sábado, 28 de março de 2026

A trágica história do Stone The Crows, a grande banda perdida da Escócia

Com talento musical de sobra e o empresário do Led Zeppelin por trás deles, o Stone The Crows deveria ter sido uma história de sucesso. Em vez disso, uma morte trágica e um potencial não realizado. É quase uma história ruim de Pub-Rock – uma banda tão boa que alguém disse: "Stone the Crows!" quando os viu pela primeira vez, fornecendo assim seu novo nome. Mas como entrou para história que foi o empresário do Led Zeppelin, Peter Grant, quem deu o nome, claro isto é muito mais digno. O que contei aconteceu no icônico bar "Burns Howff", em Glasgow, em 1969. Até aquele show, a banda se chamava "Power" - um nome até adequado para um grupo que apresentava os talentos extraordinários da cantora Maggie Bell e do guitarrista Leslie Harvey. Além disso, um personagem forte como Grant era a combinação perfeita para o jovem casal, que traçou um plano de vida baseado na busca de seus sonhos musicais. Maggie Bell lembra:
"As tardes de sábado no Howff eram as melhores. Mas eles fechavam às quatorze horas de acordo com as regras locais. Então, eles eram pontuais. Naquela tarde em particular, porém, a coisa mais interessante aconteceu depois que o relógio bateu duas horas. Peter apareceu nesta grande limusine preta – acho que era do Lord Provost (um cargo similar ao do prefeito), porque não havia muitas delas em Glasgow. Ele viera ver Leslie e não sabia que eu cantava, porque você não conseguia me ouvir no Howff. A conversa com o proprietário John Waterson foi rápida. John trancou a porta – 'Essa banda não vai a lugar nenhum! Tenho algumas exigências...' Peter ignorou-as: 'Você é o cara que limpa vidros, não é?' e o empurrou para fora do seu caminho. Foi tudo e eu nunca mais voltei àquele pub".
Leslie Harvey e Maggie Bell
O "Power" foi formado com o tecladista John McGinnis e o baixista Jimmy Dewar (no futuro, baixista/vocalista da banda de Robin Trower), depois que o casal de noivos Harvey e Bell passou um tempo visitando bases militares dos EUA na Alemanha – um rito de passagem dos anos 60 pelo qual muitos músicos passaram. O plano deles era ir para Londres e de lá chegar aos EUA, e eles estavam economizando dinheiro para financiar sua ambição, comprando equipamentos, incluindo um gravador reel-to-reel, para ajudá-los nisto. Devido a uma emergência de última hora na banda "Cartoone", Harvey foi contratado por eles para fazer uma turnê pelos EUA. A experiência o mudou tanto que, em seu retorno, Bell mal o reconheceu em suas roupas hippies, cabelos desgrenhados e óculos redondos tipo John Lennon. Delineando um plano de vida atualizado para ela, eles formaram o "Power" e Harvey pediu aos empresários do "Cartoone" – Peter Grant e Mark London – para conhecê-los. Em poucas semanas, eles se mudaram para Londres, morando com o irmão mais velho de Harvey, Alex, que foi quem encontrou o baterista Colin Allen para eles. Quando a banda, agora chamada "Stone The Crows", entrou no Advision Studios para gravar seu primeiro álbum, a indústria musical havia adotado gosto por bandas que escreviam suas próprias canções - algo que ninguém da banda jamais havia feito. Eles usaram sua amizade com Lulu (cantora, atriz e personalidade da TV, também de Glasgow), para obter conselhos com seu marido, Maurice Gibb (dos Bee Gees - sim, eles foram casados entre 1969-73). De fato, Maurice falou: "Leslie, você tem um violão. Escreva a música primeiro e depois coloque a letra", e foi exatamente o que a dupla fez. Allen se tornou o principal letrista da banda, confiante de que conseguiria fazê-lo, porque sempre teve um bom desempenho em redação na escola.
