segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Soen: crítica de Tellurian (2014)

 



Formado em 2010 por Martin Lopez, ex-baterista do Opeth, o Soen tem a sua formação completada pelo baixista Stefan Stenberg (que assumiu o posto que no primeiro disco foi de Steve DiGiorgio), pelo guitarrista Kim Platbarzdis e pelo vocalista Joel Ekelöf. Sucessor da estreia Cognitive (2012), Tellurian acaba de ser lançado e deve agradar quem curtiu o primeiro disco.

A proposta segue a mesma: um metal fortemente progressivo, com fartos elementos progressivos e ingredientes de nomes como Tool, Leprous e Riverside, além do próprio Opeth. As canções são sempre sustentadas pela dupla baixo-bateria, com grooves e andamentos quebrados e inusitados. A guitarra transita por essa base, entregando riffs e links de muito bom gosto, enquanto o vocal aposta em um timbre limpo e agradável. E está aí um possível problema do trabalho, pois as canções parecem pedir uma voz mais agressiva e violenta a todo o momento- “Kuraman”, dona de um riff sensacional, ficaria muito mais forte com uma voz grave e sombria, pelo menos no meu ponto de vista.

Mas, é bem provável, esta seja uma percepção particular deste que vos escreve. As composições são criativas, apresentam ideias interessantes e variam entre trechos mais agitados e outros mais calmos. O termo “metal”, na verdade, é até discutível de ser aplicado ao Soen, já que a banda soa ainda mais leve e atmosférica do que em sua estreia. 

Sem a mínima pretensão mercadológica/comercial e não abrindo mão de suas convicções, o grupo gravou o segundo capítulo de sua história focado estritamente no quesito artístico, indo mais fundo na estética apresentada em sua estreia e alcançando resultados tão bons ou ainda melhores que o disco anterior.


Tellurian é um álbum bastante interessante, daqueles que chegam pra fazer companhia ao ouvinte durante anos. 

Ouça, vale - e muito!





Criolo: crítica de Convoque Seu Buda (2014)



Kleber Cavalcante Gomes é uma pessoa diferente. O cara que você conhece como Criolo pensa e faz música de uma maneira particular, igual a ninguém. Isso já era colocado na mesa na estreia que pouquíssima gente ouviu - Ainda Há Tempo (2006) - e foi escancarado no disco que todo mundo escutou - Nó na Orelha (2011). Vindo do rap, Criolo não se prende ao gênero, seja na configuração esperada do estilo - samplers, colagens, vocais falados - como, principalmente, nos limites que ele poderia impor à sua música. Assim como Nó na OrelhaConvoque Seu Buda, lançado neste semana, parte do rap e vai ao encontro de diversas sonoridades, passando pelo afrobeat, samba, reggae, MPB e outros, resultando em mais um trabalho de primeira linha.

Gravado entre os meses de julho e setembro, o disco foi produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, mixado por Mario Caldato Jr. e masterizado por Robert CarranzaConvoque Seu Buda traz dez canções, onde o discurso afiado de Criolo fala sobre consumismo, drogas - notadamente o flagelo social do crack, que enche as ruas das cidades brasileiras de coadjuvantes de The Walking Dead mas é sonoramente ignorado por TODAS as esferas do poder -, conflitos/contrastes entre as classes sociais e o cotidiano da periferia, realidade conhecida na pele pelo rapper.

Criolo repete um expediente que deu muito certo em Nó na Orelha e que faz a diferença mais uma vez em Convoque Seu Buda: o uso de instrumentos reais na construção das músicas. Assim, as composições, ainda que sempre tragam beats e colagens muito bem encaixadas, soam orgânicas e com muita fluidez. Estão lá guitarra, baixo, teclado, bateria e outros instrumentos como flautas, construindo uma sonoridade rica e repleta de matizes interessantes.

Entre as faixas, acertos e mais acertos, comprovando que a mente do rapaz segue transbordando boas ideias. A música que dá nome ao disco abre os trabalhos com um rap de letra forte, seguida da ótima “Esquiva da Esgrima”, com um refrão grudento como um bom chiclete. Em “Cartão de Visita”, Criolo revisita trechos da entrevista siderada que deu ao ator Lázaro Ramos alguns meses atrás enquanto declama uma letra e uma interpretação irônicas que desembocam no refrão cantado por Tulipa Ruiz.

