu Primeiro Amor (You're Going To Lose That Girl)
17 - Bobby De Carlo - Eu Esperarei (I Will)
18 - Golden Boys - Te Adoro (I Need You)
19 - Renato e Seus Blue Caps - Sou Tão Feliz (Love Me Do)
20 - Os Vips - Obrigado Garota (Thank You Girl)
21 - Ronnie Von - Meu Bem (Girl)
22 - Renato e Seus Blue Caps - Eu Sei (I'll Be Back)
23 - Golden Boys - Michelle
24 - The Brazilian Bitles - O Homem Só (Nowhere Man)
25 - Renato e Seus Blue Caps - Feche Os Olhos (All My Loving)
26 - Golden Boys - Ontem (Yesterday)
27 - Os Vips - Coisas Que Acontecem (Things We Said Today)
28 - Renato e Seus Blue Caps - Dona Do Meu Coração (Run For You Life)
29 - Ronnie Von - Pobre De Amor (Norwegian Wood)
30 - Paulo César Barros - Você Vai Ser Feliz (From Me To You)
31 - The Fevers - Lady Madonna





Beat Italiano (Italian Beat - 60's)




Italian Beat (60's)

Nesta compilação particular podemos encontrar algumas das canções mais emblemáticas da cena beat italiana dos anos 60.
In this compilation we can find some of the most emblematic songs of 60's Italian beat scene.

Em Itália, tal como em outros países, a música da juventude dos fabulosos anos 60 foi acima de tudo constituída por pop, beat, rock garagem e canções de protesto, do agrado de muitas jovens.
A música beat foi importada de Inglaterra na esteira da Beatlemania e do Merseybeat, com canções e ritmos simples, mas foi o suficiente para quebrar a monotonia da música italiana e da liderança dos 'cantores' de Sanremo. O Beat italiano feito nos anos 60, era constituído por música alegre e associada a uma revolução de mentalidades, vestuário e postura, com a inclusão da moda hippie, um pouco estranha, colorida e pacifista. Foi acima de tudo uma espécie de revolta dos jovens, através dessas simples e ingénuas canções de protesto para afirmarem a sua liberdade, assim como a alteração do seu aspecto e vestuário com cabelos longos, calças boca de sino, medalhões e outros adereços. Entre 1966 e 1968 surgiram canções memoráveis associadas à Beat.
Em Itália, foi a época do surgimento de fantásticos grupos como, Equipe 84, Nomadi, Rokes, Ribelli, Corvi, New Dada, das "Meninas do Piper 'Patty Pravo e Caterina Caselli, entre muitos outros. 


In Italy The fab Sixties were above all Beat Music and related (folk beat, garage beat, beat 'nero' and protest song), different aspects of a music that many people love too, maybe too much. It goes endured said that the Beat was not our discovery; It came from England on the wake of the Beatlesmania and the Merseybeat: simple songs, classic rhythms in four, love words and however educated, but was enough that one to break off monotony of the Italian song and the leadership of 'Sanremo singers'. Beat was Italian music of the '60, made of joy and revolution, outlandish fashion hippie and pacifist, little bits of lysergic culture and some other. It was above all the large revenge of the young people, than through those ingenuous small protest songs and rebellion asserted their small but stirring freedom, the possibility to exit in road tans to you to throw, long hair, bell pants, lockets and decorations of their own grandfather, and to scream their dissaproval for a society already then badly educated. The months between 1966 and 1968 were the longest Italian season of the flowers, days of memorable songs and memories assign to you to remain to along in the imaginary of the Beat. It was the season of Equipe 84, Nomadi, Rokes, Ribelli, Corvi, New Dada, of the 'Girls of the Piper' Patty Pravo and Caterina Caselli, and of all constellation Beats a small of great grim, little talent and insufficient fortune trades them, worthy but to strike with equal guitars with the great legends basements of the English and American scene.

Fonte: rarevinyl.net - italian beat

Track List:

01 - Jaguars - Barbara Ann
02 - Jaguars - Non Ti Voglio Più
03 - Jaguars - Il Tempo Passerà
04 - I 4 Califfi - Ti Giuro È Cosi (You Really Got Me)
05 - Night Birds – Quelli
06 - I Delfini - C'è un Posto Migliore Per Noi
07 - I Delfini - Domani Penserai a Me
08 - Apostoli - È Meglio Che Mi Muova
09 - I Bisonti - Crudele
10 - I Bisonti – Gloria
11 - I Bisonti - Lui Non Vuole
12 - I Bisonti - Ma Se Ci Penso
13 - Liars - Estremo Oriente
14 - Facce di Bronzo - È Inutile
15 - Telstars - Tu Sei Lontana
16 - I Corvi - Un Ragazzo Di Strada
17 - I Corvi - Datemi Una Lacrima Per Piangere
18 - I Corvi - Sospesa Ad Un Filo
19 - Bielle Roventi - Perché Tanti Ragazzi
20 - Elsa - Sha la la la lee
21 - Maurizio - T'amo da Morire (gimme some lovin')
22 - Caterina Caselli - Sono Qui Con Voi (baby please don't go)
23 - Planets - Balliamo Il Jerk
24 - Memphis - Come il Tempo (Time won't let me)
25 - Mat 65 - Un Riparo Per Noi (with a girl like you)
26 - Gli Innominati - Prendi Un Fiammifero (68)
27 - I 4 del Teschio - Balla Balla
28 - I Camaleonti - Come Mai (get out off my clowd)
29 - The Rokes - Piangi Con Me





