Tracklist: 01 – A Mess of Stress 02 – Best Laid Plans 03 – Square House 04 – Quietly 05 – Space Age Eyes 06 – Naked Air 07 – Horrorful Heights 08 – Draining the Bad Blood 09 – A Simple Pursuit 10 – Hiss 11 – Animal Man 12 – Romany Blue 13 – Mossbacks’ Dream 14 – Buffaloed 15 – Silver Insects 16 – That’s Your Lot 17 – Sink Estate 18 – I’m Gonna Drag You into My World 19 – Momma Bear 20 – King for a Day
Paul Lorin Kantner foi cofundador, guitarra-base e vocal de apoio no grande Jefferson Airplane, uma das bandas mais importantes do Rock Psicodélico na era da Contracultura. Ele manteve esses papéis em sua banda seguinte, o Jefferson Starship. Ele nasceu em San Francisco/CA, perdeu a mãe aos 8 anos de idade e frequentou uma escola militar católica. Ali, na biblioteca, leu seu primeiro livro de ficção científica. Na adolescência, tornou-se um revoltado contra todas as formas de autoridade e virou cantor de Folk de protesto na linha de seu então herói, Pete Seeger. Frequentou a University of Santa Clara, onde ficou amigo do colega de sala, Jorma Kaukonen, antes de sair para viver de música. Por um tempo, viveu numa casa comunitária em Venice, Los Angeles, com diversos outros cantores de Folk, incluindo David Crosby e David Freiberg. Durante o verão de 1965, Marty Balin viu Kantner tocando num clube Folk de SF e o convidou para co-fundar uma nova banda, o Jefferson Airplane. Quando o grupo precisou de um guitarrista solo, Kantner indicou Jorma Kaukonen. Kantner foi o único músico a aparecer em todos os álbuns do Jefferson Airplane. Suas composições frequentemente tinham letras politizadas e temas de fantasia/ficção científica. Kantner tornou-se a força criativa do Jefferson Airplane a partir do álbum "After Bathing at Baxter's" em diante (são dele composições como "The Ballad of You and Me and Pooneil", "Watch Her Ride", "Crown of Creation", a controversa "We Can Be Together", "Today" em parceria com Balin e "Volunteers"). Ele também co-escreveu "Wooden Ships" com David Crosby e Stephen Stills. Com o Jefferson Airplane, ele se apresentou no Monterey Festival (67), no Woodstock Festival (69) e no Altamont Festival (69). Apesar do sucesso, o Airplane enfrentou muitas disputas internas o que levaria ao seu fim no auge do sucesso.
No início dos anos 70, quando o Airplane começava a ficar de lado, Kantner gravou "Blows Against The Empire" (nov/70), um álbum conceitual junto com um grupo montado para a ocasião que recebeu o nome de "Jefferson Starship". Por isso, o álbum foi creditado a Paul Kantner/Jefferson Starship, isto quatro anos antes da formação do grupo com esse nome. Kantner veio com uma história de um bando de hippies de esquerda (muito parecidos com seus companheiros da Bay Area) que sequestrava uma nave estelar construída pelo governo e partiam para reiniciar a raça humana em outro planeta. Kantner havia pressagiado essa ideia de colonização pós-apocalíptica em "Wooden Ships" (no álbum "Volunteers") e aqui expandiu tudo com ajuda de seus parças de Airplane, do Grateful Dead, do Quicksilver Messenger Service, do CSN, entre outros, montando um supergrupo em constante mudança (informalmente chamado PERRO - Planet Earth Rock and Roll Orchestra, é mole?). "Blows Against The Empire", na verdade, era um pouco desapegado do conceito, mostrando-se tão preocupado com a partida da tal nave, quanto a chegada do bebê de Kantner com Grace Slick (ele se apaixonou enquanto ela estava envolvida com Spencer Dryden, o baterista do Airplane, e teve que esperar dois anos para ter uma chance com ela em 69 - na época, a revista Rolling Stone os chamou de "the psychedelic John & Yoko"). Ele usou bastante instrumentação densa e arranjos complexos, mas colocou ganchos e harmonias suficientes para manter as coisas interessantes. O álbum foi indicado para o Hugo Award, um prêmio de ficção científica geralmente reservado para livros. A filha do casal, China Wing Kantner, nasceu em jan/71.