“Casa da Papelão” fala sobre o crack com uma sutileza instrumental arrepiante. Em contraste, “Fermento pra Massa”, que vem a seguir, é um samba agradável com uma das melhores letras do disco.

Assim como aconteceu em Nó na Orelha, onde algumas das melhores faixas estavam na parte final do álbum - “Sucrilhos”, “Lion Man” e “Linha de Frente” -, em Convoque Seu Buda também somos brindados com uma sequência final do mais alto nível. “Pegue pra Ela” é um afrobeat contagiante, enquanto a densa “Plano de Vôo - Síntese” é uma das mais belas canções já gravadas pelo rapper. A já conhecida - e excelente - “Duas de Cinco” vem na sequência e prepara o clima para o grande encerramento que “Fio de Prumo (Padê Onã)” proporciona, com participação fundamental da cantora Juçara Marçal. Outro acerto violento de Criolo.

Convoque Seu Buda faz juz à espera e é uma sequência apropriada para Nó na Orelha. Ainda que não tenha em seu tracklist hits em potencial como “Não Existe Amor em SP” e “Mariô”, possui um conjunto de faixas consistente e que eu, pessoalmente, gostei muito.

Kleber segue sendo um cara diferente. Criolo segue sendo Criolo. E Convoque Seu Buda é um dos melhores discos do ano.




Machine Head: crítica de Bloodstone & Diamonds (2014)

 



Existem casos em que a história está sendo escrita diante dos nossos olhos e nem nos damos conta disso. É o que ocorre com o Machine Head já há algum tempo. Após um início promissor com Burn My Eyes (1994) e The More Things Change … (1997), a banda liderada pelo vocalista e guitarrista Robb Flynn entrou no furacão nu metal e lançou seus trabalhos mais discutíveis, The Burning Red (1999) e Supercharger (2001).

A mudança de curso custou a lealdade dos fãs, mas foi a centelha que fez surgir uma banda mais amadurecida e extremamente surpreendente. O marco zero que marcou o início do melhor capítulo da história do grupo norte-americano se deu em 2002, com a entrada do guitarrista Phil Demmel, parceiro de Flynn nos tempos do Vio-lence. Afinado e com uma entrosamento excelente com Robb, Demmel logo se transformou no parceiro ideal do líder do Machine Head. E isso ficou claro já no seu disco de estreia com a banda, Through the Ashes of Empires (2003), onde o quarteto retomou o thrash épico e repleto de groove e endireitou o curso de sua carreira.

A partir de então, o Machine Head entrou em uma espiral ascendente e que ainda não chegou ao seu ápice. The Blackening (2007) foi um disco excelente. Unto the Locust (2011) soou espetacular, um clássico instantâneo. E Bloodstone & Diamonds (2014) mantém a qualidade na estratosfera. 

O principal diferencial do Machine Head é fazer algo extremamente difícil de se ouvir e praticamente único no cenário do heavy metal. A banda consegue soar simultaneamente intensa, pesada e agressiva, mas sempre com um lado emocional muito evidente. Robb Flynn, o cérebro do grupo, se transformou em um ourives da composição, e o resultado é um metal pesadíssimo e emocionante, sempre e em todos os aspectos. É a beleza da violência elevada à sua máxima potência.

Bloodstone & Diamonds apresenta menos melodias que Unto the Locust. O Machine Head soa mais agressivo em seu novo trabalho, mas igualmente belo. As doze faixas apresentam uma banda dona do seu destino, que sabe o que faz, como faz e o que quer fazer. Um quarteto de músicos cheios de si, que ostentam uma segurança e uma confiança inquebráveis. As canções são fortes, bem construídas, com arranjos cheios de detalhes. Percebe-se o cuidado com as pequenas coisas, o detalhismo quase neurótico de Flynn, esculpindo cada faixa até a perfeição.

A abertura com cordas de “Now We Die” dá um ar solene ao disco, para em seguida contrastar com uma canção repleta de groove e um refrão fortíssimo. “Killers & Kings” é thrash moderno e grudento, com uma grande melodia no refrão, feito para ser cantado a plenos pulmões. “Ghosts Will Haunt My Bones” é uma aula prática de como a guitarra deve ser utilizada no heavy metal, com riffs e solos de arrepiar. Já “Night of Long Knives” traz a história de Charles Manson e os crimes que chocaram Los Angeles e os Estados Unidos em agosto de 1969 em uma das melhores canções gravadas pela banda.

