segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Kate Bush – Best Of The Other Sides (2025) [Remasterizado, Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]

 

Kate Bush - Best Of The Other Sides (2025) [Remasterizado, Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]

Kate Bush – Best Of The Other Sides (2025)
[Remasterizado, Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]

 
Lista de faixas
01. Experiment IV – 04:55
02. You Want Alchemy? – 03:57
03. Rocket Man – 04:59
04. Walk Straight Down The Middle – 03:49
05. The Big Sky (Meteorological 12″ Mix) – 07:46
06. The Man I Love – 03:19
07. Under The Ivy – 02:08
08. Mná na hÉireann – 02:56
09. Lyra – 03:15
10. Brazil (Sam Lowry's First Dream) – 02:14
11. Running Up That Hill (A Deal With God) (12″ Mix) – 05:49

MUSICA&SOM ☝


Rage Against The Machine – Live On Tour 1993 (2025) [CD-Quality + Hi-Res] [Official Digital Release]

 

Rage Against The Machine - Live On Tour 1993 (2025) [CD-Quality + Hi-Res] [Official Digital Release]

Rage Against The Machine – Live On Tour 1993 (2025)
[Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]

Rage Against The Machine Live On Tour 1993 é uma compilação de gravações ao vivo, sem cortes ou mixagens, da primeira turnê mundial da banda. É como voltar no tempo e testemunhar as performances explosivas que definiram o grupo. O vinil inclui uma gravação e três lados de música, preservando a intensidade e a essência de cada show.

Lista de faixas
: 01. Bombtrack (Ao vivo, Washington DC, 1993) – 04:03
02. Killing In the Name (Ao vivo, Orlando, 1993) – 05:16
03. Take the Power Back (Ao vivo, Atlanta, 1993) – 06:19
04. Settle for Nothing (Ao vivo, Gainesville, 1993) – 05:02
05. Bullet In the Head (Ao vivo, Paris, 1993) – 06:30
06. Know Your Enemy (Ao vivo, Toronto, 1993) – 04:52
07. Wake Up (Ao vivo, Filadélfia, 1993) – 08:25
08. Fistful of Steel (Ao vivo, Milão, 1993) – 05:36
09. Township Rebellion (Ao vivo, São Francisco, 1993) – 05:07
10. Freedom (Ao Vivo, Chicago, 1993) – 06:35

MUSICA&SOM ☝


Nº1 Balance — Van Halen, Fevereiro 11, 1995

 Track listing: The Seventh Seal / Can’t Stop Lovin’ You / Don’t Tell Me (What Love Can Do) / Amsterdam / Big Fat Money / Strung Out / Not Enough / Aftershock / Doin’ Time / Baluchitherium / Take Me Back (Deja Vu) / Feelin’


O Van Halen estava em uma ótima fase desde que Sammy Hagar se juntou à banda em 1985. Seus três primeiros álbuns após a saída de David Lee Roth — 5150 (1986) , OU812 (1988) e For Unlawful Carnal Knowledge (1991) — alcançaram o topo das paradas de álbuns.

O álbum ao vivo "Live: Right Here, Right Now" , lançado em 1993 e dividido em dois discos, alcançou o quinto lugar nas paradas e vendeu mais de um milhão de cópias. No entanto, a boa sorte do Van Halen chegou ao fim em 16 de outubro de 1993, quando seu empresário de longa data, Ed Leffler, faleceu vítima de câncer de tireoide. O vocalista Sammy Hagar comentou: "Com a morte de Ed, foi a primeira vez que tivemos um choque de realidade desde que entrei para a banda."

Após a morte de Leffler, o Van Halen teve uma reunião rápida. "Pelo menos 50.000 empresários ligaram oferecendo condolências e fazendo propostas", diz Hagar, "mas nós simplesmente dissemos aos nossos escritórios, à Warner Bros. e ao nosso agente: 'Não vamos falar com ninguém sobre gerenciamento. Vamos deixar a poeira baixar. Precisamos de um tempo.'"

Hagar foi para Maui passar três meses de férias. Ao retornar, no início de 1994, a banda começou a trabalhar em material novo. Sem Leffler por perto como seu “líder destemido e protetor”, o estúdio 5150 do guitarrista Eddie Van Halen tornou-se “um santuário” para a banda, diz Hagar. “Só nós quatro nos reuníamos, desligávamos os telefones e tocávamos juntos.”

Como resultado, Balance é o disco mais sério que a banda já gravou. Hagar afirma: "Não só o levamos a sério, como é um disco sério, sem nenhuma faixa dispensável."