Seu álbum de estreia autointitulado conseguiu sucesso rápido em 1970 mas era parcialmente formado por covers e o lado B era composto por uma ambiciosa peça de 17 minutos com várias partes chamada "I Saw America". "Escrevi isso por causa de minhas experiências na América em turnê com John Mayall", contou Allen, que era mais velho e experiente que os outros. "A garotinha da cidade de Detroit era uma garota chamada Nancy, que conheci em Miami. Fui a um encontro amoroso com Mick Taylor. Essas foram coisas reais que experimentei e coloquei no papel". Com Peter Grant por trás deles, um ano após a assinatura do contrato, o Stone The Crows viajou pelos EUA. Bell se lembra de ter lutado para se conectar com o público que ficou perplexo com uma mulher branca que possuía o poder vocal que ela transmitia. "Na primeira noite, no Alabama, nem uma pessoa aplaudiu na plateia. Eu disse ao nosso roadie: 'Vá comprar algumas tábuas e faça para mim uma tela para colocar na frente do microfone'. Então, quando as luzes se acenderam, eu estava atrás da tela cantando uma música. Depois da primeira música, quando começaram os aplausos, saí de trás da tela e disse: 'Ok, podemos continuar?'". De volta a Londres, Harvey e Bell foram morar num apartamento e continuaram a trabalhar em seu plano.
O segundo álbum do Stone The Crows, "Ode To John Law", também lançado em 1970, foi outra tentativa louvável, mas falha, de capturar toda aquela magia ao vivo no estúdio. "As melhores gravações que já fizemos foram ao vivo para a BBC", confirmou Allen. "Esqueça toda essa merda de estúdio. Mark [London. o produtor] nos deu liberdade, porque acreditava muito em Leslie. Mas as pessoas estavam sempre tentando fazer as coisas parecerem mais comerciais do que realmente eram". Mas Maggie Bell sempre disse que o trabalho de estúdio deles foi "muito bom, considerando o quão novos éramos naquilo". Enquanto isso, a vida na estrada começou a prejudicar os relacionamentos da banda. Harvey e Bell continuaram mantendo uma parceria forte, mas Allen contou que a bebida de McGinnis começou a irritar, culminando quando ele, bêbado, contou piadas nazistas a um grupo de promotores alemães num restaurante. Ele e Dewar logo saíram da banda, substituídos por Ronnie Leahy e Steve Thompson respectivamente. "Gostei mais da primeira encarnação com Jimmy e John do que da segunda encarnação", disse Allen. "Gostei mais da música que a primeira banda tocava. Tornou-se um pouco mais comum depois. Mas os Crows ainda eram uma das melhores bandas em que toquei. Era uma banda baseada no Blues, mas também era um pouco Prog. Fomos um pouco além dos malditos compassos habituais". Pode-se argumentar que a nova formação só precisava de mais tempo para se adaptar, já que os novos membros não tinham experiência com a ascensão da banda. Mesmo assim, as apresentações ao vivo dos Crows continuaram a ser aclamadas por sua atitude/energia, com Harvey dando as ordens e Bell dando o foco.
Seu terceiro álbum, "Teenage Licks", de 1971 , demonstrou um melhor controle de poder e groove, mas também marcou seu interesse contínuo em sair dos trilhos. Com três de suas nove faixas creditadas a Stone The Crows, em vez de compositores externos, parecia que a banda havia resistido à tempestade da mudança de formação, com a promessa de um trabalho maior por vir.  Mas o destino interveio, de forma trágica, quando Harvey foi eletrocutado e morreu no palco do Top Rank em Swansea, em 3/mai/72. Ele era o único posicionado no palco. "Foi um acaso", contou Bell. "Estávamos parados ao lado do palco, ainda nem tínhamos começado. Leslie disse ao público: 'Há um problema técnico' e tocou no microfone e na guitarra. E foi isso""Ouvimos um zumbido profundo", acrescentou Allen. "Leslie estava com o microfone em uma mão e a guitarra na outra, eles meio que andaram juntos e então apareceu um formato de arco. Levantei-me muito rapidamente e chutei a guitarra da mão dele enquanto ele estava caído no chão. Quero dizer, fale sobre uma tragédia. Leslie usava uma placa dentária e um dos socorristas a deu a Maggie. Ela disse: 'Você pode ir e se livrar disso?' Saí pelos fundos do local e joguei-a em uma lixeira. Você não sabe mais o que fazer. Joguei fora o que sobrou de Leslie Harvey". Maggie Bell ficou em choque vários anos depois. "Mas pensei comigo mesmo: 'Será que vou desistir de tudo isso e voltar para a Escócia e ter dois filhos?' Quero dizer, este foi um sonho que havíamos planejado. Peter disse que não haveria problemas legais se eu não quisesse continuar. Eu disse não, havia um plano. Eu iria me certificar de que terminaria a jornada. Tenho setenta e seis anos e ainda estou fazendo isso. Quer dizer, o corpo está desmoronando, mas a voz ainda é fabulosa!". O