E então, após quatro excelentes faixas, o Machine Head entrega a primeira grande obra de arte de Bloodstone & Diamonds. Densa e sombria, “Sail Into the Black” é uma faixa belíssima, cheia de nuances, com um arranjo arrepiante e um crescendo que faz qualquer um renovar a fé no ser humano, na vida, na música e em tudo mais. Antológica, como foi “Darkness Within” no disco anterior. 

Citar faixa por faixa acaba sendo meio maçante, então vou dar só algumas pinceladas. “Eyes of the Dead” é outro arregaço. “Beneath the Slit” traz um riff na escola Tony Iommi e vocais etéreos e um tanto experimentais, mostrando o quanto Robb Flynn se tornou, além de ótimo guitarrista, um cantor e tanto. A melodia anda lado a lado com o peso em “In Comes the Flood”, enquanto “Damage Inside” introduz o outro grande momento do álbum. “Game Over” é uma faixa espetacular, onde Flynn despeja na letra tudo o que sente em relação a Adam Duce, antigo baixista que deixou o grupo em 2013. A seguir, outro interlúdio com “Imaginal Cells” e um final em grande estilo com outra excelente canção, “Take Me Through the Fire”.

Confesso que quando escutei Bloodstone & Diamonds pela primeira vez achei o disco um pouco longo. Porém, com o passar das audições fui me ambientando ao trabalho, que me absorveu por completo. É um álbum diferente tanto de The Blackening quanto de Unto the Locust, um passo adiante na história que está sendo contada pelo grupo. Um disco dono de uma beleza tão forte, tão profunda, que emociona e quase leva às lágrimas quem tem a capacidade de deixar a música invadir as suas veias e conduzir as suas emoções.

O Machine Head é uma banda única. Uma banda impressionante. Uma banda que está fazendo história disco após disco, como os grandes nomes que escreveram a trajetória do heavy metal fizeram no auge de suas carreiras. O Machine Head vive o seu ápice há pelo menos 7 anos, e é uma benção presenciar e ouvir discos como esse.






Donna Summer – A Love Trilogy (1976)


O segundo álbum de Donna Summer é excelente, e foi gravado na primavera de 1976. Foi pensado como uma continuação de "Love to Love You Baby" , e o formato é similar: uma única faixa no lado um e faixas mais curtas no lado dois. A faixa longa ( "Try Me, I Know We Can Make It" ) é na verdade dividida em três partes: "Try Me", "I Know" e "We Can Make It" , é claro. Mas o hit aqui foi "Could It Be Magic" , um cover de Barry Manilow .

Mais uma vez, com Donna compondo as músicas, produzidas por Moroder e Bellote . O álbum vendeu bem no resto do mundo, mas teve um sucesso modesto nos Estados Unidos, onde alcançou a 21ª posição na Billboard, e foi número 1 na Itália e na Argentina (onde o hit, sem dúvida, foi "Come with me" ).






Donna Summer – Love To Love You Baby (1975)


Donna Adrian Gaines nasceu em Boston em 31 de dezembro de 1948, a terceira de sete filhos. Aos 18 anos, fez um teste na Broadway para a comédia musical Hair e foi aceita. O sucesso do espetáculo permitiu que a companhia viajasse para a Europa.

Em 1974, já sob o nome de Donna Summer , ela conheceu os produtores Giorgio Moroder e Pete Bellote . Juntos, eles gravaram um álbum intitulado "Lady of the Night" , que foi o primeiro sucesso relativo de Donna na Europa. Em 1975, ela abordou Moroder com a ideia de uma canção: "Love to Love You Baby". Moroder a musicou e propôs que Donna a gravasse, mas como ela era um pouco atrevida, ela lhe disse que a gravaria, mas apenas para oferecê-la como uma demo para outra cantora. De qualquer forma, seus suspiros e suspiros eróticos impressionaram Moroder tanto que ele acabou convencendo-a de que somente ela poderia interpretar a canção. Foi um sucesso moderado na Europa, mas uma cópia foi enviada a Neil Bogart, presidente da gravadora Casablanca , nos Estados Unidos. Foi este cavalheiro que sugeriu a Moroder que ele tornasse a faixa mais longa, para que ocupasse um lado inteiro de um álbum. Mais uma vez, Donna Summer tinha reservas, então decidiu se imaginar como uma atriz realizando um orgasmo. Com as luzes do estúdio quase apagadas, ela se deitou no chão... e a gravação final (com 16 minutos de duração) contém o orgasmo falso mais erótico da história do vinil.