Swans - Birthing (2025)

Birthing (2025)
No limiar onde o tempo se curva sobre si mesmo e o espaço se dissolve num silêncio denso, há um vazio sem nome, que pulsa como uma ausência viva nas profundezas da percepção — não um lugar, mas um estado anterior à forma, onde o medo não é uma reação, mas essência. Um medo primordial, anterior à linguagem e ao corpo, sem causa definida, como se a própria ideia de existência fosse um erro jamais confessado. Nada se move ali, pois tudo já caiu em si mesmo, como ecos num poço sem paredes, onde o grito é constante, mas sem som. E então, sem violência, algo — talvez apenas a noção de ser — é expelido do centro desse vazio, lançado no espaço onde há, ao mesmo tempo, um céu profundamente estrelado e uma infinidade de nuvens fechadas, contradizendo-se em beleza e peso. O espaço parece aberto, mas está cercado: muros invisíveis se erguem, não como limites físicos, mas como a presença inquestionável do fim dentro do infinito. Sob os pés — se é que há pés — uma lâmina d'água reverbera com um som que parece vir de dentro, um eco líquido e imóvel, transmutando-se em espelhos suspensos, em véus de umidade que não fluem, não avançam, mas simplesmente existem. E ali, nessa suspensão onde tudo o que se teme já aconteceu e não importa mais, emerge uma espécie de compreensão — uma catarse sem redenção, um estalo silencioso onde o ser percebe que não escapou do abismo, mas que sempre fez parte dele: o buraco, a luz que dele emerge, a prisão e o eco da água parada. E nessa simultaneidade absurda, o medo se dissolve não porque haja consolo, mas porque não há mais necessidade dele. Tudo o que resta é a presença total, nua, intensa, sem direção — como um suspiro dentro do próprio universo.

Eu estava tão animado por este momento, e da obra-prima que "Birthing" se tornou, só posso dizer que não foi em vão. Não ouvi muito dos outros álbuns recentes da banda, na verdade, só conheço "The Seer" e "To Be Kind", mas aparentemente isso não afeta muito a experiência — este álbum aqui é algo completamente diferente, mas acho que ainda vale a pena mencionar os outros para que pareça uma espécie de narrativa. Esta nova fase do Swans é para mim, especialmente, um movimento muito criativo em sua arte, porque em tudo o que eles fazem, há sempre algo absolutamente deslumbrante na maneira como o fazem, na maneira como criam, como formam e transformam mundos com sua música. Aqui, não é diferente, mas, ao mesmo tempo, tudo é extremamente distinto, como se este álbum não quisesse ser exatamente mais um do que pode parecer uma série de projetos que desenvolvem ideias semelhantes, como se não quisesse ser exatamente uma obra-prima completa, mas uma obra de pura maestria e inteligência musical, um brilho sobrenatural que parece não apenas se conectar com o ouvinte, mas dialogar com ele. Sem dúvida, o som extremamente triunfante de “Birthing” cria uma atmosfera antêmica bem diferente, para quem, baseado na capa, espera a escuridão e a desesperança de “Soundtracks For The Blind”, este trabalho aqui aponta mais para a luz e talvez por isso seja um álbum que eu goste ainda mais; sinto que há acima de tudo esperança, não da forma como Godspeed You! Black Emperor traz em suas obras, mais sutis e mais emocionais, aqui é como se cada explosão de instrumentais cuidadosamente posicionados e cada camada vocal ou ambiências imersivas se alegrasse em uma canção sobre a vida. Talvez o álbum esteja muito próximo de temas sombrios e de uma profundidade terrível em suas letras e músicas, especialmente sabendo que a exploração lírica de Gira frequentemente se aprofunda no existencial e beira a morte ou experiências esotéricas, mas acho que gosto de interpretar tudo de uma forma um pouco diferente — talvez “Birthing” seja o nascimento de um novo Swans, talvez tenha mais a ver com esse encontro do ouvinte com algo mais elevado, com algo espiritual, eu poderia até dizer, é essa profundidade que me conecta tanto a esta obra-prima.