desafio de substituir seu líder foi enorme. Mas quando Stone The Crows recomeçou a trabalhar em seu primeiro show sem Harvey, o ícone do Fleetwood Mac, Peter Green, apareceu em cena. "Eu o peguei na estação", lembra Bell. "Ele ficou no porão de Ronnie por quatro ou cinco semanas. Era uma espécie de centro de reabilitação. Ronnie e sua esposa o alimentaram e ficaram com ele. Todos nós cuidamos dele e os ensaios correram muito bem. E então, na noite anterior ao show, ele liga e diz: 'Não consigo fazer isso. Vocês irão ficar muito famosos. Não quero ser famoso. O que diabos vamos fazer agora?". Harvey e Bell eram amigos do guitarrista do Yes, Steve Howe, e ele concordou em ajudar. "Steve ficou acordado a noite toda, aprendendo as músicas e nos salvou", diz Bell. "Não consigo nem me lembrar de ter subido no palco. Foi simplesmente uma explosão. O público apoiou muito e Steve nos deixou orgulhosos". Com a possibilidade de as coisas voltarem aos trilhos, a banda escolheu o guitarrista Jimmy McCulloch como seu novo membro. "Fizemos ótimos shows com Jimmy", diz Allen. "Ele tinha um grande talento, mas não era o tipo de líder que Leslie era. Havia uma grande diferença no tipo de música que eles gostavam – eu gostava do que Leslie gostava – mas ambos eram ótimos no que faziam"
As gravações finais de Harvey foram lançadas no quarto álbum do Stone The Crows, "Ontinuous Performance", lançado quatro meses após sua morte, e incluíu duas faixas com a guitarra de McCulloch. O disco fechava com "Sunset Cowboy", uma homenagem pessoal a Harvey. "Estávamos ensaiando em Devon e o estúdio também era um estábulo", diz Allen. "Então pensamos em sair e andar a cavalo. E já era meio tarde. Então 'Sunset Cowboy' foi um reflexo de como eu via as coisas naquela época, sabe? E foi dedicado a ele". Apesar de "Ontinuous Performance" ter entrado no Top 40, e de Bell ter sido eleita a melhor vocalista feminina da Grã-Bretanha em uma enquete do Melody Maker, o álbum e sua turnê associada deixaram Bell com a sensação de que "nunca iria dar certo", citando "atitudes" que ela não sente necessidade de revisitar. Allen contou que a política da indústria estava em jogo e que um desentendimento com o tecladista Ronnie Leahy foi usado como uma alavanca para dividir a banda. "Acho que durante muitos dos meses anteriores ao rompimento, Peter [Grant] e Mark [London] estavam se reunindo e conversando sobre como conseguir um acordo para Maggie - e foi o que aconteceu", disse Allen. "Acho que Ronnie ficou um pouco chateado com Mark ou com alguém, e a próxima coisa que percebi foi que a banda havia terminado. Foi uma verdadeira surpresa".
O que poderia ter acontecido é ilustrado nas carreiras de vários membros. McCulloch juntou-se aos Wings (de Paul McCartne); Dewar entrou na banda de Robin Trower; Leahy tocou com o Nazareth, Steve Howe e Jon Anderson; Allen adicionou o Focus ao seu currículo, que já incluía John Mayall, Mick Taylor, Bob Dylan e muitos outros. O baterista acredita que o Stone The Crows "não estava necessariamente" condenado. "Fizemos muitos shows que foram realmente bem sucedidos", contou. "Acho que a administração estava apenas esperando uma chance de nos despedir e assinar um grande contrato com a Atlantic para Maggie – que foi basicamente o que eles fizeram. Dinheiro, cara. Fode tudo. Infelizmente, isso não fez muito por Maggie. Ela teria ficado melhor se tivesse ficado na banda". Bell e Allen se reuniram no British Blues Quintet, de 2006 a 2013. "É incrível o número de álbuns do Stone The Crows que Maggie e eu tivemos que assinar quando estávamos na estrada com o Quinteto", falou Allen. "É ótimo que esses álbuns estejam disponíveis e ainda sejam ouvidos". Apesar da tragédia da morte de Harvey, Bell – que lançou dois álbuns solo após a separação – lembra com carinho da viagem de quatro anos da banda. "Fizemos o melhor que pudemos", ela ri quando solicitada a resumir tudo. "Fui amiga de Peter até o dia em que ele morreu. Ele era realmente um homem maravilhoso e sei que fez tudo o que pôde pela família de Harvey, quando Leslie morreu. Peter me ensinou a ser forte. A única maneira de você se ferrar é deixar alguém te enfraquecer. Então não faça isso!".





