Ancient Bards é uma banda italiana de power metalsinfônico, fundada em janeiro de 2006 pelo tecladista Daniele Mazza.
História
Formação
O projeto começou a ser concretizado em 2006 após Daniele se encontrar com o baixista Martino Garattoni. A primeira formação estável foi completa em 2007, com Sara Squadrani nos vocais, Alessandro Carichini na bateria e Claudio Pietronik e Fabio Balducci nas guitarras.[1]
Em setembro de 2010, Alessandro deixou o grupo e foi substituído por Federico Gatti. A alteração mais recente ocorreu ao final de 2013, quando Balducci saiu por motivos pessoais.[2] Desde então, a banda tem utilizado Simone Bertozzi como guitarrista convidadao ao vivo.[3]
Álbuns
O estilo e conceito do álbum de estreia deles, The Alliance of the Kings, foi comparado à banda conterrânea Rhapsody of Fire. O álbum é o primeiro de uma série denominada The Black Crystal Sword Saga com cada faixa sendo um episódio.[4]
As versões italiana e alemã da revista Metal Hammer comentaram a "escrita e composição sofisticadas" do lançamento. A edição alemã também encontrou similaridades entre as vozes de Sara Squadrani e Anette Olzon, então vocalista do Nightwish.[5][6]
O segundo álbum da banda, Soulless Child, foi lançado em 2011. Ele prossegue com a saga. Críticos da Metal Hammer alemã e da Rock Hard concordaram que o álbum tinha uma tendência kitsch. Enquanto a Metal Hammer encontrou várias coisas positivas em faixas individuais, a Rock Hard o criticou por não ter ganchos originais.[7][8]
Em abril de 2014, o terceiro álbum A New Dawn Ending, foi lançado, concluindo a saga.
Discografia
EP
Trailer of the Black Crystal Sword Saga (2008)
Álbuns
The Alliance of the Kings (2010)
Soulless Child (2011)
A New Dawn Ending (2014)
Origine - The Black Crystal Sword Saga Part 2 (2019)
Segundo disco do ano para o velho mestre canadiano. À beira de completar 70 anos, 2014 trouxe muita actividade. Um disco «low-fi» com ajuda de Jack White, numa sentida homenagem ao passado; o divórcio de Peggy Young, sua esposa desde os anos 70; uma nova relação com a actriz Darryl Hannah; e agora mais um disco, que tenta colocar tudo sob perspectiva.
Young sempre foi um rebelde, alguém que fez as coisas à sua maneira, o que contribuiu para uma carreira discográfica algo fragmentária: este é o seu 35º disco, entre álbuns a solo, acústicos, eléctricos, com ou sem os Crazy Horse, com os Stray Gators ou outros conjuntos de ocasião. Depois do objecto curioso que foi A Letter Home, este último Storytone é mais uma vez um objecto diferente, embora mais perto do que se possa considerar o seu cânone normal.
Há vários Storytones, ou seja, várias versões do mesmo disco. Na versão normal do disco, o que temos são 10 temas de Young acompanhado de uma grande orquestra. Na versão deluxe, temos isso e um segundo disco, com os mesmos temas em versão acústica, de Young a solo ou acompanhado muito esparsamente. E a verdade é que isto mostra as forças e fraquezas do álbum.
É que o disco a solo – o disco de, digamos, extras, é claramente superior ao disco orquestral. O problema com a versão maxi de Storytone é que o tom de Young não é respeitado no meio de tanta coisa, tanta opulência, que está a acontecer lá atrás. Mas não é só um problema de conceito. A coisa poderia ter resultado se fosse mais contida, mais sóbria. Para esta tarefa, Young socorreu-se dos arranjistas Michael Berden e Chris Walden, figuras mais próximas do mundo da pop, tento trabalhado para artistas como Michael Jackson, Lady Gaga ou Michael Bublé. O resultado das orquestrações é gigantesco, omnipresente, até opressor. Pior, a coisa é feita sem alma, buscando um som demasiado bonito e luxuriante, quase como uma banda sonora de um filme de princesas da Disney. Dizíamos que a coisa podia ter funcionado, se a aposta fosse nalgumas cordas mais discretas, como nas antigas colaborações com o genial Jack Nietzsche. Assim, é demasiado, e por vezes soa a artificial.