Em vez de explodir em ação logo de cara, Swans faz de “The Healer” uma letargia quase ritualística que precede um baixo hipnótico e guitarras e bateria mais pesadas, mas sem exageros. A introdução da faixa é longa, mas a voz única de Gira se mistura perfeitamente com a ambiência etérea que nos introduz a esse mundo obscuro e vago. Adoro a sonoridade trazida pelos vocais, essa catarse imediata que Swans consegue criar tão bem, é absolutamente fascinante. “I Am A Tower” segue uma fórmula semelhante à faixa anterior, mas é muito mais vanguardista e repleta de elementos que trazem uma atmosfera ainda mais ritualística e sinistra. No entanto, como sabemos pelo lançamento do single, a faixa muda rapidamente de som, tornando-se aquela boa e velha coisa de “Heroes” de David Bowie que é tão cativante. É interessante ver essa faixa não como um lançamento separado, mas como parte de um todo, e isso só reforça como e quão bem os lançamentos de Swans incorporam essa dinâmica entre as faixas não como um conjunto de músicas, mas como uma obra completa. É sobre essa mudança de tom, dessa escuridão que, apesar do triunfo do instrumental crescente da primeira faixa, ainda permeia a paisagem sonora — e, por fim, a faixa-título é vívida e extremamente vibrante, com um instrumental intenso, mas que sempre se sustenta de forma equilibrada. “Birthing” é um momento fantástico neste álbum, trazendo instrumentais mais pesados ​​que me lembram Godspeed You! Black Emperor e também trazendo suas ambiências mais meditativas que culminam em dinâmicas rítmicas marcantes.

“Red Yellow” é a faixa mais curta do álbum, mas isso não significa que seja a mais simples, especialmente porque simplicidade não é exatamente uma cor na paleta do Swans. No entanto, alguns elementos são simples, como o ritmo da bateria, que é bem minimalista, mas quando combinado com toda a banda, a complexidade da faixa é evidentemente imersiva. O baixo estabelece um groove hipnótico e, no final, o que parecem flautas nos levam àquele som profundo, pesado e agressivo de “Guardian Spirit”, que é outro dos destaques do álbum. O crescimento da faixa é muito rítmico, denso e com dinâmicas que são puro fascínio. A faixa explode com uma intensidade sombria e traz um arranjo totalmente imersivo e envolvente, é sem dúvida fascinante. Depois de um ruído bizarro que segue um mss fofo e um pouco estranho “I love you mommy”, “The Merge” mostra por que a simplicidade não é exatamente o tipo de área em que o Swans prefere se aprofundar, trazendo um ritmo bem único e oblíquo com um baixo viciante. É fortemente inspirado pelo jazz, imagino, e acho que é um dos momentos mais fascinantes de todo o álbum, mas eu realmente gostaria que a faixa tivesse mais disso. Então somos afogados em um vórtice quase infernal de sons e ambiências estranhos que beiram o assustador. Veja, o impacto do Swans aqui é total, mas é por causa de uma conclusão como "(Rope) Away" que posso dizer sem sombra de dúvida que este álbum é um dos melhores que o Swans já fez, se não (e eu entendo o exagero e é por isso que aponto que posso estar errado em tal afirmação) o melhor deles. Acho que aquela sensação de sorrir com uma atmosfera tão cativante e completamente envolvente de um álbum do Godspeed You! Black Emperor, como temos com o grandioso triunfo orquestral de "Storm", é replicada aqui, e a sensação beira o impossível. A ambiência é enorme, uma parede sonora tão vasta que é como se o ouvinte estivesse no meio do nada, no meio do mar, na barreira de uma grande muralha pintada com um céu nublado que leva... a lugar nenhum? Esta última faixa é nada menos que o final perfeito para tal jornada, uma faixa intensa e extremamente cativante, surreal.

Acho que a instrumentação aqui vai em tantas direções que descrevê-la é um tanto desorientador. Como em “The Seer”, alguns momentos apelam para abordagens profundas e obscuras, atmosféricas e até industriais, mas neste caso, sem excessos, mas principalmente com equilíbrio. Isso praticamente define o que este projeto tem a oferecer, afinal, um equilíbrio entre sons e sensações, estilos, vozes de diferentes interpretações de possibilidades e uma imensa genialidade que permeia toda a jornada. Como em “To Be Kind”, e imagino que em outras também, a agressividade e os ritmos marcantes estão muito presentes, mas talvez tenham um caráter mais atmosférico aqui do que as músicas do álbum tinham, se é que isso resume bem o meu pensamento. “Birthing” brinca com ideias e paisagens sonoras de uma forma muito marcante, já que cada momento dessa jornada tem algo poderoso a oferecer, seja onde os instrumentos realmente explodem e as guitarras incorporam distorção em meio a paredes surreais de som, onde a bateria se aproxima de um ritmo infinito e oblíquo ou simplesmente de uma batida simples, seja o que for, é sempre cheio de personalidade e também vejo imensa beleza.