Kantner e Slick lançaram dois álbuns na sequência: "Sunfighter" (nov/71) e "Baron von Tollbooth & the Chrome Nun" (mai/73). "Sunfighter" foi lançado logo após "Bark" do Airplane. Na capa, estava o bebê China. No disco tocavam muitos músicos da Bay Area, incluindo toda a então formação do Airplane, membros do Grateful Dead, do CSN, do Tower of Power, etc. Este álbum também apresentou,
pela primeira vez, Craig Chaquico, então com 17 anos (ele se tornaria o guitarrista solo do Starship). Um trabalho tingido pelo ambientalismo e vegetarianismo (Slick havia se tornado vegetariana), celebrando o nascimento do bebê. Uma espécie de álbum de família, num estilo de Acid Rock livremente arranjado e cheio de letras políticas de esquerda radical, semelhante a "Blows Against the Empire" e "Bark". Mas a estridência habitual de Kantner/Slick não era contrabalançada pela substância tanto quanto em esforços anteriores, talvez porque eles estavam fazendo muitos álbuns rápido demais para manter a qualidade de suas composições. "Baron von Tollbooth and the Chrome Nun" tinha esse nome doido baseado nos apelidos que David Crosby havia dado ao casal. Novamente, outro álbum colaborativo com membros do Airplane, mais David Freiberg (espécie de terceiro membro, extensão do casal), e toda uma renca de amigos. Foi lançado junto com "Thirty Seconds Over Winterland", do Airplane. Apesar de tanta gente participando, a força orientadora do álbum foi Grace Slick, que cantou em todas as faixas e escreveu/co-escreveu seis das dez canções. Talvez, devessem ter sido empregadas mais composições externas, já que essas aqui eram de segunda categoria. "Blows Against The Empire" ainda havia alcançado o Top 20, mas este "Baron von Tolbooth" não chegou perto do Top 100. Toda essa trupe ainda tentaria um outro projeto dissidente, o álbum solo de Grace Slick, "Manhole", antes de se organizar como Jefferson Starship, em 74. Entre 74-84, Kantner gravou e se apresentou com o Starship. Em out/80, Kantner foi lavado ao Cedars-Sinai Medical Center com uma hemorragia cerebral. Ele estava com 39 anos e superou o perrengue com uma recuperação completa, sem cirurgia. Ele já havia tido um acidente grave de moto no início dos anos 60 (bateu numa árvore e quase rachou o crânio. Aliás, este acidente anterior foi creditado por ter salvado Kantner da hemorragia, já que o buraco deixado aliviou a pressão craniana - Highlander total). Um ano depois, ele falou: "Se houvesse um cara lá em cima disposto a falar comigo, eu estava à disposição, mas nada aconteceu e foi tudo como pequenas férias". Em jun/84, Kantner deixou o Starship reclamando que a banda havia se tornado muito comercial e fugido demais de suas raízes da Contracultura. Ele acionou a banda na justiça após ela ter decidido seguir em frente usando o nome Jefferson Starship. Em mar/85, o grupo passou a usar o nome "Starship". Neste ano, ele montou a KBC Band (com Martin Balin e Jack Casady), lançou um único álbum dois anos depois, embarcou numa turnê nacional e isso abriu caminho para um reunião do Airplane, que durou pouco. Em 96, a banda entrou para o R'n'R Hall of Fame. Em 92, Kantner resolveu reformar o Jefferson Starship e isto durou até 2016, com sua morte. Durante esse período, vários membros do Airplane, amigos, filhos, passaram pela banda.