Grandes álbuns do Prog-Rock: Il Paese Del Balocchi - "Il Paese Dei Balocchi" (1972)

Esta história começa em Roma, em 1965. Um jovem grupo musical de autodenomina "Under 2000" e passa a tocar nas casas noturnas da capital, todas as noites, encarando aquilo como um trabalho, mas também como ótima diversão. Foi nesses clubes de dança que eles começaram a criar/compor sua própria música e a partir daí frequentar estúdios de gravação locais. O tempo passou e, em 1970, Remo Baldasseroni (teclados), Fabio Fabiani (guitarras), Aldo Parente (baixo) e Sandro Laudadio (bateria e vocais) foram notados pela qualidade de suas vozes (muito agudas e com falsetes brilhantes) e pela forma de tocar por um produtor austríaco, Eddy Korsche, que lhes propôs que emprestassem suas vozes para backing vocals num single 45 RPM cantado por Massimiliano Baratta, "Pover'uomo" / "Qualcosa che si butta via", lançado pela Help!, um selo italiano de música Pop distribuido pela gigante RCA.
Naquele mesmo ano, Korsche produziu os primeiros singles 45 RPM do "Under 2000", via Help!. O primeiro foi "Preghiera D'Amore" / "Taglia La Corda", lançado em jun/70, cantado inteiramente pelo baterista Sandro Laudadio com apoio dos demais. Houve também uma versão em inglês, "Oh My Love" / "Let's Get Together", também cantada por Sandro. Em nov/70, surgiu o terceiro single, "Se Tu Fossi Un'Amica" / "Avvicinami A Te", cantado agora pelo guitarrista Fabio Fabiani com apoio dos demais. Neste single, eles contaram com a participação de Maurizio de Angelis (violão - ele e seu irmão Guido eram grandes compositores de trilhas sonoras na época). O estilo musical aqui era Beat Music liderada pela guitarra/órgão, inspirada pelo Rock psicodélico (algo não muito distante do que fez os New Trolls no início). Então, o baixista Aldo Parente resolveu sair (ele tentaria uma carreira solo no projeto "Folkaldo" e depois como "Franco Maria Giannini", sem sucesso, mas com um álbum lançado em 1974, " Affresco", cultuado por colecionadores). O tecladista ítalo-tunisiano Remo Baldasseroni também saiu e os dois remanescentes formaram o "Il Paese Dei Balocchi" (ao adicionar Armando Paone nos teclados/vocais e Marcello Martorelli no baixo) com foco no Rock Progressivo
Em 1971, o grupo foi notado pelo produtor Adriano Fabi (irmão de Claudio Fabi, produtor da PFM), que lhes produziria o primeiro e único álbum, "Il Paese Dei Balocchi", lançado pela CGD (Compagnia Generale Del Disco), de Milão (então adquirida pela Sugar Music e com um acordo com a CBS para distribuição). Este LP foi a primeira produção de Adriano Fabi e contou com a colaboração do maestro Claudio Gizzi nos arranjos de cordas. Foram duas semanas de gravações. Com apoio e promoção, a banda conseguiu inclusive participar do histórico mega concerto em 1972 na Villa Pamphili (o Festival Pop di Villa Pamphili, ocorrido entre 25-27/mai/72, com 100 mil pessoas), em Roma, que durou três dias e onde tocaram dezenas de grupos de Rock de todo o mundo (os italianos Banco del Mutuo SoccorsoThe TripToadOsannaGarybaldiQuesta Vecchia LocandaFholksIl PuntoBlue Morning, Aum Kaivalya, Richard Benson, Raccomandata Ricevit di Ritorno, Strana Famiglia, Cammello Buck, Osage TriboProcession e Semiramis, e também as bandas internacionais Van Der Graaf GeneratorHawkwind e Hookfoot). Também participaram de outros mega concertos como no Mostra d'Oltremare, em  Napoli, e no Piper Club, espaço histórico da capital Roma naqueles agitados anos. Também foram convidados para vários programas de TV em dez/72 e jan/73 (inclusive na Suíça). 
Deste primeiro LP, foram impressos apenas 1.800 exemplares (um teste de mercado). A temática do disco era bem pessimista, porque era uma época difícil e o grupo não acreditava nas "instituições oficiais". Todos estavam enjoados e sentindo-se oprimidos por tudo aquilo que os rodeava (Vietnã, política, respeitabilidade hipócrita etc.) e muitas perguntas sem respostas convincentes. Esta foi a inspiração "espiritual" para a criação do álbum, uma espécie de busca por respostas. Por isso, em termos gerais, o LP funcionava como uma jornada do homem para dentro de si, por isso o nome "Il Paese Dei Balocchi" (tradução: a terra dos brinquedos), onde