Acho que, no fim das contas, este pode ser meu álbum favorito do Swans até agora, mas preciso mesmo ouvir os outros para ter uma visão mais completa e entender melhor as intenções e propostas por trás do trabalho da banda, bem como analisar melhor seus conceitos e o que buscam trazer. “Birthing” foi, no entanto, uma experiência mágica de imersão e pura maestria musical, lírica e imersiva, onde o ouvinte se vê explorando territórios musicais que muitas vezes saem do concreto e se tornam planos imensos em si mesmos, inexplicavelmente únicos e excepcionalmente encantadores como se estivessem te aprisionando nessa sensação de flutuar por um oceano, um espaço vazio e totalmente escuro, mas também repleto de estrelas, e um céu nublado, simplesmente. Acho que todo este álbum é gracioso como um todo e, mesmo que eu não possa dizer que seja perfeito, talvez seja o álbum do ano.


Miley Cyrus - Something Beautiful (2025)

Uhhhhhhhhhhhhh, este é um álbum perfeito. Eu não acho que posso realmente prefaciar isso de qualquer maneira concebível que vá suavemente para o fato de que eu acho este álbum realmente especial. Eu falo como alguém cuja experiência anterior com Miley Cyrus é reconhecidamente escassa. Hannah Montana estava de fato presente na minha infância. Não em uma grande capacidade, mas eu estava bem ciente do show. A próxima coisa que eu soube, ela aparentemente Can't Be Tamed . ...Claro. Sua progressão artística tem sido dispersa para dizer o mínimo. Ela obviamente teve seus sucessos, percorrendo toda a gama de The Climb para o golpe duplo de We Can't Stop e Wrecking Ball , que praticamente cimentou seu eu pós-Disney sob os holofotes. Midnight Sky me pegou de surpresa. Eu não sei como um bop como esse surgiu várias vezes antes mesmo de eu saber seu nome, então todo o crédito a ele. E, claro, "Flowers" , que, para mim, a classificou como uma vendida, no estilo Charli XCX CRASH , com toda essa diluição e troca de músicas antigas. Mas você sabe como esse álbum deu à Charli total liberdade para concretizar sua visão criativa e artística sem filtros em "Brat" ? Adivinhe o que aconteceu aqui.

Certo, mesmo que você tenha respondido "Miley fez a mesma coisa e concretizou sua visão criativa e artística", isso ainda minaria o que diabos ela fez aqui, porque que diabos? Que diabos? Como? Como... Como? Vou segurar sua mão quando digo isso, mas quero que você abandone qualquer ideia preconcebida que já teve dela como artista. O que estou prestes a descrever é literalmente o que este álbum é: Um álbum conceitual cinematográfico (em breve também um álbum visual) que aborda o amor e a emoção em suas formas mais cruas, com um escopo sonoro que se lê como grandioso e apocalíptico, com toda a produção, texturas, atmosferas, performances vocais, letras, ganchos, temas, interlúdios, instrumentos, camadas, crescendos, construções e clímax para apoiar tudo. E tudo é centrado em torno de um vocalista popstar talentoso, mas controverso, de quem ninguém jamais poderia ter previsto nada disso antes!

Você pode até duvidar de mim quando digo isso, o que, antes de tudo, como você ousa? Mas também, você saberá com certeza que eu não estava exagerando no momento em que passar do prelúdio! O maldito Prelúdio ! Completo com um poema falado com uma orquestra cinematográfica com elementos de Pós-Minimalismo e Eletrônica Progressiva.Música. Você pode esperar que isso seja completamente pretensioso, e é, mas neste mundo, você pode ser corretamente pretensioso ou incorretamente pretensioso. Esteja incorreto, e você correrá o risco de uma narrativa que liricamente e sonoramente se desfaça, ou seja até mesmo esquecida antes da metade. Mas esteja correto, e você terminará com um álbum que transita perfeitamente entre todas as músicas usando atmosferas perfeitamente articuladas, com uma lista de faixas onde cada performance e produção se destaca como seu próprio personagem memorável sem distrair de qualquer outra parte da experiência, tudo liderado por uma introdução que é co-composta por um membro do Model/Acriz . A propósito, esta introdução foi co-composta por um membro do Model/Acriz . Que porra de álbum é esse?!

