quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Ozzy Osbourne – Transmission Impossible (2024)

 

Ozzy Osbourne – Transmission Impossible (2024)

Tracklist:
01 – Over The Mountain (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
02 – Mr. Crowley (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
03 – Crazy Train (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
04 – Revelation (Mother Earth) (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
05 – Steal Away (The Night) (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
06 – Suicide Solution (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
07 – Goodbye To Romance (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
08 – Believer (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
09 – High Again (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
10 – Iron Man (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
11 – Children Of The Grave (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
12 – Paranoid (Live FM Broadcast at Metropolitan Sports Center 15-01-1982)
13 – I Don’t Know (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
14 – Mr. Crowley (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
15 – Rock’n’Roll Rebel (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
16 – Bark At The Moon (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
17 – Revelation (Mother Earth) (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
18 – Steal Away (The Night) (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
19 – Suicide Solution (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
20 – Keyboard Solo (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
21 – Centre Of Eternity (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
22 – Flying High Again (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
23 – Iron Man (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
24 – Crazy Train (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
25 – Paranoid (Live FM Broadcast at Tokyo Kousei Nenkin Kaikan 29-06-1984)
26 – War Pigs (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
27 – Mr. Crowley (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
28 – I Don’t Know (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
29 – Flying High Again (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
30 – Goodbye To Romance (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
31 – Iron Man (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
32 – Sweet Leaf (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
33 – Children Of Grave (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
34 – Suicide Solution (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
35 – I Don’t Want To Change The World (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
36 – Road To Nowhere (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
37 – Crazy Train (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
38 – Mama, I’m Coming Home (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)
39 – Paranoid (Live FM Broadcast at Tweeter Center 07-08-2003)


Steven Wilson – Impossible Tightrope: Live In Madrid (2026)

 

Steven Wilson – Impossible Tightrope: Live In Madrid (2026)

Tracklist:
01 – Objects Outlive Us (Live in Madrid)
02 – The Overview (Live in Madrid)
03 – The Harmony Codex (Live in Madrid)
04 – Home Invasion / Regret #9 (Live in Madrid)
05 – What Life Brings (Live in Madrid)
06 – Voyage 34 (Live in Madrid)
07 – Dislocated Day (Live in Madrid)
08 – Abandoner (Live in Madrid)
09 – Impossible Tightrope
10 – Harmony Korine (Live in Madrid)
11 – Vermillioncore (Live in Madrid)
12 – Ancestral (Live in Madrid)
13 – The Raven That Refused To Sing (Live in Madrid)

Ásgeir – Julia (2026)

Ásgeir – Julia (2026)

Tracklist:
01 – Quiet Life
02 – Against The Current
03 – Smoke
04 – Ferris Wheel
05 – Universe Beyond
06 – Julia
07 – Sugar Clouds
08 – Stranger
09 – In The Wee Hours
10 – Into The Sun

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Grandes canções: David Bowie - "Life On Mars?" (1971)

 