todos gostariam de viver, fugindo de uma realidade que não satisfazia e onde o poder era controlado por controladores de fantoches. Uma busca da própria identidade humana, passando pelo bem/mal, uma reflexão sobre quem somos, por que estamos aqui e para onde vamos, uma busca em vão, porque no final se descobria que a realidade crua vivida nada mais era do que um espelho/reflexo da própria alma interior. Tudo isso era ilustrado através de personagens (o rei déspota, o flautista etc.) que refletiam estados de espírito contrastantes, pontos fortes e fracos, o bem e o mal, atmosferas e ambientes nesta "jornada". Era a época da Guerra do Vietnã, das aglomerações/movimentos gigantescos de jovens, dos primeiros mega concertos (Woodstock, Villa Pamphili, Ilha de Wight etc.), a contracultura, as busca por mudanças políticas e sociais. Também foi a primeira experiência do maestro Gizzi com um grupo de Rock, mas seus arranjos de cordas sobre os temas criados pela banda capturaram perfeitamente o espírito. A banda preparou arranjos vocais especiais e houve gravações com coro em igreja (na Basilica del Sacro Cuore Immacolato di Maria que possuía em sua parte inferior um estúdio de gravações, o Forum Studios, fundado em Roma em 1970 por Luis Bacalov, Ennio Morricone, Piero Piccioni e Armando Trovajoli, contando com o compositor/maestro Bruno Nicolai, os engenheiros de som Sergio Marcotulli e Pino Mastroianni) buscando capturar sonoridades, reverberações e atmosferas. A banda ainda aproveitou o magnífico órgão de tubos da igreja, um Mescioni do século 19, no qual o novo tecladista Armando Paone tocou temas que remetiam à uma viagem transcendental da condição humana e dos estados de espírito presentes no álbum. Em algumas canções, como "Evasione", eles se entregaram à improvisação buscando notas/atmosferas "irrepetíveis". O maestro Gizzi acrescentou violinos (ele teve que adaptar as passagens orquestrais de cordas à isto), o que produziu passagens vivas e acertadas para os temas. O resultado foi uma obra fortemente enraizada na melhor tradição romântica do Prog italiano com belíssimas passagens instrumentais e orquestrações eruditas. Puro Progressivo sinfônico, mais teclados incríveis criando atmosferas encantadoras. Lembra uma grande trilha sonora épica, conceitual, capaz de oferecer um mergulho ao ouvinte para ali se perder. Gravação excelente, muitas passagens lentas e silenciosas, interrompidas por explosões sinfônicas, lindos vocais em italiano, tudo de alta qualidade. Uma verdadeira joia perdida para fãs de Prog italiano da década de 70, um pouco psicodélico, talvez gótico, combinando ELPCamel, Moody Blues e erudito (Vivaldi, por exemplo), criando uma espécie de mistério, música onírica, em ótimas composições.
A banda tocou em vários grandes festivais italianos e aparições na TV (como já citado acima) entre 72-73, antes de se separar. Material para um segundo álbum foi escrito e gravado em forma de demo (tudo foi gravado ao vivo em estúdio em fita K7, contendo erros, mas para registrar uma ideia real do resultado final pretendido - reportadamente uma continuação da estreia, porém com mais vocais e mais acessível, isto é, mais receptivo ao grande público), mas tragicamente nunca foi lançado, porque a banda acabou em 74, quando, por questões de sobrevivência, o tecladista Armando Paone decidiu ir tocar no Golfo Pérsico como pianista de bar em hotéis. Os remanescentes ainda continuaram a tocar, mas insatisfeitos com a música porque não encontravam um substituto "válido" para os teclados. Em 75, voltaram a se juntar com Paone, mas não para tocar a música da banda, mas para tocar Pop em casas noturnas no estrangeiro (na Alemanha, Áustria, França, Suíça, Hungria etc.). O baixista Marcello Martorelli não os acompanhou, porque estava prestes a se casar. Foi uma pena, mas eles desejavam viver de música e aquilo foi o que se apresentou. Depois de vários anos de vida musical nômade por toda a Europa e tocando sob o novo nome "Wish", em 79, finalmente eles se separaram. Fabio Fabiani e Sandro Laudadio continuaram morando na Suíça, onde ainda moram com suas famílias e mantendo amizade (Sandro mora em Müllheim e Fabio há 60Km em St. Gallen).