Enquanto a banda estava no meio das gravações de Balance , eles optaram por contratar Ray Daniels, empresário de longa data do Rush e cunhado do baterista Alex Van Halen, como seu novo empresário.

“O que Ed Leffler foi para mim, Ray tem sido para Alex”, diz Hagar. “Se Alex não tinha certeza sobre algum acordo, ele sempre ligava para Ray para pedir sua opinião… Ray já estava lá para Al, mas depois que Ed morreu, Alex começou a recorrer a Ray cada vez mais. Ele era a pessoa certa”, acrescenta Hagar. “Além disso, ele tinha o histórico de permanecer em uma banda por tanto tempo quanto com o Rush, durante os 23 anos de carreira. Era importante encontrarmos alguém que demonstrasse comprometimento, em vez de alguém que estivesse apenas seguindo a onda do momento.”

A banda recorreu ao produtor Bruce Fairbairn porque ficaram impressionados com o trabalho dele com o Aerosmith. "Compusemos 17 músicas para este álbum", diz Hagar. "Foi a primeira vez na nossa história que realmente compusemos mais do que o necessário." Para Hagar, o esforço extra valeu a pena, já que Balance representou seu melhor trabalho até então.

“Esta é a melhor coisa que já fiz na minha vida”, diz ele. “Estou num patamar completamente diferente, tanto vocal quanto liricamente. E este álbum tem músicas que posso cantar com dignidade pelo resto da minha vida.”

O público respondeu positivamente à abordagem séria do Van Halen, fazendo de Balance o primeiro álbum a estrear em primeiro lugar em 1995 e o quarto sucesso número um da banda nas paradas musicais.

OS CINCO MELHORES
Semana de 11 de fevereiro de 1995

1. Balance , Van Halen
2. The Hits , Garth Brooks
3. Dookie , Green Day
4. Hell Freezes Over , Eagles
5. II , Boyz II Men


Alf Emil Eik "Joy & Breath of Eternity" (1979)

 O álbum inovador de 1973 do mago inglês Mike Oldfield, "Tubular Bells" , foi uma revelação para muitos. Como se vê, até mesmo um único homem pode fazer a diferença. Isso, claro, se considerarmos a combinação de diversos talentos musicais e uma 

base técnica adequada à tarefa. O norueguês Elf Emil Eicke possuía ambos. No final da década de 1970, esse indivíduo singular se trancou em seu estúdio, onde começou a criar seu primeiro álbum, "Joy & Breath of Eternity". Uma colagem conceitual de motivos cristãos pontilhados e observações filosóficas naturais, o álbum acabou assumindo as características de uma jornada essencialmente instrumental, realizada na interseção de gêneros. O arsenal de ferramentas do multitarefas escandinavo era notavelmente extenso. Mas ele também as dominava com uma maestria meticulosa, substituindo efetivamente uma banda completa de quatro ou cinco integrantes. Sua rica imaginação e suprema maestria na performance fariam inveja a qualquer individualista ambicioso. Mas chega de rodeios. Vamos ao assunto.
A introdução expansiva e contemplativa, "Morning Glory", é uma forma de sintonizar o ouvinte na frequência de percepção desejada; sem especificidades, apenas uma massa de ar em camadas, resultado de slides de teclado, uma espécie de ondulação sonora antiemocional. Mas então surge uma curiosa mudança na perspectiva composicional. Contrariando as expectativas, o Sr. Eick consegue evitar pretensões de profundidade e entrega a rítmica faixa de jazz-funk "Joy, Part I", com figuras virtuosas de baixo, passagens rápidas pelo teclado do piano Fender Rhodes e outras delícias intrincadas para os amantes da música. O estudo experimental "Joy, Part II" introduz um elemento de confusão na narrativa: uma fusão de ruído atípica, embora sem consequências particulares. Pastoralismo, lirismo e uma "luminosidade" quase à la Yes permeiam a estrutura vocal de "To You". Também interessante é a peça de jazz-progressivo "Crying", onde corais artificiais de Mellotron são complementados por belos vocais femininos. Na magnífica obra atmosférica de sete minutos "Breath of Eternity", Elf Emil deixa de lado a arrogância e simplesmente liberta sua alma, dissolvendo-se na melodia requintada do sopro da eternidade. Para aqueles que preferem algo mais intenso, há o eletrizante thriller "Heart": na fase inicial, uma energia explosiva de fusão é liberada por uma mente astuta, dedicando o restante a uma meticulosa dissecação da consciência do ouvinte por meio de guitarra e saxofone. "After All" representa uma inesperada virada de 180 graus, conduzindo a uma arte sinfônica inspirada, com ares de balada, na melhor tradição do gênero. E então chega o final cósmico "After the End", com seus versos com vocoder e amplos pads de sintetizador...
Resumindo:Um exemplo bastante original de arte rock intelectual da era punk em seus primórdios. Recomendo conferir.