Em mar/2015, surgiu a notícia que Kantner havia sofrido um ataque cardíaco. Ele chegou a voltar a tocar no final daquele ano a tempo de comemorar o 50º aniversário do Jefferson Airplane com shows especiais. Mas Kantner morreu em San Francisco aos 74 anos em jan/2016, de falência múltipla de órgãos e choque séptico após sofrer um ataque cardíaco dias antes. Pouco depois da morte de Kantner, o baterista do Grateful Dead, Mickey Hart, chamou Kantner de "espinha dorsal da banda" e disse que Kantner deveria ter recebido o tipo de crédito que Slick, Casady e Kaukonen receberam. Coincidentemente, Kantner morreu no mesmo dia que a cofundadora do Airplane, Signe Toly Anderson. Ele teve três filhos. Foi fumante a vida toda. Declarou numa entrevista: "Não vou desistir das poucas coisas que gosto. É melhor morrer de alguma coisa que eu gosto". Anarquista político, Kantner defendeu o uso de enteógenos como o LSD para expansão da mente e crescimento espiritual, e foi um proeminente defensor da legalização da maconha, que ele consumiu regularmente durante a maior parte de sua vida adulta. Numa entrevista em 86, Kantner falou: "A cocaína, particularmente, é uma chatice. É uma droga nociva que transforma as pessoas em idiotas. E o álcool é provavelmente a pior droga de todas. À medida que você envelhece e realiza mais coisas na vida em geral, você percebe que as drogas não ajudam, especialmente se você abusar delas". Quando Kantner sofreu uma hemorragia cerebral em 1980, o médico do Cedars-Sinai, apontou que não era um problema relacionado às drogas, dizendo: "Não há nenhuma relação entre a doença de Paul e as drogas. Ele não usa drogas".
"More Than a Feeling", adorada canção do Boston, surgiu em seu álbum de estreia (de ago/76) e foi logo lançada também em single (em set/76, com "Smokin'" no lado B). O guitarrista Tom Scholz compôs toda a canção. O single atingiu o nº. 5 das paradas nos EUA. Hoje, é considerada uma típica canção de Classic Rock, mas na época era Hard Rock empolgante e já foi listada pela revista Rolling Stone como uma das melhores canções em todos os tempos. Scholz levou cinco anos para completá-la. Ele escreveu as letras tendo em mente a ideia de perder alguém próximo e o modo como a música pode conectar uma pessoa às memórias do passado. Embora não haja realmente relação com nenhum evento específico da vida de Scholz, ele usou o nome Marianne de sua prima na letra. "More Than a Feeling" foi uma das seis canções (cinco delas apareceram neste álbum de estreia da banda) que ele trabalhou em seu porão entre 1968-75, antes do Boston conseguir seu contrato de gravação. As partes de bateria foram originalmente desenvolvidas por Jim Masdea, embora seja Sid Hashian quem tenha tocado na versão final. Scholz já declarou em várias entrevistas seu carinho pelo James Gang, em particular, pelo álbum "James Gang Rides Again" (de jul/70) e, por isso o riff característico de "More Than a Feeling" tem uma semelhança com aquele composto por Joe Walsh para a faixa "Tend My Garden", de "Rides Again". Entretanto, ele também já declarou que "Walk Away Renee", do The Left Banke (single de jul/66), como a principal inspiração. Como já explicado, a letra expressa a tristeza no presente e a saudade de um antigo amor chamado Marianne, cuja memória é muito evocada por uma antiga canção familiar. Numa entrevista, Scholz contou: "Na verdade, existe uma Marianne. Ela não foi minha namorada. Quando tinha 8-9 anos, havia uma prima muito mais velha, que eu considerava a garota mais linda que já havia visto, eu fiquei secretamente apaixonado por ela". Ele também contou que a letra foi inspirada em emoções após o fim de um caso de amor na escola. Musicalmente, trata-se de um Hard Rock dominado pela guitarra elétrica, com uma batida bem acessível, palmas, e vocais incrivelmente poderosos (de Brad Delp). Melodia sofisticada, atraente, esplendorosamente graciosa, irresistível, talvez a melhor em toda a carreira do Boston.