A música “Love to Love You Baby” foi o lado A completo do álbum e se tornou um sucesso mundial: número dois nos Estados Unidos e número cinco na Inglaterra (mesmo com a BBC se recusando a exibi-la).

O resto é a história da Rainha da Disco : quatorze sucessos no Top 10, quatro singles número um, vários álbuns de platina, cinco prêmios Grammy e outras doze indicações ao Grammy. Ela foi a primeira mulher a alcançar três sucessos número um no mesmo ano.






John Barry / Donna Summer – Tema From The Deep (single 1977)


"The Deep" é um filme de 1977 dirigido por Peter Yates e estrelado por Robert Shaw, Jacqueline Bisset e Nick Nolte . A trilha sonora foi composta por John Barry , que já se tornara um nome conhecido na música para cinema.

Assim como fizera anteriormente nos filmes de James Bond, Barry convidou uma cantora para cantar o tema principal do filme. E neste caso — dada a sua imensa popularidade na época — a escolhida foi a Rainha da DiscoDonna Summer .

A música foi indicada ao Globo de Ouro , alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos e o top 5 na Inglaterra. O single trazia a versão de Summer no lado A e a versão instrumental de Barry no lado B, e aqui está ela, desempolgada






Donald Fagen – The Nightfly (1982)


Donald_Fagen_-_The_Nightfly-frente

Donald_Fagen_-_The_Nightfly-back

Nascido em 1948 nos Estados Unidos, o músico Donald Fagen está entre as figuras mais interessantes que surgiram do rock.

Com a separação do Steely DanFagen lançou-se em carreira solo, lançando um álbum que era um luxo em termos de composição e qualidade sonora. O trabalho em questão chamava-se The Nightfly.

Não importa o tipo de música que você prefere. Quando Donald Fagen gravou este — seu primeiro álbum solo — em 1982, ele provou que sempre há uma maneira diferente de fazer e ouvir música. Estas oito faixas têm sido irresistíveis para mim desde que as ouvi pela primeira vez, há 25 anos.

Este álbum brilhante abre com "IGY" (Ano Geofísico Internacional). É uma daquelas músicas que são clássicas desde o momento em que foram escritas, e sua melodia é tão brilhante que quase dispensa letras. É definitivamente minha faixa favorita, embora o resto do álbum seja tão bom quanto. Como eu disse, são apenas oito músicas... mas não são necessárias mais. É um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos.

Músicos:

Donald Fagen: teclados, piano, órgão, sintetizadores, vocais
Larry Carlton: guitarra
Greg Phillinganes: piano elétrico
Hugh McCracken: guitarra
Rob Mounsey: teclados
Starz Vanderlocket: percussão
James Gadson: bateria
Anthony Jackson: baixo
Randy Brecker: trompete
Dave Totani: sax alto
Michael Brecker: sax baixo
Ronnie Cuber: sax barítono
Dave Bargeron: trombone

Tracklist:

01. I.G.Y. (International Geophysical Year)
02. Green flower street
03. Ruby baby
04. Maxine
05. New frontier
06. The nightfly
07. The goodbye look
08. Walk between raindrops





Posto Blocco 19 - Motivi di sempre (2014) plus bonus tracks (1981-2011)

 


 

TRACKLIST:

01. A un passo dal cielo (Suite 1) - 4:06
02. E la musica va - 5:12
05. A un passo dal cielo (Suite 2) - 4:48
Bonus Track
06. L'ultima acqua (master 2014) (voce Bernardo Lanzetti) - 7:20

Extra bonus tracks
07. Scandendo il tempo (versione originale da "Decameron" - 2011)
08. E la musica va (lato A, 45 giri, 1981)
09. Lascia che ancora (lato B, 45 giri, 1981)


FORMAÇÃO (2014):