Spencer Dryden: baterista da formação clássica do Jefferson Airplane e um dos mais famosos da cena psicodélica de SF

 

Jefferson Airplane numa das primeiras fotos com Dryden (o mais à direita)
O primeiro baterista do Jefferson Airplane foi Jerry Peloquin, ainda nos primórdios, em 1965 (lembrando que a primeira apresentação ao vivo no The Matrix aconteceu em ago/65). A banda foi expandindo suas raízes Folk, puxando inspiração dos Beatles, dos Byrds e do Lovin' Spoonful e gradualmente desenvolveu um som mais elétrico. Poucas semanas após isto, Peloquin saiu por conta de conflitos com seus colegas de banda, em parte por causa de suas reclamações pelo uso de drogas deles. Embora não fosse um baterista, o cantor/guitarrista Skip Spence (que depois co-fundou o Moby Grape) foi convidado para substituir Peloquin. Spence rapidamente se adaptou e estreou no Matrix em set/65. Em out/65, Jack Casady ingressou no baixo substituindo Bob Harvey. Em dez/65, o Airplane fez seu primeiro show promovido por Bill Graham no Fillmore Auditorium. O primeiro single ("It's No Secret"/ "Runnin' Round The World") surgiu em fev/66. O álbum de estreia foi completado em mar/66 e Skip Spence saiu da banda e foi substituído por Spencer Dryden, que fez seu primeiro show em jul/66. Dryden já havia tocando antes num grupo chamado The Ashes, de L.A./CA (que depois virou The Peanut Butter Conspiracy). "Jefferson Airplane Takes Off" foi lançado em ago/66. A faixa "Lather", que abriu o álbum "Crown Of Creation" (de set/68), uma composição de Grace Slick, falava de seu affair com Spencer Dryden. 
Ele acabaria sendo demitido da banda em fev/70 numa votação unânime entre os demais membros. Ele estava esgotado por 4 anos num verdadeiro "carrossel de ácido" e estava profundamente desiludido com os acontecimentos em Altamont. Ele tirou uma folga antes de ressurgir no ano seguinte no New Riders Of The Purple Sage, banda surgida no movimento psicodélico de SF incluindo vários membros do Grateful Dead. Dryden era nascido em NYC, mas sua família havia se mudado para L.A., enquanto ele estava na infância. Seu pai teve um trabalho de assistente de Charles Chaplin. Seus pais se divorciaram e sua mãe se casou novamente. O pai de Dryden era fã de Jazz e isto o inspirou. Por causa de um amigo, Lloyd Miller, que também gostava de Jazz, Dryden começou a tocar bateria. O pai de Dryden morreu em 1957 quando ele ainda tinha apenas 19 anos. No Jefferson Airplane, junto com o baixista Jack Casady, Dryden criou uma seção rítmica excepcional com jams improvisadas de forma livre e viradas de Dryden complementando o estilo fluído de Casady. No New Riders Of The Purple Sage, ele tocou e gravou do final de 1970 até 1977, época em que ele se tornou o empresário do grupo.
Depois, Dryden tocou numa banda chamada "Dinosaurs" (entre 1982-89, um supergrupo contendo Peter Albin, do Big Brother & The Holding Company, John Cipollina, do Quicksilver Messenger Service, Robert Hunter, do Grateful Dead, Barry Melton, do Country Joe & The Fish, e Merl Saunders, da Saunders-Garcia Band) e também na banda de Barry Melton, antes de se aposentar da bateria em 1995. Dryden não participou da reunião do Airplane em 1989. Em 96, ele tocou junto com a banda na cerimônia no R'n'R Hall of Fame, primeira vez desde 1970. Dryden viveu então numa relativa obscuridade, numa pequena casa numa pequena casa alugada em Penngrove/CA. Ele havia perdido sua casa num incêndio em 2003. Num certo momento, ele precisou colocar uma prótese de quadril e fazer cirurgias cardíacas. Em mai/2004, ocorreu um concerto beneficente para arrecadar grana para suas despesas médicas. Pouco depois, ele foi dianosticado com câncer, mas o evento beneficente também serviu para reacender amizade dele com Jorma Kaukonen. A última aparição pública de Dryden foi em 2004 junto com membros do Airplane numa festa de lançamento do doc "Fly". Ele morreu de metástase de câncer de cólon em jan/2005, aos 66 anos. Casado três vezes, teve três filhos, seis netos. Sua mãe morreu depois dele, em dez/2005, aos 94 anos.

Grandes canções: Bruce Springsteen - Adam Raised A Cain (1978)

 

"Adam Raised a Cain" surgiu no quarto álbum de Bruce Springsteen, "Darkness on the Edge of Town", lançado em jun/78. Ela foi gravada/mixada entre nov/77 e fev/78 no Record Plant Studios, em NYC. Foi uma fase bem difícil para o artista. O álbum foi gravado após uma série de disputas legais entre Springsteen e seu empresário Mike Appel, durante sessões entre jun/77-mar/78. Springsteen tomou inspiração de livros, filmes, do Punk Rock... Deixou a super produção de seu álbum anterior, "Born To Run" (lançado 3 anos antes), em troca de um som mais cru, mais Hard Rock, enfatizando a força da E Street Band como um todo. As letras enfatizaram personagens azaradas que lutavam contra adversidades esmagadoras. Na época, "Darkness on the Edge Of Town" não vendeu o esperado, mas disparou singles como "Prove It All Night", "Badlands" e "The Promised Land". A turnê de promoção do álbum foi sua maior até então. A imprensa elogiou o disco, mas houve divisão quanto as letras. Nas décadas seguintes, "Darkness" passou a ser recorrentemente aclamado como um dos melhores trabalhos de Springsteen e sempre aparecendo em listas de melhores de todos os tempos. De fato, um álbum espetacular. "Adam Raised a Cain", a segunda faixa, sempre me chamou muita atenção. Uma pedrada Hard Rock com uso de imagens bíblicas para explicar a relação entre um pai e seu filho (simbolizados como Adão e seu filho, Caim). Springsteen já se referiu à canção como "emocionalmente autobiográfica". O relacionamento amargo, porém amoroso, entre pai e filho na canção foi semelhante ao do próprio Springsteen e seu pai, Douglas. Ele explicou: "Nosso relacionamento real era provavelmente mais complicado do que eu o apresentei na canção. Ela foi uma maneira de eu falar com meu pai na época, porque ele não falava e não conversávamos muito". No documentário agregado à despirocante caixa Super Deluxe Edition lançada em 2010 (3CDs + 3 DVDs + livro de 80 páginas, repleta de outtakes inéditos, dois shows ao vivo em filme e este doc chamado "The Promise: The Making Of..."), num certo momento, o mixador de som Chuck Plotkin descreve as instruções de Springsteen sobre como o ataque sonoro chocante de "Adam Raised a Cain" deveria soar ao lado de canções mais melancólicas do disco. Na gravação, participaram Bruce Springsteen (vocais, guitarra), Roy Bittan (piano), Clarence Clemons (percussão e vocais de apoio), Danny Federici (órgão), Garry Tallent (baixo), Steven Van Zandt (guitarras e vocais de apoio) e Max Weinberg (bateria). 
Adam Raised A Cain / Adão Criou Um Caim
In the summer that I was baptized / No verão em que fui batizado
My father held me to his side / O meu pai segurou-me a seu lado
As they put me to the water / Enquanto eles me punham na água
He said how on that day I cried / Ele disse-me como eu chorei nesse dia
We were prisoners of love, a love in chains / Nós éramos prisioneiros do amor, um amor acorrentado
He was standin' in the door, I was standin' in the rain / Ele estava parado à porta, eu estava parado à chuva
With the same hot blood burning in our veins / Com o mesmo sangue quente a queimar nas nossas veias
Adam raised a Cain / Adão criou um Caim