More Than A Feeling / Mais que um sentimento
I looked out this morning and the Sun was gone / Eu olhei para fora esta manhã e o sol havia sumido
Turned on some music to start my day / Liguei uma música para começar meu dia
I lost myself in a familiar song / Eu me perdi em uma música familiar
I closed my eyes and I slipped away / Fechei os olhos e viajei
It's more than a feeling (more than a feeling) / É mais que um sentimento (mais que um sentimento)
When I hear that old song they used to play / Quando ouço aquela música antiga q costumavam tocar
And I begin dreaming (more than a feeling) / E começo a sonhar (mais que um sentimento)
'Till I see Marianne walk away / Até eu ver Marianne ir embora
I see my Marianne walkin' away / Eu vejo minha Marianne indo embora
So many people have come and gone / Tantas pessoas vieram e se foram
Their faces fade as the years go by / Seus rostos desaparecem com o passar dos anos
Yet I still recall as I wander on / No entanto, ainda me lembro enquanto vagueio
As clear as the Sun in the summer sky / Tão claro quanto o Sol no céu de verão
It's more than a feeling (more than a feeling) / É mais que um sentimento (mais que um sentimento)
When I hear that old song they used to play / Quando ouço aquela música antiga q costumavam tocar
And I begin dreaming (more than a feeling) / E começo a sonhar (mais que um sentimento)
'Till I see Marianne walk away / Até eu ver Marianne ir embora
I see my Marianne walkin' away / Eu vejo minha Marianne indo embora
When I'm tired and thinking cold / Quando estou cansado e pensando frio
I hide in my music, forget the day / Eu me escondo na minha música, esqueço o dia
And dream of a girl I used to know / E sonho com uma garota que eu conhecia
I closed my eyes and she slipped away / Fechei os olhos e ela escapou
She slipped away, She slipped away / Ela escapou, ela escapou
It's more than a feeling (more than a feeling) / É mais que um sentimento (mais que um sentimento)
When I hear that old song they used to play / Quando ouço aquela música antiga q costumavam tocar
And I begin dreaming (more than a feeling) / E começo a sonhar (mais que um sentimento)
'Till I see Marianne walk away / Até eu ver Marianne ir embora
David Garrick, mais conhecido pelo seu nome artístico David Byron, foi o cantor do Uriah Heep, em sua melhor fase no início dos anos 70. David nasceu em 1947 na Inglaterra, em Epping, condado de Essex. Na escola, foi um destacado aluno em esportes (principalmente, no futebol). Do meio dos anos 60 até o final da década, fez trabalhos numa firma chamada "Avenue Recordings" gravando vocais principais e de apoio, onde ocasionalmente conheceu Mick Box (guitarra) e Paul Newton (baixo). Era comum gravarem covers de hits do Top 20 da época e lançarem EPs. Ainda em Epping, participou da banda semi-profissional "The Stalkers", que também contava com Box.
Mick Box, Paul Newton, Alex Napier (agachado) e David Garrick
Aliás, a dupla na sequência formou outra banda, "Spice" (entre 1967-69), que também contava com Newton no baixo e Alex Napier na bateria (antes de escolher o nome "Spice", outros nomes foram considerados, incluindo "The Play" e existem inclusive alguns acetatos de faixas gravadas na época e creditadas a "The Play"). A banda fez muitos shows localmente sob a gestão do pai de Paul Newton e conseguiu um contrato de gravação com a United Artists, que lançou o único single deles, "What About The Music/In Love" (em nov/68, hoje ultra raro). Decidindo que o som do Spice precisava de teclados, eles recrutaram o tecladista/guitarrista/cantor/compositor Ken Hensley, que fora colega de banda de Newton no "The Gods". Foi aí que Byron renomeou a banda para "Uriah Heep", um nome tirado do romance de Charles Dickens, "David Copperfield" (publicado originalmente entre 1849-50).
Entre 1969-76, Byron cantou em dez álbuns do Uriah Heep: "Very 'eavy Very' Umble", "Salisbury", "Look at Yourself", "Demons and Wizards", "The Magician's Birthday", "Live", "Sweet Freedom", "Wonderworld", "Return To Fantasy" e "High and Mighty". Em mar/75, Byron lançou seu primeiro álbum solo, "Take No Prisoners", que também contou com a participação de outros membros do Heep.