Raimondo Fantuzzi - chitarra, voce
Francesca Campagna - voce
Massimo Casaro - basso
Graziano De Palma - tastiere
Stefano Savi - percussioni
Vittorio Savi - batteria
con
Bernardo Lanzetti - voce (6)
Giancarlo Di Bella - tastiere (6)


FORMAÇÃO (1981)

Raimondo Fantuzzi - chitarra, voce
Roberto Zazzi - flauto
Giancarlo Di Bella - tastiere
Franco Coruzzi - basso
Vittorio Savi - batteria


Com o Posto Blocco 19, um grupo infelizmente pouco conhecido apesar de seu valor incontestável, as portas para o grande prog se reabrem, daquele tipo com P maiúsculo, daquele que tanto amamos. Vamos começar nossa exploração citando o que nosso amigo Augusto Croce escreveu, sucintamente, mas eficazmente, no Italian Prog (o site ou o livro, se preferir):

Formado em 1971 em Collecchio (PR) com o nome inicial Collettivo Musicale Collecchiese , este grupo permaneceu ativo por muitos anos com shows principalmente na Emilia e uma participação no Pescara Rock Festival em 1979. Inicialmente inspirados pelo PFM, eles modernizaram seu som com influências de grupos americanos como Kansas e Styx. No início dos anos 1980, o grupo gravou um álbum para o selo Bazar, mas apenas duas músicas foram lançadas em 45 rpm (Nota do editor - incluída aqui entre as faixas bônus). Após uma transição gradual para um estilo mais comercial, o grupo se desfez em 1983. Desde 2005, o Posto Blocco 19 se reformou, tocando em vários festivais de rock progressivo na área de Parma com alguns dos membros originais. O grupo lançou o primeiro CD de sua longa carreira em 2014.




Vamos ao álbum em questão, "Motivi di sempre", lançado pela Lizard Records e que contém seis músicas, a última das quais está listada como faixa bônus. A arte, decididamente bela e delicada, criada pelo pintor Teo Di Palma, é imediatamente marcante. É assim que o álbum é descrito em "Rock Impressions": 

Desde as primeiras notas da faixa instrumental de abertura Ad un passo dal cielo (Suíte 1) as cartas estão na mesa, arrepios para os fãs de prog endurecidos do estilo antigo, enquanto a guitarra elétrica se diverte se comunicando com os teclados, um clássico. Segue-se E la musica va , energia e vintage sob uma boa fórmula de canção. Os jogos ficam ainda mais sérios com a música All'alba del giorno dopo, cantada por Francesca Campagna, com mudanças de andamento e humor que lembram as obras de bandas cult como Raccomandata Ricevuta Ritorno. Arpejos abrem Scandendo il tempo , outra música total, onde a introspecção alterna com momentos ensolarados e arejados. Ad un passo dal cielo (Suíte 2) não estaria fora de lugar na discografia de Le Orme, também pela ênfase da guitarra elétrica. A faixa bônus L'ultima acqua fecha , retirada da coleção de 2010 “A Divina Comédia - Parte III - Paradiso”, uma Um verdadeiro show com Bernardo Lanzetti no microfone. Quando a música progressiva italiana chega a esse nível, é fácil entender por que o gênero perdurou tanto. Este é um álbum que não pode faltar em sua discografia progressiva, digna desse nome.

Capa de 45 rpm (1981)

Vamos agora examinar o pouco material gravado pelo Posto Blocco 19 além do CD "Motivi di sempre". Comecemos com o histórico single de 45 rpm lançado em 1981 pela Publiart Bazar. O lado A, " E la musica va ", é relançado no CD com um arranjo e layout completamente novos. Essa música é facilmente encontrada no YouTube. O lado B, " lascia che ancora ", é uma história completamente diferente e absolutamente inacessível. Temos o prazer de oferecê-lo graças à providencial intervenção do nosso benfeitor anônimo (lembram-se dele?), a quem agradecemos sinceramente por sua ajuda. Assim, podemos completar a discografia do grupo. Seguindo em frente, após uma reunião em 2010, os encontramos na já mencionada coletânea "A Divina Comédia - Parte III – Paradiso" para o Musea e o selo finlandês Colossus, com a música "Canto IX: L'ultima acqua", cantada por Bernardo Lanzetti. Finalmente, no ano seguinte (2011), a Musea Records também os convidou para participar da obra musical/literária "Decameron "Dez Dias em 100 Novelas - Parte 1", com uma nova composição intitulada " Scandendo il tempo" . Também neste caso, no CD "Motivi di sempre" há uma nova versão que difere da original principalmente pelas intervenções vocais. A versão original de 2011 está incluída aqui entre as faixas bônus. 