Apostamos que não haveria grande mal nisso (continua a ser um bom disco) se não conhecêssemos o contraponto: os 10 temas só com Young. É que aqui é que está o verdadeiro ponto de interesse do disco.
É um dos discos mais íntimos e pessoais, em termos de letras, que Young fez nas últimas décadas. Ouça-se o magnífico «Glimmer», guitarra acústica, piano e harmónica, podendo escutar-se toda a solidão do mundo, atirando-nos para o universo do excelente On the Beach, dos anos 70. Temos várias baladas óptimas, uma ou outra canção de protesto ambientalista mas sem acelerar muito. Temos Young a nu, olhando para si próprio. E, para isso, Young nunca precisou de mais do que a sua voz quebrada, a sua guitarra acústica e a sua harmónica. Neste disco de duas cabeças, é quando ele faz «mais do mesmo» que se sai melhor, e volta a mostrar o quão essencial continua a ser, no século XXI.
Stuart Murdoch, o homem por trás dos escoceses Belle and Sebastian, que nos trouxeram tantas coisas boas ao longo dos anos, é um sujeito hiperactivo. Não satisfeito com a carreira musical de sucesso que se conhece, sempre teve a intenção de se embrenhar em áreas como o teatro e o cinema. Neste último caso, acarinhava desde 2004 uma ideia: fazer um filme musical centrado no dia a dia de jovens mulheres. Para tal, repescou umas canções ao reportório da sua banda, que ele achava se adequavam ao tema, e foi compondo novas músicas que se poderiam encaixar no seu novo exercício-fetiche. A novidade aqui é que seria um disco cantado por mulheres, relatando essas histórias na primeira pessoa. Para tal, Murdoch colocou um anúncio no jornal e fez audições através da internet, acabando por encontrar as várias vozes femininas de que precisava. Entre elas, a que tem mais predomínio (canta em 10 das 14 faixas) é a irlandesa Catherine Ireton.
Com o filme a enfrentar dificuldades de produção (nomeadamente financiamento), o homem dos Belle and Sebastian considerou – com toda a razão – que já tinha material suficiente para fazer um grande disco. Perante a incerteza sobre se o filme alguma vez viria a ser feita, decidiu gravar o álbum, que acabou por ser editado em 2009.
Na verdade, estamos perante um disco de Belle and Sebastian mas que não é dos Belle and Sebastian. O disco é creditado a God Help the Girl e, à excepção de dois temas anteriormente gravadas pelos Belle and Sebastian, todas as músicas são inéditas. Murdoch também dá uma perninha nas vozes, mas raramente é ouvido ao longo de todo o disco. O que temos são 14 extraordinárias faixas, cantadas por límpidas vozes femininas felizmente cheias de expressividade e personalidade. É um disco de pop clássico, de irrepreensível bom gosto. Tem um tom deliciosamente retro, remetendo-nos para o imaginário do Reino Unido do início dos anos 60, feito de yé-yé, mini-saias, arranjos de cordas subtis e galochas coloridas. E tudo servindo de veículo a histórias normais de jovens mulheres, desde as suas angústias apaixonadas às suas obsessões literárias. Um verdadeiro tratado de como a pop não tem de ser plástica ou descartável.
Já em 2013, o projecto cinematográfico obteve a luz verde após uma campanha de angariação de fundos online. God Help the Girl, o filme, acabaria por estrear em 2014, com argumento e realização do próprio Murdoch. Acompanhando a película, acabou por ser editada a sua banda sonora, repescando os temas do disco de 2009 e acrescentando mais 14. É também uma boa porta de entrada para este magnífico mundo, mas recomendamos que entrem primeiro no disco original, mais conciso e mais forte. Esta última versão, gravada pelo elenco do filme (ver trailer em baixo), é também óptima, mas ligeiramente mais teatral e com arranjos um pouco mais complexos.