A experimentação não termina aí, e por Deus, ela nunca terminará até que este álbum termine, mas certamente atinge seu ápice com a primeira música de verdade do álbum, sua faixa-título . Você começa com este instrumental suave e amanteigado de Smooth Soul , e Miley suspirando sensualmente, com toda a maturação rouca de sua voz country complementando perfeitamente seu lugar neste som. Você pode sentir a intimidade em sua performance, e isso te embala com seus altos e baixos... e então tudo simplesmente explode! A paixão do instrumental se choca contra você como um maremoto com explosões de rock psicodélico e uma performance muito mais desequilibrada de Miley que de alguma forma mantém sua pegada intencional, como se ela quisesse que você sentisse as explosões de paixão que ela está sentindo neste momento! E o escopo simplesmente se expande durante a ponte, como se esse amor se tornasse uma detonação desenfreada, e os metais enlouquecem enquanto tudo desaba, até que você fica com uma destruição sonora impecável, misturando as arestas irregulares dos dois sons antes de se fechar.

Este é o tipo de música que, na pior das hipóteses, essencialmente filtra todos os elos fracos da plateia antes que o resto do álbum toque. Ótimo, eu sempre quis saber como é ser o guardião de algo que considero verdadeiramente incrível, porque, no seu melhor, essa música mostra o quão grandiosa, ousada e intransigente Miley está disposta a ser com sua música para que ela seja ouvida em sua melhor forma, e quando ela já é conhecida por hits pop com refrãos cativantes e ocasionais altos e eufóricos na produção, meu Deus, isso só pode dizer o quão bom o resto deste álbum pode ser! ...E é!

End of the World dá continuidade à faixa-título, transportando você do Soul / Rock experimental sem filtros para a forma mais libertadora da música pop convencional . A produção é puro hino Europop.felicidade, e Miley canta sobre compartilhar os últimos momentos de amor e felicidade juntos como se o mundo não fosse acabar amanhã! Que reviravolta inteligente! Todo mundo já canta sobre viver o melhor da sua vida como se o mundo fosse acabar amanhã, festejando mais do que você nunca fez ou fará novamente, mas há algo mais especial sobre os pequenos momentos entre eles, onde você sabe que estará sentindo esse amor continuamente, e ainda assim você ainda sente esse amor do mesmo jeito, e isso não é mais gratificante do que simplesmente cair fora? Essa música é a raiz da minha teoria de que este álbum conceitual é mais especificamente uma narrativa sobre reacender o amor em face do apocalipse, especialmente porque é seguido por uma conclusão de cordas assustadora e assustadora que fracassa inesperadamente.

Então você é saudado por uma introdução de cordas sombria e apaixonada que inicia a terceira música completa, More to Lose . Na minha opinião, esta é a música mais próxima que ela chegou de tocar suas raízes country, já que nos é apresentada uma balada adulta contemporânea de término de relacionamento que se lê como Miley silenciosamente antecipando o fim de seu relacionamento amoroso, e ainda assim sentindo uma dor agridoce quando isso acontece. Em qualquer outro álbum, uma balada adulta contemporânea seria o ponto baixo de um álbum que arrasta o ritmo para baixo, e ainda assim, como a produção carrega consistentemente as qualidades de grandeza de todas as músicas anteriores, esta música se destaca com uma produção instrumental em camadas e serenamente texturizada, com uma atmosfera de fundo tão densa e potente quanto o resto do álbum, e uma mudança de tom que mantém a temática da decepção amorosa e a complementa como mais uma elevação celestial! Estou realmente impressionada com a perfeição com que isso é executado, a ponto de eu voltar a ela tanto quanto volto ao resto do álbum!

O que é ainda mais impressionante para mim é que todas as quatro faixas anteriores têm identidade, som, estilo, gênero e conceito fortemente distintos! Este álbum é notavelmente eclético! Você esperaria ou temeria que a sequência dessas músicas (e mais algumas) neste álbum fosse muito chocante para acompanhar, mas há uma forte coesão que une todas as músicas perfeitamente! Você não se sente surpreso com as mudanças sonoras repentinas, mas as características de cada uma são tão distintas que, apesar da melodiosidade dessas melodias (e, meu Deus , como essas músicas são melodiosas), você pelo menos conseguirá identificar como cada música soa sem precisar apertar o play uma segunda vez. Embora isso certamente não impeça as pessoas de apertar o play uma segunda vez, porque, preciso lembrar, este álbum é perfeito.