Lunatic Soul "II" (2010)

 Música livre de rótulos. Um abismo de revelações alheias, que te consome por completo... Aqui não há misturas banais, fórmulas verbais batidas ou respostas categóricas. Há apenas uma coisa: o " 

nó górdio" de emoções intrincadamente entrelaçadas, que o protagonista lírico de Mariusz Duda se esforça para desatar.
Criar a própria realidade sonora é um processo fascinante, em parte doloroso e nem sempre bem-sucedido. Contudo, o vocalista da banda polonesa de rock progressivo Riverside conseguiu trilhar seu próprio caminho único na arte. O segundo álbum do projeto, Lunatic Soul , é a prova mais clara disso. A formação é pequena: Duda (vocal, violão, baixo, teclados, percussão), Maciej Szelenbaum (flauta, piano, cordas, teclados, efeitos eletrônicos) e o baterista monstruoso do Indukti , Wawrzyniec Dramowicz. Nove faixas, fluindo umas para as outras, formam um conceito artístico e psicológico, construído de maneira extremamente curiosa. O personagem central da narrativa é em grande parte emprestado de cálculos estruturalistas preestabelecidos do próprio Riverside . Trata-se de um sujeito à beira do desespero, enredado em emoções, sujeito ao fatalismo e perdendo o último fio de esperança de uma mudança no destino. ("Muito cedo a vida acabou / E em meus últimos dias / Sem amor / Sem amigos / Eu não podia deixar você vir e levar minha alma" - a composição "Transition"). O leitmotiv do programa é o Apocalipse espiritual que se aproxima. O "bardo tecnogênico" Mariusz atua como o cantor de uma civilização urbana moribunda. Imagens idílicas de céus azuis com cidades douradas são completamente estranhas à consciência autoral de Duda. Suas paisagens mentais são frias, cinzentas, repletas de blocos de concreto sem rosto, habitados por pessoas alheias ao que fazem. Uma realidade opressiva corrói o mundo interior do artista, daí a sensação de miséria existencial, textualmente expressa na abundância de verbos contendo a partícula "não": "Eu não sinto", "Eu não vou", "Eu não posso ir", etc. O projeto musical para tais esquemas ideológicos, na minha opinião, é perfeitamente escolhido. O desenvolvimento de planos instrumentais lacônicos e distanciados, em alguns casos, baseia-se nos princípios do minimalismo sonoro, interpretados de maneira especial pelo gênio criativo. O mosaico da nova obra-prima de LS inclui um madrigal ambiente melódico ("Otherwere"); uma balada com nuances étnicas, habilmente cruzada com segmentos industriais ásperos (a duologia "Suspended In Whiteness"); prog alternativo semiacústico ("Asoulum"); um estudo melancólico na linha de Opeth e Wilson ("Gravestone Hill") e muito mais. O ato final do drama, intitulado "Vagando", foi composto por Duda em colaboração com Rafal Buczek, que contribuiu com partes de teclado e loops.
Em resumo:Uma sequência brilhante para uma estreia de sucesso. Um lançamento profundo, sincero e impactante, recomendado principalmente para os fãs de Riverside ., Árvore Porco-espinho e Anátema
.




Stevie Wonder - "Talking Book" (1972)

 

"Aqui está a minha música.
É tudo o que eu tenho a dizer sobre como me sinto."
Stevie Wonder