Pode o melhor disco de uma excelente banda como os Belle and Sebastian não ser dos Belle and Sebastian? Para nós pode, e este God Help the Girl é a irrefutável prova.
Cada vez mais acredito na atracção energética inconsciente. Mesmo que não saibamos logo o conteúdo de uma mensagem, se os primeiros instantes forem confortáveis, é porque estamos no caminho certo. Faz-me lembrar quando, em miúdo, integrava uma turma nova ou um grupo de desconhecidos. No meio da «multidão» havia sempre expressões ou atitudes mais familiares. Roupas ou adereços que podiam ser nossos. Eram essas as pessoas que eu escolhia. Era com elas que formava parelha. Inconscientemente, sem que nos apercebamos do fenómeno (é tudo muito rápido, essas decisões fazem-se em fragmentos de segundo), já temos um companheiro de carteira ou uma equipa de futebol formada. O que existia apenas no plano das suposições passa a ser real. A inevitável tendência para os corpos se atraírem.
Com o disco de Alex Cameron, ainda bem antes de saber as verdadeiras intenções do projecto, bastaram-me as simples melodias sintetizadas para me deixar arrumado; com vontade de saber mais acerca de quem é Alex Cameron, de onde vem e o que pensa ele da música que faz.
E para nos enquadrarmos, é relevante saber-se que Cameron, antes desta experiência a solo, já gravou três álbuns com a sua banda original – os Seekae. Vêm de Sydney e tocam uma electrónica imbricada e sofisticada, inicialmente parca em palavras, porém sempre generosa em arranjos multidimensionais.
Mas agora é tempo de falarmos de Jumping The Shark, excelente exemplar de pop minimal elementar. Um sintetizador e uma caixa de ritmos é quanto baste para dar corpo às suas miserabilistas letras. A inocência de construção da sonoridade torna Jumping The Shark num exercício quase infantil de experimentação instrumental. As melodias são serenas, e só mesmo a voz teatral e encorpada de Cameron faz com que a coisa nos pareça profissional.
Trata-se de uma colectânea de contos sobre tristeza, desilusões e inevitáveis fracassos. Durante as tournées, Alex Cameron foi construindo um reportório exclusivo de canções que documentam o mundo falido e moralmente vazio do espectáculo. «Como auto-proclamado músico e ser humano, senti que a única maneira de descobrir a sensação de liberdade era através da exploração de todos os meus fracassos como homem». As palavras de Cameron são inequívocas. Há beleza e triunfo na confissão dos nossos fracassos. E porque nos dias que correm, falhar é uma tragédia, eis a beleza do fracasso, a tragédia contemporânea vestida numa opereta electrónica de sentimentos reais.
É preciso ter mãozinhas para escrever como deve ser sobre Panda Bear e a sua obra – e, já agora, a obra do seu grupo, os Animal Collective. Aqui, seja a solo seja em grupo, não falamos de música comum, partindo de estruturas formais e repetidas; cada tema de Panda Bear e dos Animal Collective é uma aventura sonora, um labirinto de sons, emoções, sensações.
Panda Bear é o nome artístico que Noah Lennox, norte-americano de 36 anos nascido em Baltimore, adotou. A viver em Lisboa há já alguns anos, é um homem que do respirar da cidade faz música: antes já houve uma canção chamada «Benfica» e 2015 e o seu novo disco vêem nascer «Príncipe Real», referência à zona da capital onde Noah Lennox mora.
Em 1998, com 20 anos de idade, chegou o primeiro disco de Panda Bear, atual pedaço de colecionismo e registo ainda não vinculativo do que viria a ser esta história. O prólogo foi longo, com a ação principal a solo a chegar somente em 2004, com o lançamento do segundo álbum, Young Prayer, isto já com os Animal Collective em velocidade de cruzeiro – é desse ano Sung Tongs, quinto trabalho de originais e o que começa a revelar a banda a um público maior.