O que me lembra:Após um primeiro interlúdio incrível que lembra a escala sonora deste álbum sem se destacar muito na mixagem da lista de faixas – apesar de ter elementos distintos de SynthwaveSpy Music , bizarramente - você recebe a música, Easy Lover , que, veja só, é uma música Funk Rock ! E é notavelmente funky; o instrumental captura perfeitamente a energia atrevida, groovy e pavoneante que Cyrus quer nessa música. Também tira grande vantagem de um dos maiores pontos fortes deste álbum, porque o que torna um álbum de músicas sonoramente grande? Cordas. Elas são utilizadas perfeitamente aqui; elas mantêm o funkiness da música e evitam se destacar muito na mixagem, ao mesmo tempo em que adicionam uma camada extra densa de seriedade! É outra música que também se aproxima das inclinações country do passado de Miley, o que significa que ela mais uma vez faz uma ótima performance vocal e um gancho especialmente perfeito para começar! Esta e End of the World são concorrentes extremamente fortes para Canção do Verão deste ano, pessoal.

segundo Interlúdio tem seu próprio sabor especial que é distinto do primeiro. É também uma música IDM com passagens claras de Footwork de Miley Cyrus, porque, de novo, que porra é essa?! Os dois interlúdios criam um texto sonoro incrível e quebram o ritmo maravilhosamente, pois fazem você sentir como se cada música acontecesse como uma performance em um set piece distinto em um local diferente, realmente lembrando você de que, mesmo apenas pelo áudio, este é essencialmente um álbum visual. Não consigo dizer o quanto imaginei essas músicas tocadas cada vez que ouço este álbum em sua totalidade, e como cada faixa transita de uma para outra, porque, novamente, cada música transita de uma para outra sem esforço, sem imperfeições, e a atmosfera entre cada uma delas parece vívida; tipo, eu juro que ouço um trem saindo da estação no final deste segundo interlúdio!

Falando em músicas que seriam perfeitas com seus próprios set pieces distintos, temos um destaque subestimado em Golden Burning Sun. O instrumental começa como um Soft Rock do tipo Fleetwood Mac ., o que já significa que esta música é perfeita, e é mais uma vez melhorada pelas cordas. Mas os dois elementos mais distintos roubam a cena para mim e para todos os outros, e isso começando com Miley. Devo lembrar que ela não tem uma única performance que seja menos que excelente neste álbum, porque este é um álbum perfeito, mas nesta música em particular, sua garganta e voz são especialmente apaixonadas. Ela está implorando por amor nesta música, lamentando para que seu querido se renda a ela, e isso só é ainda mais forte pelo segundo destaque da música: a ponte. Assim que o segundo refrão termina, você é liberado do ritmo da bateria e lançado para o céu, enquanto a atmosfera sintética desta passagem antes de seus vocais retornarem é pura ascensão. Você pode se sentir flutuando no vasto vácuo do espaço, aquecendo-se na luz gloriosa das estrelas, antes de ser suavemente carregado de volta para a música. É, sem sombra de dúvida, exatamente o tipo de gravidade que procuro em muitas das minhas músicas favoritas de todos os tempos, e às vezes me pego chorando ao ouvir essa parte da música. Novamente, este é um álbum pop de uma estrela pop. Inacreditável.

Você só pode seguir em tantas direções únicas depois de alcançar outro plano de existência. Por exemplo, você pode alcançar outro plano de existência. Walk of Fame é, veja só, uma obra-prima do Electro-Disco , com uma produção tão precisa, impecável e ascendente quanto cada faixa anterior e posterior na sequência, com uma exibição imponente de energia orgulhosa, enfrentando a dor da separação e levando-a na esportiva, com um divertido break dançante na ponte, antes do instrumental retornar e começar a voar a alturas incríveis, completo com uma referência percussiva ao Blue Monday , e os incríveis backing vocals de Brittany Howard de repente surgindo à frente com afirmações de viver para sempre! É uma afirmação da vida e me faz sentir genuinamente imortal. Está sendo aclamada por muitos como a melhor música do álbum, e eu com certeza não vou reclamar, mesmo que (ou principalmente porque) todas as músicas sejam candidatas a melhor música!

Então a sequência continua sendo perfeitamente montada, enquanto literalmente tocamos outra música de término, e Pretend You're God conta as consequências dessa decepção amorosa... na forma de um Trip Hop.música! Porque que porra é essa!? Essa música é espaçosa, noturna, singularmente esparsa e emocionalmente sombria. Você sente uma qualidade assombrada que reflete diretamente Miley literalmente cantando que ela é assombrada, e a maneira como a bateria retorna após aquele momento de ar, batendo de volta, faz você desabar sob todo o peso da música! Essa tentativa de estilo eletrônico poderia facilmente ter errado o alvo, e ainda assim ela acertou em cheio com todas as maneiras como ela e seus produtores habilmente sobrepuseram as texturas sonoras que criaram juntos!