Esse é um best seller se formos comparar a discos de rithym and blues, como também de outros ritmos. Stevie Wonder, autor desta obra chamada Talking Book, escreveu linhas musicais excelentes. Como narrador-personagem, apresenta neste álbum páginas contendo versos e poesias das mais ricas. São enredos que abordam amores, desilusões, protestos e superstição. O gênero é o romance, composto por um disco completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos de caráter verossímil.
Sobre a performance de Wonder, se fosse um dicionário a palavra “talento” poderia ser um sinônimo associado a ele. Stevie toca “simplesmente” sete instrumentos, com três faixas do álbum as quais tem somente a presença dele. Fora a produção, que também tem a sua autoria. Basta lembrar que o nosso protagonista tinha 22 anos nesta época.
Em meio desta semântica de estudos de sons, interessante destacar o T.O.N.T.O. synthesizer (um gigante sitentizador com a dimensão de uma sala) e o Moog bass (com tamanho mais modesto, porém de sons graves poderosos).  Detalhe: todo este registro não tem baixo.
A primeira página de Talking Book abre com You Are the Sunshine of My Life. É uma levada com muita influência da bossa nova. Na abertura do disco, tem dois vocalistas: um masculino (Jim Gilstrap) e outro feminino (Lani Groves). Eles iniciam esta obra para que Wonder solte o seu vozeirão e barbarize no restante do álbum. Esses “figurantes” vão aparecer no decorrer deste disco. Já em Maybe Your Baby consta a presença do personagem Ray Parker Jr., tocando guitarra. Só para frisar, esse músico ficou conhecido por fazer a trilha sonora do filme The Ghostbusters (Os Caças-Fantasmas). O guitarrista fez uma contribuição tímida, mas competente nesta faixa, com solos puxando para o blues.
Virando a folha vem You and I (We Can Conquer the World), uma música simples, porém uma formidável balada com uma impressionante sustentação de voz de Wonder. Um piano “limpo” fazendo a base da canção, acompanhado de sons de um sintetizador. Já, curiosamente, Tuesday Heartbreak possui um começo rítmico bem parecido de Maybe Your Baby. É no estilo funk americano dos mais tradicionais, com direito a muitos efeitos nos teclados. Comparando novamente com a segunda faixa do disco, que tem uma guitarra verdadeira, nesta quarta música possui uma distorção do sintetizador sumula um wah wah, compensando a presença real desse instrumento de cinco cordas.
Com ar mais misterioso, You've Got It Bad Girl tem um ritmo latino (com uma percussão para contribuir para isso), com toques de jazz. Wonder toca a bateria com batidas bem mais “quebradas”, isso comparando com as outras músicas do álbum. Na sequência, é o momento ápice: Superstition - grande hit da sua carreira, que dispensa muitas apresentações. O que espanta são os coadjuvantes nessa canção, responsáveis pelos instrumentos de sopro. Com apenas Trevor Laurence, no saxofone, e Steve Madaio, no trompete, a sensação é que temos uma orquestra tocando. E lógico, pontos para o produtor Stevie Wonder para que isso ocorresse.
Esse manuscrito sonoro segue com Big Brother, a letra mais política e uma das melhores do disco. Um dos trechos vale a pena replicar: Your name is I'll see ya. I'll change if you vote me in as the pres. The President of your soul. I live in the ghetto. You just come to visit me 'round election time (Seu nome é “Nos vemos”. Eu irei mudar se você votar em mim para presidente. O presidente da sua alma. Eu moro no gueto. Você só vem me visitar nos tempos de eleição). Na canção, Wonder toca uma harmônica - com breves solos - em meio à música, enriquecendo-a. Além disso, chama a atenção a percussão com ritmo africano.
Liricamente, Blame It on the Sun é repleta de perguntas dentro da canção. Stevie acha muitas culpas, porém acredita numa resposta dizendo: "but, my heart blames it on me". Essa faixa ganhou uma cover de Phil Collins em seu disco Going Back, de 2010. Em Looking for Another Pure Love, Wonder chama outro guitarrista para contribuir de forma mais talentosa neste enredo. Jeff Beck (ex-Yardbirds) faz a sua especialidade: solos precisos de blues. Devido a isso, sua participação na música chega ao status de co-protagonista.
No capítulo final, I Believe (When I Fall in Love It Will Be Forever) entra no clima de grand finale com letra e cadência refletivas e depressivas, relatando sobre o amor. No entanto, como toda a boa história tem que acabar bem, finaliza num embalo de festa, com Wonder falando que, desta vez, o amor é verdadeiro.
Encerrando essa narrativa, deixe esse álbum bem posicionado na sua biblioteca musical. Um disco de cabeceira. Ao som de You Are The Sunshine Of My Life fica a pedida dessa “leitura musical” e faça-a em alto e bom tom!
Fim.
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FAIXAS:
  1. You Are The Sunshine Of My Life
  2. Maybe Your Baby
  3. You And I (We Can Conquer The World)
  4. Tuesday Heartbreak
  5. You've Got It Bad Girl
  6. Superstition
  7. Big Brother
  8. Blame It On The Sun
  9. Lookin For Another Pure Love
  10. I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)
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Ouça:



Stevie Wonder - “Songs In The Key Of Life” (1976)

 

“Songs In The Key Of Life’é apenas
um aglomerado de pensamentos
no meu subconsciente que meu Criador
decidiu me dar como força,
amor + amor – ódio = energia do amor capaz de fazer 
 o possível para
trazer 
 