O resto é história: Person Pitch, em 2007, terceiro a solo de Panda Bear, foi aclamado até mais não e levou esta música tão experimental quanto sedutora a amplo sucesso mediático e inesperados momentos de mediatismo, sempre num campeonato alternativo e distante de superiores fenómenos de massas. A seguir, em 2011, chegou Tomboy, ainda numa base eletrónica e experimental mas com mais guitarras ao barulho. E agora, o nosso Panda preferido traz-nos Panda Bear Meets the Grim Reaper, que embrulha tudo isto, junta-lhe pormenores novos, baralha e volta a dar e dá-nos novo par de estalos de encantamento.
(Faltou acrescentar que ao longo destes anos os Animal Collective gravaram mais uma mão cheia de álbuns e EPs, inclusive um filme, e consolidaram a sua presença e a sua importância – Feels e Merriweather Post Pavillion, em concreto, são discos que poucos terão ignorado. Nem todos os terão apreciado, naturalmente, mas a importância de uma banda não se mede apenas no que a música desta nos transmite e no apreço que por ela nutrimos. Mas já lá vamos.)
Panda Bear Meets the Grim Reaper, pois então. Treze faixas, artwork colorido, um forte teledisco de apresentação (e que belo e refrescante single é «Mr. Noah»). Há canções, várias, a disparar em várias frentes: destaca-se por exemplo um arranque planante («Sequential Circuits») e com várias camadas de voz em sobreposição, algo recorrente na obra do músico e também neste disco.
Ainda nas toadas mais calmas, o apontamento maior vai para «Tropic of Cancer», bálsamo guiado pela voz de Noah e por uma suave harpa; «Lonely Wanderer» é orgânico de igual modo mas com o piano no centro da ação; mais mexida, «Butcher Baker Candlestick Maker» é luminoso e antecede «Boys Latin», segundo single e laboratório maior de experimentação sonora aliada ao entranhar de uma melodia e um ritmo na mente de quem escuta e estas composições absorve.
Há em Panda Bear Meets the Grim Reaper sons dispersos, meio caminho entre a natureza e a urbe, mas aqui aliados a sonoridades mais robustas e encorpadas. Este é um disco com apontamentos funk e até hip-hop, algo não escutado até ver na obra de Noah Lennox. Contemplativo, este é um trabalho de pormenores. Prendendo nas primeiras audições, ganha com a permanente descoberta de novos elementos, um loop antes não detetado, uma vocalização sobreposta que não parecia assim tão pertinente, um som vindo de outro mundo e que facilmente atraca num todo só aparentemente disperso e cacofónico.
Lá em cima dei um lamiré sobre de que é feita a relevância de uma banda. Aparte questões de gosto, de sensibilidade e da forma como a música nos toca – e só isso já é um mundo – há bandas, artistas e músicos cuja relevância e papel vive de mais que da devoção dos seus crentes, sejam estes dez ou dez milhões. Seja pelo papel estético, de criação musical, de abertura de portas e novos mundos para outros que se seguiram, muitos são os exemplos que aqui cabem. Aos Animal Collective cabe um lugar na história mais recente da música, lugar esse que vive sem a sensibilidade do ouvinte – foram eles que neste século mais longe chegaram em mediatismo e respeito (não de multidões, mas de melómanos convictos) praticando sonoridades tão aparentemente pouco dadas a mundos maiores. Não foram em momento algum elogiados pela prosaica e convencional escrita, antes pelo verdadeiro bolo alimentar servido: cabe aqui rock, umas vezes mais rápido, outras nem tanto, pop, muita eletrónica, algum tropicalismo, nervo, tribalismo.