A veia eletrônica continua com o retorno ao electro-disco em Every Girl You've Ever Loved , mas é claro, isso tinha que ser único em sua perfeição também! Os instrumentos de sopro roubam a cena desde o início da música, e a forma como eles acompanham os vocais chamativos de Miley no refrão é reforçada extremamente bem pelos sintetizadores Hi-NRG e efeitos sonoros que lembram perfeitamente a icônica I Feel Love , de Donna Summer . Falando em icônico, Naomi Campbell está nesta música, e ela ostenta as perfeições da mulher que Miley está se apresentando, criando uma excelente ponte falada, seguida por uma saída estilo Vogue da era moderna (com loops vocais de fundo assustadores) que me faz sentir níveis indizíveis de orgulho quando a ouço. Falando como um desses queers quietos, é uma conquista para qualquer artista me fazer querer posar tanto. E então, há Reborn ... talvez meu corte profundo ou mesmo música favorita de todo o álbum. Parte disso pode ser explicado pelo fato de Miley cantar sobre uma House

batida, o que é o suficiente para fisgar qualquer obcecado por EDM como eu, mas é muito, muito mais do que isso. Voltando à minha teoria do mundo acabando quando Miley reacende seu amor, ela canta, de duas maneiras distintamente únicas, tanto no pré-refrão quanto no refrão, meu refrão favorito do álbum. Este álbum carregou, sem falhas, com maestria, esse peso temático do mundo em cada faixa, dando a sensação de que cada música tem um significado e que o álbum inteiro é uma narrativa artística e grandiosa, e esta penúltima faixa sabe exatamente o que fazer com isso, cantando sobre renascer antes que a música em si renasça de fato. Ao chegar na ponte, a música se abre novamente, o ar se enche de luz e, assim como em Golden Burning Sun, mas ainda mais, você, como ouvinte, começa a voar para o céu assim que o mundo começa a decair... e então a batida floresce novamente, e você é abençoado com a peça mais transcendente de todo o álbum, um álbum que, veja bem, tem sido consistentemente transcendente de faixa para faixa! Eu realmente não consigo explicar o quão perfeito esse momento é no álbum, e quão perfeita a produção, as performances vocais, os sintetizadores, os instrumentos e a atmosfera culminam nesse verdadeiro pico da audição musical. É, de fato, como renascer cada vez que a ouço, e eu a ouvi tantas vezes, repetidamente, que não consigo imaginar que ela perca sua marca em mim! Pode ser uma das minhas músicas favoritas da década até agora, e só é seguida de perto pelo resto deste álbum.

Falando nisso, você não pode terminar este álbum cinematográfico em um clímax sem atingir sua resolução, e de certa forma, conseguimos isso com sua conclusão, Give Me Love ... que é simplesmente caprichosa. É uma música folk contemporânea barroca , e retrata Miley nessa descrição do paraíso, antes de encontrar sua morte e dizer adeus no processo. Acho que não preciso lembrar como isso soaria, dado o quão bom o resto do álbum soou antes, mas é especialmente exuberante aqui, mais do que em qualquer outro lugar, e é igualmente triunfante. E os instrumentos de sopro após sua morte encerram o álbum com uma sutil sensação de desconforto, antes que o álbum simplesmente se esgote.

Toda vez que termino este álbum, fico bastante inseguro sobre o que quero ouvir depois. Ligar a maioria dos outros discos ou músicas depois deste seria abrupto depois de apenas me deleitar com a glória que ouvi, e ligar este álbum novamente seria definitivamente bem-vindo, mas meu telefone está me avisando que tenho tocado com meus fones de ouvido muito alto ultimamente, e já reproduzi essa experiência musical cinematográfica e expansiva em loop em meus ouvidos várias vezes nestes primeiros dias após recebê-la. Álbuns como este são uma experiência única na vida. Pode nem ser este álbum que seja essa experiência para você, e sim um álbum diferente. Se for você, está errado.Tudo bem, mas... este é o álbum que combina perfeitamente comigo. Este álbum atinge cada nota exatamente para mim, e provavelmente atingirá muitas pessoas que o ouvirem, mas menciono isso porque ultimamente tenho me perguntado como destacar especificamente qual álbum eu acho que pode exemplificar perfeitamente minha definição de música transcendente... e acho que encontrei isso com este álbum. Todas as flores do mundo vão para Miley Cyrus e sua equipe e colaboradores, parabéns especificamente para Miley por dar este grande salto em direção à música pop ambiciosa e experimental e ter sucesso tão graciosamente aos meus olhos, e se esta é ela finalmente concretizando sua visão criativa e buscando continuar esta trajetória com mais disto... Primeiramente, como? Mas, mais importante, mal posso esperar para ansiar por isso... logo depois de ouvir este álbum mais vinte e seis mil vezes.


YHWH Nailgun - 45 Pounds (2025)

45 Pounds (2025)
Com singles que datam do início da década, o YHWH Nailgun não é estranho para quem se importa com música que não pode ser descrita com precisão de nenhuma maneira específica. Chame-a de industrial, punk, noise rock, experimental, eletrônica ou qualquer outra descrição inútil: desde o primeiro dia, o YHWH Nailgun tem sido uma fera totalmente única. Depois de alguns EPs fortes que pareciam prometer o melhor de uma banda que não poderia ser comparada a nada mais no momento, 45 Pounds atua como o álbum de estreia que consegue superar seus trabalhos anteriores e consolidá-los como uma das bandas mais esotéricas do planeta atualmente.