"Life On Mars?" surgiu no álbum "Hunky Dory" (lançado em dez/71) por David Bowie. Ele a compôs como uma paródia de "My Way" (de 1969), de Frank Sinatra. Foi gravada em ago/71 no Trident Studios, em Londres, numa co-produção Bowie e Ken Scott. A banda dele já consistia em Mick Ronson (guitarras e arranjos de cordas), Trevor Bolder (baixo), Mick Woodmansey (bateria), mais a participação especial de Rick Wakeman (piano, na época membro dos Strawbs). "Life On Mars?" pode ser classificada primariamente como uma balada Glam Rock, porém com elementos de Cabaré e Art Rock. Sua complexa estrutura incluía mudanças de acordes o tempo todo. A letra fala sobre uma garota que vai ao cinema para escapar da realidade (e inclui imagens surreais que refletem otimismo e os efeitos de Hollywood). No auge da fama da persona Ziggy Stardust, a RCA Records resolveu lançar "Life On Mars?" como single (isto foi em jun/73, ou seja, bastante tempo depois) e ele foi ao nº. 3 das paradas no Reino Unido. Nesta época, para promover o single, o fotógrafo Mick Rock filmou um vídeo que mostrava Bowie maquiado e vestindo um terno turquesa cantando a canção contra um fundo branco. Aliás, Bowie frequentemente cantava "Life On Mars?" durante seus shows. Ela é considerada uma das melhores canções do artista e uma das melhores canções de todos os tempos. Bowie crescia como cantor (sua performance vocal é perfeita em "Life On Mars?") e compositor. Usando "My Way" como base, reza a lenda que Bowie começou cantarolando a melodia num parque em Beckenham, Kent (na grande Londres). Ao retornar para sua casa (a Haddon Hall, uma construção vitoriana em Beckenham), ele compôs "Life On Mars?" no piano (instrumento que, nesta fase, ele usava prioritariamente para criação). A letra trazia inspiração no breve e doloroso romance que ele havia tido com a atris Hermione Farthingale.
A letra originalmente manuscrita era bem diferente (exceto pelo refrão) e tudo foi evoluindo até a gravação final. A primeira versão demo de "Life On Mars?" foi feita entre mai-jun/71, só vocais e piano. Aliás, nesta época, ele já tinha gravado demos para outras futuras canções de "Hunky Dory" (faixas como "Oh! You Pretty Things" e "Andy Warhol") e isto motivou seu então empresário Tony Defries a garantir um novo contrato de gravação o que eventualmente o levaria a assinar com a RCA Records. Rick Wakeman já havia tocado Mellotron no segundo álbum de Bowie, o autointitulado de 1969, ele se encontrou com Bowie no final de jun/71 em Haddon Hall, ouviu as demos de "Changes" e "Life On Mars?" e pirou com toda aquele brilhantismo em estado bruto. Wakeman falou: "Foi a melhor sequência de canções que eu jamais ouvi de uma sentada em toda a minha vida. Não podia esperar para entrar em estúdio e gravá-las". Wakeman usou o mesmo piano Bechstein 1898 usado pelos Beatles em "Hey Jude" e depois pelo Queen em "Bohemian Rhapsody" (é mole?). Ele ainda contou: "Lembro de sair do estúdio e falar para alguns amigos que encontrei naquela noite num pub que eu havia acabado de tocar na melhor canção na qual eu já havia tido privilégio de trabalhar". Em 2016, Woodmansey contou ao NME que "Life On Mars?" foi onde ele percebeu, pela primeira vez, o calibre de Bowie para compor. Bowie gravou o vocal em um único take. O produtor Ken Scott falou: "Ele era único, o único cantor com quem eu já trabalhei em que virtualmente qualquer take era o principal". Embora Bowie já estivesse fixado em se tornar Ziggy Stardust na época da gravação de "Life On Mars?", esta canção não tinha qualquer relação com a personagem, nem com o planeta Marte. Seu título era, na verdade, uma referência à intensa cobertura da mídia sobre a disputa que ocorria entre os EUA e a União Soviética para alcançar o planeta. O interesse da mídia inspirou manchetes em todo o mundo que perguntavam "existe vida em Marte?". A persona Ziggy Stardust e sua banda "The Spiders From Mars" é que foram influenciados pela ficção científica, todo esse interesse sobre vida em Marte e o "pária andrógino" retratado em "The Man Who Sold The World" (de 70). 
Life On Mars? / Vida Em Marte?
It's a God awful small affair / Mas que situação terrível
To the girl with the mousey hair / Para a moça de cabelo sem graça
But her mummy is yelling: No! / Mas sua mamãe está berrando: Não!
And her daddy has told her to go / E seu papai a mandou ir embora

But her friend is nowhere to be seen / Mas o amigo dela desapareceu
Now she walks through her sunken dream / Então, ela caminha por seu sonho afundado
To the seats with the clearest view / Até as cadeiras com a melhor vista
And she's hooked to the silver screen / E ela fica vidrada na tela do cinema

But the film is saddening bore / Mas o filme é tristemente chato
For she's lived it ten times or more / Pois ela já viveu aquilo dez vezes ou mais
She could spit in the eyes of fools / Ela poderia cuspir nos olhos daqueles tolos
As they ask her to focus on / Quando pedissem pra ela prestar atenção

Sailors fighting in the dance hall / Nos marinheiros brigando no salão de dança
Oh, man! / Caramba!
Look at those cavemen go / Olha o que aqueles trogloditas estão fazendo
It's the freakiest show / É o programa mais bizarro de todos

Take a look at the lawman / Olhe aquele homem da lei
Beating up the wrong guy / Espancando o cara errado
Oh, man! / Caramba!
Wonder if he'll ever know / Será que algum dia ele vai saber
He's in the best-selling show / Que está no programa de maior sucesso
Is there life on Mars? / Existe vida em Marte?