à minha consciência 
 uma ideia.
Uma ideia para mim
é um pensamento formado
  no subconsciente,
o desconhecido e, 
 por vezes,
aquilo que se procura no impossível.” 
Stevie Wonder
texto do encarte original



Chegou a hora de falar de um monumento da música do Século XX e que vai ficar pra sempre na vida de todo mundo: “Songs In The Key Of Life”, de Stevie Wonder. Conheci este disco nas ondas da Continental Superquente 1120, em 1976. A rádio começou a tocar o primeiro de muitos hits do disco, "Isn't She Lovely". E aí me apaixonei. Comprei o disco em 1979 e começou uma longa história de amor e devoção com este disco com D maiúsculo.

Ele começa com um gospel wonderiano de arrepiar chamado "Love's in Need of Love Today". Nela, todos os instrumentos são tocados por ele - especialmente os sintetizadores -, a não ser uma percussão incidental. Os vocais também são todos de Stevie, que se esmera em criar um efeito de coral de igreja batista norte-americana. Um começo de impacto. O Stevie religioso se manifesta com "Have a Talk With God", na qual novamente está no comando de todos os instrumentos. Nela, SW diz: "Quando você achar que a vida está muito difícil/ apenas tenha uma conversa com Deus". Religiosidade sem pregação. "Village Ghetto Land" mostra o lado de preocupação social. Os sintetizadores - uma obsessão wonderiana na época - tão o tom sombrio de um gueto cheio de violência, lixo e descaso das autoridades.

Na sequência, uma das surpresas do disco: uma faixa instrumental chamada "Contusion". Uma espécie de homenagem de Stevie ao guitarrista Jeff Beck, que participou de vários discos dele durante a década de70 e recém havia lançado o também monumental "Blow by Blow". "Contusion" não ficaria mal como bonus track do disco de Beck. Comandada pela guitarra de Michael Sembello (que faria sucesso no começo dos anos 80 com "Maniac", lembram?) a música ganha os vocais de SW e outros vocalistas e se transforma em um fusion soul. Só ele mesmo poderia fazer algo do gênero. Pra fechar o Lado 1, um tributo ao mestre Duke Ellington e ao jazz: "Sir Duke" tem um naipe de sopros que faz lembrar a big bands de Duke e Count Basie, entre outros. O arranjo esperto de SW faz a gente bater o pé numa batida irresistível. Uma delícia!

No formato vinil, o lado 2 começa com Stevie recordando seus tempos de criança em Detroit, já cego em "I Wish". Nela, SW manda ver na bateria, base de todo o arranjo. Tirando o baixo de Ben Watts e os sopros, Stevie comanda o show dizendo "Eu gostaria que aqueles dias pudessem voltar uma dia / Eu gostaria que aqueles dias nunca tivessem desaparecido". Uma evocação da infância difícil, mas de muita luta. Foi lá que ele começou a tocar os primeiros instrumentos. Depois deste momento balançado de memória, vem a minha música preferida por motivos sentimentais: "Knocks Me Off My Feet". Uma balada tendo o piano como base, mas a letra é que dá o tema: "Não quero te incomodar/mas tem alguma sobre o teu amor/ que me faz fraco e me deixa fora de mim", numa tradução nada literal. Linda canção e que me emociona sempre que a ouço. E vendo ouvindo há mais de 30 anos. Isso é o que se pode chamar de uma música que fica contigo. Lembranças sentimentais à parte, vem "Pastime Paradise", cujo riff de sintetizadores imitando cordas virou a base de "Gangsta Paradise" de Coolio na década de 90. Novamente, as preocupações sociais de Stevie Wonder afloram: segregação, exploração, mutilação são os problemas que ele aponta. A solução deve ser integração, consolação, salvação para a paz no mundo. Tudo temperado com coro de Hara Krishnas e de uma igreja de Los Angeles.

É neste disco que Stevie dá vazão à suas indagações sobre o mundo. Contextualizando: os Estados Unidos tinham passado por uma tempestade social com o caso Watergate, a crise do petróleo e o crescimento da violência urbana, especialmente nos guetos. Estes fatos iriam desembocar nos anos 80 com o surgimento do rap e do hip hop, levando adiante a mensagem de Wonder. "Summer Soft" inicia como mais uma balada de SW, mas se transforma na segunda parte, quando o destaque fica com o órgão pilotado pelo grande Ronnie Foster (cuja importância para a música brasileira acontece em 1982, quando produz "Luz", o grande disco de Djavan). "Ordinary Pain" também tem uma ligação com a MPB. Em 84, no seu disco "Fullgás", Marina Lima fez uma versão da primeira parte desta música ("Pé na Tábua") . Mas SW foi engenhoso. Faz uma música de amores perdidos e a divide em duas, apresentando a versão masculina, suave, e a feminina, uma funkeira cantada por Shirley Brewer.

