quinta-feira, 10 de abril de 2025

Night Sun - Mournin'

 




Este é um daqueles álbuns que poderia ter sido um grande sucesso se tivesse sido lançado alguns anos antes. Night Sun pega um modelo proto-metal derivado principalmente do Deep Purple clássico - completo com um papel de destaque para o órgão elétrico de Knut Rossler - e o eleva ao nível 11, criando peças mais rápidas e furiosas do que qualquer coisa tentada pelo Deep Purple até então.

Meu Deus, esses caras são safados. Eles soam como Led Zeppelin acelerado e seus riffs são mais britânicos do que os do Deep Purple. Got a Bone of My Own = faixa garantida de fedorento.

Jesus, Conny Plank consegue até fazer "rock pesado" soar bem.

O Rugido da Besta Alemã: A História do Luto do Sol Noturno

No início da década de 1970, a Europa estava passando por uma febre elétrica. O hard rock, alimentado pelas brasas da psicodelia e do blues mais incendiário, se tornou a trilha sonora de uma geração que buscava romper com as estruturas do passado. Na Inglaterra, o Deep Purple já havia marcado um antes e um depois com In Rock (1970), álbum que transformou a sonoridade do gênero em uma explosão de brutalidade, virtuosismo e energia. Enquanto isso, na obscura e enigmática Alemanha, uma fera estava se formando nas sombras: Night Sun. Night Sun era uma anomalia no cenário alemão da época. Em uma terra dominada pelas explorações sonoras do krautrock e da experimentação progressiva, este quarteto de Mannheim canalizou sua fúria para uma explosão de rock pesado primitivo com o poder de um vulcão em erupção. Mournin' (1972) foi seu único testamento sonoro, uma peça cult que, com o tempo, seria redescoberta como uma das respostas mais brutais ao legado do In Rock.

O álbum é um turbilhão de riffs incandescentes, órgãos furiosos e intensidade vocal de partir o coração, cortesia do carismático Bruno Schaab. Sua voz, rouca e visceral, parece tirada do próprio inferno do blues, enquanto a guitarra de Walter Kirchgässner emite riffs que estão no mesmo nível dos de Ritchie Blackmore. A base rítmica, apoiada por Knut Rössler no órgão e Ulrich Staudt na bateria, atua como um motor imparável, catapultando cada música aos limites da loucura. Mas Mournin' não é apenas uma cópia do som britânico; É uma reinterpretação selvagem e intransigente. Músicas como "Plastic Shotgun" e "Got a Bone of My Own" levam o rock pesado para um território quase proto-metal, enquanto "Blind" e "Come Down" mergulham o ouvinte em um vórtice de agressão e drama. A influência do blues está presente, mas filtrada por um prisma abrasivo que prenuncia o advento do heavy metal.

Apesar de sua tremenda qualidade, o álbum passou despercebido em sua época. A banda se separou logo depois, deixando seu único trabalho como um fóssil sonoro esperando para ser desenterrado pelas gerações futuras. Com o tempo, Mournin' se tornou um tesouro para arqueólogos de rochas pesadas, uma joia escondida que provou que a Alemanha também podia rugir com a mesma fúria que seus colegas britânicos. Hoje, o álbum é aclamado como uma das grandes joias do hard rock inicial. Night Sun foi a resposta alemã ao In Rock, um flash na tempestade do rock pesado, cujos ecos continuam a ressoar nos ouvidos daqueles que buscam o som mais puro, cru e selvagem de uma era irrepetível.

Impressão pessoal: Night Sun e seu rugido infernal

No universo do hard rock dos anos 1970, onde riffs incendiários e estruturas progressivas começavam a se fundir, a Alemanha criou sua própria resposta ao icônico In Rock do Deep Purple. Mournin' (1972) do Night Sun não é apenas um poderoso álbum de hard rock; É uma criatura densa, escura e selvagem que é regida pela influência do florescimento progressivo do ambiente. Sua performance é marcada por padrões complexos, com explosões de "apresentação" brutal e feroz que resultam em um pastiche PESADO, quase claustrofóbico em sua intensidade.

Este álbum é um trabalho que combina agressividade com sofisticação. Apesar de sua sonoridade intensa, a marcante influência progressiva lhe confere uma graça inesperada. O resultado é uma jornada sonora que consegue ser ao mesmo tempo requintada e venenosa, com uma proposta que alterna entre caos e estrutura com precisão quase matemática. Night Sun pega o melhor do hard rock britânico e tempera com o espírito industrial e a crueza da Alemanha do pós-guerra. Muitos apontaram a conexão entre Mournin' e álbuns seminais como Death Walks Behind You, do Atomic Rooster. A mistura dessas influências resulta em um som sombrio, pesado e turvo, mas que nunca cai na simplicidade. Em vez disso, Night Sun utiliza instrumentação explosiva: guitarras afiadas, órgãos distorcidos, baixos serpenteantes e baterias que mudam os ritmos sem aviso. Tudo isso se traduz em uma obra que beira o experimental sem perder sua essência devastadora.

Conclusão A Lenda do Sol Noturno

Falar sobre Mournin' é falar de um trabalho que pode muito bem ser considerado um marco do proto-metal. Sua atmosfera densa e execução lembram In Rock, mas sua inclinação para o "progressivo pesado" o distingue de seus contemporâneos. Este não é um hard rock simplista, mas sim um som multicamadas, ideal para amantes de sons de metal primitivo.

Este álbum, embora ignorado na época, exala uma energia avassaladora que o torna uma peça essencial dentro do culto do heavy rock. Apesar de sua densidade, seu impacto é imediato: seus riffs esmagadores, fusões inesperadas e visão progressiva o transformam em uma máquina infernal à frente de seu tempo. Mournin' não é apenas um álbum, é um manifesto sonoro que prenuncia o boom do metal que dominaria o novo mundo. Uma obra pioneira, indomável e brutal. Um álbum cult indiscutível. Até mais.


01. Plastic Shotgun
02. Crazy Woman
03. Got a Bone of My Own
04. Slush Pan Man
05. Living with the Dying
06. Come Down
07. Blind
08. Nightmare
09. Don't Start Flying

CODIGO: A-1

MUSICA&SOM





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