All of the old faces / Todas as velhas caras
Ask you why you're back / Perguntam-te porque voltaste
They fit you with position / Eles encaixam-te com uma posição
And the keys to your daddy's Cadillac / E com as chaves do Cadillac do teu papai
In the darkness of your room / Na escuridão do teu quarto
Your mother calls you by your true name / A tua mãe chama-te pelo teu verdadeiro nome
You remember the faces, the places, the names / Tu recordas-te das caras, dos lugares, dos nomes
You know it's never over, it's relentless as the rain / Tu sabes que nunca acabará, é implacável como a chuva
Adam raised a Cain / Adão criou um Caim

In the Bible Cain slew Abel / Na Bíblia, Caim matou Abel
And East of Eden he was cast / E a Leste do Paraíso ele foi lançado
You're born into this life paying / Tu nasces para esta vida a pagar
For the sins of somebody else's past / Pelos pecados do passado de outra pessoa
Daddy worked his whole life, for nothing but the pain / Papai trabalhou toda a sua vida para nada além da dor
Now he walks these empty rooms, looking for something to blame / Agora ele percorre estes quartos vazios, à procura de algo para culpar
You inherit the sins, you inherit the flames / Tu herdas os pecados, tu herdas as chamas
Adam raised a Cain / Adão criou um Caim
Lost but not forgotten, from the dark heart of a dream / Perdido mas não esquecido a partir do escuro coração de um sonho
Adam raised a Cain / Adão criou um Caim

Agora, pare tudo e escute esta versão presente na ultra fuderosa caixa "Live 1975-1985". Cara, até hoje me arrepio com isto aqui. Trata-se de uma ligação direta com a fonte da juventude e é capaz de durante seus 5 minutos nos fazer voltar aos 15 anos de idade. Uma das melhores coisas que conheço em todo o Rock. Sério! 1 bilhão de megatons compactados. Ouça no volume máximo!



Que fim levou? Jimmy Bain

 