45 Pounds é a energia bruta encarnada. Cada segundo deste disco explode no ouvido do ouvinte como uma bola de fogo e, apropriadamente, parece uma análise prolongada de um milhão de ideias de uma só vez. Essa paixão, no entanto, reside principalmente nas performances naturais dos próprios membros da banda. O maior destaque de 45 Pounds é, sem dúvida, o baterista Sam Pickard, que traz à tona o que só pode ser descrito como uma das performances mais insanas e intensas que qualquer percussionista já entregou deste lado de sei lá o que isso seja em algum tempo. As performances focadas de Pickard frequentemente fornecem um certo funk e swing ao disco, desesperadamente necessário e muito apreciado considerando a ausência de um baixista ou instrumento rítmico secundário, mas isso sem mencionar a frequência com que a bateria vem com preenchimentos constantes e escolhas bizarras de compasso que constantemente deixam o ouvinte na dúvida. O trabalho de guitarra de Saguiv Rosenstock fornece um acompanhamento pós-punk que dá a tudo uma sensação mais nítida, e o trabalho de Jack Tobias por trás dos sintetizadores e vários outros instrumentos eletrônicos permite que ele assuma um papel de liderança aqui.

45 Pounds é definido por seus sintetizadores. Seja pela pegada fria e industrial da eletrônica em "Ultra Shade (Beat My Blood Dog Down)" ou pelos sintetizadores mais limpos e atmosféricos da faixa de abertura do álbum, "Penetrator", 45 Pounds é construído sobre seus sintetizadores e outras camadas de elementos eletrônicos que lhe conferem uma sensação mais completa. Nesse sentido, pode-se argumentar que Jack Tobias é o mais essencial para o funcionamento interno do YHWH Nailgun e para os conceitos por trás de seu estilo inerentemente abstrato. Nada disso menciona, no entanto, o vocalista Zack Borzone, que traz uma personalidade quase animalesca a 45 Pounds, elevando-o a algo maior do que um disco sonoramente indescritível comum. Músicas como "Iron Feet" e "Pain Fountain" mostram Borzone entregando performances vocais cruéis que soam tão perturbadas quanto completamente estranhas, graças às letras abstratas sobre quem chora e o medo que sente. Musicalmente, 45 Pounds, na sua totalidade, soa quase ritualístico por natureza. A bateria pulsante, os sintetizadores assombrosos, a guitarra esparsa e as vocalizações de pregadores de fogo e enxofre criam uma experiência auditiva que se assemelha tanto à cerimônia mais sagrada/profana quanto à performance mais crua ao vivo no estúdio que você já ouviu.

O que realmente diferencia 45 Pounds, no entanto, é como ele aborda tantas ideias de uma só vez, sem nunca parecer algo que realmente extraia conceitos completos dessas influências. O minimalismo industrial clássico de bandas como Throbbing Gristle está inegavelmente presente, mas o disco nunca parece um retorno à infância do gênero. Comparações frequentes com lendas experimentais dançantes como Liquid Liquid e ESG e ícones modernos do rock/punk industrial como Health e Model/Actris são razoáveis, mas também não totalmente precisas. YHWH Nailgun soa muito raivoso, psicodélico e estruturalmente complexo para ser totalmente comparado a qualquer um desses artistas mencionados ou a quaisquer grupos adjacentes a eles. O surrealismo do álbum é essencial para a experiência auditiva, assim como os grooves consistentemente precisos. Mesmo que YHWH Nailgun aborde todos esses diferentes tópicos, tons e ideias, eles nunca deixam de ser representados ou executados em sua plenitude. O resultado final é um álbum que transmite mil emoções e ideias ao mesmo tempo, criando algo que parece uma projeção precisa de uma paisagem sonora totalmente singular que só poderia ser projetada por esta banda específica.

O YHWH Nailgun é uma banda distinta desde o início, mas seu primeiro álbum de estúdio completo parece algo completamente diferente. Com apenas 21 minutos de duração, 45 Pounds arrasa a sala de estar do ouvinte e incendeia sua casa com a mesma rapidez com que foge da cena. É industrial, noise, rock, punk, funk e prog, tudo ao mesmo tempo. Mas não é nada disso. Seria difícil encontrar algo que soe remotamente parecido com isso. Aliás, você provavelmente não encontrará nada parecido até que o resto da cena vanguardista de Nova York se atualize.


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Banda: Rita Lee & Tutti Frutti Disco: Atrás do porto tem uma cidade Ano: 1974(*) Gênero: Rock Alternativo, Pop Rock, Rock Psicodélico, R...