It's on America's tortured brow / Está no semblante atormentado dos Estados Unidos
That Mickey Mouse has grown up a cow / Que Mickey Mouse cresceu e se vendeu
Now the workers have struck for fame / Agora os trabalhadores entraram em greve por fama
'Cause Lennon's on sale again / Porque Lennon está em promoção outra vez

See the mice in their million hordes / Veja os milhões de hordas de ratos
From Ibeza to the Norfolk Broads / De Ibiza até Norfolk Broads
Rule Britannia is out of bounds / Rule Britannia está fora de alcance
To my mother, my dog, and clowns / Para minha mãe, para o meu cachorro, para os palhaços

But the film is a saddening bore / Mas o filme é entediante
'Cause I wrote it ten times or more / Pois eu já o escrevi dez vezes ou mais
It's about to be written again / E está prestes a ser escrito novamente
As I ask you to focus on / Enquanto eu peço pra que você preste atenção

Sailors fighting in the dance hall / Nos marinheiros brigando no salão de dança
Oh, man! / Caramba!
Look at those cavemen go / Olha o que aqueles trogloditas estão fazendo
It's the freakiest show / É o programa mais bizarro de todos

Take a look at the lawman / Olhe aquele homem da lei
Beating up the wrong guy / Espancando o cara errado
Oh, man! / Caramba!
Wonder if he'll ever know / Será que algum dia ele vai saber
He's in the best selling show / Que está no programa de maior sucesso
Is there life on Mars? / Existe vida em Marte?



Que fim levou? Carlos Alomar

 