O Lado 3 começa com Aisha, a filha recém nascida de Wonder chorando. Esse choro se transforma na batida irresistível de "Isn't She Lovely", uma das canções mais conhecidas dele. O solo de harmônica desta canção é das melhores performances instrumentais que eu já ouvi. Um mega hit merecido e cantado até hoje nos shows, onde Stevie apresenta Aisha já adulta - e maravilhosa! "Joy Inside My Tears" traz SW outra vez no comando de todos os instrumentos, excetuando os teclados de Greg Phillinganes. Esta é daquelas canções que vão te pegando aos poucos. São necessárias várias audições pra entrar no clima. Mas depois te garanto, tu vais sair na rua cantando o refrão "You, you, you / have made life history / You brought some joy inside my tears".

"Black Man" é a epítome da preocupação de Wonder em integrar todas as raças. Ele traz para o final da música um professor que pergunta aos alunos questões sobre aventureiros, descobridores, políticos que tiveram grande feitos e as crianças respondem a raça de cada um deles. Brancos, negros, índios, todos mencionados e mostrando que somos iguais. Uma bela mensagem de integração numa base funk. Fechando o disco, o lado 4 abre com uma preciosidade: "Ngiculela", onde Wonder canta uma história de amor em uma língua africana, em espanhol e em inglês, sobre uma base instrumental feita somente por ele. Mágico, assim como a próxima faixa. "If It's Magic" é outra surpresa. O arranjo traz Dorothy Ashby na harpa e Wonder no vocal e na harmônica somente no final. Suavidade e beleza num momento de reflexão.

Na sequência, Stevie traz ninguém menos que Herbie Hancock pra pilotar o piano elétrico Fender Rhodes em "As", outra música de amor onde ele declara sua paixão dizendo que "Eu sempre te amarei/ Até que os arco-íris queimem o céu/ Até que os oceanos cubram todas as montanhas/ Até que a Mãe Natureza diga que seu trabalho está pronto". Nada vai impedir Stevie de sentir este amor por uma mulher, pelas crianças e pela humanidade. E se você conseguir ficar parado nesta canção, é porque está morto!!! Fechando o disco original, vem um petardo dançante chamado "Another Star" com as participações de George Benson na guitarra e Bobbi Humphrey na flauta. Stevie compreende o ideário pop e faz a gente cantar o tempo inteiro com um coro de backing vocais entoando apenas "lálálá". Impressionante o comando que ele tem das formas musicais que formam o que se convencionou chamar de "música pop". E o tempo todo em "Songs in The Key of Life” somos surpreendidos pelas sacadas geniais que ele arma, transformando e transmutando as formas do soul, do jazz, do funk, do gospel. Uma hora com um grupo convencional de guitarra, teclados, baixo,bateria e percussão. E em outra fazendo dos sintetizadores uma orquestra de cordas ou um órgão de igreja para passar sua inquietação sobre os destinos do mundo. Tudo isso em 1976!

No disco original ainda vinha um compacto duplo (vocês sabem o que é isso? Um disquinho de vinil com duas músicas de cada lado). A primeira é "Saturn", na qual tirando duas guitarras e um teclado, ele toca todos os instrumentos e faz todas as vozes. "Ebony Eyes" tem sabor de bubblegum pop com a novidade daquele momento, o talk box, que Peter Frampton tinha popularizado em seu disco "Frampton Comes Alive". Destaque também pro solo de sax de Jim Horn. "All Day Sucker" é um funkão que traz três guitarras (!!) fazendo a base para Stevie e os backing vocais de Carolyn Denis. E o compacto termina com ma faixa que se poderia chamar de balada jazzy chamada "Easy Goin' Evening (My Mama 's Call)”. O Fender Rhodes e a harmônica tocam a melodia, enquanto Nathan Watts faz a base para este final sereno de um totem da música de todos os tempos. Se você não conhece, aqui vai um presentinho do tio Paulo Moreira: logo abaixo um link para o disco completo. Desculpem o tamanho do texto, mas um disco desses merece!

