sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

FADOS do FADO...letras de fados

 



A luz de Lisboa

*claridade*
Manuela de Freitas / José Mário Branco
Repertório de Camané

Quando Lisboa escurece
E devagar adormece
Acorda a luz que me guia;
Olho a cidade e parece
Que é de tarde que amanhece
Que em Lisboa é sempre dia

Cidade sobrevivente
Dum futuro sempre ausente 
Dum passado agreste e mudo
Quanto mais te enches de gente
Mais te tornas transparente 
Mais te redimes de tudo

Acordas-me adormecendo
E dos sonhos que vais tendo 
Faço a minha realidade
E é de noite que eu acendo
A luz do dia que aprendo 
Com a tua claridade


A luz do Castelo Picão

Artur Soares Pereira / Popular *fado das horas*
Repertório de Daniel Gouveia
Este tema aparece com o títiulo *Maria da Luz* no livro
*Poetas do Fado-Tradicional* de Daniel Gouveia e Francisco Mendes

No velho bairro de Alfama
Em tempos que já lá vão
Tive uma gaja da trama
A Luz do Castelo Picão

A Luz era uma gaiata 
Filha de um beijo qualquer
Mais tarde foi a mulher 
Que eu cantei em serenata
À luz do luar da prata 
Vi o seu olhar em chama
Com a luz que ele derrama 
O meu peito iluminei
Nessa noite em que a beijei
No velho bairro de Alfama

Comprei logo uma samarra 
Calças à boca de sino
Cantei o Alexandrino 
Acompanhado à guitarra
Depois entrei numa farra 
Quis armar-me em fanfarrão
Mas fui parar à prisão 
Por ter naifado um rufia
Só p’ra mostrar valentia
Em tempos que já lá vão

Na Rua de São Miguel 
Onde a ia namorar
À Luz, alguém foi chibar 
Que eu parava num bordel
Ela armou tal aranzel 
Que se ouviu em toda a Alfama
Mas um fadista com fama 
Tem de ter uma rameira
E na Rua da Regueira
Tive uma gaja da trama

E quando a Luz se apagou 
Na Rua do Paraíso
Quase perdi o juízo 
E toda a Alfama a chorou
Aquela que tanto amou 
Este fraco rufião
Fez de mim um valentão 
E nisso tenho vaidade
Mas eu choro de saudade
A Luz, do Castelo Picão

A luz do teu caminho

António Rocha / Miguel Ramos *fado margaridas*
Repertório de Francisco Martinho


Deixa-me ser a luz do teu caminho
Deixa-me ser um pouco do teu ser
Deixa que eu seja o guia do destino
Que destina a razão do teu viver

Eu queria ser a brisa morna e leve
Que agita o teu cabelo com meiguice
Poder estar um momento ainda que breve
Junto de ti sem que outro alguém me visse

Se eu conseguisse ser teu pensamento
Quando fitas serena o azul do céu
Jamais escutarias o lamento
Desta paixão por ti que Deus me deu

Eu queria ser o sol que de mansinho
Vem beijar o teu rosto com prazer
Deixa-me ser a luz do teu caminho
Deixa-me ser um pouco do teu ser



Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

Grandes álbuns do Prog-Rock: Soft Machine - "Bundles" (1975)

  "Fourth" (lançado em fev/71 - já comentado na postagem anterior - leia aqui ) foi acompanhado de uma turnê pela Holanda e Aleman...