Os Animal Collective, e Panda Bear, fazem música estranha que entranha. A banda não é convencional, com músicos a trocar de instrumento de disco para disco (muitas vezes de música para música), aqui cantando um elemento, ali dois, pontualmente todos. Já usaram e abusaram dos samples, no último disco Centipede Hz., estiveram como nunca próximos de uma banda rock mais convencional (e talvez não por acaso o disco nem seja grande portento). A música muito específica e que se temia experimental demais para fugir de um nicho furou para um mercado maior sem nunca deixar de perder a identidade de um nicho, e ainda para mais um de muito bom gosto e referências – este é talvez o trunfo maior dos Animal Collective, cuja memória mais distante deste que vos escreve e remete para um concerto, em 2005, que deveria acontecer num cacilheiro no Tejo e acabou com um barracão no Ginjal – margem sul – a virar epifania. A última impressão ao vivo, a mais recente, deu-se numa recente edição do Primavera Sound de Barcelona: palco gigante, aparato visual e cénico imenso, cabeças de cartaz do maior palco num dos festivais mais respeitados do mundo em matéria de música tida por alternativa. E, lá está, no Ginjal como em Barcelona, a mesma banda de sempre, a fazer hipnose perante os devotos com sons estranhos e formas originais e atípicas de desenhar uma cantiga.
Espero ter tido mãozinhas para isto. E agora toca a carregar no Play outra vez.
Tracklist: 1. A New Fire (01:39) 2. Mr. Enchantment (04:06) 3. Seven Days (04:55) 4. Salt In Water (04:08) 5. Time (04:01) 6. Roll The Dice (04:48) 7. Take My Soul Another Day (05:23) 8. The Door To Nowhere (04:51) 9. Savage Revenge (04:12) 10. My Private Hell (03:30)
Genre: Melodic Hard Rock, Metal Page: Great Britain Year of publication: 2015 Publisher: Escape Music Catalog number: ESM 279
Tracklist: 01. Edge of the Blade – Vital Signs (07:06) 02. Edge of the Blade – Believer (04:11) 03. Edge of the Blade – Everything I Own (03:47) 04. Edge of the Blade – Mr. Hell (04:59) 05. Edge of the Blade – River Runs Red (05:19) 06. Edge of the Blade – Who’s in Control (04:05) 07. Edge of the Blade – The Taken (04:18) 08. Edge of the Blade – Down on My Knees (04:41) 09. Edge of the Blade – The Ghosts of Humans (04:15) 10. Edge of the Blade – Promised Land (06:17)
Tracklist: 1. Hellraiser 2. Roadkill 3. End The Breath Of The Night 4. Grant You Metal 5. Burn Your Life 6. The Last Frontier 7. Phantom Helicopter Attack 8. Hawkeye 9. Overwhelm 10. Eternal March Of Valor
Biografia do Arena: O Arena foi um grupo de fusion dos anos 70 formado por músicos de estúdio liderados pelo saxofonista Ted White. White trabalhava na cena do jazz de big band britânica até se mudar para a Austrália na década de 60 para trabalhar na indústria televisiva; eventualmente, ele se envolveu nos testes de um novo estúdio de gravação e, para isso, reuniu músicos que criaram este disco único, lançado com distribuição muito limitada. O disco, no entanto, vale a pena ser conferido pelos fãs do estilo dos anos 70, influenciado pelo funk, semelhante ao de Herbie Hancock, bem como por alguns elementos da fase posterior do Soft Machine.
Músicos australianos de estúdio/sessão são atraídos para inaugurar um novo estúdio de gravação nos arredores de Melbourne.