Ronnie James Dio e Jimmy Bain
James Stewart Bain nasceu em dez/47 na Escócia (na cidadezinha de Newtonmore, nas famosas Highlands). Ele tocou em diversas bandas amadoras locais enquanto adolescente. Então, seus pais e seus irmãos mais jovens se mudaram para Vancouver, maior cidade do oeste do Canadá. Foi exatamente na época em que ele passou a tocar professionalmente num grupo chamado "Street Noise". Por isso, ele ficou pouco tempo com sua família no Canadá e logo retornou à Escócia. Ele então entrou na banda "Harlot" e ingressou no cenário musical londrino no início de 1974. Jimmy Bain recebeu convite para ingressar no Rainbow em ago/75, após Ritchie Blackmore vê-lo tocar com o Harlot no The Marquee, em Londres (lembrando que o álbum de estreia da banda, "Ritchie Blackmore's Rainbow", foi gravado entre fev-mar/75 no Musicland Studios, em Munique, Alemanha). Blackmore recrutou o baixista Jimmy Bain, o tecladista Tony Carey e o baterista Cozy Powell para uma nova formação e uma turnê mundial aberta em 10/nov/75. 
Em fev/76, eles encurtaram o nome da banda para apenas "Rainbow" e gravaram o segundo álbum, o sensacional "Rising" (também gravado no Musicland). Jimmy Bain participou de toda a turnê mundial que se seguiu (que virou o álbum "On Stage", gravado entre set-dez/76), mas em jan/77 foi despedido da banda (por não atender aos altos requisitos técnicos de Blackmore, "não complementar o estilo/direção da banda" - talvez, isto tenha sido alegado porque Bain estava com problemas com álcool e isto o levou a tocar desafinado). Ele, então, excursionou com John Cale (sim, ele, o fundador do Velvet Underground, morando em Londres desde 74, época do EP "Animal Justice", de performances barulhentas, abrasivas, conflituosas, que combinavam bem com a cena Punk que rolava).
Em 78, Bain formou uma banda chamada "Wild Horses", em que ele era o vocalista/compositor principal e também baixista, contando com o guitarrista Brian Robertson (ex-Thin Lizzy), o baterista Clive Edwards (ex-Pat Travers) e o guitarrista Neil Carter (que esteve no UFO e com Gary Moore). O Wild Horses lançou dois álbuns pela EMI, "Wild Horses" (de abr/80, coproduzido por Trevor Rabin) e "Stand Your Ground" (de mai/81), este último com John Lockton no lugar de Carter. Isto foi antes de Robertson e Edwards sairem juntos em jun/81 (Robertson ingressaria no Motörhead e Edwards no SOS, de Bernie Marsden). Apesar da fama de cada membro, o grupo não teve êxito, os álbuns foram mal recebidos soando estereotipados, pouco inventivos e antiquados frente à toda a NWOBHM. Bain ainda tentou remontar o Wild Horses, mas tudo acabou logo. Ele então passou a trabalhar com Roger Chapman (líder do Family), Roy Harper, Gary Moore e Kate Bush (no álbum "The Dreaming", de 82). Jimmy Bain participou dos dois únicos álbuns solo de seu amigo próximo, Phil Lynott ("Solo in Soho", de 80, e "The Philip Lynott Album", de 82). Como tecladista e baixista, ele excursionou promovendo esses repertórios com a banda de Lynott. Rudolf Schenker, líder dos Scorpions, tentou contratar Jimmy Bain para baixista da banda em 84. Ele chegou a gravar o álbum "Love At First Sting", mas o empresário da banda preferiu uma formação 100% alemã, trouxe Francis Buchholz de volta e as partes de baixo de Bain foram apagadas.
No final de 82, Bain se conectou de novo a Dio, que formava sua banda própria. Ele co-escreveu com o cantor as faixas "Rainbow in the Dark", "Holy Diver" e outras duas, que foram incluídas no álbum de estreia, "Holy Diver". Ele participaria (inclusive como compositor) nos álbuns seguintes, "The Last In Line" (de 84), "Sacred Heart" (de 85), "Intermission" (de 86) e "Dream Evil" (de 87). Em meados dos anos 80, Bain fundou a "Hear'n'Aid", uma fundação focada em ajudar no combate da fome no mundo. Ele co-escreveu a canção "Stars", uma resposta do mundo do Heavy Metal a "We Are The World". Em 89, Bain foi demitido da banda de Dio, supostamente por diferenças musicais e problemas pessoais.
Em 89, Bain fundou outra banda chamada "World War III" (com o vocalista alemão Mandy Lion e o guitarrista Tracy G), mas o projeto durou pouco e logo ele voltou para a banda de Dio em 92. Porém, não ficou muito tempo (em mar/93, saiu de novo). Em 96, Bain ressurgiu com o projeto "The Key", mais melódica e com uma pegada comercial. O álbum "Magica" (de 2000) trouxe Bain novamente na banda de Dio (ele também tocou em "Killing The Dragon", de 2002). Em 2005, Bain juntou forças com o baterista Vinny Appice em dois projetos, "The Hollywood All Starz" (supergrupo com várias estrelas do Metal dos anos 80, que tocava ao vivo sets de greatest hits de seus membros, entre eles Carlos Cavazo do Quiet Riot) e "3 Legged Dogg" (que lançou um álbum bem recebido, em 2006), mas Appice saiu para ingressar no "Heaven and Hell", uma recriação do Black Sabbath com Dio.
A banda tributo "Last In Line" foi formada em 2013 composta por Bain, Viv Campbell, Vinny Appice, Claude Schnell e Andrew Freeman, para tocar clássicos dos álbuns de Dio (que morreu em 2010). Eventualmente, Bain teve que enfrentar uma reabilitação por ordem de tribunal durante as gravações do álbum autoral deles, "Heavy Crown", lançado em 2016. Ele morreu em janeiro deste ano, enquanto estava na cabine do cruzeiro "Hysteria on the High Seas", do Def Leppard. Ele iria se apresentar com o seu grupo "Last In Line" no dia seguinte. A causa da morte foi câncer de pulmão, mas ele não sabia. Todos apenas cientes de que ele estivesse lutando contra uma pneumonia, há algum tempo. Ele foi enterrado no Forest Lawn Memorial Park, em Hollywood Hills, não muito longe de Ronnie James Dio. Ele tinha 68 anos. 




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