segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Resenha Beyond The Blue Álbum de Beyond The Blue 1990

 

Resenha

Beyond The Blue

Álbum de Beyond The Blue

1990

CD/LP

Quem conhece e desbrava o universo AOR, sabe o quanto de tesouros submersos existem, só aguardando sua descoberta. Na época de seu maior desenvolvimento, entre 1978 e 1989, conhecida como Golden Era, o estilo pipocou tanta banda, mas tanta, que você pode levar anos e não vai conhecer a todas. Porém o disco aqui em questão é da pós Era, quase lá, de 1990, e não é por isso que não está no panteão dos discos magnânimos. Esse aqui transcende a luz AOR, é uma verdadeira obra prima. 
Capitaneado pelo cantor e compositor Emile Den Tex, com a adição do multi instrumentista  Lex Bolderdijk e o baterista Henri Van Bergen, o poder dessa obra é indescritível, com uma produção cristalina e muito avançada para a época. Nada nesse disco traz obsolescência, foi feito para ser atemporal,  com Emile lançando sua voz ao mesmo tempo poderosa e suave, completando totalmente o encaixe à sonoridade.

Essa imensidão sonora inicia com Atlantic Summer, em uma deliciosa levada e toques Westcoast, um coral de vozes arrebatador já trazendo de cara o refrão, e após, Emile entra já encantando. Imediatamente você já se vê em uma Ferrari conversível descendo na estrada já avistando o litoral. Um deleite sonoro.

A seguir vem More Than Ever Before, e os pelos saltam de sua pele como que tomando um choque elétrico. Uma perfeição AOR que não cabe nos ouvidos, onde seu ambiente já se diferencia de uma música básica do estilo. Canto bem aplicado e aquele capricho nas múltiplas vozes que permeiam todo o disco. Ao final desta, o instrumental vai em fade out mantendo as vozes terminando o som. Um toque primoroso.

Here On Our Own é lindíssima, com uma levada mais de balada, onde Emile exala emoção por todos os lados, com um refrão de corais em melodia servindo de cama para que ele se deleite em poesia cantada. Essa tem um solo de teclado delicioso, totalmente harmonioso ao clima dessa bela canção.

Em seguida vem Beyond The Blue, em seu tom jazzístico, e traz a pura magia Westcoast, uma suavidade ímpar. A batera, por mais suave que se apresente, se sente na alma a dedicação e força em criar tal andamento. 

Quatro batidas na caixa e Home explode em seus ouvidos. Um arregaço AOR, uma das mais esplêndidas joias do estilo. Nesse momento você já chegou no litoral em seu conversível e vai passando pelas belas praias banhadas de coqueiros e muito sol. E que refrão, senhoras e senhores, que refrão! Lex Bolderdijk aqui acerta em cheio nas levadas de guitarra e baixo, que aliás, baixo aqui nesse disco é daqueles que se sente no tórax, grave e pomposo. Emile detona aqui em um tema sobre respeito à seu lar, à suas origens.
Até aqui você já está dominado pelo feitiço de Beyond the Blue, e quer cada vez mais.

My Town é um som muito bonitinho, me lembrando quase um Frank Sinatra, com uma levada alegre, bastante fora dos ambientes anteriores, e fica em uma posição perfeita no disco, onde você descansa nas sombras dos coqueiros tomando aquela água de coco.

Intoxicated chega na veia. Dá pra sentir o sofrimento de Emile, cantando com corpo e alma, intoxicado pelo amor, por alguém que lhe desdenha e derrama indiferença. Um primor de música.

Only The River Knows  é violão e voz, e nesse momento o encanto dessa banda já lhe enebriou completamente. Basta apertar bem os fones ao ouvido e deixar sua canoa navegar pelas águas do límpido e calmo rio...

De volta à intensidade AOR, Bleeding Heart é puro poder, outra tremenda joia, com uma batida bruta e linha vocal mais pegajosa que Super Bonder. Ouça em alto volume.

Another World traz uma levada New Wave, outra bastante descolada dos outros temas, e diverte muito.  O baixo poderoso e pulsante é o capitão aqui.

Finalizando essa epopeia, Romancing The Fire dá uma sensação de disco conceitual, pois se trata de um som instrumental com um solo de guitarra fluente em uma cama baseada em Intoxicated, como se fosse uma continuidade da música, simplesmente impressionante. E é nesse genial conceito que terminamos essa grande obra.

Beyond the Blue é daqueles projetos que dita estilos, que é tão perfeito que ninguém ouviu. É um tesouro plenamente obscuro que não teve muita divulgação e se perdeu no tempo. Quem ler esse relato, me conte se já ouviu falar e pior: se tem uma cópia disso em CD ou vinil, pois vou pedir para guardar, porque isso é diamante bruto. Cada peça aqui se configura uma joia única, tanto em andamentos como em estilo, e todas se unificam em uma única perfeição. Ouçam em Youtube, baixem em Mp3, enfim, mantenham vivas essas esplendorosas obras pois é disso que o universo AOR é feito!

AOR Treasure Masterness.

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