Este primeiro lançamento solo de David Byron, soou em grande parte como um disco do Uriah Heep, com seus Hard Rocks robustos e movidos por órgãos (como "Silver White Man" e "Hit Me With a White One"). Portanto, não ficaria deslocado como um álbum típico da banda desse período. Aliás, o fato de todos os então membros do Uriah Heep fazerem pelo menos uma aparição ajudava ainda mais nesta conclusão. Mais surpreendente era o quão sólido/consistente ele era para um empreendimento solo entre álbuns. Já começava poderosamente com "Man Full of Yesterdays", um Rock meio-tempo com um arranjo melancólico/dramático que combinava um som emocional movido por mellotron com letras autobiográficas. A partir daí, Byron combinava habilmente seus Rocks no estilo Heep com uma variedade de experimentos de Rock e Soul que combinavam bem com faixas mais tradicionais: "Steamin' Along" abordava o Funk com uma habilidade surpreendente, enquanto "Saturday Night" adicionava um toque agradável de Country-Rock ao seu ataque de Rock & Roll amplificado. "Love Song" provava que Byron poderia fazer uma balada direta com sensibilidade surpreendente e benefícios adicionais de um arranjo adorável construído sobre um som suave de cravo. Muitos Rocks afiados eram intercalados entre essas faixas experimentais, sendo a melhor “Midnight Flyer”, um Rock habilmente arranjado que alternava versos assustadores e de ritmo médio com um refrão escaldante para criar uma explosão emocionante de Hard Rock. No geral, "Take No Prisoners" carece de um single inovador ou de elementos de expansão de gênero que normalmente conquistam o ouvinte casual, mas é um álbum bem elaborado que definitivamente agradará os fãs de Uriah Heep. Em paralelo, Byron também ganhou a reputação de beber muito, o que o levou a ser demitido do Uriah Heep no final de uma turnê pela Espanha, em jul/76 (houve um desentendimento final com o tecladista Ken Hensley, supostamente devido ao seu comportamento cada vez mais errático e ao consumo excessivo de álcool).
Ken Hensley disse na época: "David é uma daquelas típicas pessoas que não consegue enfrentar o fato de que as coisas estão erradas e aí procurou consolo na garrafa". Antes de sua demissão, o Uriah Heep procurou garantir John Lawton como cantor substituto. Seu empresário na época, Bron, disse que Byron foi dispensado "no melhor interesse do grupo". Bron explicou que Byron e os outros membros do Uriah Heep estavam em desacordo, há algum tempo, sobre questões fundamentais de política de grupo, e que as diferenças finalmente chegaram ao auge, após a então recente turnê da banda pela Grã-Bretanha e Europa. "O resto do grupo sentiu que não conseguia mais conciliar a atitude de David com a sua própria", comentou Bron.
A partir daí, Byron se juntou ao ex-guitarrista do Colosseum/Humble Pie, Clem Clempson, e ao ex-baterista do Wings, Geoff Britton, para formar o Rough Diamond. Era na realidade um supergrupo e sua formação gerou alarde em 76: Dave Clempson (guitarras) vinha do Bakerloo, do Colosseum e do Humble Pie. Damon Butcher (teclados) vinha do Steve Marriot's All Star. Willie Bath (baixo) e Geoff Britton (bateria) era ex-Wings. Eles gravaram um LP autointitulado para a Island Records em mar/77. Mas tudo deu errado. O lançamento foi prejudicado por um processo judicial movido por outro grupo que reivindicava o mesmo nome e o atraso minou a confiança do quinteto. O álbum foi decepcionante vendeu mal. Seu lançamento aconteceu durante a explosão do Punk Rock, o que exacerbou os problemas. A banda buscou algum sucesso nos EUA, mas o atrito de Byron e seus colegas logo deixou tudo intransponível. Byron então saiu e embarcou numa carreira solo em out/77 (os membros restantes adicionaram Garry Bell e adotaram um novo nome, "Champion", e lançaram outro álbum pela Epic Records, em 78).