Carlos Alomar nasceu em mai/1951 em Porto Rico. Como guitarrista, ele ficou muito conhecido por seu trabalho com David Bowie, tendo trabalhado mais com o Bowie do que com qualquer outro artista. Alomar cresceu em NYC, aos dez anos aprendeu a tocar guitarra sozinho e aos dezesseis passou a tocar profissionalmente. No final dos anos 60, ele se apresentou na famosa "Amateur Hour" do Apollo Theater, eventualmente depois ingressando na banda da casa e tocando junto com Chuck Berry e muitos outros artistas da Soul Music. Também nessa época (entre 68-69), excursionou por oito meses participando da banda ao vivo de James Brown (desistindo após receber redução salarial por ter perdido uma "deixa" musical). Em 1969, formou um grupo chamado "Listen My Brother" junto com os vocalistas Luther Vandross, Fonzi Thornton (que, mais tarde, trabalharia com Chic e Roxy Music) e Robin Clark. Naquele ano, a banda tocou diversas vezes no programa Vila Sésamo (incluindo no piloto do programa). Eles também tocaram no último dia do Harlem Cultural Festival, que ficou conhecido como "Black Woodstock" (em ago/69). Alomar e Robin Clark acabaram se casando e tiveram uma filha chamada Lea.
Alomar e Clark
Alomar, na sequência, atuou como músico de sessões de gravações para o RCA Recording Studios e tocou para muita gente (Ben E. King, Joe Simon, Roy Ayers etc.). Ele também excursionou com a banda "The Main Ingredient" (trio de Soul e R&B que teve um monte de sucessos nos anos 70, incluindo "Everybody Plays The Fool", em 1972). Foi neste contexto que Alomar conheceu David Bowie no início de 1974 durante sessões para a gravação de Lulu da canção "Can You Hear Me?", de Bowie.
Bowie quis que Alomar se juntasse à sua banda para a "Diamond Dogs Tour", mas as negociações com o empresário de Bowie estagnaram e Alomar permaneceu com o "The Main Ingredient". Durante uma pausa de seis semanas na turnê, em meados de 1974, Bowie gravou uma série de canções para um novo álbum no Sigma Sound Studios com Alomar, que trouxe Luther Vandross, Robin Clark, o baterista Dennis Davis e o baixista Emir Kassan para contribuir com as gravações. A maior parte do material do álbum "Young Americans" foi gravada durante essas sessões e Alomar se juntou a Bowie para a segunda etapa da "Diamond Dogs Tour" (apelidada de "The Philly Dogs Tour") em set-dez/74.
Em jan/75, Bowie e John Lennon gravaram "Across the Universe" no Electric Lady Studios e dessa sessão resultou a canção improvisada "Fame", que evoluiu a partir do riff de guitarra que Alomar criara para a canção "Foot Stompin'" durante os shows da "Philly Dogs Tour". Com os créditos de composição divididos entre Bowie, Alomar e Lennon, "Fame" deu a Bowie seu primeiro single nº. 1 nos EUA e o álbum "Young Americans" (de mar/75) marcou a primeira aparição de Carlos Alomar num álbum de David Bowie. Isso deu início a um longo período de colaboração no qual Alomar liderou a seção rítmica de Bowie (Alomar/Dennis Davis/George Murray) que sustentaria as gravações de Bowie pela meia década seguinte, atrás de uma variedade de guitarristas principais, incluindo Earl Slick, Stacey Heydon, Ricky Gardiner , Robert Fripp e Adrian Belew.
Alomar tocou no álbum seguinte de Bowie, "Station to Station" (de jan/76), desenhando os riffs que abriram as canções "Golden Years" e "Stay", e viajou com Bowie na "Station To Station Tour", de 76. Esta foi a primeira turnê de Alomar com Bowie como diretor musical. Nessa época, Alomar, Bowie e Iggy Pop escreveram a canção "Sister Midnight" (originalmente tocada por Bowie durante esta turnê de 76, ela seria posteriormente gravada por Bowie e Iggy como a faixa de abertura do álbum de Iggy, "The Idiot", de mar/77), antes de ser reescrita por Bowie como "Red Money" para seu álbum "Lodger" de /79).
Alomar tocou na inovadora "Berlin Trilogy" de álbuns de Bowie (composta por "Low", de jan/77; "Heroes", de out/77; e "Lodger", de mai/79). Ele também co-escreveu as faixas "Heroes", "The Secret Life of Arabia" e "DJ". No single "Boys Keep Swinging", Alomar trocou de instrumentos com Dennis Davis e tocou bateria. Alomar tocou guitarra nos dois álbuns de Iggy Pop produzidos por Bowie em 1977, "The Idiot" e "Lust For Life", e em 1978, se juntou a Bowie para a turnê mundial que resultou no álbum ao vivo "Stage". Nessa turnê, Alomar foi novamente o diretor musical, trocando sua guitarra por uma batuta para reger a banda durante as peças instrumentais de "Low" e "Heroes". "Scary Monsters" (de set/80) marcou a última vez que Alomar tocaria ao lado de George Murray e Dennis Davis num álbum de Bowie. Uma turnê planejada do álbum foi abortada e Alomar se juntou à banda de Iggy Pop para uma série de shows em out-dez/81 (o show de San Francisco em 25/nov foi lançado em VHS e DVD). Alomar não tocou no álbum "Let's Dance" (de abr/83), pois o papel de guitarrista rítmico foi assumido pelo co-produtor desse álbum, Nile Rodgers, mas ele voltou a se juntar a Bowie como guitarrista rítmico e diretor musical da gigantesca turnê mundial "Serious Moonlight", em 83. Em 84, Alomar tocou no álbum "Tonight" de Bowie (ele também co-escreveu a faixa de encerramento do álbum, "Dancing With the Big Boys", com Bowie e Iggy Pop). Em 87, Alomar tocou no álbum "Never Let Me Down" de Bowie (a faixa-título foi creditada a Bowie/Alomar e era originalmente uma composição de Alomar intitulada "I'm Tired", antes de ser reescrita por Bowie). Alomar foi o diretor musical/guitarrista da famosa e altamente teatral "Glass Spider Tour", de Bowie em 87 (começando cada show com um solo de guitarra frenético), mas Bowie encerrou sua longa associação criativa com Alomar após as críticas a "Never Let Me Down" e a "Glass Spider Tour". Os dois não gravariam juntos novamente até jan-fev/95, durante as sessões em NYC para o álbum "Outside" (de set/95) de Bowie. Nesse ínterim, Alomar gravou e lançou seu primeiro álbum solo, "Dream Generator", em 88. Alomar participou da banda de Bowie na primeira etapa da "Outside Tour" (set/95 - fev/96). A turnê não foi uma experiência agradável para Alomar, que achou Bowie inacessível, além de não ter se dado bem com o diretor musical Peter Schwartz. Ele não voltou a se juntar a Bowie quando a turnê foi retomada em jun/96. No entanto, Alomar mais tarde tocou guitarra em faixas de Bowie ("Everyone Says 'Hi'", do álbum "Heathen", de 2002; e "Fly", faixa bônus do álbum "Reality", de 2003).
Alomar se apresentou com várias outras bandas e músicos famosos, incluindo o Arcadia (spin-off do Duran Duran), Paul McCartney, Simple Minds, Graham Parker, Mick Jagger, Iggy Pop, The Pretenders (no álbum "Get Close", de 86) e até com a banda argentina Soda Stereo. Ao todo, Alomar tocou em um total de 32 álbuns de Ouro e Platina. Atualmente, é diretor da Boombacker Records. Ele foi líder da banda no programa de bate-papo de TV, The Caroline Rhea Show (entre 2002–2003) e também é o presidente da seção de NY da The Recording Academy, organização responsável pelo Grammy Awards. Em 2005, Alomar se juntou ao corpo docente do Stevens Institute of Technology (em Hoboken/NJ) como professor adjunto de Música e Tecnologia, produzindo diversas faixas para o lançamento inaugural do selo Castle Point Records da escola, "Delusions of Grandeur" (2006). Em 2010, Carlos Alomar foi nomeado seu primeiro "Artista Distinto em Residência" e, em 2011, foi premiado com o título honorário de Bacharel em Artes. Alomar colaborou com os Scissor Sisters (em seu segundo álbum "Ta-Dah" e uma faixa dessas sessões de gravação, "Transistor", que apareceu no segundo disco da edição deluxe do álbum, contou com sua esposa Robin e sua filha Lea nos backing vocals). Em out/2008, se apresentou com Richard Barone no Carnegie Hall, como convidado especial no concerto teatral de Barone, "FRONTMAN: A Musical Reading". Em 2010, Alomar atuou como guitarrista no álbum de Alicia Keys, "The Element of Freedom". Alomar mora em North Bergen/NJ e está hoje com 74 anos.