1. "Journey In Threes" (6:30) - Bateria, baixo com pegada funk, clavinet, saxofone e guitarra abrem a faixa com uma energia circense à la Gentle Giant, seguida por uma longa pausa antes da banda retornar com tudo em 1:20, desta vez em uma trama quase reggae bem estruturada, com o saxofone tenor em destaque e a guitarra fazendo dedilhados e notas marcantes. O baixo agora está mais direto (o som anterior que eu descrevi como um "baixo com pegada funk" pode ter sido, na verdade, a mão esquerda no clavinet). O clavinet tem o segundo solo, mas o saxofone retorna para o terceiro - desta vez com um pouco mais de vigor e energia. Muito interessante! E dançante ao estilo Don Ellis. Não sei por que gosto tanto do clavinet! (9/10)
2. "Scope" (5:05) A abertura sincopada e complexa, à la Bruford, transforma-se num jazz um pouco mais suave aos 30 segundos, com baixo e bateria tecendo uma trama precisa. Então, aos 1:45, a banda para no sinal de pare, olha para os dois lados e vira à esquerda, tocando um dos Fender Rhodes enquanto o tecladista Peter Jones desliza velozmente sobre suas teclas de plástico. Outra parada em outro sinal de pare, aos 3:15, resulta em outra mudança de direção – desta vez mais direta, enquanto o carro segue pelo deserto de Nevada, onde o vemos desaparecer na distância. Uma fusão de jazz-rock muito interessante e complexa – todos os temas costurados aqui são bastante intrincados. Impressionante! (9/10)
3. "Duke" (3:50) Um dueto de saxofone melancólico e um Fender Rhodes de apoio suave conferem a esta abertura um ar de filme noir francês noturno ou de femme fatale. Uma boa performance, ainda que um pouco estereotipada. Os músicos deviam estar inspirados. (8,75/10)
4. "Scrichell Cat" (6:30) Mais uma música que parece saída de um filme antigo em preto e branco — até as pontes de rock com três acordes. O saxofone volta a ser o protagonista, enquanto o baixo, a bateria, o Fender Rhodes e a guitarra rítmica com wah-wah dão suporte e acentuam. Estranhamente simplista em comparação com a música incrivelmente complexa das duas primeiras faixas. A guitarra elétrica finalmente ganha um solo por volta dos quatro minutos — é ótimo! Ele tem um timbre muito bom e uma técnica impecável e fluida. Quando se junta ao saxofone no sexto minuto, funciona muito bem, e então eles se separam para retornar ao tema rock por um longo período, sobre o qual (ou melhor, sob o qual) a guitarra intensa, no estilo de Robert Fripp, continua até o final. (8,875/10)
5. "Keith's Mood" (7:34) O som e o estilo angulares e por vezes dissonantes da guitarra de Robert Fripp começam logo na primeira nota, enquanto a bateria, o baixo e o saxofone tocam Coltrane ou Ornette Coleman para acompanhar o ritmo de Robert. Por volta dos dois minutos, a banda toma um rumo diferente para explorar um beco cheio de lixo que desemboca ao lado da igreja na rua principal, em uma passagem de R&B com base no blues. Soa como The Isley Brothers, do passado (anos 60) e do futuro (Harvest for the World, Go For Your Guns, etc.). Um extenso solo de bateria preenche o sexto minuto e mais, soando bastante jazz tradicional, exceto pelo uso de um grande tom-tom de chão. No final do oitavo minuto, o resto da banda retorna, tocando algumas escalas em grupo antes de parar repentinamente. Interessante e impressionante, mas não muito envolvente (ou dançante). (13/15)
6. "The Long One" (6:32) Esta faixa soa como o início da carreira de Herbie Hancock, explorando as paisagens sonoras e as possibilidades do funk e do jazz-rock com influências de R&B. O saxofone é o principal criador da melodia, mas o baixo funky e o Fender Rhodes desempenham um papel fundamental na atmosfera geral da música. Muito legal, no sentido que a palavra "cool" significa no início dos anos 70. O Fender Rhodes assume o próximo solo no quarto minuto, enquanto o baixo, a guitarra e a bateria fazem um ótimo trabalho mantendo a base funky. As nuances da contribuição de cada instrumentista nesta música são realmente algo para se apreciar — e até mesmo estudar! Não é minha música ou estilo musical favorito, mas definitivamente merece elogios por essas performances incrivelmente maduras. (9/10)
7. "Turkish Defunked" (7:41) O quê?! Uma batida em tempo reto?! (Espere 20 segundos.) Ah! Eles estavam só brincando comigo! De volta ao funk com alguns sons do Leste Europeu/Oriente Médio vindos do(s) saxofone(s). Quando o clima e a paleta sonora iniciais são estabelecidos, o saxofone sai para um extenso solo de Fender Rhodes que soa bastante como Ray Manzarek. O saxofone retoma a liderança enquanto Ray continua adicionando atitude e funk bluesy nas laterais. Música legal que tem mais raízes no jazz do que no R&B-rock, mas retorna ao tema turco o suficiente para nos confundir. Na sexta parte, finalmente temos o retorno do som incandescente da guitarra elétrica distorcida de Charlie (sobrinho de Glenn) Gould, mas então a banda muda de marcha, fica mais rítmica e staccato antes de finalmente retornar ao tema principal para o final (enquanto Charlie continua seus solos ininterruptos à la Fripp). Performances de alta qualidade de uma composição diversificada. (13,5/15)
Tempo total: 43:42
Consigo ver como a banda AVERAGE WHITE BAND inspirou o mundo. "Cortem o bolo!"