Arawak (Luciano Simoncini) - Instrumental Music (Italy)

 



Álbum de biblioteca italiano extremamente raro com Silvana Simoncini (esposa de Arawak) na capa e com novas notas de capa. Há muito reverenciado nos círculos de conhecedores, mas sempre evasivo, quase ao status de um mito, "Accade a.." de Arawak nos leva em uma jornada pelo planeta, retratando lugares distantes com um senso de estilo incomum, usando uma tapeçaria de sons e instrumentos, às vezes suaves e oníricos, às vezes envolvendo o ouvinte em um groove de bateria funky e perverso. Nos é oferecida a chance de uma jornada única que nos leva do Harlem a Boston, passando por Cuzco, Bali, Bahia, Belfast, Lima e muito mais. Arawak é um dos muitos pseudônimos que Luciano Simoncini usou em sua carreira como compositor de trilhas sonoras para filmes e música ambiente para rádio e televisão na Itália. Luciano Simoncini foi um pianista, arranjador e maestro italiano (nascido em Piedimonte Matese, província de Caserta, 25 de setembro de 1939, falecido em Roma em 8 de novembro de 2011). Originalmente lançado em 1970 pela própria "Squirrel Records" de Simoncini, este álbum conseguiu ficar sob o radar até que o artista de Hip Hop Quasimoto (alter ego do produtor Madlib) sampleou "Accade a Harlem" para a série "Suono libero" sobre jazz funk dos anos 70 da biblioteca musical italiana. Desde então, o álbum progrediu lenta mas firmemente para seu merecido status cult. Este lançamento é totalmente licenciado e vem com notas de capa do amigo da família de Luciano Simoncini, Claudio Casalini, e do produtor e colecionador de discos do Golden Pavilion, Antonio Barreiros. Os grooves descontraídos e as atmosferas sonhadoras e sedutoras se alternam com sons mais funky para criar uma experiência musical verdadeiramente única que agradará aos fãs de Janko Nilovic, Stefano Torossi, Remigio Ducros e Pino Canizzo.

Bango - Psychedelic Rock (Brazil)

 



Uma das bandas de rock brasileiras mais obscuras, o Bango lançou um álbum que é considerado um dos melhores do rock nacional da primeira metade dos anos 70. O álbum homônimo oferece um som psicodélico, com pegada rock, com uma pitada de balada dos Beatles.

O quinteto formado por Aramis de Barros e Fernando nas guitarras, Elydio no baixo, Roosevelt no órgão e Max Pierre na bateria é, na verdade, The Cannibals, com outro nome e outra proposta musical. Infelizmente, há pouquíssimas informações disponíveis sobre a banda que atuava sob o pseudônimo Bango. Assim como The Cannibals, a banda se consolidou como uma das bandas de dança mais respeitadas dos anos 60 e banda residente de programas de televisão durante a Jovem Guarda.

Nos anos 70, eles seguiram as influências da época, onde o rock nacional pós-Tropicalismo passou a se refletir cada vez mais nos Mutantes, tornando-se significativamente mais pesado. Junto com a mudança no design musical, veio a mudança de nome, Bango sendo uma das várias espécies de cannabis encontradas no nordeste da África.

Lançaram em 1971 pela Musicdisc o álbum homônimo que hoje é um dos álbuns mais raros e procurados do rock nacional. Posteriormente, conseguiram lançar um compacto simples antes de encerrar as atividades. Embora ainda não tenha havido nenhuma tentativa de lançamento oficial em CD, algumas faixas podem ser encontradas em coletâneas que abordam o psicodélico nacional, principalmente no mercado externo.





Destaque

Em 24/07/1970: Yes lança o álbum Time and a Word

Em 24/07/1970: Yes lança o álbum Time and a Word. Time and a Word é o segundo álbum de estúdio da banda de rock progressivo inglesa Yes. Lan...