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FAIXAS:
1. "Love's in Need of Love Today” - 7:06
2. "Have a Talk with God" (Wonder, Calvin Hardaway) - 2:42
3. "Village Ghetto Land" (Wonder, Gary Byrd) - 3:25
4. "Contusion" - 3:46
5. "Sir Duke" - 3:54
6. "I Wish" - 4:12
7. "Knocks Me Off My Feet" - 3:36
8. "Pastime Paradise" - 3:28
9. "Summer Soft" - 4:14
10. "Ordinary Pain" - 6:23
11. "Saturn" (Michael Sembello, Wonder) – 4:54
12. "Ebony Eyes” – 4:11
13. "Isn't She Lovely?" - 6:34
14. "Joy Inside My Tears" - 6:30
15. "Black Man" (Wonder, Byrd ) - 8:30
16. "Ngiculela” “(Es Una Historia)” “(I Am Singing)" - 3:49
17. "If It's Magic" - 3:12
18. "As" - 7:08
19. "Another Star" - 8:28
20. "All Day Sucker" – 5:06
21. "Easy Goin' Evening (My Mama's Call)" – 3:55

todas de Stevie Wonder, exceto indicadas

(ordem da versão em CD)



Stevie Wonder - "Innervisions" (1973)

 

“Ou isso é uma visão em minha mente?”
verso da canção “Visions”