"Baby Faced Killer" (de 1978) foi o primeiro álbum solo pós-Uriah Heep e encontrou o cantor experimentando uma série de novos estilos musicais numa tentativa de estabelecer uma nova identidade musical. Trabalhando com o produtor/multi-instrumentista Daniel Boone, Byron criou um álbum que era muito mais Pop e musicalmente ambicioso do que o Hard Rock gótico que lhe rendeu fama. Na verdade, "Baby Faced Killer" era uma verdadeira extravagância de gênero, cobrindo territórios tão diversos quanto Rockabilly (“Rich Man’s Lady”), Pop puro (“Heaven or Hell”) e até Disco (“African Breeze”). Surpreendentemente, o álbum conseguia fazer jus a esse senso de ambição, porque suas canções eram cativantes, bem elaboradas e trazidas à vida com arranjos imaginativos. Os destaques incluíam "Only You Can Do It", uma faixa que equilibrava riffs de guitarra no estilo Uriah Heep com uma melodia Pop repleta de harmonia, e "African Breeze" criava uma melodia insidiosamente cativante ao sobrepor ritmos tribais e cantos sobre um fundo de sintetizador percolado. A desvantagem era Byron tentar fazer tanto num álbum, que nunca estabelecia uma identidade geral forte e isso limitava o apelo: era um pouco pesado demais para os fãs de Pop e muito astuto e orientado para o Pop para satisfazer um público de Hard Rock. Ocasionalmente, também caía na imitação de estilos que explorava. O exemplo mais notável era "Heaven or Hell", que seguia a melodia de "Turn to Stone" da Electric Light Orchestra um pouco próxima demais para seu próprio bem. Apesar desses problemas, "Baby Faced Killer" continua sendo um álbum estiloso e agradável que representa o melhor trabalho de David Byron pós-Uriah Heep.
Em seguida, Byron se juntou ao guitarrista Robin George para formar a The Byron Band, que assinou contrato com a Creole Records (um selo que talvez tenha sido uma escolha inadequada, já que se especializou no Reggae antigo, apresentando artistas como Sugar Minott e Max Romeo) e estreou com o single "Every Inch of the Way/Routine". Foi seguido pelo single "Never Say Die/Tired Eyes", antes do lançamento do álbum "On the Rocks", em 81. No entanto, como aconteceu com sua banda anterior, Rough Diamond, não houve aclamação crítica, nem comercial. Uma pena, afinal hoje reouvi-lo é não apenas revigorante, mas também surpreendente descobrir quão bom ele soa. Embalado por alguns dos riffs mais ameaçadores de sua carreira - confira "King" - e uma voz que ruge do lado certo da raiva, "On the Rocks" tem o som do clássico Heep, repleto de adrenalina fresca da NWOBHM e um ouvido para o que estava acontecendo em outras partes do mundo. "Start Believing" se sobrepunha ao sax de Mel Collins para adicionar uma sensação quase funky aos procedimentos, mesmo quando "Piece of My Love' ecoava no piano Blues, enquanto "Bad Girl" era simplesmente furtiva. Reedições acrescentaram três faixas-bônus mantendo o clima quente e animado e o livreto catapulta o ouvinte de volta às sessões e à criação do que deveria ter sido uma banda muito maior do que jamais foi permitido se tornar. Em 81 ainda, Mick Box e Trevor Bolder convidaram Byron para voltar ao Uriah Heep, após Ken Hensley sair, mas Byron recusou.
No final de 83, Richard Manners (da Blue Mountain Music) pediu a Richard "Digby" Smith (do Rough Diamond, Free, Sammy Hagar, Mott The Hoople) que montasse uma banda e gravasse algumas faixas com Byron. O grupo incluiu Neil Conteh (bateria, Jagger/Bowie), Alan Spenner (baixo, Joe Cocker, Roxy Music), Tim Renwick (guitarras, Elton John/Eric Clapton/Pink Floyd), John "Rabbit" Bundrick (teclados, Free/Roger Waters/The Who), mais as Chanter Sisters nos backing vocals. "That Was Only Yesterday – The Last EP" (lançado em 2008, mas gravado em fev/84, no Power Plant Studios, em Londres, um ano antes de sua morte) trouxe as últimas gravações de Byron. Apenas 3 faixas/covers: "That Was Only Yesterday" (Gary Wright), "Waiting for the Sun" (Jim Morrison) e "Pride and Joy" (Marvin Gaye). Ainda surgiu "Lost and Found" (em 2003), um álbum duplo com demos e gravações ao vivo da Byron Band, feitas entre 1980-82. Byron morreu em sua casa em Berkshire, em fev/85, de complicações ligadas ao consumo de álcool, incluindo lesão hepática complicada com epilepsia. Ele tinha 38 anos.