1973, o ano de renascimento da cultura musical brasileira

 


O terceiro ano da conturbada década de 70 no Brasil foi o que podemos chamar de início da era de ouro da cultura brasileira, principalmente da música. A despeito do recrudescimento da censura e o endurecimento do regime militar, 1973 marcou grandes produções cênicas e o lançamento de álbuns e artistas emblemáticos. O boom musical vai ser o foco dessa resenha, com um aspecto interessante: foi quando a semente do rock brasileiro germinou de vez e passaria a dar frutos até a explosão do chamado Rock Brasil, no início da década seguinte. Detalhes desse raciocínio são dissecados nas linhas abaixo.

 Em 1973 o Brasil vivia o chamado “milagre econômico”. O PIB brasileiro dava um salto, os índices de crescimento alcançavam dois dígitos, a industrialização avançava em ritmo forte e a inflação ainda não havia disparado. O legado sócio econômico desse período, no entanto, é controverso. Ele foi marcado por corrupção desmedida e abafada pela censura, aumento da desigualdade social e disparada da dívida externa. Mas na música, os frutos foram brilhantes. O mercado fonográfico estava em crescimento, e o disco era um produto rentável, o que permitia que houvesse bastante investimento, que se refletiu em um grande número de artistas contratados e na possibilidade de mais ousadia nas gravações. Até mesmo o lançamento de álbuns de artistas estrangeiros cresceu, mas isso é assunto para outra missiva.

 Artistas que haviam enfiado o pé na porta, lançando as bases da virtuosa MPB, estavam exilados ou vigiados pela censura, como Chico, Caetano, Gil, Elis, entre outros. Os festivais de música que agitaram o ambiente nos anos passados foram brecados por pressão do regime. O último havia sido no ano anterior. E havia ave agourenta que apostava no enfraquecimento dos artistas para ousar sem aqueles eventos efervescentes. Mas as correntes por eles criadas nos anos anteriores, como a Bossa Nova e o Tropicalismo oxigenaram o setor cultural.

1973 trouxe lançamentos de importantes e consagrados artistas, como Chico, Gil, Caetano, Gal, Bethânia e Elis mas também marcou o surgimento ou consolidação de nomes que fortaleceriam e agitariam a chamada música popular brasileira, como Milton Nascimento, Tim  Maia, Alceu Valença, Luiz Melodia, Gonzaguinha, João Bosco e Fagner e , em especial, aqueles que turbinariam as futuras gerações do rock: Novos Baianos, Secos e Molhados e Raul Seixas.