Nota B+/quatro estrelas; uma excelente aquisição para qualquer fã de Jazz-Rock Fusion e um álbum que acredito que todo amante de prog pode e irá apreciar.
Biografia do Arena: Fundado em 1995 em Virginia Water, Surrey, Reino Unido - Ainda ativo em 2020.
A reunião dos músicos renomados do Arena forma um supergrupo: Mick Pointer (ex-Marillion) na bateria, Clive Nolan (Pendragon) nos teclados e Keith More (Asia) na guitarra até ser substituído por John Mitchell (ex-Kino). O vocalista Rob Sowden está na banda desde o álbum Immortal? e o baixista é Ian Salmon. Houve também participações especiais de Tracy Hitchings (vocalista do Quasar, Strangers on a Train e Landmark) e Steve Rothery (o talentoso guitarrista do Marillion).
"Songs From The Lion's Cage" é, portanto, um rock progressivo muito profissional, próximo ao Marillion e ao hard rock. "Pride", seu segundo álbum, lançado em 1996 (um ano após o anterior), confirmou o alto nível musical da banda, numa época em que adicionaram um toque de inteligência à sua música. Curiosamente, o som da banda ganhou peso após os dois primeiros álbuns, e a qualidade musical aumentou consideravelmente em originalidade e virtuosismo.
Gravado em 1998, "The Visitor" alterna passagens inspiradas no grupo de Steve Hogarth com instrumentação sombria. "Immortal" mostra uma nova dimensão mais pesada, que ainda permanece ancorada na melhor música neo-progressiva. "Moviedrome" é uma excelente faixa de vinte minutos. "Contagion" segue a gloriosa tradição de "Immortal", embora eu o tenha achado mais incisivo e multidimensional em todos os aspectos. Este poderoso e evocativo álbum conceitual narra a busca pela redenção, através da visão de um futuro sombrio e angustiante. Sem dúvida, as pessoas não precisarão pensar muito para eleger o melhor álbum do inverno de 2002-2003!
"Pepper's Ghost", de 2005, mostra o Arena explorando um som bastante pesado e sinfônico, com alguns elementos de metal, um verdadeiro destaque em sua carreira. Os membros de longa data Rod Sowden e Ian Salmon deixaram a banda em 2010 e foram substituídos por Paul Manzi e John Jowitt, respectivamente, este último iniciando sua segunda passagem pela banda. "The Seventh Degree Of Separation" oferece um som muito fresco e impactante, mas as estruturas das músicas já haviam se tornado um pouco convencionais. O mesmo acontece com seu lançamento mais recente, "The Unquiet Sky", de 2015, onde o lugar de Jowitt foi ocupado pelo estreante Kylan Amos.
Uma das melhores bandas da cena inglesa atualmente... ALTAMENTE RECOMENDADO!