Quando vi  Paul McCartney ao vivo chorei praticamente do início ao fim do show. Eu já previa que isso ia ocorrer, tendo em vista meu sentimento por sua obra, tão formativa quanto vital para a história da arte moderna – e até porque o podia fazer sem constrangimento, já que todo o estádio fazia igual a mim. Porém quando assisti pela TV Stevie Wonder no Rock in Rio 2011 eu não esperava que o mesmo acontecesse. E aconteceu... via satélite. Chorei música atrás de música, tanto nas lentas quanto nas agitadas – o que virou motivo de chacota entre os amigos. Mesmo já tendo boa parte da discografia dele há muito tempo, essa reação me surpreendeu, pois eu mesmo não tinha noção do quanto a obra mágica deste gênio (e isso eu já sabia) tinha tanto a ver comigo e que estava tão impregnada em minha alma. Mas se todas as músicas me tocavam, parei para pensar naquela hora, entre soluços e uma felicidade imbecil, com qual disco eu mais me identificava, uma vez que gosto de todos. A resposta veio como numa visão: “Innervisions”.
A escolha só podia ser de cunho emocional, pois TODA a discografia de Stevie Wonder dos anos 70 até o início dos 80 é fundamental. Assim como o lindo  "Talking Book"  (1972), já resenhado aqui, o exuberante “Songs in the Key of Life” (1976) ou a magnífica trilha sonora “Journey Through the  Secret Life of Plants” (1979), “Innervisions” é item obrigatório na prateleira de qualquer diletante. Um marco da black music considerado pelos críticos um dos melhores da música pop de todos os tempos. Mas o que para mim o diferencia e lhe dá um significado ainda maior é a relação estreita com universo onírico e figurativo de um artista que, cego desde a infância, é capaz de produzir uma arte absolutamente fulgurante, cristalina, repleta de verdade e sentimentos genuínos. Sua música vai no fundo do fundo do fundo.
“Innervisions” é o auge criativo de Stevie Wonder. A estas alturas, 1973, ele já não era mais o Little Stevie de quando surgira, aos 16 anos, como um prodígio; mas, sim, o consagrado Stevie Wonder, sucessor de uma linhagem que vem de Sam Cooke, Solomon Burke, Ray Charles, James Brown e que vai parar nos criativíssimos artistas negros da gravadora Motown como ele. Compositor nato, multi-instrumentista e dono de uma voz potente e deliciosa, capaz de ir de uma escala à outra sem esforço, Stevie já era nesta época um artista planetário que vendia milhões de discos. Mas, mais do que isso, “Innervisions”, Grammy de Melhor Álbum do Ano em 1974, é o resultado de um autoacolhimento pessoal, de um sentimento muito íntimo e definitivo de reconhecimento dele mesmo enquanto portador de uma deficiência. Não é à toa que a obra se refere justamente ao sentido que ele não possui: a visão (e será que não possui mesmo?...). Ali Stevie está pleno de si, fazendo com que o problema da falta de visão não seja um problema, mas, pelo contrário, um canal sensitivo que o fez se tornar alguém tão sensível que suas percepções se afinam a tal ponto de não precisar mais enxergar. Prova maior disso é que ele compõe, toca, canta, arranja e produz todo o disco. Até (pasmem!) a capa é concebida por ele: um desenho bastante simbólico em que a energia produzida por seus olhos ganha a atmosfera e a amplidão.
E as músicas, o que dizer? Somente nove faixas, perfeitas em tudo: melodia, harmonia, execução, arranjo, canto, edição de áudio. Clássicos do cancioneiro norte-americano e mundial, marcos do que de mais sofisticado e criativo se fez em música pop no século XX. O álbum abre mandando ver com “Too High”, um funk-jazz fusion cheio de um suingue tão contagiante que isso chega a exalar por sua voz e por todos os sons que emanam. Moderníssima em sonoridade e texturas, é tudo o que músicos cool de hoje gostariam de fazer mas não conseguem atingir. “Too fine”!
Se o clima começa animado e dançante, “Visions”, uma melancólica balada tocada em guitarra base, baixo acústico e guitarra-ponto entra delicada mas dizendo a que veio. De arrepiar. Cantada com extremo lirismo, sua letra fala de igualdade entre os homens e de um princípio natural capaz de promover paz para todos. “A lei nunca foi aprovada/ Mas de alguma forma todos os homens sentem que estão verdadeiramente livres finalmente/ Será que realmente fomos tão longe no espaço e no tempo/ Ou isso é uma visão em minha mente?”.
Não seria exagero se Stevie quisesse acabar o disco já na segunda faixa, que é daquelas canções definitivas. Mas o bom é que não acaba!, e na sequência vêm o arrebatador tema-denúncia “Living for the City”, show de vocais e sintetizadores que aborda a opressão aos negros, e “Golden Lady”, um soul romântico e suingado tão belo que chega a reluzir. Sempre colando uma faixa à outra – como é característico de seus discos –, o astral leve de “Golden Lady” dá lugar ao funkão pesado de “Higher Ground”, tão rock em concepção que não precisou muito para que o Red Hot Chilli Peppers  a regravasse anos depois com mais distorção mas sem grande alteração no arranjo. Os versos: “People keep on learnin'/ Soldiers keep on warrin'” (“As pessoas continuam aprendendo/ Os soldados continuam lutando”), viraram clássicos. Incrível, incrível.
Outra de deixar de o queixo caído é “Jesus Children of America”, soul cantado em escala decrescente, mas que, do meio para o fim, aumenta um tom, o que faz Stevie soltar, em várias vozes sobrepostas, seu afinado e cintilante falsete. O clima cai novamente, agora para uma suíte romântica ao piano de fazer qualquer casal brigado reatar: “All in Love is Fair”, típica balada Motown, com sua levada carregada de sentimento e um refrão que explode em emoção. Nessa Stevie dá uma verdadeira aula de canto. De chorar, ainda mais no fim em que bateria, voz e piano dão os suspiros finais.
Mas  se Stevie é hábil nas lentas, também possui o mesmo talento para fazer mexer o esqueleto. “Don’t  You Worry ‘bout a Thing”, que vem logo em seguida, é uma rumba marcada no piano e nos chocalhos que faz enxugar as lágrimas e levantar o astral de novo. Usada mais de uma vez no cinema, como na comédia “Hitch” (a cena do passeio de Jet-ski pelo rio Hudson de Nova Iorque), é daquelas músicas tão alegres que remetem diretamente ao colorido alegórico da cultura africana, influência sempre tão presente e hibridizada na obra de Stevie. O disco encerra na atmosfera melódica e gostosa de “He’s Misstra Know-it-all”, com seus bongôs acompanhando a bateria e o piano num andamento suave e suingado que, ao final, vai sumindo devagarzinho enquanto Stevie improvisa nos vocais.
Essas cores e esse brilho estavam no palco quando vi Stevie pela TV no Rock in Rio. Aos 70 anos, toda aquela verdade e prazer de produzir uma arte pura e elevada podia ainda ser percebida. Não tinha como não ficar tocado. Reouvi “Innervisions” dias depois do show, ainda sob efeito da apresentação. Mas não chorei mais, pois me dei conta de definitivamente se tratar de um dos artistas mais importantes para a minha vida. Ele, que eu já sabia ser um dos maiores de todos os tempos, como Mozart, Ravel , Coltrane , Chico  e o próprio MacCartney. Pode colocá-lo tranquilamente nesta fila, que aqui pra mim o altar dele já está reservado.

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FAIXAS:

1. "Too High"  Stevie Wonder 4:36
2. "Visions"  Wonder 5:23
3. "Living For The City"  Wonder 7:23
4. "Golden Lady"  Wonder 4:58
5. "Higher Ground"  Wonder 3:43
6. "Jesus Children Of America"  Wonder 4:10
7. "All In Love Is Fair"  Wonder 3:42
8. "Don't You Worry 'bout a Thing"  Wonder 4:45
9. "He's Misstra Know-It-All"  Wonder 5:35