 Raulzito já havia gravado o LP de covers Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock, mas o disco havia sido creditado a uma banda fictícia, Rock Generation. Em 1973 ele deixava a labuta como produtor musical para mergulhar na carreira artística de fato. O lançamento de seu primeiro disco, Krig-Ha, Bandolo, trouxe clássicos eternos que inspiraram as futuras gerações do rock: Metamorfose Ambulante, Mosca na Sopa, Al Capone e Ouro de Tolo. Mesmo com tamanha transgressão, o grupo Secos e Molhados atraia atenção do público de uma forma heterogênea, desde crianças a jovens universitários e a adultos e velhos admiradores da bossa e do samba, tamanha era sua inovação. O álbum de estreia vendeu 800 mil cópias, o que era um absurdo para o Brasil da época e superava até artistas de grande vendagem do quilate Roberto Carlos. Suas músicas tocavam em todas as rádios, todos os dias, o dia inteiro. Seus shows eram tão concorridos que seus produtores resolveram ousar de vez, encerrando a temporada no Maracanãzinho, que sediou o primeiro evento de um único artista e teve lotação esgotada, no início do ano seguinte. Show que inclusive foi gravado e apresentado pela Rede Globo de Televisão, o que aumentou ainda mais a visibilidade daquela estética musical que se alinhava ao glam rock, então em alta no hemisfério norte.

Gastaríamos laudas e mais laudas para falar dos grandes discos lançados naquele ano no Brasil, inclusive do samba e de nomes eternizados como Tom Jobim (Matita Perê). Mas o que pretendemos com essa reflexão é linkar o ano tão profícuo para os estilos genuinamente nacionais com o fortalecimento do rock no país, cujos frutos seriam colhidos com abundância crescente a partir dali até desabrochar de vez na década de 1980.

As gerações anteriores dedicadas ao rock no Brasil (anos 60) foram pioneiras e enfrentaram dificuldades econômicas, de espaço e muito, muito preconceito da sociedade careta do Brasil daqueles tempos de chumbo. Mesmo com repertório basicamente de covers estrangeiros e tendo apenas bailes em clubes e escolas como espaço, plantaram a semente, que ganhou fertilizante especial a partir de 1973. Exceto por Mutantes e O Terço, muita gente promissora ficou pelo caminho, como O Peso, A Bolha, The Brazilian Bitles, Módulo 1000, Azimuth, Moto Perpétuo, Casa das Máquinas, O Som Nosso de cada Dia. Alguns deles ganharam sobrevida com relançamentos posteriores a partir dali e seus músicos tiveram o merecido reconhecimento. Toda a geração pós 80 deve agradecer a Raul Seixas e aos combos de Secos e Molhados e Novos Baianos e, claro, acender velas para o mágico ano de 1973. O ano em que a semente do rock vingou no Brasil.

OS. Essas reflexões têm como base os documentários Phono 73, e 1973, o ano que não acabou (ambos Canal Brasil) e os livros: História da Música Brasileira Sem Preconceitos (Rodrigo Faour), 1973 — O ano que reinventou a MPB (Célio Albuquerque) e os 50 Melhores Shows da Música Brasileira (Luiz Felipe Carneiro e Tito Guerdes – ed. Belas Letras).



Iggy Pop tocando o terror na TV australiana em 1979

Iggy Pop está atualmente com 77 anos. Recentemente, encontrei uma entrevista dele (no YouTube, onde mais?) num programa de TV australiano em 1979 que retrata muito bem o real "estilo Iggy" de ser. O vídeo começa com uma entrevista com um Iggy de olhos vidrados e conduzida pelo apresentador do programa "Countdown", Molly Meldrum. Apesar dos pedidos repetidos para que ele se concentrasse nas perguntas que ele estava fazendo, Iggy pulou para cima e para baixo da cadeira, zombou do público e passou a agir como uma versão "cinco anos de idade de si mesmo". Kkkkkkk. Claramente, ele estava super chapado. De repente e de surpresa, Iggy simplesmente saiu da entrevista e sumiu sem ser visto em nenhum lugar após o intervalo comercial, o que levou o apresentador Meldrum a aconselhar o público a não se preocupar com Iggy, porque ele "estaria bem". É mole? A dublagem/playback que ele faz para "I'm Bored" (do seu então novo álbum "New Values", de jul/79) também é, no mínimo, digamos, excêntrica. Kkkkkkk. Taí o verdadeiro espírito Rock'n'Roll tão em falta nos dias de hoje. Longa vida a Iggy Pop!
P.S.: "New Values" é o terceiro de Iggy e é um discaço. Foi seu primeiro para o selo Arista e primeiro em colaboração com James Williamson (desde "Kill City") e Scott Thurston (que tocou em "Metallic K.O." e "Kill City"). 



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