'The Unquiet Sky' é mais um álbum conceitual da realeza do neo-prog, Arena, seu oitavo lançamento de estúdio no geral. Trata-se de uma interpretação do conto 'Casting the Runes', de M.R. James, uma história de fantasmas com muitos elementos sobrenaturais, o que está em sintonia com a narrativa da maior parte do catálogo da banda. Sombrio, melodramático e repleto de trechos instrumentais virtuosos, 'The Unquiet Sky' é um álbum relativamente consistente, composto por doze faixas. A música é, como de costume, dominada pelos teclados teatrais de Clive Nolan e pelas guitarras arrebatadoras de John Mitchell, enquanto o estilo do álbum pode ser considerado o típico neo-prog moderno, similar ao trabalho de bandas como IQ, Pendragon e Galahad.
O lado conceitual parece ofuscar a originalidade e a vivacidade das ideias por trás da maioria das músicas — há semelhanças óbvias entre este álbum e seu antecessor, "The Seventh Degree of Separation", de 2011, que também era muito focado nas canções e relativamente direto. Os fãs do Arena perceberão o esforço da banda em recapturar o som e a dinâmica de álbuns clássicos como "The Visitor" ou "Contagion", mas "The Unquiet Sky" simplesmente não oferece nada de notável ou inovador. As guitarras com inspiração neoclássica e os sintetizadores sombrios criam uma parede de som intensa e densa, sobre a qual Paul Manzi oferece vocais requintados, indicando que as performances individuais de cada membro da banda brilham, enquanto o apelo geral do disco diminui gradualmente à medida que se aproxima do meio e do fim. Entre as melhores músicas estão "The Demon Strikes", "How Did it Come to This?" e a ótima faixa de encerramento "Traveller Beware". O resto é bom, mas o Arena certamente já produziu músicas mais empolgantes, o que torna este álbum um tanto esquecível e pouco impressionante.
'Pepper's Ghost' é o terceiro e último álbum do Arena com o vocalista Rob Sowden, e o sexto álbum de estúdio da banda de rock progressivo de Surrey, concluindo o que muitos consideram a era mais bem-sucedida e produtiva do grupo. Sucessor do excelente 'Contagion', este álbum conceitual narra as histórias de diversos personagens viajando no tempo e, por fim, enfrentando um demônio – uma história fantástica complementada por um belíssimo livreto com ilustrações irresistíveis. Essa narrativa é muito bem complementada pelos arranjos neoprogressivos cinematográficos que aguardam o ouvinte neste álbum. As sete novas faixas do Arena variam em duração e tonalidade, com a atmosfera geral do álbum sendo um tanto sinistra e sombria, uma característica também presente em outros lançamentos da banda.
Estilisticamente, 'Pepper's Ghost' não representa uma mudança drástica em relação aos dois álbuns anteriores do Arena; pelo contrário, pode até ser a primeira vez em que a banda aparentemente retoma alguns temas antigos, o que inevitavelmente diminui um pouco a tensão e a emoção que tornaram 'Immortal?' e 'Contagion' tão atraentes e diversificados. Os sintetizadores extravagantes e atmosféricos de Clive Nolan e as guitarras elétricas vibrantes de John Mitchell dominam o álbum, que para alguns ouvintes apresenta um tom agressivo. Em contraposição a essa percepção, 'Pepper's Ghost' parece cultivar o lado mais operístico e teatral do Arena, apesar de Karl Groom, do Threshold, ter sido o engenheiro de som e mixado do disco. Das sete faixas do álbum, a acelerada faixa de abertura "Bedlam Fayre", a épica suíte de 10 minutos "The Shattered Room" e a mais sombria, porém imaginativa, canção "The Eyes of Lara Moon" podem ser as mais intrigantes, enquanto a faixa de encerramento de 13 minutos, "Opera Fanatica", oferece um requintado exagero neo-progressivo e captura uma das excelentes performances de Clive Nolan. Como obra conclusiva da era Rob Sowden, "Pepper's Ghost" do Arena é um trabalho refinado e dinâmico que reúne diversas composições neo-progressivas fascinantes e algumas menos características, limitando-se à suave mimese de obras anteriores.